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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Resolução de hérnia lombar sem cirurgia – achados imagiológicos


Uma mulher de 29 anos apresentou-se na consulta de coluna vertebral com dor irradiada pela perna direita, acompanhada de parestesia. Não se observavam sintomas intestinais ou na bexiga.

A Ressonância magnética (RM) da coluna lombar revelou hérnia discal lombar, provocando substancial estenose espinhal e compressão na raiz do nervo (seta, imagem A).

A paciente escolheu tratamento conservador com fisioterapia e uma injeção epidural de glucocorticoides.



Uma segunda RM, 5 meses após a apresentação, mostrou a resolução da herniação (seta, imagem B). Dados de ensaios clínicos sugerem que os pacientes com hérnia discal lombar têm resultados semelhantes a longo prazo, quer se submetam a cirurgia ou prefiram um tratamento conservador. Para além disso, o risco de agravamento significativo sem cirurgia é mínimo.

Esta paciente relatou que começou a ter dor nas costas depois de vários anos a jogar voleibol, enquanto a dor e a parestesia na perna apenas começaram 6 meses antes da primeira consulta e não foram associadas a nenhum evento precipitante.

Como os seus sintomas foram resolvidos, ela teve alta da clínica, com acompanhamento recomendado, conforme necessário.


Hong J., Ball P.A., Resolution of Lumbar Disk Herniation without Surgery  N Engl J Med 2016; 374:1564

domingo, 7 de dezembro de 2014

Ter hérnia não significa ter dor!

A dor lombar tem uma alta prevalência nos países industrializados, afetando até dois terços dos adultos em algum momento da sua vida, sendo associada a altos custos em cuidados de saúde e a consequências económicas substanciais, devido à perda de produtividade associada à dor.

Nos estudos de imagem (RM e TC), cada vez mais utilizados na avaliação de pacientes com dor lombar, são frequentes descobertas como a degeneração do disco, hipertrofia das facetas, e protrusão discal, que são muitas vezes interpretadas como causas da dor nas costas, desencadeando intervenções clínicas e cirúrgicas, que, muitas vezes, não têm sucesso em aliviar os sintomas do paciente.

Em simultâneo, estudos demonstraram que os achados de degeneração da coluna vertebral encontrados nos exames de imagem, e associados à dor nas costas, também estão presentes numa grande proporção de indivíduos assintomáticos.

Assim, este estudo procurou estimar a prevalência, por idade, das condições degenerativas da coluna mais comuns em indivíduos assintomáticos através da realização de uma revisão sistemática de vários estudos publicados até abril de 2014.



Trinta e três artigos que relatam os achados de imagem para 3110 indivíduos assintomáticos preencheram os critérios de inclusão no estudo.

CONCLUSÕES:


Alterações degenerativas da coluna são observadas, e em altas proporções, em indivíduos assintomáticos, aumentando com a idade.

Isto permite considerar que muitas características degenerativas encontradas em exames de imagem (RM e TC) fazem provavelmente parte do envelhecimento normal e não estão directamente associadas a dor.


Como tal estes achados de imagem devem ser interpretados no contexto da condição clínica do paciente, nomeadamente da correcta e completa recolha da história clínica e da execução de uma avaliação física cuidada.



W. Brinjikji, P.H. Luetmer, B. Comstock, B.W. Bresnahan, L.E. Chen, R.A. Deyo, S. Halabi, J.A. Turner, A.L. Avins, K. James, J.T. Wald, D.F. Kallmes, and J.G. Jarvik. Systematic Literature Review of Imaging Features of Spinal Degeneration in Asymptomatic Populations. AJNR Am J Neuroradiol. 2014 Nov 27.


terça-feira, 14 de maio de 2013

Straight leg raise (sinal de Lasègue)

Descrição
Este teste é utilizado durante o exame físico para determinar se a dor lombar de que o paciente se queixa tem uma hérnia discal subjacente ou não, muitas vezes localizada em L5.
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Técnica
Com o paciente deitado de barriga para cima o fisioterapeuta eleva o pé do paciente, enquanto mantém o joelho em extensão. Se o paciente sentir dor no trajeto do nervo ciático, quando a perna está a um ângulo de 30º e 70º, então o teste é positivo e um disco herniado é a provável causa da dor.

