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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dor lombar no pós parto - estudo de caso clínico


As fraturas por stress, ou fraturas de fadiga/insuficiência ocorrem quando o osso normal é colocado sob níveis de stress invulgarmente elevados.

As fraturas de stress do sacro são uma fonte muito pouco comum para a dor lombar e podem ser facilmente confundidas com várias outras condições clínicas observadas por um fisioterapeuta.

Durante a gravidez, a mãe tem de se adaptar não só às crescentes exigências metabólicas associadas ao feto, mas também ao aumento da tensão mecânica sobre as suas articulações. A verdadeira incidência das fraturas de stresse do sacro pos-parto não é conhecida, mas existem vários casos clínicos relatados na literatura.

O objetivo deste estudo é descrever o caso clínico de uma paciente com dor lombar pós-parto, ilustrando aspectos pertinentes do diagnóstico diferencial e problemas da gestão terapêutica.

Apresentação clínica

  • Mulher de 31 anos (160 cm de altura e 75 kg) foi encaminhada para fisioterapia pelo Médico de família
  • Queixa de dor do lado direito da lombar, há já 14 meses.
  • Nega parestesia ou anestesia.
  • Sintomas agravam se ficar de pé por 2h ou mais e se andar mais de 30 min.
  • Sintomas aliviam quando está sentada, deitada e quando puxa os joelhos ao peito.
  • Sem rigidez matinal, dor noturna, alterações de peso ou sintomas constitucionais.
  • Este episódio de dor lombar teve início durante o terceiro trimestre da gravidez da sua segunda filha, que tinha sido há 11 meses, um parto vaginal normal.
  • A dor persistiu após o nascimento e aumentou gradualmente em intensidade durante os últimos 6 meses.
  • A paciente associa os seus sintomas aos 20 kgs de peso ganho durante a gravidez e com a sua dificuldade em retornar ao seu peso pré-gravidez de 55 kgs.
  • A paciente apresentou-se ao médico de família quando a dor piorou, 6 meses após o nascimento. Este solicitou raios-X à coluna lombar e encaminhou para fisioterapia.
  • Da história clínica da paciente apenas consta um episódio de dor lombar semelhante durante a gravidez da sua primeira filha, 11 anos antes, que havia sido resolvida nos 4 meses após o parto.
  • A paciente fez uma Ressonância Magnética durante umas férias na Polónia, antes de iniciar o tratamento
  • Havia retornado ao trabalho a tempo parcial num bar, quatro semanas antes de iniciar fisioterapia.


Exame objectivo

  • Índice de massa corporal de 29,3 kg/m2 (índice de massa corporal normal entre 18.5 e 24.9 kg/m2)
  • Lordose lombar acentuada.
  • Teste single leg standing normal no lado esquerdo, mas no lado direito, embora livre de dor, foi associado a significativa flexão do tronco para o lado direito. A correção desse padrão reproduziu a sua dor lombar.
  • Amplitude de movimento ativa da coluna lombar ligeiramente reduzida em flexão e flexão lateral esquerda, reproduzindo a dor da paciente no final da amplitude.
  • Dor central no final de amplitude de extensão lombar.
  • Flexão lateral direita e rotação preservadas e sem dor.
  • Flexão lateral esquerda repetida melhorou a amplitude de movimento e os sintomas.
  • A avaliação da anca não provocou qualquer sintoma
  • Na mobilização acessória da coluna lombar os níveis L4/5 e L5/S1 apresentaram restrições de movimento.
  • Retração muscular do quadrado lombar direito e tensor da fáscia lata, bem como dos flexores da anca bilateralmente.
  • Nos testes de força muscular, de acordo com a escala de Oxford, a abdução da anca direita e extensão foram 3/5 e reproduziram a dor da paciente. A extensão e abdução da anca esquerda foram 4/5 e também reproduziram a dor da paciente.
  • Todos os outros testes de força muscular foram classificados como 5/5.
  • À palpação a paciente apresentava sensibilidade e dor sobre o lado direito do seu sacro, sobre o ligamento do grande dorsal direito, piriforme e quadrado lombar direito.
  • Dor nos testes de provocação para a articulação sacro-ilíaca.
  • Straight leg raise também foi positivo no lado direito.


