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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Estudo comparativo da pressão e índices de simetria entre almofadas para cadeiras de rodas

As pessoas com deficiência física necessitam de mais apoio postural do que uma cadeira ou cadeira de rodas comum proporciona. Para conseguir isso, as cadeiras de rodas utilizadas por pessoas portadoras de deficiência necessitam de modificações específicas.

Segundo estudos de Thyberg e col, 87% dos pacientes em cadeira de rodas refere que o sistema de assento é o elemento mais importante na cadeira. A almofada do assento proporciona benefícios muito para além do conforto, incluindo a gestão de pressão e de posicionamento que pode reduzir a fadiga e melhorar o equilíbrio sentado durante todo o dia, diminuindo o risco de ulceras de pressão.

As almofadas de assento para cadeira de rodas são geralmente cheias com água, espuma, gel ou ar, embora mais recentemente tem vindo a aumentar a utilização de uma combinação desses componentes. Em relação às características da pressão, os componentes que apresentam melhores resultados são o ar, o gel e a espuma, por esta ordem.

Assim, neste estudo foi desenvolvido um assento de ar ajustável revestido a espuma, que em seguida foi comparado, em relação a pressão e simetria de posicionamento, com uma almofada de espuma, das mais comuns no mercado recente, e à superfície dura de uma cadeira.

A almofada de ar recém-desenvolvida (OK Meditech, Coreia) é feita de espuma de uretano e tem pequenos buracos de ar de modo a que o ar possa entrar e sair da almofada. A espuma de uretano funciona como filtro de ar, para quando o indivíduo se sentar, o ar se mover para fora da almofada de forma à almofada se adaptar ao corpo do sujeito.

De acordo com a análise dos resultados, não houve diferenças significativas entre as pressões médias sobre as almofadas, mas o índice de simetria da almofada de ar recentemente desenvolvida, o qual pode ser controlado por pressão de ar, é mais próximo de 0. O intervalo do índice de simetria é de 0 a 100, em que o 0 significa que a pressão em ambos os lados do corpo é a mesma.


Conclui-se que a utilização combinada de ar e espuma parece apresentar vantagens significativas em relação aos produtos actualmente mais utilizados. Uma das limitações deste estudo tem a ver com não ter sido realizado com verdadeiros utilizadores de cadeiras de rodas, pelo que deverá ser replicado nesta população específica e com períodos de utilização do equipamento mais prolongados.



Won-Jin, et al., A comparison of the average sitting pressures and symmetry indexes between air-adjustable and foam cushions. J Phys Ther Sci 25 (2013) 1185-87

Outros artigos sobre lesão vertebro-medular:

A lesão vertebro-medular, dar a volta por cima!

domingo, 4 de agosto de 2013

Projecto Walk Again, o sonho de devolver o andar a lesados vertebro-medulares

O neurocientista Miguel Nicolelis anunciou nas redes sociais nesta quinta-feira (1/08/13) que recebeu “a última autorização” para colocar em prática o teste, no Brasil, do exoesqueleto no qual trabalha para fazer um jovem paraplégico dar o pontapé inicial do Campeonato do Mundo de Futebol de 2014.
O projeto chama-se Walk Again (andar de novo, em inglês). 
No Facebook, Nicolelis anunciou a novidade da seguinte maneira: “Agora é oficial: Projeto Andar de Novo recebe a última autorização necessária para iniciar testes com exoesqueleto robótico no Brasil. O primeiro projeto envolvendo o uso de sinais neurobiológicos para controlar e "sentir" o desempenho do exoesqueleto robótico em pacientes com paraplegia será implementado no Brasil”.
O exoesqueleto é conectado diretamente ao cérebro do paciente, que então controla o equipamento como se fosse parte de seu próprio corpo. A técnica faz parte de uma linha de pesquisa conhecida como interface cérebro-máquina, com a qual Nicolelis já obteve resultados internacionalmente relevantes. Em um dos mais importantes, fez com que macacos não só controlassem uma mão virtual, como também que sentissem uma espécie de tato quando exerciam a atividade.
Esta é uma área de investigação que promete alterar por completo a forma como são encaradas as lesões graves da coluna vertebral. Pode ver mais inovações com potencial aqui.
Fonte: G1

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A lesão vertebro-medular, dar a volta por cima!


Entrevista com:
Dra. Maria Ribeiro da Cunha


P.: Existem vários tipos de lesões vertebro-medulares, mas a verdade é que muitas delas são extremamente incapacitantes a nível físico. Na sua opinião, neste tipo de lesões, as equipas multidisciplinares constituem uma mais-valia efectiva para o doente? Em que medida?

