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domingo, 22 de novembro de 2015

Mobilização neurodinâmica em pacientes com fibromialgia

Um estudo publicado recentemente na Archives of Physical Medicine and Rehabilitation procurou examinar os efeitos de um programa de mobilização neurodinâmica activa na dor, neurodinâmica, auto-percepção do estado de saúde e fadiga em pacientes com fibromialgia

Foram incluídos 48 pacientes neste estudo, alocados aleatoriamente para um programa de mobilização neurodinâmica activa ou para um grupo de controlo, as intervenções foram realizadas duas vezes por semana e incluem os exercícios descritos na imagem.

A dor foi avaliada com o "Brief pain inventory"; a neurodinâmica foi avaliada por meio de testes neurodinâmicos para membros superiores e inferiores. O estado funcional foi avaliado com o Índice de Incapacidade Health Assessment Questionnaire Disability Index e a fadiga auto-percebida foi avaliada com a Fadigue Severety Scale.

Entre os dois grupos-se verificaram-se diferenças significativas nos valores de dor, neurodinâmica dos membros superiores e inferiores, no estado funcional, e fadiga. Pelo que se concluiu que um programa de mobilização neurodinâmica activa é eficaz na melhoria da dor, neurodinâmica, estado funcional e fadiga em pacientes com fibromialgia.


Torres JR, Martos IC, Sánchez IT, Rubio AO, Pelegrina AD, Valenza MC.. Results of an Active Neurodynamic Mobilization Program in Patients With Fibromyalgia Syndrome: A Randomized Controlled Trial.. Arch Phys Med Rehabil 2015; 96(10)

sexta-feira, 8 de março de 2013

Lúpus eritematoso sistémico

O lúpus eritematoso é uma doença autoimune que se pode manifestar de várias formas diferentes, incluindo: lúpus eritematoso discóide (LED), lúpus eritematoso sistémico (LES), lúpus induzido por drogas e síndrome antifosfolipido. Nesta condição, clínica o corpo do paciente cria anticorpos contra suas próprias células. Estes anticorpos podem ser formados contra muitos tecidos e componentes diferentes do corpo, pelo que o lúpus eritematoso pode afectar quase qualquer área do corpo.
O lúpus eritematoso sistémico (LES) é uma doença crónica, reumática e inflamatória que pode afetar a pele, articulações, rins, pulmões, coração, sistema nervoso, sangue e mucosas, variando a sua apresentação de caso para caso.
Não há uma causa conhecida para o LES, mas a investigação afirma que a interação entre composição genética do sistema imunológico, equilíbrio hormonal, e meio ambiente poderia causar LES. Neste momento pensa-se que a autoimunidade possa ser factor mais preponderante para o aparecimento do LES.
 
 

Sinais e Sintomas/Diagnóstico

 
O LES pode afetar muitos órgãos do corpo, mas raramente afeta todos no mesmo paciente. A lista a seguir inclui sinais e sintomas comuns do LES ordenados do mais para o menos prevalente.
  • Os sintomas constitucionais (febre, mal-estar, fadiga, perda de peso): mais comummente fadiga e febre de baixo grau
  • Dores nas articulações (artralgia)
  • Artrite (articulações inflamadas)
  • Erupções cutâneas
  • Envolvimento pulmonar (sintomas incluem: dor no peito, dificuldade em respirar e tosse)
  • Anemia
  • Envolvimento dos rins (nefrite lúpica)
  • Sensibilidade ao sol ou luz (fotossensibilidade)
  • Perda de cabelo
  • Fenómeno de Raynaud
  • Envolvimento do SNC (convulsões, dores de cabeça, neuropatia periférica, neuropatia craniana, acidentes vasculares cerebrais, síndrome orgânica cerebral, psicose)
  • Úlceras na boca, nariz ou vaginal 
 
De acordo com a American Rheumatism Association, um doente deve apresentar, pelo menos, quatro dos seguintes critérios em simultâneo ou sucessivamente para serem diagnosticados com lúpus eritematoso sistémico.
  • Resultado anormal do teste de anticorpos antinucleares (ANA)
  • Eritema malar (mancha em forma de Borboleta presente na região malar de 95% dos pacientes com LES)
  • Eritema discóide
  • Anemia hemolítica, leucopenia, linfopenia, trombocitopenia
  • Desordens neurológicas: convulsões ou psicose
  • Artrite não-erosiva de duas ou mais articulações periféricas caracterizada por sensibilidade e inchaço
  • Ulcerações orais ou nasofaríngeas
  • Fotossensibilidade
  • Pleurite ou pericardite
  • Doenças renais: proteinúria profusa (> 0,5 gramas/dia) 
 

Tratamento

 
O tratamento médico para o LES assenta sobretudo na terapia medicamentosa e é baseado nos sintomas dos pacientes e no envolvimento sistémico. Os sintomas gerais na maioria das vezes respondem ao tratamento das outras manifestações clínicas. A febre isolada pode ser tratada com aspirina ou antiinflamatórios não-hormonais. Corticóides e imunossupressores (especialmente a ciclofosfamida) são indicados nos casos mais graves.
 
