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domingo, 29 de novembro de 2015

Claudicação na infância, o porquê e o que fazer

Em um momento ou outro, quase todas as crianças têm episódios de claudicação. Na grande maioria das vezes é causada por ferimentos menores e melhora por si só. 
No entanto a claudicação que dura mais de uma semana e não melhora representa um desafio para pais e profissionais de saúde:

Como isso afeta a criança? De onde é que vem? Qual é o tipo de tecido que é o responsável? Será que requer tratamento? Quão séria é a lesão?... 
Vamos ver as causas e o que deve fazer!

Causas


A causa mais comum de claudicação é uma pequena lesão. Lesões em crianças são geralmente óbvias, mas o mancar persistente após uma lesão pode ser um sinal de que existe uma pequena fratura subjacente por exemplo. 

A maioria das outras causas de claudicação não é comum. Doenças ósseas graves e distúrbios do sistema nervoso são muito raros.


Exame clínico


Quando levar seu filho a uma consulta por causa de um mancar inexplicável, o médico irá perguntar primeiro sobre a história clínica do seu filho, atividades recentes, e saúde em geral. Também irá pedir-lhe para descrever o mancar e quando ele ocorre.

Quanto mais informações fornecer, melhor ele será capaz de determinar a causa da claudicação. Por exemplo, se você tem um histórico familiar de artrite reumatóide, deverá menciona-lo. Ou se o seu filho teve, recentemente, uma tosse, dor de garganta, ou erupção cutânea, é possível que um vírus ou bactéria esteja a causar inflamação articular. Se o seu filho tem febre, é possível que o mancar se deva a uma infecção óssea ou articular.

Depois de discutir os sintomas e história médica, o seu filho será examinado. Nomeadamente, observada a marcha. As crianças mais jovens nem sempre conseguem descrever o local onde dói, mas observando-os com cuidado a caminhar pode muitas vezes mostrar o lado do corpo que está afetado. 

Por exemplo, se uma criança se inclina para um lado quando está num pé, muitas vezes é sinal de que está inconscientemente a tentar tirar um pouco do peso da anca dolorosa. Ou se um pé está menos tempo no chão do que o outro, pode ser um sinal de dor nessa perna.

O médico irá palpar as pernas do seu filho à procura de pontos sensíveis, inchaço ou hematomas. Poderá ser possível determinar se o problema está num músculo, articulação, ou osso.

As articulações da anca e joelho serão vistas ao pormenor, procurando sinais de dor, inchaço e perda de amplitude de movimento. Limitação do movimento em qualquer direção, ou dor nas amplitudes extremas, apontam para essa articulação como a causa da claudicação.

Se parece que a dor é proveniente do joelho, o médico fará um exame mais cuidadoso dos ligamentos e movimentos do joelho. Inchaço ou movimentos anormais podem indicar uma lesão nos ligamentos. 

A coluna da criança também será examinada para a dor, rigidez, curvatura (escoliose), ou marcas incomuns na pele (erupção cutânea ou manchas).

Se o seu filho não tem nenhuma dor, o médico irá procurar evidências de anomalias congénitas ou doenças do sistema nervoso que podem estar a causar o claudicar. 
Alguns dos sinais de um distúrbio do sistema nervoso incluem um tendão de Aquiles encurtado, dedos em garra, ou um arco plantar muito alto. Além disso, um exame neurológico cuidadoso pode detectar desequilíbrios na força muscular ou nos reflexos que podem indicar um problema que envolve o cérebro ou medula espinal.

O médico pode recomendar exames, como o raio-X para ajudar a determinar a causa exata da claudicação do seu filho. O raio-X será feito em áreas do corpo onde existe dor, inchaço, ou perda de amplitude de movimento.

Se os raios X estiverem normais e a causa da claudicação não for clara, um TAC pode ser útil para detetar uma fratura subtil, uma infeção óssea, ou um tumor ósseo.
A ressonância magnética (RM) poderá ser indicada se a dor do seu filho é bem localizada, mas os raios-x dão normais. A RM pode mostrar inflamação das articulações, fraturas, infecções e tumores ósseos.
Uma ecografia dos tecidos moles pode ser pedida para procurar liquido numa articulação. Isso é particularmente útil para a anca, onde o inchaço é difícil de ver.