Meios complementares de dignóstico

Radiografias e ressonância magnética à coluna lombar realizadas na altura foram descritas como normais. Na sua segunda visita, a paciente trouxe a ressonância magnética que havia feito quando em férias e foi revista pelo técnico radiologista.
Essa RM da coluna lombar mostrou significativo edema ósseo na face superior do sulco direito do sacro.

Encaminhamento

A paciente foi encaminhada para ortopedia para um novo parecer. Nova ressonância magnética pélvica foi realizada e confirmou a fratura de stress do sulco direito do sacro.

Tratamento

  • A paciente recebeu canadianas para reduzir a carga suportada e foi encaminhada para a equipa de Ortopedia.
  • Foi orientada pela ortopedia para descansar de todas as atividades agravantes dos sintomas por 2 semanas, particularmente estar em pé e caminhar durante longos períodos e, em seguida, gradualmente reintroduzir a marcha sem canadianas em distâncias que não provocassem desconforto.
  • A paciente foi atendida pelo fisioterapeuta após as primeiras 2 semanas de repouso e recebeu sete tratamentos ao longo dos 3 meses seguintes. O tratamento começou com aconselhamento e educação sobre a patologia e os prazos esperados para a recuperação. Técnicas de mobilização dos tecidos moles e alongamento foram usadas para tratar a retração muscular do quadrado lombar direito, tensor da fáscia lata e flexores da anca. Técnicas de terapia manual foram utilizadas para abordar restrição da amplitude de flexão, rotação e flexão lateral direita nos níveis L4/5 e L5/S1 encontrados no exame objetivo.
  • Quando a correção de postura observada no teste single leg standing deixou de provocar sintomas, iniciou-se treino de força para os músculos da anca e os padrões de movimento com défice foram reeducados. A paciente também iniciou um programa de ciclismo para ajudar na capacidade cardiovascular e perda de peso.

 Resultados
Três meses depois de iniciar a fisioterapia foi dada alta à paciente, que se apresentava sem dor e havia voltado a todas as anteriores atividades da sua vida diária, sem quaisquer dificuldades.

Conclusão

A dor lombar é comum durante e após a gravidez. Atendendo os longos tempos de espera e restrições económicas, em adição ao facto de a dor frequentemente desaparecer no período pós-parto, estudos de imagem não são regularmente realizados nesta população, o que significa que alguns pacientes que apresentam estas fraturas não são diagnosticados. É importante considerar fraturas de stress da pélvis nos diagnósticos diferenciais quando se avalia pacientes com dor lombar pós-parto para garantir uma melhor gestão do processo de reabilitação e retorno completo à vida ativa.


De Búrca N. Low back pain post partum - a case report. Man Ther. 2012 Dec;17(6):597-600.


terça-feira, 14 de maio de 2013

Teste de thrust do sacro

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar se a articulação sacro-ilíaca está ou não na origem dos sintomas do paciente.
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Técnica 
O paciente encontra-se deitado de barriga para baixo. O examinador aplica uma força firme postero-anterior em vários locais do sacro: base, vértice, e cada lado do sulco sacral. De seguida, o examinador aplica uma pressão cefálica sobre o sacro em cada posição: base e ápice (para aplicar pressão cefálica, primeiro comprimir os tecidos, em seguida, aplicar a força cefálica). O teste é considerado positivo se em algum dos locais de palpação forem reproduzidos os sintomas do paciente.
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Precisão do teste
Este teste apresenta uma sensibilidade de 63% e uma especificidade de 75% no diagnóstico de dor/disfunção nas articulações sacroilíacas.



