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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Contusão muscular nos isquio-tibiais

Os isquio-tibiais são os músculos da face posterior da coxa, têm origem comum na tuberosidade isquiática (saliência óssea palpável atrás da coxa, a meio da prega glútea) e dividem-se em semi-membranoso e semi-tendinoso, que se inserem logo abaixo e na face medial do joelho e em bicípite femural, que se insere abaixo e na face lateral do joelho. 
No seu conjunto, são responsáveis por estender a coxa e dobrar o joelho. A sua acção é importante para manter a perna estendida enquanto o peso do corpo passa para a outra perna durante a marcha ou a corrida. 
A contusão muscular nos isquio-tibiais é comum em desportos de contacto e acontece na sequência de um impacto directo sobre este músculo, que pode provocar danos nas fibras musculares, no tecido conjuntivo e em pequenos vasos sanguíneos intra-musculares.
As contusões musculares nos isquio-tibiais podem ser:
  • Intra-musculares, ou seja, dá-se uma ruptura das fibras musculares, sem envolver a bainha muscular (fino tecido que envolve e protege cada músculo). Isso significa que o sangramento inicial pode parar mais cedo (em poucas horas) devido ao aumento da pressão dentro do músculo, pois como a bainha muscular está intacta, impede o fluido de se espalhar para fora do músculo. O resultado é uma perda considerável da função e dor que pode levar dias ou semanas a recuperar. Não é provável a formação de um hematoma visível neste tipo de lesão, especialmente numa fase inicial.
  • Inter-musculares, em que há uma ruptura do músculo e de parte da bainha que o rodeia. Isto significa que a hemorragia inicial vai demorar mais tempo a parar, especialmente se não colocar gelo. No entanto, a recuperação é muitas vezes mais rápida do que nas rupturas intra-musculares, pois o sangue e outros fluidos não estão confinados à bainha muscular, podendo ser reabsorvidos mais rapidamente. Um hematoma, que pode alastrar-se a toda a região da coxa, dependendo da gravidade da lesão, é frequentemente observado.


Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor resultante de uma forte pancada na face posterior da coxa.
  • Pode ter inchaço ou hematoma na região posterior da coxa.
  • É comum sentir a amplitude de movimento limitada
  • Nas contusões mais graves pode sentir uma descontinuidade quando palpa o músculo, que é indicativo de ruptura muscular significativa. Se for esse o caso deve procurar aconselhamento médico de imediato.

Se após 2-3 dias da lesão o inchaço não passou e tem dificuldade em mexer a perna então provavelmente tem uma lesão intra-muscular. Se o hematoma se espalhou para longe do local da lesão, então provavelmente tem uma lesão inter-muscular.
Neste tipo de lesões é fundamental fazer uma boa avaliação, incluindo uma história clínica detalhada e exame da perna. Uma ecografia pode ser pedida para avaliar a gravidade da lesão. Um bom diagnóstico é muito importante, pois se tentar praticar desporto com uma ruptura completa do músculo, ou uma lesão intra-muscular grave pode inibir o processo de cicatrização ou provocar uma síndrome de compartimento. Se aplicar calor e massagens nas fases iniciais, poderá desenvolver um processo de miosite calcificante traumática.

Tratamento

       O tratamento em fisioterapia, imediatamente após a lesão e enquanto o diagnóstico não está confirmado, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.
No período de 3 a 5 dias após a lesão, dependendo da sua gravidade, deve ser iniciado um programa de fisioterapia. As técnicas que revelam maior eficácia nesta condição:
Para contusões Grau I (menos graves)
  • Técnicas de massagem para acelerar a recuperação (muito importante)
  • Exercícios para o alongamento suave dos isquio-tibiais e fortalecimento muscular progressivo
  • O atleta deverá reduzir a carga de treino durante uma ou duas semanas, mas não há necessidade de parar a menos que haja dor.

