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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Bronquiolite


 A bronquiolite consiste na inflamação dos bronquíolos, as vias mais finas, localizadas no interior dos pulmões, imediatamente antes dos alvéolos pulmunares.
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A bronquiolite é uma doença infecciosa aguda do trato respiratório inferior que ocorre principalmente em crianças, geralmente entre 2 e 6 meses de idade. O diagnóstico clínico baseia-se nos sintomas:
  • Dificuldade em respirar
  • Tosse
  • Dificuldade em dar a alimentação
  • Irritabilidade
  • Sons semelhantes ao “ronronar” de um gato durante a respiração.

Geralmente esta condição deve-se a uma infecção viral dos bronquíolos. O vírus sincicial respiratório (VSR) é o patogénico mais comum, representando 50-90% dos casos. Uma combinação de aumento da produção de muco, restos celulares e edema produz estreitamento e obstrução das já pequenas vias aéreas profundas. É a causa mais comum de internamento hospitalar em bebés.
Outras causas comuns para esta condição são o metapneumovírus humano e o adenovírus. Os factores de risco ambientais e sociais incluem: ter irmãos mais velhos, recorrer a serviços hospitalares, serem fumadores passivos, ambientes com muita gente.
Pensa-se que o aleitamento materno constitui um factor protector para esta e outras condições, pelo que deve ser incentivado.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Os sintomas iniciais são os de uma infecção viral do trato respiratório superior (ITRS), incluindo rinorreia leve, tosse e febre. Febre maior que 390C é comum. Muitas crianças não terão quaisquer outros sintomas.
Para 40% dos lactentes e crianças jovens que apresentam sintomas do tracto respiratório inferior, tosse e dispneia paroxística desenvolvem-se dentro de 1-2 dias.
Outros sintomas comuns incluem o seguinte: sibilos, cianose, vómitos, irritabilidade e má alimentação.
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Apneias podem ocorrer, especialmente em lactentes jovens.
O pediatra irá avaliar sinais como a taquipneia, taquicardia, febre, cianose e sinais de desidratação. Leve conjuntivite, faringite também devem ser pesquisados. Poderá avaliar também se há evidência de aumento do trabalho respiratório. Chiadeira inspiratória e sibilos agudos expiratórios são considerados duas das principais constatações para o diagnóstico.

Tratamento

Os cuidados primários:
  • A maioria dos lactentes com bronquiolite aguda terá sintomas leves, e a doença pode ser controlada em casa. As medidas de suporte são a base do tratamento, com atenção para a ingestão de bastantes líquidos, nutrição e controlo da temperatura.
  • Os factores de risco, como ambientes com pobre qualidade do ar, imobilização prolongada no leito devem ser reduzidos na medida do possível.
  • Sempre que a temperatura esteja controlada, exercícios respiratórios e de expansibilidade torácica poderão ser tentados de forma a mobilizar as secreções para vias respiratórias mais proximais.
  • A acção médica nesta fase é apenas de controlo dos sintomas e educação dos pais para sinais e sintomas a que devem estar atentos e que representam um agravamento dos sintomas.
  • Para a maioria das crianças, a bronquiolite dura 7-10 dias, com 50% dos casos totalmente assintomáticos ao final de duas semanas e apenas um pequeno subgrupo ainda sintomático ao final de 4 semanas.


Os cuidados secundários: 
  • Mesmo entre as crianças hospitalizadas, os cuidados de suporte primários são a base do tratamento. Geralmente a terapêutica inclui oxigénio e alimentação por sonda nasogástrica, se necessário.
  • Outros tratamentos, como os broncodilatadores, corticosteroides, a solução hipertónica de soro fisiológico e os antibióticos podem ser tentados, no entanto têm demonstrado poucas ou inconsistentes evidências sobre os seus benefícios.


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Exercícios terapêuticos para a bronquiolite
Os seguintes exercícios poderão ser prescritos durante a reabilitação da bronquiolite, dependendo da fase evolutiva em que o paciente se encontra. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


 Extensão da coluna torácica

Com a criança sentada, procure mobilizar os braços como descrito na imagem.
Repita algumas vezes ao dia, desde que a criança não dê indícios de que lhe esteja a causar desconforto.
  
































