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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Fisioterapia na Cirurgia Cancro da Mama, o que diz a ciência sobre a sua reabilitação.


Autora: Fisioterapeuta Conceição Rebelo Andrade

A actuação do fisioterapeuta começa logo quando a doente é encaminhada pelo médico na fase pré-operatória, podendo e devendo prevenir uma série de complicações, sendo significativo o impacto causado pelo diagnóstico, tanto a nível psicológico, emocional, familiar, profissional e social.

Ao longo dos anos foram desenvolvidas orientações sobre a prática clínica baseadas na evidência. Havendo escassa literatura sobre a evidência clínica, existem Guidelines de prática clínica que dão orientações mais concretas no tratamento pós-operatório e tardio do cancro da Mama.

Sabemos que o tratamento do Cancro da Mama inclui várias opções,  cirúrgicas, quimioterapia, radioterapia, terapia hormonal e terapias alvo.
São vários os tipos de Cirurgia, consoante o tipo de tumor, a sua localização, tamanho, quantidade de tecido circundante a ser removido e história clínica da doente:

Cirurgia conservadora
Tumorectomia
Quandrantectomia

Mastectomia
Mastectomia simples
Mastectomia radical

Cirurgia Reconstrutiva
Colocação de protese simples
Transferencia de retalhos de pele
Retalhos do Musculo Grande Dorsal
Retalho Miocutâneo do músculo Reto Abdominal, TRAM
Retalho perfurante da artéria epigástrica profunda DIEP
Retalho perfurante da artéria superficial epigástrica inferior DIEAP
Estas diferentes abordagens podem ser acompanhadas com esvaziamento axilar ou pesquisa do gânglio sentinela, no qual a fisioterapeuta terá abordagens mais especificas.

O Internamento hospitalar

As complicações mais comuns do pós-operatório são:
  • Alterações funcionais com perda da força muscular
  • Rigidez articular com perda de amplitudes
  • Seroma
  • Axilary web sindrome /cordões linfáticos
  • Dor
  • Alteração da sensibilidade (lesão do nervo intercostobraquial)
  • Aderências e retrações das cicatrizes
  • Fadiga

Tendo o fisioterapeuta conhecimentos profundos das patologias oncológicas, sabendo as limitações hematológicas por Quimioterapia e as complicações que advém da Radioterapia, estabelece um plano de tratamento que inclui as várias fases de tratamento.
Toda a abordagem da fisioterapia no  pós-operatório imediato terá de ter em conta vários factores. Os mais importantes são:
  • História clínica do doente
  • Condição física
  • Tipo de cirurgia efectuada
  • Se teve tratamentos de Quimioterapia e outros


Cirurgia

1ªfase- Pré-operatória
  • Avalia alterações posturais, respiratórias, funcionais
  • Corrige alterações, ensinando exercícios para melhorar as capacidades musculares, funcionais e articulares dos membros
  • Aconselha cuidados a ter com o corpo, sobretudo com a pele
  • Alerta e aconselha o que deverá fazer após a sua cirurgia


2ªfase- Pós-operatório imediato
  • Ensinando exercícios de relaxamento para alivio da dor, exercícios respiratórios para aumentar as capacidades ventilatórias, prevenindo complicações respiratórias
  • Ensina posicionamentos do lado operado, para prevenção da dor
  • Aconselha quais os cuidados a ter com o lado operado, com a hidratação da pele
  • Motiva o doente para a reabilitação psicossocial, ajudando a encontrar os meios
  • Executa manobras de DLM, para aliviar o edema da parede torácica e estimular a circulação linfática, prevenindo possìveis seromas e complicações a nível da região axilar.
  • Estimula a doente a fazer a sua higiene pessoal
  • Motiva o doente para fazer actividade física e exercício