Para contusões Grau II
  • Manter o gelo, a compressão e elevação durante a primeira semana
  • A partir do terceiro dia poderá introduzir fortalecimento estático dos isquio-tibiais.
  • Mobilização do membro inferior
  • Aplicar calor (saco de água quente durante 20 minutos no máximo) e ultra-som
  • Ao final da primeira semana introduzir fortalecimento activo
  • Manutenção da capacidade aeróbia com natação ou bicicleta.
  • A partir da segunda semana começar a correr lentamente e voltar progressivamente às suas actividades normais.

Para contusões Grau III
  • Apenas a partir da 2ª semana se deve iniciar o reforço muscular com contracções estáticas (desde que não provoque dor). Aplicação de calor e ultra-sons. Exercícios de mobilização activa.
  • Na terceira semana poderá adicionar exercícios de fortalecimento activo.
  • Na semana 4 poderá introduzir natação ou bicicleta, e exercícios de alongamento suave.
  • Na 5ª semana deverá iniciar a corrida e os agachamentos. O fisioterapeuta deve elaborar exercícios progressivamente mais parecidos com a sua actividade regular.


Exercícios terapêuticos para contusões musculares nos isquio-tibiais

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma contusão nos isquio-tibiais. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Flexão/extensão do joelho
Deitado, com o calcanhar apoiado no chão, puxe o pé em direcção à bacia. Retorne lentamente o pé à posição inicial.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 


 Alongamento dos isquiotibiais
Em pé, com o calcanhar apoiado num degrau, incline o tronco à frente mantendo as costas alinhadas. Mantenha essa posição durante 20 segundos.
Repita entre 6 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.
  




 Fortalecimento dos isquio-tibiais
Deitado, com o elástico preso atrás do calcanhar. Puxe o pé para si e deixe-o voltar lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.



Mendiguchia J, Brughelli M. A return-to-sport algorithm for acute hamstring injuries. Phys Ther Sport. 2011 Feb;12(1):2-14.
Mason DL, Dickens V, Vail A. Rehabilitation for hamstring injuries. Cochrane Database Syst Rev. 2007(1):CD004575.


terça-feira, 21 de maio de 2013

Síndrome de compressão anterior do nervo peronial - estudo de caso clínico


Este estudo de caso surge no contexto da observação clínica do autor, que identificou muitas vezes ao longo dos anos um conjunto de sintomas (síndrome) dolorosos no joelho replicado em vários indivíduos, e confundido frequentemente com a tendinopatia do rotuliano.

O autor propõe que esta nova síndrome deve ser considerada como uma entidade própria, havendo a necessidade de um diagnóstico diferencial específico desta condição clínica.

De seguida apresenta um dos casos clínicos revistos, assim como a proposta e justificação para o diagnóstico diferencial, e a sugestão de tratamento.

Apresentação do Caso Clínico

  • Um jovem de 28 anos, carpinteiro.
  • Veio a consulta por dor no tendão rotuliano.
  • Não foi referido por médico.
  • A dor, embora não fosse grave o suficiente para o impedir de trabalhar, praticar desporto ou fazer as suas atividades diárias, era muito irritante para o paciente
  • Começou há um ano, sem qualquer trauma, ao subir umas escadas, e localiza-se no bordo lateral e proximal do tendão rotuliano
  • Neste caso específico, não foi relatada nenhuma outra dor.
Observou-se no exame físico:
  • Aumento do tónus do músculo peroneal
  • Restrição da neurodinâmica nervo peroneal (Butler, 2005)
  • Subluxação dorsal do osso cubóide, tal como descrito por Mooney e Maffey-Ward (1994).

O tratamento inicial consistiu em:
  • Uma manipulação no sentido plantar do cubóide.

  • Não foi sentida hipomobilidade ou hipermobilidade após a manipulação.
  • Os testes de neurodinâmica estavam agora simétricos em ambas as pernas.
  • Mas ainda havia um ligeiro aumento do tónus dos músculos peroniais. Portanto, o paciente aprendeu a alongar os músculos peroniais.
  • Imediatamente após o tratamento, o paciente não sentia qualquer dor a subir as escadas.
  • A conversa telefónica com o paciente, 3 meses mais tarde, revelou que ele tinha ficado livre de dor após o tratamento.