Expansão da caixa torácica
Existem várias maneiras de aumentar os movimentos da caixa torácica, melhorando os volumes respiratórios, esta é uma delas. Deve tentar estimular a criança com algum tipo de jogo ou brincadeira, de forma a que ela seja mais participativa.


















Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.



Espinha Bífida


A espinha bífida é uma das malformações que podem ocorrer no tubo neural durante o desenvolvimento embrionário precoce.
Durante o primeiro mês de vida de um embrião, dá-se o crescimento de uma estrutura de tecido primitivo chamado tubo neural. À medida que o embrião se desenvolve, o tubo neural começa a diferenciar-se numa estrutura mais complexa de ossos, tecidos e nervos, que acabará por formar a coluna vertebral e o sistema nervoso.
No entanto, nos casos de espinha bífida, algo de errado acontece durante o desenvolvimento do tubo neural e da coluna vertebral (estrutura óssea que envolve e protege a espinal medula), fazendo com que esta não feche totalmente. Este problema pode ocorrer em qualquer nível da coluna, desde a base do crânio até ao sacro, mas é mais comum na região lombar.
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As espinhas bífidas podem ser classificadas com base no tipo de defeito na coluna em:
  • Espinha bífida oculta: A pele nas costas na zona da deformidade permanece intacta, há um defeito na região posterior do arco ósseo vertebral, mas sem formação de um saco sobrejacente visível. Não há protrusão da medula espinhal ou das suas membranas. Esta é a forma mais comum de espinha bífida e pode afectar até 10% da população. É mais comum na junção lombossacral.
  • Espinha bífida cística: Para além da malformação vertebral observa-se também uma massa cística visível na parte de trás das costas. Esta é uma forma "aberta" da espinha bífida que pode ser subdividida em:
    • Meningocele - há um inchamento cístico da dura-máter e aracnóide que se projecta através do arco vertebral defeituoso. No entanto nenhum tecido neural da coluna vertebral está presente no saco. Pode não haver sintomas/sinais neurológicos.
    • Mielomeningocele – o mesmo que o meningocelo, mas aqui o tecido neural espinhal (espinal medula) faz parte do saco. Excluindo-se espinha bífida oculta, esta é a forma mais comum de espinha bífida.
    • Raquisquise - esta é a forma mais grave de espinha bífida cística. A coluna vertebral está amplamente aberta e a placa neural encontra-se espalhada sobre a superfície. É frequentemente associada com anencefalia.
    • A síndrome de Arnold-Chiari é uma malformação frequentemente associada ao mielomeningocelo. Nesta malformação observa-se uma hipoplasia do cerebelo e deslocamento do cérebro posterior através de um foramen magnum ampliado. O fluxo de líquido cefalorraquidiano (LCR) pode ser interrompido, resultando em hidrocefalia.

As causas para a espinha bífida ainda não são totalmente conhecidas, mas pensa-se que se deve maioritariamente a uma conjugação de factores:
Parece haver uma combinação de susceptibilidade genética com precipitantes ambientais, particularmente a falta de ácido fólico na dieta da mãe num estágio crucial na embriogenese (dias 17-30, quando muitas mães não sabem que estão grávidas e quando o tubo neural se está a formar e a fechar. Aumentar a ingestão de ácido fólico em mães recém-grávidas tem demonstrado reduzir significativamente a incidência de defeitos do tubo neural.
Anormalidades cromossomicas, incluindo trissomia 13 (síndrome de Patau), 18 (síndrome de Edwards) e 21 (síndrome de Down) já foram associadas com defeitos do tubo neural.
Tem sido sugerida uma maior incidência em mães com diabetes e com a ingestão de álcool durante a gravidez.
Uso materno de fármacos para o tratamento da epilepsia.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Espinha bífida cística:
  • A hérnia anormal do saco dural e/ou tecido neural geralmente é evidente, quer durante a ecografia pré-natal quer no nascimento.
  • Classicamente, a interrupção da função da medula espinhal provoca disfunção sensorial, paralisia flácida e arreflexia abaixo do nível afectado. Em alternativa pode observar-se a preservação de alguns reflexos distais, que normalmente são exagerados.
  • Em casos de meningocele simples, a hérnia das meninges é muitas vezes coberta por pele de modo que a lesão pode ser mais difícil de detectar.
  • A malformação Arnold-Chiari pode afectar o equilíbrio, coordenação e a marcha, para além de complicações respiratórias. Hidrocefalia, convulsões e função cognitiva prejudicada pode estar presente nestes casos.

