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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

As 5 principais neuropatias nos membros inferiores: Anatomia e Ressonância Magnética

Embora os nervos possam ser lesados em qualquer lugar ao longo do seu percurso, a compressão nervosa periférica ocorre mais em locais específicos, como locais onde o nervo percorre túneis fibro-ósseos ou fibromusculares ou penetra nos músculos.

Tipicamente, o diagnóstico baseia-se na combinação de história clínica, exame físico e estudos eletrodiagnósticos. No entanto, estas informações podem ser insuficientes para fazer um diagnóstico preciso, e a imagem está a ser usada com frequência para confirmar diagnósticos.

A ressonância magnética (RM) e a ultrassonografia de alta resolução (US), como técnicas não-invasivas, fornecem valiosas informações espaciais ao fazer distinções diagnósticas importantes que não podem ser facilmente realizadas usando outros métodos existentes.

Embora ambos permitam a visualização anatómica direta, identificação da causa e localização de anormalidades primárias, a RM evidencia anormalidades de sinal dentro do próprio nervo e é considerada superior na delineação dos sinais indiretos associados à desnervação muscular.

A intensidade do sinal de um nervo normal na RM é de intermédia a baixa nas sequências ponderadas em T1, tornando-se ligeiramente mais alta em T2 e outras sequências sensíveis a fluidos.

Um sinal hiperintenso do músculo desnervado é geralmente associado a síndrome compressiva aguda, e a infiltração de gordura e atrofia muscular são os sinais de neuropatia crónica, em casos de longa duração.

Nervo ciático

A compressão do nervo ciático pode ocorrer na região da anca e, menos comumente, na coxa, e as apresentações clínicas são baseadas no nível da lesão.

A neuropatia ciática pode resultar de condições tais como compressão fibrosa ou muscular, compressão vascular, cicatrização relacionada com trauma ou radiação, tumores e neuropatia hipertrófica. A Síndrome do piramidal é um diagnóstico controverso, mas muitas vezes pensa-se estar relacionado com a compressão do nervo ciático.

A ressonância magnética pode mostrar variações na anatomia, hipertrofia muscular, bem como sinal anormal do nervo ciático.



Nervo Peroneal Comum

O impacto no nervo peroneal comum pode ocorrer ao nível da cabeça do peróneo, pela sua localização superficial, ou à medida que se desloca profundamente para a origem do músculo longo peroneal.

As etiologias da neuropatia peroneal comum podem incluir mononeurite idiopática, lesões intrínsecas e extrínsecas ocupantes de espaço, incluindo um quisto ganglionar intraneural ou lesão traumática do nervo, especialmente relacionada com fraturas proximais do perónio. Clinicamente, os pacientes podem sofrer dor no local da compressão, com sinais de pé pendente.

A RM é indicada para descrever a localização e a causa da compressão do nervo e avaliar o estágio da neuropatia (indicada pela denervação precoce do músculo ou alterações posteriores como atrofia).


Nervo tibial

A síndrome do túnel do tarso é uma neuropatia de compressão bem conhecida do nervo tibial posterior. Etiologias comuns incluem fibrose pós-traumática devido a fratura, tenossinovite, quistos ganglionares, lesões que ocupem espaço e veias dilatadas ou tortuosas.

A maioria dos pacientes com síndrome do túnel do tarso tem dor, ardor e parestesia ao longo da face plantar do pé e dedos.
A RM é útil para localizar patologias dentro do túnel do tarso e descrever a extensão da lesão e relação com o nervo.

A compressão do nervo tibial proximal é incomum. Ocorre quando o nervo tibial proximal passa sob a fossa tendinosa na origem do músculo solear. A apresentação clínica inclui dormência, parestesias na sola do pé e dor na face posterior da perna.

A RM é útil na deteção do aumento da intensidade do sinal em T2 do nervo, bem como na alteração do sinal nos músculos gastrocnémio e solear desnervados.


Nervo Interdigital

A causa mais comum para o neuroma de Morton é o stresse mecânico repetitivo com fibrose perineural subsequente, mas outras possibilidades incluem isquemia e compressão do nervo por uma bolsa intermetatarsal inflamada e aumentada.

