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sábado, 6 de dezembro de 2014

Efeitos a longo prazo do exercício na degeneração corticobasal e paralisia supranuclear progressiva – estudo de caso clínico

A degeneração corticobasal (DCB) e a paralisia supranuclear progressiva (PSP) são desordens neurológicas progressivas que se manifestam por sintomas semelhantes ao parkinson (rigidez, bradicinesia, instabilidade postural) e à demência.

No entanto a DCB distingue-se por se observar uma síndrome de rigidez assimétrica associada a disfunção cortical que inclui deficiências cognitivas, da linguagem, no comportamento social e perda sensorial. A apraxia e o fenómeno do membro alheio também são comuns.

As regiões do cérebro afetadas incluem os gânglios basais, córtex pré-frontal, parietal, e o corpo caloso. A maioria das pessoas com DCB são diagnosticadas nos seus 60 anos, e o tempo de vida após o diagnóstico é geralmente cerca de 7 a 10 anos, com a morte causada por complicações da imobilidade e disfagia.



A PSP é caracterizada por um rápido declínio na função cognitiva que é tipicamente mais pronunciado do que o observado na DCB. Para além disso são comuns alterações de personalidade, apatia, impulsividade e obstinação. As dificuldades físicas mais comuns incluem ver obstáculos e passeios durante a deambulação, subir e descer escadas e avaliar distâncias no meio envolvente.

Pacientes com PSP exibem atrofia no córtex pré-frontal medial, gânglios basais, cerebelo e mesencéfalo. A PSP é tipicamente diagnosticada no início dos 60 anos, e a esperança média de vida após o diagnóstico é de cerca de 5 a 10 anos, embora haja casos documentados de sobrevivência até 16 anos após o diagnóstico.

Uma série de estudos têm demonstrado a eficácia do exercício, incluindo a marcha na passadeira em pacientes com doença de Parkinson (DP). No entanto, pouco se sabe sobre os efeitos do exercício sobre taupatias como a DCB ou a PSP.

Os trabalhos anteriores de 2 dos presentes autores mostraram que o treino de marcha na passadeira combinado com outras atividades de equilíbrio e com exercício físico praticado em grupo (1 hora, 2*sem) pareceu retardar o declínio no desempenho físico durante um período de 2,5 anos num doente diagnosticado com misto de DCB e PSP.

O objetivo do presente artigo é duplo: 
  1. Descrever os efeitos deste programa para o mesmo cliente por um longo período de tempo (10 anos) 
  2. Examinar a possibilidade de a intervenção ter minimizado alterações de volume cerebral neste paciente.


Apresentação de caso clínico

  • Paciente masculino, dentista, sem história familiar de quaisquer distúrbios neurológicos, 1º sintoma aos 60 anos (alterações na coordenação do membro superior esquerdo e marcha).
  • Alterações na fala (disartria) por volta dos 65 anos e 1ª queda aos 66 anos.
  • Numa consulta e exame neurológico inicial, aos 66 anos, conduzido por um médico especialista em distúrbios do movimento, o cliente alcançou uma pontuação de 32/38 no Kokmen Short Test of Mental Status, com comprometimento leve do raciocínio complexo, atenção e memória.
  • Também terá exibido apraxia e rigidez nas extremidades superiores que foram mais pronunciadas no lado esquerdo e foram acompanhados por perda sensorial cortical do lado esquerdo.
  • O tónus dos membros inferiores estava aumentado, e a amplitude de movimento dos membros diminuída, especialmente no lado esquerdo.
  • Demonstrou uma grande base de apoio, um passo curto com a diminuição da fase de balanço, e sinal de Romberg positivo.
  • A ressonância magnética e a tomografia por emissão de positrões (PET) mostraram alterações no córtex parietofrontal, mais evidentes no lado direito do cérebro.
  • O diagnóstico inicial de DCB atípica foi feito aos 66 anos, sendo medicado com dose progressiva de carbidopa/levodopa até um máximo de 300 mg de levodopa tomado 3 vezes ao dia com o estômago vazio, sem nenhuma melhoria significativa, tendo sido abandonada progressivamente esta terapêutica.
  • O tratamento agressivo com pramipexol não conseguiu melhorar qualquer um dos seus sintomas ou sinais.
  • Foi posteriormente avaliado anualmente por especialistas em distúrbios do movimento e neurologia comportamental com experiência em DCB e PSP, e mostrou uma progressão suave da rigidez assimétrica e apraxia, disartria, apraxia de fala, e alteração da marcha.
  • Quedas continuaram a ser frequentes, tendo efectuado fisioterapia e terapia ocupacional padrão ao longo de 2 meses, aos 66 anos, sem nenhum benefício aparente, pelo que não iniciou outra intervenção até chegar aos 70 anos.
  • Aos 68 anos, o cliente tinha caído muitas vezes e relatou numerosas contusões e lacerações. Também relatou que ocasionalmente se engasgava com líquidos.
  • O paciente notou grave dispraxia assimétrica dos membros aos 70 anos e labilidade emocional leve e apatia aos 71 anos. No entanto, não relatou alterações na cognição, que foi corroborada pelos familiares.
  • Também não tinha qualquer tremor, incontinência ou disfunção cognitiva, de linguagem, memória, ou visuoespacial (continuou a trabalhar a tempo parcial na prática odontológica, apesar da sua deficiência motora).
  • Aos 72 anos, a frequência do piscar de olhos tinha diminuído significativamente, com leve restrição em testes de movimento ocular vertical. Essas mudanças resultaram em diagnóstico modificado para misto de DCB e PSP, que será confirmado na autópsia.