Espinha bífida oculta:
É comum e mais difícil de detectar. Normalmente não há consequências a longo prazo ou alterações neurológicas.
Pode não haver nenhum marcador cutâneo, ou pode haver uma anormalidade óbvia ao longo da coluna vertebral, incluindo:
  • Uma área de hiperpigmentação ou hipopigmentação.
  • Aplasia cutânea.
  • Hemangioma capilar/telangiectasia.
  • Hipertricose (um tufo piloso na região da deformação).
  • Uma fenda glútea assimétrica.
  • Assimetria das pernas/pés pode estar presente.
  • Escoliose ou outras deformidades da coluna vertebral podem desenvolver-se.
  • Podem observar-se deficits sensoriais e dificuldades no controlo da função da bexiga e intestinos.
  • Pode haver dor lombar à medida que a criança cresce.


Diagnóstico pré-natal:

Níveis elevados de alfa-fetoproteína (AFP) no soro materno às 16-18 semanas de gestação estão associados a defeitos do tubo neural.
Ecografia de rastreio às 18-20 permite a detecção e diagnóstico de defeitos do tubo neural e é bastante mais específica.
A amniocentese pode ser usada para diferenciar entre malformações abertas da parede ventral e defeitos do tubo neural.

Tratamento

A abordagem multidisciplinar é necessária na gestão de uma criança com espinha bífida. Os objectivos do tratamento são: maximizar a mobilidade, evitar ou amenizar as complicações da espinha bífida (principalmente hidrocefalia), incentivar o desenvolvimento tão normal quanto possível, e ajudar a criança a manter uma vida o mais independente possível.
No momento do parto a enfermeira deve posicionar o recém-nascido com um defeito do tubo neural de barriga para baixo e cobrir a malformação com uma solução salina estéril húmida.
Reparação da malformação:
Cirurgia fetal: há evidências de que a operação para reparar mielomeningocele em fetos que tiveram a condição detectada por ecografia, antes de 25 semanas de gestação, com uma lesão abaixo do nível de L2, reduz a incidência de hidrocefalia. A cirurgia tem o objectivo de reduzir o efeito supostamente nocivo da exposição do tecido do sistema nervoso central ao líquido amniótico. Existe pouca evidência em relação à melhoria na função neurológica.
Nos pacientes em que a cirurgia pré-natal não é indicada, há a necessidade de reparar e fechar a hérnia espinhal, e inserir um dispositivo de desvio ventricular se houver evidência de, ou a probabilidade de, hidrocefalia.
Após o nascimento, e dependendo da gravidade da malformação, a criança deverá ser acompanhada por:
  • Pediatra, na consulta de neurodesenvolvimento.
  • Ortopedista pediátrico, muitas vezes é necessária uma cirurgia para a fusão vertebral. Alterações no quadril, pélvis ou pé/tornozelo também são frequentes.
  • Fisioterapeuta, o treino de adaptação em crianças pode ser muito útil na manutenção da independência e mobilidade.
  • Avaliação e intervenção da terapia ocupacional pode ajudar a maximizar a função.
  • Muitas vezes é necessário um psicológico para o indivíduo e a sua família lidarem com as consequências desta condição à medida que o paciente cresce.
  • Um exame neurológico deve ser feito regularmente, assim como observada a capacidade de controlo dos esfíncteres.

Prognóstico

Com o advento da cirurgia pré-natal, o reparo precoce da mielomeningocele pós-parto, as manobras para evitar hidrocefalia e conduta expectante de complicações, a maioria dos pacientes que nascem com espinha bífida sobrevivem até a idade adulta, com um desenvolvimento intelectual relativamente normal.

