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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose – parte 4

Nas últimas décadas, tem havido um apelo à mudança entre as partes envolvidas na gestão da escoliose idiopática. Os pais de crianças com escoliose queixam-se do chamado "esperar e ver" de muitos médicos ao verem escolioses entre 10° e 25°, e cada vez mais procuram outras soluções.

Nesse sentido, iremos resumir neste artigo com 7 partes, as ideias das sete principais escolas no tratamento de escoliose a nível mundial, e as suas abordagens aos exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose (EEFE).

O objetivo não é determinar qual abordagem é superior, mas sim que os fisioterapeutas possam incorporar o melhor de cada uma delas na sua prática clínica, melhorando os resultados do tratamento conservador para a escoliose idiopática.

Barcelona scoliosis physical therapy school (Spain)



O BSPTS é um método fisioterapêutico que pode ser definido como um plano terapêutico de treino cognitivo, sensório-motor e cinestésico para ensinar o paciente a melhorar sua postura e forma 3D da escoliose com base no pressuposto de que a postura escoliótica promove a progressão da curvatura.

Este método adopta os princípios originais de Katharina Schroth, fornecendo tratamento 3D das curvaturas baseado na respiração e ativação muscular.
O método recomenda que os fisioterapeutas trabalhem como parte de uma equipa multidisciplinar de acordo com as diretrizes do SOSORT e a filosofia da Scoliosis Research Society (SRS).

Esta filosofia considera o elemento humano envolvido no tratamento da escoliose, e enfatiza a importância de não induzir falsos medos em pacientes com diagnóstico de escoliose leve, não-progressiva ou estável, a fim de torná-los clientes de longo prazo.

Sistema de classificação

Todos os tipos e sub-tipos de escoliose são classificados de acordo com um esquema de blocos ou regiões do tronco, baseado nas classificações originais desenvolvidas por Katharina Schroth e posteriormente modificadas em 2010 por Manuel Rigo. Os blocos ilustram o padrão da curvatura espinhal do paciente, mostrando as deslocações e rotações da deformidade escoliótica em três dimensões.
Ao permitir que o terapeuta e o paciente visualizem a deformidade, os blocos ajudam a educar o paciente e a criar um plano apropriado para tratar o paciente.



Princípios de correção 3D

A correção postural 3D é feita através de movimentos de translação, rotação e mistos (expansões sagitais).
O sucesso do método baseia-se em exercícios de fortalecimento adaptados a cada paciente e ao seu padrão de curva específica.

 

Os exercícios de respiração originalmente desenvolvidos por Katharina Schroth ajudam na “desrotação” da grade costal e no aumento da capacidade vital. Esta técnica de respiração única ajuda a expandir as costelas do interior da caixa torácica, empurrando as costelas "de lado e para trás", e movendo as vértebras para mais perto da sua posição normal e “não torcida”.






O número de horas necessárias para treinar os exercícios com eficácia e segurança varia, e depende também da modalidade, individual ou em grupo. Os grupos são limitados, mas essa limitação depende também da experiência e da capacidade do terapeuta.
60h em grupo e 20h em privado são tipicamente suficientes para alcançar uma técnica de alto nível, mas após algumas horas de tratamento (por exemplo, 9h em grupo), os pacientes podem reproduzir a correção em várias posições iniciais e podem começar a praticar em casa. O paciente pode sempre melhorar o nível de desempenho com a ajuda do terapeuta, mas a perfeição não é necessária para obter resultados positivos.

Os princípios BSPTS são totalmente compatíveis com conceitos de suporte, como o aparelho Rigo-Chêneau, um suporte rígido e assimétrico. O objetivo principal é trazer o paciente para a melhor correção 3D possível semelhante à utilizada num molde de gesso, mas neste caso sem qualquer tração passiva.



