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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Plano de exercícios para osteoartrose da anca

Aqui estão alguns exemplos de exercícios de reabilitação típicos para osteoartrose da anca.
Comece cada exercício lentamente. Se começar a ter dor interrompa o plano.
O seu médico ou fisioterapeuta irão dizer-lhe quando pode começar estes exercícios e quais deles irão funcionar melhor para si.
Faça Download do pdf para impressão, já com a descrição escrita dos exercícios.

1. Mobilização activa da bacia


2. Alongamento do piramidal

3. Abdução activa com os joelhos dobrados

4. Fortalecimento dos extensores da anca

5. Alongamento do quadricípite
6. Alongamento dos rotadores internos da anca

7. Fortalecimento dos nadegueiros
8. Exercício do garçon

9. Bicicleta estacionária

Os cuidados de acompanhamento são uma parte fundamental do seu tratamento e segurança. Não deixe de comparecer a todos os tratamentos de fisioterapia agendados.

Faça Download do pdf para impressão, já com a descrição escrita dos exercícios.

sábado, 29 de novembro de 2014

Mobilização na anca no tratamento de osteoartrite de joelho

Objetivo:

Identificar pacientes com osteoartrite do joelho que irão experimentar melhoria da sua condição clínica com a inclusão da mobilização da anca no seu tratamento.

Norma:

  1. Dor ou parestesia na anca ou virilha
  2. Dor na face anterior da coxa
  3. Flexão passiva do joelho menor do que 122 graus
  4. Rotação interna passiva da anca menor do que 17 graus
  5. Dor ao movimento de distracção da anca


Probabilidade de Sucesso:

92% (1 ou + variáveis), 97% (2 ou + variáveis)

Bibliografia:


Currier LL, et al. Development of a Clinical Prediction Rule to Identify Patients With Knee Pain and Clinical Evidence of Knee Osteoarthritis Who Demonstrate a Favorable Short-Term Response to Hip Mobilization. Physical Therapy. 2007; 87(9): 1106–1119.

Cleland J, Koppenhaver S, Su J. Netter's Orthopaedic Clinical Examination: An Evidence-Based Approach, 2e (Netter Clinical Science) June 15, 2010

domingo, 23 de novembro de 2014

Exercício físico após a artroplastia total da anca

A artroplastia total da anca (ATA) é um procedimento frequentemente usado em cirurgia ortopédica para tratar osteoartrite grave na articulação da anca.

Com o crescente número de pessoas mais velhas que praticam desporto e de atletas mais velhos que desejam retornar a níveis competitivos após uma ATA, a compreensão de como actividade desportiva afecta os indicadores de saúde após ATA está a tornar-se consideravelmente importante.

O objetivo desta revisão bibliográfica é caracterizar as recomendações e os riscos atuais para retornar ao desporto após ATA, bem como discutir as implicações da mudança de nível demográfico e da expectativa em paradigmas de reabilitação.

Embora os riscos reais associados à prática de desportos após ATA sejam ainda desconhecidos, há preocupações de que níveis mais altos de atividade física podem aumentar o risco de fratura, luxação e maus resultados a longo prazo.

Alternativas mais recentes como próteses com os dois componentes articulares em metal proporcionam uma maior durabilidade, no entanto existem preocupações relativamente aos iões metálicos sistémicos devido a desgaste mecânico dos componentes, embora o seu impacto na saúde do paciente ainda não seja clara.

Recentemente, foi desenvolvido o High Activity Arthroplasty Score em resposta à necessidade de quantificar maior nível de atividade e esportes participação física após artroplastia. Existem algumas evidências que sugerem que o desgaste pode estar relacionado com o nível de atividade, mas o impacto sobre os resultados clínicos são ainda pouco significativos.

Ao aconselhar um atleta que considere voltar ao desporto após ATA, o fisioterapeuta deve considerar o seu nível de atividade pré-operatório, aptidão física atual e histórico específico, incluindo a qualidade do osso, a abordagem cirúrgica e tipo de prótese.


Meira EP, Zeni J Jr. Sports participation following total hip arthroplasty. Int J Sports Phys Ther. 2014 Nov;9(6):839-50.

