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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Resolução de hérnia lombar sem cirurgia – achados imagiológicos


Uma mulher de 29 anos apresentou-se na consulta de coluna vertebral com dor irradiada pela perna direita, acompanhada de parestesia. Não se observavam sintomas intestinais ou na bexiga.

A Ressonância magnética (RM) da coluna lombar revelou hérnia discal lombar, provocando substancial estenose espinhal e compressão na raiz do nervo (seta, imagem A).

A paciente escolheu tratamento conservador com fisioterapia e uma injeção epidural de glucocorticoides.



Uma segunda RM, 5 meses após a apresentação, mostrou a resolução da herniação (seta, imagem B). Dados de ensaios clínicos sugerem que os pacientes com hérnia discal lombar têm resultados semelhantes a longo prazo, quer se submetam a cirurgia ou prefiram um tratamento conservador. Para além disso, o risco de agravamento significativo sem cirurgia é mínimo.

Esta paciente relatou que começou a ter dor nas costas depois de vários anos a jogar voleibol, enquanto a dor e a parestesia na perna apenas começaram 6 meses antes da primeira consulta e não foram associadas a nenhum evento precipitante.

Como os seus sintomas foram resolvidos, ela teve alta da clínica, com acompanhamento recomendado, conforme necessário.


Hong J., Ball P.A., Resolution of Lumbar Disk Herniation without Surgery  N Engl J Med 2016; 374:1564

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Manipulação no tratamento de dor lombar - norma de orientação clínica

Objetivo: 

Identificar pacientes com dor lombar que provavelmente irão melhorar com a manipulação da coluna vertebral.

Norma:

  1. Duração dos sintomas <16 dias
  2. Pelo menos uma anca com > 35° de rotação interna
  3. Hipomobilidade lombar 
  4. Ausência de sintomas distais ao joelho
  5. Fear-avoidance beliefs questionnaire - work subscale com pontuação <19
Probabilidade de sucesso






Childs JD, et al. A clinical prediction rule to identify patients with low back pain most likely to benefit from spinal manipulation: a validation study. Ann Intern Med. 2004; 141(12): 920-8.
Cleland JA, et al. The Use of a Lumbar Spine Manipulation Technique by Physical Therapists in Patients Who Satisfy a Clinical Prediction Rule: A Case Series. J Orthop Sports Phys Ther. 2006; 36(4): 209–214.
Flynn T, et al. A clinical prediction rule for classifying patients with low back pain who demonstrate short-term improvement with spinal manipulation. Spine. 2002; 27(24): 2835-43.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Algoritmo de classificação da dor lombar para selecção da abordagem terapêutica

A abordagem de tratamento segundo a classificação da dor lombar descreve o modelo segundo o qual o clínico toma decisões de tratamento com base na apresentação clínica do paciente. 

O objetivo principal desta abordagem é identificar características de base que predizem a capacidade de resposta positiva a quatro estratégias diferentes de tratamento. 

Primeiro nível de classificação: Esta etapa consiste em determinar se o caso é adequado para serviços de fisioterapia, ou se é necessário um encaminhamento para outros profissionais.



Segundo nível de classificação: Esta etapa envolve a determinação da gravidade da condição e do grau de incapacidade do paciente.


  • Fase I é a fase aguda, onde o objetivo é o alívio dos sintomas.
  • Fase II é a fase subaguda quando o alívio dos sintomas e rápido retorno à função normal são incentivados.
  • Fase III é para aqueles que devem retornar atividades físicas exigentes, mas demonstraram má condição física.


Terceiro nível de classificação: Esta etapa envolve a classificação do paciente em uma das quatro categorias (manipulação, estabilização, exercício específico ou tração) de forma a direcionar o seu tratamento com base nos seus sinais/sintomas.


Subgrupos


Manipulação
O tratamento para esta categoria inclui tipicamente mobilização e/ou manipulação, bem como exercícios de amplitude de movimento. Os pacientes que se enquadram nesta categoria tipicamente seguem os seguintes critérios: início recente dos sintomas, os sintomas localizados apenas nas costas, hipomobilidade na coluna lombar, pontuações baixas no "Fear-avoidance belief questionnaire". Se o paciente se enquadrar na norma de orientação clínica para manipulação lombar.

