sábado, 1 de dezembro de 2012

Ruptura dos tendões da coifa dos rotadores, no ombro


A coifa dos rotadores é um grupo de quatro músculos que estão posicionados ao redor da articulação do ombro:
  • Supraespinhoso
  • Infraespinhoso
  • Subescapular
  • Redondo menor

Estes músculos trabalham como uma unidade, ajudando a estabilizar a articulação do ombro e contribuindo também com o movimento da articulação. Os quatro tendões da coifa juntam-se para formar um tendão maior, chamado de tendão da coifa dos rotadores. Este tendão insere-se em volta da cabeça do úmero, por cima da cápsula articular e por baixo do acrómio.
A maioria das rupturas ocorrem no tendão do músculo supraespinhoso, no entanto, outros músculos da coifa poderão estar envolvidos.
As rupturas da coifa dos rotadores poderão resultar de:
Uma lesão aguda: Geralmente acontece em quedas sobre o braço ou levanta de repente uma carga demasiado pesada. Este tipo de lesão está muitas vezes associado a outras lesões no ombro, como uma fractura da clavícula ou luxação do ombro.
Um processo degenerativo: A maioria das rupturas da coifa dos rotadores é o resultado de um desgaste do tendão, que ocorre lenta e progressivamente ao longo do tempo. Esta degeneração ocorre naturalmente à medida que envelhecemos. Estas rupturas são mais comuns no braço dominante. Se tiver uma ruptura de origem degenerativa num dos ombros, há um maior risco de sofrer uma ruptura no ombro oposto, mesmo que não tenha dor.
Vários factores contribuem para as rupturas degenerativas da coifa, incluindo:
  • Esforços repetitivos que coloquem em tensão os tendões da coifa (movimentos em elevação dos braços), 
  • Falta de irrigação sanguínea (à medida que envelhecemos, o fornecimento de sangue para os tendões diminui, diminuindo a capacidade natural do corpo para reparar danos do tendão), 
  • Esporões ósseos (à medida que envelhecemos, osteófitos desenvolvem-se frequentemente na parte inferior do acrómio provocando pressão e desgaste sobre os tendões)


Sinais e sintomas/ Diagnóstico

No caso das rupturas agudas:
  • Dor de início súbito, sensação de ruptura no ombro, seguido por dor intensa no braço
  • Limitação de movimento do ombro devido à dor ou espasmo muscular
  • Dor intensa por alguns dias (devido ao sangramento e espasmo muscular), que geralmente se resolve rapidamente
  • Sensibilidade sobre o ponto específico de ruptura
  • Se a ruptura for total, você será incapaz de abduzir o braço (afastá-lo do corpo).

No caso das rupturas com origem num processo degenerativo:
  • Geralmente localizam-se no lado dominante e são mais frequentes após os 40 anos.
  • A dor é pior à noite, e podem afectar o sono
  • Agravamento gradual da dor, fraqueza muscular.
  • Poderá conseguir abduzir e elevar o braço acima da cabeça sem auxílio, no entanto sentirá alguns movimentos limitados.


Tratamento

As rupturas da coifa dos rotadores podem aumentar com o tempo. Pelo que se tiver uma ruptura dos tendões da coifa e os continuar a forçar poderá agravar a lesão e piorar o prognóstico de recuperação.
Não existe evidência de que a cirurgia realizada precocemente tenha melhores resultados do que as realizadas mais tarde. Por esta razão, muitos médicos recomendam como primeira opção o tratamento conservador. Entre 50-90% dos pacientes melhoram a amplitude de movimento do ombro e sentem redução da dor com este tratamento:
Analgésicos e anti-inflamatórios: analgésicos como o paracetamol geralmente são úteis em rupturas da coifa dos rotadores. Ocasionalmente, os analgésicos mais fortes podem ser necessários. Os anti-inflamatórios, como o ibuprofeno ou o diclofenaco, poderão ser necessários para controlar a inflamação.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Descanso: Evite os movimentos que provocam os sintomas. Evite gestos repetitivos dos membros superiores.
Fisioterapia: o tratamento poderá demorar entre 2-6 semanas, dependendo do mecanismo de lesão, da sua gravidade e da condição física do paciente. Poderá incluir:
  • Massagem de mobilização de tecidos sobre a zona do tendão e músculo.
  • Quando a dor permitir iniciar exercícios de mobilidade do ombro
  • Aplicação de ultra-sons no local da ruptura
  • Exercícios de reforço muscular dos músculos da coifa, desde que não provoque dor.
  • Reintrodução gradual ao desporto/actividade, começando com exercícios de treino, sem contacto e lentamente aumentar o grau de exigência dos exercícios.

Caso tenha menos de 60 anos de idade, uma ruptura completa do tendão, não tenha apresentado melhorias ao final de 6 semanas de tratamento conservador ou seja um profissional/desportista que necessita de força e amplitude de movimentos completa para realizar a sua actividade, o tratamento cirúrgico será o mais indicado. A cirurgia envolve geralmente a descompressão (alargamento) do espaço sob o acrómio, podendo também incluir a reparação do tendão. A cirurgia pode ser feita por artroscopia ou método aberto.

Exercícios terapêuticos para a ruptura da coifa dos rotadores

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma ruptura da coifa dos rotadores. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



 

 Fortalecimento dos rotadores externos do ombro
Em pé, com o cotovelo a 90o e encostado ao tronco, com o elástico na palma da mão, rode o antebraço para fora, mantendo o cotovelo perto do tronco, volte lentamente á posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Fortalecimento dos rotadores internos do ombro
Em pé, com os braços a 90o e as costas alinhadas. Puxe o elástico, rodando os antebraços para a frente e para baixo. Volte lentamente á posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Fortalecimento dos adutores da omoplata
De joelhos ou em pé, com ombros e costas alinhados e cotovelos a 90o. Puxe os cotovelos para trás mantendo a posição dos ombros. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.