Mais frequentemente ocorre entre o segundo e terceiro espaços intermetatarsais, muitas vezes associado à bursa intermetatarsal.


A aparência da ressonância magnética do neuroma de Morton é característica, tipicamente manifestada como uma massa de tecido mole em forma de lágrima, com sinal aumentado em ambas as imagens ponderadas em T1 e T2 entre as cabeças metatarsais.



Dong QJacobson JAJamadar DAGandikota GBrandon CMorag YFessell DPKim SMEntrapment neuropathies in the upper and lower limbs: anatomy and MRI features. Radiol Res Pract. 2012;2012:230679. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Variações na Inervação da Cabeça Longa do Tríceps braquial: investigação em cadáver

Embora os principais livros de anatomia não descrevam outra inervação para a cabeça longa do tríceps que não seja o nervo radial, em alguns estudos de cadáveres ocorreram casos em que o ramo motor da cabeça longa do tríceps surgia do nervo axilar.

Para além disso os cenários clínicos de lesão do nervo axilar com disfunção inesperada do tríceps braquial suportam esses estudos.

O nervo radial tem origem no cordão posterior do plexo braquial, na bifurcação com o nervo axilar. Este nervo transporta as fibras nervosas das raízes de C5 a T1, enquanto o nervo axilar transporta fibras de raízes nervosas predominantemente de C5 e C6.

O nervo axilar é conhecido por ser o suprimento motor apenas para os músculos redondo menor e deltóide.
O redondo menor, com origem na escápula e inserido no úmero, forma a borda superior do espaço quadrangular - um marco anatómico e espaço implicado em algumas síndromes de disfunção do ombro.

A borda do úmero forma a borda lateral do espaço quadrangular, o músculo redondo maior forma a borda inferior e a cabeça longa do tríceps forma a borda medial. O espaço quadrangular é utilizado como marco para identificar a artéria umeral circunflexa posterior e o nervo axilar após a saída da axila.

Depois de atravessar o espaço quadrangular, o nervo axilar pode dividir-se em ramos anterior e posterior, se ainda não o tiver feito. O curso exato do nervo axilar após sair do espaço quadrilateral provou ser bastante variável.


Neste estudo, 8 dos 22 ombros dissecados tinham inervação exclusiva pelo nervo radial para a cabeça longa do tríceps, padrão de inervação clássico. Entretanto, 14 dos 22 espécimes apresentaram padrões nervosos diferentes do padrão clássico. Dos padrões “não-clássicos”, 11 revelaram inervação dupla (axilar e radial) e três tinham apenas enervação axilar.


Ao analisar os dois ombros de 10 cadáveres, verificaram que 3 tinham inervação dupla bilateralmente, 5 tinham inervação dupla de um lado e inervação radial do outro, e 1 tinha enervação radial em um lado e axilar no lado oposto, e apenas 1 cadáver tinha inervação radial bilateral.


Erhardt AJFutterman BVariations in the Innervation of the Long Head of the Triceps Brachii: A Cadaveric Investigation. Clin Orthop Relat Res. 2016 Nov 9. 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Teste de compressão do carpo

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar pacientes com suspeita de síndrome do túnel cárpico.


Técnica
Com o braço do paciente em supinação, o examinador aplica pressão com os dedos sobre o nervo mediano no interior do túnel do carpo. Este situa-se imediatamente após a prega do punho. O teste é considerado positivo quando o paciente se queixa de dormência e formigueiro na distribuição do nervo mediano em menos de 30 segundos. O examinador deve registar o tempo de início dos sintomas.

Precisão do teste
Num estudo inicial este teste apresentou uma sensibilidade de 87% e uma especificidade de 90%  no diagnóstico da síndrome do túnel do carpo. Num estudo mais recente a sensibilidade foi de 52,5% e a especificidade de 61,8%.


Durkan JA. "A new diagnostic test for carpal tunnel syndrome." J Bone Joint Surg AM 1991 April; 73(4): 535-538.

