Mostrar mensagens com a etiqueta exame. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta exame. Mostrar todas as mensagens

domingo, 29 de novembro de 2015

Claudicação na infância, o porquê e o que fazer

Em um momento ou outro, quase todas as crianças têm episódios de claudicação. Na grande maioria das vezes é causada por ferimentos menores e melhora por si só. 
No entanto a claudicação que dura mais de uma semana e não melhora representa um desafio para pais e profissionais de saúde:

Como isso afeta a criança? De onde é que vem? Qual é o tipo de tecido que é o responsável? Será que requer tratamento? Quão séria é a lesão?... 
Vamos ver as causas e o que deve fazer!

Causas


A causa mais comum de claudicação é uma pequena lesão. Lesões em crianças são geralmente óbvias, mas o mancar persistente após uma lesão pode ser um sinal de que existe uma pequena fratura subjacente por exemplo. 

A maioria das outras causas de claudicação não é comum. Doenças ósseas graves e distúrbios do sistema nervoso são muito raros.


Exame clínico


Quando levar seu filho a uma consulta por causa de um mancar inexplicável, o médico irá perguntar primeiro sobre a história clínica do seu filho, atividades recentes, e saúde em geral. Também irá pedir-lhe para descrever o mancar e quando ele ocorre.

Quanto mais informações fornecer, melhor ele será capaz de determinar a causa da claudicação. Por exemplo, se você tem um histórico familiar de artrite reumatóide, deverá menciona-lo. Ou se o seu filho teve, recentemente, uma tosse, dor de garganta, ou erupção cutânea, é possível que um vírus ou bactéria esteja a causar inflamação articular. Se o seu filho tem febre, é possível que o mancar se deva a uma infecção óssea ou articular.

Depois de discutir os sintomas e história médica, o seu filho será examinado. Nomeadamente, observada a marcha. As crianças mais jovens nem sempre conseguem descrever o local onde dói, mas observando-os com cuidado a caminhar pode muitas vezes mostrar o lado do corpo que está afetado. 

Por exemplo, se uma criança se inclina para um lado quando está num pé, muitas vezes é sinal de que está inconscientemente a tentar tirar um pouco do peso da anca dolorosa. Ou se um pé está menos tempo no chão do que o outro, pode ser um sinal de dor nessa perna.

O médico irá palpar as pernas do seu filho à procura de pontos sensíveis, inchaço ou hematomas. Poderá ser possível determinar se o problema está num músculo, articulação, ou osso.

As articulações da anca e joelho serão vistas ao pormenor, procurando sinais de dor, inchaço e perda de amplitude de movimento. Limitação do movimento em qualquer direção, ou dor nas amplitudes extremas, apontam para essa articulação como a causa da claudicação.

Se parece que a dor é proveniente do joelho, o médico fará um exame mais cuidadoso dos ligamentos e movimentos do joelho. Inchaço ou movimentos anormais podem indicar uma lesão nos ligamentos. 

A coluna da criança também será examinada para a dor, rigidez, curvatura (escoliose), ou marcas incomuns na pele (erupção cutânea ou manchas).

Se o seu filho não tem nenhuma dor, o médico irá procurar evidências de anomalias congénitas ou doenças do sistema nervoso que podem estar a causar o claudicar. 
Alguns dos sinais de um distúrbio do sistema nervoso incluem um tendão de Aquiles encurtado, dedos em garra, ou um arco plantar muito alto. Além disso, um exame neurológico cuidadoso pode detectar desequilíbrios na força muscular ou nos reflexos que podem indicar um problema que envolve o cérebro ou medula espinal.

O médico pode recomendar exames, como o raio-X para ajudar a determinar a causa exata da claudicação do seu filho. O raio-X será feito em áreas do corpo onde existe dor, inchaço, ou perda de amplitude de movimento.

Se os raios X estiverem normais e a causa da claudicação não for clara, um TAC pode ser útil para detetar uma fratura subtil, uma infeção óssea, ou um tumor ósseo.
A ressonância magnética (RM) poderá ser indicada se a dor do seu filho é bem localizada, mas os raios-x dão normais. A RM pode mostrar inflamação das articulações, fraturas, infecções e tumores ósseos.
Uma ecografia dos tecidos moles pode ser pedida para procurar liquido numa articulação. Isso é particularmente útil para a anca, onde o inchaço é difícil de ver.