Prevenção

A suplementação pré-concepcional com ácido fólico
O ácido fólico também pode ajudar a reduzir a gravidade dos defeitos do tubo neural.
O diagnóstico pré-natal, a cirurgia pré-natal ou a decisão pela interrupção de algumas gravidezes podem reduzir a carga causada pelo elevado grau de incapacidade em muitos destes pacientes

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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Paralisia Cerebral

Não existe uma definição precisa desta condição, devido à paralisia cerebral (PC) não ser um diagnóstico único, mas um termo geral que descreve lesões cerebrais não progressivas que levam a alterações motoras ou posturais que são notadas durante o desenvolvimento inicial da criança.
A PC tem sido descrita como se segue:
"Um grupo de disfunções do desenvolvimento do movimento e postura causando limitação da actividade, e que são atribuídas a distúrbios não progressivos que ocorreram no cérebro durante o desenvolvimento fetal ou infantil. Os distúrbios motores da paralisia cerebral são frequentemente acompanhados por distúrbios da sensação, cognição, comunicação, percepção e/ou comportamento."
A PC é a principal causa de incapacidade na infância afectando a função e desenvolvimento normal da criança. As lesões cerebrais da PC podem ocorrer desde o período fetal ou neonatal até aos 3 anos de idade, pelo que o diagnóstico não pode ser feito antes dessa altura, pois só nessa fase de desenvolvimento o quadro clínico será claro e estável o suficiente. Isto também permite a exclusão de doenças progressivas.
Na maioria dos casos, a causa dos danos ao cérebro não é conhecida. Em muitos casos, pode ser simplesmente um erro na forma como o cérebro se desenvolve. Factores genéticos (hereditários) podem desempenhar um papel em alguns casos. No entanto, alguns factores são conhecidos por aumentar o risco de desenvolver paralisia cerebral:
  • Parto pré-termo (prematuros), em particular, os bebés nascidos antes de 28 semanas de desenvolvimento.
  • Bebés gémeos, trigémeos ou mais.
  • Infecções da mãe grávida, como rubéola e varicela, podem ser uma causa em alguns casos.
  • Icterícia grave no recém-nascido pode ser uma causa.
  • um risco aumentado de ter um filho com paralisia cerebral nas mães que fumam, bebem demasiado álcool, ou consomem drogas, como a cocaína e heroína.

Era habitual pensar-se que problemas com o trabalho de parto seriam uma das principais causas de PC, no entanto, sabe-se agora que isso é falso. Pensa-se que menos de 1 em cada 10 casos são devido a problemas relacionados com o nascimento do bebé, e quando isso acontece a falta grave e prolongada de oxigénio durante o parto é a principal causa.
Alguns casos são causados após o nascimento. Por exemplo, meningite ou outras infecções cerebrais que ocorrem no bebé podem causar danos cerebrais, resultando em PC.
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Sinais e Sintomas/ Diagnóstico

A PC afecta o sistema nervoso central, provocando uma alteração do tónus muscular. Pode tomar a forma de uma alteração leve, moderada ou grave e, geralmente, não piora com o passar do tempo. Os sintomas variam e podem incluir:
  • Músculos tensos (aumento do tónus), causando espasmos e rigidez.
  • Músculos “flácidos” (diminuição do tónus), tornando os membros fracos e moles.
  • Reflexos coordenação e equilíbrio afectados.
  • Padrão de marcha caraterístico
  • Como um guia, uma criança com desenvolvimento normal será normalmente ser capaz de:
  • Manter-se sentada sozinha e sem apoio aos seis meses.
  • Rastejar aos oito meses.
  • Manter-se em pé apoiada aos 12 meses.
  • Caminhar aos 15 meses.

