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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Fratura de stresse completamente deslocada da diáfise femoral num atleta de meia-idade - estudo de caso clínico

Fraturas de stresse do membro inferior são uma lesão comum e podem representar até 10% de todas as lesões relacionadas com desporto. A maior incidência é encontrada entre os participantes em determinados desportos, como corrida de longa distância, que envolve alta carga repetitiva.

Esta carga repetitiva, sem tempo adequado para adaptação, pode levar a uma acumulação de microfracturas que excede a capacidade de remodelação do osso. Fraturas de stresse do osso tibial são a fratura mais comum no membro inferior e representam 26 a 49% de todas as fraturas de stresse.

As fraturas de esforço do fémur são raras e ocorrem com maior frequência no colo do fémur, representando 1 a 7% de todas as fraturas de stresse.

Fraturas de stresse relacionadas com a atividade têm sido relatadas principalmente entre os grupos etários mais jovens, que participam de desportos de resistência como corridas de longa distância.

Como resultado do recente aumento na participação de pessoas acima dos 40 anos de idade, os clínicos devem preparar-se para encontrar mais fracturas de stresse relacionadas com a atividade em pacientes de meia-idade.


Apresentação de caso clínico


O paciente, de 43 anos, é um triatleta masculino, caucasiano, que compete no nível nacional na categoria de masters.

O paciente foi admitido no centro de trauma com uma fratura da diáfise femoral deslocada do lado direito. A fratura ocorreu durante o campeonato nacional dinamarquês na distância de ½ Ironman (1.9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21.1 km de corrida).

No momento da fratura, restavam apenas 1,1 km da corrida. A fratura ocorreu de repente durante o exercício. As sessões anteriores de ciclismo e natação foram concluídas sem dor ou quaisquer outros sintomas.

No início da corrida ele manteve um ritmo de 3:45 min/km. Após os primeiros 6 a 7 km o paciente teve uma frequência cardíaca invulgarmente alta (180 bpm). 
Durante os últimos 6 a 7 km antes da fratura o ritmo caiu para um inesperado 4:20 e 4:30 min/km e sua frequência cardíaca aumentou para 185 bpm.
Neste momento ainda não tinha sentido nenhuma dor na coxa direita, mas ficou surpreso por não conseguir manter o esperado 3:45 min/km.

Com 1,1 km restantes antes do final da corrida, o paciente relatou que sentiu como se alguém lhe tivesse dado um chuto na coxa direita e depois colapsou devido à falta de apoio na perna direita.

O paciente sofreu uma fratura fechada da diáfise femoral. A fratura foi tratada com uma haste intramedular fixada com parafusos de bloqueio distal e proximal.

O paciente não tinha história de doença e estava em forma e bem. Era não-fumador e não tinha história familiar de distúrbios do tecido conjuntivo.

Posteriormente o paciente relatou que os seus sintomas se desenvolveram gradualmente no último mês antes da fratura com dor localizada anterior à coxa direita. A dor ocorria principalmente durante a corrida e desaparecia em tarefas de descarga ou em descanso.

O paciente interpretou os sintomas como lesões musculares locais. Um exame clínico foi realizado pelo fisioterapeuta e o paciente relatou que o fisioterapeuta concluiu que os sintomas eram de uma simples lesão muscular no quadríceps.

Não foram realizados exames radiológicos ou exames adicionais.
Os sintomas foram inicialmente tratados com tratamento térmico e massagem nos tecidos moles e uma diminuição na distância e intensidade de treino.

Volumes de treino pré-fractura de stress da diáfise do fémur
Um exame físico completo, incluindo avaliação da dor, testes clínicos e a quantidade e intensidade de treino é importante se houver suspeita de uma fratura de stresse.




Essa avaliação, em combinação com imagens radiológicas e atenção à idade do paciente, é importante para o diagnóstico precoce e pode ajudar a prevenir fraturas de stresse deslocadas.


Larsen PElsoe RRathleff MSA case report of a completely displaced stress fracture of the femoral shaft in a middle-aged male athlete - A precursor of things to come? Phys Ther Sport. 2016 May;19:23-7.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dor lombar no pós parto - estudo de caso clínico


As fraturas por stress, ou fraturas de fadiga/insuficiência ocorrem quando o osso normal é colocado sob níveis de stress invulgarmente elevados.