Estudos de laboratório
Os estudos de laboratório são particularmente úteis em condições inflamatórias, tais como doenças virais, e pode ser útil para identificar a causa de inchaço das articulações por artrite reumatóide juvenil ou a doença de Lyme.






Sawyer JRKapoor MThe limping child: a systematic approach to diagnosis. Am Fam Physician. 2009 Feb 1;79(3):215-24.

sábado, 8 de março de 2014

Testes para despistar fracturas da extremidade inferior

Teste de compressão de metatarso
Finalidade: Prever uma fractura do metatarso.

Com o paciente deitado de barriga para cima o fisioterapeuta agarra o metatarso com suspeita de fratura e empurra-o em direcção ao calcâneo, proporcionando uma força de carga axial. O teste é positivo se se reproduzirem os sintomas do paciente.



Teste de toque ou percussão 
Finalidade: Prever uma fratura na extremidade inferior.

Com o paciente descalço deitado de barriga para cima o fisioterapeuta percute o calcanhar do paciente com a palma da mão. O teste é positivo se se reproduzir a pior dor do paciente.



Teste de Vibração 
Finalidade: Prever a presença de uma fractura de esforço. 

Com o paciente deitado de barriga para cima o fisioterapeuta coloca um diapasão no local próximo da suspeita de fratura por stresse e o estetoscópio no local onde suspeita de fractura. O teste é positivo se a qualidade do som for diferente à do lado não afectado.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Teste de Phalen

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar pacientes com suspeita de síndrome do túnel cárpico.


Técnica

O fisioterapeuta flexiona o punho do paciente até ao limite da amplitude de movimento mas sem sobrepressão, ou o paciente realiza o movimento ativamente, como no video abaixo. Esta posição é mantida por 60 segundos ou até que os sintomas sejam reproduzidos. O teste é considerado positivo quando ocorre dormência e formigueiro no aspecto palmar do 1º, 2º, 3º dedos e metade radial do quarto dedo após 60 segundos de ter assumido a posição. O fisioterapeuta deve registar o momento em que foram reproduzidos os sintomas.



Precisão do teste

A precisão deste teste para fazer o diagnóstico de síndrome do túnel cárpico varia bastante nos artigos revistos: a sensibilidade entre 10 e 91% e a especificidade entre 33 e 86%.


Golding DN, Rose DM, Selvarajah K. "Clinical tests for carpal tunnel syndrome: an evaluation." Br J Rheumatol 1986 November; 25(4): 388-390.
Kuhlman KA, Hennessey WJ. "Sensitivity and specificity of carpal tunnel syndrome signs." Am J Phys Med Rehabil 1997 November; 76(6): 451-457.
De SL, Steenwerckx A, Van den BG, Cnudde P, Fabry G. "Value of clinical provocative tests in carpal tunnel syndrome." Acta Orthop Belg 1995; 61(3): 177-182.


Teste de compressão do carpo

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar pacientes com suspeita de síndrome do túnel cárpico.


Técnica
Com o braço do paciente em supinação, o examinador aplica pressão com os dedos sobre o nervo mediano no interior do túnel do carpo. Este situa-se imediatamente após a prega do punho. O teste é considerado positivo quando o paciente se queixa de dormência e formigueiro na distribuição do nervo mediano em menos de 30 segundos. O examinador deve registar o tempo de início dos sintomas.

Precisão do teste
Num estudo inicial este teste apresentou uma sensibilidade de 87% e uma especificidade de 90%  no diagnóstico da síndrome do túnel do carpo. Num estudo mais recente a sensibilidade foi de 52,5% e a especificidade de 61,8%.


Durkan JA. "A new diagnostic test for carpal tunnel syndrome." J Bone Joint Surg AM 1991 April; 73(4): 535-538.

Kaul MP, Pagel KJ, Wheatley MJ, Dryden JD. "Carpal compression test and pressure provocative tests in veterans with median-distribution paresthesias." Muscle Nerve 2001 January; 24(1): 107-111.


Outros testes para avaliar o punho e a mão


Teste de Allen

Descrição
Este teste é utilizado para avaliar o fluxo de sangue arterial para a mão.