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Precisão do teste
Uma meta-análise revelou que este teste tem uma sensibilidade de 91% e uma especificidade de 26%.




Waddell G, McCulloch JA, Kummel E, Venner RM (1980). "Nonorganic physical signs in low-back pain". Spine 5 (2): 117–25.
Rabin A, Gerszten PC, Karausky P, Bunker CH, Potter DM, Welch WC (2007). "The sensitivity of the seated straight-leg raise test compared with the supine straight-leg raise test in patients presenting with magnetic resonance imaging evidence of lumbar nerve root compression". Archives of physical medicine and rehabilitation 88 (7): 840–3.
Devillé WL, van der Windt DA, Dzaferagić A, Bezemer PD, Bouter LM (2000). "The test of Lasègue: systematic review of the accuracy in diagnosing herniated discs". Spine 25 (9): 1140–7.




Outros testes para o exame físico da lombar e sacroilíaca



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Hérnia discal cervical


A coluna vertebral é composta por muitos ossos, chamados vértebras, que estão alinhadas umas sobre as outras desde a base das costas à base da nuca. Entre cada duas vértebras existe um disco intervertebral, que permite que a coluna seja bastante flexível. O disco tem uma parte mais forte fibrosa externa chamada anel fibroso e uma parte mais macia meio gelatinosa interna chamada núcleo pulposo.
Numa hérnia discal o que acontece é que parte da matéria interna mais macia do disco (núcleo pulposo) se desloca para fora devido a uma fraqueza na parte externa do disco. A saliência que se forma poderá pressionar as estruturas circundantes, como os nervos provenientes da medula espinhal e que saem nos espaços laterais entre cada duas vértebras, causando sintomas neurológicos que variam na região dependendo do nervo afectado.
As hérnias discais são uma das lesões das mais comuns da coluna cervical. Geralmente ocorrem entre os 30-50 anos de idade, e, apesar de poderem ter origem num traumatismo da coluna cervical, os sintomas, incluindo dor no braço, geralmente começam sem razão aparente. Os dois níveis mais comummente afectados são o C5 - C6 e o C6-C7.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Os sinais e sintomas de uma hérnia discal cervical dependem do nível que está afectado:
  • Hérnia discal entre C4 - C5 (raiz nervosa C5) - Pode provocar fraqueza do músculo deltóide no braço. Normalmente não causa dormência ou formigueiro. Pode causar dor no ombro.
  • Hérnia discal entre C5 - C6 (raiz nervosa C6) - Pode provocar fraqueza do bicípite e dos músculos extensores do punho. Dormência e formigueiro, juntamente com dor, que pode irradiar para o polegar. Este é um dos discos mais comummente afectados.
  • Hérnia discal entre C6 - C7 (raiz nervosa C7) - Pode provocar fraqueza do tricípite e dos músculos extensores dos dedos. Dormência e formigueiro, juntamente com dor, que pode irradiar para trás do braço e até ao dedo médio.
  • Hérnia discal entre C7 - T1 (raiz nervosa C8) - Podem provocar fraqueza na preensão. Dormência e formigueiro e a dor pode irradiar para baixo do braço, até ao dedo mindinho.

Algumas pessoas não têm quaisquer sintomas. Os estudos demonstram que os sintomas de hérnia discal estão intimamente relacionados com a compressão da raiz nervosa e isso não acontece em todos os casos de hérnia discal, logo existem muitas que se mantêm assintomáticas.
Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e um exame da coluna cervical, torácica e ombro, é necessária para ajudar no diagnóstico de hérnia discal cervical. A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X à coluna cervical, no entanto, a ressonância magnética (RM) é o principal meio de diagnóstico, pois permite visualizar o disco intervertebral em detalhe, assim como o espaço dos buracos de conjugação e o canal medular.