Estudos de laboratório
Os estudos de laboratório são particularmente úteis em condições inflamatórias, tais como doenças virais, e pode ser útil para identificar a causa de inchaço das articulações por artrite reumatóide juvenil ou a doença de Lyme.






Sawyer JRKapoor MThe limping child: a systematic approach to diagnosis. Am Fam Physician. 2009 Feb 1;79(3):215-24.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

O que esperar da 1ª consulta em fisioterapia

Talvez por só recentemente termos começado a ser considerados como profissionais de saúde de primeiro contacto nem sempre é fácil orientar uma 1ª consulta em fisioterapia. Assim como muitos pacientes ainda ficam com dúvidas sobre o que será relevante referir ou não numa consulta com o fisioterapeuta.

Para o paciente, a 1ª consulta de fisioterapia começa quando se senta no gabinete e conta porque veio. Para o fisioterapeuta essa mesma consulta começa quando observa o paciente a levantar-se da cadeira na sala de espera. É fundamental observar a linguagem não-verbal do paciente (se vem com a cabeça baixa, se tem uma passada decidida, se entra hesitante, etc).


É verdade que não é isto que determina o diagnóstico em fisioterapia, no entanto é determinante para saber como comunicar com esse paciente em particular, estabelecendo uma relação de empatia com ele, que por sua vez é fundamental para mais tarde o conseguir tranquilizar e motivar a colaborar na sua própria recuperação.

Para conseguir uma melhor gestão do tempo e fluidez da consulta, não criando barreiras entre mim e o paciente, adopto uma estrutura mais flexível e direccionada ao problema. Abaixo estão descritos os passos que fui desenvolvendo e que sigo na prática clínica privada.

  1. Registar a principal queixa do paciente, quando aconteceu, como aconteceu, como evoluiu até ao momento e como se encontra no momento da consulta.
  2. O que o paciente fez para melhorar (medicação, consulta com outro profissional de saúde, etc) e como resultou.
  3. Exames auxiliares de diagnóstico que tenha feito
  4. Antecedentes pessoais (outros episódios deste problema, outros problemas de saúde que possam estar relacionados)
  5. Observação de alterações posturais (aqui é realmente necessário deixar o paciente confortável, também através de uma temperatura e luz do consultório correctas, de forma a evitar constrangimentos e a permitir uma correcta avaliação)
  6. Identificação do movimento doloroso/limitado. Palpação. Determinação do sinal comparável.
  7. Execução de testes adicionais se necessário exclusão de outras condições clínicas com sintomatologia sobreponível.
  8. Diagnóstico em fisioterapia e elaboração do plano de tratamento e prognóstico de recuperação em conjunto com o paciente



sexta-feira, 11 de abril de 2014

Teste para a síndrome do túnel do tarso

Descrição
Este teste é utilizado para averiguar a presença de síndrome do túnel do tarso ou compressão do nervo tibial posterior. 



Técnica
Com o paciente sentado, o fisioterapeuta faz dorsiflexão máxima do tornozelo, eversão do pé, e estende os dedos do pé. De seguida, mantém esta posição por 5-10 segundos enquanto bate sobre o túnel do tarso (posterior ao maléolo medial). O teste é considerado positivo quando existem queixas de sensibilidade no nervo e/ou sinal de Tinel.




Neumann, Donald. Kinesiology of the Musculoskeletal System. Second. Mosby Publishing Inc., 2010. 609-613.


Outros testes para as articulações do tornozelo e pé:



terça-feira, 8 de abril de 2014

Teste de queda do navicular

Descrição
Este teste é utilizado para avaliar pés pronadores, muitas vezes devido a alterações no tendão do tibial posterior.



Técnica
Com o paciente de pé, deve pedir-se que o paciente passe o peso todo para o membro contralateral. Nesta posição medir a altura da tuberosidade do navicular. Logo de seguida pedir para o paciente equilibrar o peso de igual forma pelos dois membros e voltar a fazer a mesma medição. Uma diferença maior que 10 mm é considerada significativa e indicativa de pronação excessiva do pé.




Flynn, Timothy. User's Guide to the Musculoskeletal Examination. Evidence in Motion, 2008.

Outros testes para as articulações do tornozelo e pé:



sábado, 29 de março de 2014

Sinal de "impingement" talocrural

Descrição
O objectivo deste teste é avaliar se existe algum bloqueio na mecânica da articulação talocrural. 



