Mostrar mensagens com a etiqueta saúde no desporto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta saúde no desporto. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Síndrome da dor patelo-femoral – exercícios de reforço muscular

A síndrome da dor patelo-femoral (SDPF) é o termo médico dado à dor na face anterior do joelho, proveniente da articulação patelo-femoral (a articulação entre a patela (rótula) e o fémur).


 Em 2012, foram publicadas duas revisões sistemáticas demonstrando que existe uma associação entre abdutores da coxofemoral fracos e SDPF. Lankhorst et al encontraram diminuição significativa de força nos abdutores e rotadores externos da coxofemoral, quando ajustado ao peso corporal do paciente, em pacientes com SDPF em comparação com o grupo controlo. Para além disso, Barton et al investigaram a atividade do músculo glúteo em pacientes que sofrem de SDPF. Descobriram que a ativação do músculo glúteo médio está atrasada e é de menor duração durante a subida/descida de escadas e na corrida. Em contraste, a atividade do músculo glúteo máximo está aumentada durante a descida de escadas em indivíduos com SDPF.
-->

Em 2010, Fukuda et al conduziram um estudo randomizado controlado (RCT), comparando os efeitos de curto prazo de um programa de fortalecimento combinado do quadríceps com os rotadores laterais e os abdutores da coxofemoral com o programa tradicional de fortalecimento do quadríceps. Após 4 semanas, os doentes no primeiro grupo mostraram melhorias significativamente superiores na função e redução da dor.

Com estes resultados faz sentido abordar durante o reforço muscular, para além do quadríceps, tanto os abdutores como os rotadores externos da coxofemoral. Seguem abaixo alguns exemplos de exercícios para fortalecimento destes grupos musculares.
-->












terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Do desporto à saúde, já sabemos tudo?


Entrevista com:
Prof. Doutor Daniel Marinho

P.: Uma das suas áreas de investigação relaciona-se com métodos de melhoria da performance desportiva, nomeadamente na natação. Atualmente debate-se a questão das alterações fisiológicas decorrentes do excesso de treino, sobretudo nos jovens atletas, acarretando muitas vezes implicações para o seu normal desenvolvimento e saúde. Pode dar-nos a sua opinião sobre este tema?

Obrigado pela questão. Na minha opinião a prática desportiva é muito importante e tem vantagens muito grandes no desenvolvimento físico, mental e emocional de um jovem. Contudo, é preciso estar muito atento aos sinais de fadiga, ao aparecimento de lesões e alguma contraindicação que possa haver. Em qualquer dos casos, é minha opinião que um processo controlado e bem orientado tem mais vantagens do que desvantagens.

P.: A prática desportiva é inquestionavelmente um fator de desenvolvimento pessoal a vários níveis, sobretudo para as crianças e jovens. Que conselhos práticos pode dar aos pais que pretendem que os seus filhos pratiquem algum tipo de desporto? Desportos individuais ou coletivos, devem os pais deixar escolher ou apresentar opções aos filhos?

Tal como referi, a prática desportiva é essencial no desenvolvimento. A escolha da modalidade/variante deve ser algo definido entre os pais e os filhos, tendo em conta os gostos deles, grupo de amigos, e as condições existentes para essa prática. Fundamentalmente, as crianças não devem estar obrigadas a praticar algo, o que não  quer dizer que por vezes os pais não tenham que insistir ou levar a que a criança sinta essa vontade (uma questão de educação).

P.: Foi recentemente distinguido como Melhor investigador do Ano pela International Society of Swimming Coaching, sendo reconhecido o seu envolvimento direto, e da sua equipa, com atletas e o trabalho "fora do laboratório", o que entende que pode ser melhorado no panorama investigação em Portugal para agilizar o processo de aplicação do conhecimento científico à prática?

Excelente questão. Fundamentalmente é envolver as pessoas que estão no terreno. Tentar perceber de que forma a investigação pode ajudar os técnicos desportivos, perceber o que pode ser uma mais-valia para os técnicos e atletas. E depois fazer o trabalho de formação com esse técnicos, ajudando-os, se necessário, na aplicação desses dados no terreno.

P.: Para terminar, algum novo projeto de investigação nesta área que pensa merecer especial atenção? Ou sugestão de temas que seriam interessantes investigar no futuro?

