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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Plano de exercícios para bursite trocantérica

Aqui estão alguns exemplos de exercícios de reabilitação típicos para bursite trocantérica.
Comece cada exercício lentamente. Se começar a ter dor interrompa o plano.
O seu médico ou fisioterapeuta irão dizer-lhe quando pode começar estes exercícios e quais deles irão funcionar melhor para si.
Faça Download do pdf para impressão, já com a descrição escrita dos exercícios.

1. Alongamento dos isquiotibiais

2. Abdução activa com a perna a direito

3. Abdução activa com os joelhos dobrados

4. Alongamento do quadricípite

5. Alongamento do piramidal

6. Joelhos ao peito


Os cuidados de acompanhamento são uma parte fundamental do seu tratamento e segurança. Não deixe de comparecer a todos os tratamentos de fisioterapia agendados.

Faça Download do pdf para impressão, já com a descrição escrita dos exercícios.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Tratamento conservador para a síndrome de dor trocantérica

A Visual Health Information publicou a sua newsletter mensal. Nesta edição respondem à questão:

Qual é a melhor estratégia de tratamento conservador para a síndrome de dor trocantérica?

Para responder a esta questão, foi realizada uma pesquisa abrangente no banco de dados PubMed (durante Novembro de 2011) por trabalhos que, nos últimos 15 anos, abordaram esta questão específica.

A síndrome de dor trocantérica é caracterizada por dor e sensibilidade na região do grande trocânter (face lateral da anca), e pode ser causada por condições tais como a bursite trocantérica, tendinopatias dos glúteos médios e mínimos, ilio-psoas e tensor da fáscia lata.

Furia e colaboradores avaliaram os resultados clínicos da terapia por ondas de choque comparativamente ao tratamento convencional (por exemplo, exercícios terapêuticos, fisioterapia e infiltração com corticosteroides) em 66 pacientes com síndrome de dor trocantérica crónica. Embora a terapia por ondas de choque tenha reduzido significativamente a dor e melhorado a função em relação ao tratamento convencional, os resultados não são conclusivos, dado o caráter retrospetivo do estudo.

Rompe e colaboradores compararam os efeitos de exercícios terapêuticos no domicílio, infiltração de corticosteroide, e terapia por ondas de choque em 229 pacientes com síndrome de dor trocantérica. A percentagem de sucesso relatada pelos pacientes demonstrou que, embora os resultados a curto prazo tenham favorecido significativamente a infiltração, esse efeito já não se notava ao final de quatro meses. Em contraste, a recuperação gradual observada com o exercício terapêutico e terapia por ondas de choque resultaram em taxas de sucesso significativamente mais elevadas após 4 meses, e novamente após 15 meses, tanto para o exercício terapêutico (80%) como para a terapia por ondas de choque (74%) em comparação com a infiltração (48%). Para além disso, os exercícios terapêuticos tiveram significativamente menos efeitos adversos em comparação com a terapia por ondas de choque (a irritação da pele) e da infiltração (a dor).

Com base nesta revisão da literatura, pode-se concluir que os exercícios terapêuticos proporcionam bons resultados a longo prazo para pacientes com síndrome de dor trocantérica, enquanto a terapia por ondas de choque demonstra resultados promissores no curto prazo. O tipo específico, frequência e duração do exercício  mais eficazes não são ainda claros. Com base nas recomendações dos artigos revistos, a VHI selecionou os seguintes exercícios:

Coloque-se em pé, apoiado numa perna, com as costas apoiadas numa bola encostada à parede. Faça agachamentos até uma amplitude que não provoque dor.

Deitado de lado numa bola, com um pé e mão apoiados no chão, eleve (lateralmente e frente/trás) a outra perna.



Esta newsletter mensal está disponível de forma gratuita no site Visual Health Information. 

Veja este e outros sites de prescrição de exercícios terapêuticos Aqui!



Strauss EJ, Nho SJ, Kelly BT. Greater trochanteric pain syndrome. Sports Med Arthrosc. 2010 Jun;18(2):113-9. Review. PubMed PMID: 20473130.

Furia JP, Rompe JD, Maffulli N. Low-energy extracorporeal shock wave therapy as a treatment for greater trochanteric pain syndrome. Am J Sports Med. 2009 Sep;37(9):1806-13. Epub 2009 May 13. PubMed PMID: 19439756.

Rompe JD, Segal NA, Cacchio A, Furia JP, Morral A, Maffulli N. Home training, local corticosteroid injection, or radial shock wave therapy for greater trochanter pain syndrome. Am J Sports Med. 2009 Oct;37(10):1981-90. Epub 2009 May 13. PubMed PMID: 19439758.