Talbot S, Hooper G, Stokes A, Zordan R. Use of a new high-activity arthroplasty score to assess function of young patients with total hip or knee arthroplasty. J Arthroplasty. 2010 Feb;25(2):268-73.


sábado, 15 de novembro de 2014

Fisioterapia pré-prótese da anca ou do joelho reduz a necessidade de cuidados pós-operatórios em 29%

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a osteoartrite como uma doença relacionada com a civilização. A eficácia da fisioterapia pré-artroplastia total da anca entre os pacientes que sofrem de osteoartrite da anca (OA) no final do tratamento conservador raramente é descrita na literatura.

Um novo estudo, publicado na revista americana Journal of Bone & Joint Surgery (JBJS), descobriu que a fisioterapia antes da artroplastia total pode diminuir a necessidade de cuidados pós-operatórios em quase 30%, economizando uma média de 1.215 dólares por paciente em serviços de saúde especializados e outros cuidados no pós-operatório.

Utilizando o Medicare, os investigadores foram capazes de identificar tanto o recurso a fisioterapia pré-operatória como os padrões de utilização de cuidados pós-operatórios para 4733 pacientes submetidos a substituição total da anca e do joelho:

Cerca de 77% dos pacientes utilizaram serviços de saúde após a cirurgia. Após o ajuste para as características demográficas e co-morbilidades (outras condições), os pacientes que receberam fisioterapia pré-operatória apresentaram uma redução de 29% no uso de cuidados de saúde pós-operatórios.


"Este estudo demonstrou uma oportunidade importante para as variações de resultados pós-operatórios através da implementação de fisioterapia pré-operatória, juntamente com a gestão de co-morbilidades antes e durante a cirurgia", referiu o cirurgião ortopédico Ray Wasielewski, co-autor do estudo.

Um outro estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida e condição física dos pacientes que fizeram fisioterapia até um ano antes de artroplastia total da anca comparativamente com aqueles que não o fizeram.

45 pacientes, internados no Departamento de Ortopedia e Traumatologia para cirurgia de substituição total da anca, foram recrutados para este estudo.

A avaliação consistiu numa entrevista detalhada com vários questionários: o Harris Hip Score (HHS), a Western Ontario e McMaster Universities Osteoartrite Index (WOMAC), o 36-Item Short Form Health Survey (SF-36), e o Hip Disability and Osteoarthritis Outcome Score (HOOS), bem como o exame físico. Os pacientes foram divididos em grupos com base na sua participação em fisioterapia pré-operatória ou não.

Entre os pacientes que receberam fisioterapia pré-operatória houve uma melhoria significativa na dor, função, vitalidade, saúde psicológica, vida social, e rotação interna (ativa e passiva) da anca (p <0,05).


Apesar de os pacientes não serem rotineiramente encaminhados à fisioterapia antes da cirurgia de substituição total da anca, estes estudos confirmam que a fisioterapia pré-operatória pode ter uma influência positiva sobre o sistema músculo-esquelético e qualidade de vida em pacientes com osteoartrite da anca e joelho.


Snow R, Granata J, Ruhil AV, Vogel K, McShane M, Wasielewski R  Associations between preoperative physical therapy and post-acute care utilization patterns and cost in total joint replacement. J Bone Joint Surg Am. 2014 Oct 1;96(19)

Czyżewska A, Glinkowski WM, Walesiak K, Krawczak K, Cabaj D, Górecki A. Effects of preoperative physiotherapy in hip osteoarthritis patients awaiting total hip replacement. Arch Med Sci. 2014 Oct 27;10(5):985-91

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Protocolo de fisioterapia para uma artroplastia total da anca

Após uma artroplastia total da anca as complicações pós-cirúrgicas mais comuns podem incluir:
  • Edema
  • Dor
  • Diminuição do movimento
  • Alterações da força e do controlo muscular
  • Desequilíbrio
  • Diminuição da propriocepção

Estas complicações, juntamente com quaisquer outras específicas do paciente, devem ser incluídas na lista de problemas inicial, desenvolvida pelo fisioterapeuta. As metas devem ser desenvolvidas para tratar de cada deficiência, melhorando o nível de independência e de qualidade de vida do paciente.

