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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Capsulite Adesiva (ombro congelado)

Capsulite Adesiva é o termo médico para ombro congelado. Esta é uma condição que afecta a capacidade de mover o ombro.
O termo médico, literalmente, descreve o que se observa nesta condição - capsulite significando inflamação da cápsula articular e adesiva significando que cola/prende a articulação, impedindo assim o normal movimento. Ombro congelado não é o mesmo que artrite, e geralmente não são afectadas outras articulações. As suas causas ainda não são consensuais, embora se coloque a hipótese de ser consequência da formação de tecido cicatricial na superfície da cápsula articular.
Aproximadamente 1 em cada 50 adultos sofrerá de capsulite adesiva em alguma fase da sua vida. Ela ocorre mais comummente em pessoas com idade entre os 40-60 anos. É mais comum em mulheres, diabéticos e algumas outras condições, incluindo doenças da tiróide e doença de Parkinson. Ambos os ombros podem ser afectados, mas é mais comum ser o ombro não dominante. Cerca de 1 em cada 5 casos desenvolve esta síndrome em ambos os ombros.
Esta condição desenvolve-se geralmente em três fases:
  1. Numa fase inicial (6 semanas a 9 meses), em que gradualmente vai tendo mais dor no ombro e braço, sendo cada vez mais difícil de movimentá-lo.
  2. Após este período inicial a sintomatologia dolorosa pode melhorar, mas a rigidez continua ou piora. Durante os 4-6 meses desta fase poderá ter bastantes dificuldades em realizar as actividades da vida diária.
  3. Numa fase final a amplitude de movimento do ombro vai melhorando lentamente. Normalmente demora de 6 meses a 2 anos a recuperar a amplitude de movimento e o grau de força normais ou próximos do normal.

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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

A dor do ombro congelado é geralmente em moedeira, constante e incómoda. É geralmente pior Na fase inicial da patologia e quando tenta movimentar o braço. A dor geralmente é localizada sobre a área exterior do ombro e às vezes no braço.
Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do ombro, é geralmente suficiente para o diagnóstico de uma capsulite adesiva. Outros exames complementares de diagnóstico, como raio-X ou RM, poderão ser pedidos apenas quando o diagnóstico não é claro ou na suspeita de outras condições clínicas.
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Tratamento

O objectivo do tratamento é aliviar a dor e a rigidez articular. Para além disso, manter a amplitude de movimento do ombro tanto quanto possível, de forma a melhorar o prognostico de recuperação. Um ou mais dos seguintes procedimentos podem ser recomendados para ajudar a aliviar e prevenir os sintomas na fase inicial, em que há mais dor:
Analgésicos e anti-inflamatórios: analgésicos como o paracetamol são geralmente úteis. Ocasionalmente, analgésicos mais fortes podem ser necessários. Os anti-inflamatórios, como o ibuprofeno ou o diclofenaco, poderão ser necessários para controlar a inflamação.
Um plano de exercícios terapêuticos para realizar em casa de forma a manter a amplitude de movimento do ombro.
Fisioterapia nesta fase poderá incluir:
  • Massagem de mobilização e alongamento de tecidos.
  • Aplicação de ultra-sons e TENS para reduzir a dor e a inflamação
  • Mobilização articular activa-assistida e alongamentos suaves mantidos

Numa segunda fase o objectivo será restaurar a amplitude normal de movimento e a força muscular, alguns dos seguintes procedimentos poderão ser utilizados:
  • Exercícios de reforço muscular e alongamento progressivo dos músculos da coifa dos rotadores, desde que não provoque dor.
  • Aplicação de técnicas de RPG e PNF para correcção postural, alongamento das estruturas não contrácteis e fortalecimento funcional da articulação do ombro.
  • Massagem transversa profunda de alguns dos tendões que rodeiam a cápsula articular pode ajudar no ganho de amplitude articular.
  • Reintrodução gradual ao desporto/actividade, começando com exercícios de treino, sem contacto e lentamente aumentar o grau de exigência dos exercícios.

Nos casos que não apresentam melhorias ao final de 6 semanas de tratamento conservador o tratamento cirúrgico poderá ser o mais indicado. As técnicas mais utilizadas incluem:
Manipulação sob anestesia. Neste procedimento o cirurgião irá mover o ombro em toda a amplitude de movimento, como o nome indica é realizado com o paciente anestesiado.
Liberação artroscópica da cápsula articular. Esta é uma operação relativamente simples, feita através de 2-3 pequenas incisões, por onde passam os instrumentos e a sonda que permite ao cirurgião ver o espaço cirúrgico. Neste procedimento, a cápsula da articulação é “limpa” de tecido cicatricial e é ganho espaço intra-articular.
Embora a cirurgia tenha uma boa taxa de sucesso, não é aconselhada para todos os casos.

