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sábado, 27 de outubro de 2012

Dor nas costas (dor lombar)


Como é constituída a sua coluna


A sua coluna vertebral é composta por 30 ossos colocados um sobre o outro, formando uma coluna. Cada um destes ossos é chamado de vértebra. Vista de lado, à medida que passa através da parte superior do peito, a sua coluna vertebral tem uma curvatura natural para a parte de trás do corpo (torácica), que é equilibrada por uma curvatura semelhante para a frente das vértebras inferiores (lombar) e superiores (cervical). Vista por trás a sua coluna vertebral deve estar perfeitamente alinhada e vertical.

  As articulações e os discos fibrosos entre as vértebras da sua cervical permitem-lhe inclinar, girar e dobrar o seu pescoço. As articulações e os discos entre as vértebras, sobretudo as da coluna lombar, permitem-lhe dobrar, girar e inclinar o tronco.
No entanto existem vários fatores que podem contribuir para o surgimento de dor na região lombar:

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Hérnia discal (Veja mais aqui)

Consiste numa rutura de um dos discos da coluna vertebral (“almofadas” de tecido fibroso entre as vértebras), e pode causar dor nas costas.


Alterações degenerativas na coluna (Veja mais aqui)

 À medida que os anos passam, os discos tornam-se mais achatados e menos flexíveis. Sem o amortecimento que estes discos normalmente fornecem, as articulações entre as vértebras pressionam firmemente uma contra a outra. Isto pode causar dor nas costas e rigidez.

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Osteoporose (Veja mais aqui)

 Com o avançar da idade, a quantidade de cálcio nos seus ossos diminui, diminuindo a sua densidade e tornando-os mais porosos e quebradiços - uma condição conhecida como osteoporose.



Contracturas musculares (Veja mais aqui)

As contracturas musculares são disfunções comuns, que afectam a fáscia e podem afectar um único músculo ou um grupo muscular inteiro. Formam-se pontos dolorosos (pontos específicos localizados no músculo que se assemelham a um nódulo e que são extremamente sensíveis à palpação).


Existem vários outros fatores que podem provocar dor lombar, como uma gravidez, ou doenças que não estejam relacionadas com o aparelho locomotor, pelo que o ideal, caso as dores nas costas se tornem mais frequentes, será que consulte o seu médico de família ou fisioterapeuta.
Pode ver aqui guidelines para o tratamento de dor lombar com origem no sistema musculo-esquelético. 


Contracturas musculares e dor miofascial

Distribuição de pontos dolorosos por frequência
Cerca de 50% do nosso peso corporal é constituído por tecido muscular, que está dividido em 400 músculos diferentes. Envolvendo e interligando todos esses músculos existe a fáscia muscular (uma fina camada de tecido conjuntivo). Portanto as contracturas musculares e a dor miofascial são disfunções comuns, que afectam a fáscia e podem afectar um único músculo ou um grupo muscular inteiro.
A dor miofascial surge devido à formação destes pontos dolorosos (pontos específicos localizados no músculo que se assemelham a um nódulo e que são extremamente sensíveis à palpação). Estes pontos, muitas vezes chamados pontos-gatilho consistem na contracção involuntária e permanente de algumas fibras de um feixe muscular, o que pode dar dor no próprio local ou dor referida noutra parte do músculo, devido à tensão excessiva aplicada sobre a fáscia muscular que recobre esse músculo.
A razão para o aparecimento desses pontos-gatilho ainda não é totalmente conhecida, mas sabe-se que alguns factores, como:
  • O stress psicológico
  • A falta de flexibilidade
  • A rigidez muscular
  • A má postura 
  • A fadiga generalizada

 aumentam a probabilidade de desenvolver um ponto-gatilho doloroso.
Embora alguns dos pontos-gatilho típicos na dor miofascial sejam os mesmos da fibromialgia, estas são duas entidades diferentes; a fibromialgia é um problema de dor generalizada crónica, não uma condição regional causada pelo surgimento de pontos gatilho específicos.
       Algumas das áreas mais comuns para desenvolver pontos-gatilho incluem: 