Tratamento

          Na maioria dos casos, os estudos de RM têm demonstrado que a parte saliente da hérnia discal tende a regredir ao longo do tempo. Os sintomas tendem então a aliviar, muitas vezes desaparecendo sem qualquer tratamento específico. Em apenas cerca de 1 em 10 casos, a dor mantém-se grave e limitativa após seis semanas. Nesses casos o tratamento inclui:
Manter-se activo e seguir plano de exercícios terapêuticos
No passado, o conselho era para descansar até que a dor aliviasse. Sabe-se agora que isso está errado. Continuar com as actividades normais na medida do possível torna a recuperação mais rápida e diminui a probabilidade de desenvolver dor crónica. Como regra, não faça nada que cause muita dor. No entanto, terá que aceitar algum desconforto numa fase inicial. Não há nenhuma evidência científica que comprove que uma determinada almofada é melhor do que qualquer outro tipo de almofada para as pessoas com dor nas costas.
Um plano de exercícios terapêuticos deverá ser elaborado pelo seu fisioterapeuta de forma a melhorar a função dos músculos que dão suporte à coluna e estimular o trabalho dos estabilizadores. Uma hérnia pode deslocar-se em vários sentidos e com vários graus de gravidade, pelo que é importante ter um diagnóstico exacto antes de começar qualquer intervenção terapêutica.
Os benefícios das mobilizações e manipulações são bastante discutíveis e muitas vezes os resultados obtidos não são os esperados, no entanto técnicas de massagem, aplicação de calor e electroterapia (TENS) e técnicas de McKenzie para relaxamento e libertação de estruturas musculares e fasciais que estejam tensas ajudam a aliviar os sintomas.
Medicação
Deverá aconselhar-se com o seu médico antes de iniciar qualquer medicação. Nos casos de dor persistente a medicação analgésica, quando tomada de uma forma regular durante um período determinado de tempo poderá ajudá-lo a manter-se activo.
  • O paracetamol é geralmente suficiente se tomado de forma regular. Para um adulto, isto significa 1000 mg (geralmente dois comprimidos de 500 mg), quatro vezes ao dia.
  • Analgésicos anti-inflamatórios. Poderão ser uma opção ao paracetamol. Eles incluem o ibuprofeno, o diclofenaco ou naproxeno.
  • Um relaxante muscular, como o diazepam é prescrito às vezes por alguns dias, se os músculos do pescoço estiverem muito tensos e desencadearem a dor.

Em alguns casos, um colar cervical pode ser recomendado para ajudar a oferecer algum descanso e suporte à coluna cervical. 
Cirurgia
A cirurgia pode ser uma opção em alguns casos. Como regra, a cirurgia pode ser considerada se os sintomas não aliviaram após cerca de seis semanas e se provocarem uma diminuição significativa da qualidade de vida do paciente. O objectivo da cirurgia é remover a parte herniada do disco. Isso muitas vezes atenua os sintomas. No entanto, não funciona em todos os casos. Também, como com todas as operações, há o risco da cirurgia. Deverá aconselhar-se com um especialista (ortopedista) sobre os prós e contras da cirurgia, e as diferentes técnicas que estão disponíveis.

Exercícios terapêuticos para hérnias discais cervicais

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma hérnia discal cervical. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


 

Correcção postural da cervical e ombros
Em pé ou sentado, rode os ombros para trás e para baixo, enterre o queixo e imagine que tem uma linha a puxar-lhe o topo da cabeça. Mantenha esta posição durante 20 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Adução das omoplatas
Em pé ou sentado, com os cotovelos dobrados. Puxe os ombros e cotovelos para trás e para baixo. Mantenha a posição durante 8 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


  

Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta. 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Estenose do canal vertebral lombar