Na Fase aguda
Um paciente que experimenta uma artroplastia simples da anca deverá ficar no hospital 2-3 dias, nos quais já fará fisioterapia, incluindo levante e mobilizações.
O cirurgião irá instrui-lo sobre as precauções comuns após a cirurgia. As três principais são:
  • Não flexionar a anca para além dos 90o.
  • Não rodar internamente a anca, manter os dedos do pé alinhados para a frente
  • Não aduzir a anca; nunca cruzar a linha média, como cruzar as pernas

Para um paciente que se recupera de uma artroplastia total da anca o número esperado de visitas ao fisioterapeuta é entre 12 e 60. Este protocolo afirma que aproximadamente 80% dos pacientes irá atingir todas as metas previstas, dentro do limite de 60 sessões de tratamento. Estas 60 consultas são por um período de tratamento contínuo com a frequência e duração a serem decididas pelo fisioterapeuta.

Protocolo de fisioterapia


O protocolo listado abaixo foi desenvolvido pelo The Brigham and Women's Hospital Department of Rehabilitation Services. Este protocolo é dividido em quatro fases: aguda, de movimento, intermédia, fortalecimento avançado e nível superior de funcionalidade. Cada protocolo deve ser moldado para atender às necessidades de cada paciente cumprindo com todas as precauções.

Fase aguda (1-4 dias)
As metas para esta fase são:
  • Educar sobre as precauções nas actividades do dia-a-dia
  • Aumentar a independência com tarefas funcionais
  • Prevenir ou reduzir as complicações pós-operatórias

Fase de movimento (1-6 semanas)
Esta fase inclui exercícios terapêuticos e modalidades, conforme necessário.
Os objetivos desta fase são:
  • Fortalecimento muscular da anca operada
  • Treino proprioceptivo para melhorar a consciência corporal para o treinamento funcional
  • Treino de resistência para aumentar a aptidão cardiovascular
  • Treino de marcha; descontinuar os auxiliares de marcha aproximadamente às 4-6 semanas, quando não houver sinais de uma marcha antálgica ou sinal de Trendelenburg.
  • Aumento da amplitude de movimento
  • Aumento da força muscular
  • Retorno às atividades funcionais

Exercícios terapêuticos:
Semanas 1 a 4
  • Mobilização ativa-assistida e ativa de todos os movimentos da anca
  • Exercícios isométricos de quadricipite, isquiotibiais e glúteos
  • Treino de equilíbrio: transferências de peso e atividades em cadeia cinética fechada
  • Treino de marcha
  • Bicicleta estática, na semana 3-4 se permitido pelo médico

          Semanas 4 a 6
  • Acrescentar: exercícios no step, frontal e lateral.
  • Exercício straight leg raise
  • Agachamento e agachamento com uma perna à frente
  • Se possível programa aquático

Critérios para progressão:
  • Amplitude de movimento ativo entre 0-110o
  • Bom controlo voluntário de quadricipite
  • Deambulação independente por 250 metros sem auxiliares de marcha, sem alterações da marcha ou dor


Fase Intermédia (semanas 7-12)
As metas para esta fase são:
  • Boa força muscular de todos os músculos do membro inferior operado
  • Retorno às atividades funcionais e participação em atividades recreativas leves

         Exercícios terapêuticos:
  • Progredir aumentando a resistência dos exercícios da fase de movimento
  • Avaliar a estabilidade do tronco e membro inferior e desenvolver exercícios de cadeia cinética aberta e fechada conforme necessário para atender às necessidades de cada paciente
  • Iniciar programa de resistência (piscina ou a pé)
  • Iniciar treino de propriocepção e equilíbrio adequado à idade

Critérios para progressão:
  • Força máxima (4+/5) em toda a musculatura do membro inferior operado
  • Mínima ou nenhuma queixa de dor e inchaço


Fortalecimento avançado e nível superior de funcionalidade (semana 12-16)
Os objetivos desta fase são:
  • Voltar totalmente para as atividades recreativas que sejam apropriadas
  • Aumentar a força, resistência e propriocepção

         Exercícios terapêuticos:
  • Continuar a progressão dos exercícios anteriores
  • Aumentar a duração das atividades de resistência
  • Implementar atividades que envolvam tarefas de carregar, empurrar e puxar
  • Retorno às atividades recreativas específicas (golfe, ténis, caminhada, ciclismo…)
  • Retorno ao trabalho se for caso disso

Critérios de alta:
  • Marcha independente e não dolorosa
  • Subir escadas de forma alternada
  • Amplitude de movimento completa e livre de dor
  • Força 4+/5 em todos os músculos do membro inferior
  • Propriocepção e equilíbrio apropriados à idade
  • Realizar de forma correta e independente o programa de exercícios para casa

American Physical Therapy Association. Guide to Physical Therapist Practice. second edition. American Physical Therapy Association. Phys Ther. 2001.

