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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Doença de Ménière

A doença de Ménière afecta o ouvido interior, e manifesta-se em adultos, na maioria das vezes a partir dos 30-40 anos. Normalmente afeta apenas um ouvido inicialmente, mas em cerca de 1/3 dos pacientes ambos os ouvidos, eventualmente, ficarão afetados.
A causa de base dos sintomas da doença de Ménière é um aumento da quantidade e da pressão de um fluido chamado endolinfa, que banha os órgãos sensoriais do ouvido interno, dentro do labirinto. A doença de Ménière pode ser equiparada ao glaucoma no olho, no qual também há um aumento da pressão e do fluido.
A causa da doença de Ménière é ainda desconhecida, mas pode seguir-se a outras doenças do ouvido interno, incluindo:
  • Traumatismo craniano
  • Infecções do ouvido interno - muitas vezes no histórias antigas de infecções
  • Autoimunidade
  • Alergia
  • Infecções virais
  • Provavelmente há um aumento da incidência de enxaqueca em pacientes com esta doença. A distinção entre vertigem associada a enxaqueca ou a doença de Ménière pode ser difícil, uma vez que vertigem e desequilíbrio podem ocorrer em ambos os casos.


Sintomas da doença de Ménière


  • Zumbido no ouvido
  • Perda auditiva intermitente
  • Dor, pressão na orelha
  • Crises de vertigem com náuseas e vómitos
  • Os ataques duram algumas horas a alguns dias
  • Os pacientes costumam voltar ao normal entre os ataques.
  • Nas fases mais crónicas da doença, a perda de audição pode tornar-se permanente, assim como a perda de função labiríntica, embora seja menos frequente.


A doença de Ménière também é conhecida como hidropsia endolinfática . Endolinfa é o nome do fluido, e hidropsia significa inchaço. A endolinfa está contida dentro de uma membrana fina chamada labirinto membranoso. Normalmente, é produzida continuamente e depois reabsorvida de modo que a pressão se mantém relativamente constante. Quando o fluido não é reabsorvido de forma adequada, a pressão dentro do labirinto membranoso aumenta. 
Isto pode levar a um inchaço do labirinto membranoso, o que interfere com a função normal das células ciliadas que transmitem informações usadas para a audição e equilíbrio. A membrana fina que contém a endolinfa pode também romper, fazendo com que o fluido escape. Estas ruturas na membrana são geralmente causadas por ataques súbitos e graves de vertigem e desequilíbrio que podem ser incapacitantes. Felizmente, estas ruturas são reparadas rápida e naturalmente, de modo que os pacientes geralmente recuperam em um dia ou dois.

Ataques na doença de Ménière


  • Sensação de ter o ouvido cheio
  • Zumbido
  • Deficientes auditivos
  • Vertigem
  • Audição retorna assim que a vertigem começa
  • Os testes auditivos irão demonstrar dificuldades em ouvir sons com frequência mais baixa, mas os sons mais altos parecem demasiado altos.

A Eletrococleografia ( ECOG ) é uma técnica de diagnóstico útil para testar a pressão no ouvido interno, que se encontra comummente elevado na doença de Ménière . Alguns pacientes com Ménière podem cair de repente, sem aviso prévio. Estes acontecimentos, que podem ocorrer no início do curso da doença , são chamados de crises otolíticas de Tumarkin. Felizmente , muitas vezes estas desaparecem por si. O curso natural da doença de Ménière é uma progressão, mas com grandes períodos de regressão.

Tratamento


O tratamento para a doença de Ménière baseia-se tanto no tratamento dos sintomas quando ocorre um ataque, como a impedir que os ataques em si ocorram. As crises agudas de vertigem são tratadas como qualquer outro problema vestibular agudo, com medicamentos que aliviam náuseas e vómitos ou sedativos leves. Para a perda de audição, um medicamento que contenha cortisona pode ser administrado por via oral ou injetado diretamente no ouvido médio.

Prevenção

  • Modificar dieta, com restrição rígida de sal - muitas vezes requer a orientação de um nutricionista.
  • Evite alimentos que podem desencadear os sintomas, tais como glutamato monossódico (MSG) ou cafeína
  • Evite nicotina
  • A utilização de um diurético pode ser recomendada
  • A acetazolamida pode ser utilizada para diminuir a produção da endolinfa e reduzir a pressão do ouvido interno.
  • Para ataques recorrentes e incapacitantes de vertigem, injecções de gentamicina através do tímpano para o ouvido médio podem ser utilizados. Normalmente estas injecções não afetam a audição, mas é sempre um potencial efeito colateral indesejado.


