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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Quisto de Baker


O quisto de Baker consiste num inchaço localizado na face posterior da articulação do joelho, que é preenchido com líquido sinovial (líquido lubrificante normalmente encontrado no interior das articulações). A sua ocorrência é frequentemente associada problemas como a artrose do joelho.
No entanto o quisto de Baker pode desenvolver-se atrás de um joelho "saudável". Este tipo de quisto é muitas vezes referido como "primário" ou "idiopático". Desenvolve-se em pessoas mais jovens e crianças, e acredita-se que, nestes casos, existe uma conexão entre a articulação do joelho e da bursa poplítea atrás do joelho. Isso significa que o líquido sinovial a partir do interior da articulação pode passar para a bursa poplítea e assim se forma o quisto de Baker, sem a existência de um processo de artrose do joelho.
Os quistos de Baker secundários ocorrem por consequência de condições degenerativas da articulação do joelho, como a artrose do joelho, a artrite reumatóide ou rupturas nos meniscos. Este tipo de quisto de Baker é o mais comum. Nestes casos, o problema primário no joelho faz com que uma quantidade exagerada de líquido sinovial seja produzida dentro da articulação. Como resultado disto, a pressão dentro do joelho aumenta, provocando o estiramento da cápsula articular. Quando esse estiramento se localiza na face posterior forma-se uma bolsa acessória à cápsula articular, preenchida por líquido sinovial, a que chamamos quisto de Baker.
Algumas pessoas com quisto de Baker não apresentam quaisquer sintomas. E, muitas vezes, quistos mais pequenos passam despercebidos no exame clínico, podendo depois ser encontrados por acaso quando, por outro motivo, é feita uma RM ao joelho.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Inchaço visível e perceptível ao toque na face posterior do joelho
  • Inchaço à volta do joelho
  • Sensação de joelho “preso” e dificuldade em dobra-lo

Em geral, quanto maior for o quisto de Baker, mais provável é produzir sintomas. Algumas pessoas também sentem dor ao redor da área do joelho. Menos frequente é a sensação de estalos ou bloqueio do joelho. Este tipo de sintomas está mais relacionado com um problema primário, como a artrose do joelho. Uma ecografia é geralmente suficiente para confirmar o diagnóstico de um quisto de Baker, e também importante para descartar a hipótese de uma trombose venosa profunda.

Tratamento

Muitas vezes os quistos de Baker reduzem e desaparecem por si só ao longo do tempo. No entanto, poderão persistir por meses ou mesmo anos antes de desaparecer. Num grande número de pessoas os sintomas são tão reduzidos que nenhum tratamento específico é necessário.
No entanto, existem várias opções de tratamento que o podem ajudar, no caso de ter sintomas associados com um quisto de Baker. Estes incluem:
  • Tratamento de qualquer problema subjacente no joelho. É importante que qualquer problema primário no joelho, como a artrose do joelho, ruptura dos meniscos ou artrite reumatóide, seja tratado. Isso pode ajudar a reduzir o tamanho do quisto e algum inchaço ou dor que ele provoque.
  • Ligadura elástica para o joelho. Esta fornece compressão e suporte ao joelho e pode ajudar a reduzir o inchaço.
  • Anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs). Podem ajudar a aliviar a dor e a limitar a inflamação.
  • Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
  • Fisioterapia. Um plano de exercícios terapêuticos, focados sobretudo no fortalecimento dos músculos da coxa é benéfico para manter a amplitude de movimento do joelho e reduzir os sintomas. A aplicação de ultra-sons também poderá ter efeitos benéficos.


Exercícios terapêuticos para quisto de Baker

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de um quisto de Baker. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Alongamento activo da cadeia posterior
Deitado, com um elástico na ponta do pé, com a coxa e joelho dobrados a 90o. Mantenha a tensão no elástico enquanto estica o mais possível o joelho, puxado a ponta do pé para si. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 
Fortalecimento dos isquio-tibiais
Deitado, com o elástico preso atrás do calcanhar. Puxe o pé para si e deixe-o voltar lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 


 Propriocepção do membro inferior
Em pé, apoiado na perna lesada e com esse joelho ligeiramente dobrado. Com a ponta do outro pé tente desenhar um círculo no chão, com o maior diâmetro possível e em que o pé apoiado fique no seu interior.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.
  


