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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Rutura do ligamento cruzado posterior


O ligamento cruzado posterior (LCP) é um importante estabilizador do joelho, e está localizado no interior da articulação. Dispõe-se em diagonal desde a parte posterior e lateral da superfície articular da tíbia até à parte anterior e medial do sulco inter-condiliano do fémur. O LCP controla os movimentos de deslizamento posterior da tíbia sobre o fémur.
As lesões no ligamento cruzado posterior são raras e requerem a aplicação de uma força considerável. Acontece sobretudo quando o joelho dobrado bate contra o painel do carro num acidente de viação, ou bate contra o chão quando um atleta cai para a frente sobre o joelho. Devido ao seu mecanismo lesivo, as rupturas do LCP são mais frequentes em jovens que praticam desportos de contacto, como futebol, andebol ou basquetebol.
Estas rupturas podem ser classificadas segundo a sua gravidade em:
  • Grau I (leve). Também chamada de distensão. É um estiramento que causa apenas lesões microscópicas nos ligamentos.
  • Grau II (moderada). Um estiramento mais severo, que causa uma ruptura parcial do ligamento.
  • Grau III (grave). O ligamento é completamente rasgado por um estiramento brusco, geralmente durante um acto desportivo ou num acidente.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Em qualquer lesão dos ligamentos do joelho, os sintomas tendem a ser semelhantes, mesmo que esteja afectado mais que um ligamento. A severidade dos sintomas depende do grau da lesão ao ligamento.
  • Uma sensação de estalido ou ressalto no momento da lesão às vezes pode ser ouvido se o ligamento tiver sido totalmente rasgado.
  • Inchaço do joelho. Quando o ligamento é lesado, pode haver algum sangramento dentro da articulação do joelho. Isso pode levar a inchaço do joelho.
  • Dor. Novamente, o grau de dor irá depender da gravidade da lesão.
  • Sensibilidade ao toque no joelho.
  • Limitação da mobilidade normal do joelho. Em rupturas completas do ligamento, o movimento pode estar severamente comprometido.
  • Sensação que o joelho está instável, com folga, podendo limitar a marcha.

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do joelho são geralmente suficientes para diagnosticar a ruptura do LCP. Uma ecografia ou RM podem ser pedidas para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão.

Tratamento

           O tratamento em fisioterapia, nas primeiras 48 a 72 horas após a lesão e enquanto o diagnóstico não está confirmado, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Compressão: um joelho elástico pode ser usado para controlar o inchaço.
Elevação: A perna deve ser elevada um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.
Após este período, e com o diagnóstico confirmado, o tratamento irá depender da gravidade da lesão:
Nos estudos realizados para lesões do LCP provocadas durante a prática desportiva, o tratamento conservador é uma boa opção, com um prognóstico bastante satisfatório. Num dos estudos, com um seguimento médio de 6,2 anos, 80% dos pacientes estavam satisfeitos com os joelhos e 84% haviam retornado ao seu desporto anterior (68% no mesmo nível de desempenho, 16% em uma diminuição do nível de desempenho), no entanto nenhum dos atletas apresentava lesões graves, de grau III.
Tratamento conservador fase 1 (1ª duas semanas após a lesão)
  • Descanso, gelo, compressão e elevação
  • Pacientes com lesões grau I e grau II podem suportar o peso do corpo, sem canadianas. Já nas lesões de grau III a sua utilização é fundamental.
  • Estimulação eléctrica funcional (FES) pode ser usada para estimular o músculo quadricípite.
  • Exercícios de fortalecimento estático do quadricípite.

Tratamento conservador fase 2 (da 2ª à 8ª semana)
  • Apenas pacientes com lesões grau III devem continuar a usar ligadura compressiva, pelo menos até a terceira semana de fisioterapia. Depois disso poderá ser aplicada uma ligadura funcional.
  • Nas lesões grau III o suporte do peso do corpo pode ir progredindo conforme a tolerância do paciente. O uso de canadianas deve poder ser interrompido entre a 2ª e a 3ª semana.
  • Os exercícios realizados na fase 1 devem progredir, com a aplicação de resistência, conforme tolerado pelo paciente.
  • Andar de bicicleta estacionária e exercícios aquáticos pode ser recomendado, para melhorar a amplitude de movimento.
  • Entre a 3ª e a 6ª semana devem ser introduzidos exercícios em carga, como o leg press e agachamentos.
  • No final da 6ª semana deve ser introduzida a caminhada ou corrida ligeira, dependendo das limitações do paciente.
  • À 8ª semana começar a introduzir exercícios próximos do gesto desportivo e à 10ª semana reintroduzir a prática desportiva ou o trabalho


Tratamento cirúrgico fase 1 (1ª duas semanas após cirurgia)
Existe uma grande variedade de abordagens cirúrgicas para a reconstrução do LCP, em parte pela falta de conhecimento sobre a história do mecanismo lesivo e da biomecânica do ligamento. Pelo que um plano de tratamento especifico deve ser elaborado pelo fisioterapeuta, tendo em conta, entre outros factores, a abordagem cirúrgica realizada.
  • Na fase inicial do pós-operatório, é muito importante controlar a dor e o inchaço através do gelo, da compressão e da elevação.
  • Nesta fase o paciente deve utilizar 2 canadianas
  • A preservação da mobilidade da rótula é importante, e o paciente deve ser instruído com exercícios de auto-mobilização da rótula e tecidos moles em torno da rótula para evitar fibrose.
  • Mobilização passiva do joelho deverá ser iniciada (0-90 °), enfatizando a extensão completa.

Tratamento cirúrgico fase 2 (da 2ª à 8ª semana)
  • O paciente deve melhorar gradualmente a amplitude de movimento (0-130 °) durante este período. O alongamento passivo é usado consoante necessário para recuperar a mobilidade. A mobilização da rótula continua a ser importante.
  • O paciente deve conseguir suportar carga total e as canadianas são retiradas segundo indicação do médico.
  • Entre a 4ª e a 6ª semana pode ser aplicada uma ligadura funcional e iniciados os exercícios em carga.
  • No final da 6ª semana deve ser introduzida a caminhada ou corrida ligeira, dependendo das limitações do paciente.
  • À 8ª semana começar a introduzir exercícios próximos do gesto desportivo e à 10ª semana reintroduzir a prática desportiva ou o trabalho


Exercícios terapêuticos para a ruptura do ligamento cruzado posterior

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma ruptura do ligamento cruzado posterior. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.




Fortalecimento do quadricípite
Deitado, com um rolo sob o joelho. Contraia o músculo da coxa e perna de forma a esticar o joelho e puxar a ponta do pé para si.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Fortalecimento dos quadricípites
Em pé, com a região lombar apoiada na bola e os pés ligeiramente afastados. Dobre os joelhos até aos 45o/60o, mantendo as costas alinhadas. Suba lentamente para a posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 






Alongamento activo da cadeia posterior
Deitado, com um elástico na ponta do pé, com a coxa e joelho dobrados a 90o. Mantenha a tensão no elástico enquanto estica o mais possível o joelho, puxado a ponta do pé para si. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Edson CJ, Fanelli GC, Beck JD. Postoperative rehabilitation of the posterior cruciate ligament. Sports Med Arthrosc. 2010 Dec;18(4):275-9.
Lopez-Vidriero E, Simon DA, Johnson DH. Initial evaluation of posterior cruciate ligament injuries: history, physical examination, imaging studies, surgical and nonsurgical indications. Sports Med Arthrosc. 2010 Dec;18(4):230-7.