As fraturas de stress do sacro são uma fonte muito pouco comum para a dor lombar e podem ser facilmente confundidas com várias outras condições clínicas observadas por um fisioterapeuta.

Durante a gravidez, a mãe tem de se adaptar não só às crescentes exigências metabólicas associadas ao feto, mas também ao aumento da tensão mecânica sobre as suas articulações. A verdadeira incidência das fraturas de stresse do sacro pos-parto não é conhecida, mas existem vários casos clínicos relatados na literatura.

O objetivo deste estudo é descrever o caso clínico de uma paciente com dor lombar pós-parto, ilustrando aspectos pertinentes do diagnóstico diferencial e problemas da gestão terapêutica.

Apresentação clínica

  • Mulher de 31 anos (160 cm de altura e 75 kg) foi encaminhada para fisioterapia pelo Médico de família
  • Queixa de dor do lado direito da lombar, há já 14 meses.
  • Nega parestesia ou anestesia.
  • Sintomas agravam se ficar de pé por 2h ou mais e se andar mais de 30 min.
  • Sintomas aliviam quando está sentada, deitada e quando puxa os joelhos ao peito.
  • Sem rigidez matinal, dor noturna, alterações de peso ou sintomas constitucionais.
  • Este episódio de dor lombar teve início durante o terceiro trimestre da gravidez da sua segunda filha, que tinha sido há 11 meses, um parto vaginal normal.
  • A dor persistiu após o nascimento e aumentou gradualmente em intensidade durante os últimos 6 meses.
  • A paciente associa os seus sintomas aos 20 kgs de peso ganho durante a gravidez e com a sua dificuldade em retornar ao seu peso pré-gravidez de 55 kgs.
  • A paciente apresentou-se ao médico de família quando a dor piorou, 6 meses após o nascimento. Este solicitou raios-X à coluna lombar e encaminhou para fisioterapia.
  • Da história clínica da paciente apenas consta um episódio de dor lombar semelhante durante a gravidez da sua primeira filha, 11 anos antes, que havia sido resolvida nos 4 meses após o parto.
  • A paciente fez uma Ressonância Magnética durante umas férias na Polónia, antes de iniciar o tratamento
  • Havia retornado ao trabalho a tempo parcial num bar, quatro semanas antes de iniciar fisioterapia.


Exame objectivo

  • Índice de massa corporal de 29,3 kg/m2 (índice de massa corporal normal entre 18.5 e 24.9 kg/m2)
  • Lordose lombar acentuada.
  • Teste single leg standing normal no lado esquerdo, mas no lado direito, embora livre de dor, foi associado a significativa flexão do tronco para o lado direito. A correção desse padrão reproduziu a sua dor lombar.
  • Amplitude de movimento ativa da coluna lombar ligeiramente reduzida em flexão e flexão lateral esquerda, reproduzindo a dor da paciente no final da amplitude.
  • Dor central no final de amplitude de extensão lombar.
  • Flexão lateral direita e rotação preservadas e sem dor.
  • Flexão lateral esquerda repetida melhorou a amplitude de movimento e os sintomas.
  • A avaliação da anca não provocou qualquer sintoma
  • Na mobilização acessória da coluna lombar os níveis L4/5 e L5/S1 apresentaram restrições de movimento.
  • Retração muscular do quadrado lombar direito e tensor da fáscia lata, bem como dos flexores da anca bilateralmente.
  • Nos testes de força muscular, de acordo com a escala de Oxford, a abdução da anca direita e extensão foram 3/5 e reproduziram a dor da paciente. A extensão e abdução da anca esquerda foram 4/5 e também reproduziram a dor da paciente.
  • Todos os outros testes de força muscular foram classificados como 5/5.
  • À palpação a paciente apresentava sensibilidade e dor sobre o lado direito do seu sacro, sobre o ligamento do grande dorsal direito, piriforme e quadrado lombar direito.
  • Dor nos testes de provocação para a articulação sacro-ilíaca.
  • Straight leg raise também foi positivo no lado direito.


