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sábado, 8 de março de 2014

Testes para despistar fracturas da extremidade inferior

Teste de compressão de metatarso
Finalidade: Prever uma fractura do metatarso.

Com o paciente deitado de barriga para cima o fisioterapeuta agarra o metatarso com suspeita de fratura e empurra-o em direcção ao calcâneo, proporcionando uma força de carga axial. O teste é positivo se se reproduzirem os sintomas do paciente.



Teste de toque ou percussão 
Finalidade: Prever uma fratura na extremidade inferior.

Com o paciente descalço deitado de barriga para cima o fisioterapeuta percute o calcanhar do paciente com a palma da mão. O teste é positivo se se reproduzir a pior dor do paciente.



Teste de Vibração 
Finalidade: Prever a presença de uma fractura de esforço. 

Com o paciente deitado de barriga para cima o fisioterapeuta coloca um diapasão no local próximo da suspeita de fratura por stresse e o estetoscópio no local onde suspeita de fractura. O teste é positivo se a qualidade do som for diferente à do lado não afectado.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Fratura do Calcâneo (calcanhar)


O calcâneo é um grande osso que forma a base da parte posterior do pé (calcanhar). O calcâneo articula com o tálus acima e com o cubóide à frente. O calcâneo tem a particularidade de ter uma estrutura externa fina e dura e bastante percentagem de osso esponjoso no interior, dai quando parte, o osso tende a fragmentar-se em mais que um sítio, pelo que as fracturas do calcâneo são sempre lesões graves.
As fracturas do calcâneo representam 2% de todas as fracturas no adulto e podem ser:
  • Intra-articulares (cerca de 70%), são as fracturas mais graves, que incluem lesão da cartilagem (o tecido conjuntivo entre dois ossos) provocadas geralmente por uma queda de grande altura com o impacto do pé numa superfície dura. As opções de tratamento dependem de quão severamente o calcâneo foi esmagado no momento da lesão.
  • Extra-articulares (cerca de 30%), geralmente fracturas por avulsão (em que um pedaço de osso é arrancado pela força brusca exercida pelo tendão de Aquiles ou por um ligamento) ou fracturas de stress, causadas por uso excessivo, por exemplo durante a corrida. As opções de tratamento dependem do tamanho fractura e da sua localização.


Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Quando a fractura resulta de um traumatismo os sintomas podem incluir:
  • Súbita dor no calcanhar e na incapacidade de suportar o peso sobre aquele pé
  • Inchaço na zona do calcanhar
  • Contusão do calcanhar e tornozelo
  • Quando se trata de uma fractura de stress os sintomas podem incluir:
  • Dor generalizada na região do calcanhar que normalmente se desenvolve lentamente (durante vários dias ou semanas)
  • Inchaço na zona do calcanhar.

É essencial uma boa avaliação clínica do pé e tornozelo para ajudar no diagnóstico de uma fractura do calcâneo. Um raio-X é geralmente necessário para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão. Exames adicionais (TAC ou RM) podem ser necessários no caso de se suspeitar de comprometimento vascular ou nervoso.

Tratamento

       O tratamento em fisioterapia, imediatamente após a lesão e enquanto o diagnóstico não está confirmado, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Compressão: um elástico pode ser usado para controlar o inchaço.
Elevação: O pé deve ser elevado um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
           O tratamento médico das fracturas do calcâneo vai depender do tipo de fractura e da extensão da lesão. As fracturas arrancamento e as fracturas em que não há desalinhamento dos topos ósseos, são geralmente tratadas com imobilização gessada, através de bota ou tala.
Para as fracturas em que os dois topos da fractura estão desalinhados o ortopedista realizará o realinhamento da fractura por manipulação cuidadosa sob anestesia seguida de cirurgia para fixação interna (utilizando placas e parafusos) de forma a estabilizar a fractura e facilitar a cicatrização do osso. Nesta situação, após a cirurgia segue-se imobilização gessada com bota protectora mais canadianas por um período não inferior a 4 semanas.
No período após imobilização gessada deve ser iniciado um programa de fisioterapia. As técnicas que revelam maior eficácia nesta condição:
  • Massagem de mobilização dos tecidos moles para melhoria do trofismo celular.
  • Electroestimulação neuromuscular (ENM) dos músculos estabilizadores do tornozelo
  • Reeducação da marcha e treino proprioceptivo
  • Mobilização articular.
  • Educação do paciente e plano de retorno gradual à actividade.


Exercícios terapêuticos para fractura do calcâneo (calcanhar)

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos após a confirmação de que a fractura está consolidada. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.