Para mim em particular, quero continuar nesta área de investigação. Contudo, temos alguns projetos em andamento (outros em projeto apenas) nomeadamente da aplicação da dinâmica computacional de fluidos na natação e noutras atividades aquáticas (canoagem, remo, por exemplo). Para além disso, não só a questão do treino é importante. Temos alguns projetos sobre os efeitos de diferentes práticas desportivas, por exemplo, o efeito de aulas de hidroginástica, de diferentes programas de atividade (mais volume, mais intensidade, ...) na condição física.


Daniel Marinho

Professor na Universidade da Beira Interior
Licenciado em desporto e educação física pela UP
Doutorado em ciências do desporto pela UTAD, docente na universidade da beira interior. 
Treinador de natação.



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Síndrome de dor patelo-femoral


A síndrome da dor patelo-femoral é o termo médico dado à dor na face anterior do joelho, que é proveniente da articulação patelo-femural (ou seja, a articulação entre a patela (rótula) e o fémur. A síndrome da dor patelo-femoral é geralmente associada à inflamação ou danos causados às estruturas articulares. Esta condição é mais frequente em adolescentes do sexo feminino, em operários com trabalhos fisicamente exigentes, e nos atletas. E pode ser causada por:
  • Mau Alinhamento da rótula. Se assim for, actividades vigorosas podem causar stress excessivo e consequente desgaste na cartilagem da rótula. Isso pode provocar dor no osso subjacente e irritação da articulação.
  • Problemas nos pés, como o pé plano ou andar com o pé em pronação, podem fazer com que o joelho sofra uma alteração de alinhamento, rodando para dentro e colocando mais pressão sobre a articulação patelo-femoral.
  • Lesões no joelho, incluindo pequenas lesões repetidas devido ao treino excessivo ou ao mau gesto técnico associado à laxidez ligamentar.
  • Uma diminuição da força muscular ou um desequilíbrio muscular no membro inferior pode contribuir para o agravamento desta síndrome, pois os músculos desempenham um papel importante ao absorver as tensões exercidas sobre o joelho.



Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor ao redor do joelho. A dor é sentida na parte da frente e no interior do joelho. Muitas vezes é difícil identificar o local exacto, podendo ser descrita como uma dor vaga à frente do joelho.
  • A dor não é constante. É geralmente pior ao subir e descer escadas ou em alguns desportos. Além disso, pode ser provocada por ficar sentado por longos períodos.
  • Pode haver uma sensação de crepitação acompanhada do som de “estalos” do joelho à medida que este mexe.
  • Por vezes ocorre inchaço ao redor da rótula.
  • Padrão de marcha caraterístico

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do joelho são suficientes para diagnosticar a síndrome de dor patelo-femoral. Esta condição em si não é vista nos exames de imagem, como o raio-X ou RM, pelo que estes podem ser pedidos apenas para descartar outras patologias ou avaliar a extensão da danos na articulação.


Tratamento

         Os objectivos do tratamento numa primeira fase, consistem e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Compressão: um joelho elástico pode ser usado para controlar o inchaço.
Elevação: A perna deve ser elevada um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.
Após este período, o tratamento irá incidir sobretudo no fortalecimento muscular e na reeducação do gesto desportivo ou da posição de trabalho. Algumas técnicas utilizadas são:
  • Exercícios de fortalecimento estático do quadricípite e glúteos. (Veja aqui um plano de exercícios específico)
  • Estimulação eléctrica funcional (FES) pode ser usada para estimular o músculo quadricípite.
  • Ligadura de tape para o realinhamento da rótula no sulco femural demonstrou ter efeitos positivos em jovens do sexo feminino entre os 10 e os 20 anos com este síndrome.
  • Progressivamente devem ser introduzidos exercícios em carga, como o leg press e agachamentos (nunca a mais de 90º de flexão do joelho).
  • Deve ser feita uma avaliação da biomecânica do paciente durante a caminhada e corrida para escolher o calçado, palmilhas ou órtoteses mais adequados para corrigir alguma falha mecânica que possa estar a causar os sintomas.

A cirurgia é pouco usada nestes casos. No entanto, pode ser útil para, por exemplo, liberar um ligamento tenso, de forma a corrigir o alinhamento da rótula.