Tratamento Cirúrgico da doença de Ménière


  • Remoção do labirinto, quando a audição já está perdida
  • Corte do nervo vestibular para a parte do labirinto que retransmite sensação vestibular para o cérebro

Estes procedimentos provocam uma perda permanente da função vestibular .

A fisioterapia também pode também ajudar pacientes com doença de Ménière, na recuperação de parte do equilíbrio. 

Tal como acontece com todas as condições que produzam ataques episódicos e imprevisíveis de vertigem, a ansiedade e depressão associada com a natureza debilitante e imprevisível de Ménière deve ser reconhecida e tratada.



Crane BT, Schessel DA, Nedzelski J, Minor LB. Peripheral vestibular disorders. In: Cummings CW, Flint PW, Haughey BH, et al, eds. Otolaryngology: Head & Neck Surgery. 5th ed. Philadelphia, Pa: Mosby Elsevier;2010:chap 165.
Post RE, Dickerson LM. Dizziness: a diagnostic approach. Am Fam Physician. 2010;82:361-369.


Outras disfunções do sistema vestibular:






sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Doença de Paget do Osso


Doença de Paget, também conhecida como osteíte deformante, é uma doença metabólica óssea localizada de remodelação óssea que começa tipicamente com uma reabsorção óssea excessiva, seguida por um aumento da formação óssea. Esta hiperatividade osteoclástica seguida pela atividade osteoblástica compensatória leva a um mosaico de osso estruturalmente desorganizado, que é mecanicamente mais fraco, maior, menos compacto, mais vascular, e mais suscetível à fratura do osso.

Depois da osteoporose, a doença de Paget é a disfunção esquelética mais comum, afetando aproximadamente 2% a 5% da população após os 40 anos, e cerca de 10% da população com idade superior a 70 anos.

A causa exata da doença de Paget é desconhecida, embora se acredite ser um processo lento de infeção viral de osso devido a fatores de risco genéticos e ambientais.

A prevalência e as causas da doença de Paget têm sido associadas a fatores genéticos e geográficos. Em até 40% dos pacientes com a doença de Paget existe alguém na família com a doença.
Geograficamente, as populações de países europeus, de origem britânica, e da Austrália desempenham um papel importante.

Sinais e Sintomas/Diagnóstico


Cerca de 70% das pessoas com doença de Paget são assintomática e normalmente a doença é detetada através de radiografias e exames laboratoriais, pedidos por outras situações. No entanto, quando sintomáticos, estes pacientes apresentam um variado leque de sintomas, devido aos diferentes níveis de gravidade desta condição:
  • Dor óssea constante e profunda. Os ossos mais comumente afetados pela doença de Paget incluem: coluna vertebral, região pélvica, fêmur, tíbia, crânio, ombros e as costelas.
  • Dor nas articulações, incluindo inchaço e rigidez.
  • Dor que piora à noite e diminui com a atividade física.
  • Dor muscular pode apresentar-se como dor referida de estruturas ósseas envolvidas ou como uma complicação devido às alterações mecânicas nas articulações e ossos.
  • Dor neurológica devido à compressão de uma raiz nervosa ou medula espinal, podendo causar sintomas como uma dor forte, dormência, sensação de formigueiro, fraqueza, perda de audição, e visão dupla.
  • Deformidades ósseas.
  • Calor sobre o osso ou articulação afetados.
  • Fraqueza ou dormência facial.
  • Perda de controlo da bexiga ou intestino o que pode indicar danos na medula espinal.

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica, exame físico, neurológico e vascular são necessários para ajudar ao diagnóstico de uma doença de Paget. A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X. A cintilografia óssea é mais sensível que as imagens radiográficas, pois destaca as áreas afetadas pela doença, mas a cintilografia só é positiva se a doença está em fase ativa. A biópsia óssea também pode ser realizada (especialmente se o raio-X e tomografia computadorizada forem negativos) para fazer um diagnóstico diferencial que excluiria hiperparatireoidismo, metástase óssea, mieloma múltiplo, e displasia fibrosa. Para além disso podem realizar-se exames bioquímicos: Em 85% dos pacientes com a doença de Paget os níveis da Fosfatase Alcalina (ALP) estão aumentados.

Tratamento


O tratamento médico da doença de Paget depende dos sintomas do paciente. Por exemplo, muitos pacientes têm sentido bons resultados combinando analgésicos e fisioterapia, estimulação elétrica do nervo, hidroterapia e acupuntura.