Kaul MP, Pagel KJ, Wheatley MJ, Dryden JD. "Carpal compression test and pressure provocative tests in veterans with median-distribution paresthesias." Muscle Nerve 2001 January; 24(1): 107-111.


Outros testes para avaliar o punho e a mão


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Teste de tensão neural do membro superior (ULNT) - nervo radial

Descrição
Este teste é utilizado para avaliar se a tensão neural é um factor causador dos sintomas do paciente.
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Técnica
O paciente está deitado de barriga para cima, em posição diagonal em cima da marquesa, com o ombro fora da borda da marquesa. O fisioterapeuta está virado para os pés do paciente e usa mais próxima do paciente para deprimir o ombro. Deve usar a outra mão para agarrar a mão da paciente e colocar o braço a 10º de abdução e o cotovelo totalmente estendido. De seguida deve rodar medialmente o ombro, fazer pronação do antebraço e flexão do punho e dedos. Depois abduzir o ombro até que os sintomas neurais sejam reproduzidos. Se a dor/sintomas piorarem quando o paciente afastar a cabeça do lado a ser testado e abrandar quando junta a cabeça ao ombro do membro superior em teste terá um teste positivo.
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Outros testes para a coluna cervical


terça-feira, 21 de maio de 2013

Síndrome de compressão anterior do nervo peronial - estudo de caso clínico


Este estudo de caso surge no contexto da observação clínica do autor, que identificou muitas vezes ao longo dos anos um conjunto de sintomas (síndrome) dolorosos no joelho replicado em vários indivíduos, e confundido frequentemente com a tendinopatia do rotuliano.

O autor propõe que esta nova síndrome deve ser considerada como uma entidade própria, havendo a necessidade de um diagnóstico diferencial específico desta condição clínica.

De seguida apresenta um dos casos clínicos revistos, assim como a proposta e justificação para o diagnóstico diferencial, e a sugestão de tratamento.

Apresentação do Caso Clínico

  • Um jovem de 28 anos, carpinteiro.
  • Veio a consulta por dor no tendão rotuliano.
  • Não foi referido por médico.
  • A dor, embora não fosse grave o suficiente para o impedir de trabalhar, praticar desporto ou fazer as suas atividades diárias, era muito irritante para o paciente
  • Começou há um ano, sem qualquer trauma, ao subir umas escadas, e localiza-se no bordo lateral e proximal do tendão rotuliano
  • Neste caso específico, não foi relatada nenhuma outra dor.
Observou-se no exame físico:
  • Aumento do tónus do músculo peroneal
  • Restrição da neurodinâmica nervo peroneal (Butler, 2005)
  • Subluxação dorsal do osso cubóide, tal como descrito por Mooney e Maffey-Ward (1994).

O tratamento inicial consistiu em:
  • Uma manipulação no sentido plantar do cubóide.

  • Não foi sentida hipomobilidade ou hipermobilidade após a manipulação.
  • Os testes de neurodinâmica estavam agora simétricos em ambas as pernas.
  • Mas ainda havia um ligeiro aumento do tónus dos músculos peroniais. Portanto, o paciente aprendeu a alongar os músculos peroniais.
  • Imediatamente após o tratamento, o paciente não sentia qualquer dor a subir as escadas.
  • A conversa telefónica com o paciente, 3 meses mais tarde, revelou que ele tinha ficado livre de dor após o tratamento.

Quando há dor normalmente associada a um diagnóstico provisório de tendinopatia rotuliana, e se verifica uma melhoria imediata e mantida após esta manipulação torna o diagnóstico de tendinopatia rotuliana menos provável. Em contraste, a síndrome de compressão anterior do nervo peronial, tal como apresentada no presente caso, é o diagnóstico mais provável.