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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor e tensão localizadas num ponto muito específico do músculo, que agravam à palpação.
  • A presença de um nódulo muscular perceptível à palpação
  • A dor pode irradiar, principalmente quando o ponto-gatilho é pressionado
  • Limitação da amplitude de movimento e força muscular por dor

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do tecido muscular são geralmente suficientes para diagnosticar a dor miofascial e identificar os pontos-gatilho. No entanto, é importante notar que esta condição normalmente surge na sequência de outras patologias ou disfunções, pelo que a identificação e tratamento dessa causa subjacente da dor miofascial é essencial para garantir uma reabilitação óptima, com risco reduzido de recidivas.
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Tratamento

                A maioria dos pacientes com esta condição reage bem ao tratamento com fisioterapia. O primeiro objectivo do tratamento será identificar e tratar a patologia que está a causar o aumento da tensão miofascial e consequente formação de pontos-gatilho. Assim, poderão ser utilizadas:
  • Técnicas de correcção de desequilíbrios musculares, de fortalecimento e alongamento (como PNF e RPG)
  • Correcção de más posturas e reeducação postural activa, através de RPG.
  • Avaliação do padrão de marcha e aconselhamento sobre palmilhas de compensação para correcção de dismetrias ou de alterações morfológicas do tornozelo e pé.
  • Muitas vezes estas alterações são suficientes e não chega a ser necessário o trabalho directo sobre o músculo, no entanto, quando o é, poderão ser utilizadas as seguintes técnicas:
  • Ionização e aplicação de ultra-som
  • Massagem e mobilização dos tecidos afectados e a toda a extensão da fáscia
  • Alongamentos localizados dos músculos afectados
  • Estimulação eléctrica neuro-muscular, que terá melhores resultados se aplicada com um sistema de biofeedback.
  • A acupunctura poderá ser benéfica no alívio da dor localizada


Exercícios terapêuticos para a dor miofascial

Os seguintes exercícios poderão ser prescritos durante a reabilitação de dor miofascial, dependendo do músculo/grupo muscular afectado. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Alongamento activo dos isquio-tibiais
Em pé, com o calcanhar apoiado numa mesa e as costas alinhadas. Faça pressão sobre o joelho e incline o tronco ligeiramente à frente. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Alongamento do grande glúteo
Coloque-se apoiado nos cotovelos e joelhos. Avance o joelho da perna a alongar na direcção do ombro do lado contrário, o pé fica virado para dentro. Aproxime o mais possível o joelho do peito. Mantenha a posição durante 20 segundos
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 

Correcção postural da cervical e ombros
Em pé ou sentado, rode os ombros para trás e para baixo, enterre o queixo e imagine que tem uma linha a puxar-lhe o topo da cabeça. Mantenha esta posição durante 20 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Lavelle ED, Lavelle W, Smith HS. Myofascial trigger points. Anesthesiol Clin. 2007 Dec;25(4):841-51, vii-iii.
Tough EA, White AR, Cummings TM, Richards SH, Campbell JL. Acupuncture and dry needling in the management of myofascial trigger point pain: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. Eur J Pain. 2009 Jan;13(1):3-10.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Alterações degenerativas da coluna lombar

       
A coluna vertebral é composta por vários ossos conhecidos como vértebras, cada uma das quais com um grande buraco no centro. Como esses ossos estão dispostos uns sobre os outros, o alinhamento dos seus buracos forma o chamado canal medular, onde se aloja a medula espinhal. Este canal oferece protecção e espaço à medula espinhal e nervos, de forma à informação nervosa circular correctamente entre o cérebro e o resto do corpo.

Cada vértebra conecta-se com a vértebra acima e abaixo através de dois tipos de articulações: as articulações de cada lado da coluna vertebral (articulações inter-apófisárias) e o disco intervertebral central. Existem ainda pequenos buracos de cada lado da coluna vertebral, conhecidos como buracos de conjugação (ou intervertebrais). Estes estão localizados entre duas vértebras adjacentes e permitem que os nervos saiam do canal espinhal.
Com o tempo, pode ocorrer o desgaste ósseo, dos discos intervertebrais e das articulações, resultando em alterações degenerativas da coluna vertebral. Essas mudanças degenerativas podem incluir diminuição da altura do disco, a perda da cartilagem articular, estimulando espessamento do osso e a formação de esporões ósseos (osteófitos). À medida que estas alterações degenerativas se vão agravando o canal medular e os buracos de conjugação poderão estreitar-se e eventualmente colocar pressão sobre a medula espinhal e nervos, resultando numa variedade de sintomas característicos de compressão nervosa.
Estas alterações são comummente associadas ao processo normal do envelhecimento, no entanto, também podem ser causadas por infecções, tumores, tensões musculares, ou artrose.


Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Alterações degenerativas ligeiras poderão causar poucos ou nenhum sintoma. Conforme estas alterações se tornam mais graves, os pacientes podem sentir:
  • Dor lombar
  • Rigidez articular, principalmente de manhã ao acordar e depois de muito tempo sentado.
  • Se a degeneração das estruturas vertebrais for tão grave que cause compressão da medula espinhal ou dos nervos poderá sentir:
  • Dor, que agrava em actividades como andar ou estar parado de pé durante bastante tempo
  • Formigueiro, ardor ou dormência
  • Fraqueza muscular ou sensação repentina de perda de força
  • Todos estes sintomas podem ser sentidos tanto na lombar como ao longo dos membros inferiores.
  • Nos casos mais graves também pode ocorrer alteração da função da bexiga e dos intestinos e do desempenho sexual

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento da coluna lombar, da anca e da coxa, é necessária para ajudar ao diagnóstico de alteração degenerativa da coluna lombar. A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X à coluna lombar, no entanto, a ressonância magnética (RM) é o principal meio de diagnóstico, pois permite visualizar o disco intervertebral em detalhe, assim como o espaço dos buracos de conjugação e do canal medular. A tomografia computadorizada (TC) também pode ser utilizada.
No entanto, o diagnóstico de problemas na coluna vertebral, mesmo com a RM, pode ser complicado, devido a falsos positivos e a casos em que os resultados dos exames não se correlacionam bem com os sintomas do paciente.


Tratamento

O tratamento depende da gravidade e do tipo das alterações degenerativas. Felizmente, na maioria dos casos, as alterações degenerativas da coluna lombar não são suficientemente graves para exigir tratamentos invasivos, e nesses casos o objectivo primário do tratamento será manter-se tão activo quanto possível, sem agravar os sintomas, a fim de manter a força e a mobilidade da coluna, evitando o agravamento da sua disfunção. Poderá fazer:
  • Repouso das actividades que agravam os sintomas
  • O seu médico poderá prescrever analgésicos orais
  • Fisioterapia para fortalecer os músculos lombares e abdominais e para melhorar a flexibilidade e amplitude de movimento.
  • Modificar actividades e posturas de forma a manter-se activo, sem agravar os sintomas.

Além disso, procedimentos minimamente invasivos, como a administração epidural de cortico-esteróides ou analgésicos, provocam alívio temporário da dor, tornando o trabalho da fisioterapia mais produtivo em pacientes com dor severa. Este tipo de procedimentos irá proporcionar alívio dos sintomas à grande maioria dos pacientes, no entanto a probabilidade de estes voltarem 1-2anos após o tratamento é significativa.
A cirurgia pode vir a ser necessária em alterações graves. A cirurgia é indicada em pacientes com dor crónica severa, alterações neurológicas graves, e afecção do funcionamento da bexiga e intestinos. Além disso, a cirurgia pode ser considerada em pacientes que não responderam ao tratamento menos invasivo e em pacientes que apresentam uma anomalia que pode ser corrigida de forma efectiva pela cirurgia.
Os procedimentos cirúrgicos variam dependendo do tipo e da gravidade da alteração. Em alguns pacientes, uma hérnia discal pode ser corrigida cirurgicamente para restaurar a sua estrutura anatómica normal. Em outros pacientes, com estenose do canal vertebral ou em que o disco está a causar pressão sobre o nervo, devem ser removidos o disco ou o osso que estão a causar essas lesões. A lacuna deixada pela remoção desses tecidos é então compensada por um processo chamado de fusão espinal, em que dispositivos metálicos são utilizados para estabilizar a coluna e, em seguida excertos ósseos retirados de outra parte do corpo ou de um banco de ossos são implantados para incentivar o crescimento ósseo nessa área. Os resultados da cirurgia são geralmente muito bons e a maioria dos pacientes retorna à função normal em questão de semanas.