Exercícios terapêuticos para síndrome do ombro congelado

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma uma síndrome do ombro congelado. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Elevação do braço
Em pé, com as costas alinhadas, coloque a mão no topo do bastão. Com a outra mão empurre o bastão o mais alto possível. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 15 a 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 Rotação do ombro
Em pé, com as costas alinhadas, o cotovelo a 90o e junto ao tronco. Coloque a mão no topo do bastão. Com a outra mão empurre o bastão o mais para o lado possível. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 15 a 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Fortalecimento dos extensores do ombro.
Sentado, com o tronco inclinado à frente. Puxe os cotovelos para trás e para fora. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 15 a 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

sábado, 20 de outubro de 2012

Síndrome do piramidal

A síndrome do piramidal é uma disfunção neuromuscular causada pela compressão ou irritação do nervo ciático pelo músculo piramidal. O músculo piramidal é um músculo alongado, em forma de pirâmide, localizado no fundo dos nadegueiros, e que se estende desde a base do sacro até ao topo do fémur.
O nervo ciático passa muito próximo desse músculo e, em algumas pessoas (cerca de 10-20% da população), passa directamente através das fibras musculares. Se o músculo piramidal ficar tenso ou formar um ponto-gatilho doloroso, pode exercer pressão sobre o nervo ciático e causar dor que pode irradiar para baixo pela perna, vulgarmente conhecida como dor ciática.
Esta síndrome é geralmente causada por uma lesão traumática nas nádegas ou na região da anca. Outra causa comum da síndrome do piramidal é ter músculos adutores (face interna da coxa) demasiado tensos. Isto faz com que os abdutores não funcionem correctamente, colocando assim mais pressão sobre o piramidal.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Sensibilidade à palpação na área do músculo.
  • Dor nas nádegas que se poderá estender à lombar.
  • Dor, formigueiro ou dormência que se irradia para baixo pela parte de trás da perna, geralmente pelos isquio-tibiais e às vezes até à barriga da perna.
  • É comum a dor ser inicialmente confundida com uma distensão muscular ou tendinopatia na origem dos isquio-tibiais. No entanto, estes músculos não estarão sensíveis ao toque.
  • Reduzida amplitude de movimento da articulação da anca, especialmente em rotação interna.
  • Padrão de marcha caraterístico

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento da coxa e lombar (incluindo exame neurológico) são geralmente suficientes para diagnosticar uma ruptura muscular. Uma ecografia ou RM podem ser pedidas para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da lesão.
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Tratamento

                As síndromes do piramidal geralmente respondem positivamente a um programa adequado de fisioterapia. No tratamento deve ser incluído:
  • Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Evite a actividade que causou os sintomas.
  • Uso do calor húmido e/ou ultra-som antes do alongamento do músculo piramidal.
  • Alongamento estático do piramidal, mas tamém do iliopsoas, tensor da fáscia lata e glúteos.
  • Massagem de mobilização dos tecidos na região glútea pode ajudar a diminuir a tensão da musculatura afectada e reduzir a irritação do nervo ciático.
  • Técnicas de libertação miofascial para o músculo piramidal.
  • Aplicação de gelo e TENS após o exercício ou terapia manual, ajudando a diminuir a dor e a inflamação que podem ter sido provocadas pelo alongamento ou massagem.
  • Dependendo dos resultados da avaliação clínica poderão ser aplicadas técnicas de mobilização articular da articulação sacro-iliaca e das vértebras lombares.
  • Indicação de um plano de exercícios para realizar em casa, que inclua fortalecimento e alongamento muscular

É fundamental que os alongamentos sejam feitos de forma suave e progressiva, de forma a evitar o estiramento excessivo e possível aumento da irritação do nervo ciático.
Se os sintomas não aliviarem com o tratamento conservador, uma cirurgia para libertação da fáscia e do tendão muscular poderá ser tentada.

Exercícios terapêuticos para a síndrome do piramidal

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma síndrome do piramidal. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.

 
Alongamento da inserção dos isquio-tibiais e glúteo.
Deitado, com o fundo das costas bem apoiado e as mãos no joelho. Tente chegar o joelho o mais próximo do peito possível. Alivie lentamente a pressão.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Alongamento do grande glúteo
Coloque-se apoiado nos cotovelos e joelhos. Avance o joelho da perna a alongar na direcção do ombro do lado contrário, o pé fica virado para dentro. Aproxime o mais possível o joelho do peito. Mantenha a posição durante 20 segundos
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



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Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Kirschner JS, Foye PM, Cole JL. Piriformis syndrome, diagnosis and treatment. Muscle Nerve. 2009 Jul;40(1):10-8. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Síndrome do túnel cárpico