Exercícios terapêuticos para a síndrome de dor patelo-femoral

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma síndrome de dor patelo-femoral. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


 Fortalecimento do quadricípite
Deitado, com um rolo sob o joelho. Contraia o músculo da coxa e perna de forma a esticar o joelho e puxar a ponta do pé para si.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 

Fortalecimento dos quadricípites
Em pé, com a região lombar apoiada na bola e os pés ligeiramente afastados. Dobre os joelhos até aos 45o/60o, mantendo as costas alinhadas. Suba lentamente para a posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Alongamento do quadricípite
Em pé, apoiado. Agarre no pé da perna a alongar e aproxime-o o mais possível da bacia. Mantenha as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.
  


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Earl JE, Hoch AZ. A proximal strengthening program improves pain, function, and biomechanics in women with patellofemoral pain syndrome. Am J Sports Med. 2011 Jan;39(1):154-63.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Luxação da rótula


A rótula, osso de protecção do joelho e de alavanca biomecânica do quadricípite, está projectada para deslizar verticalmente dentro do sulco formado na extremidade distal do fémur, consoante o joelho dobra e se estende. A luxação da rótula ocorre quando a esta se move ou é movida para o fora desse sulco. A rótula também pode apenas sofrer uma subluxação, o que significa que se moveu parcialmente, mantendo-se no entanto dentro dos limites do sulco femural.
Geralmente estas luxações são resultado de um impacto forte ou de um movimento de torção do joelho. Na maioria dos casos, a rótula volta facilmente à posição correcta através da extensão do joelho, no entanto este movimento será extremamente doloroso.
Alguns dos factores de risco que podem potenciar a luxação da rótula incluem:
  • Pouca força do VMO - O VMO (vasto medial oblíquo) faz parte do músculo quadricípite e tem como uma das suas funções a manutenção da rótula na posição desejada, dentro do sulco femural, durante os movimentos, puxando-a para o centro da articulação do joelho. Se o músculo não for suficientemente forte, ou suas fibras não tiverem a orientação adequada, a rótula é muito mais susceptível à luxação.
  • Pronação excessiva do pé ou pé plano
  • Ângulo Q - Algumas pessoas têm um ângulo femural (conhecido como ângulo Q) maior que o normal, o que pode provocar uma postura caracteristica, com os joelhos demasiado juntos (joelho valgo). Neste caso quando a pessoa estende a perna, a rótula é puxada automaticamente para fora, aumentando assim o risco de luxação.


Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Inchaço na articulação do joelho
  • Dor ao redor da rótula
  • Mobilidade reduzida no joelho
  • Deslocamento visível da rótula

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do joelho são geralmente suficientes para diagnosticar a luxação da rótula. Um raio-X pode ser pedido para confirmar o diagnóstico e descartar a hipótese uma ruptura do ligamento cruzado anterior, que pode dar alguns sintomas semelhantes a uma subluxação da rótula.

Tratamento

      O tratamento em fisioterapia, imediatamente após a lesão e enquanto o diagnóstico não está confirmado, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Pare imediatamente a actividade que estava a realizar. Se tiver de caminhar utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Elevação: O pé deve ser elevado um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
Deve procurar acompanhamento médico o mais rapidamente possível, quanto mais cedo a luxação for reduzida melhor será o prognóstico de recuperação. De seguida o médico poderá ligar o joelho, prescrever medicação para reduzir a dor e controlar a inflamação, normalmente anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs), e indicar acompanhamento em fisioterapia.
Nas primeiras duas semanas após a lesão, o plano de fisioterapia deverá incluir:
  • Aplicação de uma tala para manter a perna em extensão
  • Gelo e joelheira de compressão para controlar o inchaço
  • Correntes interferênciais e ultra-som
  • Uma ligadura com tape para reposicionamento da rótula após a remoção da tala.
  • Exercícios de fortalecimento estático do quadricípite e alongamento dos isquiotibiais

Na terceira e quarta semana:
  • Começar com fortalecimento activo e em carga, no final da quarta semana já deve ser capaz de suportar o peso do corpo sobre a perna

Da quinta à oitava semana
  • Começar por caminhadas curtas, piscina e bicicleta
  • Manter os exercícios de fortalecimento e acrescentar treino de equilíbrio e treino proprioceptivo
  • Introduzir progressivamente a actividade desportiva no plano de reabilitação.