Berdishevsky H, Lebel VA, Bettany-Saltikov J, Rigo M, Lebel A, Hennes A, Romano M, Białek M, M'hango A, Betts T, de Mauroy JC, Durmala J. Physiotherapy scoliosis-specific exercises - a comprehensive review of seven major schools. Scoliosis Spinal Disord. 2016 Aug 4;11:20.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose – parte 3

Nas últimas décadas, tem havido um apelo à mudança entre as partes envolvidas na gestão da escoliose idiopática. Os pais de crianças com escoliose queixam-se do chamado "esperar e ver" de muitos médicos ao verem escolioses entre 10° e 25°, e cada vez mais procuram outras soluções.

Nesse sentido, iremos resumir neste artigo com 7 partes, as ideias das sete principais escolas no tratamento de escoliose a nível mundial, e as suas abordagens aos exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose (EEFE).

O objetivo não é determinar qual abordagem é superior, mas sim que os fisioterapeutas possam incorporar o melhor de cada uma delas na sua prática clínica, melhorando os resultados do tratamento conservador para a escoliose idiopática.

Scientific exercise approach to scoliosis – SEAS (Itália)


O método SEAS é um programa de exercícios individualizado, cientificamente adaptado a todos os aspetos do tratamento conservador da escoliose, que se concentra em recuperar o controlo postural e melhorar a estabilidade espinal através de exercícios de auto-correção ativa 3D da postura escoliótica.

Para curvas suaves a moderadas durante o crescimento ativo, o SEAS é usado isoladamente para reduzir a necessidade de apoio.
Nas curvas moderadas a graves durante o crescimento ativo, o SEAS é usado em combinação com o colete para retardar, parar e possivelmente reverter a progressão da curva, e na preparação para o “desmame” da órtese.
Em pacientes adultos com escoliose, com curvas progressivas ou fundidas, o SEAS ajuda a estabilizar a coluna vertebral e a reduzir a incapacidade.

Os exercícios do SEAS treinam os sistemas neuromotores para ativar um reflexo de auto-correção da postura durante as atividades da vida diária. O SEAS pode ser realizado em regime ambulatorial (2-3 vezes por semana durante 45 min) ou como um programa de exercícios domiciliares de 20 min diariamente, em conjunto com sessões de fisioterapia especializadas de 1,5h a cada três meses para avaliação contínua e adaptação da terapêutica.



Princípios de correção 3D


Ao paciente é solicitado que se coloque quatro questões e que as responda:

1. "A minha coluna está apoiada e não relaxada?"
Durante a realização dos exercícios SEAS, os pacientes são sempre orientados a começar a partir de onde a coluna está numa posição de apoio básico. Uma vez ciente de que a coluna está suportada e não relaxada, o paciente então executa a auto-correção primeiro com a ajuda de um espelho e mais tarde sem.

2. "O meu corpo está mais simétrico do que antes?"
Como o paciente inicialmente executa a auto-correção à frente do espelho, o primeiro teste é visual (vejo que meu corpo é agora mais simétrico do que antes). Mas ao longo do tempo deverá ser capaz de sentir que o seu corpo é mais simétrico e de realizar exercícios sem a ajuda do espelho.

3. "Ao fazer o exercício, sou capaz de manter a correção?"
A resposta a esta pergunta ajuda o fisioterapeuta a ajustar o nível de dificuldade dos exercícios. Se o paciente é capaz de manter a correção, o terapeuta pode decidir aumentar a dificuldade do exercício. Se o paciente é incapaz de manter a correção, deve realizar um exercício menos difícil.

4. "Sou capaz de reconhecer que o meu corpo retorna à posição em que estava antes de realizar a auto-correção?"
O paciente realiza o exercício por cerca de 10 segundos, depois relaxa lentamente, retornando da posição auto-corrigida para a sua posição normal. 
Ao responder "sim" a esta pergunta, isso significa que o paciente foi capaz de observar a mudança de posição. Se o paciente responde "não" a esta questão, isso significa que a auto-correção foi perdida em algum momento durante a execução do exercício, e o exercício realizado perdeu a sua especificidade corretiva.

