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quinta-feira, 4 de abril de 2013

A cicatriz hipertrófica e quelóide


Autora: Fisioterapeuta Catarina Gonçalves

A cicatrização subentende um conjunto de processos biológicos cuja finalidade é a reparação e preservação do tecido lesado.
As cicatrizes podem apresentar diversas dimensões e até alterações de pigmentação (cor). Podem considerar-se normais, atróficas, hipertróficas ou quelóides. As duas últimas caracterizam-se por um crescimento excessivo de tecido fibroso, após o processo inflamatório. Embora não haja evidência na literatura, estima-se que a incidência da cicatrização hipertrófica seja seguramente mais elevada que a queloideana.
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Sinais 

As cicatrizes hipertróficas e quelóides são variações da cicatrização normal, representando uma resposta hiperproliferativa do tecido conjuntivo à agressão.
Ambas apresentam-se elevadas e com coloração rosa. No entanto a quelóide tem um aspeto brilhante (sem pêlos nem glândulas) e ultrapassa os limites da ferida, invadindo o tecido normal adjacente de forma irregular. Esta origina ainda a sensação de prurido, é dolorosa, nodular e não regride espontaneamente ao longo do tempo. No caso da hipertrófica, apresenta tensão, as margens limitam-se à área original, contém fibras elásticas e tende à regressão espontânea.
Vários autores defendem que a quelóide é uma variação da cicatriz hipertrófica, mas ainda não é consensual esta classificação.
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Etiologia 

Indivíduos de raça negra, asiáticos, com pele morena (fotótipo IV e V), com antecedentes familiares e de grupo sanguíneo A, apresentam maior predisposição para o aparecimento de cicatrizes atípicas. Há ainda maior probabilidade de ocorrência destas cicatrizes entre a 2ª e 4º década de vida. A região do esterno, tórax, lóbulo da orelha, queixo e ombros, são as regiões do corpo mais afetadas.

Causas 

A cicatrização define-se como um conjunto de etapas fisiológicas e bioquímicas que ocorrem no organismo, em resposta a uma agressão, e que finaliza com a reparação do tecido lesado. Corpos estranhos, tecidos necróticos, isquemia, incisão contra a orientação das linhas de Langer e tração na ferida, são fatores que prejudicam a normal cicatrização. Os processos de cicatrização anormal formam-se por deposição excessiva de colagénio (fibra que dá firmeza à pele), devido à demasiada proliferação de fibroblastos após a lesão tecidual. Esta deposição é feita em espiral, e não na orientação da fenda. Existem outros fatores que podem desencadear este processo como inflamação, infeção, trauma (queimaduras) e acne.


Tratamento 

A literatura não é consensual em relação ao tratamento deste problema. Contudo, que a prevenção é uma prática eficiente e que a conjugação de várias técnicas potencia os resultados e diminui a probabilidade de recidiva. O tratamento da cicatriz hipertrófica e quelóide é bastante similar.

Remoção cirúrgica – nem sempre funciona, a maior parte das vezes leva a recidiva e, em alguns casos, pior que a anterior. No entanto, quando combinada com injeção de corticóides, reduz em 50% a probabilidade de recidiva. Apenas indicado após 6 a 12 meses.

Infiltração de corticóides – é uma das técnicas mais utilizadas, apresentando 50% de probabilidade de sucesso. O efeito da terapia é inibir determinadas proteínas da matriz extracelular e reduzir os inibidores da colagenase (enzima responsável pela degradação do colagénio). A aplicação é dolorosa e tem como efeitos secundários atrofia cutânea, telangiectasias, ulceração e síndrome de Cushing.

Compressão – pressão mantida continuamente durante 6 a 12 meses, geralmente com malha compressiva, que deve ser aplicada após completa epitelização da ferida. Suspeita-se que a compressão provoque a oclusão dos pequenos vasos, o que reduz a quantidade de fibroblastos e, como tal, a produção de colagénio. Este recurso apresenta melhores resultados no tratamento da cicatriz hipertrófica.