Apresentação típica deste tipo de paciente

  • Quando consultado por um médico, o paciente geralmente apresenta-se com um diagnóstico de tendinite, tendinose, ou tendinopatia rotuliana.
  • A dor é geralmente descrita como uma sensação de queimação localizada sobre a face lateral tendão rotuliano, às vezes irradiando para os músculos peroniais.
  • Os sintomas são geralmente intermitentes e agravados por atividades físicas, principalmente ao correr e, por vezes, subir e descer escadas.
  • O alongamento em flexão plantar com inversão também pode agravar os sintomas.
  • O paciente pode ter tentado outros regimes de tratamento, incluindo anti-inflamatórios não-esteróides, exercícios de fortalecimento excêntrico, terapia de ultra-som e massagem de fricção transversal, mas obtêm apenas uma melhoria temporária e limitada.
  • Finalmente, não há geralmente perda de sensação ou parestesia.


Embora um pouco de dor possa ser reproduzida por palpação noutros lugares ao redor do bordo lateral da inserção proximal do tendão rotuliano a dor associada a esta síndrome é sempre reprodutível precisamente nessa área específica, por palpação.
Esta parece ser a característica mais saliente. Em contrapartida, no caso da tendinopatia rotuliana, a dor não é especificamente desencadeada por palpação do aspecto lateral do tendão.
O médico vai notar um tónus muscular aumentado no compartimento lateral a perna.
Normalmente a neurodinâmica (Butler, 2000) do nervo peronial encontra-se alterada.
Não há nenhuma sensação ou perda motora, reflexos osteotendinosos estão normais, os testes ligamentares e meniscais estão também normais, eversão resistida e flexão plantar sobrepressão são, por vezes, dolorosos
Os resultados dos movimentos acessórios irão revelar uma das seguintes opções: 
  • Subluxação tibioperonial superior 
  • Subluxação tibioperonial inferior 
  • Subluxação do cubóide sem direção preferencial de subluxação.

No geral, a articulação tibioperonial inferior parece ser a menos frequentemente afetada.

Assim, nesta síndrome temos sempre uma tríade de sintomas:
  1. Um ponto doloroso exacto, bordo lateral da inserção proximal do tendão rotuliano,
  2. Hipertonicidade muscular peronial,
  3. Algum grau de subluxação tibioperonial ou do cubóide, baseado na avaliação de movimentos acessórios e testes fisiológicos passivos descritos por Maitland e Kaltenborn.

Tratamento

  • O tratamento inicial consiste numa manipulação de alta velocidade de pouca amplitude da articulação subluxada, reavaliando a mobilidade articular após manipulação. O tónus muscular peronial será sempre menor após uma manipulação com sucesso.
  • Se houver dor ao caminhar ou subir escadas, o efeito é geralmente imediato, e a atividade será agora indo
  • lor ou subjetivamente muito melhor. A manipulação do cubóide e articulações tibioperoniais estão descritas na literatura referenciada.
  • Se o movimento ultrapassar os limites anatómicos após a manipulação normal, então deve ser aplicada ligadura com tape de suporte.
  • Exercícios de neurodinâmica também são ensinados ao paciente para garantir a mobilidade normal das estruturas neurais.
O foco nas próximas sessões do tratamento será restaurar a mobilidade normal articular, tónus muscular peronial normal, neurodinâmica normal, e eliminar qualquer dor residual no tendão rotuliano.
Normalmente, tudo já está normalizado na segunda visita. No entanto, mobilização articular, exercícios de alongamento muscular e neurodinâmico podem ainda ser necessários.

Geralmente, o tratamento é altamente eficaz, mas se houver dor persistente mesmo depois do tratamento descrito em seguida, existe a possibilidade de haver uma tendinopatia real. O regime de tratamento deve, então, ser alterado em conformidade, sendo fundamental o fortalecimento excêntrico do quadricípite.

Conclusão

Após uma nova síndrome de dor ter sido descrita, bem como uma proposta de tratamento, e a razão do diagnóstico diferencial para tendinopatia rotuliana, muitos entusiastas de desporto poderão beneficiar com este diagnóstico. 

Se identificada corretamente, o tratamento pode ser direcionado para as estruturas corretas com as modalidades de tratamento adequadas, que garantam aos pacientes um rápido retorno às suas ocupações anteriores, sem dor e sem tratamentos indevidos.