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Zhang WW, Lukan JK, Dryjski ML. Nonoperative management of lower extremity claudication caused by a Baker's cyst: case report and review of the literature. Vascular. 2005 Jul-Aug;13(4):244-7.

domingo, 11 de novembro de 2012

Prótese do joelho


Ao longo das últimas décadas os resultados das próteses do joelho (artroplastia do joelho) têm melhorado drasticamente, sobretudo devido a melhores técnicas cirúrgicas, melhores materiais e a uma melhor compreensão da fisiologia e da biomecânica do joelho. 
Mais do que substituições do joelho bem sucedidas e duradouras, este conhecimento permite-nos hoje percebermos qual a melhor abordagem para cada paciente, se a evolução no pós-cirurgico está a decorrer como o esperado e se não o estiver, porque razão isso está a acontecer.
Existem, de um modo geral, três tipos de prótese do joelho:
  • Prótese unicompartimental. Substituição do compartimento medial ou lateral da articulação tibiofemoral. É comummente usada em casos de artrose do joelho, e não é indicada para pacientes com artrite reumatóide.
  • Prótese bicompartimental não restrita. É a forma mais comum de artroplastia total de joelho. O componente femoral é de metal (e anatomicamente semelhante ao osso que substitui, com um sulco para a rótula), o componente tibial é uma plataforma metálica plana com uma almofada de plástico (polietileno) e uma haste que estende para fixação no interior da tíbia, e o componente rotuliano é uma peça em forma de cúpula de polietileno presa a uma placa de metal plana.
  • Prótese bicompartimental restrita. Raramente são utilizadas, e apenas têm indicação quando existe uma perda óssea considerável, por exemplo, em tumores ósseos. Não é possível preservar todos os movimentos fisiológicos do joelho, e existe um perigo maior de luxação da prótese.

A artrose do joelho é a razão mais comum para a substituição da articulação do joelho. Esta pode ser: Primária, cerca de 40% das pessoas com mais de 40 anos apresenta evidência radiográfica de artrose do joelho, e dessas, metade terá sintomas. Secundária, originada por uma perturbação mecânica (por exemplo, lesões ligamentares ou meniscais), infecção, instabilidade, fratura na articulação.
Outras condições que podem levar à necessidade de colocação de uma prótese do joelho incluem:
  • Artrite reumatóide
  • Hemofilia, 
  • Artrite soronegativa, 
  • Necrose avascular, que pode ser idiopática ou induzida por esteróides
  • Gota e outras doenças deposição de cristais.
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As indicações básicas para uma prótese do joelho são dor e perda de função. No entanto, a avaliação desses factores é complexa e a selecção para a cirurgia deve ter em conta diversas variáveis, como a idade, o peso, a dor, a alteração na qualidade de vida, etc.
Algumas directrizes sugerem que "A referência para cirurgia de substituição articular deve ser considerada para pessoas com artrose do joelho que experimentam sintomas articulares (dor, rigidez e função reduzida) que têm um impacto substancial na sua qualidade de vida e que não tenham respondido ao tratamento conservador.
           Possíveis complicações de uma cirurgia de substituição da articulação do joelho incluem:
  • Complicações tromboembólicas, incluindo trombose venosa profunda e embolia pulmonar.
  • Infecção.
  • Instabilidade patelofemoral
  • Complicações neurológicas. Paralisia Nervo peronial é o problema neurológico mais comum, ocorrendo na maioria das vezes para corrigir o valgismo e deformidades de flexão. 50% Recuperam-se espontaneamente.
  • Formações fibrosas ou cicatrizes restritivas podem prejudicar a recuperação do movimento do joelho.

