sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose – parte 5


Nas últimas décadas, tem havido um apelo à mudança entre as partes envolvidas na gestão clínica da escoliose idiopática

Os pais de crianças com escoliose queixam-se do chamado "esperar e ver" de muitos médicos ao verem escolioses entre 10° e 25°, e cada vez mais procuram outras soluções.

Nesse sentido, iremos resumir neste artigo com 7 partes, as ideias das sete principais escolas no tratamento de escoliose a nível mundial, e as suas abordagens aos exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose (EEFE).

O objetivo não é determinar qual abordagem é superior, mas sim que os fisioterapeutas possam incorporar o melhor de cada uma delas na sua prática clínica, melhorando os resultados do tratamento conservador para a escoliose idiopática.

The Dobomed method (Polónia)

A técnica básica do método Dobomed é a correção ativa em 3D, envolvendo a mobilização da curvatura primária, com ênfase especial na “cifosização” da coluna torácica e/ou “lordosização” da coluna lombar.

Essa mobilização da curva primária é realizada em cadeia cinética fechada e desenvolvida sobre uma pélvis e cintura escapular simetricamente posicionadas.

A pélvis e os ombros são posicionados primeiro e mantidos estáveis durante a todo o exercício e as fases de inspiração e expiração, parte da respiração ativa assimétrica.

O método Dobomed usa a técnica de respiração de "phased-lock" para auxiliar na correção e estabilização da coluna vertebral.
Na respiração " phased-lock ", durante a inspiração, uma forte pressão local é aplicada no lado côncavo da curvatura, enquanto durante a expiração é aplicada uma facilitação subtil no lado convexo. Durante a expiração, a contração isométrica dos músculos do tronco ajuda a estabilizar a correção ou hipercorreção.

Por isto, a cooperação é o requisito básico no uso do método Dobomed, não sendo recomendado para crianças pequenas, incapazes de entender e realizar os exercícios.

O método Dobomed consiste em três partes:

1. Fase de flexão para frente: A autocorreção 3D ativa da coluna vertebral e caixa torácica durante a flexão para frente é um componente original e a principal técnica corretiva do método Dobomed. Exercícios de flexão para frente são projetados em cadeias cinéticas fechadas para aumentar a sua eficácia. A flexão para frente é feita com fixação rígida da pélvis e da cintura escapular através dos membros superiores e inferiores.


2. Fase preparatória: No início da sessão de exercícios, após o aquecimento, são realizados exercícios em posições baixas. Essas posições baixas aliviam os paravertebrais do stress mecânico de suportar a coluna contra a gravidade. É provável que, por causa disso, a maior correção da escoliose seja observada nessas posições de baixa flexão. Um exercício de pausa é realizado entre exercícios em posições baixas. Um exercício de pausa consiste na “cifosização” ativa máxima da coluna torácica e “lordosização” da coluna lombar com correção simultânea da deformação da coluna.

3. Correção automática 3D ativa em posições verticais: Exercícios ativos de correção automática são realizados em posições altas (a coluna é colocada verticalmente), onde os músculos do tronco devem trabalhar para apoiar a coluna contra a força da gravidade.

A mobilização assimétrica do tronco em posições estritamente simétricas, como parte do método de Dobomed, mostrou diminuir os ângulos de Cobb e a rotação vertebral ou, no mínimo, interromper a progressão da escoliose.

Além disso, o tratamento conservador da escoliose idiopática usando o método Dobomed de exercícios respiratórios 3D intensivos ajuda a preservar a eficiência do exercício normal de pacientes com escoliose idiopática, medida pelo limiar anaeróbio ventilatório.


Berdishevsky H, Lebel VA, Bettany-Saltikov J, Rigo M, Lebel A, Hennes A, Romano M, Białek M, M'hango A, Betts T, de Mauroy JC, Durmala J. Physiotherapy scoliosis-specific exercises - a comprehensive review of seven major schools. Scoliosis Spinal Disord. 2016 Aug 4;11:20.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Fisioterapia na Cirurgia Cancro da Mama, o que diz a ciência sobre a sua reabilitação.


Autora: Fisioterapeuta Conceição Rebelo Andrade

A actuação do fisioterapeuta começa logo quando a doente é encaminhada pelo médico na fase pré-operatória, podendo e devendo prevenir uma série de complicações, sendo significativo o impacto causado pelo diagnóstico, tanto a nível psicológico, emocional, familiar, profissional e social.