Investigações futuras devem envolver outros fisioterapeutas testando a tríade de sintomas proposta dentro de um grupo de pacientes diagnosticados com tendinopatia rotuliana, a fim de identificar que percentagem desses pacientes corresponde os critérios apresentados neste trabalho, bem como a eficácia relativa da proposta de tratamento, em comparação com um grupo de controlo, que tornem possível constatar a existência da síndrome sugerida.


Rousseau E. The anterior recurrent peroneal nerve entrapment syndrome: A patellar tendinopathy differential diagnosis case report. Man Ther. 2012 Oct 24.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Teste de compressão do nervo cubital

Descrição
 O nervo cubital passa em frente à cabeça medial do tricípite braquial e no sulco ósseo no úmero (do túnel cubital). Estende-se a partir do epicôndilo medial ao olecraneo, perpendicular à aponevrose do flexor cubital do carpo. O objetivo deste teste é determinar a presença da síndrome do túnel cubital.
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Técnica
O paciente está em pé e o examinador flexiona passivamente o cotovelo a testar a cerca de 20º. De seguida, o examinador aplica uma firme pressão sobre o nervo cubital imediatamente proximal ao canal cubital e mantém essa pressão durante 60 segundos. O teste é considerado positivo se o paciente relata dormência e/ou formigueiro no trajeto do nervo cubital (aspecto cubital da mão).
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Precisão do teste
Este teste tem uma sensibilidade de 89% e uma especificidade de 98% no diagnóstico da síndrome do túnel cubital.



Neumann, Donald. "Kinesiology of the Musculoskeletal System: Foundations for Rehabilitation." 2nd edition. St. Louis, MO: Mosby Elsevier, 2010. 193. Print.

Novak CB, Lee GW, Mackinnon SE, Lay L. "Provocative testing for cubital tunnel syndrome." J Hand Surg (AM) 1994 September; 19(5):817-20.






Outros testes para o exame físico da articulação do cotovelo



Síndrome de pinçamento do cotovelo (túnel cubital)


A síndrome de pinçamento posterior do cotovelo (ou do túnel cubital) deve-se ao uso excessivo e ao movimento repetitivo de extensão forçada do cotovelo. Isso pode ocorrer durante a prática desportiva, em desportos como o ténis, o voleibol, a natação ou o boxe. Com a extensão repetitiva, a ponta do olecrâneo é pressionada contra a cavidade óssea na parte de trás do cotovelo, o que resulta na inflamação da membrana sinovial da cápsula articular, podendo evoluir para uma lesão da cartilagem e do osso. Esporões ósseos podem por vezes formar-se na ponta do olecrâneo aumentando o risco de lesão, pela alteração que provocam na extremidade óssea.
O risco de lesão aumenta durante gestos que incorporem forças de cisalhamento, derivadas a posições de valgo forçado do cotovelo (tensão que abre o lado interno da articulação do cotovelo).
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor e sensibilidade na parte de trás do cotovelo
  • Dor que agrava com actividades que envolvam a extensão forçada do cotovelo
  • Pode sentir bloqueios da articulação durante o movimento
  • Poderá haver ligeiro inchaço na face posterior do cotovelo
  • Rigidez do cotovelo e, numa fase mais avançada, incapacidade de endireitar o cotovelo.

O diagnóstico de uma síndrome de pinçamento posterior do cotovelo é normalmente clínico, baseando-se nos sintomas, na história clínica e no exame físico ao doente. O seu médico poderá pedir um raio-X para descartar fracturas do olecrâneo ou a presença de esporões ósseos. Certifique-se de dizer ao seu médico se já magoou o cotovelo anteriormente ou se tem uma história de artrite reumatóide ou doença do sistema nervoso.
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Tratamento