Técnica
O paciente deve estar sentado. O fisioterapeuta palpa e aplica pressão sobre as artérias radial e cubital no punho, usando três dedos em cada artéria. Isso obstruí o fluxo de sangue para a mão. Deve pedir ao paciente que aperte e abra a mão 10 vezes, terminando com a mão aberta, mas evitando a hiperextensão. A palma da mão deve, então, estar branca/pálida. O examinador então remove a pressão de uma artéria. Um teste positivo ocorre quando demora mais de 5 segundos para a cor (sangue) voltar à palma da mão. Repetir o processo para a outra artéria.


Precisão do teste
O teste de Allen apresenta uma sensibilidade de 75,8% e uma especificidade de 81,7% na avaliação do fluxo sanguíneo arterial na mão.

Allen EV. "Thromboangiitis obliterans: methods of diagnosis of chronic occlusive arterial lesions distal to the wrist with illustrative cases." Am J Med Sci 1929; 178: 237-244.


Outros testes para avaliar o punho e a mão


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Dor no ombro: diagnóstico diferencial - Estudo de caso clínico

Depois das dores na coluna, as dores no ombro são a queixa mais comum relacionada com a sistema osteomuscular. Há evidências de que a dor no ombro é frequentemente recorrente e persistente. 

O diagnóstico diferencial entre disfunções do ombro e disfunções da cervical que causam dor no ombro é importante não só para estudos epidemiológicos, mas também para melhorar o tratamento direcionado e o respetivo prognóstico.

No entanto os testes clínicos para fazer um diagnóstico no ombro não têm bons níveis de confiabilidade ou validade e, para além disso, o valor dos exames de imagem é questionável, comummente se vêm ruturas na coifa dos rotadores que são completamente assintomáticas.

Por isso, tem-se recomendado que estes rótulos diagnósticos sejam abandonados, e, ao invés, os pacientes sejam classificados de acordo com a resposta ao tratamento e às características clínicas comuns.
O Método McKenzie de Diagnóstico e Terapia Mecânica (MDT) utiliza a postura e movimentos repetidos próximos do final da amplitude de movimento, enquanto monitoriza os sintomas e respostas mecânicas, para classificar os pacientes em uma de três síndromes mecânicas: desarranjo, disfunção ou síndrome postural, ou “outro” se não se encaixa nas definições operacionais de uma das síndromes mecânicas.

A fiabilidade do sistema McKenzie tem sido considerada como moderada a boa para os problemas da coluna vertebral e a validade de prognóstico apresenta altos níveis de confiabilidade.
O objetivo deste estudo de caso é demonstrar como um paciente com, aparentemente, um problema no ombro, quando avaliado através do método MDT, respondeu a movimentos repetidos na coluna cervical.