Estabilização
O tratamento para esta categoria inclui exercícios que focam fortalecimento do tronco e/ou de controlo motor. Isto poderia incluir exercícios direcionados para o transverso abdominal e erctores da espinha bem como o reforço generalizado do tronco. Os pacientes que se enquadram nessa categoria normalmente seguem os seguintes critérios: mais jovens em idade, teste de instabilidade lombar positivo, movimentos aberrantes, SLR >90 graus, episódios recorrentes. Se o paciente se enquadrar na norma de orientação clínica para estabilização lombar.

Exercício específico
O tratamento para esta categoria inclui exercícios ou intervenções manuais que se concentram em centralizar e abolir sintomas do paciente. O tratamento mais comum incluiria uma forma de extensão lombar repetida e/ou mantida. Em alguns casos, exercícios de deslizamento lateral ou flexão repetida/mantida poderão ser mais indicados. Os pacientes que se enquadram nessa categoria tipicamente irão seguir os seguintes critérios: sintomas que irradiam para a extremidade inferior, uma forte preferência por ou estar sentado ou estar a caminhar, centralização e periferização com os movimentos repetidos da coluna lombar.

Tração
O tratamento para esta categoria inclui tração lombar manual e/ou mecânica. Os pacientes que se enquadram nesta categoria normalmente seguem os seguintes critérios: dor irradiada para o membro inferior, periferização dos sintomas com extensão, reprodução dos sintomas ao executar o SLR no membro sem sintomas.


Hebert JJ1, Koppenhaver SL, Walker BF. Subgrouping patients with low back pain: a treatment-based approach to classification. Sports Health. 2011 Nov;3(6):534-42.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Plano de exercícios para dor lombar

Aqui estão alguns exemplos de exercícios de reabilitação típicos para dor lombar.
Comece cada exercício lentamente. Se começar a ter dor interrompa o plano.
O seu médico ou fisioterapeuta irão dizer-lhe quando pode começar estes exercícios e quais deles irão funcionar melhor para si.
Faça Download do pdf para impressão, já com a descrição escrita dos exercícios.

1. Pressão com os cotovelos

2. Extensão de perna e braço alternados

3. Joelho ao peito 

 4. Movimento de tilt da pélvis

5. Alongamento dos ísquio-tibiais


6. Alongamento dos flexores da anca














Os cuidados de acompanhamento são uma parte fundamental do seu tratamento e segurança. Não deixe de comparecer a todos os tratamentos de fisioterapia agendados.

Faça Download do pdf para impressão, já com a descrição escrita dos exercícios.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Ter hérnia não significa ter dor!

A dor lombar tem uma alta prevalência nos países industrializados, afetando até dois terços dos adultos em algum momento da sua vida, sendo associada a altos custos em cuidados de saúde e a consequências económicas substanciais, devido à perda de produtividade associada à dor.

Nos estudos de imagem (RM e TC), cada vez mais utilizados na avaliação de pacientes com dor lombar, são frequentes descobertas como a degeneração do disco, hipertrofia das facetas, e protrusão discal, que são muitas vezes interpretadas como causas da dor nas costas, desencadeando intervenções clínicas e cirúrgicas, que, muitas vezes, não têm sucesso em aliviar os sintomas do paciente.

Em simultâneo, estudos demonstraram que os achados de degeneração da coluna vertebral encontrados nos exames de imagem, e associados à dor nas costas, também estão presentes numa grande proporção de indivíduos assintomáticos.

Assim, este estudo procurou estimar a prevalência, por idade, das condições degenerativas da coluna mais comuns em indivíduos assintomáticos através da realização de uma revisão sistemática de vários estudos publicados até abril de 2014.



Trinta e três artigos que relatam os achados de imagem para 3110 indivíduos assintomáticos preencheram os critérios de inclusão no estudo.

CONCLUSÕES:


Alterações degenerativas da coluna são observadas, e em altas proporções, em indivíduos assintomáticos, aumentando com a idade.

Isto permite considerar que muitas características degenerativas encontradas em exames de imagem (RM e TC) fazem provavelmente parte do envelhecimento normal e não estão directamente associadas a dor.


Como tal estes achados de imagem devem ser interpretados no contexto da condição clínica do paciente, nomeadamente da correcta e completa recolha da história clínica e da execução de uma avaliação física cuidada.