A Fisioterapia deverá começar logo no 1º dia pós cirurgia

1º ao 4º dia de internamento
·      Tendo em conta o tipo de cirurgia, os pontos e drenos
     ·     Deverá encorajar a doente a fazer, ensina e executa   movimentos suaves e progressivos activo-assistidos do ombro
       ·      Faz manobras de DLM
       ·      Executa exercícios respiratórios
       ·      Ensina a posicionar o membro do lado operado
       ·      Ensina posturas para alívio da dor

5º dia em diante até á alta hospitalar
O tempo de cada fase depende do estado clínico da doente, das complicações cirúrgicas se as houver, dos drenos, do processo de cicatrização, do tipo de cirurgia realizada, bem como as recomendações dos cirurgiões. Nesta fase o fisioterapeuta:
·      Estimula a continuação dos exercícios para aumento das amplitudes, respeitando a colocação dos drenos
·   Faz as manobras de DLM para prevenção do Seroma, Linfedema estimulando a circulação linfática
·      Insiste nos cuidados com a hidratação da pele
·      Ensina posturas e exercícios para alívio da dor
·     Insiste no aconselhamento dos cuidados a ter, motivando-a para a reabilitação em ambulatório ao exercício físico e ao retorno das suas actividades da vida diária

3ª Fase
Tratamento tardio e ambulatório que se prolonga durante os tratamentos de quimioterapia, Radioterapia e durante o folow up, para prevenção de complicações
Na fase de tratamento ambulatório que se prolonga durante os tratamentos de Quimioterapia e Radioterapia, a Fisioterapia tem um papel fundamental.
Quanto mais precocemente a doente é orientada para os tratamentos com a sua fisioterapeuta, mais rápida é a sua recuperação.

 As doentes que seguem as orientações e aderem ao plano de tratamentos de fisioterapia, diminuem o seu tempo de recuperação e mais depressa voltam às suas actividades quotidianas, desportivas, ocupacionais, readquirindo as amplitudes normais dos movimentos, força, boa postura, coordenação, auto estima e principalmente prevenindo complicações pós operatórias.
Esta abordagem na fase tardia deve ser feita, mesmo durante os anos seguintes acompanhando sempre o folow-up da doente.

Fase Tardia, Folow-up
 Após a avaliação o fisioterapeuta planifica os tratamentos em função das:
·        Alterações das amplitudes articulares e funcionais para que possa retomar as suas actividades quotidianas e, no caso de Radioterapia, não ter dificuldade para o realizar o posicionamento 
·       Nas aderências e retrações das cicatrizes, tendo a atenção que devem ser minimizadas quando efectuar a Radioterapia
·      Alterações da sensibilidade e neurológicas, massajando as áreas envolventes e sobretudo a parede torácica, incluindo todo o tecido mamário
·    Avaliando possíveis aparecimento de cordões linfáticos, tratando os com as técnicas recomendadas
·       No alívio da dor, com técnicas de relaxamento
·      Na prevenção e tratamento do Linfedema, sendo que no EA terá de fazer um folow up, avaliando trimestralmente a doente, para que possa precocemente tratar com as terapias linfáticas descongestivas
·       Relembra os cuidados a ter com o lado operado com a pele
·       Incentiva o exercício físico,encaminhando ou executando um plano de exercício que promova o alongamento, elasticidade/flexibilidade e aumentando progressivamente o grau de intensidade, carga e frequência
·      Incentiva a correção postural global, com exercícios específicos e com incentivando à sua auto correção postural
·        Motiva e incentiva o retorno ás actividades da vida diária o mais breve possível




Fisioterapeuta Conceição Rebelo de Andrade
·         ·         Bacharelato em Fisioterapia na Escola Superior de Saúde de Lisboa 1978;
·        ·         Especialização em Fisioterapia Oncológica, tendo desempenhado funções no IPOFG de Lisboa desde 1980;
·         Especialista em drenagem linfática Manual Método Leduc desde 1996 Cancro da Mama e Linfedema;
·         Colaboradora com a Faculdade de Medicina de Lisboa na docência da cadeira de Oncologia Médica;
·         Membro da organização do 1º curso Método Leduc em Lisboa;
·         Fisioterapeuta Orientadora de Estágio a alunas da ESTesL, Alcoitão;
·         Prática em Clinica Privada, Prestadora de Cuidados em Fisioterapia PTACS;
·         Colaboradora na Mamahelp Lisboa desde 2011
·         Colaboradora na Unidade de Mama Fundação Champalimaud desde 2011
·         Colaboradora Fisioterapeuta na Saudestrutural desde 2014.


