Mostrar mensagens com a etiqueta disfunção. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta disfunção. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Reabilitação do sistema vestibular - Vertigem posicional paroxística benigna

O sistema vestibular inclui as partes do ouvido interno e do cérebro que processam a informação sensorial envolvida no equilíbrio e controlo dos movimentos do olho. Se alguma doença ou lesão afectar essas áreas de processamento,  podem ocorrer distúrbios vestibulares.

Devido às dificuldades colocadas para diagnosticar com precisão distúrbios vestibulares, as estatísticas que estimam quão comuns são, quantas vezes ocorrem, e quais os impactos sociais que têm são escassas. Um recente e significativo estudo epidemiológico estima que, nos Estados Unidos, até 35% dos adultos com 40 ou mais anos já experimentaram alguma forma de disfunção vestibular.

Os distúrbios vestibulares mais comummente diagnosticados são:

Vertigem posicional paroxística benigna


Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é a mais comum das desordens vestibulares e a que tem o tratamento mais fácil, na maioria dos pacientes pode ser curada com uma simples manobra de fisioterapia. A VPPB pode afetar pessoas de todas as idades , embora seja mais comum em pessoas com idade superior a 60 anos.

A VPPB ocorre quando pequenos cristais de cálcio chamados otólitos ficam fora da sua posição normal no utrículo, um dos órgãos sensoriais do ouvido interno.

Os otólitos devem fluir livres nos espaços cheios de fluido do ouvido interno, incluindo os canais semicirculares, responsáveis por sentir a rotação da cabeça. Se houverem demasiados otólitos, eles podem agregar-se e, como são pesados, migrar para a parte mais baixa do ouvido interno, o canal semicircular posterior. Uma vez neste, eles ainda podem mover-se quando a cabeça muda de posição, como olhar para cima ou para baixo, por cima do ombro, ou quando rolar na cama. 

É o movimento destes coagulos de otólitos que provoca um fluxo indesejado de líquido no canal semicircular, mesmo depois de a cabeça parar de se mover. Isto leva a uma falsa sensação de que a cabeça e o corpo estão a girar ou que o mundo ao seu redor está a girar.

Os pacientes com VPPB geralmente experimentam vertigens quando se viram na cama, entram ou saem da cama, olham para uma prateleira alta ou colocam a cabeça para trás no chuveiro. Estas são as circunstâncias onde existe uma grande mudança na orientação da cabeça em relação à força da gravidade.
Ocasionalmente os pacientes podem cair ao fazer estes movimentos, sofrer de náuseas, vómitos e outros sintomas como enjoos.

Tratamento 


O tratamento da VPPB é baseado num conjuntos de manobras de fisioterapia e programas de exercícios concebidos com o objetivo de remover os coagulos de otólitos dos canais semicirculares. Depois de sair dos canais semicirculares, estes são provavelmente absorvidos naturalmente ao longo de dias ou semanas.

A manobra de fisioterapia geralmente usada é a chamada Manobra de Epley.
Com o paciente sentado, o paciente roda a cabeça deste cerca de 45º para o lado que normalmente provoca a vertigem. Em seguida, o paciente é rapidamente deitado para trás com a cabeça um pouco em extensão (esta posição geralmente provoca forte vertigem). A cabeça é mantida nesta posição durante cerca de 30 segundos e, em seguida, deve rodar-se 90 graus para o lado oposto. Depois de mais 30 segundos, a cabeça e o corpo são rodados em conjunto na mesma direcção de modo a que o corpo fique virado para o lado, e a cabeça a apontar para o chão, a um ângulo de 45º. Após 30 segundos nesta posição, o paciente é novamente trazido para a vertical. Este processo é repetido até cinco ou seis vezes até nem vertigem nem nistagmo serem observados.

Em alguns casos, um vibrador portátil pode ser aplicado ao osso por trás da orelha do lado dos sintomas para ajudar a remover os coagulos que possam ter ficado presos nas paredes do canal semicircular.


