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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Tratamento recomendado para atletas com pubalgia


A Visual Health Information publicou a sua newsletter mensal. Nesta edição respondem à questão:

Qual é o tratamento recomendado para atletas com pubalgia?


Para responder a esta questão, foi realizada uma pesquisa abrangente no banco de dados PubMed (durante setembro de 2012) por trabalhos que abordaram esta questão específica.

Estima-se que a dor na virilha está presente em 5-7% de todas as lesões no desporto, e é mais comum em desportos que exigem chutar ou mudanças bruscas de direção. O diagnóstico da pubalgia é complicado por existirem inúmeras condições que podem causar dor crónica na região do púbis, muitas vezes coexistindo mais que uma dessas condições. As causas da pubalgia não são certas, mas provavelmente estão relacionadas com fatores como desequilíbrios musculares entre abdominais e adutores do quadril, bem como défices de mobilidade lombopélvica e do quadril.

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Em estudos recentes, Woodward descreveu de forma detalhada a reabilitação de sucesso de um jogador da National Hockey League com pubalgia, enfatizando importância da estabilidade lombo-pélvica na sua abordagem. Noutro estudo, com 60 atletas de elite com pubalgia concluiu-se que a correção cirúrgica era mais eficaz do que oito semanas de tratamento conservador. No entanto, o estudo não foi um double-blind controlled trial e a análise do "momento de regresso ao desporto" pode ter sido condicionada por esse viés. Kachingwe e colaboradores criaram um algoritmo de tratamento utilizado com sucesso no tratamento de seis jovens atletas diagnosticados com pubalgia. O algoritmo utilizava características do início da lesão, período de tempo disponível para a reabilitação, e nível de desempenho para orientar o tratamento. Num outro estudo avaliaram o efeito da cirurgia e seis semanas de reabilitação em adultos com défice muscular da parede abdominal posterior e concluiu que o défice na força do abdominal oblíquo pode estar relacionado com dor na região do púbis, no entanto, as limitações do estudo incluem a falta de detalhes metodológicos e avaliação de força abdominal pouco rigorosa.

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Com base nesta revisão da literatura, 6-8 semanas de tratamento conservador deve ser considerado como opção terapêutica para a pubalgia em atletas, com ênfase no controlo neuromuscular da região lombopélvica e equilíbrio entre a musculatura abdominal e do quadril. Se o tratamento não for bem-sucedido, a cirurgia com reabilitação no pós-operatório normalmente permite o retorno à atividade sem limitações. Com base nas recomendações dos artigos revistos, a VHI selecionou os seguintes exercícios:


Da posição de sentado na bola, progrida para a posição em tábua, apoiado numa perna e com a outra esticada. Faça repetições de descida controlada da bacia enquanto mantém a outra perna estendida.
Com os joelhos e as mãos apoiadas no chão, estenda simultaneamente um braço e a perna do lado oposto, procurando manter braço, tronco e perna alinhados num eixo. Repita o mesmo gesto com os membros do outro lado.


Esta newsletter mensal está disponível de forma gratuita no site Visual Health Information. 

Veja este e outros sites de prescrição de exercícios terapêuticos Aqui!


Woodward JS, Parker A, Macdonald RM. Non-surgical treatment of a professional hockey player with the signs and symptoms of sports hernia: a case report. Int J Sports Phys Ther. 2012 Feb;7(1):85-100. PubMed PMID: 22319682; PubMed Central PMCID: PMC3273884.
Paajanen H, Brinck T, Hermunen H, Airo I. Laparoscopic surgery for chronic groin pain in athletes is more effective than nonoperative treatment: a randomized clinical trial with magnetic resonance imaging of 60 patients with sportsman's hernia (athletic pubalgia). Surgery. 2011 Jul;150(1):99-107. Epub 2011 May 5. PubMed PMID: 21549403.
Caudill P, Nyland J, Smith C, Yerasimides J, Lach J. Sports hernias: a systematic literature review. Br J Sports Med. 2008 Dec;42(12):954-64. Epub 2008 Jul 4. Review. PubMed PMID: 18603584.
Kachingwe AF, Grech S. Proposed algorithm for the management of athletes with athletic pubalgia (sports hernia): a case series. J Orthop Sports Phys Ther. 2008 Dec;38(12):768-81. PubMed PMID: 19047766.
Hemingway AE, Herrington L, Blower AL. Changes in muscle strength and pain in response to surgical repair of posterior abdominal wall disruption followed by rehabilitation. Br J Sports Med. 2003 Feb;37(1):54-8. PubMed PMID: 12547744; PubMed Central PMCID: PMC1724590.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pubalgia