A coluna vertebral é composta por vários ossos conhecidos como vértebras, cada uma das quais com um grande buraco no centro. Como esses ossos estão dispostos uns sobre os outros, o alinhamento dos seus buracos forma o chamado canal medular, onde se aloja a medula espinhal. Este canal oferece protecção e espaço à medula espinhal e nervos, de forma à informação nervosa circular correctamente entre o cérebro e o resto do corpo.
A estenose do canal vertebral lombar é causada pelo estreitamento do canal medular, provocando isquémia das raízes nervosas e claudicação neurogénica. A estenose do canal vertebral é mais frequentemente causada por uma combinação da diminuição da altura do disco intervertebral, da formação de osteófitos e da hipertrofia do ligamento amarelo. Nem todos os pacientes com estreitamento desenvolvem sintomas, portanto estenose do canal vertebral lombar refere-se a uma síndrome clínica de dor na lombar e membros inferiores causada pela compressão mecânica sobre os elementos neurais.
Esta condição ocorre mais frequentemente em maiores de 60 anos. E alguns dos factores de risco incluem: 

No que respeita aos movimentos, a dimensão do canal medular diminui com a extensão da coluna para trás e aumenta com a flexão ou inclinação anterior. A compressão nervosa pode ser provocada pela posição de deitado de barriga para baixo, e em posição vertical, principalmente ao caminhar.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor na perna (unilateral ou bilateral, com ou sem dor nas costas), dormência e fraqueza muscular que vão aumentando gradualmente após o paciente caminhar. Poderá ser mais fácil subir rampas do que descer.
  • Cerca de metade dos pacientes apresentam dor nas costas, que é geralmente bilateral e irradia sobre as nádegas.
  • Claudicação neurogénica intermitente: devido ao cansaço e/ou fraqueza e dormência das pernas.

Quando o estreitamento do canal medular se dá na lombar pode causar compressão da cauda equina, porvocando:
Dor lombar, dor ciática uni ou bilateral, falta de sensibilidade na região do períneo, distúrbios do intestino e da bexiga, e fraqueza, deficits sensoriais e reflexos diminuídos ou ausentes nas pernas.
Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica, exame motor completo, exame neurológico e vascular dos membros inferiores são necessários para ajudar ao diagnóstico de estenose do canal medular. A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X à coluna lombar, no entanto, a ressonância magnética (RM) é o principal meio de diagnóstico, pois permite visualizar o canal medular em detalhe, assim como o espaço dos buracos de conjugação e o disco intervertebral.
Por existir uma série de condições com sintomas semelhantes aos da estenose do canal vertebral (doença vascular periférica, espondilolistese, hérnia discal lombar, abcesso epidural, e outras causas de dor lombar) é importante ser acompanhado pelo seu médico durante o processo de diagnóstico.
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Tratamento

O tratamento depende do grau de estreitamento do canal medular e da gravidade dos sintomas. O objectivo primário do tratamento conservador, geralmente a primeira linha de intervenção nestas condições, será manter-se tão activo quanto possível, sem agravar os sintomas, a fim de manter a força e a mobilidade da coluna, evitando o agravamento da sua disfunção. Poderá fazer:
  • Repouso das actividades que agravam os sintomas e aconselhamento para a redução de peso, no caso de estar acima dos valores ideais para si.
  • O seu médico poderá prescrever analgésicos orais
  • Fisioterapia para fortalecer os músculos lombares e abdominais, incluindo movimentos de flexão anterior da coluna lombar, e para melhorar a flexibilidade e amplitude de movimento. A bicicleta estática pode ser introduzida na reabilitação com benefícios para a mobilidade geral
  • Modificar actividades e posturas de forma a manter-se activo, sem agravar os sintomas.
  • Além disso, procedimentos minimamente invasivos, como a administração epidural de cortico-esteróides ou analgésicos, poderão provocar alívio temporário da dor, tornando o trabalho da fisioterapia mais produtivo em pacientes com dor severa. Este tipo de procedimentos é indicado para um pequeno número de pacientes, e a sua eficácia ainda é discutível.

A descompressão cirúrgica pode ser indicada quando o grau de severidade dos sintomas é elevado e que não respondem ao tratamento conservador. A cirurgia consiste numa laminectomia descompressiva (remoção da parte posterior de algumas vértebras ampliando assim o diâmetro do canal e descomprimindo as raízes nervosas. Devido a factores de instabilidade lombar este procedimento é acompanhado, na maioria das vezes, por uma fusão espinhal através de enxerto ósseo ou de hastes metálicas e parafusos. Este procedimento envolve a inserção de um dispositivo que é implantado entre os processos espinhosos, que reduz o movimento de extensão para trás, (mais comummente entre L3-L5), mas permite o movimento para diante e a rotação e inclinação lateral.
Os casos de compressão da cauda equina geralmente requerem descompressão cirúrgica de urgência.