Exercício e Intervenção em Fisioterapia (1-3 anos)

  • Aos 70 anos, o paciente foi referido para uma clínica de fisioterapia da universidade e para um grupo de exercício para pessoas com Parkinson (1hora, 2*sem).
  • Não foi feita nenhuma modificação ao programa para este paciente, embora sempre recebeu estreita supervisão por um fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional enquanto na passadeira, devido ao seu histórico de quedas.
  • A esposa do cliente acompanhou-o dentro e fora da área de exercício. Ele fez a maioria das atividades de chão (alongamento, fortalecimento) por conta própria e participou socialmente no programa (por exemplo, lembrando-se dos nomes das pessoas, resultados desportivos, descreveu experiências de trabalho e lugares que visitou). O cliente estava preocupado com a tosse ou asfixia; portanto, nunca bebeu líquidos durante o exercício.
  • Além do programa comunitário, o cliente realizou fisioterapia semanal na universidade nos anos 2 e 3. Esta sessão durou 1 hora e incluiu o treino em passadeira com suspensão parcial do peso do corpo.


Impressão Clínica: Exercício e Intervenção em Fisioterapia (4-10 anos)

  • Desde que o estudo de caso inicial sobre este paciente foi publicado, este continuou a participar no programa de exercício projetado para pessoas com Parkinson.
  • Os fisioterapeutas interagiram regularmente com o paciente, tendo como resultado uma modificação do programa geral a partir do sétimo ano.
  • O fisioterapeuta observou instabilidade lateral da anca, que parecia ser o resultado de uma coordenação inadequada dos abdutores da anca.
  • Foi desenvolvido um programa de exercícios para os abdutores usando uma máquina de exercícios que oferece treino de resistência excêntrica, realizando movimentos de abdução da anca (30 repetições) e extensão do joelho (30 repetições).
  • No total, este paciente tem vindo a fazer o programa de exercício cerca de 6 vezes por mês durante 1 hora ao longo de 10 anos. A sua frequência foi uma das melhores do grupo.





Steffen TM, Boeve BF, Petersen CM, Dvorak L, Kantarci KLong-term exercise training for an individual with mixed corticobasal degeneration and progressive supranuclear palsy features: 10-year case report follow-up. Phys Ther. 2014 Feb;94(2):289-96.

Steffen T, Petersen C, Dvorak L. Community-based exercise and wellness program for people diagnosed with Parkinson disease: experiences from a 10-month trial. J Geriatr Phys Ther. 2012 Oct-Dec;35(4):173-80.




terça-feira, 4 de março de 2014

Influência da adaptação do calçado na melhoria da marcha na doença de Parkinson – estudo de caso clínico

A doença de Parkinson é um distúrbio comum, progressivo e neurodegenerativo que está associado a imobilidade, perda de independência nas atividades da vida diária e instabilidade postural, que leva a quedas frequentes e maior probabilidade de fracturas.

Embora a intervenção farmacológica seja a base do tratamento da doença de Parkinson, existe pouca evidência que sugira a melhoria do equilíbrio e redução das quedas através do tratamento medicamentoso.

O treino de marcha surgiu como uma alternativa potencialmente útil, com relatos sugerindo que o treino intensivo, com recurso a passos de compensação para lidar com perturbações aplicadas externamente, e o treino em passadeira podem melhorar a estabilidade e reduzir a frequência de queda.