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Tratamento

            Antes de se partir para a solução cirúrgica o tratamento conservador deve ser tentado:
  • Controlo da dor: através de medicação (anti-inflamatórios não-esteróides) por via oral. A infiltração de lubrificantes intra-articulares não é recomendada.
  • Perda de peso.
  • Fisioterapia para ajudar ao fortalecimento muscular, marcha, educação do paciente, mobilidade articular, aconselhamento sobre o calçado.

        Quando o paciente não responde ao tratamento conservador e a cirurgia é realizada o tratamento tem diversas etapas:
Ainda no hospital, a mobilização passiva do joelho nas primeiras 24 horas do pós-operatório é importante para um bom prognóstico de recuperação. Para isto o paciente deve estar sob efeito de analgésicos e o membro colocado num aparelho de mobilização passiva continua. Ao segundo dia o paciente já deve ser capaz de fazer o levante e alguns passos, com a ajuda de um fisioterapeuta. Gelo pode ser aplicado para controlar os sinais inflamatórios.
A alta precoce é incentivada, entre 5 dias e duas semanas após a cirurgia, em função da evolução do paciente. No entanto, apenas deve ser dada se a cicatrização ou a mobilidade forem satisfatórias, se o joelho alcançar 90º de flexão e não forem identificadas outras complicações.
O seguimento em ortopedia é geralmente feito durante as 6 primeiras semanas, sendo depois encaminhado para clínica geral para: remoção da medicação analgésica, cuidados com as cicatrizes, identificação de complicações, revisão da profilaxia do tromboembolismo.
Quanto ao retorno às actividades normais:
  • Conduzir: se a prótese for no joelho esquerdo e o automóvel tiver mudanças automáticas, então poderá conduzir uma semana após a cirurgia. Se a prótese for no joelho direito, deve esperar 4-6 semanas para voltar a conduzir.
  • Retorno ao trabalho. Isso vai depender do tipo de trabalho, mas pode demorar até 8 semanas.
  • Viajar. Medidas para prevenir complicações tromboembólicas são recomendadas. Os detectores de metais do aeroporto podem ser activados por uma prótese no joelho.
  • Posições para dormir. Geralmente poderá dormir de lado, de barriga para baixo ou para cima sem problemas.
  • Outras actividades: a natação é recomendada, geralmente a partir do momento em que as suturas são removidas, e que a ferida tenha cicatrizado totalmente (cerca de 6 semanas). Actividades que colocam pressão sobre a articulação devem ser evitadas (por exemplo: ténis, squash, e corrida).

          O plano de tratamento em fisioterapia deve incluir:
  • Exercícios para melhorar a flexibilidade, força e equilíbrio (incluindo exercícios em carga)
  • A aplicação de calor antes dos exercícios para aumentar a irrigação sanguínea e de gelo no final para prevenir sinais inflamatórios.
  • Mobilização articular activa, progredindo para activa resistida.
  • Educação do paciente e plano de retorno gradual à actividade.
  • Massagem de mobilização dos tecidos moles e drenagem do edema articular.


Exercícios terapêuticos para a reabilitação de uma prótese do joelho

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma prótese do joelho. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Flexão/extensão do joelho
Deitado, com o calcanhar apoiado no chão, puxe o pé em direcção à bacia. Retorne lentamente o pé à posição inicial.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




 Fortalecimento do quadricípite
Deitado, com um rolo sob o joelho. Contraia o musculo da coxa e perna de forma a esticar o joelho e puxar a ponta do pé para si.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 Fortalecimento isométrico dos isquio-tibiais
Sentado, com o calcanhar apoiado no chão. Faça pressão em direcção ao chão e para si, sem tirar o pé da mesma posição. Mantenha a contracção por 6 segundos.
Repita esta contracção entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


  

Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Price A, Allum R. Management of osteoarthritis of the knee. Ann R Coll Surg Engl. 2010 Sep;92(6):459-62.
Soohoo NF, Sharifi H, Kominski G, Lieberman JR. Cost-effectiveness analysis of unicompartmental knee arthroplasty as an alternative to total knee arthroplasty for unicompartmental osteoarthritis. J Bone Joint Surg Am. 2006 Sep;88(9):1975-82.

sábado, 10 de novembro de 2012

Guidelines para a prática clínica de fisioterapia - parte 2


Uma guideline na área da saúde (também chamada de protocolo clínico, diretriz clínica ou diretriz de prática clínica) é um documento que tem como finalidade nortear as decisões e os critérios para avaliação, diagnóstico e tratamento em áreas específicas da saúde.

