A rótula, osso de protecção do joelho e de
alavanca biomecânica do quadricípite, está projectada para deslizar
verticalmente dentro do sulco formado na extremidade distal do fémur, consoante
o joelho dobra e se estende. A luxação da rótula ocorre quando a esta se move
ou é movida para o fora desse sulco. A rótula também pode apenas sofrer uma
subluxação, o que significa que se moveu parcialmente, mantendo-se no entanto
dentro dos limites do sulco femural.
Geralmente estas luxações são resultado de um
impacto forte ou de um movimento de torção do joelho. Na maioria dos casos, a
rótula volta facilmente à posição correcta através da extensão do joelho, no
entanto este movimento será extremamente doloroso.
Alguns dos factores de risco que podem potenciar a
luxação da rótula incluem:
- Pouca força do VMO - O VMO (vasto medial oblíquo) faz parte do músculo quadricípite e tem como uma das suas funções a manutenção da rótula na posição desejada, dentro do sulco femural, durante os movimentos, puxando-a para o centro da articulação do joelho. Se o músculo não for suficientemente forte, ou suas fibras não tiverem a orientação adequada, a rótula é muito mais susceptível à luxação.
- Pronação excessiva do pé ou pé plano
- Ângulo Q - Algumas pessoas têm um ângulo femural (conhecido como ângulo Q) maior que o normal, o que pode provocar uma postura caracteristica, com os joelhos demasiado juntos (joelho valgo). Neste caso quando a pessoa estende a perna, a rótula é puxada automaticamente para fora, aumentando assim o risco de luxação.
Sinais e sintomas/ Diagnóstico
- Inchaço na articulação do joelho
- Dor ao redor da rótula
- Mobilidade reduzida no joelho
- Deslocamento visível da rótula
Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e
exame atento do joelho são geralmente suficientes para diagnosticar a luxação
da rótula. Um raio-X pode ser pedido para confirmar o diagnóstico e descartar a hipótese
uma ruptura do ligamento cruzado anterior, que pode dar alguns sintomas
semelhantes a uma subluxação da rótula.
Tratamento
O tratamento em fisioterapia,
imediatamente após a lesão e enquanto o diagnóstico não está confirmado,
consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Pare
imediatamente a actividade que estava a realizar. Se tiver de caminhar utilize
canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma
compressa de gelo na área lesada,
colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Elevação: O pé deve ser elevado um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
Deve procurar
acompanhamento médico o mais rapidamente possível, quanto mais cedo a luxação
for reduzida melhor será o prognóstico de recuperação. De seguida o médico
poderá ligar o joelho, prescrever medicação para reduzir a dor e controlar a
inflamação, normalmente anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs), e indicar
acompanhamento em fisioterapia.
Nas primeiras duas semanas após a lesão, o plano de
fisioterapia deverá incluir:
- Aplicação de uma tala para manter a perna em extensão
- Gelo e joelheira de compressão para controlar o inchaço
- Correntes interferênciais e ultra-som
- Uma ligadura com tape para reposicionamento da rótula após a remoção da tala.
- Exercícios de fortalecimento estático do quadricípite e alongamento dos isquiotibiais
Na terceira e quarta semana:
- Começar com fortalecimento activo e em carga, no final da quarta semana já deve ser capaz de suportar o peso do corpo sobre a perna
Da quinta à oitava semana
- Começar por caminhadas curtas, piscina e bicicleta
- Manter os exercícios de fortalecimento e acrescentar treino de equilíbrio e treino proprioceptivo
- Introduzir progressivamente a actividade desportiva no plano de reabilitação.
Exercícios terapêuticos para luxações da rótula
Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma
luxação da rótula. Deverão
ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição
de não causarem ou aumentarem os sintomas.
Fortalecimento isométrico do quadicipete
Sentado, com
a perna estendida e um rolo sob o joelho. Esprema e o rolo e solte suavemente,
enquanto sente a contracção imediatamente acima do joelho.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Fortalecimento dos quadricípites
Em pé, com a região lombar apoiada na bola e os pés
ligeiramente afastados. Dobre os joelhos, mantendo as costas alinhadas. Suba
lentamente para a posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Alongamento
do quadricípite
Em pé, apoiado. Agarre no pé da perna a alongar
e aproxime-o o mais possível da bacia. Mantenha as costas alinhadas. Mantenha
essa posição por 20 segundos.
Repita entre 5 e 10 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Antes de iniciar estes exercícios você deve
sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.
Smith TO, Davies L, Chester R, Clark A, Donell ST. Clinical outcomes of
rehabilitation for patients following lateral patellar dislocation: a
systematic review. Physiotherapy.
2010 Dec;96(4):269-81.