Meios complementares de dignóstico

Radiografias e ressonância magnética à coluna lombar realizadas na altura foram descritas como normais. Na sua segunda visita, a paciente trouxe a ressonância magnética que havia feito quando em férias e foi revista pelo técnico radiologista.
Essa RM da coluna lombar mostrou significativo edema ósseo na face superior do sulco direito do sacro.

Encaminhamento

A paciente foi encaminhada para ortopedia para um novo parecer. Nova ressonância magnética pélvica foi realizada e confirmou a fratura de stress do sulco direito do sacro.

Tratamento

  • A paciente recebeu canadianas para reduzir a carga suportada e foi encaminhada para a equipa de Ortopedia.
  • Foi orientada pela ortopedia para descansar de todas as atividades agravantes dos sintomas por 2 semanas, particularmente estar em pé e caminhar durante longos períodos e, em seguida, gradualmente reintroduzir a marcha sem canadianas em distâncias que não provocassem desconforto.
  • A paciente foi atendida pelo fisioterapeuta após as primeiras 2 semanas de repouso e recebeu sete tratamentos ao longo dos 3 meses seguintes. O tratamento começou com aconselhamento e educação sobre a patologia e os prazos esperados para a recuperação. Técnicas de mobilização dos tecidos moles e alongamento foram usadas para tratar a retração muscular do quadrado lombar direito, tensor da fáscia lata e flexores da anca. Técnicas de terapia manual foram utilizadas para abordar restrição da amplitude de flexão, rotação e flexão lateral direita nos níveis L4/5 e L5/S1 encontrados no exame objetivo.
  • Quando a correção de postura observada no teste single leg standing deixou de provocar sintomas, iniciou-se treino de força para os músculos da anca e os padrões de movimento com défice foram reeducados. A paciente também iniciou um programa de ciclismo para ajudar na capacidade cardiovascular e perda de peso.

 Resultados
Três meses depois de iniciar a fisioterapia foi dada alta à paciente, que se apresentava sem dor e havia voltado a todas as anteriores atividades da sua vida diária, sem quaisquer dificuldades.

Conclusão

A dor lombar é comum durante e após a gravidez. Atendendo os longos tempos de espera e restrições económicas, em adição ao facto de a dor frequentemente desaparecer no período pós-parto, estudos de imagem não são regularmente realizados nesta população, o que significa que alguns pacientes que apresentam estas fraturas não são diagnosticados. É importante considerar fraturas de stress da pélvis nos diagnósticos diferenciais quando se avalia pacientes com dor lombar pós-parto para garantir uma melhor gestão do processo de reabilitação e retorno completo à vida ativa.


De Búrca N. Low back pain post partum - a case report. Man Ther. 2012 Dec;17(6):597-600.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Teste de Stress em Varo do cotovelo

Descrição

O objetivo deste teste é determinar a presença de uma lesão no ligamento colateral lateral do cotovelo.
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Técnica
O cotovelo afetado será colocado a 20º de flexão com o úmero em rotação medial e o antebraço em posição neutra, enquanto o fisioterapeuta palpa a interlinha articular lateral. De seguida o terapeuta aplica uma força em varo ao cotovelo. Se o paciente sente dor ou restrição de mobilidade em comparação com o outro cotovelo, o teste é considerado positivo.

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Neumann, Donald. "Kinesiology of the Musculoskeletal System: Foundations for Rehabilitation." 2nd edition. St. Louis, MO: Mosby Elsevier, 2010. 178-179. 

Teste de Stress em Valgo do cotovelo

Descrição
O objetivo deste teste é determinar a presença de uma lesão no ligamento colateral medial do cotovelo.
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Técnica
O cotovelo afetado será colocado a 20º de flexão com o úmero em rotação lateral e o antebraço em posição neutra, enquanto o fisioterapeuta palpa a interlinha articular medial. De seguida o terapeuta aplica uma força em valgo ao cotovelo. Se o paciente sente dor ou restrição de mobilidade em comparação com o outro cotovelo, o teste é considerado positivo.
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Neumann, Donald. "Kinesiology of the Musculoskeletal System: Foundations for Rehabilitation." 2nd edition. St. Louis, MO: Mosby Elsevier, 2010. 178-179. 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Teste de stress em varo do joelho