Ao longo dos anos foram desenvolvidas orientações sobre a prática clínica baseadas na evidência. Havendo escassa literatura sobre a evidência clínica, existem Guidelines de prática clínica que dão orientações mais concretas no tratamento pós-operatório e tardio do cancro da Mama.

Sabemos que o tratamento do Cancro da Mama inclui várias opções,  cirúrgicas, quimioterapia, radioterapia, terapia hormonal e terapias alvo.
São vários os tipos de Cirurgia, consoante o tipo de tumor, a sua localização, tamanho, quantidade de tecido circundante a ser removido e história clínica da doente:

Cirurgia conservadora
Tumorectomia
Quandrantectomia

Mastectomia
Mastectomia simples
Mastectomia radical

Cirurgia Reconstrutiva
Colocação de protese simples
Transferencia de retalhos de pele
Retalhos do Musculo Grande Dorsal
Retalho Miocutâneo do músculo Reto Abdominal, TRAM
Retalho perfurante da artéria epigástrica profunda DIEP
Retalho perfurante da artéria superficial epigástrica inferior DIEAP
Estas diferentes abordagens podem ser acompanhadas com esvaziamento axilar ou pesquisa do gânglio sentinela, no qual a fisioterapeuta terá abordagens mais especificas.

O Internamento hospitalar

As complicações mais comuns do pós-operatório são:
  • Alterações funcionais com perda da força muscular
  • Rigidez articular com perda de amplitudes
  • Seroma
  • Axilary web sindrome /cordões linfáticos
  • Dor
  • Alteração da sensibilidade (lesão do nervo intercostobraquial)
  • Aderências e retrações das cicatrizes
  • Fadiga

Tendo o fisioterapeuta conhecimentos profundos das patologias oncológicas, sabendo as limitações hematológicas por Quimioterapia e as complicações que advém da Radioterapia, estabelece um plano de tratamento que inclui as várias fases de tratamento.
Toda a abordagem da fisioterapia no  pós-operatório imediato terá de ter em conta vários factores. Os mais importantes são:
  • História clínica do doente
  • Condição física
  • Tipo de cirurgia efectuada
  • Se teve tratamentos de Quimioterapia e outros


Cirurgia

1ªfase- Pré-operatória
  • Avalia alterações posturais, respiratórias, funcionais
  • Corrige alterações, ensinando exercícios para melhorar as capacidades musculares, funcionais e articulares dos membros
  • Aconselha cuidados a ter com o corpo, sobretudo com a pele
  • Alerta e aconselha o que deverá fazer após a sua cirurgia


2ªfase- Pós-operatório imediato
  • Ensinando exercícios de relaxamento para alivio da dor, exercícios respiratórios para aumentar as capacidades ventilatórias, prevenindo complicações respiratórias
  • Ensina posicionamentos do lado operado, para prevenção da dor
  • Aconselha quais os cuidados a ter com o lado operado, com a hidratação da pele
  • Motiva o doente para a reabilitação psicossocial, ajudando a encontrar os meios
  • Executa manobras de DLM, para aliviar o edema da parede torácica e estimular a circulação linfática, prevenindo possìveis seromas e complicações a nível da região axilar.
  • Estimula a doente a fazer a sua higiene pessoal
  • Motiva o doente para fazer actividade física e exercício

A Fisioterapia deverá começar logo no 1º dia pós cirurgia

1º ao 4º dia de internamento
·      Tendo em conta o tipo de cirurgia, os pontos e drenos
     ·     Deverá encorajar a doente a fazer, ensina e executa   movimentos suaves e progressivos activo-assistidos do ombro
       ·      Faz manobras de DLM
       ·      Executa exercícios respiratórios
       ·      Ensina a posicionar o membro do lado operado
       ·      Ensina posturas para alívio da dor

5º dia em diante até á alta hospitalar
O tempo de cada fase depende do estado clínico da doente, das complicações cirúrgicas se as houver, dos drenos, do processo de cicatrização, do tipo de cirurgia realizada, bem como as recomendações dos cirurgiões. Nesta fase o fisioterapeuta:
·      Estimula a continuação dos exercícios para aumento das amplitudes, respeitando a colocação dos drenos
·   Faz as manobras de DLM para prevenção do Seroma, Linfedema estimulando a circulação linfática
·      Insiste nos cuidados com a hidratação da pele
·      Ensina posturas e exercícios para alívio da dor
·     Insiste no aconselhamento dos cuidados a ter, motivando-a para a reabilitação em ambulatório ao exercício físico e ao retorno das suas actividades da vida diária

3ª Fase
Tratamento tardio e ambulatório que se prolonga durante os tratamentos de quimioterapia, Radioterapia e durante o folow up, para prevenção de complicações
Na fase de tratamento ambulatório que se prolonga durante os tratamentos de Quimioterapia e Radioterapia, a Fisioterapia tem um papel fundamental.
Quanto mais precocemente a doente é orientada para os tratamentos com a sua fisioterapeuta, mais rápida é a sua recuperação.