Primeira linha de tratamento
Devido à anormal atividade dos osteoclastos, a inibição da reabsorção do osso através de bisfosfonatos é o tratamento padrão para diminuir a atividade osteoclástica, melhorando a densidade óssea e a resistência do próprio osso. Os bisfosfonatos muitas vezes proporcionam remissões duradouras. Os doentes devem tomar 1000-1500 mg de cálcio e pelo menos 400 U de vitamina D por dia ao fazer tratamentos com bisfosfonatos.

Segunda linha de tratamento
Dependendo da gravidade das alterações e do grau de dor, anti-inflamatórios não-esteroides e outros anti-inflamatórios são usados para controlar a dor. Alguns pacientes beneficiam de uma combinação de medicamentos, tais como um analgésico e antidepressivos. Modalidades como a estimulação elétrica transcutânea do nervo (TENS), a hidroterapia, a acupuntura e a fisioterapia também podem proporcionar alívio da dor.

Fisioterapia
A dor causada por aumento de deformidades esqueléticas leva à perda da força muscular, diminuição da amplitude de movimento e resistência cardiovascular, resultando em limitações funcionais. A fisioterapia e exercícios terapêuticos podem ajudar na manutenção da força muscular, flexibilidade e amplitude de movimento articular e no aumento da resistência.
Um fisioterapeuta também pode fornecer órteses e outros dispositivos de assistência para auxiliar na gestão das deformidades das extremidades dos membros. Dispositivos de assistência para a locomoção, como uma bengala ou andarilho, podem ajudar a reduzir a dor após as cirurgias.

Modalidades terapêuticas como o calor superficial, a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) e a massagem podem ser úteis para reduzir a dor muscular, a sensibilidade e a rigidez.

A intervenção cirúrgica pode ser indicada se o paciente não responder a intervenções farmacológicas ou de fisioterapia. A substituição da articulação é indicada se se verificar alteração degenerativa grave. Se houver uma síndrome de compressão do nervo e o paciente não responder ao tratamento conservador, a cirurgia também pode ser necessária.


Exercícios terapêuticos para a doença de Paget

Os seguintes exercícios podem ser prescritos durante o tratamento de doentes com doença de Paget, dependendo da gravidade da lesão e do estado evolutivo do paciente. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Fortalecimento dos abdominais

Deitado, com o fundo das costas bem apoiado e as mãos ao longo do corpo. Levante o tronco apenas até meio da coluna, mantendo o olhar para o alto. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




 Fortalecimento dos extensores da anca

Deitado, com os braços ao longo do corpo, eleve a bacia até coxas e costas ficarem alinhadas no mesmo plano. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Flexão/extensão da coluna vertebral

 De joelhos, apoiado nas palmas das mãos, que estão alinhadas com os ombros. Inspire fundo, enquanto deixa a coluna arquear em direcção ao chão e roda a cabeça para a frente. Expire completamente, enquanto contrai os abdominais e enrola a coluna e pescoço.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Doença de Parkinson

A doença de Parkinson (DP) é uma lesão (persistente) crónica de uma parte do cérebro, e afecta principalmente a maneira como o cérebro coordena a acção dos músculos nas várias partes do corpo.
Uma pequena parte do cérebro, chamada substância negra, é a mais afectada nesta doença. Esta área do cérebro está envolvida no envio de mensagens, para os nervos na medula espinhal, responsáveis por controlar os músculos do corpo. Para circularem, estas mensagens necessitam de substâncias químicas chamadas neurotransmissores. A dopamina é um desses neurotransmissores e é produzida sobretudo pelos neurónios da substância negra.
Nas pessoas com DP o número de células da substância negra diminui progressiva e irreparavelmente, sem que haja para já uma causa conhecida. Como o número de células diminui, a quantidade de dopamina que é produzida também é reduzida. Esta combinação faz com que as mensagens nervosas para os músculos se tornem cada vez mais lentas e desorganizadas.
A DP desenvolve-se principalmente em pessoas com mais de 50 anos, e tornase mais comum com o avanço da idade. Cerca de 5 em cada 1000 pessoas com 60 anos, e cerca de 40 em cada 1000 pessoas com 80 anos sofre de DP. Afecta homens e mulheres, mas é um pouco mais comum em homens. Raramente, se desenvolve em pessoas com menos de 50 anos. A DP não é geralmente hereditária, e pode afectar qualquer pessoa. No entanto, factores genéticos (hereditários) podem ser importante no pequeno número de pessoas que desenvolvem a doença antes dos 50 anos.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