Juliano K, Edwards D, Spinello D, et al. Initiating physical therapy on the day of surgery decreases length of stay without compromising functional outcomes following total hip arthroplasty. HSS J. 2011;7(1):16-20.
Nadler S, Weingand K, Kruse J. The physiologic basis and clinical applications of cryotherapy and thermotherapy for the pain practitioner. Pain Physician. 2004;7(3):395-399.
Saito N, Horiuchi H, Kobayashi S, Nawata M, Takaoka K. Continuous local cooling for pain relief following total hip arthroplasty. J Arthroplasty. 2004;19(3):334-337.
Trudelle-Jackson E, Smith S. Effects of a late-phase exercise program after total hip arthroplasty: A randomized controlled trial. Arch Phys Med Rehabil. 2004;85:1056-1062.



sexta-feira, 14 de junho de 2013

Capsulite adesiva da anca - estudo de caso clínico

A capsulite adesiva tem sido definida como uma condição que começa com inflamação sinovial e progride como um contínuo de quatro fases, terminando na fibrose capsular.
Na capsulite adesiva da anca (CAA) a membrana sinovial e a cápsula articular têm uma aparência classicamente inflamada ou fibrosada, dependendo da fase da doença, que pode ser observada durante a artroscopia da anca ou a cirurgia aberta. A biópsia da membrana sinovial e da cápsula pode mostrar a presença e a concentração de citocinas, indicador de inflamação e fibrose.

A CAA é muitas vezes acompanhada de osteopenia da anca e, menos frequentemente, de outras patologias, como ruturas do labrum glenoideu, lesão osteocondral e roturas do ligamento redondo.
A menos que a CAA seja diagnosticada através de cirurgia ou biópsia, o médico deve contar com a história do paciente e os dados clínicos para diagnosticar esta condição clínica e terá como objectivo o tratamento das patologias subjacentes.

Apesar de a literatura não discutir a disfunção biomecânica como possível etiologia um artigo sobre CAA relata a presença de dor nas costas em três estudos de caso. Evidências mostram inter-relações entre a anca e a coluna lombar, e que esta condição clínica pode ser causada por disfunção biomecânica na anca e/ou nas articulações relacionadas, incluindo a coluna vertebral, ilíacas, e articulações dos membros inferiores.

Pelo que será importante avaliar a biomecânica destas articulações, fraqueza muscular/desequilíbrios musculares, dor ou inibição reflexa, e discrepâncias no comprimento das pernas quando se considera a etiologia de qualquer CAA. Além destes, a imobilidade também deve ser considerada como um factor, pois está comprovado que pode levar a contraturas articulares produzidas pelas mesmas citocinas que conduzem à fibrose capsular presente na capsulite adesiva.

Apresentação de caso

  • A primeira consulta foi em outubro de 2009, a paciente era uma mulher de 55 anos que relatou uma história de dor na anca direita há cinco anos, que evoluiu para dor bilateral das ancas.
  • A dor na lateral da anca direita começou de repente enquanto estava a dormir, e foi descrita como uma dor latejante constante que a mantinha acordada, 8/10 na EVA, e aumentava com movimentos da anca.
  • Por algum tempo, a dor sentia-se apenas à noite, mas aos poucos começou a doer durante a condução e sentada.
  • Em algum momento a dor evoluiu para incluir a anca esquerda, com dor aguda episódica.
  • Esta dor era pior ao sentar-se e conduzir e aliviava quando em pé.
  • A dor que começou na região lateral da anca avançou para a região anterior desta.
  • Alguns meses antes da consulta inicial a dor mudou novamente, mas para a região da virilha. Isto incluiu episódios de dor aguda com certos movimentos da anca.
  • Esta paciente foi diagnosticada com uma "distensão muscular" e prescrito valium e repouso.

No histórico médico da paciente apenas um episódio de dor lombar 20 anos antes da consulta inicial, quando estava a pegar no seu filho. Quando ela tinha 26 anos e trabalhava como enfermeira, a paciente começou a usar uma palmilha com cerca de 8mm para atenuar uma dor no pé esquerdo.