Ao contrário de abordagens históricas, que foram muitas vezes baseadas na tradição ou autoridade, as novas guidelines na área da saúde são baseadas na análise das evidências clínicas mais atuais, respeitando o paradigma da medicina baseada em evidências. Estes documentos geralmente resumem os padrões de prática clínica mais consensuais à data da sua publicação.


O objetivo destas guidelines é padronizar o atendimento na área da saúde, aumentar a qualidade do atendimento, reduzir vários tipos de risco (para o paciente, para o profissional de saúde e para as instituições) e obter o melhor equilíbrio entre custo e parâmetros médicos tais como a eficácia, a especificidade, a sensibilidade, resolubilidade, etc

Veja guidelines para a prática clínica de fisioterapia sobre os temas:






Veja mais guidelines aqui


Artrose do joelho


A artrose do joelho consiste na ocorrência de osteoartrose na articulação do joelho. A osteoartrose é num grupo heterogéneo de condições que levam a sinais e sintomas semelhantes, e que estão associadas à degeneração da cartilagem articular, do osso que lhe é subjacente e das estruturas moles circundantes.
Com a degradação da cartilagem (parte da articulação que amortece as extremidades dos ossos) os ossos friccionam uns contra os outros provocando dor e perda de movimento.
A artrose do joelho pode afectar 3 locais diferentes da articulação:
  • a. compartimento medial
  • b. compartimento lateral
  • c. compartimento femoropatelar

Quanto à sua origem a artrose do joelho pode ser:
  • Primária: relacionado principalmente com o envelhecimento, não há nenhuma outra doença ou trauma provocando a doença. Com a idade, o nível de água na cartilagem articular aumenta, tornando-a menos sólida. A produção de proteínas que são utilizados na manutenção da cartilagem também diminui, fazendo com que a cartilagem fique mais vulnerável a rupturas.
  • Secundária: há outra condição ou doença que provoca a artrose, por exemplo: obesidade, diabetes, cirurgia prévia à articulação, microtraumas repetitivos, fracturas...

Na fase inicial de uma artrose no joelho a cartilagem articular vai começar a demonstrar sinais de desgaste, pequenas fendas ou rupturas. Se nenhum esforço for feito para retardar este processo, a cartilagem, ficará cada vez mais degradada, podendo até ocorrer pedaços de cartilagem soltos no interior da articulação. Isso vai afectar o osso subjacente, deformando-o e criando osteófitos, o que coloca em risco a funcionalidade da articulação.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Primários:
Dor, rigidez matinal, diminuição das capacidades funcionais
Secundários
perda de mobilidade na articulação afetada, diminuição da força muscular, instabilidade da articulação, crepitações
É essencial a recolha atenta da história clínica do paciente, de forma a encontrar certos padrões, característicos da artrose do joelho. Um raio-X é geralmente pedido para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão. Uma artrocentese pode ser realizada pelo médico (uma agulha estéril é utilizada para recolher amostras de líquido sinovial, que pode então ser analisada para confirmar fragmentos de cartilagem, infecção ou gota)