Exercícios terapêuticos para alterações degenerativas lombares

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de alterações degenerativas lombares. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas

Posição de congruência das facetas articulares
Deitado, apoie-se nos cotovelos. Mantenha a posição durante 30 a 90 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 2 a 4 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Flexão/extensão da coluna vertebral
De joelhos, apoiado nas palmas das mãos, que estão alinhadas com os ombros. Inspire fundo, enquanto deixa a coluna arquear em direcção ao chão e roda a cabeça para a frente. Expire completamente, enquanto contrai os abdominais e enrola a coluna e pescoço.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 

Rotação da coluna lombar
Deitado, com os joelhos dobrados e os braços ao longo do corpo. Rode ambas as pernas para um lado, depois para o outro.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.



Roh JS, Teng AL, Yoo JU, Davis J, Furey C, Bohlman HH. Degenerative disorders of the lumbar and cervical spine. Orthop Clin North Am. 2005 Jul;36(3):255-62.
Jegede KA, Ndu A, Grauer JN. Contemporary management of symptomatic lumbar disc herniations. Orthop Clin North Am. 2010 Apr;41(2):217-24. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dor ciática

A dor ciática não é uma patologia em si, mas apenas um conjunto de sintomas (uma síndrome), que pode ser causado por inúmeras condições. Estes sintomas resultam da compressão do nervo ciático próximo à sua origem (entre a região lombar e a região glútea) e envolvem dor que começa nas costas e irradia para baixo pela face posterior da perna/s. O termo médico para esta síndrome é compressão de raízes nervosas aguda ou radiculopatia.
A compressão do nervo provoca isquémia do tecido nervoso, devido à falta de oxigénio e pobre irrigação sanguínea, levando a uma falha na comunicação entre o cérebro e as partes do corpo correspondentes ao nervo comprimido. No caso da compressão do nervo ciático poderá experienciar os sintomas apenas na parte de trás da coxa, mas também poderá irradiar para a parte dianteira do joelho ou percorrer toda a região posterior da barriga da perna e pé.
A dor ciática geralmente é desencadeada por um movimento a que se atribui pouca importância, como curvar-se para apanhar algum objecto, e caracteriza-se pela gravidade dos seus sintomas, muitas vezes impedindo o paciente de se movimentar normalmente. Isto normalmente obriga a uma intervenção precoce, no entanto, se a compressão do nervo se prologar no tempo, tecido fibroso irá formar-se em volta do local da compressão, podendo levar a uma perda permanente da função do nervo afectado.
A dor ciática pode ser causada por uma hérnia discal lombar, por alterações degenerativas da coluna lombar, por estenose docanal medular, por espondilolise e espondilolistese ou por síndrome do piramidal. Outras causas menos comuns são tumores, infecções e fracturas.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor lombar aguda (nem sempre presente, especialmente na síndrome do piramidal)
  • Dor que irradia para a perna. Essa dor pode ser aguda e acompanhada de formigueiros e/ou dormência
  • A dor pode agravar quando se senta/levanta, tosse ou espirra
  • Dor geralmente alivia quando está deitado de barriga para cima e está sempre melhor pela manhã, após uma noite de descanso
  • Pode haver espasmo muscular na região lombar e sensibilidade ao toque nessa região.

O diagnóstico é orientado para descobrir qual é a disfunção que está a causar a compressão do nervo ciático e consequentemente todos os sintomas. Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica, exame motor completo, exame neurológico e vascular dos membros inferiores são necessários para excluir possíveis causadores de dor ciática. 
A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X à coluna lombar, no entanto, a ressonância magnética (RM) é o principal meio de diagnóstico, pois permite visualizar o canal medular em detalhe, assim como o espaço dos buracos de conjugação e o disco intervertebral.
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Tratamento

     
Numa fase inicial, em que os sintomas estão bastante exacerbados o tratamento deve incluir:
  • Repouso no leito, se necessário, numa posição que seja confortável
  • O seu médico pode prescrever medicamentos anti-inflamatórios não-esteróides, como o ibuprofen. Estes devem sempre ser tomados sob a orientação de um médico e nunca se o paciente tiver asma
  • A aplicação de calor local ou um banho quente pode ajudar a aliviar os espasmos musculares
  • O uso de um colete ortopédico pode dar um suporte adicional nas fases iniciais
       Após a fase aguda devem ser realizados todos os testes e avaliações necessários para diagnosticar qual a origem dos sintomas e prosseguir com o tratamento mais adequado para cada um dos casos (hérnia discal lombar; alterações degenerativas da coluna lombar; estenose do canal medular; espondilolise e espondilolistese; síndrome do piramidal).

