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quarta-feira, 13 de março de 2013

Teste de Neers

Descrição
Este teste é comummente usado para identificar a síndrome do conflito subacromial.
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Técnica
O examinador deverá estabilizar a omoplata do paciente com uma mão, enquanto flexiona e roda internamente o braço a ser testado com a outra. Se o paciente referir dor nesta posição, então o resultado do teste é considerado como positivo.
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Outros testes ao ombro



sexta-feira, 1 de março de 2013

Síndrome de conflito articular do ombro


A Síndrome do conflito articular do ombro não é uma patologia em si, mas apenas um conjunto de sinais característicos que indicam que alguma lesão está a causar compressão/fricção dos tendões da coifa dos rotadores (supra-espinhoso, infra-espinhoso, pequeno redondo e subescapular) na sua passagem pelo espaço sub-acromial (espaço entre a base do acrómio e o topo da cabeça do úmero, onde, para além dos tendões da coifa, se localiza bolsa sub-acromial).
A fricção repetitiva sobre estes tendões irá causar irritação e inflamação. Isso poderá levar ao espessamento dos tendões que, como existe muito pouco espaço livre entre o acrómio e a cabeça do úmero, provocará mais fricção. Isto leva a uma limitação significativa da função do ombro e poderá causar outras complicações, como a bursite sub-acromial.
Existem vários factores que poderão desencadear uma síndrome do conflito articular do ombro:

Se não for tratada, a síndrome do conflito articular do ombro poderá levar a uma ruptura da coifa dos rotadores.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor no ombro com início gradual durante um longo período, presente durante a actividade e em repouso.
  • Dor na parte frontal e/ou lateral do ombro com a elevação do braço.
  • Dor na face posterior e anterior do ombro quando afasta o braço do tronco e o roda para fora.
  • Dor na rotação interna, como por exemplo chegar atrás das costas.

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do ombro, incluindo à sua função motora, é geralmente suficiente para o diagnóstico de uma síndrome de conflito articular do ombro. O médico deve também realizar um teste em que lhe pedirá para endireitar o seu braço, depois ele irá elevar o seu braço para a frente, mantendo a palma da mão apontando para fora. Se este teste for doloroso é indicativo de comprometimento da coifa dos rotadores.
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Tratamento

O objectivo do tratamento será reduzir a dor e restaurar a função. No planeamento do tratamento será considerada a sua idade, nível de actividade, e a saúde geral. Na maioria dos casos, o tratamento inicial é conservador. Embora o este tratamento possa levar várias semanas a alguns meses, muitos pacientes demonstram uma melhora gradual e da função motora e diminuição da dor. O tratamento deverá incluir:
Analgésicos e anti-inflamatórios: analgésicos como o paracetamol são geralmente úteis. Ocasionalmente, analgésicos mais fortes podem ser necessários. Os anti-inflamatórios, como o ibuprofeno ou o diclofenaco, poderão ser necessários para controlar a inflamação.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Descanso: Evite os movimentos que provocam os sintomas. Evite gestos repetitivos dos membros superiores, e movimentos dos membros superiores acima dos 90o de elevação.
Fisioterapia, que poderá incluir:
  • Massagem de mobilização de tecidos.
  • Quando a dor permitir iniciar exercícios de mobilidade do ombro. É fundamental que sejam trabalhados todos os graus de movimento em toda a amplitude disponível.
  • Aplicação de TENS e ionização
  • Alongamento progressivo, principalmente da cápsula articular do ombro
  • Exercícios de reforço muscular dos músculos da coifa, desde que não provoque dor.
  • Exercícios de correcção postural, como RPG e Pilates poderão ser benéficos para manter os resultados ao longo do tempo.
  • Reintrodução gradual ao desporto/actividade, começando com exercícios de treino, sem contacto e lentamente aumentar o grau de exigência dos exercícios.

Caso tenha menos de 60 anos de idade, uma ruptura completa do tendão, não tenha apresentado melhorias ao final de 6 semanas de tratamento conservador ou seja um profissional/desportista que necessita de força e amplitude de movimentos completa para realizar a sua actividade, o tratamento cirúrgico será o mais indicado. A cirurgia envolve geralmente a descompressão (alargamento) do espaço sob o acrómio, podendo também incluir a reparação do tendão. A cirurgia pode ser feita por artroscopia ou método aberto.

