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sábado, 29 de novembro de 2014

Taping para a síndrome de dor patelofemoral

Objetivo:

Identificar pacientes com síndrome de dor patelofemoral que irão responder favoravelmente ao taping patelar.

Norma:

  1. Angulação da tíbia maior do que 5 graus
  2. Teste de tilt patelar positivo


Probabilidade de Sucesso:

83% (2 Variáveis)

Bibliografia

Lesher JD, et al. Development of a clinical prediction rule for classifying patients with patellofemoral pain syndrome who respond to patellar taping. J Orthop Sports Phys Ther. 2006; 36(11): 854-66.

Cleland J, Koppenhaver S, Su J. Netter's Orthopaedic Clinical Examination: An Evidence-Based Approach, 2e (Netter Clinical Science) June 15, 2010

Teste de tilt patelar

Descrição
O objectivo deste teste é avaliar a existência de uma instabilidade externa da patela (rótula), comum na síndrome de dor patelofemoral.

Técnica
O paciente deve estar deitado de barriga para cima, com o joelho em extensão completa. O fisioterapeuta coloca as mãos proximal e distal à patela . Utilizando os polegares pressiona a parte interior da rótula, de modo a levantar o bordo exterior. O teste é considerado positivo se o bordo lateral não pode ser eleva tanto como no lado oposto e/ou se o paciente revela apreensão pelo recrutamento muscular do quadricipete.




Watson C, Leddy H, Dynjan T. Reliability of the Lateral Pull Test and Tilt Test to Assess Patellar Alignment in Subjects with Symptomatic Knees: Student Raters. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy 2001;31(7) :368-374 



Outros testes ao joelho

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Fractura da rótula


A fractura da rótula é uma perda parcial ou total da continuidade do osso da rótula, um osso triangular posicionado na face anterior do joelho. Uma fractura da rótula pode resultar do impacto directo do joelho no chão, numa queda, de golpes directos no joelho sofridos em desportos de contacto, ou de tensões causadas por torção ou contracções violentas do músculo quadricípite.
As fracturas da rótula representam aproximadamente 1% de todas as fracturas e são mais comuns em homens entre os 20 e os 50 anos.
A rótula pode sofrer apenas uma fractura parcial devido a uma contracção violenta do quadricípite ou partir-se em vários sítios depois de uma queda sobre os joelhos. Estas fracturas podem ser classificadas em:
  • Fractura estável. As extremidades partidas do osso encontram-se justapostas e estão correctamente alinhadas. Na maioria das vezes a imobilização durante 4 a 6 semanas é suficiente para a correcta cicatrização óssea.
  • Fractura Deslocamento (ou instável). As extremidades partidas do osso estão totalmente separadas e desalinhadas. Este tipo de fractura requer uma cirurgia reconstrutiva, seguida de imobilização durante 4 a 6 semanas.
  • Fractura cominutiva. Significa que o osso partiu-se em três ou mais fragmentos. Este tipo de fractura é muito instável. Este tipo de fractura requer uma cirurgia reconstrutiva, seguida de imobilização durante no mínimo 6 semanas.
  • Fractura exposta. Neste tipo de fractura, a pele é rasgada e o osso fica. Estas lesões geralmente envolvem mais danos aos músculos e tecidos ao redor do joelho, por isso apresentam maior risco de complicações e levam mais tempo a tratar.


Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor na face anterior do joelho
  • Inchaço na mesma região
  • Lacerações, equimoses podem estar presentes no aspecto anterior do joelho.
  • Incapacidade para esticar o joelho ou caminhar

No caso de apresentar uma história de queda sobre os joelhos ou pancada directa sobre a rótula, associada aos sintomas acima descritos é importante que recorra aos serviços médicos de urgência, para que lhe sejam realizados exames de diagnóstico e o tratamento adequado. O diagnóstico é geralmente feito através de um raio-X.

Tratamento

Se se tratar de uma fractura estável, geralmente o tratamento é conservador. A perna é gessada ou é aplicada uma tala que impede o movimento do joelho e mantém os topos da fractura alinhados durante o período de cicatrização. Você não será capaz de colocar qualquer peso sobre a perna até o osso estar completamente consolidado, o que pode demorar 4 a 6 semanas. A maioria das pessoas usa canadianas durante este período.
Em todos os outros tipos de fractura da rótula a cirurgia reconstrutiva é o tratamento de opção. Após a cirurgia seguem-se 4 a 6 semanas de imobilização gessada ou bota protectora mais canadianas.
          Em ambos os casos, após o período de imobilização é fundamental começar um plano de tratamento em fisioterapia, de forma a recuperar de atrofias musculares e a prevenir limitações na amplitude de movimento do joelho. As técnicas que revelam maior eficácia nesta condição:
  • Exercícios para melhorar a flexibilidade, força e equilíbrio (progredindo para exercícios em carga)
  • A aplicação de calor antes dos exercícios para aumentar a irrigação sanguínea e de gelo no final para prevenir sinais inflamatórios.
  • Mobilização articular passiva progredindo para activa e activa resistida.
  • Massagem de mobilização dos tecidos moles na região envolvente do joelho.