Técnica
O paciente deve estar sentado com o pé suspenso. O fisioterapeuta segura no calcâneo com uma mão e o antepé com a segunda mão, de forma a trazer o pé para uma posição de flexão plantar. De seguida colocar o polegar sobre o aspecto antero-lateral do tornozelo e trazer o pé para dorsiflexão e eversão. O teste é considerado positivo quando o paciente sente dor com a pressão sobre o tornozelo e quando a resposta à dor é maior com o tornozelo em dorsiflexão e eversão do que em flexão plantar. 



Precisão do teste
Este teste tem uma sensibilidade de 95% e uma especificidade de 88% no diagnóstico de bloqueios na mecânica da articulação talocrural.

Flynn, Timothy. Users' Guide to Musculoskeletal Examination. USA: Evidence in Motion, 2008.


Outros testes para as articulações do tornozelo e pé:



sábado, 8 de março de 2014

Teste de rotação externa para o tornozelo

Descrição
O objectivo deste teste é identificar uma lesão da sindesmose tibio-peroneal (entorse alta do tornozelo).



Técnica
O fisioterapeuta mantém a dorsiflexão do tornozelo enquanto roda externamente o pé mantendo a perna estabilizada. O teste é positivo quando ocorre dor na área sobre a membrana interóssea (região da sindesmose).


Precisão do teste
Este teste tem uma sensibilidade de 20% e uma especificidade de 84,5% no diagnóstico de entorse alta do tornozelo.


Flynn, Timothy. Users' Guide to Musculoskeletal Examination. USA: Evidence in Motion, 2008.

Outros testes para as articulações do tornozelo e pé:



Testes para despistar fracturas da extremidade inferior

Teste de compressão de metatarso
Finalidade: Prever uma fractura do metatarso.

Com o paciente deitado de barriga para cima o fisioterapeuta agarra o metatarso com suspeita de fratura e empurra-o em direcção ao calcâneo, proporcionando uma força de carga axial. O teste é positivo se se reproduzirem os sintomas do paciente.



Teste de toque ou percussão 
Finalidade: Prever uma fratura na extremidade inferior.

Com o paciente descalço deitado de barriga para cima o fisioterapeuta percute o calcanhar do paciente com a palma da mão. O teste é positivo se se reproduzir a pior dor do paciente.



Teste de Vibração 
Finalidade: Prever a presença de uma fractura de esforço. 

Com o paciente deitado de barriga para cima o fisioterapeuta coloca um diapasão no local próximo da suspeita de fratura por stresse e o estetoscópio no local onde suspeita de fractura. O teste é positivo se a qualidade do som for diferente à do lado não afectado.

Teste de gaveta anterior do tornozelo

Descrição
Este teste é utilizado para testar a laxidez ligamentar ou instabilidade no tornozelo. Este teste avalia principalmente a resistência do ligamento perónio-astragalino anterior. 



Técnica
O examinador estabiliza a perna do paciente com uma mão e agarra o calcâneo e pé com a sua segunda mão. Em seguida coloca o pé do paciente em 10-15º de flexão plantar e traciona o pé anteriormente. O teste é positivo se o talus se movimentar para a frente. Resultados positivos são frequentemente classificados numa "escala de 0 a 3", em que 0 indica nenhuma laxidez e 3 indicando laxidez grave. 



Precisão do teste
Este teste tem uma  sensibilidade de 71% e uma especificidade de 33% no diagnóstico de laxidez ligamentar ou instabilidade no tornozelo.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Teste de flexão passiva da cervical

Descrição
O objectivo deste teste é avaliar a contribuição da tensão neural para os sintomas na coluna torácica do paciente.


Técnica
Primeiro o paciente realiza ativamente a flexão da cervical superior. Depois o fisioterapeuta flexiona passivamente a coluna cervical inferior. Reprodução de dor ou outros sintomas neurais na coluna vertebral torácica é um teste positivo. A sensação de alongamento é normal.






quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Alterações no padrão de marcha

Um padrão alterado de marcha pode resultar da lesão em vários sistemas:
  • Sistema nervoso central (AVC, Parkinson, esclerose múltipla, ...)
  • Sistema nervoso periférico (síndrome do piramidal, pé pendente, ...)
  • Sistema muscular (rutura muscular, rutura tendinosa, fraqueza muscular por desuso, ...)
  • Sistema osteo-articular (fraturas, artrose nos membros inferiores e coluna, limitação articular, ...)