Descrição
Este teste é usado para avaliar a integridade do ligamento colaterial lateral. O ligamento colateral lateral é importante para resistir à força em varo no joelho devido da sua inserção ao longo do fémur e cabeça do perónio. Como o nervo peronial localizado ao redor da cabeça do perónio, qualquer lesão em varo do joelho poderá lesar o nervo peronial também. 
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Técnica
O paciente deve estar deitado de barriga para cima, com a perna a testar relaxada. O examinador deve passivamente dobrar a perna a cerca de 30º de flexão. Enquanto palpa a linha lateral da articulação, o examinador deverá aplicar uma força em varo ao joelho do paciente. Um teste positivo ocorre quando se observa dor ou movimento excessivo da articulação (algum deslizamento lateral é normal a 30º de flexão do joelho). O examinador deve certificar-se que não produziu uma rotação da anca durante a aplicação da força. Em seguida, o examinador deve repetir o teste com o joelho na posição neutra (0 º de flexão). O teste  é positivo quando se observa dor ou deslizamento lateral. 
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Precisão do teste 
A sensibilidade do teste de stress em varo do joelho é de 25% para o diagnóstico de lesões no ligamento colateral lateral.

Harilainen A. "Evaluation of knee instability in acute ligamentous injuries." Ann Chir Gynaecol 1987, 76 (5) :269-273.


Outros testes ao joelho



Teste de stress em valgo do joelho


Descrição
Este teste é usado para avaliar a integridade do ligamento colateral medial do joelho (LCM). O ligamento colateral medial é importante para resistir à força em valgo no joelho devido à sua inserção ao longo do fémur, menisco e da tíbia. O LCM também desempenha um papel importante na restrição da rotação externa da tíbia.
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Técnica
O paciente deve estar deitado de barriga par cima, com a perna a testar relaxada. O examinador deve passivamente dobrar a perna a cerca de 30º de flexão. Enquanto palpa a linha articular medial, o examinador deverá aplicar ao joelho do paciente uma força em valgo. Um teste positivo ocorre quando se observa dor ou movimento excessivo da articulação (algum deslizamento lateral é normal a 30º de flexão do joelho). O examinador deve certificar-se que não produziu uma rotação da anca durante a aplicação da força. Em seguida, o examinador deve repetir o teste com o joelho na posição neutra (0 º de flexão). O teste  é positivo quando se observa  dor ou deslizamento lateral. Não deve haver nenhum deslizamento lateral na extensão completa do joelho.
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Precisão do teste
A 30º de flexão a sensibilidade do teste de stress em valgo do joelho é de 86-96% para o diagnóstico de lesões no ligamento colateral medial.



Garvin GJ, Munk PL, AD Vellet. "Tears of the medial collateral ligament: magnetic resonance imaging findings and associated injuries." Assoc Can J Radiol 1993; 44 (3): 199-204.

Harilainen A. "Evaluation of knee instability in acute ligamentous injuries." Ann Chir Gynaecol 1987, 76 (5): 269-273.





domingo, 16 de dezembro de 2012

Fractura do 5º metatarso no pé


O 5º metatarso é o osso localizado na face lateral e na região média do pé. As fracturas (quebra na continuidade do osso) neste osso são comuns e são principalmente de 2 tipos:
Fractura arrancamento. Essa lesão acontece, na maioria das vezes, em atletas jovens. O mecanismo de lesão é semelhante a uma entorse do tornozelo, em que o "roda" para dentro e os músculos da perna contraem para evitar a entorse, provocando a fractura, que acontece na junção entre o tendão destes músculos e o osso.
Fractura de Jones. Ocorrem numa pequena área do quinto metatarso (entre a diáfise e a epífise do osso) que recebe menos sangue e, portanto, é mais propensa a dificuldades de cicatrização. A fractura de Jones pode ser causada pelo uso excessivo (uma pequena fractura de linha fina, que se agrava ao longo do tempo), ou por traumatismo.
Outros tipos de fracturas podem ocorrer no quinto metatarso. Exemplos incluem fracturas de stress, que são muitas vezes negligenciadas numa primeira avaliação, (se o paciente continuar a sentir dor ligeira na região lateral do pé 3 a 6 semanas após um traumatismo exames de Rx devem ser repetidos para despiste de uma fractura de stress) e fracturas da diáfise (parte média do osso), que geralmente resultam de trauma ou torção.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Por vezes o paciente ouve o ruído da fractura no momento da lesão
  • Dor intensa, inchaço e sensibilidade e na parte externa do pé logo após a lesão
  • Incapacidade para apoiar o peso do corpo nesse pé
  • Hematoma localizado na região lateral do pé pode ocorrer