Exercícios terapêuticos para as fracturas da rótula

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos após a confirmação de que a fractura está consolidada. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



 Flexão/extensão do joelho
Deitado, com o calcanhar apoiado no chão, puxe o pé em direcção à bacia. Retorne lentamente o pé à posição inicial.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 

 Fortalecimento isométrico do quadicipete
Sentado, com a perna estendida e um rolo sob o joelho. Esprema e o rolo e solte suavemente, enquanto sente a contracção imediatamente acima do joelho.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Grabois M. Physical medicine and rehabilitation : the complete approach. Malden, Mass.: Blackwell Science; 2000.
Makino A, Aponte-Tinao L, Muscolo DL, Puigdevall M, Costa-Paz M. Arthroscopic-assisted surgical technique for treating patella fractures. Arthroscopy. 2002 Jul-Aug;18(6):671-5.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Síndrome de dor patelo-femoral


A síndrome da dor patelo-femoral é o termo médico dado à dor na face anterior do joelho, que é proveniente da articulação patelo-femural (ou seja, a articulação entre a patela (rótula) e o fémur. A síndrome da dor patelo-femoral é geralmente associada à inflamação ou danos causados às estruturas articulares. Esta condição é mais frequente em adolescentes do sexo feminino, em operários com trabalhos fisicamente exigentes, e nos atletas. E pode ser causada por:
  • Mau Alinhamento da rótula. Se assim for, actividades vigorosas podem causar stress excessivo e consequente desgaste na cartilagem da rótula. Isso pode provocar dor no osso subjacente e irritação da articulação.
  • Problemas nos pés, como o pé plano ou andar com o pé em pronação, podem fazer com que o joelho sofra uma alteração de alinhamento, rodando para dentro e colocando mais pressão sobre a articulação patelo-femoral.
  • Lesões no joelho, incluindo pequenas lesões repetidas devido ao treino excessivo ou ao mau gesto técnico associado à laxidez ligamentar.
  • Uma diminuição da força muscular ou um desequilíbrio muscular no membro inferior pode contribuir para o agravamento desta síndrome, pois os músculos desempenham um papel importante ao absorver as tensões exercidas sobre o joelho.



Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor ao redor do joelho. A dor é sentida na parte da frente e no interior do joelho. Muitas vezes é difícil identificar o local exacto, podendo ser descrita como uma dor vaga à frente do joelho.
  • A dor não é constante. É geralmente pior ao subir e descer escadas ou em alguns desportos. Além disso, pode ser provocada por ficar sentado por longos períodos.
  • Pode haver uma sensação de crepitação acompanhada do som de “estalos” do joelho à medida que este mexe.
  • Por vezes ocorre inchaço ao redor da rótula.
  • Padrão de marcha caraterístico

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do joelho são suficientes para diagnosticar a síndrome de dor patelo-femoral. Esta condição em si não é vista nos exames de imagem, como o raio-X ou RM, pelo que estes podem ser pedidos apenas para descartar outras patologias ou avaliar a extensão da danos na articulação.


Tratamento

         Os objectivos do tratamento numa primeira fase, consistem e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Compressão: um joelho elástico pode ser usado para controlar o inchaço.
Elevação: A perna deve ser elevada um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.
Após este período, o tratamento irá incidir sobretudo no fortalecimento muscular e na reeducação do gesto desportivo ou da posição de trabalho. Algumas técnicas utilizadas são:
  • Exercícios de fortalecimento estático do quadricípite e glúteos. (Veja aqui um plano de exercícios específico)
  • Estimulação eléctrica funcional (FES) pode ser usada para estimular o músculo quadricípite.
  • Ligadura de tape para o realinhamento da rótula no sulco femural demonstrou ter efeitos positivos em jovens do sexo feminino entre os 10 e os 20 anos com este síndrome.
  • Progressivamente devem ser introduzidos exercícios em carga, como o leg press e agachamentos (nunca a mais de 90º de flexão do joelho).
  • Deve ser feita uma avaliação da biomecânica do paciente durante a caminhada e corrida para escolher o calçado, palmilhas ou órtoteses mais adequados para corrigir alguma falha mecânica que possa estar a causar os sintomas.

A cirurgia é pouco usada nestes casos. No entanto, pode ser útil para, por exemplo, liberar um ligamento tenso, de forma a corrigir o alinhamento da rótula.

