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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Terapia manual no tratamento de uma tendinopatia peronial - estudo de caso clínico

A tendinopatia peronial é uma fonte incomum, e portanto pouco valorizada de dor e disfunção na face lateral no retropé que, com uma intervenção ineficaz, pode muitas vezes causar dor persistente e problemas funcionais.

Embora a patogénese da tendinopatia peronial não tenha sido bem estudada, outras tendinopatias foram, e as análises histológicas de tendões afetados identificaram quatro alterações predominantes, coletivamente denominadas hiperplasia angiofibroblastica: 
  1. Hipercelularidade e aumento da substância fundamental,
  2. Hiperplasia vascular ou neovascularização,
  3. Aumento da concentração de substâncias neuroquímicas
  4. Formação de colagénio desorganizado e imaturo.

A consistente ausência de células inflamatórias nos casos crónicos resultou no consenso geral atual de que este processo é de natureza degenerativa, apesar de uma componente inflamatória neurogénica poder existir.

Em relação ao tratamento da tendinopatia peronial existe pouca evidência científica. Alguns autores defendem o uso de cunhas na face lateral do calcanhar, no entanto, esta técnica de tratamento apresenta um problema, pois durante a marcha os tendões peroniais são recrutados sobretudo quando o calcanhar não está no chão. Outros defendem os exercícios excêntricos, que se têm revelado benéficos em casos de outras tendinopatias.

A terapia manual tem demonstrado resultados promissores em indivíduos com epicondilalgia lateral. Especificamente, os desvios laterais no cotovelo resultaram numa rápida redução da dor, melhoria da força de preensão sem dor e melhoria da função.

O objetivo deste estudo de caso é descrever a avaliação e tratamento de uma paciente com tendinopatia peronial, com ênfase na intervenção da terapia manual.

Apresentação de caso clínico

  • Paciente de 49 anos de idade, do sexo feminino, vista em agosto de 2010.
  • Referiu 15 meses de dor na face lateral no tornozelo esquerdo, que a impedia de realizar o seu exercício habitual: caminhar 3-5 quilómetros em terreno plano, 3x semana e realizar 30-45 min na elíptica 2x semana.
  • Na consulta a paciente relatou dor (6/10). No trabalho a dor aumentava quando tinha de fazer vários lanços de escadas durante o dia.
  • Também relatou rigidez generalizada em todo o tornozelo ao subir/descer escadas, com mais dificuldade a descer.
  • A história médica incluía uma fratura distal do perónio esquerdo (janeiro de 2009). Foi imobilizada por seis semanas com bota. Após isso fez três semanas de fisioterapia para retorno à actividade, embora nunca mais tenha recuperado a capacidade de sentar com o membro envolvido bem apoiado no chão devido à rigidez e amplitude de movimento limitada do seu tornozelo.
  • Em maio de 2009, começou a queixar-se do aumento da dor na face lateral do tornozelo e, posteriormente, foi diagnosticada com tendinopatia peronial.
  • Após dois meses de fisioterapia (programa de condicionamento e força geral) recebeu alta com menos dor e voltou à sua rotina de exercícios anterior.
  • No entanto, a dor nunca cessou completamente. Em janeiro de 2010, a dor piorou. Nesta altura tinha deixado a elíptica, mas continuou a andar com dor após 1,6Km, que começou com 1/10 e aumentou progressivamente para 6/10.
  • A ressonância magnética, em julho de 2010, não revelou resultados significativos.


Avaliação clínica

Foram administrados:
  • A escala de avaliação funcional dos membros inferiores (LEFS) para determinar o nível de dificuldade em várias tarefas funcionais.
  • A escala de Avaliação global da mudança (GROC) indicando mudanças percebidas no estado de saúde.
  • O NPRS para monitorizar a dor durante e entre os tratamentos de fisioterapia.
  • O teste de equilíbrio em estrela (SEBT)
  • Medição de amplitudes de dorsiflexão do calcanhar e dorsiflexão do calcanhar com o straight leg raise

Na observação notou-se leve atrofia dos gémeos esquerdos no membro acometido, sem edema ao longo do pé e face lateral do tornozelo.
Na avaliação da marcha revelou maior rotação para fora e pronação do médio-pé no membro envolvido, sobretudo na fase de propulsão, em comparação com o lado não envolvido.
A dor foi reproduzida pela palpação dos tendões peroniais, na região posterior ao maléolo lateral.
Os testes musculares manuais revelaram fraqueza peronial (4/5) sem dor. A inversão ativa e passiva também aumentaram a dor para 3/10.
Não havia sinais de lassidão ligamentar ou compressão do nervo por todo o pé e tornozelo.