É essencial uma boa avaliação clínica do pé e tornozelo para ajudar no diagnóstico de uma fractura do metatarso. Um raio-X é geralmente necessário para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão. Como a fractura de Jones, por vezes, não aparece nos raio-X iniciais, exames adicionais (TAC ou RM) podem ser necessários.

Tratamento

       Para as fracturas em que os dois topos da fractura estão desalinhados o ortopedista realizará o realinhamento da fractura por manipulação cuidadosa sob anestesia; para as fracturas em mais que um local do osso e fracturas de Jones, principalmente em atletas, geralmente o tratamento é cirúrgico, com material de fixação interna para estabilizar a fractura. Ambas as situações são seguidas de imobilização gessada ou bota protectora mais canadianas por um período não inferior a 4 semanas. As fracturas arrancamento são geralmente tratadas com imobilização gessada, através de bota ou tala.
      O tratamento em fisioterapia, imediatamente após a lesão e enquanto o diagnóstico não está confirmado, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Compressão: um elástico pode ser usado para controlar o inchaço.
Elevação: O pé deve ser elevado um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
No período após imobilização com gesso ou tala deve ser iniciado um programa de fisioterapia. As técnicas que revelam maior eficácia nesta condição:
  • Exercícios para melhorar a flexibilidade, força e equilíbrio (incluindo exercícios em carga)
  • A aplicação de calor antes dos exercícios para aumentar a irrigação sanguínea e de gelo no final para prevenir sinais inflamatórios.
  • Mobilização articular.
  • Educação do paciente e plano de retorno gradual à actividade.
  • Massagem de mobilização dos tecidos moles.


Exercícios terapêuticos para a fractura do 5º metatarso

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos após a confirmação de que a fractura está consolidada. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Flexão/extensão do pé
Deitado, com o calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé e dedos para si, e depois empurre pé e dedos para baixo.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 



Adução/adbução do pé
Puxe o pé para cima e para fora, e depois para cima e para dentro.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte os sintomas. 



 Eversão resistida do pé
Puxe a ponta do pé para si e rode a planta do pé para fora. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte os sintomas.


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Fraturas por stresse do fémur


A Visual Health Information publicou a sua newsletter mensal. Nesta edição respondem à questão:

Qual é o tratamento recomendado e critérios para retorno ao desporto após uma fratura por stresse da diáfise ou do colo do fémur?

Para responder a esta questão, foi realizada uma pesquisa abrangente no banco de dados PubMed (durante setembro de 2012) por trabalhos que abordaram esta questão específica.

As fraturas por stresse representam 10% de todas as lesões relacionadas com desportos, sendo a fratura de fémur o quarto tipo de fratura mais comum. As fraturas por stresse no fémur poderão afetar 20-30% dos corredores de fundo.

A teoria mais aceite para explicar o surgimento de fraturas por stresse assenta no facto de o osso receber grandes cargas, de forma repetitiva, e quando a absorção periosteal (a atividade dos osteoclastos) supera remodelação (a atividade dos osteoblastos), ocorrem microfraturas que se podem ir acumulando, resultando na fratura por stresse. Uma teoria alternativa é a de o osso não resistir às forças excessivas, resultado da tensão muscular, aplicada ao osso através dos tendões.

As fraturas por stresse da diáfise e do colo do fémur representam, respetivamente 5-11% e 3-20%, de todas as fraturas por stresse. O tratamento para fraturas por stresse depende da localização da fratura, a probabilidade de cura, e o risco de complicações.