Algumas pessoas com PC também têm deficiência mental (ou seja, atraso ou dificuldades de aprendizagem), convulsões, dificuldades de visão; encurtamento dos membros; curvatura da coluna vertebral (escoliose); problemas dentários; perda auditiva total ou parcial, ou limitações articulares. Não há cura para a PC, mas com o tratamento precoce, a maioria das crianças melhora as suas capacidades de forma significativa.
Quando a criança tiver entre 2-3 anos de idade, o médico pode ser capaz de diagnosticar o tipo de PC que ele ou ela tem. Existem quatro tipos principais:
Espástica:
Na PC espástica, a forma mais comum, há aumento do tónus muscular/rigidez. Pernas, braços e costas estão rígidos e contracturados, tornando o movimento difícil. Se ambas as pernas forem afectadas (diplegia espástica), a tensão muscular faz com que as pernas rodem para dentro e a criança irá cruzar os joelhos ao caminhar. Se apenas um lado do corpo for afectado (hemiplegia espástica), o braço é muitas vezes mais severamente afectado do que a perna. Se todos os quatro membros e o tronco forem afectados (tetraplegia espástica ou total), os músculos da boca e da língua também podem ser afectados.
Atetóide:
Denominados de discinéticos, na PC atetóide observa-se um baixo tónus muscular/relaxamento, levando a movimentos descontrolados de todo o corpo. Pode ser difícil manter-se sentado ou de pé sem ajuda.
Atáxica:
É uma forma rara, a PC atáxica afecta o equilíbrio e a percepção de profundidade. Existe uma pobre coordenação, a marcha é instável e observam-se dificuldades significativas nos movimentos precisos como o uso de uma caneta ou abotoar uma camisa.
Mistas:
Nas PC mistas, existem sintomas da PC espástica e atetóide. Alguns músculos ficam tensos e outros demasiado “relaxados”. Tanto se observa rigidez como movimentos involuntários.

Tratamento

Crianças diagnosticadas com PC devem ser acompanhadas por uma equipa de especialistas que inclui diferentes profissionais de saúde, tais como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e terapeutas da fala. Não há cura para a PC, mas muito pode ser feito para limitar o grau de deficiência que se pode desenvolver no caso de não ser seguido um plano de tratamento.
Fisioterapia
A base do tratamento é fisioterapia. Um dos objectivos principais da fisioterapia é, na medida do possível, prevenir ou limitar a contracturas e deformidades dos membros que podem ocorrer na PC espástica. Um fisioterapeuta pode utilizar várias técnicas, tais como exercícios, treino de mobilidade, órteses (aparelhos, talas, etc), e outros equipamentos. Um fisioterapeuta pode mostrar aos pais e encarregados de educação o posicionamento correcto das articulações e exercícios de alongamento para fazer em casa. Outro objectivo é melhorar a independência da criança, como se vestir, se alimentar, etc.
Medicação
Alguma medicação tem um papel limitado em alguns casos. Por exemplo, injecções de toxina botulínica em conjunto com a fisioterapia são usadas em alguns casos, para relaxar os músculos espásticos. Os músculos mais comummente injectados são os da barriga da perna e os adutores do quadril. O efeito de uma injecção de toxina botulínica dura 3-6 meses. Medicamentos relaxantes musculares, tais como o baclofen, são por vezes usados. Algumas crianças com epilepsia associada necessitam de medicamentos para evitar convulsões.
Cirurgia
Dependendo do tipo e do grau de contractura muscular, uma operação pode ajudar em alguns casos, em algum momento. Por exemplo, uma operação para afrouxar músculos ou para corrigir uma deformidade da articulação. O objectivo é dar mais flexibilidade e controlo dos membros afectados e articulações. A maioria das operações é realizada sobre os músculos em torno dos quadris, joelhos e tornozelos.
Outros tratamentos e terapias
Estes incluem, quando necessário ou conveniente: terapia ocupacional, terapia da fala, oftalmologia, odontologia, aconselhamento nutricional e promoção do desporto. Tecnologia assistiva está a ser cada vez mais utilizada. Há uma variedade de dispositivos e aparelhos que podem ajudar com tarefas de mobilidade e comunicação.
Uma pergunta comum que os pais fazem é: "O meu filho vai ser capaz de andar?". Isso pode ser difícil de responder quando a criança é muito jovem, mas como um guia muito geral:
  • Quase todas as crianças com hemiplegia vão ser capazes de andar.
  • Cerca de 3 em cada 4 crianças diplégicas vão ser capazes de andar.
  • Menos de 1 em cada 4 crianças tetraplégicas vai andar.

Mas isto é muito geral, e o seu especialista dará conselhos sobre cada caso individual. Além disso, o tratamento, como fisioterapia pode fazer toda a diferença para o resultado final.

Exercícios terapêuticos para a paralisia cerebral
Os seguintes exercícios poderão ser prescritos durante o tratamento da paralisia cerebral, dependendo da fase evolutiva do paciente. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Fortalecimento dos abdominais
Deitado, com o fundo das costas bem apoiado e as mãos ao longo do corpo. Levante o tronco apenas até meio da coluna, mantendo o olhar para o alto. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.