Colete Sibilla

Na escoliose progressiva leve (até 30° Cobb) que não pode ser controlada através de exercícios SEAS, o primeiro objectivo é evitar a progressão, permitindo a máxima liberdade possível nas actividades da vida diária e reduzir o desconforto causado pelo colete.
Nestes casos, o colete escolhido será menos rígido (Sibilla) e terá de ser usado durante 18 a 20h por dia até o final do período progressivo (até estágio 3 de Risser), altura em que o doente fará o “desmame” do colete.

Colete Sforzesco

Na escoliose grave do adolescente (até 45° -50° Cobb), e se o paciente não quer ser operado ou a cirurgia não é uma opção viável, o objetivo é, no mínimo, evitar a progressão, contudo, isso não garante a estabilidade na idade adulta.
Nestes casos, o colete mais rígido (Sforzesco) é usado todo o dia durante pelo menos um ano. O uso do colete é então gradualmente reduzido em 1/2 horas a cada seis meses, mantendo os resultados, e deve ser usado até 18 h por dia, até Risser estágio 3.



Berdishevsky H, Lebel VA, Bettany-Saltikov J, Rigo M, Lebel A, Hennes A, Romano M, Białek M, M'hango A, Betts T, de Mauroy JC, Durmala J. Physiotherapy scoliosis-specific exercises - a comprehensive review of seven major schools. Scoliosis Spinal Disord. 2016 Aug 4;11:20.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

As 5 principais neuropatias nos membros inferiores: Anatomia e Ressonância Magnética

Embora os nervos possam ser lesados em qualquer lugar ao longo do seu percurso, a compressão nervosa periférica ocorre mais em locais específicos, como locais onde o nervo percorre túneis fibro-ósseos ou fibromusculares ou penetra nos músculos.

Tipicamente, o diagnóstico baseia-se na combinação de história clínica, exame físico e estudos eletrodiagnósticos. No entanto, estas informações podem ser insuficientes para fazer um diagnóstico preciso, e a imagem está a ser usada com frequência para confirmar diagnósticos.

A ressonância magnética (RM) e a ultrassonografia de alta resolução (US), como técnicas não-invasivas, fornecem valiosas informações espaciais ao fazer distinções diagnósticas importantes que não podem ser facilmente realizadas usando outros métodos existentes.

Embora ambos permitam a visualização anatómica direta, identificação da causa e localização de anormalidades primárias, a RM evidencia anormalidades de sinal dentro do próprio nervo e é considerada superior na delineação dos sinais indiretos associados à desnervação muscular.

A intensidade do sinal de um nervo normal na RM é de intermédia a baixa nas sequências ponderadas em T1, tornando-se ligeiramente mais alta em T2 e outras sequências sensíveis a fluidos.

Um sinal hiperintenso do músculo desnervado é geralmente associado a síndrome compressiva aguda, e a infiltração de gordura e atrofia muscular são os sinais de neuropatia crónica, em casos de longa duração.

Nervo ciático

A compressão do nervo ciático pode ocorrer na região da anca e, menos comumente, na coxa, e as apresentações clínicas são baseadas no nível da lesão.

A neuropatia ciática pode resultar de condições tais como compressão fibrosa ou muscular, compressão vascular, cicatrização relacionada com trauma ou radiação, tumores e neuropatia hipertrófica. A Síndrome do piramidal é um diagnóstico controverso, mas muitas vezes pensa-se estar relacionado com a compressão do nervo ciático.

A ressonância magnética pode mostrar variações na anatomia, hipertrofia muscular, bem como sinal anormal do nervo ciático.



Nervo Peroneal Comum

O impacto no nervo peroneal comum pode ocorrer ao nível da cabeça do peróneo, pela sua localização superficial, ou à medida que se desloca profundamente para a origem do músculo longo peroneal.

As etiologias da neuropatia peroneal comum podem incluir mononeurite idiopática, lesões intrínsecas e extrínsecas ocupantes de espaço, incluindo um quisto ganglionar intraneural ou lesão traumática do nervo, especialmente relacionada com fraturas proximais do perónio. Clinicamente, os pacientes podem sofrer dor no local da compressão, com sinais de pé pendente.