Apresentação de caso clínico

  • Um paciente do sexo masculino de 47 anos de idade foi encaminhado pelo seu médico de família com um histórico de 4 meses de dor intermitente no ombro esquerdo que tinha vindo a melhorar, mas ainda havia dor consistente na elevação do ombro a mais de 90º, pior com abdução do que com flexão. Tinha sido o primeiro episódio do género e os sintomas começaram sem motivo aparente.
  • O paciente trabalhava como técnico de ar condicionado. A única atividade de lazer era assistir televisão, cerca 4h todas as noites, “relaxado” no sofá.
  • A sua única limitação funcional era levantar pesos moderados a pesados devido à dor no ombro.
  • Na primeira avaliação foram obtidos os seguintes resultados: 4/22 na Shoulder Disability Score; 45/60 na Oxford Shoulder function score; 5/10 na escala visual analógica.
  • Os sintomas eram piores à noite e ao levantar pesos e aliviavam com o repouso, spray analgésico e compressas quentes.
  • Uma RM recente relatou uma rutura completa do tendão subescapular, uma hipertrofia e alterações císticas no troquino, espessamento dos tecidos moles com sinovite no intervalo da coifa dos rotadores, tendinose do infra e supra-espinhoso com alterações atróficas no infraespinhoso.
  • Na avaliação física o paciente apresentava uma má postura em sentado e em pé, com uma lordose excessiva da coluna lombar, cabeça projectada para a frente e ombros rodados à frente.
  • Apresentava amplitude de movimento completa, ativa e passiva, de flexão do ombro, abdução e rotação medial e lateral. Na abdução e flexão para além de 90º houve dor, assim como na rotação medial e lateral, embora menor e só no final de amplitude. A Abdução ativa foi o movimento mais sintomático. A força estava preservada.
  • Foram testados movimentos repetidos em posição vertical para verificar se existia um padrão consistente que reproduzisse os sintomas. Como a abdução ativa foi a mais sintomática foi primeira a ser testada.
  • Duas séries de 10 repetições produziram dor que se manteve após o teste. A flexão repetida aumentou ainda mais os sintomas, que se mantiveram piores. Não foi encontrado nenhum movimento que diminuísse os sintomas, nem houve qualquer mudança no padrão da dor.
  • Era nesta fase claro que os sintomas eram afectados pela carga, mas nenhum padrão claro foi encontrado e o padrão de dor não podia ser classificado em qualquer das síndromes mecânicas de MDT nesta fase.
  • Na avaliação seguinte foi testada a coluna cervical. Para permitir uma maior amplitude de movimento foi demonstrado ao paciente como restaurar a lordose lombar e retrair a cabeça. Esta posição aboliu os sintomas agravados pelo teste de movimento repetido do ombro. O teste inicial da cervical mostrou uma perda moderada de retração e extensão, mas sem perda de quaisquer outros movimentos cervicais.
  • Na cervical não houve sintomas antes do teste de movimentos repetidos. A protração repetida da cervical produziu a dor no ombro, que se manteve pior depois do teste. A retração repetida aboliu a dor no ombro, e ao final de mais repetições a dor durante a abdução desapareceu, o que demonstrou uma preferência direccional na coluna cervical.


Tratamento

  • A classificação provisória foi desarranjo cervical. O paciente foi educado no sentido de manter uma boa postura, com a utilização de um rolo lombar, e foi convidado a realizar repetições de 10-12 retrações a cada hora, evitando também posturas provocativas.


  • Vinte e quatro horas mais tarde, o paciente confirmou a realização dos exercícios. Relatou que não sentia dor com o movimento do ombro além dos 90º, mas para além dos 120º tinha uma dor 5/10, mas que desaparecia após o exercício.
  • Após retração repetida com sobrepressão por parte do paciente a dor na abdução para além dos 120º era 2/10. A classificação de desarranjo cervical foi assim confirmada.
  • Na avaliação seguinte, 48h depois, havia dor mínima no final de amplitude de abdução. Assim, foi introduzida a retracção e extensão cervical.
  • Após 10 dias, os resultados foram avaliados por outro fisioterapeuta que não havia sido envolvido no tratamento: 0/22 na Shoulder Disability Score; 55/60 na Oxford Shoulder function score; 0/10 na escala visual analógica.
  • O paciente relatou estar satisfeito e, durante os últimos 10 dias, tinha levantado pesos sem dor. Não houve sintomas em repouso, nem durante o movimento.
  • O paciente foi orientado a prosseguir com as retrações repetidas, incluindo extensão da cervical até ao final de amplitude de movimento.
  • O follow up seguinte foi feito por telefone, depois de um mês, e o paciente encontrava-se assintomático naquele momento. No último follow up, um ano depois da primeira avaliação, o paciente mantinha-se assintomático, mas continuou a fazer os exercícios em alturas em que sentiu maior rigidez ou desconforto.


Conclusão


Este estudo de caso destaca a importância de diferenciar dor no ombro que tem origem no ombro de dor referida com origem na cervical. Este estudo suporta ainda a utilidade clínica da avaliação segundo McKenzie como uma abordagem para fazer este diagnóstico diferencial e respetivo tratamento


Menon A, May S. Shoulder pain: differential diagnosis with mechanical diagnosis and therapy extremity assessment - a case report. Man Ther. 2013 Aug;18(4):354-7.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Teste do ligamento transverso da cervical

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar a integridade do ligamento transverso e a estabilidade cervical. Sempre que se deparar com um paciente que tem dor de garganta como resultado de trauma ou instabilidade cervical, deve inspecionar a integridade do ligamento transverso antes de quaisquer outras medidas de exame.
-->
Técnica
O paciente deve estar deitado de barriga para cima. O fisioterapeuta deve colocar uma mão na região occipital com o dedo indicador sobre o espaço entre o processo espinhoso de C2 e protuberância occipital (onde repousa o arco posterior de C1). Colocar a outra mão sobre a testa. Levante a cabeça num plano vertical (não flexão). O teste é considerado positivo se o paciente experimenta alguma sensação de fraqueza, tontura, dormência, nistagmo, ou uma sensação estranha na parte de trás da garganta. Normalmente sente-se um fim de movimento bastante firme.
-->