Exercícios terapêuticos para a síndrome de conflito articular do ombro

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma síndrome de conflito articular do ombro. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Adução das omoplatas
Em pé ou sentado, com os cotovelos dobrados. Puxe os ombros e cotovelos para trás e para baixo. Mantenha a posição durante 8 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 

Fortalecimento dos rotadores externos do ombro
Em pé, com o cotovelo a 90o e encostado ao tronco, com o elástico na palma da mão, rode o antebraço para fora, mantendo o cotovelo perto do tronco, volte lentamente á posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 





Fortalecimento dos adutores do ombro
Em pé, com os braços a 90o e cotovelos dobrados. Empurre o elástico para a frente com ambos os braços, mantendo ombros e mãos alinhados. Retorne lentamente á posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Síndrome da dor patelo-femoral – exercícios de reforço muscular

A síndrome da dor patelo-femoral (SDPF) é o termo médico dado à dor na face anterior do joelho, proveniente da articulação patelo-femoral (a articulação entre a patela (rótula) e o fémur).


 Em 2012, foram publicadas duas revisões sistemáticas demonstrando que existe uma associação entre abdutores da coxofemoral fracos e SDPF. Lankhorst et al encontraram diminuição significativa de força nos abdutores e rotadores externos da coxofemoral, quando ajustado ao peso corporal do paciente, em pacientes com SDPF em comparação com o grupo controlo. Para além disso, Barton et al investigaram a atividade do músculo glúteo em pacientes que sofrem de SDPF. Descobriram que a ativação do músculo glúteo médio está atrasada e é de menor duração durante a subida/descida de escadas e na corrida. Em contraste, a atividade do músculo glúteo máximo está aumentada durante a descida de escadas em indivíduos com SDPF.
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Em 2010, Fukuda et al conduziram um estudo randomizado controlado (RCT), comparando os efeitos de curto prazo de um programa de fortalecimento combinado do quadríceps com os rotadores laterais e os abdutores da coxofemoral com o programa tradicional de fortalecimento do quadríceps. Após 4 semanas, os doentes no primeiro grupo mostraram melhorias significativamente superiores na função e redução da dor.

Com estes resultados faz sentido abordar durante o reforço muscular, para além do quadríceps, tanto os abdutores como os rotadores externos da coxofemoral. Seguem abaixo alguns exemplos de exercícios para fortalecimento destes grupos musculares.
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Síndrome do desfiladeiro torácico


A síndrome do desfiladeiro torácico é um termo geral que se refere à compressão das estruturas neurovasculares que passam entre a primeira costela e a clavícula, resultando em sintomas na extremidade superior.
Entre as estruturas afectadas estão plexo braquial (95%), veia subclávia (4%) e a artéria subclávia (1%) que poderão ser comprimidos em 3 passagens a partir da base do pescoço até à axila. 
A mais importante é o triângulo interescalénico, que é também a mais proximal. Este triângulo é delimitado pelo músculo escaleno anterior, o músculo escaleno médio, e a face medial da primeira costela. Este espaço pode tornar-se mais estreito devido à presença de estruturas anómalas, como bandas fibrosas, costelas cervicais, e retracções musculares.
A segunda passagem é o triângulo costoclavicular, que é delimitado pelo terço médio da clavícula, pela primeira costela, e pela borda superior da escápula.
A última passagem é o espaço subcoracóide abaixo do processo coracóide, profundamente ao tendão do músculo peitoral menor.
        Outras condições como a síndrome postural, distensão traumática da coluna cervical, fracturas das costelas ou omoplatas aladas aumentam o risco de síndrome do desfiladeiro torácico.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Os sintomas podem variar, dependendo de se que está ser comprimido um nervo ou um vaso sanguíneo. Os sintomas da compressão do nervo são muito mais comuns do que os sintomas da compressão dos vasos sanguíneos.
Compressão sobre os nervos (plexo braquial): pode causar uma dor paralisante, que se inicia no pescoço, e pode irradiar para o ombro, braço ou mão. Também pode causar dormência ou formigueiro na parte interna do antebraço e nos quarto e quinto dedos da mão. Pode sentir fraqueza na mão, tornando-a maisdesajeitada”.
Compressão sobre os vasos sanguíneos: pode reduzir o fluxo de sangue que retorna do braço, resultando em inchaço e vermelhidão. Menos comummente, a compressão pode reduzir o fluxo de sangue que vai para o braço, fazendo-o sentir frio e fadiga/cansaço no braço.
Actividades com o braço em elevação são particularmente difíceis, porque agravam os dois tipos de compressão.
Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento à mobilidade e função neural e vascular dos membros superiores são geralmente suficientes para diagnosticar uma síndrome do desfiladeiro torácico. No entanto, devido à grande variabilidade e à natureza dos sintomas, exames adicionais como um raio-X, RM ou uma electromiografia podem ser pedidos para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da lesão.