A RM é indicada para descrever a localização e a causa da compressão do nervo e avaliar o estágio da neuropatia (indicada pela denervação precoce do músculo ou alterações posteriores como atrofia).


Nervo tibial

A síndrome do túnel do tarso é uma neuropatia de compressão bem conhecida do nervo tibial posterior. Etiologias comuns incluem fibrose pós-traumática devido a fratura, tenossinovite, quistos ganglionares, lesões que ocupem espaço e veias dilatadas ou tortuosas.

A maioria dos pacientes com síndrome do túnel do tarso tem dor, ardor e parestesia ao longo da face plantar do pé e dedos.
A RM é útil para localizar patologias dentro do túnel do tarso e descrever a extensão da lesão e relação com o nervo.

A compressão do nervo tibial proximal é incomum. Ocorre quando o nervo tibial proximal passa sob a fossa tendinosa na origem do músculo solear. A apresentação clínica inclui dormência, parestesias na sola do pé e dor na face posterior da perna.

A RM é útil na deteção do aumento da intensidade do sinal em T2 do nervo, bem como na alteração do sinal nos músculos gastrocnémio e solear desnervados.


Nervo Interdigital

A causa mais comum para o neuroma de Morton é o stresse mecânico repetitivo com fibrose perineural subsequente, mas outras possibilidades incluem isquemia e compressão do nervo por uma bolsa intermetatarsal inflamada e aumentada.

Mais frequentemente ocorre entre o segundo e terceiro espaços intermetatarsais, muitas vezes associado à bursa intermetatarsal.


A aparência da ressonância magnética do neuroma de Morton é característica, tipicamente manifestada como uma massa de tecido mole em forma de lágrima, com sinal aumentado em ambas as imagens ponderadas em T1 e T2 entre as cabeças metatarsais.



Dong QJacobson JAJamadar DAGandikota GBrandon CMorag YFessell DPKim SMEntrapment neuropathies in the upper and lower limbs: anatomy and MRI features. Radiol Res Pract. 2012;2012:230679. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose – parte 1

Nas últimas décadas, tem havido um apelo à mudança entre as partes envolvidas na gestão da escoliose idiopática. Os pais de crianças com escoliose queixam-se do chamado "esperar e ver" de muitos médicos ao avaliar escolioses em crianças entre 10° e 25°, e cada vez mais procuram outras soluções.

Nesse sentido, iremos resumir neste artigo com 7 partes, as ideias das sete principais escolas no tratamento de escoliose a nível mundial, e as suas abordagens aos exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose (EEFE).

O objetivo não é determinar qual escola e abordagem de tratamento é superior, mas sim entender e aprender sobre os diferentes métodos de tratamento em todo o mundo, para que os fisioterapeutas possam incorporar o melhor de cada um nas suas próprias práticas, melhorando os resultados do tratamento conservador de pacientes com escoliose idiopática.

A abordagem de Lyon (França)


O método de Lyon combina os EEFE com o uso do colete e, mais recentemente, utiliza simultaneamente o EEFE com o colete, sob a forma do novo ARTbrace de Lyon (Asymmetrical Rigid Torsion).


O tratamento em fisioterapia inclui a mobilização 3D da coluna vertebral, a mobilização do ângulo ilio-lombar (escoliose lombar), a educação do paciente e as atividades da vida diária, incluindo a correção da posição sentada.

O protocolo de tratamento para a escoliose do método de Lyon depende da idade do paciente. Pacientes juvenis (menores de 15 a 17 anos) não fazem alongamentos p.ex.. Pacientes adolescentes completam todo o programa. Com pacientes adultos, o foco está na redução da dor e na proteção dos discos intervertebrais.

Os sistemas utilizados para planear a fisioterapia e o colete são as classificações Ponseti e Lenke, respectivamente.

O método Lyon de tratamento da escoliose envolve cinco etapas:

Fase I: Abordagem de Lyon para a avaliação
A abordagem de Lyon considera três fatores na determinação do regime de terapia a prosseguir: a idade do paciente, desequilíbrio postural e o ângulo de Cobb.