Tratamento

            A osteoartrose é uma doença degenerativa, progressiva que, quando não tratada, vai piorando até que, nas fases mais avançadas, poderá provocar dores constantes e incapacitantes. O tratamento conservador baseia-se na luta contra a dor e a inflamação, na recuperação do movimento e na tentativa de atrasar a progressão da doença. Nas formas mais avançadas da doença podem ser colocada uma prótese do joelho.
            O tratamento conservador é a primeira escolha terapêutica para as artroses do joelho que ainda não têm indicação cirúrgica e pode incluir:
  • Plano de exercícios terapêuticos: Provou ser eficaz como tratamento da dor e melhoria da funcionalidade a curto prazo. No entanto, estes exercícios devem ser efectuados sob supervisão de um fisioterapeuta. Quando devidamente instruído, poderá realizar estes exercícios em casa. Contudo, estudos têm mostrado que o exercício em grupo combinado com exercícios em casa é mais eficaz do que apenas em casa.
  • Dieta: No caso de pacientes com excesso de peso, o aconselhamento e uma dieta adequada para perda de peso provaram ser eficazes na diminuição dos sintomas
  • Hidroterapia: É recomendada em directrizes internacionais. Apesar das evidências contraditórias sobre os seus benefícios, a hidroterapia pode ser útil em casos onde a dor é demasiado grave para o exercício fora de água.
  • Mobilização articular passiva: Provou ser eficaz para localizar e eliminar factores como dor e imobilidade articular, no entanto, só é eficaz quando combinada com exercício activo. A amplitude conquistada pela mobilização pode permitir exercícios activos mais avançados.
  • Termoterapia: Pode ser usado calor (por exemplo em articulações muito rígidas) para preparar para os exercícios.
  • O ultra-som, a eletroterapia e a massagem não reúnem consenso científico quanto aos seus benefícios no tratamento da artrose do joelho.
  • O seu médico assistente poderá prescrever medicação oral (anti-inflamatórios não-esteróides) para controlo da dor.
  • Mais recentemente, o seu ortopedista poderá aconselhar a infiltração intra-articular de um componente baseado no ácido hialorónico, uma substancia presente na cápsula sinovial e na cartilagem articular e que confere propriedades viscoelásticas e lubrificantes à articulação.

Quando as lesões estruturais são demasiado graves a cirurgia para colocação de uma prótese do joelho é recomendada.
Adoptar um plano de fisioterapia estruturado no pós-operatório é fundamental. Exercícios terapêuticos para melhorar a função da nova articulação e para fortalecimento muscular provaram ser a abordagem mais eficaz.

Exercícios terapêuticos para a artrose do joelho

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação da artrose do joelho. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Flexão/extensão do joelho
Deitado, com o calcanhar apoiado no chão, puxe o pé em direcção à bacia. Retorne lentamente o pé à posição inicial.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




 

Flexão resistida do
Sentado, com o elástico na ponta do pé. Puxe a ponta do pé para cima, depois deixe o pé voltar lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




 Fortalecimento do quadricípite
Deitado, com um rolo sob o joelho. Contraia o músculo da coxa e perna de forma a esticar o joelho e puxar a ponta do pé para si.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Zhang W, Doherty M, Peat G, Bierma-Zeinstra MA, Arden NK, Bresnihan B, et al. EULAR evidence-based recommendations for the diagnosis of knee osteoarthritis. Ann Rheum Dis. 2010 Mar;69(3):483-9.
French HP, Brennan A, White B, Cusack T. Manual therapy for osteoarthritis of the hip or knee - a systematic review. Man Ther. 2011 Apr;16(2):109-17.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Tendinite do tendão rotuliano


O tendão rotuliano está localizado na face anterior do joelho e une a rótula à tíbia. Este tendão é extremamente forte e facilita acção do grupo muscular quadricípite. O quadricípite trabalha para estender o joelho (p.ex. para o impulso de um salto) e para o estabilizar (p.ex. quando aterra no chão depois do salto).
Tendinite do rotuliano foi o termo originalmente usado para descrever o espectro de lesões que iam desde a inflamação do tendão à ruptura parcial. No entanto, o estudo da histopatologia determinou que nem sempre existe processo inflamatório nestas lesões, pelo que são agora denominadas de tendinopatias do tendão rotuliano.
Acredita-se que esta lesão é causada por pequenas lesões (conhecidas como microrupturas) associadas ao uso excessivo do tendão, em desportos que envolvem mudanças de direcção rápidas e saltos. Se, depois de cada microruptura, não for dado tempo de recuperação suficiente, o tendão não se restabelece na totalidade. Isto significa que ao longo do tempo, os danos no tendão vão-se acumulando, podendo dar origem a uma tendinopatia do tendão rotuliano.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor abaixo e à frente da rótula, especialmente quando se pressiona.
  • Dor e rigidez após o esforço.
  • Dor quando contrai os músculos do quadricípite.
  • O tendão afectado pode parecer maior do que o lado não afectado.
  • Pode estar associada falta de força muscular do vasto medial obliquo (feixes musculares mediais do quadicípite) e dos gémeos.