 As doentes que seguem as orientações e aderem ao plano de tratamentos de fisioterapia, diminuem o seu tempo de recuperação e mais depressa voltam às suas actividades quotidianas, desportivas, ocupacionais, readquirindo as amplitudes normais dos movimentos, força, boa postura, coordenação, auto estima e principalmente prevenindo complicações pós operatórias.
Esta abordagem na fase tardia deve ser feita, mesmo durante os anos seguintes acompanhando sempre o folow-up da doente.

Fase Tardia, Folow-up
 Após a avaliação o fisioterapeuta planifica os tratamentos em função das:
·        Alterações das amplitudes articulares e funcionais para que possa retomar as suas actividades quotidianas e, no caso de Radioterapia, não ter dificuldade para o realizar o posicionamento 
·       Nas aderências e retrações das cicatrizes, tendo a atenção que devem ser minimizadas quando efectuar a Radioterapia
·      Alterações da sensibilidade e neurológicas, massajando as áreas envolventes e sobretudo a parede torácica, incluindo todo o tecido mamário
·    Avaliando possíveis aparecimento de cordões linfáticos, tratando os com as técnicas recomendadas
·       No alívio da dor, com técnicas de relaxamento
·      Na prevenção e tratamento do Linfedema, sendo que no EA terá de fazer um folow up, avaliando trimestralmente a doente, para que possa precocemente tratar com as terapias linfáticas descongestivas
·       Relembra os cuidados a ter com o lado operado com a pele
·       Incentiva o exercício físico,encaminhando ou executando um plano de exercício que promova o alongamento, elasticidade/flexibilidade e aumentando progressivamente o grau de intensidade, carga e frequência
·      Incentiva a correção postural global, com exercícios específicos e com incentivando à sua auto correção postural
·        Motiva e incentiva o retorno ás actividades da vida diária o mais breve possível




Fisioterapeuta Conceição Rebelo de Andrade
·         ·         Bacharelato em Fisioterapia na Escola Superior de Saúde de Lisboa 1978;
·        ·         Especialização em Fisioterapia Oncológica, tendo desempenhado funções no IPOFG de Lisboa desde 1980;
·         Especialista em drenagem linfática Manual Método Leduc desde 1996 Cancro da Mama e Linfedema;
·         Colaboradora com a Faculdade de Medicina de Lisboa na docência da cadeira de Oncologia Médica;
·         Membro da organização do 1º curso Método Leduc em Lisboa;
·         Fisioterapeuta Orientadora de Estágio a alunas da ESTesL, Alcoitão;
·         Prática em Clinica Privada, Prestadora de Cuidados em Fisioterapia PTACS;
·         Colaboradora na Mamahelp Lisboa desde 2011
·         Colaboradora na Unidade de Mama Fundação Champalimaud desde 2011
·         Colaboradora Fisioterapeuta na Saudestrutural desde 2014.


Revisão bibliográfica
Clinical Practice Guidelines for Breast Cancer Rehabilitation 2012
Canadian Cancer Society-Exercises after breast surgery
Canadian Physiotherapy Association
European Consensus Rehabilitation After Breast Cancer treatment 2012

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose – parte 4

Nas últimas décadas, tem havido um apelo à mudança entre as partes envolvidas na gestão da escoliose idiopática. Os pais de crianças com escoliose queixam-se do chamado "esperar e ver" de muitos médicos ao verem escolioses entre 10° e 25°, e cada vez mais procuram outras soluções.

Nesse sentido, iremos resumir neste artigo com 7 partes, as ideias das sete principais escolas no tratamento de escoliose a nível mundial, e as suas abordagens aos exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose (EEFE).

O objetivo não é determinar qual abordagem é superior, mas sim que os fisioterapeutas possam incorporar o melhor de cada uma delas na sua prática clínica, melhorando os resultados do tratamento conservador para a escoliose idiopática.