         A maioria dos pacientes com síndrome de pinçamento posterior do cotovelo reage bem ao tratamento com fisioterapia. O tratamento, no caso de a lesão se encontrar numa fase aguda, tem como objectivo inicial controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite actividades que coloquem pressão sobre o cotovelo ou que exijam a extensão brusca e forçada da articulação.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Compressão: poderá utilizar uma cotoveleira compressiva específica para reduzir o inchaço e proteger o músculo e tendão de novas agressões.
Analgésicos e anti-inflamatórios: analgésicos como o paracetamol são geralmente úteis. Ocasionalmente, analgésicos mais fortes podem ser necessários. Os anti-inflamatórios, como o ibuprofeno ou o diclofenaco, poderão ser necessários para controlar a inflamação.
Após esta primeira fase o objectivo principal será recuperar a força e mobilidade completas, as seguintes técnicas poderão ser utilizadas:
  • Mobilização do cotovelo sob tracção.
  • Exercícios de alongamento progressivo dos flexores do cotovelo.
  • Aplicação de ultra-sons da zona de dor.
  • Fortalecimento muscular dos extensores e flexores do cotovelo, de inicio estático, no entanto, assim que a dor permitir, deverão ser introduzidos exercícios de fortalecimento dinâmico.
  • Reeducação do gesto desportivo
  • Uma infiltração com cortico-esteróides dada na zona dos sintomas por um ortopedista pode aliviar temporariamente a dor

No caso de o tratamento conservador falhar, e os sintomas se mantiverem por mais de 3 meses, a cirurgia pode ser indicada. A excisão artroscópica e o desbridamento são os métodos mais utilizados.

Exercícios terapêuticos para a síndrome de pinçamento do cotovelo

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma síndrome de pinçamento do cotovelo. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


 

Mobilização do cotovelo
Em pé, com os braços ao longo do corpo. Dobre o mais possível os cotovelos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 15 a 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 

Fortalecimento dos extensores radiais do punho
Com o ombro alinhado com o tronco, cotovelo a 90o e polegar virado para cima. Fixe o punho com a outra mão e puxe o elástico para cima e em direcção a si. Apenas a mão se deve mover.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Propriocepção do punho
Agarrando uma bola na mão, faça movimentos circulares com o punho enquanto pressiona a bola.
Repita entre 20 e 30 movimentos, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Compressão do nervo cubital


A compressão do nervo cubital ocorre quando este nervo é pressionado em algum ponto ao longo do seu trajecto. Quando isto acontece, o nervo não funciona normalmente.
O nervo cubital é um dos três principais nervos do braço. Ele passa sob a clavícula e pela parte interna do braço, passando por um túnel de tecido fibroso (do túnel cubital), na face posterior e medial do cotovelo. Nesta zona poderá sentir o nervo através da pele. Abaixo do cotovelo, o nervo passa sob os músculos do lado de dentro do antebraço e na mão do lado o dedo mindinho, na palma da mão. Na mão o nervo passa através de outro túnel fibroso, o canal de Guyon.
As suas funções são dar sensibilidade ao dedo mínimo e a metade do dedo anelar. Ele também controla a maioria dos pequenos músculos na mão que ajuda aos movimentos finos, e alguns dos maiores músculos do antebraço que ajudam a fazer uma preensão forte.
O local mais comum onde o nervo é comprimido é por trás do cotovelo. Mais raramente poderá ficar comprimido no punho, abaixo da clavícula, ou quando sai da medula espinhal no pescoço.
Não se sabem exactamente as causas da compressão do nervo cubital, no entanto, alguns factores podem tornar a compressão mais provável:
  • Fracturas prévias do cotovelo
  • Esporões ósseos
  • Inchaço da articulação do cotovelo
  • Quistos
  • Um golpe directo sobre a parte interna do cotovelo, inclinar-se sobre o cotovelo durante períodos prolongados, ou actividades repetitivas que requerem o cotovelo dobrado podem lesar ainda mais o nervo se ele já está a ser pressionado.
  • Se a compressão do nervo cubital se dá no punho, a causa é mais provável é que seja um quisto no canal de Guyon. 