As tendinopatias do rotuliano podem ser classificadas em:
  • Grau 1: Dor apenas após actividade física
  • Grau 2: Dor antes e depois da actividade física, mas alivia uma vez aquecido
  • Grau 3: Dor durante a actividade que limita o seu desempenho
  • Grau 4: Dor durante todas as actividades do dia-a-dia

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do joelho são geralmente suficientes para diagnosticar uma tendinopatia do rotuliano. Um raio-X ou ecografia podem ser pedidos para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão.

Tratamento

Quando o diagnóstico de tendinopatia do rotuliano está confirmado a primeira intervenção é geralmente o tratamento conservador. Este deve incluir:
  • Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
  • Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
  • Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.

O tratamento em fisioterapia é fundamental para a boa recuperação do tendão, que pode demorar até 6 meses numa lesão de grau 4, e deve envolver:
  • Exercícios de fortalecimento muscular dos isquio-tibiais, gémeos e principalmente do quadricípite. Iniciar com exercícios estáticos, mas, desde que não cause dor, progredir para exercícios excêntricos (por exemplo no caso do quadricípite equivale à fase descendente de um agachamento). Pode ser aplicado gelo no final dos exercícios para controlar algum processo inflamatório.
  • Alongamentos dos gémeos, banda ílio-tibial e sobretudo do quadricípite são muito importantes e deverão ser repetidos 3 a 5 vezes por dia.
  • Massagem transversal profunda em dias alternados poderá estimular a reorganização das fibras do tendão.
  • Na última fase do tratamento deve ser introduzida a reeducação do gesto desportivo. Assim que não tiver dor ou inchaço e tiver uma amplitude de movimento e força iguais em ambos os membros inferiores poderá reiniciar a prática desportiva. É natural que nos primeiros dias sinta desconforto no joelho no final do treino, no entanto, se os sintomas não tiverem passado no dia seguinte deve reduzir a intensidade de treino.
  • Depois da reintrodução à actividade os alongamentos e exercícios excêntricos devem ser mantidos para prevenir recidivas.

Tratamento Cirúrgico
É tido como um último recurso, em parte por existir pouca evidência convincente para apoiar o uso da cirurgia em vez do tratamento conservador. A cirurgia consiste na remoção da área afectada do tendão, ou na execução de pequenos cortes nas laterais do tendão, com o intuito de diminuir a tensão sobre o seu terço médio.
Um programa intensivo de reabilitação é normalmente recomendado após a cirurgia. A utilização de exercícios de fortalecimento excêntrico pode ajudar a estimular a recuperação do tendão.

Exercícios terapêuticos para a tendinite do tendão rotuliano

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma tendinite do tendão rotuliano. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Alongamento do quadricípite
Em pé, apoiado. Agarre no pé da perna a alongar e aproxime-o o mais possível da bacia. Mantenha as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Fortalecimento do quadricípite
Deitado, com um rolo sob o joelho. Contraia o musculo da coxa e perna de forma a esticar o joelho e puxar a ponta do pé para si.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Fortalecimento dos quadricípites
Em pé, com a região lombar apoiada na bola e os pés ligeiramente afastados. Dobre os joelhos, mantendo as costas alinhadas. Suba lentamente para a posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Rees JD, Wolman RL, Wilson A. Eccentric exercises; why do they work, what are the problems and how can we improve them? Br J Sports Med. 2009 Apr;43(4):242-6.
Wilson JJ, Best TM. Common overuse tendon problems: A review and recommendations for treatment. Am Fam Physician. 2005 Sep 1;72(5):811-8.