Tratamento

  • Durante a avaliação inicial e a segunda visita, o tratamento foi direcionado para educar a paciente sobre o processo da sua doença.
  • Com base na avaliação clínica e no aumento da dor, foram aplicadas palmilhas no retopé e antepé do lado medial e lateral entre 3 e 6mm para descarga do tendão.
  • Além disso, foi feita mobilização articular talocrural de anterior para posterior até 75% da resistência (grau 4) como descrito por Maitland.
  • Foram aplicados alongamentos dos gémeos com o joelho estendido e dobrado, mantidos por 30-60segundos, 20 min/dia, 5x semana.
  • O reforço peronial foi realizado com theraband em 3x 15 repetições, 3x semana, em dias não consecutivos.



3ª Consulta
  • Um mês depois da avaliação inicial, ambos os resultados subjetivos e objetivos pioraram. A paciente atribuiu a um horário de trabalho ocupado.
  • Não estava a usar as palmilhas porque eram desconfortáveis.
  • Mediante isto, decidiu-se abandonar a palmilha e tentar uma técnica manual diferente:
  • Um deslizamento lateral do calcâneo até 50% da resistência (grau 3), como descrito por Maitland, foi realizado por 10 repetições. Imediatamente depois, a paciente realizou dez elevações unilaterais do calcanhar esquerdo livre de dor.
  • No final do tratamento a paciente conseguia deambular mais de 100 metros sem dor e o reforço peronial progrediu com o aumento da resistência.


Da 4ª à 7ª Consulta
  • Duas semanas após a terceira visita, a paciente estava a caminhar 30 min 3-4 vezes por semana, com dor, não superior a 3/10 e não teve dificuldade em avançar lanços de escadas.
  • É agora capaz de realizar 17 elevações unilaterais do calcanhar esquerdo antes da sua dor inicial aumentar. Não houve um aumento na dor com a marcha.
  • Foi realizado o desvio lateral do calcâneo como descrito acima, sem qualquer alteração na dor ou a capacidade de realizar elevações unilaterais.
  • A intervenção durante os tratamentos 4 a 7 teve como objetivo a progressão de resistência de fortalecimento peronial e mobilidade talocrural, como descrito acima.


Consulta 8
  • O último tratamento foi 3,5 meses após a avaliação inicial. O paciente relatou dor 0/10 e voltou à sua rotina de exercícios anteriores, sem problemas. Todas as medidas subjetivas e objetivas demonstraram melhoria.


Conclusões

  1. Nesta paciente com tendinopatia peroneal foram observadas melhorias significativas na função e dor depois de 8 consultas de avaliação e tratamento em fisioterapia. 
  2. Sendo interessante notar que as alterações não foram observadas até ter sido realizado um desvio lateral do calcâneo. O desvio lateral melhorou os sintomas e função, apesar do fato de não haverem restrições articulares específicas na articulação subtalar. Pensa-se que as mobilizações articulares alteram a dor através de mecanismos biomecânicos, químicos, medulares, e supra-medulares. Não é claro qual dos mecanismos acima mencionados, se houver, são mais influentes no presente caso. No entanto, de forma análoga, está descrito na literatura que um deslizamento lateral no cotovelo resulta numa rápida redução na dor, preensão livre de dor e melhoria da função em casos de epicondilalgia lateral do cotovelo.
  3. Os resultados deste estudo de caso devem ser interpretados com cautela, outras razões para a melhoria devem ser consideradas. Esta paciente também recebeu exercícios de fortalecimento peronial, juntamente com alongamentos.
  4. Apesar de não ser clara a preponderância de cada um dos tratamentos na melhoria da condição clínica da paciente os autores neste caso consideram uma combinação de intervenção com terapia manual e exercício terapêutico essencial para o tratamento desta paciente.



Hensley CP, Kavchak AJ. Novel use of a manual therapy technique and management of a patient with peroneal tendinopathy: a case report. Man Ther. 2012 Feb;17(1):84-8.




quinta-feira, 18 de abril de 2013

Fratura do Calcâneo (calcanhar)


O calcâneo é um grande osso que forma a base da parte posterior do pé (calcanhar). O calcâneo articula com o tálus acima e com o cubóide à frente. O calcâneo tem a particularidade de ter uma estrutura externa fina e dura e bastante percentagem de osso esponjoso no interior, dai quando parte, o osso tende a fragmentar-se em mais que um sítio, pelo que as fracturas do calcâneo são sempre lesões graves.
As fracturas do calcâneo representam 2% de todas as fracturas no adulto e podem ser:
  • Intra-articulares (cerca de 70%), são as fracturas mais graves, que incluem lesão da cartilagem (o tecido conjuntivo entre dois ossos) provocadas geralmente por uma queda de grande altura com o impacto do pé numa superfície dura. As opções de tratamento dependem de quão severamente o calcâneo foi esmagado no momento da lesão.
  • Extra-articulares (cerca de 30%), geralmente fracturas por avulsão (em que um pedaço de osso é arrancado pela força brusca exercida pelo tendão de Aquiles ou por um ligamento) ou fracturas de stress, causadas por uso excessivo, por exemplo durante a corrida. As opções de tratamento dependem do tamanho fractura e da sua localização.


Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Quando a fractura resulta de um traumatismo os sintomas podem incluir:
  • Súbita dor no calcanhar e na incapacidade de suportar o peso sobre aquele pé
  • Inchaço na zona do calcanhar
  • Contusão do calcanhar e tornozelo
  • Quando se trata de uma fractura de stress os sintomas podem incluir:
  • Dor generalizada na região do calcanhar que normalmente se desenvolve lentamente (durante vários dias ou semanas)
  • Inchaço na zona do calcanhar.

É essencial uma boa avaliação clínica do pé e tornozelo para ajudar no diagnóstico de uma fractura do calcâneo. Um raio-X é geralmente necessário para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão. Exames adicionais (TAC ou RM) podem ser necessários no caso de se suspeitar de comprometimento vascular ou nervoso.

Tratamento

       O tratamento em fisioterapia, imediatamente após a lesão e enquanto o diagnóstico não está confirmado, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Compressão: um elástico pode ser usado para controlar o inchaço.
Elevação: O pé deve ser elevado um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
           O tratamento médico das fracturas do calcâneo vai depender do tipo de fractura e da extensão da lesão. As fracturas arrancamento e as fracturas em que não há desalinhamento dos topos ósseos, são geralmente tratadas com imobilização gessada, através de bota ou tala.
Para as fracturas em que os dois topos da fractura estão desalinhados o ortopedista realizará o realinhamento da fractura por manipulação cuidadosa sob anestesia seguida de cirurgia para fixação interna (utilizando placas e parafusos) de forma a estabilizar a fractura e facilitar a cicatrização do osso. Nesta situação, após a cirurgia segue-se imobilização gessada com bota protectora mais canadianas por um período não inferior a 4 semanas.
No período após imobilização gessada deve ser iniciado um programa de fisioterapia. As técnicas que revelam maior eficácia nesta condição:
  • Massagem de mobilização dos tecidos moles para melhoria do trofismo celular.
  • Electroestimulação neuromuscular (ENM) dos músculos estabilizadores do tornozelo
  • Reeducação da marcha e treino proprioceptivo
  • Mobilização articular.
  • Educação do paciente e plano de retorno gradual à actividade.


Exercícios terapêuticos para fractura do calcâneo (calcanhar)

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos após a confirmação de que a fractura está consolidada. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.





Flexão/extensão do pé
Deitado, com o calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé e dedos para si, e depois empurre pé e dedos para baixo.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Inversão/eversão do
Deitado, com o calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé para cima e para fora, com a planta do pé virada para fora, depois empurre o pé para baixo e para dentro, com a planta do pé virada para dentro.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Extensão resistida do pé
Sentado com a perna esticada e o elástico na ponta do pé. Empurre o elástico para a frente, depois deixe o pé regressar lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Brauer CA, Manns BJ, Ko M, Donaldson C, Buckley R. An economic evaluation of operative compared with nonoperative management of displaced intra-articular calcaneal fractures. J Bone Joint Surg Am. 2005 Dec;87(12):2741-9.
Tomaro JE, Butterfield SL. Biomechanical treatment of traumatic foot and ankle injuries with the use of foot orthotics. J Orthop Sports Phys Ther. 1995 Jun;21(6):373-80.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Bursite do tendão de Aquiles


A bursite é a inflamação de uma bolsa (um fino saco de líquido sinovial). Estas bolsas estão localizadas nos pontos de fricção, especialmente onde há tendões ou músculos que passam por cima do osso, e têm como principal função diminuir o atrito entre estas estruturas. Embora uma bolsa geralmente contenha muito pouco líquido, no caso de se lesionar pode inflamar e encher-se de líquido, causando a bursite.

A bursite posterior do tendão de Aquiles consiste na inflamação da bolsa localizada entre a pele e o tendão e é muitas vezes associada à formação de uma proeminência óssea no osso do calcanhar designada deformidade de Haglund. Esta perturbação manifesta-se principalmente nas mulheres jovens, mas também pode desenvolver-se nos homens. Geralmente agrava-se quando se comprime repetidamente os tecidos moles por trás do calcanhar, contra o suporte rígido do sapato de salto alto por exemplo.