W. Brinjikji, P.H. Luetmer, B. Comstock, B.W. Bresnahan, L.E. Chen, R.A. Deyo, S. Halabi, J.A. Turner, A.L. Avins, K. James, J.T. Wald, D.F. Kallmes, and J.G. Jarvik. Systematic Literature Review of Imaging Features of Spinal Degeneration in Asymptomatic Populations. AJNR Am J Neuroradiol. 2014 Nov 27.


sábado, 6 de dezembro de 2014

Manipulação lombar no alívio da síndrome de dor patelofemoral

Objetivo:

Identificar os pacientes com síndrome de dor patelofemoral que provavelmente terão uma resposta positiva imediata à manipulação lombopélvica.


Norma:


  1. Diferença na rotação interna da anca menor do que 14º
  2. Dorsiflexão do tornozelo o joelho flexionado maior do que 16º
  3. Teste de queda do navicular maior do que 3 milímetros
  4. Sem rigidez após estar sentado 20 min
  5. O agachamento é a atividade mais dolorosa


Probabilidade de Sucesso: 

63% (2 ou + Variáveis), 94% (3 ou + Variáveis), 100% (4 ou + Variáveis)

Bibliografia

Iverson CA, et al. Lumbopelvic Manipulation for the Treatment of Patients With Patellofemoral Pain Syndrome: Development of a Clinical Prediction Rule. J Orthop Sports Phys Ther. 2008; 38(6): 297–312.
Crowell MS, et al. Lumbopelvic manipulation in patients with patellofemoral pain syndrome. J Man Manip Ther. 2012; 20(3): 113–120.

sábado, 29 de novembro de 2014

Exercícios de estabilização no alívio da dor lombar

Objetivo: 

Identificar pacientes com dor lombar que provavelmente irão responder favoravelmente a um programa de exercícios de estabilização orientado pelo fisioterapeuta.

Norma:

  1. Idade menor que40 anos
  2. Movimento de levantar a perna a direito maior do que 91 graus.
  3. Presença de movimento aberrante
  4. Teste de instabilidade lombar positivo


Probabilidade de Sucesso:

Não existe uma probabilidade de sucesso definida devido ao elevado número de variáveis estudadas e à falta de estudos com elevado grau de evidência.
No entanto é aceite pela generalidade dos estudos que a conjugação dos exercícios de estabilização com técnicas de terapia manual e exercícios de alongamento aumentam significativamente a probabilidade de sucesso do tratamento.

Bibliografia:

Hicks GE, Fritz JM, Delitto A, McGill SM. Preliminary Development of a Clinical Prediction Rule for Determining Which Patients With Low Back Pain Will Respond to a Stabilization Exercise Program. Arch Phys Med Rehabil. 2005; 86(9): 1753–1762.
Rabin A, Shashua A, Pizem K, Dickstein R, Dar G. A Clinical Prediction Rule to Identify Patients With Low Back Pain Who Are Likely to Experience Short-Term Success Following Lumbar Stabilization Exercises: A Randomized Controlled Validation Study. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy. 2014; 44(1): 6–18, B1–13.







domingo, 11 de agosto de 2013

Influência da banda iliotibial na dor lombar de uma corredora de longas distâncias – estudo de caso clínico

A síndrome de fricção da banda iliotibial, também conhecida como síndrome da banda iliotibial (SBIT) ou tendinite iliotibial, é uma condição comum nos corredores de longas distâncias e ciclistas, que envolve várias estruturas dos membros inferiores.

O músculo tensor da fáscia lata (TFL) tem origem na espinha ilíaca ântero-superior e no aspecto anterior do bordo externo da crista ilíaca e insere-se na banda iliotibial (BIT), uma bainha tendinosa que se estende a partir do músculo TFL e se insere tubérculo de Gerdy na tíbia.

Portanto, a BIT abrange duas articulações, a anca e o joelho. As ações da BIT e do TFL são abdução da perna e rotação medial e flexão da coxa. O TFL também ajuda a estabilizar o joelho quando é extendido, e estabiliza o tronco inferior.
Por a BIT atravessar duas articulações, distúrbios da cadeia cinemática na extremidade inferior podem levar a biomecânica pélvica anormal.