Barcelona scoliosis physical therapy school (Spain)



O BSPTS é um método fisioterapêutico que pode ser definido como um plano terapêutico de treino cognitivo, sensório-motor e cinestésico para ensinar o paciente a melhorar sua postura e forma 3D da escoliose com base no pressuposto de que a postura escoliótica promove a progressão da curvatura.

Este método adopta os princípios originais de Katharina Schroth, fornecendo tratamento 3D das curvaturas baseado na respiração e ativação muscular.
O método recomenda que os fisioterapeutas trabalhem como parte de uma equipa multidisciplinar de acordo com as diretrizes do SOSORT e a filosofia da Scoliosis Research Society (SRS).

Esta filosofia considera o elemento humano envolvido no tratamento da escoliose, e enfatiza a importância de não induzir falsos medos em pacientes com diagnóstico de escoliose leve, não-progressiva ou estável, a fim de torná-los clientes de longo prazo.

Sistema de classificação

Todos os tipos e sub-tipos de escoliose são classificados de acordo com um esquema de blocos ou regiões do tronco, baseado nas classificações originais desenvolvidas por Katharina Schroth e posteriormente modificadas em 2010 por Manuel Rigo. Os blocos ilustram o padrão da curvatura espinhal do paciente, mostrando as deslocações e rotações da deformidade escoliótica em três dimensões.
Ao permitir que o terapeuta e o paciente visualizem a deformidade, os blocos ajudam a educar o paciente e a criar um plano apropriado para tratar o paciente.



Princípios de correção 3D

A correção postural 3D é feita através de movimentos de translação, rotação e mistos (expansões sagitais).
O sucesso do método baseia-se em exercícios de fortalecimento adaptados a cada paciente e ao seu padrão de curva específica.

 

Os exercícios de respiração originalmente desenvolvidos por Katharina Schroth ajudam na “desrotação” da grade costal e no aumento da capacidade vital. Esta técnica de respiração única ajuda a expandir as costelas do interior da caixa torácica, empurrando as costelas "de lado e para trás", e movendo as vértebras para mais perto da sua posição normal e “não torcida”.






O número de horas necessárias para treinar os exercícios com eficácia e segurança varia, e depende também da modalidade, individual ou em grupo. Os grupos são limitados, mas essa limitação depende também da experiência e da capacidade do terapeuta.
60h em grupo e 20h em privado são tipicamente suficientes para alcançar uma técnica de alto nível, mas após algumas horas de tratamento (por exemplo, 9h em grupo), os pacientes podem reproduzir a correção em várias posições iniciais e podem começar a praticar em casa. O paciente pode sempre melhorar o nível de desempenho com a ajuda do terapeuta, mas a perfeição não é necessária para obter resultados positivos.

Os princípios BSPTS são totalmente compatíveis com conceitos de suporte, como o aparelho Rigo-Chêneau, um suporte rígido e assimétrico. O objetivo principal é trazer o paciente para a melhor correção 3D possível semelhante à utilizada num molde de gesso, mas neste caso sem qualquer tração passiva.



Berdishevsky H, Lebel VA, Bettany-Saltikov J, Rigo M, Lebel A, Hennes A, Romano M, Białek M, M'hango A, Betts T, de Mauroy JC, Durmala J. Physiotherapy scoliosis-specific exercises - a comprehensive review of seven major schools. Scoliosis Spinal Disord. 2016 Aug 4;11:20.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose – parte 3

Nas últimas décadas, tem havido um apelo à mudança entre as partes envolvidas na gestão da escoliose idiopática. Os pais de crianças com escoliose queixam-se do chamado "esperar e ver" de muitos médicos ao verem escolioses entre 10° e 25°, e cada vez mais procuram outras soluções.

Nesse sentido, iremos resumir neste artigo com 7 partes, as ideias das sete principais escolas no tratamento de escoliose a nível mundial, e as suas abordagens aos exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose (EEFE).

O objetivo não é determinar qual abordagem é superior, mas sim que os fisioterapeutas possam incorporar o melhor de cada uma delas na sua prática clínica, melhorando os resultados do tratamento conservador para a escoliose idiopática.

Scientific exercise approach to scoliosis – SEAS (Itália)


O método SEAS é um programa de exercícios individualizado, cientificamente adaptado a todos os aspetos do tratamento conservador da escoliose, que se concentra em recuperar o controlo postural e melhorar a estabilidade espinal através de exercícios de auto-correção ativa 3D da postura escoliótica.