Categorizar as fraturas pelo risco de complicações pode orientar o tratamento e ajudar a definir os critérios para voltar ao desporto. Fraturas de baixo risco, incluindo diáfise femoral, geralmente podem ser resolvidos com 4-8 semanas de tratamento abaixo do limiar de dor, seguidas pelo retorno gradual ao desporto. Fraturas de alto risco, como as do colo do fémur podem exigir restrição de carga nesse membro, imobilização ou cirurgia.
A escolha do tratamento adequado pode ajudar a evitar o excesso zelo no tratamento de fraturas de baixo risco, que pode afetar as metas de desempenho do atleta, e a sob gestão de fraturas de alto risco, que pode resultar em complicações significativas.

Independentemente do tratamento, é importante abordar possíveis fatores contribuintes, como a má nutrição, erros de treinamento ou equipamento, problemas hormonais, e baixa densidade mineral óssea.

Com base nesta revisão da literatura, há claramente uma necessidade de pesquisa baseada em evidências no tratamento e prevenção de fraturas por estresse do colo e da diáfise do fémur. Exercícios específicos não estavam dentro do escopo de artigos revisados, assim, exemplos de exercícios de VHI PC-Kits foram fornecidas para manter a força e prevenir défices neuromusculares que podem ocorrer durante a reabilitação de uma fratura por estresse do fémur.
Da posição de sentado na bola, progrida para a posição em tábua, apoiado numa perna e com a outra esticada. Faça repetições de descida controlada da bacia enquanto mantém a outra perna estendida.

Pés mais afastados que a largura dos ombros, mãos apoiadas à frente. Mova-se de lado para lado, com as ancas baixas e o peito direito. Os joelhos não dobram para além da ponta dos pés e os calcanhares mantêm-se no chão.



Esta newsletter mensal está disponível de forma gratuita no site Visual Health Information. 
Veja este e outros sites de prescrição de exercícios terapêuticos Aqui!


Harrast MA, Colonno D. Stress fractures in runners. Clin Sports Med. 2010 Jul;29(3):399-416. Review. PubMed PMID: 20610029.
Talbot JC, Cox G, Townend M, Langham M, Parker PJ. Femoral neck stress fractures in military personnel--a case series. J R Army Med Corps. 2008 Mar;154(1):47-50. PubMed PMID: 19090388.
DeFranco MJ, Recht M, Schils J, Parker RD. Stress fractures of the femur in athletes. Clin Sports Med. 2006 Jan;25(1):89-103, ix. Review. PubMed PMID: 16324976.
Diehl JJ, Best TM, Kaeding CC. Classification and return-to-play considerations for stress fractures. Clin Sports Med. 2006 Jan;25(1):17-28, vii. Review. PubMed PMID: 16324970.
Ivkovic A, Bojanic I, Pecina M. Stress fractures of the femoral shaft in athletes: a new treatment algorithm. Br J Sports Med. 2006 Jun;40(6):518-20; discussion 520. PubMed PMID: 16720887; PubMed Central PMCID: PMC2465093.
Kaeding CC, Yu JR, Wright R, Amendola A, Spindler KP. Management and return to play of stress fractures. Clin J Sport Med. 2005 Nov;15(6):442-7. Review. PubMed PMID: 16278549.
Weishaar MD, McMillian DM, Moore JH. Identification and management of 2 femoral shaft stress injuries. J Orthop Sports Phys Ther. 2005 Oct;35(10):665-73. PubMed PMID: 16294988.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Incontinência urinária