A BIT vai ficando mais retraída à medida que absorve as forças de reação ao solo e, portanto, afeta sobretudo aqueles que correm longas distâncias. À medida que os tecidos envolvidos respondem à demanda/stress extremos, a BIT, glúteo máximo, glúteo médio e TFL ficam mais retraídos. O encurtamento/retracção na BIT afetam a amplitude de movimento do joelho, o que limita a sua amplitude de rotação interna. Esta diminuição da rotação interna pode mudar a biomecânica da anca, pélvis e região inferior da coluna lombar na fase de ataque ao solo. Nesta fase, a extremidade inferior está em posição de cadeia cinética fechada e as forças são transmitidas a partir do pé para cima no corpo.

Comumente, a SBIT apresenta-se como dor na face lateral do joelho ou na anca, no entanto, este estudo de caso identifica um paciente com dor lombar e na sacroilíaca, para a qual a SBIT parece ser um diagnóstico apropriado.

Apresentação de caso clínico

  • Uma paciente com 38 anos, corredora, solicitou atendimento por dor lombar generalizada e dor na sacroilíaca direita, no mês de abril.
  • Estes sintomas começaram no outubro anterior, mas foram aliviando um pouco ao longo dos meses de inverno, quando a paciente reduziu a frequência dos seus treinos mais longos (16-24Km).
  • O seu treino consistia em 8 a 13 Km/dia, 3 a 4x semana, mais um ou dois treinos de fundo. Isto durante anos sem dificuldade e sem história de lesão traumática.
  • Quando, nesta primavera, voltou a participar em provas mais longas, a dor voltou e gradualmente piorou.
  • Em abril, pouco antes do início da dor na sacroilíaca e lombar, ela tinha sentido dor ocasional na lateral da anca e joelho 3/10.
  • Após 3 a 4 dias de anti-inflamatórios a dor aliviou. Quando começou a sentir dor na sacroilíaca e lombar, voltou a tomar os anti-inflamatórios, mas sem resultado.
  • A dor na sacroilíaca e lombar tornou-se aguda e penetrante e parecia ser mais grave num círculo de 8cm, com a espinha ilíaca direita posterior superior no centro (6/10). Depois a dor foi-se estendendo à parte inferior das costas, região lombossacral esquerda e anca direita (4/10). Em pé, a intensidade da dor aumentava para 7/10 e 5/10, respectivamente, e ao caminhar para 9/10 e 7/10, respectivamente.
  • Na avaliação postural, vista posterior, a crista ilíaca esquerda estava mais baixa, com uma rotação pélvica para a esquerda, e o ombro esquerdo mais alto. Na lateral observou-se anteriorização da cabeça.
  • A palpação revelou sensibilidade do processo espinhoso de L5 e sacroilíaca direita. Foi observada fixação da sacroilíaca direita em extensão à palpação com movimento.
  • Houve também uma leve sensibilidade à palpação sobre o grande trocânter do fémur direito, face lateral da coxa e do joelho. Foram encontrados pontos-gatilho no glúteo máximo e médio direitos e no TFL.
  • As amplitudes de movimento ativas da coluna lombar, tornozelos, joelhos e ancas eram normais e não dolorosas.
  • Os testes de Gaenslen, de Kemp e de Patrick causaram aumento da dor na SI lombar direita. O teste de Lasègue foi negativo. A compressão ilíaca posterior causou aumento da dor na SI direita.
  • A BIT estava retraída à direita e o teste de Ober deu positivo.
  • A paciente foi diagnosticada como tendo retracção da BIT, com subsequentes contracturas musculares na coluna lombar e sacroilíaca.