Tratamento

A maioria dos pacientes com uma síndrome do desfiladeiro torácico responde bem a um tratamento adequado de fisioterapia e a cirurgia apenas é indicada no caso de existir uma lesão estrutural que comprometa significativamente as estruturas nervosas ou vasculares.
O tratamento conservador deverá incluir:
  • A aplicação de calor local ou um banho quente pode ajudar a aliviar os espasmos musculares. Poderão ser utilizadas ondas-curtas apenas se não houverem sintomas neurológicos.
  • Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.
  • Exercícios de mobilização activa e de fortalecimento da mão para aumento da circulação periférica.
  • Plano de exercícios específico para melhorar a posição articular do ombro e omoplata (ver síndrome postural)
  • Perda de peso. Se você estiver acima do peso ideal, o médico poderá recomendar um programa de emagrecimento. Estar acima do peso pode forçar os músculos do ombro que apoiam a clavícula.
  • Aconselhamento sobre ergonomia no local de trabalho

Se o tratamento conservador não aliviar seus sintomas, a cirurgia poderá ser indicada.
A cirurgia para a síndrome do desfiladeiro torácico pode envolver a remoção de uma parte de uma costela de anormal em primeiro lugar, libertar um músculo demasiado tenso, ou por vezes ambos.

Exercícios terapêuticos para a síndrome do desfiladeiro torácico

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma síndrome do desfiladeiro torácico. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



 

Correcção postural da cervical e ombros
Em pé ou sentado, rode os ombros para trás e para baixo, enterre o queixo e imagine que tem uma linha a puxar-lhe o topo da cabeça. Mantenha esta posição durante 20 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Mobilização do plexo braquial
Em pé, com a mão apoiada na parede atrás de si. Estique o cotovelo e incline e rode a cabeça para o lado contrário ao que está a mobilizar.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta. 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Síndrome de dor patelo-femoral


A síndrome da dor patelo-femoral é o termo médico dado à dor na face anterior do joelho, que é proveniente da articulação patelo-femural (ou seja, a articulação entre a patela (rótula) e o fémur. A síndrome da dor patelo-femoral é geralmente associada à inflamação ou danos causados às estruturas articulares. Esta condição é mais frequente em adolescentes do sexo feminino, em operários com trabalhos fisicamente exigentes, e nos atletas. E pode ser causada por:
  • Mau Alinhamento da rótula. Se assim for, actividades vigorosas podem causar stress excessivo e consequente desgaste na cartilagem da rótula. Isso pode provocar dor no osso subjacente e irritação da articulação.
  • Problemas nos pés, como o pé plano ou andar com o pé em pronação, podem fazer com que o joelho sofra uma alteração de alinhamento, rodando para dentro e colocando mais pressão sobre a articulação patelo-femoral.
  • Lesões no joelho, incluindo pequenas lesões repetidas devido ao treino excessivo ou ao mau gesto técnico associado à laxidez ligamentar.
  • Uma diminuição da força muscular ou um desequilíbrio muscular no membro inferior pode contribuir para o agravamento desta síndrome, pois os músculos desempenham um papel importante ao absorver as tensões exercidas sobre o joelho.



Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor ao redor do joelho. A dor é sentida na parte da frente e no interior do joelho. Muitas vezes é difícil identificar o local exacto, podendo ser descrita como uma dor vaga à frente do joelho.
  • A dor não é constante. É geralmente pior ao subir e descer escadas ou em alguns desportos. Além disso, pode ser provocada por ficar sentado por longos períodos.
  • Pode haver uma sensação de crepitação acompanhada do som de “estalos” do joelho à medida que este mexe.
  • Por vezes ocorre inchaço ao redor da rótula.
  • Padrão de marcha caraterístico

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do joelho são suficientes para diagnosticar a síndrome de dor patelo-femoral. Esta condição em si não é vista nos exames de imagem, como o raio-X ou RM, pelo que estes podem ser pedidos apenas para descartar outras patologias ou avaliar a extensão da danos na articulação.


Tratamento

         Os objectivos do tratamento numa primeira fase, consistem e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Compressão: um joelho elástico pode ser usado para controlar o inchaço.
Elevação: A perna deve ser elevada um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.
Após este período, o tratamento irá incidir sobretudo no fortalecimento muscular e na reeducação do gesto desportivo ou da posição de trabalho. Algumas técnicas utilizadas são:
  • Exercícios de fortalecimento estático do quadricípite e glúteos. (Veja aqui um plano de exercícios específico)
  • Estimulação eléctrica funcional (FES) pode ser usada para estimular o músculo quadricípite.
  • Ligadura de tape para o realinhamento da rótula no sulco femural demonstrou ter efeitos positivos em jovens do sexo feminino entre os 10 e os 20 anos com este síndrome.
  • Progressivamente devem ser introduzidos exercícios em carga, como o leg press e agachamentos (nunca a mais de 90º de flexão do joelho).
  • Deve ser feita uma avaliação da biomecânica do paciente durante a caminhada e corrida para escolher o calçado, palmilhas ou órtoteses mais adequados para corrigir alguma falha mecânica que possa estar a causar os sintomas.

A cirurgia é pouco usada nestes casos. No entanto, pode ser útil para, por exemplo, liberar um ligamento tenso, de forma a corrigir o alinhamento da rótula.

Exercícios terapêuticos para a síndrome de dor patelo-femoral

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma síndrome de dor patelo-femoral. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


 Fortalecimento do quadricípite
Deitado, com um rolo sob o joelho. Contraia o músculo da coxa e perna de forma a esticar o joelho e puxar a ponta do pé para si.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 

Fortalecimento dos quadricípites
Em pé, com a região lombar apoiada na bola e os pés ligeiramente afastados. Dobre os joelhos até aos 45o/60o, mantendo as costas alinhadas. Suba lentamente para a posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Alongamento do quadricípite
Em pé, apoiado. Agarre no pé da perna a alongar e aproxime-o o mais possível da bacia. Mantenha as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.
  


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Earl JE, Hoch AZ. A proximal strengthening program improves pain, function, and biomechanics in women with patellofemoral pain syndrome. Am J Sports Med. 2011 Jan;39(1):154-63.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Tratamento conservador para a síndrome de dor trocantérica

A Visual Health Information publicou a sua newsletter mensal. Nesta edição respondem à questão:

Qual é a melhor estratégia de tratamento conservador para a síndrome de dor trocantérica?

Para responder a esta questão, foi realizada uma pesquisa abrangente no banco de dados PubMed (durante Novembro de 2011) por trabalhos que, nos últimos 15 anos, abordaram esta questão específica.

A síndrome de dor trocantérica é caracterizada por dor e sensibilidade na região do grande trocânter (face lateral da anca), e pode ser causada por condições tais como a bursite trocantérica, tendinopatias dos glúteos médios e mínimos, ilio-psoas e tensor da fáscia lata.