A incontinência urinária é definida pela Sociedade Internacional de Continência como "uma condição na qual a perda involuntária de urina é um problema social ou de higiene que é objectivamente demonstrável".
É um problema muito comum estima-se que afecte mais de 50 milhões de pessoas no mundo desenvolvido, sendo mais frequente nas mulheres.
A micção requer a coordenação de diversos processos fisiológicos. Os rins produzem a urina, que está continuamente a passar para a bexiga, através dos ureteres (os tubos dos rins para a bexiga). A quantidade de urina produzida irá depender da quantidade de líquidos que ingere, do que come e da transpiração que produziu.
A bexiga é num “saco”, localizado por trás da sínfise púbica, com paredes revestidas por músculo e preparado para armazenar a urina, daí a sua capacidade para se expandir quando se enche. A urina é retida na bexiga devido à acção de uma válvula de saída de urina (uretra), que está normalmente fechada, e aos músculos do pavimento pélvico, logo abaixo da bexiga e que rodeiam a uretra.
Mensagens nervosas complexas são enviadas entre o cérebro, a bexiga e os músculos do pavimento pélvico. Estas permitem-lhe perceber quando a sua bexiga está cheia, e controlam a contracção/relaxamento dos músculos e esfíncteres. Idealmente, quando vai ao WC, os músculos das paredes da bexiga devem contrair enquanto a uretra e os músculos do pavimento pélvico se relaxam.
A incontinência urinária resulta de uma desregulação em uma destas etapas e poderá ser de diferentes tipos:
Incontinência de stress: é o tipo mais comum. Ocorre quando a pressão na bexiga se torna superior à capacidade de retenção da uretra. Isto normalmente ocorre porque os músculos do pavimento pélvico estão enfraquecidos. Terá mais perdas em actividades como rir, tossir ou durante o exercício físico. Nessas situações há uma súbita pressão extra (“stress”) no interior do abdómen e na bexiga. O motivo mais comum para os músculos do pavimento pélvico perderem a sua função é o parto. A incontinência de stress é comum em mulheres que tiveram vários filhos. Também é mais comum com o aumento da idade e com a obesidade.
Incontinência de urgência (bexiga instável ou hiperactiva): é a segunda causa mais comum. Acontece quando começa a sentir frequentemente uma necessidade urgente de urinar. Por vezes ocorrem perdas antes de ter tempo de chagar ao WC. Na maioria dos casos, a causa deste tipo de incontinência urinária não é conhecida. Por alguma razão o músculo da bexiga envia mensagens alteradas ao cérebro, e poderá ter a sensação de bexiga mais cheia do que realmente está. Por vezes este tipo de incontinência pode ocorrer devido a problemas com o cérebro ou os nervos, como por exemplo, após um acidente vascular cerebral, em algumas pessoas com doença de Parkinson, em algumas pessoas com esclerose múltipla ou em algumas pessoas com danos na medula espinhal ou outras doenças cerebrais.
A incontinência mista: Algumas pessoas têm uma combinação de incontinência de stress e incontinência de urgência.
Outras causas menos comuns de incontinência urinária incluem:
Incontinência por extravasamento: Isto acontece quando há uma obstrução física ao fluxo urinário normal. Nestes casos uma quantidade de urina permanece constantemente na bexiga fazendo com que a pressão se acumule acima do local da obstrução. O mecanismo de esvaziamento normal da bexiga torna-se deficiente e a urina pode vazar a qualquer deslocamento ou alívio do bloqueio. A dilatação da próstata nos homens é a causa mais comum deste tipo de incontinência. O tratamento pode estar na remoção da próstata (prostatectomia).
Enurese: Perdas de urina nocturnas, ocorre em muitas crianças, no entanto alguns adultos também são afectados.
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Diagnóstico

As pessoas tendem frequentemente a conviver com a incontinência sem procurar ajuda profissional, porque se sentem receosas ou têm vergonha de falar do problema com o seu médico, ou porque pensam incorrectamente que a incontinência é uma consequência normal do envelhecimento. E, contudo, muitos casos de incontinência podem ser curados ou controlados, especialmente quando o tratamento se inicia imediatamente.
A incontinência de stress diagnostica-se por meio da história clínica do problema, examinando a vagina nas mulheres e observando a perda de urina ao tossir ou fazer um esforço. Um exame ginecológico também ajuda a determinar se o revestimento da uretra ou da vagina se adelgaçou devido à falta de estrogénios.
Em todos os casos o paciente deve ser interrogado sobre os antecedentes do problema, sendo realizado um exame clínico de seguida. Pode fazer-se uma análise à urina para afastar uma possível infecção. A quantidade de urina que fica na bexiga depois de urinar (urina residual) é muitas vezes medida através de uma ecografia ou de uma algaliação urinária. Um grande volume de urina residual indica uma obstrução ou um problema dos nervos ou dos músculos da bexiga. Por vezes, também pode ser necessário realizar exames especiais durante a micção (avaliação urodinâmica).
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Tratamento

O tratamento óptimo depende da análise minuciosa do problema de forma individualizada e varia segundo a natureza específica desse problema.
No entanto, muitas vezes o tratamento é simples e exige apenas que se tomem medidas para mudar o comportamento. Muitas pessoas podem recuperar o controlo da bexiga mediante técnicas, como:
  • Urinar com intervalos regulares (cada duas ou três horas), para manter a bexiga relativamente vazia.
  • Pode ser útil evitar os irritantes da bexiga, como as bebidas que contêm cafeína
  • Beber quantidades suficientes de líquidos (de seis a oito copos por dia) para impedir que a urina se concentre em demasia (isso poderá irritar a bexiga).
  • A ingestão de medicamentos que afectam o funcionamento da bexiga de modo adverso muitas vezes pode ser suspensa.