Flexão/extensão do pé
Deitado, com o calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé e dedos para si, e depois empurre pé e dedos para baixo.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Inversão/eversão do
Deitado, com o calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé para cima e para fora, com a planta do pé virada para fora, depois empurre o pé para baixo e para dentro, com a planta do pé virada para dentro.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Extensão resistida do pé
Sentado com a perna esticada e o elástico na ponta do pé. Empurre o elástico para a frente, depois deixe o pé regressar lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Brauer CA, Manns BJ, Ko M, Donaldson C, Buckley R. An economic evaluation of operative compared with nonoperative management of displaced intra-articular calcaneal fractures. J Bone Joint Surg Am. 2005 Dec;87(12):2741-9.
Tomaro JE, Butterfield SL. Biomechanical treatment of traumatic foot and ankle injuries with the use of foot orthotics. J Orthop Sports Phys Ther. 1995 Jun;21(6):373-80.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Fasceíte plantar


A fasceíte plantar é uma lesão por esforços repetidos sobre a fáscia plantar (uma forte tira de tecido, como um ligamento, que se estende desde o calcanhar até os ossos do médio-pé). A fáscia plantar suporta e dá forma ao arco plantar e também age como um amortecedor de choques durante a marcha, a corrida e qualquer actividade que envolva impacto do pé no solo.
Apesar de fasceíte (como tendinite) levar a pensar em inflamação, esta raramente está presente. Cargas frequentes sobre a fáscia causam micro-rupturas (com ou sem inflamação associada), que evoluem rapidamente para um processo degenerativo do tecido conjuntivo na fáscia. Nesta fase é dado o nome de tendinose em vez de uma tendinite.
A maior incidência é sobre as mulheres, entre os 30 e os 60 anos, mas pode surgir em homens e em idosos. Como é uma lesão originada por esforços repetidos também é muito comum entre desportistas, pelo que estes devem procurar calçado desportivo que tenha um bom suporte para o arco plantar, procurar pisos regulares para praticar desporto e alongar regularmente os músculos do tendão de Aquiles (barriga da perna), de forma manter uma boa amplitude de movimento.
Alguns factores de risco comuns incluem:
  • Obesidade, 
  • Profissão que obrigue a estar em pé durante longos períodos de tempo
  • Esporão do calcâneo
  • Pés chatos, 
  • Pouca amplitude da flexão do pé



Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor no calcanhar nos primeiros passos depois de levantar da cama ou após longos períodos sem peso sobre o pé
  • Sensibilidade ao toque na planta do pé, na zona imediatamente à frente do calcanhar
  • Amplitude de flexão do pé diminuída e/dor ao estiramento da planta do pé
  • A pessoa pode claudicar ou andar mais sobre a ponta do pé
  • A dor agrava quando se tenta andar descalço em pisos duros ou subir escadas
  • Muitos pacientes referem ter tido um aumento no seu nível de actividade antes do início dos sintomas
  • Padrão de marcha característico

O diagnóstico é baseado nos sintomas e na avaliação clínica. Os pacientes podem apresentar um ponto de maior sensibilidade junto à tuberosidade medial do calcâneo. A dor na fáscia plantar é particularmente evidente com a flexão dorsal do pé e dos dedos, que provoca o estiramento da fáscia. O exame clínico tem em consideração, entre outros, o historial médico do paciente, o nível de actividade física e os sintomas locais. O médico pode optar por utilizar estudos de imagem como raio-x, ecografia e ressonância magnética em lesões crónicas.


Tratamento

        
O tratamento conservador (sem recorrer a cirurgia) é quase sempre bem sucedido, no entanto a fáscia, assim como os ligamentos, leva bastante tempo a curar na totalidade. Está descrito que a maioria dos pacientes estará melhor nove meses após o início dos sintomas. No entanto uma combinação de diferentes tratamentos pode ajudar a acelerar a recuperação.
Os tratamentos que demonstraram ter maior eficácia para a fasceíte plantar:
  • Alongamento da fáscia plantar e do tendão de Aquiles (exercícios descritos abaixo)
  • Mobilizações e manipulações da articulação do tornozelo e da articulação entre o calcanhar e o tálus (ou astrágalo) demonstraram poder aliviar a dor por completo ao final de 6 tratamentos.
  • Ionização com ácido acético combinada com ligadura de tape para descompressão da região plantar demonstraram reduzir a dor ao final de 4 semanas
  • Palmilha para suporte do arco plantar revela eficácia no retorno à actividade normal

A cirurgia pode ser considerada em casos muito difíceis, geralmente é recomendada somente se a dor não diminuiu após 6-12 meses com tratamentos conservadores. A fasciotomia implica o destaque parcial da fáscia plantar da sua inserção no osso. Também pode envolver a remoção de um esporão no calcâneo, se este estiver presente. A cirurgia nem sempre é bem sucedida, e pode causar algumas complicações, como infecção, aumento da dor, lesões dos nervos nas proximidades, ou ruptura da fáscia plantar, assim deve ser considerada como um último recurso.