Este estudo de caso ilustra uma intervenção não-farmacológica associada a um melhor desempenho da marcha num homem de 74 anos com doença de Parkinson. 

Apresentação de caso clínico


  • O paciente foi diagnosticado com doença de Parkinson idiopática em Agosto de 1994.
  • A doença seguiu um curso característico, com agravamento gradual dos sintomas.
  • Durante os primeiros seis anos, os sintomas incluíam alucinações visuais, rigidez, postura em flexão, bradicinesia e inúmeras quedas para a frente, que foram observados pela primeira vez em Julho de 1999.
  • Em todos os três períodos de fisioterapia, entre 2002 e 2004, foi registado o “time up-and-go test”. De 17 segundos para 28 passos em 2002 o registo foi piorando até serem necessários 38 segundos para 39 passos em 2004, já com uma bengala e supervisão.
  • Uma entrada das anotações médicas em agosto de 2003 refere que "…este paciente está a tornar-se muito difícil de tratar…".
  • No verão de 2004, o paciente, cada vez mais frustrado com a sua disfunção da marcha, sentindo que os seus “dedos estavam presos ao chão” decidiu aplicar umas cunhas de madeira às solas dos sapatos, num esforço para levantar fisicamente o antepé do chão.
  • Embora a dureza da madeira causasse um pouco de desconforto, o paciente alegou uma clara melhoria na estabilidade postural, marcha e frequência queda.
  • O sapateiro foi simplesmente instruído de que a parte dianteira do pé devia ser mais alta do que o retropé, e fez modificações de forma a reduzir a cunha até se fundir ao nível da cabeça dos metatarsos.
  • O paciente afirma que a melhoria inicial tem sido sustentada. Uma entrada nas suas notas médicas a partir de agosto de 2005, declarou que o paciente “…parecia muito bem… a lidar melhor com os sintomas do seu Parkinson…”. 

Avaliação e resultados 


Uma bateria de testes foi realizada para investigar o efeito e mecanismo de ação da modificação objetiva.






Estas imagens (fig. 2) sugerem vários efeitos associados à modificação do calçado:
  • aumento do comprimento do passo;
  • melhor posição de ataque ao solo com o calcanhar, com o tornozelo mais perto de uma posição neutra a ligeiramente flexionado;
  • maior faze de apoio com um período de contacto do calcanhar mais longo, em oposição à descarga rápida que caracteriza a marcha de Parkinson.


Conclusões


As medições na tabela 1 indicam uma melhoria modesta na pontuação entre os estados, por isso estes resultados devem ser interpretados com cautela.

A análise Pedar e Quintic (fig. 1 e fig. 2) sugerem um mecanismo de ação plausível. Uma cunha que se estende desde as cabeças dos metatarsos à ponta dos dedos resulta na produção de um momento de flexão dorsal do tornozelo que é, teoricamente, capaz de resistir ao movimento de flexão para a frente.

Este mecanismo de acção é consistente com a melhoria no padrão de variação do centro de pressão observável no Pedar e com o padrão de descarga aumentada observado no Quintic.

No entanto, esta não é uma explicação inteiramente satisfatória, pois uma cunha para o antepé não justificaria as mudanças na posição de ataque do calcanhar ao solo.

Este paciente estava entusiasmado com uma modificação que ele tinha ajudado a desenvolver e isso pode explicar o seu aumento de otimismo em relação à sua doença, pelo que pode haver um placebo/atuação de dimensão psicológica, e essa potencial fonte de viés é importante.

Para além disso, se o efeito mecânico descrito é exacto, deve haver um limite de compensação no calçado em que uma queda para trás se torna possível, o que requer investigação.


São necessárias investigações sistemáticas que os autores já começaram a planear, ainda assim, tudo indica que modificações do calçado como estas podem ter algum papel a desempenhar no tratamento da disfunção marcha na doença de Parkinson.



Improving gait performance in Parkinson's disease: a case report suggesting a role for footwear modifications Ian Mathieson, Sarah Curran, Sue Hallam, Judi Corne Physiotherapy - March 2008 (Vol. 94, Issue 1, Pages 85-88)

Agora dispomos de um serviço de reabilitação prestado por fisioterapeutas especializados nesta patologia. Clique aqui para saber mais.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Alterações no padrão de marcha

Um padrão alterado de marcha pode resultar da lesão em vários sistemas:
  • Sistema nervoso central (AVC, Parkinson, esclerose múltipla, ...)
  • Sistema nervoso periférico (síndrome do piramidal, pé pendente, ...)
  • Sistema muscular (rutura muscular, rutura tendinosa, fraqueza muscular por desuso, ...)
  • Sistema osteo-articular (fraturas, artrose nos membros inferiores e coluna, limitação articular, ...)