Quando existir necessidade de fazer os dois testes, o teste Sharp-Purser deve ser realizada antes do Teste do ligamento transverso da cervical, porque o teste Sharp-Purser trabalha para reduzir os sintomas, enquanto o Teste do ligamento transverso da cervical trabalha para reproduzir os sintomas.


Aspinall W. "Clinical Testing for the Craniovertebral Hypermobility Syndrome." J Orthop Sports Phys Ther. 1990.


Outros testes para a coluna cervical



Teste de mobilidade postero-anterior segmentar da cervical

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar o movimento segmentar vertebral e o efeito que tem sobre os sintomas do paciente.
-->
Técnica
O paciente encontra-se deitado de barriga para baixo. O fisioterapeuta deve colocar os polegares sobre o processo espinhoso da vértebra cervical a ser testado. Deve manter os cotovelos em estenção e diretamente sobre o segmento a ser testado. Aplique força dirigida anteriormente pelos polegares usando o seu tronco até que a dor ou o fim de movimento é alcançado. Determine a quantidade de movimento alcançado (hipomobilidade, normal, hipermobilidade) e/ou intensidade de dor. Repetir nos outros segmentos.

-->

Precisão do teste
Este teste tem uma sensibilidade de 82% e uma especificidade de 79% no diagnóstico de lesões articulares da coluna cervical.


Sandmark H, Nisell R. "Validity of five common manual neck pain producing tests." Scand J Rehabil Med. 1995 Sep.

Outros testes para a coluna cervical


Teste Sharp-Purser

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar a integridade do ligamento transverso/instabilidade da coluna cervical superior.
-->
Técnica
Sentado, o paciente deve realizar ligeira flexão cervical. O examinador coloca uma mão na testa, enquanto a outra mão é colocada sobre o processo espinhoso de C2 (ambos os braços devem ficar paralelos ao chão). A força é aplicada posteriormente pela mão na testa, enquanto a mão sobre o processo espinhoso de C2 apenas se estabiliza. Um teste considera-se positivo se houver um movimento de deslizamento da cabeça ou uma diminuição nos sintomas (frequentemente sintomas neurais).
-->

Precisão do teste
Este teste tem uma sensibilidade de 69% e uma especificidade de 96% na avaliação clínica de instabilidade atlantoaxial.


Aspinall W. "Clinical Testing for the Craniovertebral Hypermobility Syndrome." J Orthop Sports Phys Ther. 1990.
Uitvlugt G, Indenbaum S. "Clinical assessment of atlantoaxial instability using the Sharp-Purser test." Arthritis Rheum. 1988 Jul.

Teste de flexão craniocervical

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar a capacidade de utilizar os flexores cervicais profundos (Reto anterior da cabeça, Longo da Cabeça e Flexor Longo do Pescoço), sobretudo com pacientes com anteriorização da cabeça.
-->
Técnica
O paciente deve estar deitado de barriga para cima. O fisioterapeuta pode usar uma braçadeira de medição de pressão sanguínea, insuflada inicialmente a 20 mmHg, colocada entre a curva lordótica da cervical e a superfície da mesa. Mantendo a parte de trás da cabeça estável, o paciente deve realizar flexão cervical de uma forma gradual, aumentando 5 mmHg a cada repetição (22, 24, 26, 28 e 30 mmHg). Cada posição é mantida por 10 segundos, com 10 segundos de descanso entre as repetições. A resposta normal é alcançar os 26-30 mmHg.

-->


Jull GA, O'Leary SP, Falla DL. "Clinical assessment of the deep cervical flexor muscles: the craniocervical flexion test." J Manipulative Physiol Therapy 2008 Sep 31.

