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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Dor de cabeça cervicogénica tratada por Positional Release Therapy – estudo de caso clínico

Segundo Dorland, a dor de cabeça é definida como dor em qualquer lugar da cabeça ou pescoço. O cérebro não tem receptores de dor, mas outras áreas da cabeça e pescoço, tais como artérias, veias, nervos cranianos e da coluna vertebral, músculos da cabeça e pescoço e meninges podem sentir dor.

As dores de cabeça cervicogénicas (DCC) têm uma origem muscular e a incapacidade resultante é maior que nas cefaleias primárias. Neste tipo de dor de cabeça, as deficiências e alterações músculo-esqueléticas miofasciais e posturais, como pontos gatilho, são muito importantes.

Um ponto gatilho é um local hipersensível no músculo esquelético que pode ser ativo ou permanecer latente. Quando a avaliação neurológica e de imagem são normais, pontos de gatilho devem ser considerados como a possível etiologia da dor de cabeça.

As opções de tratamento para estes incluem: injeções no trigger point, punção seca, alongamentos, massagem terapêutica e Positional Release Therapy (PRT). PRT é uma técnica na qual os músculos são colocados numa posição de maior conforto e isso faz com que haja uma normalização do tónus muscular e tensão fascial, uma redução da hipomobilidade articular, aumento da circulação e redução do edema, com consequente diminuição da dor e aumento da força muscular.

Apesar de vários estudos relatarem a redução dos sintomas de dor de cabeça após o tratamento de pontos-gatilho por diferentes procedimentos, a eficácia da PRT na melhoria dos pacientes com DCC permanece ainda pouco clara.
Este estudo de caso descreve uma paciente com DCC e pontos gatilho nos músculos cervicais, que foi tratado com PRT.

Apresentação de caso clínico


  • Mulher, 47 anos, com uma dor de cabeça constante e maçante durante 9 meses.
  • A dor formava uma faixa que envolvia o lado direito da cabeça. Raramente vinha acompanhada de náuseas e vómitos.
  • A Ressonância Magnética, exame de sangue, eletromiografia/velocidade da condução nervosa e exame neurológico, realizados sob prescrição de neurologista, foram normais, pelo que a paciente recebeu antidepressivos tricíclicos anti-inflamatórios não-esteróides profiláticos mas, depois de um mês, não houve melhoria nos sintomas.
  • Em seguida a paciente foi encaminhada para um psicólogo mas sem qualquer melhoria. Finalmente, foi encaminhada à clínica de fisioterapia para o tratamento dos seus pontos gatilho nos músculos cervicais.
  • A paciente afirmou que a dor se iniciava a partir do ombro e pescoço e em seguida irradiava para a cabeça.
  • A dor era pior durante atividades como cozinhar ou conduzir em que a cabeça e o pescoço se mantinham numa posição estática .
  • A paciente apresentava um aumento da cifose, ombros rodados à frente e anteriorização da cabeça.
  • A região cervical apresentava-se rígida e a amplitude de rotação estava limitada, ocorrendo o movimento associado de rotação do tronco. Observou-se limitação da amplitude de movimento do pescoço, ombro ou coluna torácica por causa da dor, o que tornou difícil a medição da verdadeira amplitude de movimento.
  • À palpação, havia pontos-gatilho ativos que suscitaram a dor irradiada na cabeça, no trapézio direito, esternocleidomastóideo esquerdo, obliquo superior da cabeça direito e esquerdo, recto anterior da cabeça esquerdo e interespinhoso do segmento de C4.
  • A paciente foi tratada com PRT. Enquanto estava deitada em decúbito dorsal, o fisioterapeuta colocou cada músculo numa posição específica da seguinte forma:

  1. - Trapézio: a cabeça da paciente foi flexionada lateralmente em direção ao ponto gatilho e do ombro foi abduzido a cerca de 90o.
  2. - Esternocleidomastoideu: a cervical média foi marcadamente flexionada e flexionada lateralmente em direção ao ponto gatilho.
  3. - Obliquo superior da cabeça: fez-se extensão do occipital da paciente sobre C1.
  4. - Recto anterior da cabeça: fez-se flexão do occipital.
  5. - Interespinhoso: fez-se extensão modera da cabeça e flexão lateral rotação no sentido contrário ao ponto gatilho.

  • Em cada posição o fisioterapeuta acompanhou o ponto gatilho com o dedo indicador e manteve essa posição até sentir o relaxamento muscular. Isto demorou de 5 a 20 min e cada ponto gatilho foi tratado uma vez em cada consulta.
  • O examinador avaliou a intensidade da dor pela EVA em cada sessão de tratamento. No fim do primeiro tratamento não houve mudança. No final da segunda sessão, a dor reduziu de 10 para 8. Após três sessões de tratamento, a dor de cabeça da paciente cessou completamente.
  • Ao longo dos oito meses seguintes não teve dor e não recorreu a qualquer medicação. Infelizmente, após este tempo e depois de um conflito familiar, a dor de cabeça voltou.