Furia e colaboradores avaliaram os resultados clínicos da terapia por ondas de choque comparativamente ao tratamento convencional (por exemplo, exercícios terapêuticos, fisioterapia e infiltração com corticosteroides) em 66 pacientes com síndrome de dor trocantérica crónica. Embora a terapia por ondas de choque tenha reduzido significativamente a dor e melhorado a função em relação ao tratamento convencional, os resultados não são conclusivos, dado o caráter retrospetivo do estudo.

Rompe e colaboradores compararam os efeitos de exercícios terapêuticos no domicílio, infiltração de corticosteroide, e terapia por ondas de choque em 229 pacientes com síndrome de dor trocantérica. A percentagem de sucesso relatada pelos pacientes demonstrou que, embora os resultados a curto prazo tenham favorecido significativamente a infiltração, esse efeito já não se notava ao final de quatro meses. Em contraste, a recuperação gradual observada com o exercício terapêutico e terapia por ondas de choque resultaram em taxas de sucesso significativamente mais elevadas após 4 meses, e novamente após 15 meses, tanto para o exercício terapêutico (80%) como para a terapia por ondas de choque (74%) em comparação com a infiltração (48%). Para além disso, os exercícios terapêuticos tiveram significativamente menos efeitos adversos em comparação com a terapia por ondas de choque (a irritação da pele) e da infiltração (a dor).

Com base nesta revisão da literatura, pode-se concluir que os exercícios terapêuticos proporcionam bons resultados a longo prazo para pacientes com síndrome de dor trocantérica, enquanto a terapia por ondas de choque demonstra resultados promissores no curto prazo. O tipo específico, frequência e duração do exercício  mais eficazes não são ainda claros. Com base nas recomendações dos artigos revistos, a VHI selecionou os seguintes exercícios:

Coloque-se em pé, apoiado numa perna, com as costas apoiadas numa bola encostada à parede. Faça agachamentos até uma amplitude que não provoque dor.

Deitado de lado numa bola, com um pé e mão apoiados no chão, eleve (lateralmente e frente/trás) a outra perna.



Esta newsletter mensal está disponível de forma gratuita no site Visual Health Information. 

Veja este e outros sites de prescrição de exercícios terapêuticos Aqui!



Strauss EJ, Nho SJ, Kelly BT. Greater trochanteric pain syndrome. Sports Med Arthrosc. 2010 Jun;18(2):113-9. Review. PubMed PMID: 20473130.

Furia JP, Rompe JD, Maffulli N. Low-energy extracorporeal shock wave therapy as a treatment for greater trochanteric pain syndrome. Am J Sports Med. 2009 Sep;37(9):1806-13. Epub 2009 May 13. PubMed PMID: 19439756.

Rompe JD, Segal NA, Cacchio A, Furia JP, Morral A, Maffulli N. Home training, local corticosteroid injection, or radial shock wave therapy for greater trochanter pain syndrome. Am J Sports Med. 2009 Oct;37(10):1981-90. Epub 2009 May 13. PubMed PMID: 19439758.

Williams BS, Cohen SP. Greater trochanteric pain syndrome: a review of anatomy, diagnosis and treatment. Anesth Analg. 2009 May;108(5):1662-70. Review. PubMed PMID: 19372352.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Síndrome da Banda Ilio-tibial


A banda ílio-tibial é uma faixa espessa de tecido fibroso que se inicia na crista ilíaca (o bordo lateral do osso da bacia) e se vem inserir lateralmente ao joelho, na parte superior da tíbia. As fibras do músculo tensor da fáscia lata e algumas fibras do glúteo inserem-se na banda iliotibial, e esta actua coordenando a função muscular e estabilizando o joelho durante a corrida.
A síndrome da banda iliotibial é uma lesão de esforço que consiste na inflamação ou irritação da porção distal do banda iliotibial, provocada pela fricção desta contra o côndilo femoral lateral, quando o joelho é dobrado a mais de 30o. É muito frequente em corredores, principalmente os que fazem longas distâncias, obrigando o joelho a repetidas flexões/extensões.
Outros factores que predispõem a ocorrência desta lesão incluem a falta de flexibilidade da banda ílio-tibial, que pode resultar num aumento da tensão durante a fase de apoio da corrida, a rotação interna excessiva da tíbia, o joelho varo e o pé plano.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor durante a flexão ou extensão do joelho, agravada, quando se pressiona a inserção da banda ílio-tibial, na parte lateral do joelho.
  • Dor na parte externa do joelho (ou em torno do epicôndilo lateral do fémur) agravada durante a actividade física.
  • Tensão na faixa iliotibial, diminuição da amplitude de movimento de abdução da coxa.
  • O paciente também pode relatar um ruído repetitivo, referido como um “estalo” no joelho ao caminhar ou correr.

