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sábado, 4 de outubro de 2014

Hipotiroidismo

O hipotiroidismo é o distúrbio endócrino que resulta da deficiência da secreção ou resistência à acção da hormona tiroideia. Pode ser classificado em primário (mais frequente; resulta de distúrbio da própria glândula tiroideia); secundário (deficiência de TSH) ou terciário (deficiência de TRH).

É um distúrbio comum, com uma prevalência 2 a 5% na população geral. É mais frequente em indivíduos caucasianos e em mulheres (1homem:2-8mulheres), e a sua prevalência aumenta com a idade, chegando a 20% na população idosa.

Nos países ocidentais e nas áreas de aporte adequado de iodo, a causa mais frequente de hipotiroidismo é a tiroidite auto-imune crónica, que resulta da infiltração linfocítica e destruição progressiva do tecido tiroideu. A nível mundial, a causa mais frequente de hipotiroidismo é a deficiência de iodo. Outras causas de hipotiroidismo primário incluem:
  • Tiroidite pós-parto (subaguda e auto-imune);
  • Tiroidite subaguda granulomatosa (tiroidite de Quervain, dolorosa, subaguda; associada a síndromes virais);
  • Iatrogénica medicamentosa (ex. amiodarona, interferão-alfa, talidomida, lítio, estavudina) ou após exposição a agentes de contraste iodados, terapêutica da doença de Graves com iodo radioactivo, radioterapia cervical ou pós-tiroidectomia parcial/total;
  • Distúrbios congénitos da síntese de hormona tiroideia;
  • Outros (ex. metástases tiroideias de neoplasias não-tiroideias, doenças infiltrativas).

As causas de hipotiroidismo secundário e terciário são: adenoma hipofisário, tumores com efeito de massa sobre o hipotálamo, após radioterapia cerebral, medicamentosa (ex. dopamina, lítio), síndrome de Sheehan e distúrbios genéticos.

O quadro clínico do hipotiroidismo é sistémico, reflectindo a carência de hormona tiroideia por todos os tecidos metabolicamente activos. Habitualmente manifesta-se com uma redução da actividade física e mental, porém com sintomas muito subtis e pouco específicos e pode inclusivamente ser assintomático.

A abordagem do hipotiroidismo inicia-se com colheita cuidadosa da história clínica e realização de exame objectivo.

O diagnóstico definitivo envolve necessariamente o doseamento de hormona tireoestimulante (TSH).
Em indivíduos com doença grave não-tiroideia, pode ocorrer redução dos níveis de TSH e T4, com redução marcada dos níveis de T3. Estas alterações da função tiroideia são habitualmente reversíveis.

No hipotiroidismo secundário e terciário, não há elevação adequada dos níveis de TSH em resposta à reduzida secreção de T4, pelo que, na suspeita, é necessário dosear a TSH e a T4 livre. Na resistência à hormona tiroideia, pode ocorrer um quadro compatível com hipotiroidismo, podendo ser-verificada elevação da T4 e T3, com TSH inapropriadamente normal ou elevada.

Na avaliação do hipotiroidismo, é útil efectuar o doseamento de anticorpos anti-tiroideus, positivos em 95% dos doentes com tiroidite auto-imune, no sentido de confirmar a etiologia e determinar o prognóstico.

A tiroidite auto-imune está associada a uma incidência mais elevada de nódulos tiroideus e malignidade (5% dos nódulos), assim como de outras patologias auto-imunes. Se houver suspeita de lesões tiroideias, deverá ser efectuada ecografia tiroideia ou, se necessário, cintigrafia tiroideia. 