Exame Físico

  • O paciente mede 1,60m e pesa 70Kg.
  • A observação da paciente em pé revelou escoliose vertebral moderada com convexidade para a direita da coluna torácica e convexidade para o lado esquerdo da coluna lombar.
  • Observou-se aumento da lordose lombar e aumento da pronação do pé direito.
  • A escoliose da paciente diminuiu com a elevação do calcanhar esquerdo.
  • Observação da marcha revelou aumento da rotação interna de ambos os fémures durante todo o ciclo da marcha acompanhada por circundução das ancas.
  • Os testes neurológicos foram negativos.
  • A amplitude de movimento da coluna lombo-sagrada demonstrou significativa limitação da flexão com uma incapacidade para rectificar a lordose lombossacral.
  • A amplitude de movimento da anca foi testada por meio de movimentos combinados e estava significativamente reduzida bilateralmente nos conjuntos extensão/rotação externa e flexão/abdução/rotação externa.
  • A força da abdução/extensão foi 4/5 na anca direita, em relação ao esquerdo, que foi 4+/5.
  • Os movimentos articulares acessórios estavam limitados em múltiplas articulações, incluindo a charneira tóraco-lombar e os segmentos L3-S1 e as ancas.
  • A palpação da coluna lombar e da anca revelou aumento da sensibilidade e dor dos músculos paravertebrais, os músculos adutores da anca, da musculatura anterior da anca e dos músculos iliopsoas bilateralmente.

Tratamento

A paciente foi vista nove vezes por ano num período de dois anos. A seguir está uma lista de exercícios e técnicas utilizadas para o seu tratamento:
  1. Mobilização articular da coluna vertebral e anca. A mobilização da coluna foi feita com técnicas grau 4/4+, focadas na redução da escoliose da paciente. Foram realizadas mobilizações da anca utilizando uma técnica mantida por 5-7min para os deslizamentos no sentido posterior e póstero-medial, dentro a tolerância da paciente. Durante esta técnica a paciente foi orientada a "empurrar a perna para baixo" e depois relaxar. Testes de movimento foram repetidos no final de cada tratamento para observar a melhoria na amplitude de movimentos e redução dos sintomas.
  2. Mobilização dos tecidos moles dos paraespinhais, da musculatura da anca e dos músculos iliopsoas.
  3. Exercícios de fortalecimento, incluindo o reforço abdominal e exercícios específicos de fortalecimento da anca. Os exercícios de fortalecimento da anca incluíram a extensão/abdução da anca com um Theraband cinza ao redor dos tornozelos. A paciente foi orientada a realizar estes exercícios de ambos os lados, diariamente.
  4. Foram dados exercícios de alongamento da anca para realizar em casa. Estes incluíram alongamento da anca em abdução/rotação externa, extensão/rotação externa.
  5. Foram ensinadas técnicas de auto-massagem para realizar diariamente para tratar a rigidez muscular.
  6. Foi feita educação postural, com foco em minimizar a hiperlordose lombar.

Até o final do segundo ciclo de tratamento a paciente teve uma boa compreensão de como gerir a sua condição e encontrava-se a realizar o seu programa de forma consistente em casa. Mesmo assim, ela continua a precisar de mais tratamento com terapia manual, aproximadamente uma vez a cada 3 meses, quando volta a sentir a dor aguda.

A paciente relata que foi capaz de continuar com as AVDs sem problemas, desde de que mantenha o programa de alongamentos 2X/dia e realize os exercícios como recomendado pelo fisioterapeuta. A paciente faz natação 3X/semana, usa uma bicicleta ergométrica por 30 min 3X/semana, e limita as caminhadas a 15-20min por dia.
Ela tem dor só depois de sentada por longos períodos de tempo, relatada como 5/10 na EVA, e descreve a dor como "estando ciente de que sente uma moedeira."

Conclusão

Neste estudo de caso clínico, a paciente apresentava achados clínicos suficientes para apoiar o diagnóstico de fase 3 de CAA e foi tratada biomecanicamente, o que resultou no êxito da gestão dos seus sintomas e retorno às atividades funcionais.

Falta na literatura uma discussão sobre as diferentes fases e uma descrição dos resultados e tratamento para cada estágio. No entanto, olhando para a pesquisa sobre capsulite adesiva do ombro, os terapeutas podem fazer comparações e aplicar os princípios de avaliação e tratamento em conformidade até a investigação poder confirmar de forma mais definitiva as suposições aqui apresentadas.