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

“Adormecimento” no dedo anelar e mindinho, especialmente quando o cotovelo está dobrado. Poderá ser uma dor aguda na parte interna do cotovelo. Em alguns casos, pode ser mais difícil mover os dedos ou manipular objectos. Algumas pessoas acordam durante a noite com os dedos dormentes.
Pode ocorrer perda de força de preensão e dificuldade de coordenação dos dedos (como teclar ou tocar um instrumento).
Nos casos mais graves pode observar-se perda de massa muscular na mão.
Síndrome do túnel cárpico tem sintomas semelhantes, mas envolve um nervo diferente (nervo mediano). Síndrome do túnel cárpico normalmente causa formigueiro no polegar, dedo indicador e o dedo médio.
As lesões nervosas podem ser classificadas segundo a sua gravidade em:
Neuropraxia: um episódio transitório de paralisia motora completa com comprometimento sensitivo ligeiro. Geralmente é secundária a uma pressão mecânica transitória. Uma vez que esta é aliviada, o retorno da função é total.
Axonotmese: uma lesão mais grave, envolvendo perda de continuidade do axónio com a manutenção da continuidade da bainha de Schwann. Há comprometimento motor e sensorial, podendo observar-se atrofia do músculo desnervado. A recuperação depende de uma série de factores, incluindo a remoção atempada da compressão e regeneração axonal.
Neurotmese: é o nível mais grave de lesão. Implica a perda total da continuidade do axónio e da bainha de Schwann. A recuperação raramente é completa, e o valor da perda só pode ser determinado ao longo do tempo.
O diagnóstico de uma compressão do nervo cubital é normalmente clínico, baseando-se nos sintomas, na história clínica e no exame físico ao doente. O seu médico poderá pedir um raio-X para descartar fracturas do olecrâneo ou a presença de esporões ósseos. Se houver dúvida sobre o local onde o nervo está a ser comprimido poderá ser pedida uma electromiografia, um teste realizado com agulhas que irá determinar a velocidade de condução nervosa em diferentes pontos do nervo através da velocidade de resposta do músculo enervado por esse nervo.

Tratamento

A menos que haja uma grande perda de massa muscular, o tratamento conservador será provavelmente o tratamento de eleição numa fase inicial. Este deve incluir:
Aconselhamento do doente: Evitar posições mantidas em flexão do cotovelo; correcção ergonómica da posição de trabalho; evitar apoiar-se ou colocar pressão sobre os cotovelos; evitar por exemplo, conduzir com o braço apoiado na janela.
Aplicação de uma tala nocturna ou almofada de forma a evitar a flexão do braço.
Anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser prescritos pelo seu médico para aliviar a irritação do nervo. Suplementos de vitamina B-6 podem ser úteis para sintomas leves.
Exercícios específicos de mobilização e estiramento nervoso poderão ser benéficos para diminuir a pressão sobre o nervo e melhorar a condução nervosa.
Nos casos mais graves, de neurotemese, a cirurgia pode ser indicada. Os critérios para indicação cirúrgica são:
  • Não haver melhoria nos sintomas após 6-12 semanas de tratamento conservador
  • Paralisia ou parésia progressivas.
  • Evidência clínica de uma lesão de longa evolução (por exemplo, perda de massa muscular)

O tratamento cirúrgico para lesões do cotovelo inclui a transposição cirúrgica do nervo e descompressão do túnel cubital.

Exercícios terapêuticos para a compressão do nervo cubital

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma compressão do nervo cubital. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


 

Mobilização do plexo braquial
Em pé, com a mão apoiada na parede atrás de si. Estique o cotovelo e incline e rode a cabeça para o lado contrário ao que está a mobilizar.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 


Fortalecimento do tricípite
Com o cotovelo a 90o e encostado ao tronco, e o punho fechado. Com a outra mão ofereça resistência, impedindo o antebraço de se mover. Faça força para esticar o cotovelo. Mantenha a pressão por 8 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 







 Extensão da coluna torácica
Sentado, com as mãos atrás da cabeça. Inspire fundo enquanto roda os cotovelos para fora e alonga o tronco nas costas da cadeira. Expire lentamente, retornando à posição inicial.
Repita entre 15 a 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.






Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.