Revisão bibliográfica
Clinical Practice Guidelines for Breast Cancer Rehabilitation 2012
Canadian Cancer Society-Exercises after breast surgery
Canadian Physiotherapy Association
European Consensus Rehabilitation After Breast Cancer treatment 2012

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose – parte 4

Nas últimas décadas, tem havido um apelo à mudança entre as partes envolvidas na gestão da escoliose idiopática. Os pais de crianças com escoliose queixam-se do chamado "esperar e ver" de muitos médicos ao verem escolioses entre 10° e 25°, e cada vez mais procuram outras soluções.

Nesse sentido, iremos resumir neste artigo com 7 partes, as ideias das sete principais escolas no tratamento de escoliose a nível mundial, e as suas abordagens aos exercícios específicos de fisioterapia para a escoliose (EEFE).

O objetivo não é determinar qual abordagem é superior, mas sim que os fisioterapeutas possam incorporar o melhor de cada uma delas na sua prática clínica, melhorando os resultados do tratamento conservador para a escoliose idiopática.

Barcelona scoliosis physical therapy school (Spain)



O BSPTS é um método fisioterapêutico que pode ser definido como um plano terapêutico de treino cognitivo, sensório-motor e cinestésico para ensinar o paciente a melhorar sua postura e forma 3D da escoliose com base no pressuposto de que a postura escoliótica promove a progressão da curvatura.

Este método adopta os princípios originais de Katharina Schroth, fornecendo tratamento 3D das curvaturas baseado na respiração e ativação muscular.
O método recomenda que os fisioterapeutas trabalhem como parte de uma equipa multidisciplinar de acordo com as diretrizes do SOSORT e a filosofia da Scoliosis Research Society (SRS).

Esta filosofia considera o elemento humano envolvido no tratamento da escoliose, e enfatiza a importância de não induzir falsos medos em pacientes com diagnóstico de escoliose leve, não-progressiva ou estável, a fim de torná-los clientes de longo prazo.

Sistema de classificação

Todos os tipos e sub-tipos de escoliose são classificados de acordo com um esquema de blocos ou regiões do tronco, baseado nas classificações originais desenvolvidas por Katharina Schroth e posteriormente modificadas em 2010 por Manuel Rigo. Os blocos ilustram o padrão da curvatura espinhal do paciente, mostrando as deslocações e rotações da deformidade escoliótica em três dimensões.
Ao permitir que o terapeuta e o paciente visualizem a deformidade, os blocos ajudam a educar o paciente e a criar um plano apropriado para tratar o paciente.



Princípios de correção 3D

A correção postural 3D é feita através de movimentos de translação, rotação e mistos (expansões sagitais).
O sucesso do método baseia-se em exercícios de fortalecimento adaptados a cada paciente e ao seu padrão de curva específica.

 

Os exercícios de respiração originalmente desenvolvidos por Katharina Schroth ajudam na “desrotação” da grade costal e no aumento da capacidade vital. Esta técnica de respiração única ajuda a expandir as costelas do interior da caixa torácica, empurrando as costelas "de lado e para trás", e movendo as vértebras para mais perto da sua posição normal e “não torcida”.