As células do cérebro e os nervos afectados na DP são responsáveis por produzir movimentos suaves e coordenados dos músculos. Portanto, quatro sintomas comuns que se desenvolvem gradualmente são:
  • Lentidão de movimentos (bradicinesia). Por exemplo, pode tornar-se um desafio andar ou se levantar de uma cadeira. Quando este sintoma se desenvolve pode ser atribuído ao avançar da idade, e o diagnóstico da DP pode não ser evidente até ao aparecimento de outros sintomas.
  • Com o tempo, desenvolve-se um padrão de marcha característico. A pessoa com DP anda mais “curvada” e tem alguma dificuldade em iniciar, parar e virar.
  • A rigidez dos músculos (rigidez), e os músculos podem tornar-se mais tensos. Além disso, os braços não oscilam como normalmente acontece quando andamos.
  • Agitação (tremor) é comum, mas nem sempre ocorre. Geralmente afecta os dedos, polegares, mãos e braços, mas pode afectar outras partes do corpo. É mais perceptível quando está parado e pode piorar com a ansiedade ou alteração emocional.

Os sintomas tendem lentamente a tornar-se piores. No entanto, a velocidade a que os sintomas pioram varia de pessoa para pessoa, podendo levar vários anos até se tornarem graves o suficiente para ter um efeito visível na sua vida. Para além dos principais, outros sintomas vão-se desenvolvendo à medida que a DP progride:
  • Menos expressões faciais, como sorrir ou franzir a testa. Redução do pestanejar.
  • Dificuldade com movimentos finos, como atar os cordões dos sapatos ou abotoar a camisa.
  • Dificuldade com a escrita (escrita tende a ser menor).
  • Dificuldade de equilíbrio e postura e uma maior tendência a cair.
  • A fala pode ficar lenta e monocórdica.
  • Cansaço e dores generalizadas

Não há nenhum teste que possa provar inequivocamente que você tem DP. O diagnóstico é baseado sobretudo na avaliação clínica do médico, tendo em conta os sintomas que apresenta, daí na fase inicial da doença ser muitas vezes difícil estabelecer um diagnóstico seguro de DP.
Para além disso algumas condições podem dar as características de "parkinsonismo"- ou seja, sintomas semelhantes à DP, mas causados por outras condições. Por exemplo, algumas drogas usadas para tratar outras condições podem causar efeitos colaterais que lembram os sintomas da DP. Algumas doenças cerebrais raras também podem causar sintomas semelhantes. Portanto, é prática normal ser encaminhado para um neurologista, se há suspeita de DP, onde poderá fazer alguns testes específicos de forma a descartar outras condições clínicas.
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Tratamento

Não há cura para a DP, e nenhum tratamento impede a progressão da doença. No entanto, os tratamentos podem geralmente aliviar os sintomas.
Numa fase inicial, enquanto os sintomas são leves, pode não precisar de qualquer tratamento. Irá ter consultas de tempos a tempos com um médico especialista para monitorizar a progressão da doença.
A medicação que alivia os sintomas geralmente é iniciada quando estes começam a interferir com a capacidade de realizar as actividades do dia-a-dia.
Ainda não é consensual qual a melhor medicação para usar nas primeiras fases da DP, ou qual a melhor combinação de medicamentos é mais eficaz numa fase posterior. Directrizes recentes, recomendam começar com um agonista da dopamina, com a levodopa mais um inibidor da dopa-descarboxilase ou com um inibidor da monoamina oxidase. Outra medicação também é por vezes utilizada, geralmente, em combinação com uma daquelas três principais.
Fisioterapia, terapia ocupacional e terapia da fala também podem ser úteis à medida que a doença progride.
Um fisioterapeuta pode aconselhar sobre a postura, fazer uma reeducação da marcha e prescrever alguns exercícios terapêuticos.
Um terapeuta ocupacional pode aconselhar sobre as melhores adaptações para a casa, o que pode facilitar muitas tarefas.
Se houver dificuldades com a fala, deglutição ou saliva, um terapeuta da fala pode ajudar.
Um psicólogo pode ser capaz de ajudar se o paciente estiver com problemas de depressão.
A cirurgia pode ser uma opção para casos graves.
Novas técnicas cirúrgicas estão a ser desenvolvidas, podendo vir a ajudar pessoas com DP à vários anos. A cirurgia não cura a DP, mas pode ajudar a aliviar os sintomas quando a medicação não está a funcionar. Por exemplo, a estimulação cerebral profunda crónica é uma técnica que envolve a colocação de um gerador de pulsos (como um marca-passo cardíaco) na parede torácica. Cabos finos sob a pele ligam-se a eléctrodos colocados no cérebro. Os eléctrodos estimulam as partes do cérebro que são afectados pela DP e podem ajudar a aliviar os sintomas. Este é um procedimento recente e, apesar dos benefícios observados a curto prazo, os efeitos a longo prazo ainda não são consensuais.
  