Fase II: Consciência da deformidade do tronco
A abordagem de Lyon usa a visualização com espelhos e vídeo para ajudar na correção de curvaturas.


Fase III: O que fazer: exercícios chave
A base do método de Lyon é evitar a extensão espinhal durante o exercício e aumentar a cifose da região torácica e a lordose da coluna lombar, bem como a mobilização segmentar, estabilização do centro, propriocepção, equilíbrio e estabilização. 
abordagem de Lyon, é dado grande ênfase aos exercícios feitos no molde de gesso antes do colete para incentivar o equilíbrio, força muscular e resistência quando com o colete.

Fase IV: O que não fazer e por quê
O método de Lyon evita movimentos extremos do plano sagital (flexão e extensão) e exercícios que causem falta de ar.

Fase V: Desporto ou apenas fisioterapia?
O método de Lyon ensina aos pacientes como praticar desportos e os melhores e piores desportos para a escoliose.

O método de Lyon utiliza a respiração angular rotacional com o diafragma, bem como uma máquina de respiração para aumentar a capacidade pulmonar. Este método também pretende melhorar a resistência da musculatura paraespinal profunda e central e concentra-se na mobilização para melhorar a correção.


O ARTbrace

O ARTbrace é um novo colete: assimétrico, rígida, feito de policarbonato de 4 mm. A cinta reproduz a forma de uma coluna torcida, oposta à escoliose. Ambas as hemi-conchas laterais de policarbonato articulam numa barra de metal posterior. Os fechos anteriores e inferiores são rígidos; o terço superior é uma cinta de velcro.

Nas figuras abaixo reproduzem-se os resultados do colete, usado por mais de dois anos num caso de escoliose progressiva.


A abordagem de Lyon não é apoiada por evidências científicas consistentes para casos em que o ângulo de Cobb é menor que 20°.


Para os casos em que o ângulo de Cobb é de 20° ou maior, o método depende principalmente da ARTbrace e do reforço para a sua eficácia. Sob essa abordagem, os exercícios de fisioterapia são vistos como complementares ao apoio rígido, e em cada caso são adaptados às necessidades particulares do indivíduo.


Berdishevsky HLebel VABettany-Saltikov JRigo MLebel AHennes ARomano MBiałek MM'hango ABetts Tde Mauroy JCDurmala JPhysiotherapy scoliosis-specific exercises - a comprehensive review of seven major schools. Scoliosis Spinal Disord. 2016 Aug 4;11:20.

Terapia manual numa paciente com neuroma de Morton: estudo de caso clínico

O neuroma de Morton (NM) é uma condição associada aos nervos digitais plantares comuns, causada pelo esmagar do nervo e pela tração repetitiva por baixo do ligamento metatarsal transverso profundo levando ao crescimento excessivo de tecido fibroso perineural.

O NM ocorre até 10 vezes mais frequentemente em mulheres em torno dos 50 anos. O início da dor é muitas vezes insidioso, e a prevalência de neuromas em indivíduos assintomáticos pode ser tão elevada como 25 e 50%.

O diagnóstico clínico pode ter até 99% de exatidão, com as queixas típicas de dor na face plantar do espaço interdigital, parestesias e/ou adormecimento agravados por atividades em carga e aliviados pelo descanso e pela massagem.

O tratamento envolve frequentemente injeções de corticosteróides e excisão cirúrgica. No entanto, as injecções de corticosteróides ou a excisão não garantem o alívio completo.

O tratamento de fisioterapia para o NM não tem sido muito descrito na literatura disponível até o momento. A terapia manual tem sido hipotetizada para alterar as informações nociceptivas aferentes, normalizar os desajustes sensorio-motores, ativar vias descendentes anti-nociceptivas e diminuir a hiperexcitabilidade da coluna vertebral.

Apresentação de caso clínico


Uma paciente, de 35 anos, apresentou-se na clínica com dor plantar do pé direito ao caminhar, caminhar com saltos altos e correr.

