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domingo, 29 de novembro de 2015

Claudicação na infância, o porquê e o que fazer

Em um momento ou outro, quase todas as crianças têm episódios de claudicação. Na grande maioria das vezes é causada por ferimentos menores e melhora por si só. 
No entanto a claudicação que dura mais de uma semana e não melhora representa um desafio para pais e profissionais de saúde:

Como isso afeta a criança? De onde é que vem? Qual é o tipo de tecido que é o responsável? Será que requer tratamento? Quão séria é a lesão?... 
Vamos ver as causas e o que deve fazer!

Causas


A causa mais comum de claudicação é uma pequena lesão. Lesões em crianças são geralmente óbvias, mas o mancar persistente após uma lesão pode ser um sinal de que existe uma pequena fratura subjacente por exemplo. 

A maioria das outras causas de claudicação não é comum. Doenças ósseas graves e distúrbios do sistema nervoso são muito raros.


Exame clínico


Quando levar seu filho a uma consulta por causa de um mancar inexplicável, o médico irá perguntar primeiro sobre a história clínica do seu filho, atividades recentes, e saúde em geral. Também irá pedir-lhe para descrever o mancar e quando ele ocorre.

Quanto mais informações fornecer, melhor ele será capaz de determinar a causa da claudicação. Por exemplo, se você tem um histórico familiar de artrite reumatóide, deverá menciona-lo. Ou se o seu filho teve, recentemente, uma tosse, dor de garganta, ou erupção cutânea, é possível que um vírus ou bactéria esteja a causar inflamação articular. Se o seu filho tem febre, é possível que o mancar se deva a uma infecção óssea ou articular.

Depois de discutir os sintomas e história médica, o seu filho será examinado. Nomeadamente, observada a marcha. As crianças mais jovens nem sempre conseguem descrever o local onde dói, mas observando-os com cuidado a caminhar pode muitas vezes mostrar o lado do corpo que está afetado. 

Por exemplo, se uma criança se inclina para um lado quando está num pé, muitas vezes é sinal de que está inconscientemente a tentar tirar um pouco do peso da anca dolorosa. Ou se um pé está menos tempo no chão do que o outro, pode ser um sinal de dor nessa perna.

O médico irá palpar as pernas do seu filho à procura de pontos sensíveis, inchaço ou hematomas. Poderá ser possível determinar se o problema está num músculo, articulação, ou osso.

As articulações da anca e joelho serão vistas ao pormenor, procurando sinais de dor, inchaço e perda de amplitude de movimento. Limitação do movimento em qualquer direção, ou dor nas amplitudes extremas, apontam para essa articulação como a causa da claudicação.

Se parece que a dor é proveniente do joelho, o médico fará um exame mais cuidadoso dos ligamentos e movimentos do joelho. Inchaço ou movimentos anormais podem indicar uma lesão nos ligamentos. 

A coluna da criança também será examinada para a dor, rigidez, curvatura (escoliose), ou marcas incomuns na pele (erupção cutânea ou manchas).

Se o seu filho não tem nenhuma dor, o médico irá procurar evidências de anomalias congénitas ou doenças do sistema nervoso que podem estar a causar o claudicar. 
Alguns dos sinais de um distúrbio do sistema nervoso incluem um tendão de Aquiles encurtado, dedos em garra, ou um arco plantar muito alto. Além disso, um exame neurológico cuidadoso pode detectar desequilíbrios na força muscular ou nos reflexos que podem indicar um problema que envolve o cérebro ou medula espinal.

O médico pode recomendar exames, como o raio-X para ajudar a determinar a causa exata da claudicação do seu filho. O raio-X será feito em áreas do corpo onde existe dor, inchaço, ou perda de amplitude de movimento.

Se os raios X estiverem normais e a causa da claudicação não for clara, um TAC pode ser útil para detetar uma fratura subtil, uma infeção óssea, ou um tumor ósseo.
A ressonância magnética (RM) poderá ser indicada se a dor do seu filho é bem localizada, mas os raios-x dão normais. A RM pode mostrar inflamação das articulações, fraturas, infecções e tumores ósseos.
Uma ecografia dos tecidos moles pode ser pedida para procurar liquido numa articulação. Isso é particularmente útil para a anca, onde o inchaço é difícil de ver.

Estudos de laboratório
Os estudos de laboratório são particularmente úteis em condições inflamatórias, tais como doenças virais, e pode ser útil para identificar a causa de inchaço das articulações por artrite reumatóide juvenil ou a doença de Lyme.






Sawyer JRKapoor MThe limping child: a systematic approach to diagnosis. Am Fam Physician. 2009 Feb 1;79(3):215-24.

sábado, 12 de outubro de 2013

Acupunctura médica contemporânea, o que nos dá de novo?

Entrevista com:
Dr. Hugo Silva Pinto

P.: A acupunctura tradicional já se vê bastante difundida na nossa população. O que nos dá de novo, em termos de princípios, a acupunctura médica contemporânea?
A acupunctura contemporânea aborda o doente numa ótica anatomo-funcional. Isto é, com base num conhecimento neuro-anatómico e biomecânico precisos, é possível fazer uma integração entre os padrões de distribuição de dor e disfunção apresentados pelo doente, e a localização primária do problema.

P.: Como isso se traduz em benefícios efectivos desta técnica comparativamente à da medicina tradicional chinesa?
A MTC tem grandes vantagens como terapia pois estamos a puncturar na mesma, apesar de ser dum modo de punctura mais superficial e muitas vezes o objectivo não ser tratar os músculos ou nervos, mas sim o desequilíbrio na circulação do Chi nos meridianos que são superficiais. A nossa abordagem para patologia miofascial ou neuro-muscular ou musculo-esquelética, é muito mais vantajosa pois o nosso objectivo é, como referi, avaliar a musculatura, o tecido miofascial, os nervos periféricos e o seu estado de integração e funcionamento, tratando essas patologias de acordo com essa avaliação.

P.: Que lugar ocupa esta técnica num processo de reabilitação física? Esta serve como tratamento só por si ou deverá ser englobada num plano de tratamento em conjunto com outras técnicas?
Esta abordagem devia ser ensinada nas faculdades de medicina e de fisioterapia pois não só é extremamente útil como uma técnica complementar ou adjuvante de tratamento, mas também como método diagnóstico de envolvimento neurológico e muscular. Esta abordagem permite-nos avaliar as patologias músculo-esqueléticas dum modo muito mais eficaz pois para além dos testes de avaliação e diagnósticos musculares que já realizamos, com a acupunctura e Electroacupunctura, podemos confirmar se aqueles músculos especificamente são os envolvidos nas disfunções que os doentes nos apresentam e pelas quais recorrem às nossas consultas.

P.: Para terminar, algum novo projecto de investigação na calha? Ou sugestão de temas que pensa serem interessantes investigar no futuro?

Felizmente muitos. Para o nosso curso de pós graduação lecionado em Braga estabelecemos uma parceria de trabalho com o departamento de neurociências da faculdade de medicina da Universidade do Minho. Esta relação pretende abrir portas a projetos de investigação futuros, a serem realizados em ratos e em humanos nesta tão promissora área.


Hugo Silva Pinto
Médico de Medicina Desportiva,
Cédula Profissional 41144
Competência Acupunctura pela O.M. Portuguesa e pela B.M.A.S.