Exercícios terapêuticos para a dor ciática

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação da dor ciática. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Posição de congruência das facetas articulares
Deitado, apoie-se nos cotovelos. Mantenha a posição durante 30 a 90 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 2 a 4 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 Alongamento do grande glúteo
Coloque-se apoiado nos cotovelos e joelhos. Avance o joelho da perna a alongar na direcção do ombro do lado contrário, o pé fica virado para dentro. Aproxime o mais possível o joelho do peito. Mantenha a posição durante 20 segundos
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



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Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Strayer A. Lumbar spine: common pathology and interventions. J Neurosci Nurs. 2005 Aug;37(4):181-93.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Hérnia discal lombar

A coluna vertebral é composta por muitos ossos, chamados vértebras, que estão alinhadas umas sobre as outras desde a base das costas à base da nuca. Entre cada duas vértebras existe um disco intervertebral, que permite que a coluna seja bastante flexível. O disco tem uma parte mais forte fibrosa externa chamada anel fibroso e uma parte mais macia meio gelatinosa interna chamada núcleo pulposo.
Numa hérnia discal o que acontece é que parte da matéria interna mais macia do disco (núcleo pulposo) se desloca para fora devido a uma fraqueza na parte externa do disco. A saliência que se forma poderá pressionar as estruturas circundantes, como os nervos provenientes da medula espinhal e que saem nos espaços laterais entre cada duas vértebras, causando sintomas neurológicos que variam na região dependendo do nervo afectado. 

Um exemplo típico é a dor ciática, resultado da compressão do nervo ciático. Por norma, quanto maior a hérnia, mais graves os sintomas tendem a ser.
Qualquer disco na coluna vertebral pode sofrer uma hérnia, no entanto, estas são mais comuns na parte lombar da coluna vertebral, entre as vertebras L4-L5 e L5-S1.
As crises de dores nas costas são muito comuns. No entanto, menos de 1 em cada 20 casos de dor aguda (início súbitonas costas são devidos a hérnia discal. A idade mais comum para desenvolver uma hérnia discal está entre os 30-50 anos, e os homens são duas vezes mais afectados que as mulheres.
Ainda não é claro o porquê de algumas pessoas desenvolverem hérnias discais e outras não, mas alguns factores de risco incluem: um trabalho que envolve muita elevação de pesos, ou muito tempo sentado (principalmente a conduzir), desportos que envolvam elevação de peso ou rotações repetitivas do tronco, tabagismo, obesidade e aumento da idade (o disco vai acumulando alterações degenerativas ao longo dos anos).
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor lombar: geralmente surge de repente, é aliviada pela posição deitada, e é muitas vezes agravada ao mover as costas, tossir ou espirrar.
  • Dor na região enervada pela raiz nervosa comprimida, geralmente dor ciática.
  • Poderá sentir formigueiro, dormência ou fraqueza numa das nádegas, perna ou pé. O local exacto e o tipo dos sintomas dependem do nervo que é afectado.
  • Síndrome da cauda equina (rara, mas deve ser tratada como uma emergência médica) os nervos na parte inferior da medula espinhal são pressionadas. Esta síndrome pode causar dor lombar e alterações da função dos esfíncteres anal e uretral, dormência em sela (ao redor do ânus), e fraqueza em uma ou ambas as pernas. Esta síndrome precisa de tratamento urgente de forma a evitar que os nervos da bexiga e do intestino fiquem permanentemente danificados.