Para curvas suaves a moderadas durante o crescimento ativo, o SEAS é usado isoladamente para reduzir a necessidade de apoio.
Nas curvas moderadas a graves durante o crescimento ativo, o SEAS é usado em combinação com o colete para retardar, parar e possivelmente reverter a progressão da curva, e na preparação para o “desmame” da órtese.
Em pacientes adultos com escoliose, com curvas progressivas ou fundidas, o SEAS ajuda a estabilizar a coluna vertebral e a reduzir a incapacidade.

Os exercícios do SEAS treinam os sistemas neuromotores para ativar um reflexo de auto-correção da postura durante as atividades da vida diária. O SEAS pode ser realizado em regime ambulatorial (2-3 vezes por semana durante 45 min) ou como um programa de exercícios domiciliares de 20 min diariamente, em conjunto com sessões de fisioterapia especializadas de 1,5h a cada três meses para avaliação contínua e adaptação da terapêutica.



Princípios de correção 3D


Ao paciente é solicitado que se coloque quatro questões e que as responda:

1. "A minha coluna está apoiada e não relaxada?"
Durante a realização dos exercícios SEAS, os pacientes são sempre orientados a começar a partir de onde a coluna está numa posição de apoio básico. Uma vez ciente de que a coluna está suportada e não relaxada, o paciente então executa a auto-correção primeiro com a ajuda de um espelho e mais tarde sem.

2. "O meu corpo está mais simétrico do que antes?"
Como o paciente inicialmente executa a auto-correção à frente do espelho, o primeiro teste é visual (vejo que meu corpo é agora mais simétrico do que antes). Mas ao longo do tempo deverá ser capaz de sentir que o seu corpo é mais simétrico e de realizar exercícios sem a ajuda do espelho.

3. "Ao fazer o exercício, sou capaz de manter a correção?"
A resposta a esta pergunta ajuda o fisioterapeuta a ajustar o nível de dificuldade dos exercícios. Se o paciente é capaz de manter a correção, o terapeuta pode decidir aumentar a dificuldade do exercício. Se o paciente é incapaz de manter a correção, deve realizar um exercício menos difícil.

4. "Sou capaz de reconhecer que o meu corpo retorna à posição em que estava antes de realizar a auto-correção?"
O paciente realiza o exercício por cerca de 10 segundos, depois relaxa lentamente, retornando da posição auto-corrigida para a sua posição normal. 
Ao responder "sim" a esta pergunta, isso significa que o paciente foi capaz de observar a mudança de posição. Se o paciente responde "não" a esta questão, isso significa que a auto-correção foi perdida em algum momento durante a execução do exercício, e o exercício realizado perdeu a sua especificidade corretiva.

Colete Sibilla

Na escoliose progressiva leve (até 30° Cobb) que não pode ser controlada através de exercícios SEAS, o primeiro objectivo é evitar a progressão, permitindo a máxima liberdade possível nas actividades da vida diária e reduzir o desconforto causado pelo colete.
Nestes casos, o colete escolhido será menos rígido (Sibilla) e terá de ser usado durante 18 a 20h por dia até o final do período progressivo (até estágio 3 de Risser), altura em que o doente fará o “desmame” do colete.

Colete Sforzesco

Na escoliose grave do adolescente (até 45° -50° Cobb), e se o paciente não quer ser operado ou a cirurgia não é uma opção viável, o objetivo é, no mínimo, evitar a progressão, contudo, isso não garante a estabilidade na idade adulta.
Nestes casos, o colete mais rígido (Sforzesco) é usado todo o dia durante pelo menos um ano. O uso do colete é então gradualmente reduzido em 1/2 horas a cada seis meses, mantendo os resultados, e deve ser usado até 18 h por dia, até Risser estágio 3.



Berdishevsky H, Lebel VA, Bettany-Saltikov J, Rigo M, Lebel A, Hennes A, Romano M, Białek M, M'hango A, Betts T, de Mauroy JC, Durmala J. Physiotherapy scoliosis-specific exercises - a comprehensive review of seven major schools. Scoliosis Spinal Disord. 2016 Aug 4;11:20.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

As 5 principais neuropatias nos membros inferiores: Anatomia e Ressonância Magnética

Embora os nervos possam ser lesados em qualquer lugar ao longo do seu percurso, a compressão nervosa periférica ocorre mais em locais específicos, como locais onde o nervo percorre túneis fibro-ósseos ou fibromusculares ou penetra nos músculos.