Lowe R. Adhesive capsulitis of the hip: A case report: An entity in question. Man Ther. 2012 Sep 20.


terça-feira, 14 de maio de 2013

Teste de Gillet

Descrição
Este teste tem como objectivo avaliar a limitação da mobilidade na região sacro-ilíaca.
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Técnica
O paciente deverá estar de pé. O examinador palpa a crista ilíaca postero-superior (EIPS) do lado a ser testado com uma mão e o processo espinhoso de S2 com a outro. O paciente deve flexionar a anca a 90º. O examinador deve sentir movimento inferior e lateralmente da EIPS em relação ao sacro. O teste é considerado positivo quando esse movimento está ausente. O examinador deve, então, comparar este lado com o lado oposto. Um método alternativo para o presente teste é palpar ambas as EIPS ao mesmo tempo e comparar a posição final.

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Precisão do teste
O teste de Gillet tem extremamente baixa confiabilidade, com uma sensibilidade de 8% e uma especificidade de 93%. Deve notar-se que movimento anormal da SI pode ser encontrado em pacientes assintomáticos, de modo que este teste não deve ser usado para diagnosticar a origem dos sintomas do paciente.



Levangie PK. "Four clinical tests of sacroiliac joint dysfunction: the association of test results with innominate torsion among patients with and without back pain." Phys Ther. 1999 Nov;79(11):1043-57. Web. 08/19/2012.

Meijne W, van Neerbos K, Aufdemkampe G, van der Wurff P. "Intraexaminer and Interexaminer of the Gillet Test." J Manipulative Physiol Ther. 1999 Jan;22(1):4-9. Web. 08/18/2012.




Outros testes para o exame físico da lombar e sacroilíaca



sexta-feira, 5 de abril de 2013

Teste do quadrante da anca

Descrição
O teste do quadrante é utilizado para verificar se existe uma patologia não específica da anca. Este teste é também utilizado para detectar se existe uma degeneração precoce da anca.
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Técnica
O paciente encontra-se deitado de barriga para cima. O terapeuta fica no lado da perna a testar. De seguida flexiona a anca até aos 90° de flexão e coloca pressão sobre a perna no sentido proximal.
Na primeira parte do exame do terapeuta deve levar a perna para adução mantendo a pressão, progressivamente até um pouco antes da anca levantar da mesa. Na segunda parte do exame do terapeuta faz o mesmo mas no sentido da abdução. O teste é considerado positivo se o paciente refere alguma dor. O teste também é positivo se o terapeuta sentir qualquer crepitação ou se há um sentimento de final de movimento duro ou perda de amplitude de movimento.
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Precisão do teste
O teste de quadrante da anca tem uma sensibilidade de 75% e uma especificidade de 43% em pacientes com dor na virilha.


Outros testes para a articulação coxofemural





Teste de Ely ou teste de Duncan-Ely

Descrição
O teste de Ely é utilizado para avaliar a espasticidade do reto femoral.
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Técnica
O paciente encontra-se deitado de barriga para baixo e relaxado. O terapeuta está de pé ao lado do paciente, do lado da perna que irá ser testada. Uma mão deve estar na parte inferior das costas, a outra a segurar a perna pelo calcanhar. Passivamente deve flexionar o joelho de uma forma rápida. O calcanhar deve tocar as nádegas. Ambos os lados devem ser testados para comparação. O teste é positivo quando o calcanhar não chega a tocar na nádega, a anca do lado testado se eleva da mesa, o paciente sente dor ou formigueiro nas costas ou pernas.
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Precisão do teste
Estudos mostram que o teste de Ely tem uma sensibilidade que varia entre 56% a 59% e a especificidade de 64% a 85%.