Tratamento

  • O tratamento consistiu em manipulação de alta velocidade e baixa amplitude da sacroilíaca (com a paciente em decúbito lateral), mobilização da coluna lombar e gelo aplicado na sacroilíaca direita por 15 minutos, após a manipulação.
  • Isto foi feito três vezes por semana, durante 2 semanas.
  • Foram prescritos alongamentos da coluna lombar, sacroilíaca, e BIT, uma vez por dia, para promover o movimento nas articulações fixadas. Especificamente, o programa de alongamento consistiu em exercícios como puxar o joelho ao peito, rotações pélvicas, alongamento em flexão lombar completa, e marchar com elevação do joelho.
  • Também foi instruída para não correr ou fazer longas caminhadas.
  • Embora se tenha sentido melhor, a dor voltou quando ela retomou um programa de caminhada, a partir da segunda semana.
  • A reavaliação ainda revelou retracção da BIT, com pontos de gatilho localizados nos glúteos máximo e médio direitos e TFL. Neste momento, o plano de tratamento foi modificado. A manipulação continuou tal como descrito anteriormente. Foi iniciada terapia de pontos-gatilhos no glúteo máximo, glúteo médio e TFL, seguido de alongamento dos extensores da anca. Massagem de fricção foi realizada ao longo da BIT especialmente na sua inserção no côndilo lateral. Os tratamentos continuaram duas vezes por semana, durante 2 semanas.
  • Após estes tratamentos a paciente foi orientada a alongar a BIT duas vezes por dia, como representado nas figuras 1 e 2.


  • A paciente parecia responder favoravelmente ao tratamento e voltou às caminhadas de cerca de 30 minutos. Na semana seguinte começou a correr, restringida a três vezes por semana, não mais de 3,2Km. Foi instruída a correr apenas em superfícies planas e a participar também em desportos multidirecionais, como ténis e basquete.
  • Após três semanas deste tipo de treinos voltou gradualmente aos seus treinos normais, sem sintomas.


Conclusão


A SBIT, como muitas outras condições de sobre uso, deve ser considerada como uma possível causa da dor lombar em corredores e ciclistas. Através de sistemas de transmissão da força, as forças são transmitidas a partir do pé para a parte inferior das costas. Portanto, qualquer funcionamento anormal dos membros inferiores, incluindo músculos, ligamentos, tendões e fáscia pode causar alterações biomecânicas da anca e resultam na fixação da sacroilíaca e lombar. 

Kasunich NJ. Changes in low back pain in a long distance runner after stretching the iliotibial band. J Chiropr Med. 2003 Winter;2(1):37-40.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dor lombar no pós parto - estudo de caso clínico


As fraturas por stress, ou fraturas de fadiga/insuficiência ocorrem quando o osso normal é colocado sob níveis de stress invulgarmente elevados.

As fraturas de stress do sacro são uma fonte muito pouco comum para a dor lombar e podem ser facilmente confundidas com várias outras condições clínicas observadas por um fisioterapeuta.

Durante a gravidez, a mãe tem de se adaptar não só às crescentes exigências metabólicas associadas ao feto, mas também ao aumento da tensão mecânica sobre as suas articulações. A verdadeira incidência das fraturas de stresse do sacro pos-parto não é conhecida, mas existem vários casos clínicos relatados na literatura.

O objetivo deste estudo é descrever o caso clínico de uma paciente com dor lombar pós-parto, ilustrando aspectos pertinentes do diagnóstico diferencial e problemas da gestão terapêutica.

Apresentação clínica

  • Mulher de 31 anos (160 cm de altura e 75 kg) foi encaminhada para fisioterapia pelo Médico de família
  • Queixa de dor do lado direito da lombar, há já 14 meses.
  • Nega parestesia ou anestesia.
  • Sintomas agravam se ficar de pé por 2h ou mais e se andar mais de 30 min.
  • Sintomas aliviam quando está sentada, deitada e quando puxa os joelhos ao peito.
  • Sem rigidez matinal, dor noturna, alterações de peso ou sintomas constitucionais.
  • Este episódio de dor lombar teve início durante o terceiro trimestre da gravidez da sua segunda filha, que tinha sido há 11 meses, um parto vaginal normal.
  • A dor persistiu após o nascimento e aumentou gradualmente em intensidade durante os últimos 6 meses.
  • A paciente associa os seus sintomas aos 20 kgs de peso ganho durante a gravidez e com a sua dificuldade em retornar ao seu peso pré-gravidez de 55 kgs.
  • A paciente apresentou-se ao médico de família quando a dor piorou, 6 meses após o nascimento. Este solicitou raios-X à coluna lombar e encaminhou para fisioterapia.
  • Da história clínica da paciente apenas consta um episódio de dor lombar semelhante durante a gravidez da sua primeira filha, 11 anos antes, que havia sido resolvida nos 4 meses após o parto.
  • A paciente fez uma Ressonância Magnética durante umas férias na Polónia, antes de iniciar o tratamento
  • Havia retornado ao trabalho a tempo parcial num bar, quatro semanas antes de iniciar fisioterapia.