Tipos de marcha associados a patologias:


Alteração no ataque do calcanhar ao solo
Pode estar associada a:
Esporão do calcâneo
Fasceíte plantar
Entorse do tornozelo



Fraqueza muscular do quadricípite
Pode estar associada a:
Poliomielite
Rutura do quadricípite
Artrose da anca




Marcha de "Foot Splap"
Pode estar associada a:
Poliomielite
Pé pendente




Marcha com recurvatum do joelho
Pode estar associada a:
Laxidez ligamentar na face posterior do joelho
Síndrome de dor patelo-femoral
Desequilíbrio entre a musculatura anterior e posterior da coxa



Marcha de Trendelenburg
Pode estar associada a:
Sindrome do piramidal
Artrose da anca
Doença de Legg-Calvé-Perthes
Poliomielite



Hemiparésia espástica
Pode estar associada a:
Acidente Vascular Cerebral (AVC)




Marcha de Duchenne
Pode estar associada a:
Distrofia muscular de Duchenne
Doença de Legg-Calvé-Perthes




Ataxia
Pode estar associada a:
Esclerose múltipla
Acidente Vascular Cerebral (AVC)
Paralisia cerebral



Parkinson



Diplegia espástica
Pode estar associada a:
Paralisia cerebral




terça-feira, 15 de outubro de 2013

Análise do Ciclo de marcha normal

A marcha é uma forma de locomoção que envolve todo o corpo. 
A velocidade da marcha irá determinar a contribuição de cada segmento do corpo: Uma velocidade de caminhada normal envolve principalmente as extremidades inferiores, os braços e tronco proporcionam estabilidade e equilíbrio. Quanto mais rápida for a velocidade, mais o corpo depende das extremidades superiores e do tronco para a propulsão para além do equilíbrio e da estabilidade. 

O grau de movimento do centro de gravidade do corpo durante a marcha define a eficiência desta. O centro do corpo tanto se move para os lados como para cima e para baixo durante a marcha, quanto mais linear e menor a oscilação, mais “normal” será o padrão de marcha.

O ciclo de marcha é um padrão repetitivo, em que podemos reconhecer duas grandes fases: a fase de apoio e a fase de balanço. A fase de apoio ocupa 60% do ciclo de marcha (50% em apoio só numa perna e 10% em duplo apoio), enquanto a fase de oscilação ocupa apenas 40% do mesmo.

O apoio de calcanhar, a primeira fase de duplo apoio, é um curto período que se inicia no momento em que o calcanhar toca no chão. Neste momento a anca está a 30° de flexão, o joelho em extensão total e o tornozelo em posição neutra (supinador a 5°), iniciando depois a flexão plantar. Um pouco depois disso, dá-se uma flexão do joelho (5°) e aumenta, assim como a flexão plantar. A flexão plantar é causada pela contração excêntrica do tibial anterior, enquanto que a extensão do joelho é causada pela contração do quadricípite e a flexão e a flexão pelos isquiotibiais, a flexão do quadril é causada pela contração do reto femoral e dos músculos glúteos.



Na fase de apoio plantar o corpo absorve o impacto do pé que rola em pronação até ficar totalmente apoiado no chão. Aqui podemos ver que a anca vai lentamente para extensão, este movimento é causado por uma contração do adutor magno e glúteo maior. O joelho flexionar 15° e até atingir mesmo os 20°. A flexão plantar do tornozelo fica entre os 10-15°.






Na fase média de apoio a anca vai de 10° de flexão para extensão resultado da contração do glúteo médio. O joelho encontra-se em extensão. O tornozelo está em supinação e dorsiflexão (5°) que é causada pela contracção do tricípite sural. Durante esta fase, o corpo é suportado por uma única perna. Neste momento, o organismo começa a utilizar a absorção da força de impacto para se propulsionar para a frente.




A fase de propulsão começa quando o calcanhar deixa o chão. No início desta fase podemos ver 10-13° de hiperextensão da anca, o joelho flexionado alguns graus (0-5o) e o tornozelo supinador e em flexão plantar. Quando o peso do corpo já só está sobre as cabeças dos metatarsos, o joelho fica em flexão de 35-40° e a flexão plantar do tornozelo aumenta até 20°.