XX Curso pós graduado de endocrinologia, diabetes e metabolismo. 29-29 de Março de 2014, Arquivos de Medicina, vol 28sup mar/abr 2014

sábado, 13 de abril de 2013

Síndrome de T4



 A região da coluna torácica é composta por 12 vértebras e costelas com as respectivas articulações, que proporcionam a estabilidade da coluna torácica. Na coluna vertebral, a carga compressiva em T1 é de aproximadamente 9% do peso corporal, aumentando para 33% em T8 e 47% em T12.
A síndrome do T4 é um conjunto de sintomas que inclui parestesias dos membros superiores e dor com ou sem sintomas no pescoço e parte superior do torax. A mobilização de T4 e algumas vértebras adjacentes deverão reproduzir ou eliminar os sintomas. Na realidade, a síndrome de T4 deveria ser chamado de "síndrome torácica superior", pois os sintomas nem sempre derivam apenas de T4.

As causas desta síndrome ainda não são consensuais, no entanto existem duas possíveis explicações para o seu aparecimento:

Devido a hipomobilidade deste segmento torácico, causado por alterações posturais.
Devido a alterações nos gânglios autónomos do sistema nervoso simpático da região torácica, causadas por disfunções da coluna torácica. Assim, a disfunção do sistema nervoso simpático, na região de T4 pode resultar em dor referida na cabeça, pescoço, membros superiores, tórax e membros superiores.
As mulheres na faixa etária de 30-50 anos de idade são quatro vezes mais propensas que os homens de desenvolver esta condição. Actividades como a elevação de pesos, a flexão excessiva da coluna, movimentos com os membros superiores acima da cabeça, longos períodos sentado ou com má postura podem agravar esta condição.
 

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Parestesia, sobretudo nas mãos e antebraço, que pode ser unilateral ou bilateral.
  • Fraqueza, perda de destreza manual,  
  • Sensação de frio nas mãos e antebraço 
  • Dor vaga e profunda nos membros superiores, que se pode estender ao pescoço.
Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e um exame da coluna vertebral são geralmente suficientes para o diagnóstico de uma síndrome de T4. A palpação das vértebras de T2 a T7 frequentemente revelará sensibilidade local, hipomobilidade, podendo reproduzir os sintomas. Um exame neurológico minucioso também deve ser realizado para descartar qualquer envolvimento neural.

Tratamento


A maioria dos pacientes com uma síndrome de T4 responde bem a um tratamento adequado de fisioterapia. No caso de o problema ser de origem articular uma melhoria dos sintomas deverá ser observada longo nos primeiros dias, nos problemas de origem neural esta melhoria poderá demorar 2-3 semanas. O tratamento deverá incluir:

  • Mobilização e manipulação articular, com o objectivo de realinhar a articulação e de lhe restaurar a normal mobilidade. Devem ser realizadas por profissionais experientes e apenas após a confirmação do diagnóstico.
  • Mobilização global da coluna vertebral, exercícios de correcção postural, como RPG e Pilates poderão ser benéficos para manter os resultados ao longo do tempo.
  • Electroterapia: correntes interferenciais e ultra-som na região dos ligamentos posteriores da articulação, com o objectivo de controlar a inflamação.
  • Exercícios respiratórios, especialmente respiração diafragmática e respiração costal lateral são ensinados ao paciente.
  • Além disso, o paciente deve fazer um esforço consciente para trabalhar, corrigir e manter a postura adequada.
  • Aconselhamento sobre ergonomia no local de trabalho



Exercícios terapêuticos para a síndrome de T4


Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação da síndrome de T4. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.

Adução das omoplatas

Em pé ou sentado, com os cotovelos dobrados. Puxe os ombros e cotovelos para trás e para baixo. Mantenha a posição durante 8 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.

Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.









 


Extensão da coluna torácica

Sentado, com as mãos atrás da cabeça. Inspire fundo enquanto roda os cotovelos para fora e alonga o tronco nas costas da cadeira. Expire lentamente, retornando à posição inicial.

Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.








Alongamento da cadeia posterior

Sentado, com os braços atrás da cadeira, estique lentamente a perna puxando a ponta do pé para si. Mantenha a posição durante 8 segundos. Repita com a outra perna.

Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.









Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.