Outros testes para a coluna cervical


Teste de inclinação e rotação da cervical

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar se a hipomobilidade da primeira costela está a contribuir para a dor do plexo braquial, como em casos de Síndrome do Desfiladeiro Torácico por exemplo.
-->
Técnica
O paciente encontra-se sentado. O fisioterapeuta deve rodar totalmente a cabeça do paciente para o lado não doloroso. Nesta posição deve tentar inclinar a cabeça tanto quanto possível para o lado doloroso. Se o paciente não conseguir inclinar a cabeça, o teste é considerado positivo.

-->


Lindgren KA, Leino E, Hakola M, Hamberg J. "Cervical spine rotation and lateral flexion combined motion in the examination of the thoracic outlet." Arch Phys Med Rehabilitation 1990 Apr.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Manobra de Spurling

Descrição
O objetivo desta manobra é avaliar se uma radiculopatia cervical está a contribuir para a dor do paciente.
-->
Técnica
O paciente deve estar sentado e inclinar a cabeça para o lado afetado. O fisioterapeuta aplica então uma força de compressão sobre o eixo axial, através da parte superior da cabeça. Reprodução da dor pode indicar radiculopatia cervical, especialmente quando combinado com outros testes. Note-se que a manobra não consiste numa sobrepressão à inclinação da cabeça, mas sim é uma compressão axial na posição de inclinação.
-->

Precisão da manobra
Esta manobra tem uma especificidade de 50% e uma sensibilidade de 88% no diagnóstico de radiculopatia cervical. Pode ser utilizada em conjunto com o teste de distracção da cervical, com o teste de tensão neural do membro superior (nervo mediano) e com a rotação ipsilateral do pescoço (inferior a 60º) para confirmar o diagnóstico de radiculopatia cervical.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Teste de distracção cervical

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar se a radiculopatia cervical está a contribuir para os sintomas do paciente.
-->
Técnica
O paciente encontra-se deitado de barriga para cima. Coloque as mãos em torno dos processos mastóides do paciente ou coloque uma mão na testa e a outra na região occipital. De seguida deve flexionar ligeiramente o pescoço do paciente e puxar a cabeça em direção ao seu tronco, aplicando uma força de distração. Um teste positivo é quando os sintomas do paciente são reduzidos com a tracção.

-->
Precisão do teste
Este teste apresenta uma especificidade de 90% e uma sensibilidade de 44% no diagnóstico clínico de radiculopatias de origem cervical.


Wainner RS, Fritz JM, Irrgang JJ, Boninger ML, Delitto A, Allison S. "Reliability and diagnostic accuracy of the clinical examination and patient self-report measures for cervical radiculopathy." Spine (Phila Pa 1976) 2003 Jan 1.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Teste da artéria vertebral

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar se uma possível oclusão da artéria vertebral está a contribuir para os sintomas do paciente, sendo que se o teste for positivo o paciente poderá sofrer de Insuficiência Vertebrobasilar.
-->

Técnica
O paciente deve estar deitado de barriga para cima com a cabeça fora da marquesa. O fisioterapeuta deve  rodar, estender e inclinar para o mesmo lado a cabeça do paciente até ao final de movimento. De seguida pede para o paciente contar de 20 até 0, mantendo os olhos abertos. Os sintomas positivos incluem vertigem, diplopia, disartria, disfagia, desmaio, náuseas e vómitos, alterações sensoriais, nistagmo, etc.

--> Precisão do teste
Este teste tem uma especificidade entre 67-90%.


Outros testes para a coluna cervical


Teste de tensão neural do membro superior (ULNT) - nervo cubital

Descrição
Este teste é utilizado para avaliar se a tensão neural é um factor causador dos sintomas do paciente. -->


Técnica
O paciente está deitado de barriga para cima, enquanto o fisioterapeuta está no lado do membro a ser testado, virado para a cabeça do paciente. Deve usar a mão mais próxima do paciente para deprimir o ombro. Deve usar a outra mão na mão do paciente para flexionar o cotovelo para cerca de 115º, com o antebraço pronado. Mantenha o pulso e os dedos do paciente estendidos. Rode lateralmente o ombro do paciente até ao fim da amplitude de movimento e abduza o ombro até que os sintomas neurais sejam reproduzidos. Se a dor/sintomas piorarem quando o paciente afastar a cabeça do lado a ser testado e abrandar quando junta a cabeça ao ombro do membro superior em teste terá um teste positivo.
-->