O número de horas necessárias para treinar os exercícios com eficácia e segurança varia, e depende também da modalidade, individual ou em grupo. Os grupos são limitados, mas essa limitação depende também da experiência e da capacidade do terapeuta.
60h em grupo e 20h em privado são tipicamente suficientes para alcançar uma técnica de alto nível, mas após algumas horas de tratamento (por exemplo, 9h em grupo), os pacientes podem reproduzir a correção em várias posições iniciais e podem começar a praticar em casa. O paciente pode sempre melhorar o nível de desempenho com a ajuda do terapeuta, mas a perfeição não é necessária para obter resultados positivos.

Os princípios BSPTS são totalmente compatíveis com conceitos de suporte, como o aparelho Rigo-Chêneau, um suporte rígido e assimétrico. O objetivo principal é trazer o paciente para a melhor correção 3D possível semelhante à utilizada num molde de gesso, mas neste caso sem qualquer tração passiva.



Berdishevsky H, Lebel VA, Bettany-Saltikov J, Rigo M, Lebel A, Hennes A, Romano M, Białek M, M'hango A, Betts T, de Mauroy JC, Durmala J. Physiotherapy scoliosis-specific exercises - a comprehensive review of seven major schools. Scoliosis Spinal Disord. 2016 Aug 4;11:20.

domingo, 20 de novembro de 2016

Terapias baseadas em realidade virtual na recuperação aguda pós-AVC – estudo de caso clínico

O Acidente Vascular Cerebral continua a ser uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo. Após a lesão a capacidade de neuroplasticidade é a única adaptação estrutural e funcional do sistema nervoso à mudança.

A terapia baseada em realidade virtual facilita o processo de neuroplasticidade, criando um ambiente estimulante, favorável ao desenvolvimento de mais, e mais eficazes, sinapses. 

Isto acontece através da produção de movimentos e tarefas de alta intensidade, ativos, repetitivos e orientados, que utilizam os princípios da aprendizagem motora.

Apresentação de caso clínico


Mulher, 65 anos, internada na unidade de acidente vascular cerebral, com início súbito de fraqueza, com um dia de duração, dos membros inferior e superior direito. Tinha associada uma marcha instável.

A paciente tinha história de hipertensão, com medicação adequada. Não apresentava défices cognitivos, de fala ou sensoriais significativos.

A força muscular na admissão foi de 4/5 para os movimentos do ombro, cotovelo, punho, anca, joelho e tornozelo direitos e 5/5 para os esquerdos. Foi observada assimetria do membro superior direito.

A tomografia computadorizada no dia da admissão mostrou enfartes lacunares nos núcleos lentiformes bilaterais, cápsulas externas e centro semioval esquerdo.

A paciente foi diagnosticada com acidente vascular cerebral isquémico e começou com clopidogrel.

Tratamento


A paciente foi transferida para o departamento de medicina de reabilitação no 5º dia pós-AVC.

Aqui participou num breve ensaio clínico de terapia ocupacional e fisioterapia combinados com terapia baseada em realidade virtual.

Esta terapia envolveu software especialmente desenvolvido pela Multi-plAtform Game Innovation Centre (MAGIC) que simulava o movimento de trazer alimentos para a boca com o braço afetado, incentivando assim flexão do cotovelo e extensão do membro superior.

Os tratamentos foram realizados diariamente por um dos autores usando um computador portátil. O paciente interagiu com o programa através de unidades de medida inercial, presas ao braço e punho afetados que detetaram deslocamentos do ângulo da articulação do cotovelo e trajetórias do antebraço.

Em nenhum momento durante o ensaio o paciente foi tratado com agentes neurofarmacológicos que facilitassem a recuperação do AVC.

Resultados


Samuel GSChoo MChan WY, Kok SNg YS. The use of virtual reality-based therapy to augment poststroke upper limb recovery. Singapore Med J. 2015 Jul;56(7):e127-30.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

PNF combinado com exercícios de respiração profunda num paciente com ombro congelado: estudo de caso clínico

A capsulite adesiva do ombro, tida como uma doença degenerativa, é mais frequente entre os 40 e os 60 anos de idade, e é conhecida vulgarmente como "ombro congelado".

