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domingo, 6 de abril de 2014

Teste de tilt do Talus

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar lesões nos ligamentos laterais do tornozelo.



Técnica
O paciente está sentado com com as pernas fora da marquesa. O fisioterapeuta estabiliza a perna numa posição neutra e faz inversão do tornozelo, determinando a quantidade de movimento disponível. O teste é considerado positivo quando é observada maior laxidez comparativamente ao lado não afectado.



Docherty, Carrie. "Reliability of the Anterior Drawer and Anterior Tilt Tests using the Ligmaster Joint Arthometer." 2009. 
Neumann, Donald. Kinesiology of the Musculoskeletal System. 2nd Edition.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Lesão osteocondral/fractura do tálus no tornozelo


A articulação do tornozelo é composta pela parte inferior da tíbia (maléolo interno) e do perónio (maléolo externo), e pela superfície articular superior do osso tálus (ou astrágalo). Esta superfície tem a forma de uma cúpula e é totalmente revestida com cartilagem flexível e resistente, que permite que o tornozelo se mova suavemente, dobrando e esticando o pé.
Uma lesão da cúpula do tálus significa uma lesão da cartilagem e do osso do tálus dentro da articulação do tornozelo. É também chamada de lesão osteocondral do tálus. "Osteo" significa osso e "condral" refere-se a cartilagem.
As lesões da cúpula do tálus são geralmente causadas por uma entorse de tornozelo. Se a cartilagem não recuperar correctamente após a lesão, esta enfraquece com o desenvolver das actividades e pode acabar por quebrar. Por vezes um pequeno fragmento da cartilagem ou de osso danificado poderá ficar “solto” dentro do tornozelo.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

A menos que se trate de uma lesão extensa, provocada por um traumatismo forte, que afecte várias estruturas, pode levar meses, ou até mais de um ano, para que os sintomas se desenvolvam. Os sinais e sintomas de uma lesão cúpula talar podem incluir:
  • Dor crónica profunda no tornozelo, geralmente piora quando o peso do corpo está sobre o pé (especialmente durante a prática desportiva) e diminui quando está em descanso
  • Uma sensação ocasional de "clique" ou "prender" no tornozelo ao andar
  • Episódios de inchaço do tornozelo quando em carga, que desaparecem em repouso

Uma lesão cúpula do tálus pode ser de difícil diagnóstico, pois o local preciso da dor nem sempre é fácil de identificar. São efectuados raio-X, e muitas vezes, a ressonância magnética ou outros exames de imagem avançados estão indicados, de modo a avaliar melhor a extensão da lesão.

Tratamento

                Depende da gravidade da lesão. Se a lesão é estável (sem pedaços soltos de cartilagem ou osso dentro da articulação), uma ou mais das seguintes opções de tratamento não-cirúrgico pode ser considerada:
Imobilização. Dependendo do tipo de lesão, a perna pode ser colocada numa bota ou tala para proteger o tálus. Durante este período de imobilização, exercícios de mobilidade articular, sem aplicar carga podem ser recomendados
Anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs), tais como o ibuprofeno, podem ser úteis na redução da dor e inflamação.
Fisioterapia. Exercícios de mobilização e fortalecimento são benéficos, desde que a lesão esteja devidamente estabilizada. A fisioterapia também pode incluir técnicas como a electroterapia para reduzir a dor e inchaço.
Se o tratamento conservador não aliviar os sintomas, a cirurgia pode ser necessária. A cirurgia pode envolver a remoção dos ossos e fragmentos de cartilagem soltos no interior da articulação e restabelecer à articulação um espaço ideal para a cicatrização e cura da lesão. Nesse caso a fisioterapia apenas deve começar entre 6-7semanas após a cirurgia, quando já não há risco de provocar um agravamento da lesão.

Exercícios terapêuticos para lesões osteocondrais/fracturas do tálus

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos após a confirmação de que a lesão não envolve fractura, ou que esta está consolidada. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Flexão/extensão do pé
Deitado, com o calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé e dedos para si, depois empurre pé e dedos para baixo.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 



  Flexão resistida do
Sentado, com o elástico na ponta do pé. Puxe a ponta do pé para cima, depois deixe o pé voltar lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 Propriocepção do tornozelo
Em pé, apoiado na perna lesada e com esse joelho ligeiramente dobrado. Tente manter o equilíbrio sem apoiar os braços e olhando em frente. Mantenha esta posição entre 15 a 30 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.





Antes de iniciar estes exercícios deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

van Dijk CN, Reilingh ML, Zengerink M, van Bergen CJ. The natural history of osteochondral lesions in the ankle. Instr Course Lect. 2010;59:375-86.