Laslett M, Aprill CN, McDonald B, Young SB. "Diagnosis of sacroiliac joint pain: validity of individual provocation tests and composites of tests." Man Ther. 2005 Aug;10(3):207-18.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Disfunção da articulação sacroilíaca


As articulações sacroilíacas estão localizadas na parte inferior das costas, entre o sacro (vértebras S1-S5) e os ilíacos (ossos que formam a bacia), e compõem a parte posterior da cintura pélvica (bacia).
A articulação normalmente tem as seguintes características:
  • Pequena mas muito forte, reforçada por ligamentos fortes que o rodeiam
  • Não tem muito movimento
  • Transmite todas as forças da parte superior do corpo para a pélvis (bacia) e pernas
  • Funciona como uma estrutura de absorção de choques

Disfunção da articulação sacroiliaca é um termo comummente utilizado para descrever um conjunto de lesões que afectam esta articulação, e que podem dever-se: ao excesso de movimento (hipermobilidade ou instabilidade), esta condição é geralmente mais comum em mulheres jovens e de meia-idade, associada à laxidez ligamentar. 
A outra causa de dor na sacroiliaca tem a ver com falta de movimento (hipomobilidade ou fixação) esta condição é geralmente mais comum em homens de meia-idade e está geralmente associada à falta de flexibilidade combinada com um bloqueio articular, provocado por um movimento brusco e em carga.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Excesso de movimento - hipermobilidade ou instabilidade. A dor geralmente é sentida na região lombar e/ou anca e pode irradiar para região da virilha.
Falta de movimento - hipomobilidade ou fixação. A dor geralmente é sentida num dos lados da região lombar ou nas nádegas, e pode irradiar para a perna. A dor geralmente permanece acima do joelho, mas poderá estender-se até o tornozelo e pé. A dor é semelhante à dor ciática, dor que se irradia para o nervo ciático e é causada por uma radiculopatia.
Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica, exame da anca, lombar e sacroiliaca, exame neurológico e vascular dos membros inferiores são necessários para ajudar ao diagnóstico de uma disfunção da articulação sacroiliaca. A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X à pélvis, no entanto, a ressonância magnética (RM) é o principal meio de diagnóstico, pois permite visualizar a articulação e estruturas adjacentes em detalhe.

Tratamento

            O tratamento em fisioterapia, na fase inicial, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: repouse de todas as actividades que causam dor. Se dormir de lado deve colocar uma almofada entre as pernas.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.
Após a fase inflamatória (2-3 dias) o seu fisioterapeuta poderá recorrer às seguintes técnicas para restaurar o normal funcionamento da articulação:
  • Electroterapia: correntes interferenciais e ultra-som na região dos ligamentos posteriores da articulação, com o objectivo de reduzir o edema e controlar a inflamação.
  • Mobilização e manipulação articular, com o objectivo de realinhar a articulação e de lhe restaurar a normal mobilidade. Também devem ser incluídas mobilizações da coluna lombar.
  • Exercícios para fortalecimento muscular, em particular dos glúteos, piramidal e psoas-iliaco.
  • Assim que os sintomas tiverem desaparecido deve ser iniciada a reintrodução gradual à actividade. 

Nos casos de afecção da articulação sacroiliaca é fundamental seguir criteriosamente as indicações do plano de tratamento, sob a pena de provocar um novo processo inflamatório da articulação, caso esta sofra uma carga para a qual não está preparada.

Exercícios terapêuticos para as disfunções da articulação sacroilíaca

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma disfunção sacroilíaca. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Fortalecimento do transverso do abdómen
Deitado, com o elástico à volta da cintura. Pressionar o fundo das costas contra o chão e tentar diminuir o diâmetro da cintura. Mantenha a contracção durante 8 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 Alongamento da inserção dos isquio-tibiais e glúteo.
Deitado, com o fundo das costas bem apoiado e as mãos no joelho. Tente chegar o joelho o mais próximo do peito possível. Alivie lentamente a pressão.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Fortalecimento dos adutores da coxa
Deitado de lado, com o braço puxe a perna superior para a frente da bacia. Faça pequenos círculos no ar com a outra perna.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



  
Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Poley RE, Borchers JR. Sacroiliac joint dysfunction: evaluation and treatment. Phys Sportsmed. 2008 Dec;36(1):42-9.
Forst SL, Wheeler MT, Fortin JD, Vilensky JA. The sacroiliac joint: anatomy, physiology and clinical significance. Pain Physician. 2006 Jan;9(1):61-7.