R.: Uma Lesão Medular é uma patologia que tem sempre um impacto significativo na vida de uma pessoa, tanto a nível físico, como psicológico.
A complexidade e variedade de sequelas que dela podem advir implica que, para uma abordagem holística e uma reabilitação integral e abrangente do lesionado medular, o seu acompanhamento seja feito, desde a fase aguda até ao fim da vida, por um conjunto de profissionais de saúde com experiência na área. Toda esta equipa deverá dar o seu contributo e elaborar um conjunto de objectivos comuns que visam minimizar as consequências da Lesão Medular e promover a autonomia e a integração social, familiar e, se possível, laboral dos doentes.
A intervenção em equipa pluriprofissional (que deverá incluir Fisiatra, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Enfermeiro de Reabilitação, Licenciado em Desporto, Psicólogo, Assistente Social), e num centro especializado em Lesão Medular, torna-se assim fundamental para uma melhor e mais adequada prestação de cuidados de saúde a estes doentes.


P.: Muitas vezes é nas lesões mais graves que observamos uma maior dificuldade de aceitação da doença por parte do doente e dos familiares, sendo frequente recorrerem a meios menos convencionais de tratamento, colocando muitas vezes em risco a condição clínica do paciente. Que conselhos pode dar neste sentido?

R.: Qualquer profissional de saúde que preste cuidados a lesionados medulares deverá fazê-lo tendo em conta a mais recente evidência científica. A constante actualização nesta área é fundamental para o correcto aconselhamento dos nossos doentes. Assim, a orientação dada aos lesionados medulares deve ser sempre no sentido dos métodos com comprovação científica fidedigna, e sempre cuidando o esclarecimento das dúvidas que se nos coloquem, incluindo as relativas à segurança dos doentes.
Ainda assim, não nos devemos deixar influenciar pelas crenças, ética ou moral a termo pessoal e respeitar as opções do nosso doente sem que isso prejudique o processo de reabilitação.


P.: Atendendo à natureza de grande parte destas lesões, a readaptação à vida activa é um passo muito importante. Que dicas/conselhos poderá dar a um doente nesta situação? 

R.: Sem dúvida que a reintegração social e a manutenção de uma vida activa física e profissionalmente são dos componentes fulcrais na reabilitação de um lesionado medular. A readaptação laboral que é por vezes necessária pode ser realizada e as novas competências adquiridas tanto em centros de reabilitação como em instituições capacitadas para o efeito. É de ressaltar a existência de apoios sociais que poderão facilitar esta reintegração e que os doentes deverão conhecer.
Também o desporto adaptado, em qualquer que seja a modalidade, desempenha um papel de extrema importância para o bem-estar físico e psíquico dos doentes, tanto pelo exercício físico em si como pela sua vertente de promoção do convívio e estímulo cognitivo, de maneira que a sua práctica deve ser estimulada desde que não se verifiquem contra-indicações.
Associações de lesionados medulares são igualmente muito relevantes na prestação de informação a respeito dos direitos inerentes à uma determinada incapacidade.


P.: Para terminar, algum novo projecto de investigação nesta área que pensa merecer especial atenção? Ou sugestão de temas que seriam interessantes investigar no futuro?

R.: Existem diversos grupos de investigação básica e clínica a nível internacional que desenvolvem actividade científica de reconhecido mérito na área da lesão medular.
Actualmente, muitos dos trabalhos são desenvolvidos nas seguintes linhas de investigação: neuroprotecção, promoção do crescimento axonal e remielinização, restabelecimento de redes neuronais, e transplantes celulares e substratos terapêuticos.
Esperamos que o futuro traga um avanço positivo no que diz respeito ao tratamento da Lesão Medular, mas penso que muito importante também será apostar de forma “agressiva” na prevenção deste tipo de patologia que ainda é, em elevado número, devido a causas evitáveis.




 Dra. Maria Ribeiro da Cunha
Interna do 4º ano de Formação Específica em Medicina Física e de Reabilitação no Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro - Rovisco Pais

Licenciatura em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

Membro da Ordem dos Médicos Portugueses, Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, International Society of Physical and Rehabilitation Medicine, European Society of Physical and Rehabilitation Medicine, Coordenadora da Secção de Internos da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação

Já publicou:
- Artigo de revisão a aguardar publicação na “Revista Internacional de Andrologia” com o título:A influência das prostatites crónicas do lesionado medular nas características do líquido seminal: dúvidas e verdades comprovadas”
- Artigo original a aguardar publicação na “Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação” com o título: “Protocolo de encerramento de traqueotomia em internamento em Reabilitação”
- Autora do capítulo: “A Medicina Física e de Reabilitação no Serviço de Cirurgia Cardiotorácica” no livro “Procedimentos em Cirurgia Cardiotorácica”, Lidel edições técnicas, Lda, Novembro de 2009; pp. 107-114