Marks M C, Alexander J, Sutherland D H, Chambers H G. (2003) Clinical utility of the Duncan-Ely test for rectus femoris dysfunction during the swing phase of gait. Developmental Medicine. Child Neurology 2003, 45: 763–768



Outros testes para a articulação coxofemural




Teste de Thomas

Descrição
Este teste é utilizado para avaliar retrações anteriores ou laterais da cápsula articular da coxofemoral ou contratura dos flexores da anca.
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Técnica
O paciente deve deitar-se de barriga para cima, o examinador deve verificar se existe aumento da lordose  lombar, que é um sinal de contratura dos flexores da anca. Se seguida o examinador flexiona a coxofemoral  contralateral, trazendo o joelho para o peito e pede ao paciente para o segurar. O teste é positivo quando a perna que ficou para baixo se eleva na marquesa. A falta de extensão completa da anca com uma flexão do joelho menor que 45° indica contratura do iliopsoas. Se a extensão total da anca é alcançada e se verifica uma extensão do joelho, indica contratura do reto femoral. Se for observada qualquer rotação externa da anca pode indicar contratura da banda iliotibial.
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Teste combinado de flexão, adução, rotação interna (FAIR)

Descrição 
Este teste é utilizado para detetar compressão do nervo ciático pelo músculo piramidal.
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Técnica
O paciente encontra-se deitado de lado, com o quadril a ser testado virado para cima. Passivamente mova o membro inferior do paciente para flexão (90º), adução e rotação interna. Um teste positivo ocorre quando é reproduzida dor na região isquiática/glútea. Devido à posição de teste, pode surgir dor na parte anterior da coxa, resultado de compressão acetabular femoral, para ter certeza do diagnóstico deve pedir que o paciente indique o local exato da dor, antes de executar o teste.
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Precisão do teste
Este teste tem uma sensibilidade de 88% e especificidade 83% para diagnosticar síndrome do piramidal.



Fishman LM, Dombi GW, Michaelsen C, Ringel S, Rozbruch J, Rosner B, Weber C. "Piriformis syndrome: Diagnosis, treatment and outcome-a 10-year study." Arch Phys Med Rehab 2002, 83:295-201.

Jari S, Paton RW, Srinivasan MS. "Unilateral limitation of abduction of the hip: A valuable clinical sign for DDH?" J Bone Joint Surg 2002; 84-B: 104-107.

Neumann, Donald. Kinesiology of the Musculoskeletal System: Foundations for Rehabilitation. 2nd edition. St. Louis, MO: Mosby Elsevier, 2010. 498.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Teste de FABER

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar a articulação sacroilíaca e a articulação do quadril, em patologias que provoquem dor nestas duas áreas.
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Técnica
O paciente encontra-se deitado de barriga para cima. O membro inferior a testar é colocado numa posição "figura de 4", com o joelho flectido e o tornozelo sobre o joelho oposto. O quadril é colocado em flexão, abdução e rotação externa. O examinador aplica uma força contra o joelho da perna dobrada em direcção à marquesa. Um teste positivo ocorre quando é reproduzida a dor na virilha e/ou na região glútea/quadril. 
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Precisão do teste 
Este teste tem uma sensibilidade de 71% e uma especificidade de 23% em pacientes com disfunção da articulação sacroilíaca. O teste de FABER é também positivo em 97% dos pacientes com lesões do labrum acetabular.
Quando utilizado em conjunto com outros para avaliação da articulação sacroiliaca, este teste pode ser altamente útil para identificar disfunções desta articulação. 


N Broadhurst, M. Bond "Pain provocation tests for the assessment of sacroiliac joint dysfunction." J Spinal Disorders 1998, 11: 341-345.




Outros testes para a articulação coxofemural




Teste de Trendelenburg

Descrição
Este teste é utilizado para detectar lesões no tendão/músculo glúteo médio ou fraqueza muscular nos abdutores do quadril.
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Técnica
O paciente deve fazer o teste em um pé. Existem dois tipos de testes positivos. Um sinal de trendelenburg compensado observa-se quando o tronco do paciente se inclina para o mesmo lado da perna testada. Um sinal de trendelenburg não compensado observa-se quando desvio pélvico contralateral. O teste considera-se normal, quando o paciente é capaz de manter o nível pélvis, sem ocorrer qualquer uma destas substituições. O examinador deve também prestar atenção a quaisquer desvios no plano transversal, que poderão significar dificuldades de mobilidade.
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Precisão do teste
O teste de Trendelenburg tem uma sensibilidade de 72,2% e uma especificidade de 76,9% para pacientes com síndrome de dor do grande trocanter



P. A. Bird1, S. P. Oakley1, R. Shnier1, B. W. Kirkham. "Prospective evaluation of magnetic resonance imaging and physical examination findings in pacientes greater trochanter pain syndrome with." Arthritis Rheum 44 (9): 2138-2145, 2001.