Vinha diagnosticada por um podologista com NM. Tinha recebido uma injeção de corticosteróide dois meses antes, sem benefício, e estava a tomar anti-inflamatórios não-esteróides (AINE) ininterruptamente.

O podologista recomendou cirurgia, no entanto a paciente pediu para ser encaminhada ao PT. Já havia experimentado dor semelhante 10 anos antes com resolução após PT.

A paciente relatou uma história de 4 meses de início gradual e agravamento da dor plantar direita no 3º espaço interdigital, 3/10 em repouso, mas poderia variar de 0 a 6/10.

Embora as atividades em carga, como passear os seus cães, agravassem a dor, esta aliviava com o descanso e AINEs. A modificação do calçado e uso de palmilhas ajudaram, mas insuficientes.

Por causa da dor, a paciente tinha parado de correr, evitado usar escadas ou usar saltos altos. Os seus objetivos eram a resolução da dor e poder retomar as corridas. Negou outras áreas de dor e todas as questões de red flag foram negativas.

A avaliação postural revelou escoliose lombar que a paciente relatou como presente desde a adolescência, pés planos e varo do antepé bilateralmente, e uma “queda” das 4ª e 5ª cabeças metatarsianas visíveis em descarga no pé direito.

Os limiares de dor à pressão (DP) foram medidos com um algómetro de pressão portátil (Force Ten FDX, Wagner Instruments, Greenwich CT, EUA) no aspecto plantar do 3º espaço interdigital de forma a quantificar a hiperalgesia tecidual local e detectar potenciais melhorias subclínicas durante o tratamento.


Tratamento


O tratamento na visita inicial incluiu 4 min de deslizamento plantar da articulação talonavicular direita (grau IV). Imediatamente a seguir, a DP melhorou de 233 kPa para 354 kPa e relatou diminuição da dor, que não classificou.
Foi instruída em auto-mobilização talonavicular para casa a ser realizada diariamente por 2 a 3 min e foi educada sobre os mecanismos biomecânicos da sua dor.
Foi também instruída a estimular que o dedo grande agarre o chão durante a marcha para aliviar a pressão lateral do pé.
O tratamento subsequente incluiu mobilizações de grau IV e manipulações dirigidas a segmentos hipomoveis do médio-pé da paciente para restaurar o movimento óptimo e restaurar a função. A reavaliação da mobilidade articular foi realizada em cada sessão.


Embora esta paciente tenha melhorado com a terapia manual, este é um estudo de caso e, como tal, não generalizável para todos os pacientes com NM.
No entanto, dada a falta de intervenções de gestão conservadora eficazes para NM, os resultados deste caso são encorajadores. Futuros estudos para determinar a eficácia do tratamento fisioterapêutico em NM são necessários.

Sault JDMorris MVJayaseelan DJEmerson-Kavchak AJManual therapy in the management of a patient with a symptomatic Morton's Neuroma: A case report. Man Ther. 2016 Feb;21:307-10.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Fratura de stresse completamente deslocada da diáfise femoral num atleta de meia-idade - estudo de caso clínico

Fraturas de stresse do membro inferior são uma lesão comum e podem representar até 10% de todas as lesões relacionadas com desporto. A maior incidência é encontrada entre os participantes em determinados desportos, como corrida de longa distância, que envolve alta carga repetitiva.

Esta carga repetitiva, sem tempo adequado para adaptação, pode levar a uma acumulação de microfracturas que excede a capacidade de remodelação do osso. Fraturas de stresse do osso tibial são a fratura mais comum no membro inferior e representam 26 a 49% de todas as fraturas de stresse.

As fraturas de esforço do fémur são raras e ocorrem com maior frequência no colo do fémur, representando 1 a 7% de todas as fraturas de stresse.

Fraturas de stresse relacionadas com a atividade têm sido relatadas principalmente entre os grupos etários mais jovens, que participam de desportos de resistência como corridas de longa distância.

Como resultado do recente aumento na participação de pessoas acima dos 40 anos de idade, os clínicos devem preparar-se para encontrar mais fracturas de stresse relacionadas com a atividade em pacientes de meia-idade.


