A articulação do
tornozelo é composta pela parte inferior da tíbia (maléolo interno) e do
perónio (maléolo externo), e pela superfície articular superior do osso tálus
(ou astrágalo). Esta superfície tem a forma de uma cúpula e é totalmente
revestida com cartilagem flexível e resistente, que permite que o tornozelo se
mova suavemente, dobrando e esticando o pé.
Uma lesão da cúpula
do tálus significa uma lesão da cartilagem e do osso do tálus dentro da
articulação do tornozelo. É também chamada de lesão osteocondral do tálus.
"Osteo" significa osso e "condral" refere-se a cartilagem.
As lesões da cúpula
do tálus são geralmente causadas por uma entorse de tornozelo. Se a cartilagem
não recuperar correctamente após a lesão, esta enfraquece com o desenvolver das
actividades e pode acabar por quebrar. Por vezes um pequeno fragmento da
cartilagem ou de osso danificado poderá ficar “solto” dentro do tornozelo.
Sinais e sintomas/ Diagnóstico
A menos que se
trate de uma lesão extensa, provocada por um traumatismo forte, que afecte
várias estruturas, pode levar meses, ou até mais de um ano, para que os
sintomas se desenvolvam. Os sinais e sintomas de uma lesão cúpula talar podem
incluir:
- Dor crónica
profunda no tornozelo, geralmente piora quando o peso do corpo está sobre o pé
(especialmente durante a prática desportiva) e diminui quando está em descanso
- Uma sensação
ocasional de "clique" ou "prender" no tornozelo ao andar
- Episódios de inchaço
do tornozelo quando em carga, que desaparecem em repouso
Uma lesão cúpula do tálus pode ser de difícil diagnóstico, pois o local preciso da
dor nem sempre é fácil de identificar.
São efectuados raio-X, e muitas vezes, a
ressonância magnética ou outros exames de imagem avançados estão indicados,
de modo a avaliar melhor a extensão da lesão.
Tratamento
Depende da gravidade
da lesão. Se a lesão é estável (sem pedaços
soltos de cartilagem ou osso dentro da
articulação), uma ou mais das seguintes opções de tratamento não-cirúrgico pode ser considerada:
Imobilização. Dependendo do tipo de lesão, a perna pode
ser colocada numa bota ou tala para proteger o tálus. Durante este período de imobilização, exercícios de mobilidade articular, sem aplicar
carga podem ser recomendados
Anti-inflamatórios não-esteróides
(AINEs), tais como o ibuprofeno, podem ser úteis na redução da dor e
inflamação.
Fisioterapia. Exercícios de mobilização e fortalecimento são benéficos, desde que a lesão esteja
devidamente estabilizada. A
fisioterapia também pode incluir técnicas como a electroterapia para reduzir a dor e inchaço.
Se o tratamento conservador não aliviar os
sintomas, a cirurgia pode ser necessária. A cirurgia pode envolver a remoção dos ossos e fragmentos de
cartilagem soltos no interior da articulação e restabelecer à articulação um espaço ideal para a
cicatrização e cura da lesão. Nesse caso a fisioterapia apenas deve começar entre 6-7semanas após a
cirurgia, quando já não há risco de provocar um agravamento da lesão.
Exercícios terapêuticos para lesões
osteocondrais/fracturas do tálus
Os seguintes exercícios são geralmente prescritos
após a confirmação de que a
lesão não envolve fractura,
ou que esta está consolidada.
Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.
Flexão/extensão do pé
Deitado, com o
calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé e dedos para si, depois empurre pé e
dedos para baixo.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Flexão resistida
do pé
Sentado, com o
elástico na ponta do pé. Puxe a ponta do pé para cima, depois deixe o pé voltar
lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Propriocepção do tornozelo
Em pé, apoiado na perna lesada e com esse joelho ligeiramente dobrado.
Tente manter o equilíbrio sem apoiar os braços e olhando em frente. Mantenha
esta posição entre 15 a 30 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Antes de iniciar estes exercícios deve sempre
aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.
van Dijk CN, Reilingh ML, Zengerink M, van Bergen CJ. The natural
history of osteochondral lesions in the ankle. Instr Course Lect. 2010;59:375-86.