Exercícios terapêuticos para a doença de Parkinson

Os seguintes exercícios poderão ser prescritos na reabilitação da doença de Parkinson, dependendo do estado evolutivo do paciente. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Rotação do tronco
Sentado, com os pés apoiados. Cruze as mãos sobre o peito e rode gradualmente o tronco mantendo as costas alinhadas. Repita o movimento para o outro lado.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




 Fortalecimento dos extensores da anca
Deitado, com os braços ao longo do corpo, eleve a bacia até coxas e costas ficarem alinhadas no mesmo plano. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.





Flexão/extensão da coluna vertebral
De joelhos, apoiado nas palmas das mãos, que estão alinhadas com os ombros. Inspire fundo, enquanto deixa a coluna arquear em direcção ao chão e roda a cabeça para a frente. Expire completamente, enquanto contrai os abdominais e enrola a coluna e pescoço.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Agora dispomos de um serviço de reabilitação prestado por fisioterapeutas especializados nesta patologia. Clique aqui para saber mais.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)


O termo Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é geralmente utilizado para descrever a obstrução do fluxo aéreo devido à bronquite crónica, enfisema, ou ambos.
Crónica: persistente.
Bronquite: inflamação dos brônquios (as vias respiratórias dos pulmões).
Enfisema: lesão nas vias aéreas menores e sacos aéreos (alvéolos) dos pulmões.
Pulmonar: que afecta os pulmões.
A bronquite crónica e o enfisema podem causar obstrução (estreitamento) das vias aéreas, e geralmente ocorrem em conjunto.
Fumar é, destacadamente, a principal causa de surgimento de DPOC. A mucosa das vias respiratórias fica inflamada e danificado pelo fumo. Cerca de 3 em cada 20 pessoas que fumam um maço de cigarros (20 cigarros) por dia, e 1 em cada 4 fumadores de 2 maços por dia, desenvolvem DPOC se continuarem a fumar. Para qualquer fumador, as hipóteses de desenvolver DPOC está entre 1 em 10 e 1 em 4.
A poluição do ar no trabalho e em determinadas zonas podem causar alguns casos de DPOC, ou agravar a doença. O efeito combinado da exposição profissional a poluentes atmosféricos e fumar aumenta as hipóteses de desenvolver DPOC.
Um pequeno número de pessoas que têm um risco genético (hereditário) da DPOC, devido a deficiências de proteína muito raros que podem levar a doenças do fígado, pulmão e sangue. (Esta condição é chamada de deficiência de alfa-1-antitripsina). Representa menos de 1 em cada 100 casos de DPOC.
Pessoas que nunca fumaram raramente desenvolvem a DPOC. (tabagismo passivo continua, no entanto, uma causa potencial.) A DPOC afecta principalmente pessoas com mais de 40 anos e torna-se mais comum com o aumento da idade. A idade média do diagnóstico é aos 67 anos, e é mais comum em homens do que mulheres.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Tosse: é normalmente o primeiro sintoma a aparecer. É produtiva com expectoração (catarro). Tende a ser intermitente de inicio, tornando-se gradualmente mais persistente.
  • Falta de ar (dispneia): pode ocorrer associada a chiadeira. De inicio apenas com a actividade, como por exemplo, quando sobe escadas. Estes sintomas tendem a se tornar progressivamente pior ao longo dos anos, especialmente se continuar a fumar.
  • Expectoração: as vias aéreas danificadas podem produzir muito mais muco que o normal.
  • Infecções nos pulmões são mais comuns se tiver DPOC. Chiadeira com tosse e falta de ar pode tornar-se pior do que o habitual nestes casos. Catarro geralmente fica amarelo ou verde durante uma infecção no pulmão. Infecção pulmonar pode ser causada por bactérias ou vírus.
  • Dor no peito e tosse com sangue (hemoptise) não são características comuns da DPOC. É possível ter um pouco de sangue no catarro quando tem uma infecção no pulmão. No entanto, dor no peito, sangue no catarro ou tosse com sangue só, devem sempre ser relatados ao médico, devendo ser descartadas outras condições (como angina, ataque cardíaco ou cancro do pulmão).