Crioterapia – esta técnica provoca a diminuição da temperatura, o que leva a lesão celular e diminuição da circulação. Esta reação não permite a normal evolução da cicatriz, o que é uma desvantagem desta técnica, pois atrasa a cicatrização e pode ainda causar hipopigmentação (perda de cor). Quando associada à infiltração de corticóides, apresenta uma taxa de êxito de 51% a 80%.

Massagem – associada a cremes hidratantes ou com corticóides. Apesar da massagem favorecer o processo de cicatrização e melhorar a mobilidade da cicatriz, a sua utilização deve ser ponderada já que aumenta a circulação local e por isso pode levar a uma maior produção de colagénio.

Silicone (creme ou gel) – controla os níveis do fator de crescimento dos fibroblastos, aumenta a temperatura e, consequentemente, aumenta a atividade da colagenase. Acredita-se ainda que a aplicação em gel tenha simultaneamente um efeito compressivo.

Laserterapia – o laser lesa seletivamente a microcirculação na área da lesão, o que reduz o eritema, o volume e o prurido. Os resultados serão mais satisfatórios com a combinação de outras técnicas.

Ionização – corrente galvânica associada a indução de produtos ativos. Entre estes podem usar-se a hialuronidase, que despolimeriza o ácido hialurónico aumentando a permeabilidade das membranas celulares.

Ultra-som/Fonoforese – usado para diminuir as aderências cicatriciais. Pode ainda usar-se a fonoforese que consiste na indução de produtos ativos através do ultra-som.
                                                                                                      
Radioterapia – uma técnica em desuso pelo risco de desencadear propriedades cancerígenas. Contudo é ponderada em adultos com quelóides graves, que resistiram aos restantes tratamentos, dada a boa eficácia da técnica.

Proteção solar – não se trata de um tratamento mas de uma prevenção, para evitar que a hiperpigmentação da cicatriz (cor mais escura).






Fisioterapeuta Catarina Gonçalves
Licenciada em Fisioterapia na ESSVS (2010)
Monitora de PNF-Chi (2009)
Curso de Fisioterapia Dermato funcional Corporal (2010)
Curso de Auriculoacunpunctura aplicada à Dermato funcional (2010)
Curso de Pré e Pós-operatório de Cirurgia Estética: a intervenção da Fisioterapia Dermato funcional (2012)

Fisioterapeuta dermato funcional em Clinipark, Centro Clínico Ana M. B. Santos
Fisioterapeuta e instrutora de PNF-Chi em Momento de Pausa
Fisioterapeuta dermato funcional em Medical Corpus



Bibliografia:


Ferreira CM; D’Assumpção EA. Cicatrizes hipertróficas e quelóides. Rev. Soc. Bras. Cir. Plást. 21(1): 40-8. 2006

Glinardello MMC, et al. Lesão epitelial e cicatrização de natureza hipertrófica e quelóide. Corpus e Scientia; vol. 5, n.2, p. 37-44. Set 2009

Guirro E; Guirro R. Fisioterapia Dermato-Funcional. 3ª ed. Manole, 2002.

Herrera DE; Sanz A; Frieyro M. Cicatrices y queloides. Dermatología: Correlación clínico-patológica. P.67-70

Kreisner PE; Oliveira MG; Weismann R. Cicatrização hipertrófica e quelóides: revista de literatura e estratégias de tratamento. Ver. Cir. Traumatol. Buco-maxilo-facial. Camaragibe v.5, n.1, p. 9-14. Jan/mar 2005

Salem C; Vidal A; Mariangel P; Concha M. Cicatrices hipertróficas y queloides. Cuad. Cir. 16: 77-86. 2002

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Envelhecimento Cutâneo - Saiba como manter uma aparência jovem