A bursite anterior do tendão de Aquiles é também chamada de doença de Albert ou bursite retromaleolar e consiste na inflamação da bolsa localizada entre o tendão e a articulação do tornozelo. Qualquer condição que coloque pressão adicional sobre o tendão de Aquiles, como a prática desportiva de competição, pode causar bursite anterior do tendão de Aquiles. Lesões no calcanhar e doenças como a artrite reumatóide também podem causá-la.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Na bursite anterior do tendão de Aquiles, geralmente de inicio mais rápido, associado à tensão causada por esforços repetidos ou lesão durante a prática desportiva surge inchaço, calor e um ponto doloroso à pressão na parte de trás do tornozelo, logo acima do calcanhar.
Na bursite posterior do tendão de Aquiles a princípio, aparece uma mancha ligeiramente vermelha, endurecida e dolorosa na face posterior e superior do calcanhar. Quando a inflamação aumenta, aparece uma tumefacção vermelha por baixo da pele do calcanhar que causa dor acima do mesmo. Se a afecção se torna crónica, o inchaço pode endurecer.
O diagnóstico é baseado nos sintomas e na avaliação clínica. Geralmente nas bursites anteriores do tendão de Aquiles, os médicos utilizam raios-x para descartar fracturas do calcâneo ou danos no osso causados pela artrite reumatóide ou outra artrite inflamatória.

Tratamento

           A maioria dos pacientes com bursite do tendão de Aquiles reage bem ao tratamento com fisioterapia. O tratamento, no caso de ser uma lesão aguda, tem como objectivo inicial controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Elevação: O pé deve ser elevado um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
Assim que os sintomas diminuírem, deve ser iniciado um programa de fisioterapia. As técnicas que revelam maior eficácia nesta condição:
  • Educação do paciente sobre o calçado mais adequado (adaptar a posição do pé no sapato para aliviar a pressão sobre o calcanhar. Podem colocar-se almofadas no calçado, de espuma de borracha ou de feltro, para elevar o calcanhar, diminuindo assim a pressão) e plano de retorno gradual à actividade.
  • Exercícios para melhorar a flexibilidade, força e equilíbrio (incluindo exercícios em carga)
  • A aplicação de gelo no final dos exercícios para prevenir sinais inflamatórios.
  • Mobilização articular.

Caso nenhuma destas intervenções for eficaz, os anti-inflamatórios não esteróides, como o ibuprofeno, aliviam a dor e a inflamação de forma temporária, assim como as injecções de uma mistura de corticosteróides e anestésicos locais na zona inflamada. Quando estes tratamentos também não são eficazes, pode haver indicação para remover cirurgicamente uma parte do osso do calcanhar.

Exercícios terapêuticos para a bursite do tendão de Aquiles

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma bursite do tendão de Aquiles. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.

 



Alongamento dos gémeos
De pé, com as mãos ao nível dos ombros apoiadas na parede. Colocar a perna a alongar esticada e atrás, dobrar à frente o joelho da outra perna, com as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Reforço muscular dos gémeos
Em pé, apoiado numa cadeira, coloque-se em pontas dos pés. Desça lentamente até todo o pé apoiar no chão. Repita este movimentos entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Barry ME. Patient-education guide. Heel pain. Nursing. 2004 Feb;34(2):43.
Mazzone MF, McCue T. Common conditions of the achilles tendon. Am Fam Physician. 2002 May 1;65(9):1805-10.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Fasceíte plantar


A fasceíte plantar é uma lesão por esforços repetidos sobre a fáscia plantar (uma forte tira de tecido, como um ligamento, que se estende desde o calcanhar até os ossos do médio-pé). A fáscia plantar suporta e dá forma ao arco plantar e também age como um amortecedor de choques durante a marcha, a corrida e qualquer actividade que envolva impacto do pé no solo.
Apesar de fasceíte (como tendinite) levar a pensar em inflamação, esta raramente está presente. Cargas frequentes sobre a fáscia causam micro-rupturas (com ou sem inflamação associada), que evoluem rapidamente para um processo degenerativo do tecido conjuntivo na fáscia. Nesta fase é dado o nome de tendinose em vez de uma tendinite.
A maior incidência é sobre as mulheres, entre os 30 e os 60 anos, mas pode surgir em homens e em idosos. Como é uma lesão originada por esforços repetidos também é muito comum entre desportistas, pelo que estes devem procurar calçado desportivo que tenha um bom suporte para o arco plantar, procurar pisos regulares para praticar desporto e alongar regularmente os músculos do tendão de Aquiles (barriga da perna), de forma manter uma boa amplitude de movimento.
Alguns factores de risco comuns incluem:
  • Obesidade, 
  • Profissão que obrigue a estar em pé durante longos períodos de tempo
  • Esporão do calcâneo
  • Pés chatos, 
  • Pouca amplitude da flexão do pé



Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor no calcanhar nos primeiros passos depois de levantar da cama ou após longos períodos sem peso sobre o pé
  • Sensibilidade ao toque na planta do pé, na zona imediatamente à frente do calcanhar
  • Amplitude de flexão do pé diminuída e/dor ao estiramento da planta do pé
  • A pessoa pode claudicar ou andar mais sobre a ponta do pé
  • A dor agrava quando se tenta andar descalço em pisos duros ou subir escadas
  • Muitos pacientes referem ter tido um aumento no seu nível de actividade antes do início dos sintomas
  • Padrão de marcha característico

O diagnóstico é baseado nos sintomas e na avaliação clínica. Os pacientes podem apresentar um ponto de maior sensibilidade junto à tuberosidade medial do calcâneo. A dor na fáscia plantar é particularmente evidente com a flexão dorsal do pé e dos dedos, que provoca o estiramento da fáscia. O exame clínico tem em consideração, entre outros, o historial médico do paciente, o nível de actividade física e os sintomas locais. O médico pode optar por utilizar estudos de imagem como raio-x, ecografia e ressonância magnética em lesões crónicas.


Tratamento

        
O tratamento conservador (sem recorrer a cirurgia) é quase sempre bem sucedido, no entanto a fáscia, assim como os ligamentos, leva bastante tempo a curar na totalidade. Está descrito que a maioria dos pacientes estará melhor nove meses após o início dos sintomas. No entanto uma combinação de diferentes tratamentos pode ajudar a acelerar a recuperação.
Os tratamentos que demonstraram ter maior eficácia para a fasceíte plantar:
  • Alongamento da fáscia plantar e do tendão de Aquiles (exercícios descritos abaixo)
  • Mobilizações e manipulações da articulação do tornozelo e da articulação entre o calcanhar e o tálus (ou astrágalo) demonstraram poder aliviar a dor por completo ao final de 6 tratamentos.
  • Ionização com ácido acético combinada com ligadura de tape para descompressão da região plantar demonstraram reduzir a dor ao final de 4 semanas
  • Palmilha para suporte do arco plantar revela eficácia no retorno à actividade normal

A cirurgia pode ser considerada em casos muito difíceis, geralmente é recomendada somente se a dor não diminuiu após 6-12 meses com tratamentos conservadores. A fasciotomia implica o destaque parcial da fáscia plantar da sua inserção no osso. Também pode envolver a remoção de um esporão no calcâneo, se este estiver presente. A cirurgia nem sempre é bem sucedida, e pode causar algumas complicações, como infecção, aumento da dor, lesões dos nervos nas proximidades, ou ruptura da fáscia plantar, assim deve ser considerada como um último recurso.

Exercícios terapêuticos para a fasceíte plantar

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma fasceíte plantar. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Alongamento da planta do pé
Em pé, com a perna esticada, apoie o calcanhar no chão e a ponta do pé na parede, o mais alto que conseguir, dentro do limite do confortável. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Alongamento dos gémeos
De pé, com as mãos ao nível dos ombros apoiadas na parede. Colocar a perna a alongar esticada e atrás, dobrar à frente o joelho da outra perna, com as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 Reforço muscular dos gémeos
Em pé, apoiado numa cadeira, coloque-se em pontas dos pés. Desça lentamente até todo o pé apoiar no chão. Repita este movimentos entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Cole C, Seto C, Gazewood J. Plantar fasciitis: evidence-based review of diagnosis and therapy. Am Fam Physician. 2005 Dec 1;72(11):2237-42.
DiGiovanni BF, Nawoczenski DA, Lintal ME, Moore EA, Murray JC, Wilding GE, et al. Tissue-specific plantar fascia-stretching exercise enhances outcomes in patients with chronic heel pain. A prospective, randomized study. J Bone Joint Surg Am. 2003 Jul;85-A(7):1270-7.
Riddle DL, Pulisic M, Pidcoe P, Johnson RE. Risk factors for Plantar fasciitis: a matched case-control study. J Bone Joint Surg Am. 2003 May;85-A(5):872-7.
Young B, Walker MJ, Strunce J, Boyles R. A combined treatment approach emphasizing impairment-based manual physical therapy for plantar heel pain: a case series. J Orthop Sports Phys Ther. 2004 Nov;34(11):725-33.