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terça-feira, 2 de julho de 2013

Manobra de Spurling

Descrição
O objetivo desta manobra é avaliar se uma radiculopatia cervical está a contribuir para a dor do paciente.
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Técnica
O paciente deve estar sentado e inclinar a cabeça para o lado afetado. O fisioterapeuta aplica então uma força de compressão sobre o eixo axial, através da parte superior da cabeça. Reprodução da dor pode indicar radiculopatia cervical, especialmente quando combinado com outros testes. Note-se que a manobra não consiste numa sobrepressão à inclinação da cabeça, mas sim é uma compressão axial na posição de inclinação.
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Precisão da manobra
Esta manobra tem uma especificidade de 50% e uma sensibilidade de 88% no diagnóstico de radiculopatia cervical. Pode ser utilizada em conjunto com o teste de distracção da cervical, com o teste de tensão neural do membro superior (nervo mediano) e com a rotação ipsilateral do pescoço (inferior a 60º) para confirmar o diagnóstico de radiculopatia cervical.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Radiculopatia cervical - estudo de caso clínico

A radiculopatia cervical (RC) é uma condição patológica na raiz dos nervos cervicais (RNC), que pode levar à dor crónica e incapacidade. O início desta condição é geralmente insidioso e mais comumente é causado por perturbação do disco cervical ou outra lesão que ocupe o espaço reservado à passagem do nervo, resultando em inflamação da raiz nervosa, compressão ou ambos.

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A presença de estímulos lesivos ao redor da RNC altera a sua estrutura e função normais, conduzindo eventualmente à inflamação neural, ao edema, à hipoxia, isquemia e/ou fibrose, limitação do movimento de deslizamento e aumento da mecanosensibilidade. Com base neste conceito, muitas intervenções terapêuticas manuais têm sido propostas para restabelecer estas alterações e, portanto, para eliminar a dor e incapacidades causadas pela RC.

O objetivo deste estudo de caso é apresentar o efeito da tração cervical combinado com mobilização neural na dor e incapacidade de um paciente com RC.

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Apresentação de caso

  • A paciente apresentou-se com uma história de dor cervico-braquial neurológica com dois meses de duração.
  • Os sintomas tiveram início súbito, sem nenhuma causa aparente, e eram:
  1. Dor em queimação constante abaixo do lado occipital e esquerdo do pescoço (dor A - 4/10)
  2. Dor tipo choque eléctrico constante, irradiando a partir da face lateral do ombro esquerdo para a articulação do cotovelo (dor B - 4/10).
  3. Sensação de formigueiro que ocorre na face lateral da articulação do cotovelo.
  • Há três semanas atrás, e sem nenhuma razão aparente, a intensidade dos sintomas aumentou significativamente (dor A - 8/10, e dor B - 7/10), afetando o trabalho da paciente como administrativa e forçando-a a visitar um médico ortopedista.
  • Raios-X, ressonância magnética e tomografia computadorizada da coluna cervical indicaram um diagnóstico de RC, devido a estenose foraminal cervical entre C4-C5.
  • Os sintomas foram relacionados e agravados (dor A - 10/10, Dor B - 10/10) com certos movimentos do pescoço (extensão, rotação ipsilateral e inclinação) ombro (abdução), cotovelo (extensão completa) e punho (extensão).
  • O consumo de anti-inflamatórios não-esteróides por parte da paciente não proporcionou qualquer alívio da dor.

Exame Físico

  • A observação da postura da paciente em posição de pé e sentado ao computador revelou uma postura anteriorizada da cabeça, em que a parte superior e inferior da coluna cervical estavam em extensão e flexão, respectivamente.
  • A correção da postura da cabeça agravou os sintomas da paciente.
  • No exame neurológico, o dermátomo C5 demonstrou redução da sensação ao toque leve.
  • Diminuição da resistência do deltóide esquerdo (3/5) e bíceps (4/5), mas o reflexo de C5 foi normal.
  • Foram aplicados movimentos combinados à coluna cervical para avaliar se os sintomas da paciente eram devidos à estenose foraminal:
  1. A aplicação da extensão do pescoço combinada com rotação ipsilateral e flexão lateral agravou a dor A e B, enquanto a aplicação de flexão do pescoço combinada com rotação contralateral e flexão lateral foi menos dolorosa.
  • Uma série de diagnóstico clínico que consiste na aplicação da manobra de Spurling, teste de Distracção da cervical, teste de tensão neural do membro superior (nervo mediano) e rotação ipsilateral do pescoço (inferior a 60º) foi realizada para confirmar o diagnóstico de RC. Todos os testes foram positivos, porque reproduziram ou aliviaram os sintomas da paciente.
  • Foram aplicados movimentos acessórios passivos intervertebrais póstero-anteriores, grau IV, como descrito por Maitland, sobre todos os processos espinhosos cervicais e identificando C4-C5 como o nível mais afectado.