Exame objectivo

  • Índice de massa corporal de 29,3 kg/m2 (índice de massa corporal normal entre 18.5 e 24.9 kg/m2)
  • Lordose lombar acentuada.
  • Teste single leg standing normal no lado esquerdo, mas no lado direito, embora livre de dor, foi associado a significativa flexão do tronco para o lado direito. A correção desse padrão reproduziu a sua dor lombar.
  • Amplitude de movimento ativa da coluna lombar ligeiramente reduzida em flexão e flexão lateral esquerda, reproduzindo a dor da paciente no final da amplitude.
  • Dor central no final de amplitude de extensão lombar.
  • Flexão lateral direita e rotação preservadas e sem dor.
  • Flexão lateral esquerda repetida melhorou a amplitude de movimento e os sintomas.
  • A avaliação da anca não provocou qualquer sintoma
  • Na mobilização acessória da coluna lombar os níveis L4/5 e L5/S1 apresentaram restrições de movimento.
  • Retração muscular do quadrado lombar direito e tensor da fáscia lata, bem como dos flexores da anca bilateralmente.
  • Nos testes de força muscular, de acordo com a escala de Oxford, a abdução da anca direita e extensão foram 3/5 e reproduziram a dor da paciente. A extensão e abdução da anca esquerda foram 4/5 e também reproduziram a dor da paciente.
  • Todos os outros testes de força muscular foram classificados como 5/5.
  • À palpação a paciente apresentava sensibilidade e dor sobre o lado direito do seu sacro, sobre o ligamento do grande dorsal direito, piriforme e quadrado lombar direito.
  • Dor nos testes de provocação para a articulação sacro-ilíaca.
  • Straight leg raise também foi positivo no lado direito.


Meios complementares de dignóstico

Radiografias e ressonância magnética à coluna lombar realizadas na altura foram descritas como normais. Na sua segunda visita, a paciente trouxe a ressonância magnética que havia feito quando em férias e foi revista pelo técnico radiologista.
Essa RM da coluna lombar mostrou significativo edema ósseo na face superior do sulco direito do sacro.

Encaminhamento

A paciente foi encaminhada para ortopedia para um novo parecer. Nova ressonância magnética pélvica foi realizada e confirmou a fratura de stress do sulco direito do sacro.

Tratamento

  • A paciente recebeu canadianas para reduzir a carga suportada e foi encaminhada para a equipa de Ortopedia.
  • Foi orientada pela ortopedia para descansar de todas as atividades agravantes dos sintomas por 2 semanas, particularmente estar em pé e caminhar durante longos períodos e, em seguida, gradualmente reintroduzir a marcha sem canadianas em distâncias que não provocassem desconforto.
  • A paciente foi atendida pelo fisioterapeuta após as primeiras 2 semanas de repouso e recebeu sete tratamentos ao longo dos 3 meses seguintes. O tratamento começou com aconselhamento e educação sobre a patologia e os prazos esperados para a recuperação. Técnicas de mobilização dos tecidos moles e alongamento foram usadas para tratar a retração muscular do quadrado lombar direito, tensor da fáscia lata e flexores da anca. Técnicas de terapia manual foram utilizadas para abordar restrição da amplitude de flexão, rotação e flexão lateral direita nos níveis L4/5 e L5/S1 encontrados no exame objetivo.
  • Quando a correção de postura observada no teste single leg standing deixou de provocar sintomas, iniciou-se treino de força para os músculos da anca e os padrões de movimento com défice foram reeducados. A paciente também iniciou um programa de ciclismo para ajudar na capacidade cardiovascular e perda de peso.

 Resultados
Três meses depois de iniciar a fisioterapia foi dada alta à paciente, que se apresentava sem dor e havia voltado a todas as anteriores atividades da sua vida diária, sem quaisquer dificuldades.

Conclusão

A dor lombar é comum durante e após a gravidez. Atendendo os longos tempos de espera e restrições económicas, em adição ao facto de a dor frequentemente desaparecer no período pós-parto, estudos de imagem não são regularmente realizados nesta população, o que significa que alguns pacientes que apresentam estas fraturas não são diagnosticados. É importante considerar fraturas de stress da pélvis nos diagnósticos diferenciais quando se avalia pacientes com dor lombar pós-parto para garantir uma melhor gestão do processo de reabilitação e retorno completo à vida ativa.