  • Após a manobra, o paciente é convidado a sentar-se por dez a vinte minutos.
  • Deve começar a caminhar com cautela
  • Evitar colocar a cabeça para trás, ou fazer flexão para a frente (por exemplo, para amarrar sapatos) durante o resto do dia
  • Evitar dormir sobre o lado do ouvido afectado por vários dias.


Agrawal Y, Carey JP, Della Santina CC, Schubert MC, Minor LB. Disorders of balance and vestibular function in US adults. Arch Intern Med. 2009;169(10): 938-944.
Fife TD, Iverson DJ, Lempert T, Furman JM, Baloh RW, Tusa RJ, Hain TC, Herdman S, Morrow MJ, Gronseth GS. Practice parameter: therapies for benign paroxysmal positional vertigo (an evidence-based review): report of the Quality Standards Subcommittee of the American Academy of Neurology. Neurol. 2008;70:2067–2074.


Outras disfunções do sistema vestibular:





quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Pavimento pélvico, eterno inimigo da mulher?

Entrevista com:
Fisioterapeuta Andreia Antunes

P.: Uma boa função do pavimento pélvico é fundamental para, por exemplo, manutenção da continência e de uma boa função sexual. Que medidas de "higiene muscular" podem as mulheres adoptar para manter um bom tónus muscular do pavimento pélvico? E hábitos de vida, o que alterar? 
Sim, é verdade. Manter saudáveis os Músculos do Pavimento Pélvico (MPP) é essencial para a manutenção da continência (urinária e fecal) e para a função sexual. As mulheres, deveriam ser ensinadas a contrair correctamente os MPP. Deviam fazê-lo antes, durante e após a gravidez como medida preventiva. Diversos estudos demonstram uma diminuição do risco de vir a ter incontinência urinária nas mulher que efectuam exercícios do pavimento pélvico de forma regular durante a gravidez e no pós-parto. 

A contracção dos MPP pode ser ensinada de várias formas, contudo, a evidência demonstra que o seu ensino é mais eficaz e efectivo no contexto da avaliação por palpação vaginal. Recorrendo a um Fisioterapeuta Especializado em Pavimento Pélvico e efectuando uma avaliação cuidada, a mulher será ensinada a efectuar a contracção dos MPP correctamente e aconselhada a efectua-los de acordo com as suas necessidades individuais. Em relação aos hábitos de vida, considero importante referir que a obstipação e a obesidade constituem importantes factores de risco para as disfunções do Pavimento Pélvico (PP). É pois importante manter um dieta saudável, correcta ingestão de líquidos e níveis adequados de exercício físico como estratégias preventivas.

P.: É verdade que o trabalho muscular do pavimento pélvico pode facilitar a obtenção de prazer sexual pela mulher? Mesmo em casos de vaginismo? Como funcionam os tratamentos nestes casos?
É verdade que MPP funcionais são importantes para o mecanismo do orgasmo. Logo, um pavimento pélvico hipotonico pode ser uma das causas para a anorgasmia. Contudo é importante referir que a sexualidade feminina é multifactorial, não sendo correcto atribuir a anorgasmia a causas exclusivamente físicas, da mesma forma que pensar só em causas psicológicas pode ignorar uma disfunção do Pavimento Pélvico que esteja por trás da anorgasmia. 

O vaginismo consiste na impossibilidade de conseguir uma penetração vaginal. No vaginismo verifica-se, habitualmente, uma hipertonia dos Músculos do Pavimento Pélvico. Essa hipertonia que impede a penetração, pode ter uma etiologia diversa, nomeadamente psicológica. Acho crucial que a intervenção do Fisioterapeuta nos casos de disfunção sexual seja efectuada em equipa com um psicoterapeuta/ terapeuta sexual. Aquilo que a Fisioterapia Especializada em Pavimento Pélvico faz é melhorar a função dos Músculos do Pavimento Pélvico, quer a disfunção esteja relacionada com uma hipertonia ou hipotonia. Ensinar a mulher a conhecer o seu corpo e como ele funciona, é do meu ponto de vista muito importante para o sucesso nestas situações.