Exercícios terapêuticos para a compressão das raízes nervosas

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação da compressão das raízes nervosas. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


 

Rotação da coluna lombar
Deitado, com os joelhos dobrados e os braços ao longo do corpo. Rode ambas as pernas para um lado, depois para o outro.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.






Alongamento lombar posterior
Deitado, com os joelhos dobrados. Agarre os joelhos com ambas as mãos e puxe-os suavemente em direcção ao peito. Mantenha a posição durante 20 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 





Posição de congruência das facetas articulares
Deitado, apoie-se nos cotovelos. Mantenha a posição durante 30 a 90 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 2 a 4 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Kovacs FM, Urrutia G, Alarcon JD. SURGERY VERSUS CONSERVATIVE TREATMENT FOR SYMPTOMATIC LUMBAR SPINAL STENOSIS.: A systematic review of randomized controlled trials. Spine (Phila Pa 1976). 2011 Feb 9.
Lauryssen C. Technical advances in minimally invasive surgery: direct decompression for lumbar spinal stenosis. Spine (Phila Pa 1976). 2010 Dec 15;35(26 Suppl):S287-93.
Tomkins CC, Dimoff KH, Forman HS, Gordon ES, McPhail J, Wong JR, et al. Physical therapy treatment options for lumbar spinal stenosis. J Back Musculoskelet Rehabil. 2010;23(1):31-7.

sábado, 27 de outubro de 2012

Dor nas costas (dor lombar)


Como é constituída a sua coluna


A sua coluna vertebral é composta por 30 ossos colocados um sobre o outro, formando uma coluna. Cada um destes ossos é chamado de vértebra. Vista de lado, à medida que passa através da parte superior do peito, a sua coluna vertebral tem uma curvatura natural para a parte de trás do corpo (torácica), que é equilibrada por uma curvatura semelhante para a frente das vértebras inferiores (lombar) e superiores (cervical). Vista por trás a sua coluna vertebral deve estar perfeitamente alinhada e vertical.

  As articulações e os discos fibrosos entre as vértebras da sua cervical permitem-lhe inclinar, girar e dobrar o seu pescoço. As articulações e os discos entre as vértebras, sobretudo as da coluna lombar, permitem-lhe dobrar, girar e inclinar o tronco.
No entanto existem vários fatores que podem contribuir para o surgimento de dor na região lombar:

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Hérnia discal (Veja mais aqui)

Consiste numa rutura de um dos discos da coluna vertebral (“almofadas” de tecido fibroso entre as vértebras), e pode causar dor nas costas.


Alterações degenerativas na coluna (Veja mais aqui)

 À medida que os anos passam, os discos tornam-se mais achatados e menos flexíveis. Sem o amortecimento que estes discos normalmente fornecem, as articulações entre as vértebras pressionam firmemente uma contra a outra. Isto pode causar dor nas costas e rigidez.

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Osteoporose (Veja mais aqui)

 Com o avançar da idade, a quantidade de cálcio nos seus ossos diminui, diminuindo a sua densidade e tornando-os mais porosos e quebradiços - uma condição conhecida como osteoporose.



Contracturas musculares (Veja mais aqui)

As contracturas musculares são disfunções comuns, que afectam a fáscia e podem afectar um único músculo ou um grupo muscular inteiro. Formam-se pontos dolorosos (pontos específicos localizados no músculo que se assemelham a um nódulo e que são extremamente sensíveis à palpação).


Existem vários outros fatores que podem provocar dor lombar, como uma gravidez, ou doenças que não estejam relacionadas com o aparelho locomotor, pelo que o ideal, caso as dores nas costas se tornem mais frequentes, será que consulte o seu médico de família ou fisioterapeuta.
Pode ver aqui guidelines para o tratamento de dor lombar com origem no sistema musculo-esquelético. 