Tipicamente, o diagnóstico baseia-se na combinação de história clínica, exame físico e estudos eletrodiagnósticos. No entanto, estas informações podem ser insuficientes para fazer um diagnóstico preciso, e a imagem está a ser usada com frequência para confirmar diagnósticos.

A ressonância magnética (RM) e a ultrassonografia de alta resolução (US), como técnicas não-invasivas, fornecem valiosas informações espaciais ao fazer distinções diagnósticas importantes que não podem ser facilmente realizadas usando outros métodos existentes.

Embora ambos permitam a visualização anatómica direta, identificação da causa e localização de anormalidades primárias, a RM evidencia anormalidades de sinal dentro do próprio nervo e é considerada superior na delineação dos sinais indiretos associados à desnervação muscular.

A intensidade do sinal de um nervo normal na RM é de intermédia a baixa nas sequências ponderadas em T1, tornando-se ligeiramente mais alta em T2 e outras sequências sensíveis a fluidos.

Um sinal hiperintenso do músculo desnervado é geralmente associado a síndrome compressiva aguda, e a infiltração de gordura e atrofia muscular são os sinais de neuropatia crónica, em casos de longa duração.

Nervo ciático

A compressão do nervo ciático pode ocorrer na região da anca e, menos comumente, na coxa, e as apresentações clínicas são baseadas no nível da lesão.

A neuropatia ciática pode resultar de condições tais como compressão fibrosa ou muscular, compressão vascular, cicatrização relacionada com trauma ou radiação, tumores e neuropatia hipertrófica. A Síndrome do piramidal é um diagnóstico controverso, mas muitas vezes pensa-se estar relacionado com a compressão do nervo ciático.

A ressonância magnética pode mostrar variações na anatomia, hipertrofia muscular, bem como sinal anormal do nervo ciático.



Nervo Peroneal Comum

O impacto no nervo peroneal comum pode ocorrer ao nível da cabeça do peróneo, pela sua localização superficial, ou à medida que se desloca profundamente para a origem do músculo longo peroneal.

As etiologias da neuropatia peroneal comum podem incluir mononeurite idiopática, lesões intrínsecas e extrínsecas ocupantes de espaço, incluindo um quisto ganglionar intraneural ou lesão traumática do nervo, especialmente relacionada com fraturas proximais do perónio. Clinicamente, os pacientes podem sofrer dor no local da compressão, com sinais de pé pendente.

A RM é indicada para descrever a localização e a causa da compressão do nervo e avaliar o estágio da neuropatia (indicada pela denervação precoce do músculo ou alterações posteriores como atrofia).


Nervo tibial

A síndrome do túnel do tarso é uma neuropatia de compressão bem conhecida do nervo tibial posterior. Etiologias comuns incluem fibrose pós-traumática devido a fratura, tenossinovite, quistos ganglionares, lesões que ocupem espaço e veias dilatadas ou tortuosas.

A maioria dos pacientes com síndrome do túnel do tarso tem dor, ardor e parestesia ao longo da face plantar do pé e dedos.
A RM é útil para localizar patologias dentro do túnel do tarso e descrever a extensão da lesão e relação com o nervo.

A compressão do nervo tibial proximal é incomum. Ocorre quando o nervo tibial proximal passa sob a fossa tendinosa na origem do músculo solear. A apresentação clínica inclui dormência, parestesias na sola do pé e dor na face posterior da perna.

A RM é útil na deteção do aumento da intensidade do sinal em T2 do nervo, bem como na alteração do sinal nos músculos gastrocnémio e solear desnervados.


Nervo Interdigital

A causa mais comum para o neuroma de Morton é o stresse mecânico repetitivo com fibrose perineural subsequente, mas outras possibilidades incluem isquemia e compressão do nervo por uma bolsa intermetatarsal inflamada e aumentada.

Mais frequentemente ocorre entre o segundo e terceiro espaços intermetatarsais, muitas vezes associado à bursa intermetatarsal.


A aparência da ressonância magnética do neuroma de Morton é característica, tipicamente manifestada como uma massa de tecido mole em forma de lágrima, com sinal aumentado em ambas as imagens ponderadas em T1 e T2 entre as cabeças metatarsais.



Dong QJacobson JAJamadar DAGandikota GBrandon CMorag YFessell DPKim SMEntrapment neuropathies in the upper and lower limbs: anatomy and MRI features. Radiol Res Pract. 2012;2012:230679.