Estas alterações deverão ser acompanhadas por tratamentos específicos para cada tipo de incontinência:
Incontinência de stress:
Exercícios que fortalecem a musculatura do pavimento pélvico (exercícios de Kegel, com pesos e electroestimulação com biofeedback). A auto-aprendizagem destas técnicas de contracção muscular não é fácil, pelo que se utilizam com frequência mecanismos de apoio. Um fisioterapeuta pode ensinar estes exercícios. Os exercícios implicam a repetida contracção dos músculos, várias vezes por dia, para desenvolver resistência e aprender a usa-los de modo apropriado, nas situações que provocam incontinência, como ao tossir.
Aplicação de um creme que contenha estrogénios na vagina ou tomar comprimidos destas hormonas. Os emplastros cutâneos com estrogénios não foram estudados para o tratamento da incontinência.
Outros medicamentos que ajudam a controlar o esfíncter, como a fenilpropanolamina ou a pseudofedrina, devem ser utilizados juntamente com os estrogénios.
Os casos mais graves, que não respondem aos tratamentos conservadores, podem ser corrigidos por meio de cirurgia utilizando qualquer dos diferentes procedimentos que elevam a bexiga e reforçam o canal de passagem da urina. Em alguns casos é eficaz uma injecção de colagénio à volta da uretra.
Incontinência de urgência:
Urinar frequentemente com intervalos regulares.
Os métodos de treino da bexiga, tais como exercícios musculares, podem ser muito úteis.
Os medicamentos que relaxam a bexiga, como a propantelina, a imipramina, a hiosciamina, a oxibutinina e a diciclomina, podem ser úteis. Embora muitos dos medicamentos disponíveis possam ser muito úteis, cada um deles actua de um modo um pouco diferente e podem ter efeitos adversos.
Incontinência por extravasamento:
É necessária em geral a cirurgia para remoção da próstata inteira ou uma parte dela.
O medicamento finasteride pode muitas vezes reduzir o tamanho da próstata ou interromper o seu crescimento, evitando assim a cirurgia ou pelo menos adiando-a.
Os medicamentos que relaxam o esfíncter, como a terazosina, também costumam ser úteis.
Quando a causa é uma fraca contracção dos músculos da bexiga, podem ser úteis os medicamentos que favorecem essa contracção, como o betanecol.
Também pode ser útil exercer uma suave pressão comprimindo o abdómen com as mãos, precisamente sobre a zona onde se encontra a bexiga, especialmente para as pessoas que podem esvaziar a bexiga, mas que têm dificuldades para o fazer completamente.

Exercícios terapêuticos para a incontinência urinária

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação da incontinência urinária. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Fortalecimento dos músculos do pavimento pélvico
Deitado, com os joelhos dobrados, contraia a musculatura do períneo (imagine que está a interromper a micção). Mantenha a contracção durante 8 segundos e retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Fortalecimento do transverso do abdómen
Deitado, com o elástico à volta da cintura. Pressionar o fundo das costas contra o chão e tentar diminuir o diâmetro da cintura. Mantenha a contracção durante 8 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.

 
Fortalecimento global
Em pé, com uma perna à frente e segurando um bastão ao nível da cintura. Dobre o joelho à frente enquanto expira e leva o bastão para cima. Tente manter a contracção dos músculos do períneo enquanto faz o movimento. Deite o ar fora lentamente enquanto baixa o bastão e estica o joelho da frente. Mantenha sempre as costas alinhadas.
Repita entre 15 e 30 vezes, alternando a perna que fica à frente, desde que não desperte nenhum sintoma.





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Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.