Conclusão



Os autores propõem que a PRT pode ser um tratamento eficaz para pacientes DCC com pontos de gatilho nos músculos cervicais. Esta técnica pode ser usada como uma alternativa ou um complemento para outras terapias. A eficácia desta forma de tratamento deve ser confirmada por mais investigação clínica.


Mohamadi M, Ghanbari A, Rahimi A. Jaberi Tension - Type - Headache treated by Positional Release Therapy: a case report. Man Ther. 2012 Oct, 17 (5) :456-8.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Dor de cabeça de origem cervical


A dor de cabeça (ou cefaleia) de origem cervical é a dor provocada por lesões/disfunções nas estruturas da coluna cervical que irradia para a cabeça.
Geralmente este tipo de cefaleias afecta apenas um lado da cabeça e pode localizar-se mais na base da nuca, se a coluna cervical inferior estiver afectada, ou irradiar pelo lado da cabeça até à região superior do olho.
Estudos indicam que as vértebras C2-C3 são a fonte mais comum de cefaleia de origem cervical, representando cerca de 70% dos casos.
As estimativas da prevalência de cefaleia de origem cervical variam de 1% a 4% na população geral e cerca de 17% entre os pacientes com dores de cabeça severas. Após distensão traumática da coluna cervical cerca de 53% dos pacientes desenvolverão dor de cabeça de origem cervical. Elevados níveis de stress também são um factor de risco para esta condição, devido ao aumento de tensão muscular na região do pescoço e ombros.


Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor que começa no pescoço e se irradia para a região da nuca e/ou frontal, e para o ombro ipsilateral.
  • Dor que é agravada pelo movimento do pescoço ou em posições mantidas, como ao computador.
  • Formigueiro ou dormência desde a base do pescoço à base da nuca.
  • Por vezes existe uma sensação de latejar que percorre a nuca pelo lado da cabeça até à região superior do olho.

O diagnóstico é orientado para descartar outras possíveis origens para essa dor de cabeça e para descobrir qual é a disfunção cervical que está a causar a dor. Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica completa, exame neurológico e motor da cervical e ombro, é geralmente suficiente para o diagnóstico.


Tratamento

            Numa fase inicial, em que os sintomas estão bastante exacerbados o tratamento deve incluir:
  • Repouso no leito, se necessário, numa posição que seja confortável
  • Segundo estudos recentes a medicação analgésica e anti-inflamatória não revela qualquer efeito benéfico nesta condição
  • A aplicação de calor local na cervical ou um banho quente pode ajudar a aliviar os espasmos musculares e a relaxar as restantes estruturas.
  • Certifique-se de que mantém uma boa postura. Verifique se a sua posição sentada, no trabalho ou no computador é a mais correcta (com a cabeça alinhada com as costas e o ecrã em frente à linha dos olhos). 

RPG e Pilates poderão melhorar a postura do pescoço, mas o seu valor no tratamento da dor não é certo.
Os benefícios das mobilizações e manipulações são bastante discutíveis e muitas vezes os resultados obtidos não são os esperados, sobretudo quando se tratam das primeiras vértebras cervicais. Deverão ser realizadas por profissionais experientes e apenas após a confirmação do diagnóstico.
          Após a fase aguda devem ser realizados todos os testes e avaliações necessários para diagnosticar qual a origem dos sintomas e prosseguir com o tratamento mais adequado para cada um dos casos (hérnia discal cervical; alterações degenerativas da coluna cervical; síndrome postural; distensão traumática da coluna cervical).

Veja aqui um estudo de caso clínico.

Exercícios terapêuticos para dores de cabeça de origem cervical

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de cefaleias originadas por disfunção na cervical. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.

 

Correcção postural da cervical e ombros
Em pé ou sentado, rode os ombros para trás e para baixo, enterre o queixo e imagine que tem uma linha a puxar-lhe o topo da cabeça. Mantenha esta posição durante 20 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.
  




 Flexão/extensão da coluna vertebral
De joelhos, apoiado nas palmas das mãos, que estão alinhadas com os ombros. Inspire fundo, enquanto deixa a coluna arquear em direcção ao chão e roda a cabeça para a frente. Expire completamente, enquanto contrai os abdominais e enrola a coluna e pescoço.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 



 Alongamento da cadeia posterior
Sentado, com os braços atrás da cadeira, estique lentamente a perna puxando a ponta do pé para si. Mantenha a posição durante 8 segundos. Repita com a outra perna.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.
  