Apresentação de caso clínico


O paciente, de 43 anos, é um triatleta masculino, caucasiano, que compete no nível nacional na categoria de masters.

O paciente foi admitido no centro de trauma com uma fratura da diáfise femoral deslocada do lado direito. A fratura ocorreu durante o campeonato nacional dinamarquês na distância de ½ Ironman (1.9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21.1 km de corrida).

No momento da fratura, restavam apenas 1,1 km da corrida. A fratura ocorreu de repente durante o exercício. As sessões anteriores de ciclismo e natação foram concluídas sem dor ou quaisquer outros sintomas.

No início da corrida ele manteve um ritmo de 3:45 min/km. Após os primeiros 6 a 7 km o paciente teve uma frequência cardíaca invulgarmente alta (180 bpm). 
Durante os últimos 6 a 7 km antes da fratura o ritmo caiu para um inesperado 4:20 e 4:30 min/km e sua frequência cardíaca aumentou para 185 bpm.
Neste momento ainda não tinha sentido nenhuma dor na coxa direita, mas ficou surpreso por não conseguir manter o esperado 3:45 min/km.

Com 1,1 km restantes antes do final da corrida, o paciente relatou que sentiu como se alguém lhe tivesse dado um chuto na coxa direita e depois colapsou devido à falta de apoio na perna direita.

O paciente sofreu uma fratura fechada da diáfise femoral. A fratura foi tratada com uma haste intramedular fixada com parafusos de bloqueio distal e proximal.

O paciente não tinha história de doença e estava em forma e bem. Era não-fumador e não tinha história familiar de distúrbios do tecido conjuntivo.

Posteriormente o paciente relatou que os seus sintomas se desenvolveram gradualmente no último mês antes da fratura com dor localizada anterior à coxa direita. A dor ocorria principalmente durante a corrida e desaparecia em tarefas de descarga ou em descanso.

O paciente interpretou os sintomas como lesões musculares locais. Um exame clínico foi realizado pelo fisioterapeuta e o paciente relatou que o fisioterapeuta concluiu que os sintomas eram de uma simples lesão muscular no quadríceps.

Não foram realizados exames radiológicos ou exames adicionais.
Os sintomas foram inicialmente tratados com tratamento térmico e massagem nos tecidos moles e uma diminuição na distância e intensidade de treino.

Volumes de treino pré-fractura de stress da diáfise do fémur
Um exame físico completo, incluindo avaliação da dor, testes clínicos e a quantidade e intensidade de treino é importante se houver suspeita de uma fratura de stresse.




Essa avaliação, em combinação com imagens radiológicas e atenção à idade do paciente, é importante para o diagnóstico precoce e pode ajudar a prevenir fraturas de stresse deslocadas.


Larsen PElsoe RRathleff MSA case report of a completely displaced stress fracture of the femoral shaft in a middle-aged male athlete - A precursor of things to come? Phys Ther Sport. 2016 May;19:23-7.

domingo, 27 de novembro de 2016

Plano de exercícios para osteoartrose do ombro

Aqui estão alguns exemplos de exercícios de reabilitação típicos para osteoartrose do ombro.
Comece cada exercício lentamente. Se começar a ter dor interrompa o plano.
O seu médico ou fisioterapeuta irão dizer-lhe quando pode começar estes exercícios e quais deles irão funcionar melhor para si.
Faça Download do pdf para impressão, já com a descrição escrita dos exercícios.


1. Flexão/extensão dos ombro











2.       Rotação do ombro











      
     3.  Rotação interna do ombro

4. Adução das omoplatas


5. Remada resistida 


6. Fortalecimento dos rotadores externos


7. Fortalecimento dos rotadores internos


8. Movimentos pendulares














Os cuidados de acompanhamento são uma parte fundamental do seu tratamento e segurança. Não deixe de comparecer a todos os tratamentos de fisioterapia agendados.

Faça Download do pdf para impressão, já com a descrição escrita dos exercícios.