Quando há dor normalmente associada a um diagnóstico provisório de tendinopatia rotuliana, e se verifica uma melhoria imediata e mantida após esta manipulação torna o diagnóstico de tendinopatia rotuliana menos provável. Em contraste, a síndrome de compressão anterior do nervo peronial, tal como apresentada no presente caso, é o diagnóstico mais provável.

Apresentação típica deste tipo de paciente

  • Quando consultado por um médico, o paciente geralmente apresenta-se com um diagnóstico de tendinite, tendinose, ou tendinopatia rotuliana.
  • A dor é geralmente descrita como uma sensação de queimação localizada sobre a face lateral tendão rotuliano, às vezes irradiando para os músculos peroniais.
  • Os sintomas são geralmente intermitentes e agravados por atividades físicas, principalmente ao correr e, por vezes, subir e descer escadas.
  • O alongamento em flexão plantar com inversão também pode agravar os sintomas.
  • O paciente pode ter tentado outros regimes de tratamento, incluindo anti-inflamatórios não-esteróides, exercícios de fortalecimento excêntrico, terapia de ultra-som e massagem de fricção transversal, mas obtêm apenas uma melhoria temporária e limitada.
  • Finalmente, não há geralmente perda de sensação ou parestesia.


Embora um pouco de dor possa ser reproduzida por palpação noutros lugares ao redor do bordo lateral da inserção proximal do tendão rotuliano a dor associada a esta síndrome é sempre reprodutível precisamente nessa área específica, por palpação.
Esta parece ser a característica mais saliente. Em contrapartida, no caso da tendinopatia rotuliana, a dor não é especificamente desencadeada por palpação do aspecto lateral do tendão.
O médico vai notar um tónus muscular aumentado no compartimento lateral a perna.
Normalmente a neurodinâmica (Butler, 2000) do nervo peronial encontra-se alterada.
Não há nenhuma sensação ou perda motora, reflexos osteotendinosos estão normais, os testes ligamentares e meniscais estão também normais, eversão resistida e flexão plantar sobrepressão são, por vezes, dolorosos
Os resultados dos movimentos acessórios irão revelar uma das seguintes opções: 
  • Subluxação tibioperonial superior 
  • Subluxação tibioperonial inferior 
  • Subluxação do cubóide sem direção preferencial de subluxação.

No geral, a articulação tibioperonial inferior parece ser a menos frequentemente afetada.

Assim, nesta síndrome temos sempre uma tríade de sintomas:
  1. Um ponto doloroso exacto, bordo lateral da inserção proximal do tendão rotuliano,
  2. Hipertonicidade muscular peronial,
  3. Algum grau de subluxação tibioperonial ou do cubóide, baseado na avaliação de movimentos acessórios e testes fisiológicos passivos descritos por Maitland e Kaltenborn.

Tratamento

  • O tratamento inicial consiste numa manipulação de alta velocidade de pouca amplitude da articulação subluxada, reavaliando a mobilidade articular após manipulação. O tónus muscular peronial será sempre menor após uma manipulação com sucesso.
  • Se houver dor ao caminhar ou subir escadas, o efeito é geralmente imediato, e a atividade será agora indo
  • lor ou subjetivamente muito melhor. A manipulação do cubóide e articulações tibioperoniais estão descritas na literatura referenciada.
  • Se o movimento ultrapassar os limites anatómicos após a manipulação normal, então deve ser aplicada ligadura com tape de suporte.
  • Exercícios de neurodinâmica também são ensinados ao paciente para garantir a mobilidade normal das estruturas neurais.
O foco nas próximas sessões do tratamento será restaurar a mobilidade normal articular, tónus muscular peronial normal, neurodinâmica normal, e eliminar qualquer dor residual no tendão rotuliano.
Normalmente, tudo já está normalizado na segunda visita. No entanto, mobilização articular, exercícios de alongamento muscular e neurodinâmico podem ainda ser necessários.

Geralmente, o tratamento é altamente eficaz, mas se houver dor persistente mesmo depois do tratamento descrito em seguida, existe a possibilidade de haver uma tendinopatia real. O regime de tratamento deve, então, ser alterado em conformidade, sendo fundamental o fortalecimento excêntrico do quadricípite.