Williams BS, Cohen SP. Greater trochanteric pain syndrome: a review of anatomy, diagnosis and treatment. Anesth Analg. 2009 May;108(5):1662-70. Review. PubMed PMID: 19372352.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Bursite trocantérica


A bursite é a inflamação de uma bolsa (um fino saco de líquido sinovial). Estas bolsas estão localizadas nos pontos de fricção, especialmente onde há tendões ou músculos que passam por cima do osso, e têm como principal função diminuir o atrito entre estas estruturas. Embora uma bolsa geralmente contenha muito pouco líquido, no caso de se lesionar pode inflamar e encher-se de líquido, causando a bursite.
No entanto, neste caso específico, tem-se vindo a descobrir que não é  tanto a bolsa trocantérica (localizada sobre a proeminência óssea do grande trocanter e sob o médio nadegueiro e tensor da fascia lata, na face lateral da anca) mas sobretudo outros tecidos desta região, como músculos, tendões e fáscias, que poderão estar na origem dos sintomas. Assim tem-se introduzido o termo mais genérico Síndrome de dor trocantérica em vez de apenas bursite trocantérica.
Esta lesão pode resultar de um traumatismo agudo ou de micro-traumas provocados por esforços repetitivos. Os traumatismos agudos incluem contusões por quedas, em desportos de contacto e outras fontes de impacto. Os micro-traumas provocados por esforços repetitivos incluem a irritação da bolsa trocantérica devido ao atrito provocado pela banda ílio-tibial, que é uma extensão do tensor da fáscia lata, com consequente lesão desta estrutura muscular. Essa irritação, repetitiva e cumulativa, ocorre muitas vezes em corredores e outros desportistas, mas também pode ser vista em indivíduos menos activos
Outros factores predisponentes incluem uma discrepância no comprimento dos membros, fraqueza muscular do abdutor da anca, e cirurgia com abordagem lateral da anca. Cerca de 80% dos casos de síndrome de dor trocantérica ocorrem em mulheres.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Nos casos de traumatismos agudos, o paciente pode lembrar-se do impacto que causou a lesão.
  • Dor aguda na região lateral da anca, agravada pela pressão sobre a extremidade óssea do grande trocanter.
  • A dor pode irradiar para baixo pela face lateral da coxa, geralmente não passando para baixo do joelho.
  • A dor piora quando está deitado de lado, sobre a anca afectada.
  • Poderá acordar de noite por causa da dor.

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento à anca são geralmente suficientes para diagnosticar a síndrome de dor trocantérica. Uma ecografia ou RM poderão ser pedidas para diferenciar quais as estruturas afectadas.

Tratamento

         A maioria dos pacientes com síndrome de dor trocantérica reage bem ao tratamento com fisioterapia. O tratamento, no caso de ser uma lesão aguda, tem como objectivo inicial controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar e estar muito tempo de pé. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão. Se necessário numa fase inicial, use canadianas
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente. Repita 2 a 3 vezes por dia.
Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.
Assim que os sintomas diminuírem, deve ser iniciado um programa de fisioterapia. As técnicas que revelam maior eficácia nesta condição:
  • Exercícios de alongamento progressivo, principalmente do tensor da fáscia lata.
  • Aplicação de ultra-som e TENS poderá ser benéfica para aliviar a dor.
  • Exercícios de fortalecimento dos abdutores da coxa, sobretudo o glúteo médio, serão necessários para o retorno à actividade e para diminuir o risco de recidivas.
  • A aplicação de gelo no final dos exercícios para prevenir sinais inflamatórios.

Caso nenhuma destas intervenções for eficaz, injecções de uma mistura de corticosteróides e anestésicos locais aplicadas na zona inflamada por um ortopedista poderão aliviar a dor e a inflamação, no entanto a sua acção é apenas temporária.

Exercícios terapêuticos para a síndrome de dor trocantérica

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma síndrome de dor trocantérica. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Auto massagem dos glúteos
Deitado de lado, com uma bola na região glútea. Com a ajuda de braços e pernas pressione a bola em pequenos movimentos circulares. Repita o movimento durante 30 a 90 segundos, desde que não desperte nenhum sintoma.


Alongamento activo do tensor da fascia lata
Em pé, com a perna a alongar cruzada atrás da outra. Empurre a anca no sentido da perna a alongar.
Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Fortalecimento dos Abdutores da coxa
Sentado, com um elástico à volta dos joelhos e os pés bem apoiados. Faça força para afastar os joelhos. Mantenha a posição durante 8 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Butcher JD, Salzman KL, Lillegard WA. Lower extremity bursitis. Am Fam Physician. 1996 May 15;53(7):2317-24.
Paluska SA. An overview of hip injuries in running. Sports Med. 2005;35(11):991-1014.