P.: Fala-se muito dos exercícios de Kegel. Qual a sua opinião sobre eles?
Exercícios de Kegel são os Exercícios dos Músculos do Pavimento Pélvico. Kegel foi quem primeiro os descreveu, daí o nome dele ter ficado associado ao exercícios. De qualquer forma, como já referi antes é importante que a mulher seja avaliada para lhe ser indicado um nível de treino adequado a ela e para garantir que está a efectuar os exercícios da forma correcta. Os exercícios de Kegel, se efectuados correctamente, são uma importante arma à disposição da mulher para que o Pavimento Pélvico deixe de ser o seu eterno inimigo e passe a ser o seu eterno amigo! 

P.: Para terminar, algum novo projecto de investigação na calha? Ou sugestão de temas que pensa serem interessantes investigar no futuro?
Quanto mais estudo a área do Pavimento Pélvico mais acho que há a descobrir. Interesso-me muito pela intervenção da Fisioterapia no caso das Disfunções Sexuais, que sendo uma área pouco explorada e bastante sensível, apresenta resultados positivos bastante elevados quando conjugada com a Terapia Sexual. 
Acho que seria interessante tentar relacionar algumas disfunções do Pavimento Pélvico com a Postura. E não esquecer os homens, que também apresentam Disfunções Urinárias, Anorectais e Sexuais, em que o Fisioterapeuta pode ajudar! Estas disfunções não são exclusivas das Mulheres. 

Era importante que a comunidade médica, especialmente as Especialidades que lidam de perto com as Disfunções Urinárias, Ano-rectais e Sexuais, compreendesem que o Pavimento Pélvico sendo uma estrutra comum ao Sistema Urinário, Reprodutor e Digestivo, que está envolvido nas funções Urinária, Anorectal e Sexual, deve ser considerado quando se encontra presente uma disfunção. Uma correcta função do Pavimento Pélvico é crucial para a manutenção da função urinária, ano-rectal e sexual. O Fisioterapeuta Especialista em Pavimento Pélvico é o profissional a consultar! 


Andreia Antunes
Fisioterapeuta especializada em Saúde da Mulher e Pavimento Pélvico.
Pós-graduações em Preparação para o Nascimento, Pós-Parto, Toque no Bebé e em Fisioterapia na Saúde da Mulher. 
Instrutora de Pilates Clínico com certificação internacional atribuída por “balance & control” e “WellWomen” Austrália. 
Práctica Privada no Porto e em Lisboa:

terça-feira, 14 de maio de 2013

Teste de Cisalhamento posterior da sacroilíaca (POSH)

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar a dor proveniente da articulação sacro-ilíaca.
-->

Técnica
O paciente está deitado de barriga para cima. O fisioterapeuta deve estar de pé do lado a ser testado, estabilizando o sacro do lado oposto ao que está a testar com uma mão e aplicando força posterior sobre o fémur a testar com a outra mão, em diferentes ângulos de abdução e adução. O teste é considerado positivo se for reproduzida a dor na região da anca. Devido às forças que atravessam a articulação da anca o paciente pode relatar dor, mesmo se a patologia se localiza na anca e não na sacroilíaca.
-->

Precisão do teste
Este teste tem uma sensibilidade de 80% e uma especificidade de 100% na avaliação da disfunção da articulação sacro-ilíaca.


Broadhurst N, Bond M. "Pain provocation tests for the assessment of sacroiliac joint dysfunction." J Spinal Disorders 1998; 11: 341-345.