Conclusão

Após uma nova síndrome de dor ter sido descrita, bem como uma proposta de tratamento, e a razão do diagnóstico diferencial para tendinopatia rotuliana, muitos entusiastas de desporto poderão beneficiar com este diagnóstico. 

Se identificada corretamente, o tratamento pode ser direcionado para as estruturas corretas com as modalidades de tratamento adequadas, que garantam aos pacientes um rápido retorno às suas ocupações anteriores, sem dor e sem tratamentos indevidos.

Investigações futuras devem envolver outros fisioterapeutas testando a tríade de sintomas proposta dentro de um grupo de pacientes diagnosticados com tendinopatia rotuliana, a fim de identificar que percentagem desses pacientes corresponde os critérios apresentados neste trabalho, bem como a eficácia relativa da proposta de tratamento, em comparação com um grupo de controlo, que tornem possível constatar a existência da síndrome sugerida.


Rousseau E. The anterior recurrent peroneal nerve entrapment syndrome: A patellar tendinopathy differential diagnosis case report. Man Ther. 2012 Oct 24.


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Rupturas dos ligamentos do joelho

Os ligamentos colateral medial (LCM) e colateral lateral (LCL), são as estruturas mais frequentemente lesadas no joelho. Na verdade, a ruptura parcial do LCM é a lesão ligamentar mais comum no joelho.
O LCM tem origem no epicôndilo femoral medial e na cápsula articular medial e insere-se na face medial da tíbia, e no menisco medial. Este ligamento é responsável por evitar movimentos excessivos em valgo do joelho
O LCL é um ligamento redondo que tem origem no epicôndilo lateral, logo abaixo do tendão do músculo bicípite femoral e se insere na cabeça do perónio. Este ligamento é responsável por evitar movimentos excessivos em varo do joelho
As lesões no LCM podem acontecer em quase qualquer desporto e podem afectar pessoas de todas as faixas etárias. Acontecem normalmente quando, com a perna estendida numa passada para a frente, o atleta recebe um impacto directo do lado externo do joelho. Menos frequentes são as lesões originadas por uma desaceleração repentina ou por um movimento de torção do joelho. Quanto a lesões por sobreuso, o ligamento pode ser lesado por exemplo em nadadores de bruços
As lesões no LCL são menos comuns e ocorrem por um impacto directo na parte interna do seu joelho. Como é rara, esta lesão pode ser confundida com outras lesões  na face lateral do joelho(por exemplo, síndrome da banda iliotibial, tendinite do bíceps femoral).
Estas rupturas podem ser classificadas segundo a sua gravidade em:
  • Grau I (leve). Também chamada de distensão. É um estiramento que causa apenas lesões microscópicas nos ligamentos.
  • Grau II (moderada). Um estiramento mais severo, que causa uma ruptura parcial dos ligamentos.
  • Grau III (grave). Os ligamentos são completamente rasgados por um estiramento brusco, geralmente durante um acto desportivo ou num acidente.

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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Instabilidade do joelho
  • Dor do joelho e sensibilidade ao longo do percurso do ligamento
  • Inchaço do joelho

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do joelho são geralmente suficientes para diagnosticar a ruptura de ligamentos. Uma ecografia pode ser pedida para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão.
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Tratamento

       O tratamento em fisioterapia, imediatamente após a lesão e enquanto o diagnóstico não está confirmado, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Elevação: O pé deve ser elevado um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
Após a confirmação da lesão, o tratamento varia consoante a sua gravidade.

Ruptura de grau I: As orientações de reabilitação podem ser divididas em 2 fases:
Fase 1: 1ª e 2ª semanas
Objectivos - reduzir o inchaço (se houver), garantir a amplitude total de movimento do joelho, manter a capacidade aeróbica.
  • Repouso de actividades que causam dor. Procure caminhar normalmente desde que não provoque dor.
  • Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
  • Alongamentos do quadricípite e dos isquiotibiais, mobilização activa do joelho
  • Fortalecimento muscular estático dos músculos da coxa
  • Massagem de mobilização dos tecidos moles, a partir do 2º dia, quando já não se observarem sinais inflamatórios
  • Na 2ª semana introduzir exercícios de reforço dinâmico, tais como a extensão do joelho, flexão de joelho e meio agachamento.
  • Começar com massagem transversal profunda em dias alternados
  • Recomeçar treino aeróbio com a bicicleta, elíptica e corrida suave.