Mobilização da cintura pélvica
Sentado, com as plantas dos pés juntas, os antebraços a fixar as pernas e as costas alinhadas. Rode a bacia à frente, mantendo as costas alinhadas. Rode a bacia atrás, mantendo as costas alinhadas.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.






Reforço muscular dos gémeos
Em pé, apoiado numa cadeira, coloque-se em pontas dos pés. Desça lentamente até todo o pé apoiar no chão. Repita este movimentos entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Torcicolo congénito


O torcicolo congénito é uma alteração permanente (mas não irreversível) da posição do pescoço do bebé devido à retracção congénita do músculo esternocleidomastoideu, ou à lesão deste músculo durante o parto (torcicolo obstétrico).
      O músculo esternocleidomastoideu origina-se entre a clavícula e o esterno e prolonga-se por trás da mandíbula até se inserir atrás do osso da nuca. A sua acção é inclinar a cabeça no sentido do ombro do mesmo ombro e roda-la no sentido do ombro oposto.
A retracção deste músculo resulta de fibrose cicatricial, provavelmente devida a traumatismo, interrupção vascular, enfarte ou hematoma.
Esta lesão é geralmente descoberta nas primeiras 6-8 semanas de vida. A criança mantém a cabeça inclinada para um lado e tem dificuldade de virar a cabeça para o lado oposto.
Se o bebé for examinado no primeiro mês, um nódulo pode ser sentido no lado do pescoço. Em 90% dos casos este nódulo será mole e indolor à palpação e gradualmente irá regredir, até que ao final de 4 a 6 meses de idade já desapareceu.
O torcicolo congénito pode estar associado a displasia da anca (10% a 20%) pelo que os quadris devem ser examinados em crianças com torcicolo congénito.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Inclinação da cabeça para um lado combinada com rotação para o lado oposto.
  • Nódulo palpável no músculo esternocleidomastoideu (de lado do pescoço, mesmo por trás da mandíbula)
  • Pode chorar ou não permitir que se vire a cabeça para um dos lados

Se perceber que o seu filho tem a cabeça inclinada para um lado, consulte o pediatra. Outras condições podem causar torcicolo, e o pediatra irá descartar outras possíveis lesões durante o exame físico. Raio-X e/ou uma ecografia do pescoço podem ser pedidos.

Tratamento

       Noventa por cento das crianças podem ser tratadas com sucesso com um programa de exercícios terapêuticos, que envolvem sobretudo o alongamento.
         O fisioterapeuta irá estimular o bebé para que este comece a virar e inclinar a cabeça voluntariamente.
      Para além disso alongamentos passivos mantidos são tentados para melhorar a amplitude de movimento.
O fisioterapeuta também lhe dará algumas dicas para estimular o bebé para que este use o mais possível os movimentos do pescoço de uma forma simétrica. Alguns exemplos:
Ao brincar com o bebé posicionar os brinquedos a que ele responde melhor para que seja “obrigado” a virar a cabeça para o lado afectado.
Quando o levar ao colo procure coloca-lo de forma a que rode o pescoço para o lado afectado.
No berço, coloque-o virado para a parede enquanto fala com ele, para que se sinta motivado a virar na sua direcção
Dê preferência às brincadeiras na posição de barriga para baixo, de forma a estimular os extensores do pescoço.
Em cerca 10% das crianças, a cirurgia pode ser necessária para corrigir o torcicolo. Esta é uma cirurgia simples, realizada em ambulatório, com o objectivo de alongar o músculo.

Exercícios terapêuticos para o torcicolo congénito

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de um torcicolo congénito. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.




Correcção postural da cervical e ombros
Com o bebé deitado de barriga para cima, calce o tronco com almofadas. Estimule o bebé a olhar para o ombro do lado afectado. Suavemente procure manter a cabeça na posição máxima que ele tiver conseguido rodar. Mantenha esta posição durante alguns segundos.



Posição de congruência das facetas articulares
Deitado de barriga para baixo, procure que o bebé se apoie nos cotovelos e olhe em frente agitando brinquedos do seu agrado à sua frente. Mantenha a posição por alguns segundos. Retorne lentamente à posição inicial.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.