Mostrar mensagens com a etiqueta bell. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta bell. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Prognóstico de recuperação de uma paralisia facial.


O curso natural da recuperação de uma paralisia facial varia da recuperação completa precoce à lesão substancial do nervo com sequelas permanentes (paralisia, por exemplo, persistente e sincinesias). Em termos de prognóstico, os pacientes podem dividir-se em três grupos:

Grupo 1 - Recuperação completa da função motora facial sem sequelas
Grupo 2 - Recuperação incompleta da função motora facial, mas sem alterações estéticas evidentes ao olho destreinado
Grupo 3 - Sequelas neurológicas permanentes que são esteticamente e clinicamente evidentes.


Cerca de 80-90% dos pacientes com paralisia facial recuperam sem alterações percetíveis dentro de 6 semanas a 3 meses. A utilização da escala de classificação Sunnybrook para a função do nervo facial 1 mês após a lesão tem sido sugerida como um meio de prever a probabilidade de recuperação.

A maioria dos pacientes que sofrem de paralisia facial tem um bloqueio de condução local do nervo ou neurapraxia. Estes pacientes têm geralmente uma recuperação rápida e completa do nervo. Pacientes com axoniotmese, com ruptura dos axónios, têm uma recuperação muito boa, mas em geral não é completa.

Pensa-se que os fatores de risco associados a um mau prognóstico em pacientes com paralisia facial incluem
  • Idade superior a 60 anos,
  • Paralisia completa;
  • Diminuição do paladar ou do fluxo de saliva, no lado da paralisia (geralmente 10 - 25% em comparação com o lado normal do paciente).
  • Outros fatores incluem dor na região auricular posterior e diminuição do lagrimejar.


Pacientes com 60 anos ou mais têm uma hipótese de recuperação completa de aproximadamente 40% e têm uma maior taxa de sequelas, enquanto que pacientes com menos de 30 anos têm uma hipótese de apenas 10-15% de recuperação incompleta e/ou sequelas a longo prazo.
Também quanto mais cedo se der a recuperação, menor a probabilidade de se desenvolverem sequelas, como resumido a seguir:

  • Se se der alguma recuperação da função nas primeiras 3 semanas, há maior probabilidade de a recuperação ser completa.
  • Se a recuperação começar entre 3 semanas e 2 meses, o resultado final é geralmente satisfatório
  • Se a recuperação não se iniciar até 2-4 meses após a lesão, a probabilidade de sequelas permanentes, incluindo paresia residual e sincinesias, é maior
  • Se não ocorrer a nenhuma recuperação 4 meses após a lesão, o paciente tem mais probabilidade de ter sequelas graves, que incluem sincinesia, lagrimejar sempre que há atividade dos músculos da face e, raramente, espasmo hemifacial.


A paralisia facial é recorrente em 4-14% dos pacientes. Pode ocorrer no mesmo lado ou no lado oposto. A recorrência é geralmente associada a história familiar de paralisia facial recorrente.

Pacientes com paralisia facial ipsilateral recorrente devem ser submetidos a ressonância magnética de alta resolução ou a tomografia computadorizada (TC) para descartar uma causa de recorrência neoplásica ou inflamatória (esclerose múltipla ou sarcoidose por exemplo). A ocorrência recorrente ou bilateral pode sugerir miastenia gravis.



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Paralisia facial


A paralisia facial (ou paralisia de Bell) caracteriza-se pela fraqueza (paralisia) que afecta os músculos da face, e é originada por uma lesão no nervo facial. Esta fraqueza geralmente afecta apenas um lado do rosto.
Esta lesão é muito diferente da paralisia decorrente de lesões cerebrais, como o AVC, e na maioria dos casos a recuperação de uma paralisia de Bell é completa.
Isto acontece em parte porque a estrutura afectada é um nervo periférico, chamado nervo facial (também chamado de sétimo nervo craniano). Nós temos um nervo facial para cada lado do rosto e cada nervo facial sai do cérebro, através de um pequeno túnel, logo abaixo da orelha. O nervo divide-se em muitos ramos que enervam os pequenos músculos da face usados para chorar, sorrir, fechar as pálpebras, e todas as outras expressões faciais características. Alguns ramos do nervo facial também captam sensações gustativas da língua para o cérebro.
A paralisia de Bell ocorre mais comummente entre os 10-40 anos, e afecta homens e mulheres igualmente. Cerca de 1 em cada 70 pessoas irá desenvolver alguma forma de paralisia de Bell nalgum momento da sua vida.
Acredita-se que este tipo de paralisia se deve a uma inflamação que se desenvolve ao redor do nervo facial. A inflamação comprime o nervo fazendo com que este pare de enviar sinais do e para cérebro/músculos até que a inflamação desapareça. As causas da inflamação não são geralmente conhecidas, mas, na maioria dos casos, é pensa-se que será devido a uma infecção viral. Existe por exemplo evidência que comprova uma maior prevalência de paralisia de Bell após infecção com vírus da herpes ou vírus da varicela, mesmo que estes já estejam numa fase inactiva.
-->