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dor ciática

A dor ciática não é uma patologia em si, mas apenas um conjunto de sintomas (uma síndrome), que pode ser causado por inúmeras condições. Estes sintomas resultam da compressão do nervo ciático próximo à sua origem (entre a região lombar e a região glútea) e envolvem dor que começa nas costas e irradia para baixo pela face posterior da perna/s. O termo médico para esta síndrome é compressão de raízes nervosas aguda ou radiculopatia.
A compressão do nervo provoca isquémia do tecido nervoso, devido à falta de oxigénio e pobre irrigação sanguínea, levando a uma falha na comunicação entre o cérebro e as partes do corpo correspondentes ao nervo comprimido. No caso da compressão do nervo ciático poderá experienciar os sintomas apenas na parte de trás da coxa, mas também poderá irradiar para a parte dianteira do joelho ou percorrer toda a região posterior da barriga da perna e pé.
A dor ciática geralmente é desencadeada por um movimento a que se atribui pouca importância, como curvar-se para apanhar algum objecto, e caracteriza-se pela gravidade dos seus sintomas, muitas vezes impedindo o paciente de se movimentar normalmente. Isto normalmente obriga a uma intervenção precoce, no entanto, se a compressão do nervo se prologar no tempo, tecido fibroso irá formar-se em volta do local da compressão, podendo levar a uma perda permanente da função do nervo afectado.
A dor ciática pode ser causada por uma hérnia discal lombar, por alterações degenerativas da coluna lombar, por estenose docanal medular, por espondilolise e espondilolistese ou por síndrome do piramidal. Outras causas menos comuns são tumores, infecções e fracturas.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor lombar aguda (nem sempre presente, especialmente na síndrome do piramidal)
  • Dor que irradia para a perna. Essa dor pode ser aguda e acompanhada de formigueiros e/ou dormência
  • A dor pode agravar quando se senta/levanta, tosse ou espirra
  • Dor geralmente alivia quando está deitado de barriga para cima e está sempre melhor pela manhã, após uma noite de descanso
  • Pode haver espasmo muscular na região lombar e sensibilidade ao toque nessa região.

O diagnóstico é orientado para descobrir qual é a disfunção que está a causar a compressão do nervo ciático e consequentemente todos os sintomas. Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica, exame motor completo, exame neurológico e vascular dos membros inferiores são necessários para excluir possíveis causadores de dor ciática. 
A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X à coluna lombar, no entanto, a ressonância magnética (RM) é o principal meio de diagnóstico, pois permite visualizar o canal medular em detalhe, assim como o espaço dos buracos de conjugação e o disco intervertebral.
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Tratamento

     
Numa fase inicial, em que os sintomas estão bastante exacerbados o tratamento deve incluir:
  • Repouso no leito, se necessário, numa posição que seja confortável
  • O seu médico pode prescrever medicamentos anti-inflamatórios não-esteróides, como o ibuprofen. Estes devem sempre ser tomados sob a orientação de um médico e nunca se o paciente tiver asma
  • A aplicação de calor local ou um banho quente pode ajudar a aliviar os espasmos musculares
  • O uso de um colete ortopédico pode dar um suporte adicional nas fases iniciais
       Após a fase aguda devem ser realizados todos os testes e avaliações necessários para diagnosticar qual a origem dos sintomas e prosseguir com o tratamento mais adequado para cada um dos casos (hérnia discal lombar; alterações degenerativas da coluna lombar; estenose do canal medular; espondilolise e espondilolistese; síndrome do piramidal).

Exercícios terapêuticos para a dor ciática

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação da dor ciática. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Posição de congruência das facetas articulares
Deitado, apoie-se nos cotovelos. Mantenha a posição durante 30 a 90 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 2 a 4 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 Alongamento do grande glúteo
Coloque-se apoiado nos cotovelos e joelhos. Avance o joelho da perna a alongar na direcção do ombro do lado contrário, o pé fica virado para dentro. Aproxime o mais possível o joelho do peito. Mantenha a posição durante 20 segundos
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



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Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Strayer A. Lumbar spine: common pathology and interventions. J Neurosci Nurs. 2005 Aug;37(4):181-93.