A pubalgia, consiste numa inflamação da sínfise púbica e inserções musculares adjacentes. A sínfise púbica é uma articulação relativamente imóvel localizada na região central à frente da bacia, próxima da inserção dos abdominais e dos músculos adutores da coxa.
A bacia forma um “anel” ósseo que suporta e distribui o peso de toda a parte superior do corpo, logo, qualquer alteração na relação de forças aplicadas num ponto deste anel serão compensados ao longo de toda a restante estrutura. Este simples facto torna mais fácil compreender porque uma dismetria no comprimento dos membros inferiores ou uma disfunção da articulação sacroiliaca podem mudar significativamente as forças aplicadas sobre a sínfise púbica, causando uma inflamação desta articulação. Para além disso, o grande número de grupos musculares inseridos próximo da articulação (adutores da coxa, recto abdominal, recto interno, músculos do pavimento pélvico) fazem com que esta esteja mais vulnerável a forças de torção.
Embora as causas exactas da pubalgia sejam geralmente desconhecidas, na maioria dos casos esta será provavelmente causada por microtraumatimos repetitivos, resultantes do esforço físico excessivo ou de forças de torção aplicadas à sínfise púbica. A pubalgia parece ser mais prevalente em desportos que envolvem corrida, chutos, movimentos rápidos ou desvios laterais.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor persistente na virilha durante a corrida, exercícios abdominais e agachamentos, que raramente é impeditiva, mas poderá ser bastante desconfortável.
  • Dor na virilha que se desenvolve gradualmente, podendo ser confundida com uma lesão muscular.
  • Em casos graves pode provocar caudicação.

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica, exame da anca, pélvis, lombar e sacroiliaca são necessários para ajudar ao diagnóstico de uma pubalgia. Um raio-X poderá confirmar o diagnóstico, demonstrando uma sínfise púbica irregular, com sinais de espessamento do osso e inflamação.
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Tratamento

            O tratamento em fisioterapia, na fase inicial, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
  • Descanso: repouse de todas as actividades que causam dor. Se dormir de lado deve colocar uma almofada entre as pernas.
  • Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
  • Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.

Após a fase inflamatória (2-3 dias) o seu fisioterapeuta poderá recorrer às seguintes técnicas para restaurar o normal funcionamento da articulação:
  • Alongamento dos músculos inseridos próximo da sínfise púbica, particularmente dos adutores da coxa. Devem ser realizados progressivamente e sem provocar dor
  • Mobilizações e manipulações articulares devem ser realizadas apenas por fisioterapeutas mais experientes.
  • O fisioterapeuta poderá aplicar ultra-sons na região da sínfise púbica e próxima à inserção dos músculos adutores para reduzir a dor e controlar o processo inflamatório. Deve ser utilizado apenas casos a fase de crescimento já tenha terminado.
  • Plano de exercícios terapêuticos para realizar no domicílio que inclua movimentos de rotação da pélvis, e mobilização da coluna lombar e ancas.
  • Assim que os sintomas permitirem fortalecimento dos músculos inseridos próximo da sínfise púbica, particularmente dos adutores da coxa. Devem ser realizados progressivamente e sem provocar dor. Um aquecimento com técnicas de facilitação neuromuscular propioceptiva poderão melhorar as propriedades do tecido muscular
  • A aplicação de calor antes dos exercícios para aumentar a irrigação sanguínea e de gelo no final para prevenir sinais inflamatórios.
  • Educação do paciente e plano de retorno gradual à actividade.


Exercícios terapêuticos para a pubalgia

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma pubalgia. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Fortalecimento do transverso do abdómen
Deitado, com o elástico à volta da cintura. Pressionar o fundo das costas contra o chão e tentar diminuir o diâmetro da cintura. Mantenha a contracção durante 8 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Alongamento dos adutores da coxa
Em pé, com as pernas afastadas, empurre a bacia para o lado contrário ao músculo a alongar, de seguida, com as costas alinhadas, incline ligeiramente o tronco à frente até sentir o alongamento na região interna da coxa e virilha. Mantenha a posição durante 20 segundos. Alivie lentamente a pressão.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.





 
Fortalecimento dos extensores da anca
Deitado, com os braços ao longo do corpo, eleve a bacia até coxas e costas ficarem alinhadas no mesmo plano. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.