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

O início dos sintomas da paralisia de Bell é tipicamente súbito, e os sintomas tendem a atingir a sua manifestação mais grave em menos de 48 horas. Os sintomas incluem:
  • Fraqueza dos músculos da face, que geralmente é unilateral. A fraqueza normalmente desenvolve-se rapidamente, em poucas horas. Pode notar ao levantar-se de manhã ou ao sair do banho por exemplo. 

Os sinais de fraqueza muscular variam, dependendo se o nervo é total ou parcialmente afectado. Estes incluem o seguinte:
  • O rosto pode inclinar-se para um lado. Quando sorri, apenas metade do seu rosto irá mover-se.
  • Mastigar os alimentos no lado afectado pode ser um problema. Alimentos podem ficar presos entre a gengiva e a bochecha. Bebidas e saliva podem escapar pelo canto da boca.
  • Pode não ser capaz de fechar o olho afectado. Isso pode causar o lacrimejar ou a secura do olho.
  • Pode não ser capaz de enrugar a testa ou encher as bochechas de ar.
  • Pode ter alguma dificuldade com a fala, por exemplo, as palavras que começam com P.
  • A maioria dos casos é indolor ou causa apenas uma dor leve. No entanto, algumas pessoas desenvolvem dor perto do ouvido, que pode durar alguns dias.

Quando o médico vê um paciente com fraqueza muscular facial súbita, irá procurar descartar outras causas para o problema antes de diagnosticar a paralisia de Bell. A maioria das outras causas pode ser descartada pela ausência de outros sintomas, e por um exame clínico atento. No caso de não haver indício de outras complicações, nenhum teste poderá ser necessário.
-->

Tratamento

Existe uma boa probabilidade de recuperação completa, sem qualquer tratamento. No entanto, o tratamento medicamentoso é geralmente aconselhado para melhorar as hipóteses de recuperação completa. O tratamento deverá incluir:
Anti-inflamatórios esteróides: são normalmente prescritos por cerca de 10 dias. O mais utilizado é chamado de prednisolona. Estudos indicam que a toma destes anti-inflmatórios melhora a probabilidade de recuperação total (de 15 em 20 casos para 17 em 20 casos). Deverá iniciar a medicação logo que possível após o início dos sintomas, idealmente, no prazo de 72 horas após o inicio dos sintomas, após este prazo eles podem não ter muitos benefícios.
Protecção dos olhos: Se não conseguir fechar as pálpebras completamente, o olho corre o risco de sofrer danos. Para além disso, as glândulas lacrimais podem não funcionar correctamente e o olho poderá ficar mais seco. Portanto, o seu médico pode aconselhar um ou mais dos seguintes até que as pálpebras e glândulas lacrimais recuperem:
Uma pequena almofada ou óculos de sol.
Colírio para lubrificar os olhos durante o dia e uma pomada para lubrificar o olho durante a noite.
Uma opção é fechar o olho com ajuda da mão e colocar a adesivo para o manter fechado.
Exercícios de estimulação facial: a massagem dos músculos da face, estimulação da face interna com a língua, exercícios de expressão dramática e técnicas de facilitação muscular fazem parte de um plano de tratamento que deve ser iniciado com o seu fisioterapeuta e repetido em casa pelo menos duas vezes por dia.

Exercícios terapêuticos para a paralisia facial







Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação da paralisia facial. Deverão ser realizados o maior número de vezes possível por dia, mas apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Fortalecimento dos frontais
Em frente ao espelho ou com os indicadores na testa de modo a sentir a contracção. Faça uma expressão de espanto. Tente manter essa expressão por 8 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


  
Fortalecimento do platisma.
Olhando em direcção ao tecto. Mova o queixo lentamente o mais para cima que lhe for possível, de seguida traga o queixo de novo para baixo.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.







Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

-->