O relato detalhado da sua história clínica (sintomas) e o exame físico irão ajudar o médico no diagnóstico de uma DPOC. Um exame do peito pode ser normal em pacientes com DPOC leve ou moderada. Usando um estetoscópio, o médico pode encontrar sinais de uma infecção no peito. O tórax também pode mostrar sinais de estar hiperinsuflado. Isto ocorre porque as vias aéreas estão obstruídas e, assim como é difícil para o ar entrar também é difícil para sair.
O teste mais comum usado para ajudar a diagnosticar a doença é chamado de espirometria. Este teste dá uma estimativa dos volumes pulmonares medindo a quantidade de ar que pode expelir de uma só vez para uma máquina que fará a medição.
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Tratamento

                A opção terapêutica irá depender da gravidade da obstrução e da duração do problema. É importante notar que não existe nenhum tratamento que cure a doença, apenas aliviam os sintomas e reduzem os períodos de inflamação mais activa. A melhor abordagem terapêutica para a DPOC é deixar de fumar, na maioria dos casos de DPOC leve a moderada isto é o suficiente para os sintomas desaparecerem por completo.
Na Fase I (obstrução leve):
Deve proceder-se a uma redução de factores de risco (deixar de fumar, tomar a vacina da gripe);
Broncodilatadores de curta acção: Quando necessário, um inalador com um medicamento broncodilatador é muitas vezes prescrito. Estes relaxam os músculos das vias aéreas (brônquios) ajudando-os a dilatar o espaço livre para circulação do ar. Os mesmos inaladores podem ser usados para a asma.
Fase II (obstrução moderada):
Os anteriores e poderá ser necessário acrescentar:
Broncodilatadores de longa duração: funcionam de forma semelhante aos inaladores de curta acção, mas cada dose dura pelo menos 12 horas. Broncodilatadores de longa ação podem ser uma opção se os sintomas permanecem, apesar de ter usado um broncodilatador de curta acção.
Reabilitação cardiopulmonar: Estudos têm demonstrado que pessoas com DPOC que sequem um plano de reabilitação cardiopulmunar tendem a melhorar a sua capacidade respiratória, aliviar os sintomas, e ter uma melhor qualidade de vida. Um plano de exercícios terapêuticos especifico para cada condição deverá ser executado durante pelo menos 20-30 minutos, 4-5 vezes por semana. Se for capaz, uma caminhada diária de 10-15 minutos é um bom começo e um bom complemento aos exercícios específicos.
Fase III (obstrução grave):
Os anteriores e poderá ser necessário acrescentar:
Inaladores de esteróides: poderão ajudar, para além dos inaladores com broncodilatadores nos momentos em que está com inflamação mais activa ou com crises bastante sintomáticas. Os esteróides reduzem a inflamação.
Fase IV (obstrução muito grave ou obstrução moderada com evidência de insuficiência respiratória crónica):
Os anteriores e poderá ser necessário acrescentar:
A oxigenoterapia de longa duração (se preencheram os critérios): fazer terapia regular com oxigénio em casa pode ajudar algumas pessoas com sintomas graves de DPOC. No entanto, não ajuda em todos os casos. A sua prescrição deve ser bem ponderada pois excesso de pode na verdade prejudicar alguns doentes com DPOC.

Exercícios terapêuticos para a DPOC

Os seguintes exercícios poderão ser prescritos durante a reabilitação da DPOC, dependendo da fase evolutiva em que o paciente se encontra. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.
 

Extensão da coluna torácica
Sentado, com as mãos atrás da cabeça. Inspire fundo enquanto roda os cotovelos para fora e alonga o tronco nas costas da cadeira. Expire lentamente, retornando à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.
  




Flexão/extensão da coluna vertebral
De joelhos, apoiado nas palmas das mãos, que estão alinhadas com os ombros. Inspire fundo, enquanto deixa a coluna arquear em direcção ao chão e roda a cabeça para a frente. Expire completamente, enquanto contrai os abdominais e enrola a coluna e pescoço.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.

 
  
Caminhar
Mantenha uma rotina de caminhar pelo menos 20 a 30 minutos por dia. Tenha sempre atenção à sua postura e evite alterações no ritmo da marcha a não ser que sinta sintomas de cansaço.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

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