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Fratura da cabeça do rádio


A cabeça do rádio (ou tacicula radial) corresponde à extremidade proximal deste osso, que, em conjunto com o úmero e o cúbito, forma a articulação do cotovelo.
À excepção das luxações congénitas da cabeça do rádio, que são, por definição, congénitas, as fracturas e luxações da cabeça do rádio são resultado de traumatismo, geralmente devido a uma queda sobre as mãos, com o braço estendido, em que a força de impacto é transmitida pela mão através do antebraço até a cabeça do rádio, provocando a fractura.
As fracturas da cabeça do rádio são o tipo de fractura mais comum da articulação do cotovelo no adulto (correspondem a 20% de todas as lesões agudas do cotovelo), enquanto a fractura do colo radial (logo abaixo da cabeça do rádio) ocorrem mais comummente em crianças. Para além disso, aproximadamente 10% de todas as luxações do cotovelo envolve uma fractura da cabeça do rádio.
As fracturas e luxações da cabeça do rádio são lesões traumáticas graves que exigem tratamento adequado para prevenir complicações comuns, como a rigidez articular, a artrite pós-traumática, lesões nervosas, ou outras complicações.
Nos casos de luxação congénita da cabeça radial, em que geralmente a cabeça do rádio é maior e mais arredondada do que o esperado, é fundamental um correcto diagnóstico e acompanhamento, já que o tratamento cirúrgico para reduzir a luxação nestes casos não tem bom prognóstico.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Por vezes o paciente ouve o ruído da fractura no momento da lesão
  • Dor na face lateral do cotovelo
  • Inchaço na articulação do cotovelo
  • Amplitude de movimento do cotovelo limitada, especialmente a de rotação (incapacidade ou dificuldade em girar a palma da mão para cima e para baixo)

É essencial uma boa avaliação clínica do cotovelo, punho e ombro para ajudar no diagnóstico de uma fractura da cabeça do rádio. Pela força do impacto outras estruturas poderão estar lesadas, pelo que é fundamental avaliar a função vascular e nervosa. Um raio-X é geralmente necessário para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão. No caso de haver suspeita de lesão de outras estruturas, exames adicionais (TAC, RM ou ecografia) podem ser necessários.

Tratamento

As fracturas da cabeça do rádio são classificadas de acordo com o grau de deslocamento do osso, e o tratamento seleccionado segundo esse critério.

Fracturas Tipo I: são geralmente pequenas, algumas representam apenas fissuras, e os pedaços de osso continuam alinhados. A fractura pode não ser visível em radiografias iniciais, mas geralmente são identificadas se o raio X for feito três semanas após a lesão.
O tratamento não cirúrgico envolve o uso de uma tala ou sling por alguns dias, seguido pela mobilização precoce.
Numa primeira fase a mobilização articular deve incidir sobretudo na extensão do cotovelo e progressivamente ir introduzindo a flexão e só depois a pronação/supinação.
Se o movimento for demasiado forçado ou sem respeitar a dor, os fragmentos ósseos podem mudar de posição e tornar-se uma fractura com deslocamento.

Fracturas tipo II: são ligeiramente deslocadas e envolvem fragmentos ósseos maiores. Se o deslocamento for mínimo, o tratamento de eleição será a colocação de uma tala durante 1-2 semanas, seguido de vários exercícios terapêuticos, o que geralmente é bem sucedido.
Pequenos fragmentos poderão ser removidos cirurgicamente. No entanto, se for um fragmento ósseo maior poderá ser realinhado com o osso e fixado com placa e parafusos. Se isso não for possível, o cirurgião irá simplesmente remover os fragmentos desalinhados ou, principalmente em pessoas de idade e menos activas, remover a cabeça do rádio.

Fracturas do tipo III: têm múltiplos fragmentos de osso, que não são passíveis de fixação. Normalmente, existe também um prejuízo significativo para a articulação e ligamentos. A cirurgia é sempre necessária para remover os fragmentos de osso, incluindo a cabeça do rádio, e reparar os danos dos tecidos moles. Nestes casos iniciar a mobilização assim que os sintomas o permitirem é fundamental para evitar a rigidez articular.
A prótese (cabeça do rádio artificial) pode ser considerada, com o objectivo de impedir a deformidade se a instabilidade da fractura for grave.
Mesmo a mais simples das fracturas irá provavelmente resultar em alguma perda de extensão do cotovelo. Independentemente do tipo de fractura ou o tratamento utilizado, um acompanhamento em fisioterapia será necessário antes de retomar as actividades da vida diária por completo. O tratamento poderá incluir:
  • Mobilização articular passiva do cotovelo, respeitando a dor e iniciando pela extensão, seguida da flexão e rotações.
  • Exercícios de fortalecimento muscular, sobretudo do bicipíte, tricipíte e supinador.
  • A aplicação de calor antes dos exercícios para aumentar a irrigação sanguínea e de gelo no final para prevenir sinais inflamatórios.
  • Massagem de mobilização dos tecidos moles.
  • Plano de exercícios terapêuticos para realizar no domicílio.


Exercícios terapêuticos para a fractura da cabeça do rádio

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos após a confirmação de que a fractura está consolidada. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



 Alongamento dos extensores do punho
Em pé ou sentado, estenda o braço para a frente alinhado com o ombro, com a palma da mão virada para si. Com a outra mão puxe os dedos em direcção a si. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Prono-supinação do punho
Com o cotovelo a 90o e encostado ao tronco, e a palma da mão virada para cima. Rode a palma da mão para baixo e volte lentamente á posição inicial.
Repita entre 15 a 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Fortalecimento dos extensores radiais do punho
Com o ombro alinhado com o tronco, cotovelo a 90o e polegar virado para cima. Fixe o punho com a outra mão e puxe o elástico para cima e em direcção a si. Apenas a mão se deve mover.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.