Algumas pessoas não têm quaisquer sintomas. Os estudos demonstram que os sintomas de hérnia discal estão intimamente relacionados com a compressão da raiz nervosa e isso não acontece em todos os casos de hérnia discal, logo existem muitas que se mantêm assintomáticas.
Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica, exame da coluna lombar e pélvis, exame neurológico e vascular dos membros inferiores são necessários para ajudar no diagnóstico de hérnia discal. A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X à coluna lombar, no entanto, a ressonância magnética (RM) é o principal meio de diagnóstico, pois permite visualizar o disco intervertebral em detalhe, assim como o espaço dos buracos de conjugação e o canal medular.
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Tratamento

          
Na maioria dos casos, os estudos de RM têm demonstrado que a parte saliente da hérnia discal tende a regredir ao longo do tempo. Os sintomas tendem então a aliviar, muitas vezes desaparecendo sem qualquer tratamento específico. Em apenas cerca de 1 em 10 casos, a dor mantém-se grave e limitativa após seis semanas. Nesses casos o tratamento inclui:
Manter-se activo e plano de exercícios terapêuticos
No passado, o conselho era para descansar até que a dor aliviasse. Sabe-se agora que isso não é o mais adequado. Continuar com as actividades normais na medida do possível torna a recuperação mais rápida e diminui a probabilidade de desenvolver dor crónica. Como regra, não faça nada que cause muita dor. No entanto, terá que aceitar algum desconforto numa fase inicial. Não há nenhuma evidência que comprove que um colchão firme é melhor do que qualquer outro tipo de colchão para as pessoas com dor nas costas, mas deve escolher uma posição para dormir que mantenha a sua coluna em posição neutra.
Um plano de exercícios terapêuticos deverá ser elaborado pelo seu fisioterapeuta de forma a melhorar a função dos músculos que dão suporte à coluna e estimular o trabalho dos estabilizadores. Uma hérnia pode deslocar-se em vários sentidos e com vários graus de gravidade, pelo que é importante ter um diagnóstico exacto antes de começar qualquer intervenção terapêutica.
Os benefícios das mobilizações e manipulações são bastante discutíveis e muitas vezes os resultados obtidos não são os esperados, no entanto técnicas de massagem, aplicação de calor e electroterapia (TENS) e técnicas de McKenzie para relaxamento e libertação de estruturas musculares e fasciais que estejam tensas ajudam a aliviar os sintomas.
Medicação
Deverá aconselhar-se com o seu médico antes de iniciar qualquer medicação. Nos casos de dor persistente a medicação analgésica, quando tomada de uma forma regular durante um período determinado de tempo poderá ajudá-lo a manter-se activo.
O paracetamol é geralmente suficiente se tomado de forma regular. Para um adulto, isto significa 1000 mg (geralmente dois comprimidos de 500 mg), quatro vezes ao dia.
Analgésicos anti-inflamatórios. Algumas pessoas acham que estes funcionem melhor do que o paracetamol. Eles incluem o ibuprofeno, o diclofenaco ou naproxeno.
Um relaxante muscular, como o diazepam é prescrito às vezes por alguns dias, se os músculos das costas estiverem muito tensos e desencadearem a dor.
Cirurgia
A cirurgia pode ser uma opção em alguns casos. Como regra, a cirurgia pode ser considerada se os sintomas não aliviaram após cerca de seis meses. O objectivo da cirurgia é remover a parte herniada do disco. Isso muitas vezes atenua os sintomas. No entanto, não funciona em todos os casos. Também, como com todas as operações, há o risco da cirurgia. Deverá aconselhar-se com um especialista sobre os prós e contras da cirurgia, e as diferentes técnicas que estão disponíveis.

Exercícios terapêuticos para as hérnias discais lombares

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma hérnia discal lombar. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Posição de congruência das facetas articulares
Deitado, apoie-se nos cotovelos. Mantenha a posição durante 30 a 90 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 2 a 4 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.





 Extensão da coluna lombar.
Deitado, com as palmas das mãos apoiadas ao nível dos ombros. Estique progressivamente os braços, olhando em frente. Mantenha a bacia assente no chão. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 





Alongamento lombar posterior
Deitado, com os joelhos dobrados. Agarre os joelhos com ambas as mãos e puxe-os suavemente em direcção ao peito. Mantenha a posição durante 20 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


  
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Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.