Autora: Fisioterapeuta Catarina Gonçalves

O envelhecimento fisiológico é um processo natural que atinge todos os sistemas do organismo e que preocupa a maioria da população. Além de ser um problema de saúde, afeta a aparência e, consequentemente, a forma como os outros nos vêem. Por vezes nem se percebe muito bem o que mudou, mas notamos logo quando vemos alguém com um aspeto “envelhecido” ou quando reencontramos um conhecido que já não víamos há muito tempo.
Além deste processo intrínseco, a pele sofre ainda a ação de fatores externos. O sol é um desses agentes e, neste caso, denomina-se fotoenvelhecimento. Este é notório nas zonas mais expostas, como rosto, pescoço e mãos.
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Sinais

 A nível cutâneo, a pele fica mais fina, seca e pálida. Perde firmeza, elasticidade e luminosidade, e aparecem as rugas e as manchas (discromias). Podem detetar-se ainda pequenas alterações vasculares (telangiectasias). Os cabelos ficam grisalhos, perde-se massa muscular e capacidade sensitiva.
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Causas

Ainda não é consensual a causa do envelhecimento. Certo é que se tratará de um conjunto de fatores intrínsecos e extrínsecos.
A ação ambiental é sem dúvida um fator importante, sendo os raios ultra-violeta (UV) os principais agentes causadores do envelhecimento da pele (90%). O organismo sofre ainda a ação da poluição, tabaco, álcool e as consequências de um modo de vida menos saudável (sedentarismo e má alimentação). O envelhecimento precoce também pode ser agravado pelo excesso de mímica facial, quando usamos indevidamente determinada musculatura da face, que a longo prazo provoca um desgaste das fibras elásticas.

O envelhecimento cronológico advém de modificações a nível genético, através de alterações enzimáticas e proteicas, e diminuição da proliferação celular. Existem várias teorias acerca do envelhecimento intrínseco: a mais antiga é a do relógio biológico, existindo ainda as teorias das reações cruzadas, do desgaste e auto-imune. Porém, a mais aceite atualmente é a teoria dos radicais livres. Estes são átomos instáveis e altamente reativos, que se formam devido a agentes internos e externos (poluição, raios UV, etc.). Estas reações originam o stress oxidativo e este por sua vez origina alterações nas células e nas proteínas extracelulares. Estas modificações podem levar à morte celular, mas para travar esse processo temos os agentes antioxidantes. O problema instala-se quando a produção de radicais livres é superior à produção de antioxidantes, altura pela qual se inicia o envelhecimento.

A nível cutâneo, o aparecimento das rugas deve-se sobretudo à diminuição do número de fibras elásticas e ao crescente endurecimento do colagénio, substância que dá firmeza e consistência à pele. O declínio destas funções aliado à menor velocidade de oxigenação dos tecidos, leva à desidratação da pele e consequentemente às rugas. A atrofia muscular progressiva também leva à perda de elasticidade e firmeza, já que os músculos da mímica facial têm inserção na camada mais profunda da pele. Ocorre ainda um decréscimo na produção de melanina pela atrofia das células que a produzem (melanócitos), o que leva ao aparecimento de discromias.

Tratamentos 


Eletrolifting - método utilizado para atenuar as rugas recorrendo à corrente galvânica. É usado um elétrodo em placa (positivo) e outro em caneta (negativo). Este último é o ativo e é aplicado na ruga, para estimular os capilares e assim aumentar a circulação local. Este efeito intensificará os processos metabólicos, a nutrição e a regeneração dos tecidos.
Iontoforese – utiliza a corrente galvânica para introduzir substâncias no organismo. Os princípios ativos serão escolhidos de acordo com o problema a tratar (ruga, mancha, flacidez, etc.)
Laser – a laserterapia é um recurso usado no tratamento de rugas. Atua a nível celular e promove a produção de colagénio.

