A estrutura do pé é
complexa, formada de ossos, músculos, tendões e outros tecidos moles. Dos 26
ossos do pé, 19 são ossos dos dedos do pé (falanges) e os ossos metatarsos
(ossos longos no médio-pé). Fracturas dos metatarsos e dos dedos do pé são
comuns e requerem uma avaliação clínica cuidada. Estas fracturas dividem-se
sobretudo em fracturas traumáticas e fracturas por stress.
Fracturas traumáticas são causadas por um golpe directo ou impacto no dedo e/ou pé. Se for uma fractura com deslocamento, o osso está partido de tal forma que os topos ósseos mudaram
de posição relativa.
As fracturas por stress
consistem numa fissura no osso provocada pela pressão de um esforço repetitivo,
geralmente mais associado à prática desportiva. Também poderão ser
causadas por uma estrutura anormal do pé, deformidades, osteoporose, ou calçado inadequado.
Sinais e sintomas/ Diagnóstico
Numa fractura traumática:
- Por vezes o paciente ouve o ruído da fractura no
momento da lesão
- Dor localizada que aparece logo após o momento da
fractura. No entanto, nos casos menos graves pode desaparecer ao final de umas
horas.
- Pode notar-se alguma saliência anormal por baixo da
pele na zona da lesão.
- Hematoma e inchaço no dia seguinte.
- Não é verdade que "se consegue
andar sobre o pé, ele não está partido." A avaliação clínica do pé e tornozelo é sempre recomendável.
Numa fractura de stress:
- Dor durante ou após a actividade física
- A dor desaparece quando
está em descanso e retorna quando em actividade
- Sensibilidade na zona da fractura e ligeiro inchaço
Uma boa avaliação clínica do pé e tornozelo é essencial
para o diagnóstico de uma fractura dos metatarsos
e dedos. Um raio-X é geralmente necessário
para confirmar o diagnóstico
e avaliar a gravidade da lesão. As fracturas de
stress podem passar sem diagnóstico até ao final de 1-3 semanas, em que poderá
ser palpável uma pequena elevação (calo ósseo) na zona da fractura. Um TC
Poderá ser importante para confirmar o diagnóstico.
Tratamento
O
tratamento em fisioterapia, imediatamente após a lesão e enquanto o diagnóstico
não está confirmado, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou
estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma
compressa de gelo na área lesada,
colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Elevação: O pé deve ser elevado um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
Depois do
diagnóstico confirmado, o tratamento das fracturas dos dedos inclui:
- Descanso. Por vezes, é o
suficiente para tratar uma fractura do dedo do pé.
- Imobilização. O dedo do pé pode ser imobilizado com tape, normalmente unindo 2 dedos adjacentes.
- Calçado com sola rígida, que protege os dedos do pé e ajuda-os a manterem-se na posição correcta.
- Cirurgia. Se houver deslocamento dos topos ósseos ou se a articulação é tiver sido afectada, a cirurgia pode ser
necessária. A cirurgia muitas vezes
envolve o uso de
dispositivos de fixação, tais como parafusos. Implica a imobilização durante
4-6 semanas
O tratamento das
fracturas dos metatarsos inclui:
- Descanso.
- Evite a actividade física que provocou os sintomas. Canadianas são por vezes indicadas para descarregar o peso do pé para dar-lhe tempo para curar.
- Imobilização gessada, ou sapato rígido. Um sapato de sola dura ou outra
forma de imobilização pode ser utilizada para proteger o osso fracturado enquanto
está em fase de cicatrização.
- Cirurgia. Algumas fracturas traumáticas dos metatarsos requerem cirurgia, especialmente se houver um
grande deslocamento dos topos ósseos.
No período após imobilização com gesso ou tala deve ser iniciado um
programa de fisioterapia. As técnicas que revelam maior eficácia nesta
condição:
- Exercícios para melhorar a flexibilidade, força e
equilíbrio (incluindo exercícios em carga)
- A aplicação de calor antes dos exercícios para aumentar
a irrigação sanguínea e de gelo no final para prevenir sinais inflamatórios.
- Mobilização articular.
- Educação do paciente e plano de retorno gradual à
actividade.
- Massagem de mobilização dos tecidos moles.
Exercícios terapêuticos para as fracturas dos
metatarsos e dedos do pé
Os seguintes exercícios são geralmente prescritos
após a confirmação de que a fractura está
consolidada. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.
Flexão/extensão do pé
Deitado, com o
calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé e dedos para si, depois empurre pé e
dedos para baixo.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Inversão/eversão do pé
Deitado, com o
calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé para cima e para fora, com a planta
do pé virada para fora, depois empurre o pé para baixo e para dentro, com a
planta do pé virada para dentro.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Flexão resistida
do pé
Sentado, com o
elástico na ponta do pé. Puxe a ponta do pé para cima, depois deixe o pé voltar
lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Antes de iniciar estes exercícios você deve
sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.
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