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento da banda ílio-tibial são geralmente suficientes para diagnosticar a síndrome da banda ílio-tibial. O teste de Thomas e o teste de Ober são duas manobras que podem ser úteis na avaliação da flexibilidade dos músculos que se inserem na banda iliotibial. Uma ecografia ou RM podem ser pedidas para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão.

Tratamento

          Neste caso o tratamento de eleição é a prevenção. Sobretudo em atletas é fundamental manter alguns hábitos que evitem que esta condição se desenvolva.
Descanso. Se a sua prática desportiva inclui correr por pisos irregulares ou fazer demasiados agachamentos, certifique-se de que tem o tempo suficiente para descansar entre treinos.
Aplicar gelo para reduzir qualquer inflamação pontual.
Alongamentos da banda ílio-tibial, após o treino.
Técnicas de auto-massagem também podem ser muito úteis na diminuição da tensão excessiva da banda ílio-tibial.
               
Quando o processo inflamatório já está instalado, o tratamento em fisioterapia consiste em:
  • Repouso relativo, diminuindo a quantidade de exercício ou de treino,
  • Calor superficial, aplicado antes e durante o alongamento por pelo menos 5-10 minutos, e alongamento antes do exercício,
  • Gelo após a actividade. Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
  • Ionização ou aplicação de ultrasons

Depois da fase inflamatória inicial (2 a 3 dias) o fisioterapeuta irá incorporar no tratamento:
  • Aconselhamento ao atleta sobre as modificações a fazer no programa de treino de forma a ter resultados mais rápidos com o tratamento.
  • Corrida e ciclismo devem ser diminuídos ou evitados, para diminuir o esforço repetitivo sobre a banda ílio-tibial.
  • Avaliação da biomecânica do paciente durante a caminhada e corrida e deve prestar-lhe assistência na obtenção de calçado mais adequado, palmilhas ou órtoteses sob medida para corrigir a falha mecânica que pode estar a causar os sintomas.
  • Incorporar técnicas adequadas de alongamento na rotina do paciente exercício.
  • Massagem de mobilização dos tecidos moles. Antes de mobilizar os tecidos, o fisioterapeuta pode realizar um tratamento de ultrasons para aumentar o fluxo sanguíneo local e preparar o tecido a ser esticado. 
  • Programa de exercícios a realizar no domicílio, que continue a melhorar a força e a resistência do quadril e joelho, bem como as costas e abdominais. Uma vez que o paciente seja capaz de realizar todos os exercícios de fortalecimento sem desconforto, poderá regressar gradualmente à prática desportiva.


Exercícios terapêuticos para a síndrome da banda ílio-tibial

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma síndrome da banda ílio-tibial. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Alongamento activo da cadeia posterior
Deitado, com um elástico na ponta do pé, com a coxa e joelho dobrados a 90o. Mantenha a tensão no elástico enquanto estica o mais possível o joelho, puxado a ponta do pé para si. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 Alongamento activo do tensor da fascia lata
Em pé, com a perna a alongar cruzada atrás da outra. Empurre a anca no sentido da perna a alongar.
Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 


 Fortalecimento isométrico do quadricípite
Sentado, com a perna estendida e um rolo sob o joelho. Esprema e o rolo e solte suavemente, enquanto sente a contracção imediatamente acima do joelho.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Orchard JW, Fricker PA, Abud AT, Mason BR. Biomechanics of iliotibial band friction syndrome in runners. Am J Sports Med. 1996 May-Jun;24(3):375-9.
Fredericson M, Wolf C. Iliotibial band syndrome in runners: innovations in treatment. Sports Med. 2005;35(5):451-9.