Massagem – promove o aumento da circulação sanguínea e linfática, e a renovação do estrato córneo (camada mais superficial da pele).
Radiofrequência – método que induz calor profundo, estimulando a produção de colagénio. Ideal para o tratamento da flacidez dérmica.
Cinesioterapia – fortalecimento dos músculos combatendo a perda de massa muscular. Os exercícios resistidos da musculatura do rosto melhoram o seu contorno, atenuam algumas rugas e previnem a ptose facial.

Luz pulsada – é frequentemente utilizada para atenuar as discromias, mas pode ser usada também para tratamento de rugas. Além de melhorar a circulação sanguínea, estimula a produção de colagénio e elastina.
Peeling – trata-se de uma esfoliação e pode ser mecânico (microdermoabrasão, etc.), ultra-sónico, enzimático, vegetal e químico (ác. glicólico, mandélico, etc.). Este procedimento permite atenuar rugas, manchas e marcas, de acne por exemplo.
Carboxiterapia – consiste na injeção de dióxido de carbono sob a pele, que estimula o metabolismo e aumenta a produção de colagénio. Este procedimento combate as rugas e a flacidez cutânea.

Dermaroller – dispositivo de indução de colagénio, que promove a sua produção pela agressão mecânica das microagulhas que o revestem. Indicado para o tratamento de rugas e flacidez dérmica.
Procedimentos médicos – são diversas as técnicas disponíveis na medicina estética. Desde o preenchimento, o mais comum com ácido hialurónico, à toxina butolínica, vulgarmente conhecida como botox, ou até mesmo a cirurgia estética. É importante ter em conta a importância da fisioterapia na preparação e no pós-cirúrgico.
Alimentação – devemos incluir na nossa alimentação antioxidantes, para reforçar a capacidade protetora natural do organismo. Os alimentos com vitamina A, C e E, selénio, co-enzima Q10 e zinco, devem fazer parte da nossa alimentação diária.

Suplementos - os nutracêuticos e nutricosméticos poderão ser um bom suplemento, não substituindo uma correta alimentação.
Cosméticos – os cremes são também uma forma de combater o envelhecimento. Deverá estar atento à sua constituição e para isso saiba que substâncias como retinol, vitamina C, dimetilaminoetanol (DMAE) e glicerina, são excelentes opções. Não esqueça da aplicação diária do protetor solar, obrigatório para a prevenção do fotoenvelhecimento e do cancro de pele.





Fisioterapeuta Catarina Gonçalves
Licenciada em Fisioterapia na ESSVS (2010)
Monitora de PNF-Chi (2009)
Curso de Fisioterapia Dermato funcional Corporal (2010)
Curso de Auriculoacunpunctura aplicada à Dermato funcional (2010)
Curso de Pré e Pós-operatório de Cirurgia Estética: a intervenção da Fisioterapia Dermato funcional (2012)

Função atual:
Fisioterapeuta dermato funcional em Clinipark, Centro Clínico Ana M. B. Santos
Fisioterapeuta e instrutora de PNF-Chi em Momento de Pausa
Fisioterapeuta dermato funcional em Medical Corpus

Borges FS; Scorza FA, Jahara RS. Modalidades terapêuticas nas disfunções estética. 2ª ed. São Paulo. Phorte, 2010.

Guirro E; Guirro R. Fisioterapia Dermato-Funcional. 3ª ed. Manole, 2002.

Hirata LL, Sato ME, Santos CA. Radicais livres e o envelhecimento cutâneo. Acta Farm. Bonaerense 23 (3): 418-24 (2004).

Nunes MS. Medicina Estética Facial: Onde a arte e a ciência se conjugam.
Dissertação de Mestrado em Medicina. Covilhã, Maio 2010.

Souza SL, Braganholol LP, Ávila1 AC, Ferreira AS. Recursos fisioterapêuticos utilizados no tratamento do envelhecimento facial. Revista Fafibe Online n.3 Agosto 2007.