Exercícios terapêuticos para a síndrome de dor patelo-femoral

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma síndrome de dor patelo-femoral. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


 Fortalecimento do quadricípite
Deitado, com um rolo sob o joelho. Contraia o músculo da coxa e perna de forma a esticar o joelho e puxar a ponta do pé para si.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 

Fortalecimento dos quadricípites
Em pé, com a região lombar apoiada na bola e os pés ligeiramente afastados. Dobre os joelhos até aos 45o/60o, mantendo as costas alinhadas. Suba lentamente para a posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Alongamento do quadricípite
Em pé, apoiado. Agarre no pé da perna a alongar e aproxime-o o mais possível da bacia. Mantenha as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.
  


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Earl JE, Hoch AZ. A proximal strengthening program improves pain, function, and biomechanics in women with patellofemoral pain syndrome. Am J Sports Med. 2011 Jan;39(1):154-63.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Luxação da rótula


A rótula, osso de protecção do joelho e de alavanca biomecânica do quadricípite, está projectada para deslizar verticalmente dentro do sulco formado na extremidade distal do fémur, consoante o joelho dobra e se estende. A luxação da rótula ocorre quando a esta se move ou é movida para o fora desse sulco. A rótula também pode apenas sofrer uma subluxação, o que significa que se moveu parcialmente, mantendo-se no entanto dentro dos limites do sulco femural.
Geralmente estas luxações são resultado de um impacto forte ou de um movimento de torção do joelho. Na maioria dos casos, a rótula volta facilmente à posição correcta através da extensão do joelho, no entanto este movimento será extremamente doloroso.
Alguns dos factores de risco que podem potenciar a luxação da rótula incluem:
  • Pouca força do VMO - O VMO (vasto medial oblíquo) faz parte do músculo quadricípite e tem como uma das suas funções a manutenção da rótula na posição desejada, dentro do sulco femural, durante os movimentos, puxando-a para o centro da articulação do joelho. Se o músculo não for suficientemente forte, ou suas fibras não tiverem a orientação adequada, a rótula é muito mais susceptível à luxação.
  • Pronação excessiva do pé ou pé plano
  • Ângulo Q - Algumas pessoas têm um ângulo femural (conhecido como ângulo Q) maior que o normal, o que pode provocar uma postura caracteristica, com os joelhos demasiado juntos (joelho valgo). Neste caso quando a pessoa estende a perna, a rótula é puxada automaticamente para fora, aumentando assim o risco de luxação.


Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Inchaço na articulação do joelho
  • Dor ao redor da rótula
  • Mobilidade reduzida no joelho
  • Deslocamento visível da rótula

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do joelho são geralmente suficientes para diagnosticar a luxação da rótula. Um raio-X pode ser pedido para confirmar o diagnóstico e descartar a hipótese uma ruptura do ligamento cruzado anterior, que pode dar alguns sintomas semelhantes a uma subluxação da rótula.

Tratamento

      O tratamento em fisioterapia, imediatamente após a lesão e enquanto o diagnóstico não está confirmado, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Pare imediatamente a actividade que estava a realizar. Se tiver de caminhar utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Elevação: O pé deve ser elevado um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
Deve procurar acompanhamento médico o mais rapidamente possível, quanto mais cedo a luxação for reduzida melhor será o prognóstico de recuperação. De seguida o médico poderá ligar o joelho, prescrever medicação para reduzir a dor e controlar a inflamação, normalmente anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs), e indicar acompanhamento em fisioterapia.
Nas primeiras duas semanas após a lesão, o plano de fisioterapia deverá incluir:
  • Aplicação de uma tala para manter a perna em extensão
  • Gelo e joelheira de compressão para controlar o inchaço
  • Correntes interferênciais e ultra-som
  • Uma ligadura com tape para reposicionamento da rótula após a remoção da tala.
  • Exercícios de fortalecimento estático do quadricípite e alongamento dos isquiotibiais

Na terceira e quarta semana:
  • Começar com fortalecimento activo e em carga, no final da quarta semana já deve ser capaz de suportar o peso do corpo sobre a perna

Da quinta à oitava semana
  • Começar por caminhadas curtas, piscina e bicicleta
  • Manter os exercícios de fortalecimento e acrescentar treino de equilíbrio e treino proprioceptivo
  • Introduzir progressivamente a actividade desportiva no plano de reabilitação.


Exercícios terapêuticos para luxações da rótula

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma luxação da rótula. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Fortalecimento isométrico do quadicipete
Sentado, com a perna estendida e um rolo sob o joelho. Esprema e o rolo e solte suavemente, enquanto sente a contracção imediatamente acima do joelho.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Fortalecimento dos quadricípites
Em pé, com a região lombar apoiada na bola e os pés ligeiramente afastados. Dobre os joelhos, mantendo as costas alinhadas. Suba lentamente para a posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Alongamento do quadricípite
Em pé, apoiado. Agarre no pé da perna a alongar e aproxime-o o mais possível da bacia. Mantenha as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Smith TO, Davies L, Chester R, Clark A, Donell ST. Clinical outcomes of rehabilitation for patients following lateral patellar dislocation: a systematic review. Physiotherapy. 2010 Dec;96(4):269-81.