Tratamento

  • A paciente foi convidada a participar de 12 sessões de tratamento (três vezes por semana durante quatro semanas).
  • Em cada sessão, ela foi colocada em decúbito dorsal, com o pescoço em posição neutra, recebendo tração cervical intermitente grau III e técnicas de mobilização neural (TMN) para deslizamento do nervo mediano, realizados de forma lenta e oscilatória.
  • Foram aplicadas 6 séries de tração cervical, simultaneamente com a mobilização neural, por sessão. A tracção cervical foi aplicada por um fisioterapeuta assistente e mantidas durante 1 min e durante este período o fisioterapeuta principal aplicou as mobilizações neurais.
  • Tração cervical e mobilizações neurais foram aplicadas ao mesmo tempo e cada série foi seguida por um período de repouso de 30s.
  • Foram recolhidos os resultados no início e após 2 e 4 semanas de tratamento.

Resultados


Conclusões

Este estudo descreve o efeito da tração cervical combinada com mobilização neural sobre a dor e incapacidade num caso de RC. Estas técnicas foram aplicadas simultaneamente, em vez de separadamente, por duas razões:

  • Para proporcionar uma gestão mais eficaz da dor, devido à sua ação analgésica. Portanto, neste caso clínico foi levantada a hipótese de que a utilização simultânea das duas modalidades vai potenciar o efeito analgésico da terapia manual no tratamento da RC.
  • Para evitar possível agravamento da dor. Na compressão da raiz do nervo, a presença de estímulos mecânicos pode não permitir a sua mobilização e isto pode aumentar a dor devida a RC. Assim, a tração cervical foi aplicada para alongar o foramen neural cervical em C4-C5 e descomprimir a raiz do nervo C5 enquanto se aplicavam as mobilizações neurais.
Verificou-se que a utilização simultânea de tracção cervical e TMNs pode tratar esta patologia em particular. Futuros estudos utilizando amostras maiores e medidas objetivas são necessários para melhorar ainda mais o nosso conhecimento sobre o efeito analgésico da tração cervical combinada com mobilização neural sobre as RC.




Savva CGiakas GThe effect of cervical traction combined with neural mobilization on pain and disability in cervical radiculopathy. A case report. Man Ther. 2012 Jul 17.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Teste de distracção cervical

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar se a radiculopatia cervical está a contribuir para os sintomas do paciente.
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Técnica
O paciente encontra-se deitado de barriga para cima. Coloque as mãos em torno dos processos mastóides do paciente ou coloque uma mão na testa e a outra na região occipital. De seguida deve flexionar ligeiramente o pescoço do paciente e puxar a cabeça em direção ao seu tronco, aplicando uma força de distração. Um teste positivo é quando os sintomas do paciente são reduzidos com a tracção.

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Precisão do teste
Este teste apresenta uma especificidade de 90% e uma sensibilidade de 44% no diagnóstico clínico de radiculopatias de origem cervical.


Wainner RS, Fritz JM, Irrgang JJ, Boninger ML, Delitto A, Allison S. "Reliability and diagnostic accuracy of the clinical examination and patient self-report measures for cervical radiculopathy." Spine (Phila Pa 1976) 2003 Jan 1.

Sinal de Bakody

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar suspeitas de radiculopatia cervical ao nível de C4-C6. Devido à ausência de critérios de diagnóstico para este teste, não deve ser usado para diagnóstico em quaisquer patologias.
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Técnica
O paciente deve estar sentado. Ou o fisioterapeuta ou o próprio paciente coloca a mão do paciente em cima da sua cabeça. A diminuição da dor indica um teste positivo.

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