Exercícios terapêuticos para luxações da rótula

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma luxação da rótula. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Fortalecimento isométrico do quadicipete
Sentado, com a perna estendida e um rolo sob o joelho. Esprema e o rolo e solte suavemente, enquanto sente a contracção imediatamente acima do joelho.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Fortalecimento dos quadricípites
Em pé, com a região lombar apoiada na bola e os pés ligeiramente afastados. Dobre os joelhos, mantendo as costas alinhadas. Suba lentamente para a posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Alongamento do quadricípite
Em pé, apoiado. Agarre no pé da perna a alongar e aproxime-o o mais possível da bacia. Mantenha as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Smith TO, Davies L, Chester R, Clark A, Donell ST. Clinical outcomes of rehabilitation for patients following lateral patellar dislocation: a systematic review. Physiotherapy. 2010 Dec;96(4):269-81.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Contusão muscular nos gémeos


Os gémeos são responsáveis por elevar o calcanhar, impulsionando o pé para a frente durante a marcha ou a corrida. A contusão muscular nos gémeos é muito comum em desportos de contacto e acontece na sequência de um impacto directo sobre estes músculos, que pode provocar danos nas fibras musculares, no tecido conjuntivo e em pequenos vasos sanguíneos intra-musculares.
As contusões musculares nos gémeos podem ser apenas intra-musculares, ou seja, dá-se uma ruptura das fibras musculares, sem envolver a bainha muscular (fino tecido que envolve e protege cada músculo). Isso significa que o sangramento inicial pode parar mais cedo (em poucas horas) devido ao aumento da pressão dentro do músculo, pois como a bainha muscular está intacta, impede o fluido de se espalhar para fora do músculo. O resultado é uma perda considerável da função e dor que pode levar dias ou semanas a recuperar. Não é provável a formação de um hematoma visível neste tipo de lesão, especialmente numa fase inicial.
A contusão pode ser inter-muscular, em que há uma ruptura do músculo e de parte da bainha que o rodeia. Isto significa que a hemorragia inicial vai demorar mais tempo a parar, especialmente se não colocar gelo. No entanto, a recuperação é muitas vezes mais rápida do que nas rupturas intra-musculares, pois o sangue e outros fluidos não estão confinados à bainha muscular, podendo ser reabsorvidos mais rapidamente. Um hematoma, que pode alastrar-se a toda a região da perna, dependendo da gravidade da lesão, é frequentemente observado.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor resultante de uma forte pancada na perna.
  • Pode ter inchaço ou hematoma na região posterior da perna
  • É comum sentir a amplitude de movimento limitada
  • Nas contusões mais graves pode sentir uma descontinuidade quando palpa o músculo, que é indicativo de ruptura muscular significativa. Se for esse o caso deve procurar aconselhamento médico de imediato.

Se após 2-3 dias da lesão o inchaço não passou e tem dificuldade em mexer a perna então provavelmente tem uma lesão intra-muscular. Se o hematoma se espalhou para longe do local da lesão, então provavelmente tem uma lesão inter-muscular.
Neste tipo de lesões é fundamental fazer uma boa avaliação, incluindo uma história clínica detalhada e exame da perna. Uma ecografia pode ser pedida para avaliar a gravidade da lesão.
Um bom diagnóstico é muito importante, pois se tentar praticar desporto com uma ruptura completa do músculo, ou uma lesão intra-muscular grave pode inibir o processo de cicatrização. Se aplicar calor e massagens nas fases iniciais, poderá desenvolver um processo de miosite calcificante traumática.

Tratamento

      O tratamento em fisioterapia, imediatamente após a lesão e enquanto o diagnóstico não está confirmado, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Compressão: um elástico pode ser usado para controlar o inchaço.
Elevação: O pé deve ser elevado um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
No período de 3 a 5 dias após a lesão, dependendo da sua gravidade, deve ser iniciado um programa de fisioterapia. As técnicas que revelam maior eficácia nesta condição:

Para contusões Grau I (menos graves)
  • Técnicas de massagem para acelerar a recuperação (muito importante)
  • Exercícios para o alongamento suave dos gémeos e fortalecimento muscular progressivo
  • O atleta deverá reduzir a carga de treino durante uma ou duas semanas, mas não há necessidade de parar a menos que haja dor.