Outros testes para o exame físico da lombar e sacroilíaca



Teste de Gaenslen

Descrição
O teste de Gaenslen tem o objetivo de avaliar a dor proveniente da articulação sacro-ilíaca.
-->

Técnica
O paciente está deitado de barriga para cima, a perna não testada é mantida em extensão, enquanto a perna testada é colocada em flexão máxima. De seguida o fisioterapeuta coloca uma mão na parte anterior da coxa da perna não testada e a outra mão sobre o joelho da perna testada para aplicar uma pressão para flexão máxima (posição alternativa é a região posterior da coxa, proximal ao joelho, para os pacientes que têm patologia no joelho ). O teste é considerado positivo quando se reproduz a dor lombar.
-->

Precisão do teste
Este teste tem uma sensibilidade de 71% e uma especificidade de 26% para a avaliação da disfunção da articulação sacro-ilíaca.



sábado, 11 de maio de 2013

Teste de flexão anterior da lombar

Descrição
-->

Técnica
O paciente deve estar sentado. O examinador tem uma mão em cada espinha ilíaca postero-superior (EIPS). O paciente é solicitado a dobrar a coluna para a frente, enquanto o examinador compara o movimento de cada umas das EIPS. O teste é considerado positivo se for sentido maior movimento numa das EIPS em comparação com a outra.
-->

Precisão do teste
Este teste apresentou uma sensibilidade de 9% e uma especificidade de 93% no diagnóstico diminuição da mobilidade numa das articulações sacro ilíacas.
 Deve notar-se que pode encontrar-se défice de mobilidade da sacroiliaca  em pacientes assintomáticos, de modo que este teste não deve ser usado para fazer diagnóstico diferencial sobre a origem dos sintomas do paciente.



Flynn T, Fritz J, Whitman J, et al. "A clinical prediction rule for classifying patients with low back pain who demonstrate short-term improvement with spinal manipulation." Spine 2002; 27: 2835-2843.

Levangie PK. "Four clinical tests of sacroiliac joint dysfunction: the association of test results with innominate torsion among patients with and without back pain." Phys Ther. 1999 Nov;79(11):1043-57. Web. 08/19/2012.




Outros testes para o exame físico da lombar e sacroilíaca



terça-feira, 9 de abril de 2013

Disfunção da articulação temporo-mandibular


A articulação temporomandibular (ATM) liga a mandíbula inferior ao osso na parte lateral da cabeça (osso temporal). Se colocar os dedos à frente dos seus ouvidos e abrir a boca, conseguirá sentir as articulações. Como essas articulações são flexíveis, a mandíbula pode mover-se suavemente para cima e para baixo e para os lados, o que nos permite falar, mastigar e bocejar. Os músculos ligados e ao redor da ATM controlam a sua posição e movimento.
As disfunções da ATM enquadram-se em três categorias principais:
Dor miofascial, a mais comum disfunção da ATM, envolve dor ou desconforto nos músculos que controlam a função da articulação.
Desarranjo interno da articulação, que pode envolver um deslocamento do disco cartilaginoso intra-articular, deslocamento da mandíbula, ou lesões do côndilo mandibular.
Artrite, refere-se a um grupo de doenças degenerativas/inflamatórias que pode afectar a articulação temporomandibular.
Uma pessoa pode ter uma ou mais destas condições ao mesmo tempo. Algumas pessoas têm outros problemas de saúde que co-existem com desordens da ATM, como a síndrome da fadiga crónica, distúrbios do sono ou fibromialgia. Não se sabe se esses transtornos compartilham uma causa comum. Pessoas que sofrem de uma doença reumática, como a artrite reumatóide, podem desenvolver uma disfunção da ATM como condição secundária.
Os sintomas podem variar, piorando e aliviando ao longo do tempo, mas o que provoca estas alterações ainda não é claro. A maioria das pessoas têm formas relativamente leves desta disfunção, e os sintomas melhoram significativamente ou desaparecem espontaneamente dentro de semanas ou meses. Para outros, a condição causa dor persistente e debilitante a longo prazo.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor, particularmente nos músculos da mastigação e/ou da ATM,
  • Dor que irradia para o rosto, queixo ou pescoço,
  • Rigidez dos músculos da mandíbula,
  • Movimentos limitados ou bloqueio da mandíbula,
  • Estalidos ou fricção dolorosos na articulação ao abrir ou fechar a boca,
  • Mudança na maneira como os dentes superiores e inferiores se encaixam.
  • Estalidos da articulação apenas, sem a dor ou limitação do movimento da mandíbula, não indicam uma disfunção da ATM. O ranger dos dentes também não tem uma associação clara a esta disfunção.