Exercícios terapêuticos para a fasceíte plantar

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma fasceíte plantar. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Alongamento da planta do pé
Em pé, com a perna esticada, apoie o calcanhar no chão e a ponta do pé na parede, o mais alto que conseguir, dentro do limite do confortável. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Alongamento dos gémeos
De pé, com as mãos ao nível dos ombros apoiadas na parede. Colocar a perna a alongar esticada e atrás, dobrar à frente o joelho da outra perna, com as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 Reforço muscular dos gémeos
Em pé, apoiado numa cadeira, coloque-se em pontas dos pés. Desça lentamente até todo o pé apoiar no chão. Repita este movimentos entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Cole C, Seto C, Gazewood J. Plantar fasciitis: evidence-based review of diagnosis and therapy. Am Fam Physician. 2005 Dec 1;72(11):2237-42.
DiGiovanni BF, Nawoczenski DA, Lintal ME, Moore EA, Murray JC, Wilding GE, et al. Tissue-specific plantar fascia-stretching exercise enhances outcomes in patients with chronic heel pain. A prospective, randomized study. J Bone Joint Surg Am. 2003 Jul;85-A(7):1270-7.
Riddle DL, Pulisic M, Pidcoe P, Johnson RE. Risk factors for Plantar fasciitis: a matched case-control study. J Bone Joint Surg Am. 2003 May;85-A(5):872-7.
Young B, Walker MJ, Strunce J, Boyles R. A combined treatment approach emphasizing impairment-based manual physical therapy for plantar heel pain: a case series. J Orthop Sports Phys Ther. 2004 Nov;34(11):725-33.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Esporão do calcâneo (calcanhar)


Os esporões do calcâneo são um problema comum do , consistem numa saliência óssea, resultado de um crescimento ósseo anormal, que se forma na parte inferior do osso do calcanhar e que se projecta para a frente em direcção aos dedos dos pés.
Os esporões do calcâneo podem desenvolver-se devido a:

  • Uma retracção muscular na planta do pé, 
  • Uma contractura da fáscia plantar ou 
  • Condições como o pé plano, que provocam maior pressão sobre o osso do calcanhar durante as actividades, podendo estimular o crescimento do esporão. 

Outros factores de risco para o desenvolvimento de esporões do calcâneo incluem aumentos repentinos em actividades físicas, aumento de peso. Sapatos de salto alto, sapatos com pouco amortecimento na parte do calcanhar ou muito flexíveis, sem apoio para o arco plantar podem causar problemas da fáscia plantar e, eventualmente, levar à formação de um esporão do calcanhar.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico


  • Os esporões do calcanhar são quase sempre dolorosos enquanto se desenvolvem, especialmente quando a pessoa está a andar. 
  • Por vezes, desenvolve-se uma pequena acumulação de líquido na bolsa por baixo do esporão, a qual se inflama. Esta afecção, chama-se bursite calcânea inferior, costuma fazer com que a dor se torne pulsátil, mas também pode acontecer sem que exista esporão.
  • Padrão de marcha característico
Habitualmente, os esporões costumam ser diagnosticados durante um exame físico. A pressão sobre o centro do calcanhar causa dor se o esporão estiver presente. Pode fazer-se raio-X para confirmar o diagnóstico, mas este pode não detectar pequenos esporões em formação. 

O esporão do calcâneo apresenta sintomas muito semelhantes aos da fasceíte plantar, uma forma de os diferenciar é saber se os sintomas são sempre iguais durante a actividade ou se são piores no início da actividade depois de longos períodos de descanso (característico de fasceíte plantar).
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Tratamento

O tratamento conservador (sem recorrer a cirurgia) dos esporões do calcâneo é quase sempre bem sucedido no que respeita a redução da dor e melhoria da funcionalidade, no entanto, por estar frequentemente associado a outras condições, como retracção muscular, fasceíte plantar e pé-plano, os tempos de recuperação são frequentemente longos, podendo demorar alguns meses até haver um alívio significativo dos sintomas.
A melhor abordagem para esta condição compreende geralmente a integração de várias intervenções terapêuticas:
  • Exercícios de alongamento da fáscia plantar e do tendão de Aquiles (descritos abaixo)
  • Ligadura de tape para descompressão da região plantar
  • Ionização com ácido acético combinada com aplicação de ultra-sons
  • Utilização de palmilhas e almofadas ortopédicas para amortecimento do calcanhar e suporte do arco plantar
  • Caso as dores persistirem uma mistura de corticosteróides com um anestésico local pode ser injectada na zona dorida do calcanhar por um médico ortopedista.

Só se deve realizar uma intervenção cirúrgica para extrair o esporão quando a dor for persistente mesmo após o tratamento conservador e dificultar seriamente a marcha.

Exercícios terapêuticos para o esporão do calcâneo

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de um esporão do calcâneo. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.

Alongamento da planta do pé
Em pé, com a perna esticada, apoie o calcanhar no chão e a ponta do pé na parede, o mais alto que conseguir, dentro do limite do confortável. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Alongamento dos gémeos
De pé, com as mãos ao nível dos ombros apoiadas na parede. Colocar a perna a alongar esticada e atrás, dobrar à frente o joelho da outra perna, com as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 Reforço muscular dos gémeos
Em pé, apoiado numa cadeira, coloque-se em pontas dos pés. Desça lentamente até todo o pé apoiar no chão. Repita este movimentos entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Irving DB, Cook JL, Menz HB. Factors associated with chronic plantar heel pain: a systematic review. J Sci Med Sport. 2006 May;9(1-2):11-22; discussion 3-4.
McMillan AM, Landorf KB, Barrett JT, Menz HB, Bird AR. Diagnostic imaging for chronic plantar heel pain: a systematic review and meta-analysis. J Foot Ankle Res. 2009;2:32.