terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Rizartrose - artrose do dedo polegar


A rizartrose é um processo degenerativo articular (osteoartrose) localizado na base do polegar, na articulação trapézio-metacarpiana.
A cartilagem, camada lisa de tecido fibroso que recobre as extremidades dos ossos, permite que estes deslizem facilmente entre si, possibilitando a mobilidade articular livre de atrito. Na osteoartrose, o uso excessivo e a diminuição de nutrição dos tecidos, própria do processo de envelhecimento, irão provocar um desgaste da cartilagem, que causa atritos e danos nas extremidades ósseas e na articulação em si, muitas vezes associadas a processos inflamatórios.
A articulação da base do polegar, perto do punho, é responsável por um movimento fundamental, que nos distingue de todos os outros mamíferos, que é a capacidade de oponência do polegar, o que nos permite rodar o polegar, agarrar e manusear objectos com grande destreza.
A rizartrose é bastante mais comum em mulheres que em homens, e geralmente ocorre após os 40 anos de idade. Fracturas ou outras lesões prévias da articulação poderão aumentar a probabilidade de desenvolver esta condição.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor em actividades que envolvam preensão, tais como virar uma chave, ou segurar num prato.
  • Inchaço e sensibilidade na base do polegar.
  • Uma dor em moedeira após uso prolongado.
  • Perda de força em actividades de preensão.
  • Desenvolvimento de uma proeminência óssea sobre a articulação.
  • Limitação do movimento.

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do polegar e mão, incluindo à sua função motora, é geralmente suficiente para o diagnóstico de uma rizartrose. A confirmação do diagnóstico deve ser feita através de um raio-X ou RM, que servirá também para avaliar a gravidade da lesão. Muitas pessoas têm associados sintomas de síndrome de túnel cárpico, pelo que uma avaliação da função neurológica é aconselhada.

Tratamento

Quando o desgaste articular se encontra numa fase inicial, o tratamento conservador tem bons resultados nos casos de rizartrose. O tratamento geralmente inclui:
  • Gelo na articulação, de cinco a quinze minutos várias vezes por dia
  • Medicamentos anti-inflamatórios, como a aspirina ou ibuprofeno, para ajudar a reduzir a inflamação e inchaço
  • Tala de suporte para limitar o movimento do polegar, permitindo que esta recupere mais rapidamente das agressões causadas. A tala pode proteger apenas o polegar mas também o punho. Esta pode ser usada durante a noite ou intermitentemente durante o dia.
  • Fisioterapia: inclui mobilizações acessórias da articulação (respeitando o limiar de dor), aplicação de TENS e terapia combinada. A imersão em parafina líquida também é amplamente utilizada, embora os seus benefícios não sejam consensuais.

Como qualquer osteoartrose, esta é uma doença progressiva, degenerativa, e que tende a piorar com o tempo. Quando os tratamentos anteriores não surtirem efeito uma injecção de solução de cortico-esteróides na articulação pode ser tentada. Isso geralmente proporciona alívio por vários meses. No entanto, essas injecções não podem ser repetidas indefinidamente.
Quando o tratamento conservador se revela ineficaz, a cirurgia é uma opção. Este tipo de cirurgia pode ser realizada em ambulatório, e vários tipos de processos podem ser escolhidos. Uma opção envolve a fusão dos ossos da articulação. Isto, apesar de diminuir a dor, causa uma limitação do movimento. Outra opção é retirar parte da articulação e substitui-la por um excerto ou, mais recentemente, por uma prótese. 
À cirurgia deve seguir-se um plano de fisioterapia com aconselhamento de exercícios terapêuticos com o objectivo de restabelecer a força e a mobilidade da articulação.

Exercícios terapêuticos para a rizartrose

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma rizartrose. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.

Alongamento dos extensores do punho
Em pé ou sentado, estenda o braço para a frente alinhado com o ombro, com a palma da mão virada para si. Com a outra mão puxe os dedos em direcção a si. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 

Fortalecimento dos extensores radiais do punho
Com o ombro alinhado com o tronco, cotovelo a 90o e polegar virado para cima. Fixe o punho com a outra mão e puxe o elástico para cima e em direcção a si. Apenas a mão se deve mover.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 Propriocepção do punho
Agarrando uma bola na mão, faça movimentos circulares com o punho enquanto pressiona a bola.
Repita entre 20 e 30 movimentos, desde que não desperte nenhum sintoma.


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.