O ombro congelado limita as atividades diárias dos pacientes, causando diminuição da amplitude de movimento (AM) e dor em redor do ombro.

A limitação da AM deve-se a:
  • Hiperplasia das membranas sinoviais,
  • Redução da área da cavidade articular,
  • Contração da cápsula articular,
  • E proliferação de tecido fibroso.

No ombro congelado observa-se uma diminuição mais acentuada da abdução, rotação interna e rotação externa do ombro.

Apresentação de caso clínico


Paciente mulher, 46 anos, (1,53m, 52Kg) visitou o hospital com queixas de dificuldade na realização de tarefas domésticas, especialmente na limpeza, lavar louça, e colocar ou tirar objetos de uma posição elevada.

Foi diagnosticada com capsulite adesiva pelo médico assistente

Apresentava a flexão limitada a 100 graus, a abdução a 60 graus, a rotação externa a 40 graus e a rotação interna a 25 graus. O nível de dor à mobilização do braço foi de cerca de 7/10 na escala visual analógica.

Os testes foram realizados antes do início do tratamento e três semanas após a última sessão.

Tratamento


Foi executado um programa de PNF combinado com exercícios de respiração profunda. O programa foi composto por 11 sessões de 30 minutos ao longo de 3 semanas.

Para melhorar a AM na articulação do ombro, os exercícios foram realizadas na seguinte ordem de objetivo: melhoria da flexão, da abdução, da rotação interna e da rotação externa. Os exercícios combinaram suporte parcial/total do peso corporal e respiração profunda.




Resultados




Lee B-K. Effects of the combined PNF and deep breathing exercises on the ROM and the VAS score of a frozen shoulder patient: Single case study. Journal of Exercise Rehabilitation. 2015;11(5):276-281. doi:10.12965/jer.150229.


domingo, 22 de novembro de 2015

Mobilização neurodinâmica em pacientes com fibromialgia

Um estudo publicado recentemente na Archives of Physical Medicine and Rehabilitation procurou examinar os efeitos de um programa de mobilização neurodinâmica activa na dor, neurodinâmica, auto-percepção do estado de saúde e fadiga em pacientes com fibromialgia

Foram incluídos 48 pacientes neste estudo, alocados aleatoriamente para um programa de mobilização neurodinâmica activa ou para um grupo de controlo, as intervenções foram realizadas duas vezes por semana e incluem os exercícios descritos na imagem.

A dor foi avaliada com o "Brief pain inventory"; a neurodinâmica foi avaliada por meio de testes neurodinâmicos para membros superiores e inferiores. O estado funcional foi avaliado com o Índice de Incapacidade Health Assessment Questionnaire Disability Index e a fadiga auto-percebida foi avaliada com a Fadigue Severety Scale.

Entre os dois grupos-se verificaram-se diferenças significativas nos valores de dor, neurodinâmica dos membros superiores e inferiores, no estado funcional, e fadiga. Pelo que se concluiu que um programa de mobilização neurodinâmica activa é eficaz na melhoria da dor, neurodinâmica, estado funcional e fadiga em pacientes com fibromialgia.


Torres JR, Martos IC, Sánchez IT, Rubio AO, Pelegrina AD, Valenza MC.. Results of an Active Neurodynamic Mobilization Program in Patients With Fibromyalgia Syndrome: A Randomized Controlled Trial.. Arch Phys Med Rehabil 2015; 96(10)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Algoritmo de classificação da dor lombar para selecção da abordagem terapêutica

A abordagem de tratamento segundo a classificação da dor lombar descreve o modelo segundo o qual o clínico toma decisões de tratamento com base na apresentação clínica do paciente. 

O objetivo principal desta abordagem é identificar características de base que predizem a capacidade de resposta positiva a quatro estratégias diferentes de tratamento. 