Para contusões Grau II
  • Mobilização articular do tornozelo e joelho para ganho de amplitude.
  • A partir do terceiro dia aplicar calor, desde que não desperte os sinais inflamatórios
  • Exercícios para melhorar a flexibilidade e força (exercícios em descarga) desde que não provoque dor.
  • A partir do sétimo dia incluir exercícios em carga. Podem-se combinar com exercícios na bicicleta e natação.
  • A partir dos 14 dias após a lesão poderá começar a correr lentamente e fazer a reintrodução à sua prática desportiva.


Para contusões Grau III
  • Apenas a partir da 2ª semana se deve inicial o reforço muscular com contracções estáticas (desde que não provoque dor). Aplicação de calor e ultra-sons. Exercícios de mobilização activa.
  • Na terceira semana poderá a adicionar exercícios de elevação da perna a direito com pesos.
  • Na semana 4 poderá introduzir natação ou bicicleta, e exercícios de alongamento suave.
  • Na 5ª semana deverá iniciar a corrida e os agachamentos. O fisioterapeuta deve elaborar exercícios progressivamente mais parecidos com o gesto desportivo.


Exercícios terapêuticos para contusões musculares nos gémeos

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma contusão nos gémeos. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


 

Alongamento dos gémeos
De pé, com as mãos ao nível dos ombros apoiadas na parede. Colocar a perna a alongar esticada e atrás, dobrar à frente o joelho da outra perna, com as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Reforço muscular dos gémeos
Em pé, apoiado numa cadeira, coloque-se em pontas dos pés. Desça lentamente até todo o pé apoiar no chão. Repita este movimentos entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Counsel P, Breidahl W. Muscle injuries of the lower leg. Semin Musculoskelet Radiol. 2010 Jun;14(2):162-75.
Larson CM, Almekinders LC, Karas SG, Garrett WE. Evaluating and managing muscle contusions and myositis ossificans. Phys Sportsmed. 2002 Feb;30(2):41-50.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Luxação do ombro


A articulação do ombro é a articulação entre a cabeça do úmero e a cavidade glenóide da omoplata. Esta articulação funciona de forma semelhante à anca, no entanto a cavidade onde a cabeça (do úmero neste caso) se encaixa não é tão profunda, o que ao ombro uma maior amplitude de movimento do quadril, mas, em contrapartida, mais instabilidade.
Para compensar esta instabilidade a cavidade glenóide possui nos seus bordos o labrum glenóideo, uma espécie de anilha de tecido fibrocartilaginoso que aumenta a superfície articular. Para além disso a articulação é inteiramente revestida por uma cápsula articular e pelos músculos da coifa dos rotadores.
As luxações do ombro ocorrem geralmente no sentido anterior (95-98% dos casos), com a cabeça do úmero a deslocar-se para a frente em relação ao resto do ombro. A luxação posterior é a segunda mais frequente (cerca de 3% dos casos), e luxações inferiores, superiores e intratorácicas são muito raras.
Um deslocamento da cabeça do úmero para fora da cavidade glenóide pode ser parcial (subluxação), e nesse caso será avaliada a percentagem de superfície articular deslocada, ou poderá ser uma luxação completa, toda a cabeça do úmero se encontra fora da cavidade articular. Ambas causam dor e instabilidade no ombro.
A luxação do ombro é quase sempre traumática. Isso geralmente ocorre em quedas com o braço afastado do tronco e com uma força dirigida no sentido anterior. Este tipo de lesão é mais frequente em homens entre os 20-30 anos e em mulheres entre os 60-80 anos.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor aguda e intensa com início repentino, muitas vezes associada à sensação que o ombro “saltou para fora”.
  • Deformidade visível no ombro, geralmente perdendo o contorno arredondado.
  • O paciente geralmente segura o braço junto ao corpo e não permite a rotação externa ou a abdução do ombro.
  • Se houver algum dano dos nervos ou vasos sanguíneos que passam pelo ombro também pode haver sensação de formigueiro, dormência ou palidez do braço até à mão.