Fase 2: 3ª e 4ª semanas
Objectivos - Manter a amplitude completa de movimento, força igual de ambas as pernas, volte a funcionar e algumas modalidades de formação específica.
  • Aumentar a intensidade, amplitude e carga dos exercícios até a sua força e confiança ser igual em ambas as pernas.
  • Incluir mudanças de direcção na corrida
  • Na 4ª semana incluir saltos e exercícios pliométricos.
  • Retorno gradual à prática desportiva
  • Nos primeiros treinos pode ser aplicada uma ligadura elástica ou em tape para dar maior suporte ao joelho e confiança ao atleta.


Ruptura de grau II ou III: As orientações de reabilitação podem ser divididas em 3 fases:
Nas rupturas de grau II e III, em particular as de grau III, é importante que as extremidades do ligamento sejam protegidas para se dar uma correcta cicatrização.
Fase 1: Primeira à quarta semana
Objectivos - controlar o inchaço, manter a capacidade de esticar e dobrar o joelho a mais de 90 graus.
  • Repouso de todas as actividades dolorosas. Canadianas devem ser usadas. Deve ser iniciada carga parcial na 2ª semana, e à 4 semana já deve estar a caminhar normalmente.
  • Tala ou joelheira para proteger os ligamentos e prevenir a instabilidade do joelho
  • Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
  • Massagem de mobilização dos tecidos moles, a partir do 2º dia, quando já não se observarem sinais inflamatórios
  • Alongamento da musculatura da coxa e perna, desde que não desperte os sintomas
  • Fortalecimento estático da musculatura da coxa e perna, desce que não desperte os sintomas

Fase 2: semana 5 e 6
Objectivos – Eliminar por completo o inchaço do joelho, apoio total do peso do corpo, amplitude de movimento completa, força próxima da perna sã.
  • Introduzir exercícios de fortalecimento dinâmico - flexão de joelho, extensão de joelho, meio agachamento
  • Pode ser possível começar a nadar (sem ser estilo de bruços) ou a trabalhar no step para manter a capacidade aeróbia.

Fase 3: Semanas 6, 7, 8, 9 e 10
Objectivos – amplitude articular e força muscular iguais em ambas as pernas, iniciar a corrida e por volta da 10ª semana retorno gradual à prática desportiva.
  • Aumentar a intensidade, amplitude e carga dos exercícios até a sua força e confiança ser igual em ambas as pernas.
  • Começar com massagem transversal profunda em dias alternados
  • Recomeçar treino aeróbio com a bicicleta, elíptica e corrida suave.
  • Iniciar corrida, progredindo na 8ª semana para começar a fazer corrida de lado e de costas, à 10ª semana começar com mudanças de direcção e velocidade
  • À 8ª semana começar a introduzir exercícios próximos do gesto desportivo e à 10ª semana reintroduzir a prática desportiva ou o trabalho


Exercícios terapêuticos para uma ruptura do ligamento colateral medial

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma ruptura nos meniscos. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Alongamento da cadeia posterior
Sentado, com a perna a alongar esticada. Tente chegar com as mãos o mais abaixo possível. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.