Como as causas exactas desta disfunção geralmente não são claras, a identificação destes transtornos poderá ser difícil. Actualmente, o diagnóstico é feito com base na história clínica relatada pelo paciente e num exame das áreas potencialmente causadoras dos sintomas, incluindo a cabeça, pescoço, face e mandíbula. Os estudos de imagem, como raio-X, TAC ou RM também podem ser indicados.

Tratamento

Como os estudos sobre a segurança e a eficácia da maioria dos tratamentos para a ATM ainda são escassos, os especialistas recomendam utilizar os tratamentos mais conservadores e reversíveis possíveis. Estes não causam alterações permanentes na estrutura ou posição da mandíbula ou dentes. Mesmo quando a disfunção da ATM provoca sintomas persistentes, a maioria dos pacientes não precisa de tipos de tratamento invasivos.
Os tratamentos conservadores:
  • Auto cuidado
  • Durante um período de tempo comer alimentos mais macios,
  • Aplicação de compressas de gelo,
  • Evitar movimentos mandibulares extremos (como bocejo largo, cantar alto, e mascar pastilha elástica,
  • Aprender técnicas de relaxamento e redução do stress,
  • O seu médico ou fisioterapeuta podem recomendar alguns exercícios, de relaxamento e alongamento que podem ajudar a aumentar a amplitude de movimento da mandíbula.
  • O uso a curto prazo de medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs), como o ibuprofeno, pode proporcionar um alívio temporário do desconforto maxilar.
  • O seu médico ou dentista pode recomendar um aparelho bucal, também chamado de tala de estabilização da mordida, que é um protector de plástico que se encaixa sobre os dentes superiores ou inferiores. Estas talas de estabilização são os tratamentos mais usados para distúrbios da ATM, no entanto, estudos da sua eficácia no alívio da dor, não foram conclusivos.

Os tratamentos conservadores descritos são úteis para o alívio temporário da dor - mas não são a cura para os distúrbios da ATM. Se os sintomas continuarem ao longo do tempo, ou piorarem, informe o seu médico.
Os tratamentos invasivos incluem ortodontia para mudar a mordida, coroas e pontes, ajuste oclusal, talas de reposicionamento que alteram permanentemente a mordida e implantes artificiais para substituição da articulação. Nenhum destes tratamentos reúne evidência significativa sobre os seus resultados positivos e muitas vezes poderão mesmo agravar a disfunção.

Exercícios terapêuticos para a síndrome das facetas interapofisárias

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma síndrome das facetas interapofisárias. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.

 

Correcção postural da cervical e ombros
Em pé ou sentado, rode os ombros para trás e para baixo, enterre o queixo e imagine que tem uma linha a puxar-lhe o topo da cabeça. Mantenha esta posição durante 20 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Mobilização da articulação temporo-mandibular
Sentado em frente ao espelho, com os dedos indicadores imediatamente à frente dos ouvidos.
Abra e feche a boca lentamente, tentando manter o trajecto da mandíbula numa linha recta vertical
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 






 Fortalecimento da articulação temporo-mandibular
Sentado em frente ao espelho, com um dedo indicador imediatamente à frente do ouvido e o outro sob o queixo. Com a boca semi-aberta ofereça resistência com o dedo para impedir a abertura. Mantenha durante 8 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.
De seguida segure uma rolha/rolo com os dentes, de forma à boca ficar semi-aberta. Faça pressão para esmagar o rolo. Mantenha durante 8 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Disfunção da articulação sacroilíaca


As articulações sacroilíacas estão localizadas na parte inferior das costas, entre o sacro (vértebras S1-S5) e os ilíacos (ossos que formam a bacia), e compõem a parte posterior da cintura pélvica (bacia).
A articulação normalmente tem as seguintes características:
  • Pequena mas muito forte, reforçada por ligamentos fortes que o rodeiam
  • Não tem muito movimento
  • Transmite todas as forças da parte superior do corpo para a pélvis (bacia) e pernas
  • Funciona como uma estrutura de absorção de choques