É importante uma boa avaliação, com a história clínica e exame do ombro. Mesmo quando o diagnóstico de luxação é clinicamente evidente, o ombro deve ser radiografado para excluir uma fractura associada (acontece em 30% dos casos de luxação) ou lesão na cápsula e labrum glenoideu, como acontece nas lesões de Bankart e Hill-Sachs.

Tratamento

Logo no local da lesão há que ter em consideração que uma luxação do ombro geralmente não pode ser correctamente imobilizada com um sling, portanto a melhor opção será acomodar o melhor possível o braço, na posição em que ele se encontra. Se um médico assistir à lesão e estiver seguro de que existe pouco risco de fractura poderá tentar a redução da luxação de imediato, o que provoca um alívio significativo das dores e melhora o prognóstico de recuperação. No entanto será sempre necessário imobilizar o braço e encaminhar para exames de imagem, como o raio-X.
Se a redução não for tentada no local o espasmo muscular tende a agravar-se logo após a luxação e faz com que a redução seja mais difícil. Devem ser efectuados raio-X antes da redução. A técnica utilizada é muitas vezes escolhida tendo em conta a experiência ou preferência do clínico e o resultado do raio-X. A analgesia adequada e relaxamento são essenciais.
Em luxações recorrentes, alguns pacientes podem aprender a reduzir o seu próprio ombro e fazê-lo de imediato, melhorando assim o prognóstico de recuperação.
Quando existe uma fractura associada o tratamento cirúrgico é geralmente necessário. Um estudo recente indica que a cirurgia pode ser a melhor opção de tratamento para jovens adultos que tiveram luxação aguda traumática do ombro e que pretendem continuar a praticar desportos ou actividades fisicamente exigentes.
Após a redução, o ombro é geralmente imobilizado por 2-4 semanas, embora haja evidência de que aqueles que são mobilizados precocemente têm períodos de recuperação mais curtos e com melhores resultados. O plano de tratamento em fisioterapia geralmente é iniciado:

Fase 1 (1ªsemana): Imobilizar, reduzir a dor e a inflamação
  • O ombro deve estar imobilizado com um sling por pelo menos uma semana, dependendo da gravidade dos danos associados.
  • Realizar exercícios do punho e mão,
  • Aplique gelo regularmente, por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar novamente, coloque uma toalha fina entre o gelo e a pele.
  • Se prescrito, poderá tomar anti-inflamatórios
  • Poderá aplicar uma ligadura em tape para apoio extra.


Fase 2 (semanas 2-4): Iniciar a mobilização do ombro
  • Quando a dor permitir deve iniciar exercícios de mobilidade do ombro
  • Evite os movimentos combinados de abdução (afastar o braço do corpo) e rotação externa (virar o braço para fora).
  • Continuar a usar o sling quando não estiver a realizar os exercícios.
  • Gelo após o exercício.


Fase 3 (semanas 4-6): Alcançar a amplitude completa de movimento e começar a fortalecer
  • Iniciar os exercícios de reforço muscular estático, desde que não provoque dor.
  • Começar a mobilizar o braço em abdução e rotação externa, no entanto não deve fazer exercícios de reforço muscular nestas posições.
  • Continuar com exercícios de mobilidade
  • Tentar deixar de usar o sling e conseguir uma amplitude de movimento completa


Fase 4 (semanas 6-10): força igual em ambos os ombros, manter mobilidade completa.
  • Exercícios de reforço muscular dinâmico, desde que não provoque dor.
  • Começar o reforço muscular estático com o braço em abdução e rotação externa.
  • Continuar com exercícios de mobilidade em toda a amplitude de movimento e introduzir exercícios de propriocepção.
  • Iniciar exercícios semelhantes às actividades funcionais.
  • Reintrodução gradual ao desporto/actividade, começando com exercícios de treino, sem contacto e lentamente aumentar o grau de exigência dos exercícios.


Exercícios terapêuticos para a luxação do ombro

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma luxação do ombro. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Movimentos pendulares
Com o tronco inclinado, apoie um braço numa mesa. Com o outro faça pequenas oscilações circulares. Utilize o peso apenas se não causar desconforto na articulação
Repita entre 15 a 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 


 Mobilização da cintura escapular
De joelhos, com ambas as mãos apoiadas na bola. Faça pressão contra a bola, baixando os ombros e projectando-os para a frente. Mantendo a pressão rode a bola à frente. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 15 a 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.