No início da fase de balanço, ou aceleração, a anca apresenta alguma extensão (10°) para fletir, pela contração do illipsoas, a 20° com rotação lateral. O joelho flexiona-se até os 40-60°, e o tornozelo vai de 20° de flexão plantar até terminar em posição neutra.







Na fase média de balanço a anca está fletida a 30° (pela contração dos adutores) e o tornozelo ganha dorsiflexão devido à contração do tibial anterior. O joelho está flexionado a 60°, devido à contração do músculo sartório, vindo depois aproximadamente até 30° pela contracção do quadricípite.






A fase de desaceleração começa com uma flexão de 25-30° na anca, uma extensão do joelho e posição neutra do tornozelo, terminando quando o calcanhar volta a tocar no chão.










É importante perceber que todo o corpo se move durante a caminhada. 

Se houver algum distúrbio dos membros ou tronco a marcha irá estar afectada, como poderão ver aqui (artigo com vídeos de padrões de marcha característicos de diversas patologias).



Vaughan C.L., Theories of bipedal walking: an odyssey, 2001, Journal of biomechanics, 36(2003) 513-523.
Shultz S.J. et al., Examination of muskoskeletal injuries, 2nd edition, North-Carolina, Human Kinetics. 2005. (p.55-60).
Loudon J. et al., The clinical orthopedic assessment guide, 2nd edition, Kansas, Human Kinetics, 2008. (p.395-408).
Langer P.S. et al., A practical manual of clinical electrodynography, Deer Parl, The Langer Foundation for Biomechanics and Sports Medicine Research, 1989.





sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Teste de Phalen

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar pacientes com suspeita de síndrome do túnel cárpico.


Técnica

O fisioterapeuta flexiona o punho do paciente até ao limite da amplitude de movimento mas sem sobrepressão, ou o paciente realiza o movimento ativamente, como no video abaixo. Esta posição é mantida por 60 segundos ou até que os sintomas sejam reproduzidos. O teste é considerado positivo quando ocorre dormência e formigueiro no aspecto palmar do 1º, 2º, 3º dedos e metade radial do quarto dedo após 60 segundos de ter assumido a posição. O fisioterapeuta deve registar o momento em que foram reproduzidos os sintomas.



Precisão do teste

A precisão deste teste para fazer o diagnóstico de síndrome do túnel cárpico varia bastante nos artigos revistos: a sensibilidade entre 10 e 91% e a especificidade entre 33 e 86%.


Golding DN, Rose DM, Selvarajah K. "Clinical tests for carpal tunnel syndrome: an evaluation." Br J Rheumatol 1986 November; 25(4): 388-390.
Kuhlman KA, Hennessey WJ. "Sensitivity and specificity of carpal tunnel syndrome signs." Am J Phys Med Rehabil 1997 November; 76(6): 451-457.
De SL, Steenwerckx A, Van den BG, Cnudde P, Fabry G. "Value of clinical provocative tests in carpal tunnel syndrome." Acta Orthop Belg 1995; 61(3): 177-182.


Teste de Finkelstein

Descrição
Este teste é utilizado para avaliar a presença da tenossinovite de De Quervain.


Técnica
O paciente ativamente (ou com apoio) flexiona o polegar ao máximo, envolvendo-o com os outros dedos. Depois desvia a mão fechada no sentido cubital de forma a alongar os músculos do compartimento extensor do. O teste é positivo se o paciente se queixa de dor ao longo do compartimento extensor do punho.


Neumann, Donald. Kinesiology of the Musculoskeletal System: Foundations for Rehabilitation. 2nd edition. St. Louis, MO: Mosby Elsevier, 2010. 303.


Outros testes para avaliar o punho e a mão


Teste de compressão do carpo

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar pacientes com suspeita de síndrome do túnel cárpico.


Técnica
Com o braço do paciente em supinação, o examinador aplica pressão com os dedos sobre o nervo mediano no interior do túnel do carpo. Este situa-se imediatamente após a prega do punho. O teste é considerado positivo quando o paciente se queixa de dormência e formigueiro na distribuição do nervo mediano em menos de 30 segundos. O examinador deve registar o tempo de início dos sintomas.

Precisão do teste
Num estudo inicial este teste apresentou uma sensibilidade de 87% e uma especificidade de 90%  no diagnóstico da síndrome do túnel do carpo. Num estudo mais recente a sensibilidade foi de 52,5% e a especificidade de 61,8%.