Primeiro nível de classificação: Esta etapa consiste em determinar se o caso é adequado para serviços de fisioterapia, ou se é necessário um encaminhamento para outros profissionais.



Segundo nível de classificação: Esta etapa envolve a determinação da gravidade da condição e do grau de incapacidade do paciente.


  • Fase I é a fase aguda, onde o objetivo é o alívio dos sintomas.
  • Fase II é a fase subaguda quando o alívio dos sintomas e rápido retorno à função normal são incentivados.
  • Fase III é para aqueles que devem retornar atividades físicas exigentes, mas demonstraram má condição física.


Terceiro nível de classificação: Esta etapa envolve a classificação do paciente em uma das quatro categorias (manipulação, estabilização, exercício específico ou tração) de forma a direcionar o seu tratamento com base nos seus sinais/sintomas.


Subgrupos


Manipulação
O tratamento para esta categoria inclui tipicamente mobilização e/ou manipulação, bem como exercícios de amplitude de movimento. Os pacientes que se enquadram nesta categoria tipicamente seguem os seguintes critérios: início recente dos sintomas, os sintomas localizados apenas nas costas, hipomobilidade na coluna lombar, pontuações baixas no "Fear-avoidance belief questionnaire". Se o paciente se enquadrar na norma de orientação clínica para manipulação lombar.

Estabilização
O tratamento para esta categoria inclui exercícios que focam fortalecimento do tronco e/ou de controlo motor. Isto poderia incluir exercícios direcionados para o transverso abdominal e erctores da espinha bem como o reforço generalizado do tronco. Os pacientes que se enquadram nessa categoria normalmente seguem os seguintes critérios: mais jovens em idade, teste de instabilidade lombar positivo, movimentos aberrantes, SLR >90 graus, episódios recorrentes. Se o paciente se enquadrar na norma de orientação clínica para estabilização lombar.

Exercício específico
O tratamento para esta categoria inclui exercícios ou intervenções manuais que se concentram em centralizar e abolir sintomas do paciente. O tratamento mais comum incluiria uma forma de extensão lombar repetida e/ou mantida. Em alguns casos, exercícios de deslizamento lateral ou flexão repetida/mantida poderão ser mais indicados. Os pacientes que se enquadram nessa categoria tipicamente irão seguir os seguintes critérios: sintomas que irradiam para a extremidade inferior, uma forte preferência por ou estar sentado ou estar a caminhar, centralização e periferização com os movimentos repetidos da coluna lombar.

Tração
O tratamento para esta categoria inclui tração lombar manual e/ou mecânica. Os pacientes que se enquadram nesta categoria normalmente seguem os seguintes critérios: dor irradiada para o membro inferior, periferização dos sintomas com extensão, reprodução dos sintomas ao executar o SLR no membro sem sintomas.


Hebert JJ1, Koppenhaver SL, Walker BF. Subgrouping patients with low back pain: a treatment-based approach to classification. Sports Health. 2011 Nov;3(6):534-42.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Alterações em duas crianças com paralisia cerebral após aplicação do método Therasuit - estudo de caso clínico

Crianças com Paralisia Cerebral tipicamente demonstram problemas com as funções e estruturas do corpo, tais como diminuição da força muscular, mobilidade articular passiva limitada, controlo motor alterado e mau alinhamento, que limitam a sua actividade.

A fisioterapia faz face a estes problemas com o objetivo de melhorar os padrões de movimento e otimizar a capacidade da criança para participar em atividades funcionais, tais como habilidades motoras gerais e deambulação.

Apesar de estes benefícios serem conhecidos e estarem bem documentados, a intensidade adequada do treino e fortalecimento, necessária para maximizar os benefícios, é desconhecida e é um tema de interesse para fisioterapeutas pediátricos.

Recentemente, tem sido dada atenção aos potenciais benefícios das intervenções que defendem curtos e intensos períodos de fisioterapia, por exemplo, programas com frequências de até 3 vezes por semana têm demonstrado melhorias na marcha e função.