Disfunção da articulação sacroiliaca é um termo comummente utilizado para descrever um conjunto de lesões que afectam esta articulação, e que podem dever-se: ao excesso de movimento (hipermobilidade ou instabilidade), esta condição é geralmente mais comum em mulheres jovens e de meia-idade, associada à laxidez ligamentar. 
A outra causa de dor na sacroiliaca tem a ver com falta de movimento (hipomobilidade ou fixação) esta condição é geralmente mais comum em homens de meia-idade e está geralmente associada à falta de flexibilidade combinada com um bloqueio articular, provocado por um movimento brusco e em carga.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Excesso de movimento - hipermobilidade ou instabilidade. A dor geralmente é sentida na região lombar e/ou anca e pode irradiar para região da virilha.
Falta de movimento - hipomobilidade ou fixação. A dor geralmente é sentida num dos lados da região lombar ou nas nádegas, e pode irradiar para a perna. A dor geralmente permanece acima do joelho, mas poderá estender-se até o tornozelo e pé. A dor é semelhante à dor ciática, dor que se irradia para o nervo ciático e é causada por uma radiculopatia.
Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica, exame da anca, lombar e sacroiliaca, exame neurológico e vascular dos membros inferiores são necessários para ajudar ao diagnóstico de uma disfunção da articulação sacroiliaca. A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X à pélvis, no entanto, a ressonância magnética (RM) é o principal meio de diagnóstico, pois permite visualizar a articulação e estruturas adjacentes em detalhe.

Tratamento

            O tratamento em fisioterapia, na fase inicial, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: repouse de todas as actividades que causam dor. Se dormir de lado deve colocar uma almofada entre as pernas.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.
Após a fase inflamatória (2-3 dias) o seu fisioterapeuta poderá recorrer às seguintes técnicas para restaurar o normal funcionamento da articulação:
  • Electroterapia: correntes interferenciais e ultra-som na região dos ligamentos posteriores da articulação, com o objectivo de reduzir o edema e controlar a inflamação.
  • Mobilização e manipulação articular, com o objectivo de realinhar a articulação e de lhe restaurar a normal mobilidade. Também devem ser incluídas mobilizações da coluna lombar.
  • Exercícios para fortalecimento muscular, em particular dos glúteos, piramidal e psoas-iliaco.
  • Assim que os sintomas tiverem desaparecido deve ser iniciada a reintrodução gradual à actividade. 

Nos casos de afecção da articulação sacroiliaca é fundamental seguir criteriosamente as indicações do plano de tratamento, sob a pena de provocar um novo processo inflamatório da articulação, caso esta sofra uma carga para a qual não está preparada.

Exercícios terapêuticos para as disfunções da articulação sacroilíaca

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma disfunção sacroilíaca. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Fortalecimento do transverso do abdómen
Deitado, com o elástico à volta da cintura. Pressionar o fundo das costas contra o chão e tentar diminuir o diâmetro da cintura. Mantenha a contracção durante 8 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 Alongamento da inserção dos isquio-tibiais e glúteo.
Deitado, com o fundo das costas bem apoiado e as mãos no joelho. Tente chegar o joelho o mais próximo do peito possível. Alivie lentamente a pressão.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Fortalecimento dos adutores da coxa
Deitado de lado, com o braço puxe a perna superior para a frente da bacia. Faça pequenos círculos no ar com a outra perna.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



  
Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Poley RE, Borchers JR. Sacroiliac joint dysfunction: evaluation and treatment. Phys Sportsmed. 2008 Dec;36(1):42-9.
Forst SL, Wheeler MT, Fortin JD, Vilensky JA. The sacroiliac joint: anatomy, physiology and clinical significance. Pain Physician. 2006 Jan;9(1):61-7.