De Búrca N. Low back pain post partum - a case report. Man Ther. 2012 Dec;17(6):597-600.


terça-feira, 14 de maio de 2013

Teste de abdução resistida da lombar

Descrição
Este teste pretende avaliar se a articulação sacro-ilíaca ou a anca estão na origem da dor do paciente.
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Técnica
O paciente está de barriga para cima, com a perna testada estendida e abduzida a cerca de 30º. O examinador resiste a abdução. Produção de dor lombar é considerado um teste positivo e é indicativo de dor proveniente da articulação sacro-ilíaca.
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Precisão do teste
Este teste tem uma sensibilidade de 87% e uma especificidade de 100% na avaliação da disfunção da articulação sacro-ilíaca.



Teste de instabilidade lombar

Descrição
Este teste é utilizado para avaliar a probabilidade de um doente responder positivamente a um programa de estabilização da coluna vertebral.
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Técnica
Com o paciente deitado de bruços, com as pernas totalmente fora da marquesa, o fisioterapeuta aplica uma pressão posterior para anterior na coluna lombar. O paciente, então, levanta as pernas do chão. O examinador aplica pressão contra a coluna vertebral lombar novamente. A dor é registada inicialmente após a pressão e mais uma vez após as pernas do paciente estarem levantadas. O teste é considerado positiva se o paciente tem dor com pressão na posição de repouso, e a dor diminui na posição activa.
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Precisão do teste
Este teste tem uma sensibilidade de 72% e uma especificidade de 58% na previsão de sucesso de uma programa de exercícios de estabilização lombar em casos de dor lombar.


Teste Prone Knee Bending

Descrição
Este teste é utilizado para determinar a contribuição de uma possível tensão neural dos nervos L2-L3 nos sintomas do paciente.
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Técnica

O paciente encontra-se deitado de barriga para baixo. O fisioterapeuta flexiona passivamente ambos os joelhos do paciente e mantém-nos no máximo de alongamento por 45 segundos. Dor na região anterior da coxa pode indicar tensão no músculo quadricípite ou tensão neural do nervo femoral. Dor na região lombar unilateral, nádegas ou coxa posterior pode indicar radiculopatia lombar das raízes nervosas L2-L3.
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Teste de mobilidade postero-anterior da lombar

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar a mobilidade segmentar (normal, hipomobilidade, hipermobilidade) da coluna lombar e reproduzir a dor do paciente.
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Técnica 
O paciente deve estar deitado de barriga para baixo. O fisioterapeuta aplica uma força dirigida no sentido anterior de forma sustentada ou oscilatória diretamente sobre o processo espinhoso (utilizando o seu pisiforme como meio de contacto e o movimento do tronco para criar a pressão) de cada uma das vértebras lombares. O teste é considerado positivo se o paciente relatar reprodução da dor que sentia antes. A mobilidade do segmento deverá ser avaliada como normal, hipermobilidade ou hipomobilidade. O teste deve ser repetido para cada segmento lombar. 
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Precisão do teste
Este teste apresentou uma sensibilidade de 82% e uma especificidade de 81% no diagnóstico de hipermobilidade Coluna Lombar.



Fritz JM, Piva SR, Childs JD. "Accuracy of the clinical examination to predict radiographic instability of the lumbar spine." Eur Spine J 2005; 14:743-750. Epub 2005 July 27.



Outros testes para o exame físico da lombar e sacroilíaca



Teste de Quadrante Lombar


Descrição
Este teste utiliza-se para determinar se a coluna lombar é a fonte dos sintomas do paciente.
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Técnica
O paciente deve estar sentado, com os braços cruzados sobre o peito. O fisioterapeuta coloca a coluna lombar em hiperextensão (o examinador pode optar por manter a hiperextensão, colocando o joelho contra a coluna lombar), juntamente com a inclinação e rotação ipsilateral até ao final de movimento. De seguida o examinador aplica uma sobrepressão através dos ombros. O teste é considerado positivo se for reproduzida a dor que fez o paciente procurar tratamento.

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Outros testes para o exame físico da lombar e sacroilíaca