Fortalecimento isométrico dos isquio-tibiais
Sentado, com o calcanhar apoiado no chão. Faça pressão em direcção ao chão e para si, sem tirar o pé da mesma posição. Mantenha a contracção por 6 segundos.
Repita esta contracção entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 




 Fortalecimento isométrico do quadicipete
Sentado, com a perna estendida e um rolo sob o joelho. Esprema e o rolo e solte suavemente, enquanto sente a contracção imediatamente acima do joelho.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

DeBerardino TM et al, Medial Collateral Knee Ligament Injury, eMedicine, Jan 2011
Ho SS et al, Lateral Collateral Knee Ligament Injury, eMedicine, Feb 2011


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Distensão dos dedos do pé


Uma distensão consiste no estiramento brusco de uma articulação, podendo levar a uma pequena lesão dos ligamentos (tecido fibroso resistente que mantém as articulações na posição correcta) dessa articulação. Quando o estiramento é mais grave é denominado de entorse, que pode ser classificada:
  • Grau I (leve). Equivalente a uma distensão. Consiste num estiramento que causa apenas lesões microscópicas nos ligamentos.
  • Grau II (moderada). Um estiramento mais severo, que causa uma ruptura parcial dos ligamentos.
  • Grau III (grave). Os ligamentos são completamente rasgados por um estiramento brusco, geralmente durante um acto desportivo ou num acidente.
As distensões/entorses dos dedos do pé são relativamente comuns e resultam de forças excessivas ou de movimentos repetitivos em tensão, podendo causar danos nos ligamentos e cartilagens.
As distensões/entorses dos dedos do pé podem acontecer em diversas situações, como quando caminha descalço e fica com a ponta dos dedos presa em algo, quando faz uma paragem brusca durante a corrida, aplicando grande pressão na ponta do pé ou quando apoia mal o pé depois de um salto.
     A lesão é mais frequente em futebolistas, corredores, praticantes de caminhadas em terrenos acidentados, bailarinos e pessoas com fraca coordenação. Pode acontecer nas articulações interfalângicas (distais) de todos os dedos, mas afecta sobretudo a articulação metatarsofalângica do primeiro dedo (na base o dedo grande do pé).
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor e sensibilidade no dedo do pé
  • Dor ao mover o dedo do pé
  • Ligeiro hematoma do dedo do pé.
  • Quando a lesão ocorre no dedo grande do pé a dor e o inchaço localizam-se mais na planta do pé, junto à base do dedo.
O diagnóstico é baseado nos sintomas e na avaliação clínica. Geralmente nas entorses mais graves, em que o paciente tem dificuldade em apoiar o pé no chão, os médicos utilizam raios-x para descartar fracturas dos metatarsos ou falanges. A RM e a TC podem ser utilizadas em desportistas de alto nível com dor persistente.
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Tratamento

         O tratamento em fisioterapia, logo após a lesão, e desde que não haja lesão/luxação óssea associada, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Elevação: O pé deve ser elevado um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
Também pode ser aconselhado pelo médico o uso de anti-inflamatórios não esteróides, como o ibuprofeno, para diminuir a dor e controlar a inflamação.
Após as primeiras 48h-72h, nas distensões/entorses de grau I e II, o paciente já se deve apresentar assintomático ou com dor residual. Com um programa de exercícios terapêuticos e de reintrodução progressiva á actividade física, a recuperação deve estar completa ao final de 2 a 3 semanas. 
 Nas entorses de grau III esse período pode prolongar-se entre 3 a 6 semanas.
Quando a distensão/entorse ocorre no dedo grande do pé pode ser aconselhado o uso de uma tala de imobilização, sapatos de sola mais dura ou de uma palmilha.

Exercícios terapêuticos para a distensão dos dedos do pé

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma distensão dos dedos do pé. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Flexão/extensão do pé
Deitado, com o calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé e dedos para si, depois empurre pé e dedos para baixo.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 






Inversão resistida do pé
Deitado, com o calcanhar fora da cama, e o elástico na ponta do pé. Empurre a ponta do pé e dedos para baixo e para fora. Depois deixe o pé voltar lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Alongamento da planta do pé
Em pé, com a perna esticada, apoie o calcanhar no chão e a ponta do pé na parede, o mais alto que conseguir, dentro do limite do confortável. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.






Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Churchill RS, Donley BG. Managing injuries of the great toe. Phys Sportsmed. 1998 Sep;26(9):29-39.
Mullen JE, O'Malley MJ. Sprains--residual instability of subtalar, Lisfranc joints, and turf toe. Clin Sports Med. 2004 Jan;23(1):97-121.