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quinta-feira, 31 de julho de 2014

O que esperar da 1ª consulta em fisioterapia

Talvez por só recentemente termos começado a ser considerados como profissionais de saúde de primeiro contacto nem sempre é fácil orientar uma 1ª consulta em fisioterapia. Assim como muitos pacientes ainda ficam com dúvidas sobre o que será relevante referir ou não numa consulta com o fisioterapeuta.

Para o paciente, a 1ª consulta de fisioterapia começa quando se senta no gabinete e conta porque veio. Para o fisioterapeuta essa mesma consulta começa quando observa o paciente a levantar-se da cadeira na sala de espera. É fundamental observar a linguagem não-verbal do paciente (se vem com a cabeça baixa, se tem uma passada decidida, se entra hesitante, etc).


É verdade que não é isto que determina o diagnóstico em fisioterapia, no entanto é determinante para saber como comunicar com esse paciente em particular, estabelecendo uma relação de empatia com ele, que por sua vez é fundamental para mais tarde o conseguir tranquilizar e motivar a colaborar na sua própria recuperação.

Para conseguir uma melhor gestão do tempo e fluidez da consulta, não criando barreiras entre mim e o paciente, adopto uma estrutura mais flexível e direccionada ao problema. Abaixo estão descritos os passos que fui desenvolvendo e que sigo na prática clínica privada.

  1. Registar a principal queixa do paciente, quando aconteceu, como aconteceu, como evoluiu até ao momento e como se encontra no momento da consulta.
  2. O que o paciente fez para melhorar (medicação, consulta com outro profissional de saúde, etc) e como resultou.
  3. Exames auxiliares de diagnóstico que tenha feito
  4. Antecedentes pessoais (outros episódios deste problema, outros problemas de saúde que possam estar relacionados)
  5. Observação de alterações posturais (aqui é realmente necessário deixar o paciente confortável, também através de uma temperatura e luz do consultório correctas, de forma a evitar constrangimentos e a permitir uma correcta avaliação)
  6. Identificação do movimento doloroso/limitado. Palpação. Determinação do sinal comparável.
  7. Execução de testes adicionais se necessário exclusão de outras condições clínicas com sintomatologia sobreponível.
  8. Diagnóstico em fisioterapia e elaboração do plano de tratamento e prognóstico de recuperação em conjunto com o paciente



quarta-feira, 17 de julho de 2013

Registo clínico em fisioterapia

Apesar de ser uma área da saúde relativamente recente, a fisioterapia atingiu neste momento um nível de conhecimento e resultados em que se começa a justificar que os seus profissionais exerçam o seu trabalho (avaliação e tratamento em fisioterapia) de forma autónoma e sem a necessidade de prescrição médica prévia.

E é nesse sentido que tem evoluído também o trabalho das associações profissionais de fisioterapeutas em Portugal: distinguir-nos claramente de profissionais com competências menos diferenciadas (massagistas, endireitas, enfermeiros de reabilitação) e equiparar-nos a profissões de saúde com maior autonomia.

No entanto, não há vantagem que não acarrete responsabilidade acrescida, e este caso não é excepção, só seremos reconhecidos como profissionais autónomos e credíveis quando conseguirmos, em primeiro lugar, ter resultados realmente melhores e diferenciados, e, em segundo, quando conseguirmos registar esses resultados da nossa intervenção de uma forma consistente.

As vantagens do registo clínico em fisioterapia são várias, posso enumerar algumas:
  • Teremos dados para estabelecer planos terapêuticos mais estandardizados
  • Conseguiremos estabelecer prognósticos de reabilitação muito mais precisos
  • Diferenciar-nos do campo da “arte” (como os endireitas) para passarmos a ser considerados (e respeitados) como ciência.
  • Conseguiremos material científico que nos permita pôr realmente em causa, por essa via, o jugo do lóbi da Medicina Física e Reabilitação (médicos fisiatras)
  • Conquistaremos o reconhecimento social, como profissionais altamente diferenciados e com funções e lugar específicos na saúde.

Acreditando sinceramente nestes pressupostos, faço registos clínicos desde o início da minha actividade como fisioterapeuta independente, há 5 anos, e até há bem pouco tempo sempre em formato papel.
Mas recentemente foi-me apresentado um novo software de registo clínico e agendamento de pacientes, o Fisiozero.

A verdade é que depois de uma semana a testar, posso dizer que é um programa extremamente prometedor e útil para a prática clínica privada de fisioterapia.

Principais vantagens:
  • Facilidade na introdução de dados do paciente na primeira consulta de avaliação/tratamento
  • Fácil de agendar e remarcar pacientes.

Algumas sugestões de pontos a melhorar:
  • Na maioria dos casos o que acontece é uma primeira avaliação/tratamento e depois a cada tratamento faz-se uma reavaliação para decidir quais as técnicas mais adequadas. Apesar do programa permitir, o registo das intervenções feitas no tratamento não é muito intuitivo.
  • O programa só funciona online, o que pode ser uma limitação se o gabinete não tiver internet (ou esta for móvel e consequentemente, menos fiável)


Em conclusão, penso que o Fisiozero é uma excelente aposta, uma ferramenta que vai de encontro às necessidades do estado de evolução em que se encontra a nossa profissão neste momento.
O facto de os criadores deste programa terem especificamente direccionado este software para nós, fisioterapeutas, tendo vindo a adaptá-lo cada vez mais às nossas necessidades é também uma grande vantagem e só por si uma prova de que a sociedade está a mudar de paradigma no que toca à reabilitação física.

Se pretendermos ter o reconhecimento por parte da comunidade acredito sinceramente que devemos comportar-nos de forma condizente com a posição que ambicionamos e aceitar a responsabilidade inerente.

Podem saber mais sobre este software Aqui.