Tipos de marcha associados a patologias:


Alteração no ataque do calcanhar ao solo
Pode estar associada a:
Esporão do calcâneo
Fasceíte plantar
Entorse do tornozelo



Fraqueza muscular do quadricípite
Pode estar associada a:
Poliomielite
Rutura do quadricípite
Artrose da anca




Marcha de "Foot Splap"
Pode estar associada a:
Poliomielite
Pé pendente




Marcha com recurvatum do joelho
Pode estar associada a:
Laxidez ligamentar na face posterior do joelho
Síndrome de dor patelo-femoral
Desequilíbrio entre a musculatura anterior e posterior da coxa



Marcha de Trendelenburg
Pode estar associada a:
Sindrome do piramidal
Artrose da anca
Doença de Legg-Calvé-Perthes
Poliomielite



Hemiparésia espástica
Pode estar associada a:
Acidente Vascular Cerebral (AVC)




Marcha de Duchenne
Pode estar associada a:
Distrofia muscular de Duchenne
Doença de Legg-Calvé-Perthes




Ataxia
Pode estar associada a:
Esclerose múltipla
Acidente Vascular Cerebral (AVC)
Paralisia cerebral



Parkinson



Diplegia espástica
Pode estar associada a:
Paralisia cerebral




terça-feira, 2 de outubro de 2012

Doença de Parkinson

A doença de Parkinson (DP) é uma lesão (persistente) crónica de uma parte do cérebro, e afecta principalmente a maneira como o cérebro coordena a acção dos músculos nas várias partes do corpo.
Uma pequena parte do cérebro, chamada substância negra, é a mais afectada nesta doença. Esta área do cérebro está envolvida no envio de mensagens, para os nervos na medula espinhal, responsáveis por controlar os músculos do corpo. Para circularem, estas mensagens necessitam de substâncias químicas chamadas neurotransmissores. A dopamina é um desses neurotransmissores e é produzida sobretudo pelos neurónios da substância negra.
Nas pessoas com DP o número de células da substância negra diminui progressiva e irreparavelmente, sem que haja para já uma causa conhecida. Como o número de células diminui, a quantidade de dopamina que é produzida também é reduzida. Esta combinação faz com que as mensagens nervosas para os músculos se tornem cada vez mais lentas e desorganizadas.
A DP desenvolve-se principalmente em pessoas com mais de 50 anos, e tornase mais comum com o avanço da idade. Cerca de 5 em cada 1000 pessoas com 60 anos, e cerca de 40 em cada 1000 pessoas com 80 anos sofre de DP. Afecta homens e mulheres, mas é um pouco mais comum em homens. Raramente, se desenvolve em pessoas com menos de 50 anos. A DP não é geralmente hereditária, e pode afectar qualquer pessoa. No entanto, factores genéticos (hereditários) podem ser importante no pequeno número de pessoas que desenvolvem a doença antes dos 50 anos.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

As células do cérebro e os nervos afectados na DP são responsáveis por produzir movimentos suaves e coordenados dos músculos. Portanto, quatro sintomas comuns que se desenvolvem gradualmente são:
  • Lentidão de movimentos (bradicinesia). Por exemplo, pode tornar-se um desafio andar ou se levantar de uma cadeira. Quando este sintoma se desenvolve pode ser atribuído ao avançar da idade, e o diagnóstico da DP pode não ser evidente até ao aparecimento de outros sintomas.
  • Com o tempo, desenvolve-se um padrão de marcha característico. A pessoa com DP anda mais “curvada” e tem alguma dificuldade em iniciar, parar e virar.
  • A rigidez dos músculos (rigidez), e os músculos podem tornar-se mais tensos. Além disso, os braços não oscilam como normalmente acontece quando andamos.
  • Agitação (tremor) é comum, mas nem sempre ocorre. Geralmente afecta os dedos, polegares, mãos e braços, mas pode afectar outras partes do corpo. É mais perceptível quando está parado e pode piorar com a ansiedade ou alteração emocional.