Durkan JA. "A new diagnostic test for carpal tunnel syndrome." J Bone Joint Surg AM 1991 April; 73(4): 535-538.

Kaul MP, Pagel KJ, Wheatley MJ, Dryden JD. "Carpal compression test and pressure provocative tests in veterans with median-distribution paresthesias." Muscle Nerve 2001 January; 24(1): 107-111.


Outros testes para avaliar o punho e a mão


Teste de Allen

Descrição
Este teste é utilizado para avaliar o fluxo de sangue arterial para a mão.

Técnica
O paciente deve estar sentado. O fisioterapeuta palpa e aplica pressão sobre as artérias radial e cubital no punho, usando três dedos em cada artéria. Isso obstruí o fluxo de sangue para a mão. Deve pedir ao paciente que aperte e abra a mão 10 vezes, terminando com a mão aberta, mas evitando a hiperextensão. A palma da mão deve, então, estar branca/pálida. O examinador então remove a pressão de uma artéria. Um teste positivo ocorre quando demora mais de 5 segundos para a cor (sangue) voltar à palma da mão. Repetir o processo para a outra artéria.


Precisão do teste
O teste de Allen apresenta uma sensibilidade de 75,8% e uma especificidade de 81,7% na avaliação do fluxo sanguíneo arterial na mão.

Allen EV. "Thromboangiitis obliterans: methods of diagnosis of chronic occlusive arterial lesions distal to the wrist with illustrative cases." Am J Med Sci 1929; 178: 237-244.


Outros testes para avaliar o punho e a mão


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Dor no ombro: diagnóstico diferencial - Estudo de caso clínico

Depois das dores na coluna, as dores no ombro são a queixa mais comum relacionada com a sistema osteomuscular. Há evidências de que a dor no ombro é frequentemente recorrente e persistente. 

O diagnóstico diferencial entre disfunções do ombro e disfunções da cervical que causam dor no ombro é importante não só para estudos epidemiológicos, mas também para melhorar o tratamento direcionado e o respetivo prognóstico.

No entanto os testes clínicos para fazer um diagnóstico no ombro não têm bons níveis de confiabilidade ou validade e, para além disso, o valor dos exames de imagem é questionável, comummente se vêm ruturas na coifa dos rotadores que são completamente assintomáticas.

Por isso, tem-se recomendado que estes rótulos diagnósticos sejam abandonados, e, ao invés, os pacientes sejam classificados de acordo com a resposta ao tratamento e às características clínicas comuns.
O Método McKenzie de Diagnóstico e Terapia Mecânica (MDT) utiliza a postura e movimentos repetidos próximos do final da amplitude de movimento, enquanto monitoriza os sintomas e respostas mecânicas, para classificar os pacientes em uma de três síndromes mecânicas: desarranjo, disfunção ou síndrome postural, ou “outro” se não se encaixa nas definições operacionais de uma das síndromes mecânicas.

A fiabilidade do sistema McKenzie tem sido considerada como moderada a boa para os problemas da coluna vertebral e a validade de prognóstico apresenta altos níveis de confiabilidade.
O objetivo deste estudo de caso é demonstrar como um paciente com, aparentemente, um problema no ombro, quando avaliado através do método MDT, respondeu a movimentos repetidos na coluna cervical.