O túnel cárpico é uma estrutura estreita em forma de túnel que se localiza na face palmar do punho. O fundo e os lados desse túnel são formados pelos ossos do carpo. A parte superior do túnel é coberta por uma forte banda de tecido conjuntivo chamado de ligamento transverso do carpo.
De entre as estruturas que passam através do túnel cárpico está o nervo mediano. Este nervo é responsável por controlar a sensibilidade da palma do polegar, dedo indicador, e dedo médio e por controlar a acção dos músculos ao redor da base do polegar. Para além deste nervo os tendões flexores dos dedos e polegar também passam através do túnel cárpico. Estes tendões são chamados de tendões flexores.
A síndrome do túnel cárpico consiste num conjunto de sintomas que se pensa serem causados pela compressão (esmagamento) do nervo mediano na sua passagem pelo túnel cárpico. A maioria dos casos ocorrem em pessoas com idade entres os 40-50 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. Também é comum durante a gravidez. As mulheres são afectadas 2-3 vezes mais frequentemente do que homens.
Pensa-se que a compressão do nervo ocorre quando os tecidos que rodeiam os tendões flexores no punho (bainhas sinoviais) inflamam, provocando um inchaço que exerce pressão sobre o nervo mediano.
Os principais factores que contribuem para o aparecimento desta síndrome são:
  • A hereditariedade: é o factor mais importante - os túneis cárpicos são mais estreitos em algumas pessoas, e essa característica pode ser transmitida ao longo de gerações.
  • Uso excessivo da mão: ao longo do tempo pode desempenhar um papel importante.
  • As alterações hormonais relacionadas com a gravidez.
  • Condições médicas, incluindo diabetes, artrite reumatóide, e desequilíbrio da tiróide.
  • Na maioria dos casos de síndrome do túnel do carpo, não existe uma causa única.

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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Formigueiro e sensação de picadas na região inervada pelo nervo mediano. É normalmente o primeiro sintoma a surgir. Os dedos indicador e médio são geralmente os primeiros a serem afectadas.
A sensação de formigueiro pode evoluir para dor nos dedos, que pode irradiar até ao antebraço.
Adormecimento dos mesmos dedos e/ou em parte da palma da mão.
Fraqueza de alguns músculos nos dedos das mãos e/ou polegar ocorre em casos graves. Isso pode causar falta de força de preensão e, eventualmente, levar à perda de massa muscular na base do polegar.
Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, de leve a grave. Uma ou ambas as mãos podem ser afectadas. Os sintomas tendem a ser intermitentes numa fase inicial, para depois se tornarem constantes, e, por norma, são piores à noite.
Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do punho e mão, incluindo à sua função motora e nervosa, é geralmente suficiente para o diagnóstico de uma síndrome do túnel cárpico. A confirmação dos sintomas pode ser feita através de uma electromiografia, que irá medir a velocidade de condução nervosa no nervo mediano. Um raio-X poderá ser pedido caso haja limitação articular do punho.
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Tratamento

Para a maioria das pessoas, os sintomas irão piorar progressivamente se não for adoptada nenhuma forma de tratamento. Pode, no entanto, optar por tomar algumas medidas que poderão ser suficientes para aliviar os sintomas, particularmente se tiver entre 30-40 anos e os sintomas ainda forem ligeiros.
Se os sintomas estão claramente associados a uma actividade ou ocupação, deve interromper, modificar ou reduzir essa actividade.
Tente não usar o punho em tarefas de compressão ou preensão excessiva.
Se estiver com excesso de peso, perder algum peso pode ajudar.
Analgésicos podem ser prescritos para aliviar a dor. Se esta condição é parte de uma condição mais geral de saúde (como a artrite), então o tratamento dessa condição pode ajudar.
Se estas medidas não surtirem efeito e os sintomas continuarem a piorar deverá ser tentado um plano de tratamento conservador, acompanhado por um fisioterapeuta. Algumas medidas que poderão ajudar a resolver esta condição são:
  • Órtese ou tala. Uma tala poderá ser utilizada à noite para manter o punho numa posição neutra. Também poderá ser usada durante as actividades que agravam os sintomas.
  • Medicação. Podem ajudar a aliviar a dor. Estes medicamentos incluem fármacos anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs), como o ibuprofeno.
  • Exercícios de alongamento dos flexores do punho e dedos e de mobilização do nervo mediano.
  • Aplicações de ultra-sons, embora os seus benefícios não sejam consensuais.
  • As injecções de cortico-esteróides proporcionam alívio dos sintomas, no entanto estes tendem a voltar entre 3-6 meses após a injecção.

Quando o tratamento conservador se revela ineficaz, a cirurgia é uma opção. Uma pequena incisão irá cortar o ligamento sobre a parte superior do punho e aliviar a pressão no túnel cárpico. Este procedimento é feito em ambulatório, sob anestesia local e geralmente resolve o problema na totalidade. Você não será capaz de usar a mão durante poucos dias e terá de esperar algumas semanas após a operação para voltar ao trabalho. Geralmente durante esse período os pacientes deverão seguir um plano de exercícios terapêuticos elaborado por um fisioterapeuta de forma a prevenir aderências durante a cicatrização e garantir a mobilidade completa.

Exercícios terapêuticos para a síndrome do túnel cárpico

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma síndrome do túnel cárpico. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Alongamento dos flexores do punho
Em pé ou sentado, estenda o braço para a frente alinhado com o ombro, com a palma da mão virada para a frente. Com a outra mão puxe os dedos em direcção a si. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 Alongamento dos extensores do punho
Em pé ou sentado, estenda o braço para a frente alinhado com o ombro, com a palma da mão virada para si. Com a outra mão puxe os dedos em direcção a si. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.

 

Mobilização do nervo mediano
Em pé, com a mão apoiada na parede atrás de si. Estique o cotovelo e incline e rode a cabeça para o lado contrário ao que está a mobilizar.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



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Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.