Outros programas mais intensivos, com uma frequência de até 5 vezes por semana, sugerem que as habilidades motoras gerais e funcionais de crianças com PC melhoraram quando a reabilitação se centrou no treino de habilidades funcionais específicas (HFE).

Um desses programas, o método Therasuit, é um programa de 3 semanas que combina fortalecimento e treino de HFE com uma frequência de 3 a 4 horas por dia, 5 dias por semana e pretende melhorar a função a um ritmo mais rápido do que outros programas de fisioterapia.

Os defensores dizem que o método Therasuit"alinha o corpo para o mais próximo possível do normal", "promove o desenvolvimento de ambas as habilidades motoras finas e gerais", e "normaliza (corrige) o padrão de marcha". O método Therasuit inclui o uso da unidade universal de exercício (Fig. 1) e vestir um fato (Fig. 2 A, B) com cabos elásticos ligados de forma a "estabilizar", "facilitar" e "colocar grupos musculares em carga".



As evidências que indiquem um maior benefício funcional da participação neste programa em comparação com programas convencionais de fisioterapia ainda são limitadas.
O objetivo deste estudo de caso foi investigar os efeitos do método Therasuit na marcha, HFE, assistência do cuidador, e habilidade motora geral em duas crianças com diplegia espástica.

Apresentação dos casos clínicos


A descrição de história de cada criança está resumida na Tabela 1. As duas crianças tiveram o diagnóstico de diplegia espástica, foram classificados como nível III no Gross Motor Function Classification System, tinham participado anteriormente no Método Therasuit, conseguiam seguir instruções, e não estavam a tomar medicação anti-espástica oral.


Descrição da intervenção em fisioterapia


Foram medidos antes e depois da aplicação do programa a Pediatric Evaluation of Disability Inventory (PEDI), dimensões D e E do Gross Motor Function Measure, e análise tridimensional da marcha.

O método Therasuit de terapia intensiva foi administrado durante 4 horas por dia, 5 dias por semana, durante três semanas consecutivas por fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais treinados especificamente no protocolo de intervenção.

Todas as actividades do Método Therasuit foram administradas na mesma sequência em cada dia (ver Tabela 2 para detalhes).




Conclusão


Ambos os participantes deste estudo de caso demonstraram ganhos mínimos em algumas áreas e declínio em outras áreas de desempenho funcional após aplicação do método Therasuit para pacientes com paralisia cerebral.

Foram observadas pequenas mudanças, mas potencialmente importantes em padrões de movimento da marcha após a participação neste programa intensivo.

Serão necessários outros estudos para examinar os diferentes componentes do método Therasuit antes de poderem ser tiradas conclusões quanto à eficácia do programa.


Finalmente, este programa está disponível a um custo substancial, e os benefícios obtidos podem não valer a pena o investimento.

Bailes AF, Greve K, Schmitt LCChanges in two children with cerebral palsy after intensive suit therapy: a case report. Pediatr Phys Ther. 2010 Spring;22(1):76-85.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Plano de exercícios para espasmos musculares no pescoço

Aqui estão alguns exemplos de exercícios de reabilitação típicos para espasmos musculares no pescoço (torcicolos)
Comece cada exercício lentamente. Se começar a ter dor interrompa o plano.
O seu médico ou fisioterapeuta irão dizer-lhe quando pode começar estes exercícios e quais deles irão funcionar melhor para si.
Faça Download para impressão, já com a descrição escrita dos exercícios.

Alongamento do elevador da omoplata




Alongamento do trapézio superior

Rotações do pescoço

Retracção do queixo

Flexão do pescoço para a frente


Os cuidados de acompanhamento são uma parte fundamental do seu tratamento e segurança. Não deixe de comparecer a todos os tratamentos de fisioterapia agendados.
Faça Download para impressão, já com a descrição escrita dos exercícios.