Apresentação de caso clínico

  • Um paciente do sexo masculino de 47 anos de idade foi encaminhado pelo seu médico de família com um histórico de 4 meses de dor intermitente no ombro esquerdo que tinha vindo a melhorar, mas ainda havia dor consistente na elevação do ombro a mais de 90º, pior com abdução do que com flexão. Tinha sido o primeiro episódio do género e os sintomas começaram sem motivo aparente.
  • O paciente trabalhava como técnico de ar condicionado. A única atividade de lazer era assistir televisão, cerca 4h todas as noites, “relaxado” no sofá.
  • A sua única limitação funcional era levantar pesos moderados a pesados devido à dor no ombro.
  • Na primeira avaliação foram obtidos os seguintes resultados: 4/22 na Shoulder Disability Score; 45/60 na Oxford Shoulder function score; 5/10 na escala visual analógica.
  • Os sintomas eram piores à noite e ao levantar pesos e aliviavam com o repouso, spray analgésico e compressas quentes.
  • Uma RM recente relatou uma rutura completa do tendão subescapular, uma hipertrofia e alterações císticas no troquino, espessamento dos tecidos moles com sinovite no intervalo da coifa dos rotadores, tendinose do infra e supra-espinhoso com alterações atróficas no infraespinhoso.
  • Na avaliação física o paciente apresentava uma má postura em sentado e em pé, com uma lordose excessiva da coluna lombar, cabeça projectada para a frente e ombros rodados à frente.
  • Apresentava amplitude de movimento completa, ativa e passiva, de flexão do ombro, abdução e rotação medial e lateral. Na abdução e flexão para além de 90º houve dor, assim como na rotação medial e lateral, embora menor e só no final de amplitude. A Abdução ativa foi o movimento mais sintomático. A força estava preservada.
  • Foram testados movimentos repetidos em posição vertical para verificar se existia um padrão consistente que reproduzisse os sintomas. Como a abdução ativa foi a mais sintomática foi primeira a ser testada.
  • Duas séries de 10 repetições produziram dor que se manteve após o teste. A flexão repetida aumentou ainda mais os sintomas, que se mantiveram piores. Não foi encontrado nenhum movimento que diminuísse os sintomas, nem houve qualquer mudança no padrão da dor.
  • Era nesta fase claro que os sintomas eram afectados pela carga, mas nenhum padrão claro foi encontrado e o padrão de dor não podia ser classificado em qualquer das síndromes mecânicas de MDT nesta fase.
  • Na avaliação seguinte foi testada a coluna cervical. Para permitir uma maior amplitude de movimento foi demonstrado ao paciente como restaurar a lordose lombar e retrair a cabeça. Esta posição aboliu os sintomas agravados pelo teste de movimento repetido do ombro. O teste inicial da cervical mostrou uma perda moderada de retração e extensão, mas sem perda de quaisquer outros movimentos cervicais.
  • Na cervical não houve sintomas antes do teste de movimentos repetidos. A protração repetida da cervical produziu a dor no ombro, que se manteve pior depois do teste. A retração repetida aboliu a dor no ombro, e ao final de mais repetições a dor durante a abdução desapareceu, o que demonstrou uma preferência direccional na coluna cervical.


Tratamento

  • A classificação provisória foi desarranjo cervical. O paciente foi educado no sentido de manter uma boa postura, com a utilização de um rolo lombar, e foi convidado a realizar repetições de 10-12 retrações a cada hora, evitando também posturas provocativas.


  • Vinte e quatro horas mais tarde, o paciente confirmou a realização dos exercícios. Relatou que não sentia dor com o movimento do ombro além dos 90º, mas para além dos 120º tinha uma dor 5/10, mas que desaparecia após o exercício.
  • Após retração repetida com sobrepressão por parte do paciente a dor na abdução para além dos 120º era 2/10. A classificação de desarranjo cervical foi assim confirmada.
  • Na avaliação seguinte, 48h depois, havia dor mínima no final de amplitude de abdução. Assim, foi introduzida a retracção e extensão cervical.
  • Após 10 dias, os resultados foram avaliados por outro fisioterapeuta que não havia sido envolvido no tratamento: 0/22 na Shoulder Disability Score; 55/60 na Oxford Shoulder function score; 0/10 na escala visual analógica.
  • O paciente relatou estar satisfeito e, durante os últimos 10 dias, tinha levantado pesos sem dor. Não houve sintomas em repouso, nem durante o movimento.
  • O paciente foi orientado a prosseguir com as retrações repetidas, incluindo extensão da cervical até ao final de amplitude de movimento.
  • O follow up seguinte foi feito por telefone, depois de um mês, e o paciente encontrava-se assintomático naquele momento. No último follow up, um ano depois da primeira avaliação, o paciente mantinha-se assintomático, mas continuou a fazer os exercícios em alturas em que sentiu maior rigidez ou desconforto.


Conclusão


Este estudo de caso destaca a importância de diferenciar dor no ombro que tem origem no ombro de dor referida com origem na cervical. Este estudo suporta ainda a utilidade clínica da avaliação segundo McKenzie como uma abordagem para fazer este diagnóstico diferencial e respetivo tratamento


Menon A, May S. Shoulder pain: differential diagnosis with mechanical diagnosis and therapy extremity assessment - a case report. Man Ther. 2013 Aug;18(4):354-7.