Os sintomas tendem lentamente a tornar-se piores. No entanto, a velocidade a que os sintomas pioram varia de pessoa para pessoa, podendo levar vários anos até se tornarem graves o suficiente para ter um efeito visível na sua vida. Para além dos principais, outros sintomas vão-se desenvolvendo à medida que a DP progride:
  • Menos expressões faciais, como sorrir ou franzir a testa. Redução do pestanejar.
  • Dificuldade com movimentos finos, como atar os cordões dos sapatos ou abotoar a camisa.
  • Dificuldade com a escrita (escrita tende a ser menor).
  • Dificuldade de equilíbrio e postura e uma maior tendência a cair.
  • A fala pode ficar lenta e monocórdica.
  • Cansaço e dores generalizadas

Não há nenhum teste que possa provar inequivocamente que você tem DP. O diagnóstico é baseado sobretudo na avaliação clínica do médico, tendo em conta os sintomas que apresenta, daí na fase inicial da doença ser muitas vezes difícil estabelecer um diagnóstico seguro de DP.
Para além disso algumas condições podem dar as características de "parkinsonismo"- ou seja, sintomas semelhantes à DP, mas causados por outras condições. Por exemplo, algumas drogas usadas para tratar outras condições podem causar efeitos colaterais que lembram os sintomas da DP. Algumas doenças cerebrais raras também podem causar sintomas semelhantes. Portanto, é prática normal ser encaminhado para um neurologista, se há suspeita de DP, onde poderá fazer alguns testes específicos de forma a descartar outras condições clínicas.
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Tratamento

Não há cura para a DP, e nenhum tratamento impede a progressão da doença. No entanto, os tratamentos podem geralmente aliviar os sintomas.
Numa fase inicial, enquanto os sintomas são leves, pode não precisar de qualquer tratamento. Irá ter consultas de tempos a tempos com um médico especialista para monitorizar a progressão da doença.
A medicação que alivia os sintomas geralmente é iniciada quando estes começam a interferir com a capacidade de realizar as actividades do dia-a-dia.
Ainda não é consensual qual a melhor medicação para usar nas primeiras fases da DP, ou qual a melhor combinação de medicamentos é mais eficaz numa fase posterior. Directrizes recentes, recomendam começar com um agonista da dopamina, com a levodopa mais um inibidor da dopa-descarboxilase ou com um inibidor da monoamina oxidase. Outra medicação também é por vezes utilizada, geralmente, em combinação com uma daquelas três principais.
Fisioterapia, terapia ocupacional e terapia da fala também podem ser úteis à medida que a doença progride.
Um fisioterapeuta pode aconselhar sobre a postura, fazer uma reeducação da marcha e prescrever alguns exercícios terapêuticos.
Um terapeuta ocupacional pode aconselhar sobre as melhores adaptações para a casa, o que pode facilitar muitas tarefas.
Se houver dificuldades com a fala, deglutição ou saliva, um terapeuta da fala pode ajudar.
Um psicólogo pode ser capaz de ajudar se o paciente estiver com problemas de depressão.
A cirurgia pode ser uma opção para casos graves.
Novas técnicas cirúrgicas estão a ser desenvolvidas, podendo vir a ajudar pessoas com DP à vários anos. A cirurgia não cura a DP, mas pode ajudar a aliviar os sintomas quando a medicação não está a funcionar. Por exemplo, a estimulação cerebral profunda crónica é uma técnica que envolve a colocação de um gerador de pulsos (como um marca-passo cardíaco) na parede torácica. Cabos finos sob a pele ligam-se a eléctrodos colocados no cérebro. Os eléctrodos estimulam as partes do cérebro que são afectados pela DP e podem ajudar a aliviar os sintomas. Este é um procedimento recente e, apesar dos benefícios observados a curto prazo, os efeitos a longo prazo ainda não são consensuais.
  

Exercícios terapêuticos para a doença de Parkinson

Os seguintes exercícios poderão ser prescritos na reabilitação da doença de Parkinson, dependendo do estado evolutivo do paciente. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Rotação do tronco
Sentado, com os pés apoiados. Cruze as mãos sobre o peito e rode gradualmente o tronco mantendo as costas alinhadas. Repita o movimento para o outro lado.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




 Fortalecimento dos extensores da anca
Deitado, com os braços ao longo do corpo, eleve a bacia até coxas e costas ficarem alinhadas no mesmo plano. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.





Flexão/extensão da coluna vertebral
De joelhos, apoiado nas palmas das mãos, que estão alinhadas com os ombros. Inspire fundo, enquanto deixa a coluna arquear em direcção ao chão e roda a cabeça para a frente. Expire completamente, enquanto contrai os abdominais e enrola a coluna e pescoço.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

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