A rizartrose é um
processo degenerativo articular (osteoartrose) localizado na base do polegar,
na articulação trapézio-metacarpiana.
A cartilagem,
camada lisa de tecido fibroso que recobre as extremidades dos ossos, permite
que estes deslizem facilmente entre si, possibilitando a mobilidade articular
livre de atrito. Na osteoartrose, o uso excessivo e a diminuição de nutrição
dos tecidos, própria do processo de envelhecimento, irão provocar um desgaste
da cartilagem, que causa atritos e danos nas extremidades ósseas e na articulação
em si, muitas vezes associadas a processos inflamatórios.
A articulação
da base do polegar, perto do punho, é responsável por um movimento fundamental,
que nos distingue de todos os outros mamíferos, que é a capacidade de oponência
do polegar, o que nos permite rodar o polegar, agarrar e manusear objectos com
grande destreza.
A rizartrose é
bastante mais comum em mulheres que em homens, e geralmente ocorre após os 40
anos de idade. Fracturas ou outras lesões prévias da articulação poderão aumentar
a probabilidade de desenvolver esta condição.
Sinais e sintomas/ Diagnóstico
- Dor em actividades que envolvam preensão, tais como virar uma chave, ou segurar num prato.
- Inchaço e sensibilidade na base do polegar.
- Uma dor em moedeira após uso prolongado.
- Perda de força em actividades de preensão.
- Desenvolvimento de uma proeminência óssea sobre a articulação.
- Limitação do movimento.
Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e
exame atento do polegar e mão, incluindo à sua função motora, é geralmente
suficiente para o diagnóstico de uma rizartrose. A confirmação do diagnóstico deve ser feita através de um raio-X ou RM, que servirá também para
avaliar a gravidade da lesão. Muitas pessoas têm associados sintomas de
síndrome de túnel cárpico, pelo que uma avaliação da função neurológica é
aconselhada.
Tratamento
Quando o
desgaste articular se encontra numa fase inicial, o tratamento conservador tem
bons resultados nos casos de rizartrose. O tratamento geralmente inclui:
- Gelo na articulação, de cinco a quinze minutos várias vezes por dia
- Medicamentos anti-inflamatórios, como a aspirina ou ibuprofeno, para ajudar a reduzir a inflamação e inchaço
- Tala de suporte para limitar o movimento do polegar, permitindo que esta recupere mais rapidamente das agressões causadas. A tala pode proteger apenas o polegar mas também o punho. Esta pode ser usada durante a noite ou intermitentemente durante o dia.
- Fisioterapia: inclui mobilizações acessórias da articulação (respeitando o limiar de dor), aplicação de TENS e terapia combinada. A imersão em parafina líquida também é amplamente utilizada, embora os seus benefícios não sejam consensuais.
Como qualquer
osteoartrose, esta é uma doença progressiva, degenerativa, e que tende a piorar
com o tempo. Quando os tratamentos anteriores não surtirem efeito uma injecção
de solução de cortico-esteróides na articulação pode ser tentada. Isso
geralmente proporciona alívio por vários meses. No entanto, essas injecções não
podem ser repetidas indefinidamente.
Quando o
tratamento conservador se revela ineficaz, a cirurgia é uma opção. Este tipo de
cirurgia pode ser realizada em ambulatório, e vários tipos de processos podem
ser escolhidos. Uma opção envolve a fusão dos ossos da articulação. Isto,
apesar de diminuir a dor, causa uma limitação do movimento. Outra opção é
retirar parte da articulação e substitui-la por um excerto ou, mais
recentemente, por uma prótese.
À cirurgia deve seguir-se um plano de
fisioterapia com aconselhamento de exercícios terapêuticos com o objectivo de
restabelecer a força e a mobilidade da articulação.
Exercícios terapêuticos para a rizartrose
Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma
rizartrose. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.
Alongamento
dos extensores do punho
Em pé ou sentado, estenda o braço para a frente
alinhado com o ombro, com a palma da mão virada para si. Com a outra mão puxe
os dedos em direcção a si. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Fortalecimento
dos extensores radiais do punho
Com o ombro alinhado com o tronco, cotovelo a 90o
e polegar virado para cima. Fixe o punho com a outra mão e puxe o elástico para
cima e em direcção a si. Apenas a mão se deve mover.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Propriocepção do punho
Agarrando uma bola na mão, faça movimentos
circulares com o punho enquanto pressiona a bola.
Repita entre 20 e 30 movimentos, desde que não
desperte nenhum sintoma.
Antes de iniciar estes exercícios você deve
sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.