É recomendado o uso de antimaláricos como a cloroquina no caso de lesões cutâneas disseminadas. Caso não melhore pode associar-se prednisona em dose baixa a moderada por curto período de tempo.
Para além da terapia medicamentosa, a prevenção também é muito importante quando se lida com LES. Para pacientes com fotossensibilidade, os sintomas podem ser reduzidos se os pacientes forem cautelosos na quantidade de luz solar a que se expõem. Os pacientes com LES também são incentivados a levar um estilo de vida saudável, que inclui: Cessação do tabagismo, controlar o consumo de álcool, controlo do peso e exercício regular. O exercício é benéfico para pacientes com LES, porque diminui a sua fraqueza muscular, aumentando a resistência muscular. 
 
Tratamento em Fisioterapia
O Fisioterapeuta pode desempenhar um papel importante para os pacientes com LES durante e entre os períodos mais agudos da doença. A necessidade do paciente para a terapia física irá variar muito, dependendo dos sistemas implicados.
  • Educação: É essencial para os pacientes com lesões de pele terem uma educação apropriada sobre a melhor maneira de cuidar da sua pele e garantir que não experimentam lesões adicionais da pele.
  • Exercício aeróbio: Um dos sintomas mais comuns que os pacientes com LES experienciam é a fadiga generalizada que pode limitar suas atividades ao longo do dia. Num estudo de Tench e col, foi determinado que programas de exercícios aeróbios são mais bem sucedidos do que técnicas de relaxamento na diminuição dos níveis de fadiga dos pacientes com LES. O programa de exercício aeróbio consistiu em 30-50 minutos de atividade aeróbia (caminhada / natação / ciclismo), com uma frequência cardíaca correspondente a 60% do VO2máx. Um outro estudo concluiu que tanto o exercício aeróbio como exercícios de amplitude de movimento/fortalecimento muscular podem aumentar o nível de energia, a aptidão cardiovascular, a capacidade funcional e a força muscular em pacientes com LES.
  • Conservação de Energia: O Fisioterapeuta pode educar os pacientes sobre as técnicas adequadas de conservação de energia e as melhores formas de proteger as articulações que são suscetíveis a danos.
  • Para além disso, fisioterapeutas e pacientes com LES devem estar alerta para sinais e sintomas que sugerem uma progressão do LES, incluindo aqueles associados com necrose avascular, envolvimento renal e neurológico.


 Exercícios terapêuticos para um paciente com Lúpus Eritematoso Sistémico

 
Os seguintes exercícios poderão ser prescritos na reabilitação de um paciente com Lúpus Eritematoso Sistémico, dependendo da extensão lesão, áreas afectadas e estado evolutivo do paciente. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Alongamento lombar posterior
Deitado, com os joelhos dobrados. Agarre os joelhos com ambas as mãos e puxe-os suavemente em direcção ao peito. Mantenha a posição durante 20 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.





Mobilização do plexo braquial
Em pé, com a mão apoiada na parede atrás de si. Estique o cotovelo e incline e rode a cabeça para o lado contrário ao que está a mobilizar.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Fortalecimento global
Em pé, com uma perna à frente e segurando um bastão. Dobre o joelho à frente enquanto expira e leva o bastão para cima. Deite o ar fora lentamente enquanto baixa o bastão e estica o joelho da frente. Mantenha sempre as costas alinhadas.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.

 
Antes de iniciar estes exercícios você devesempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.
     

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Doença de Paget do Osso


Doença de Paget, também conhecida como osteíte deformante, é uma doença metabólica óssea localizada de remodelação óssea que começa tipicamente com uma reabsorção óssea excessiva, seguida por um aumento da formação óssea. Esta hiperatividade osteoclástica seguida pela atividade osteoblástica compensatória leva a um mosaico de osso estruturalmente desorganizado, que é mecanicamente mais fraco, maior, menos compacto, mais vascular, e mais suscetível à fratura do osso.

Depois da osteoporose, a doença de Paget é a disfunção esquelética mais comum, afetando aproximadamente 2% a 5% da população após os 40 anos, e cerca de 10% da população com idade superior a 70 anos.

A causa exata da doença de Paget é desconhecida, embora se acredite ser um processo lento de infeção viral de osso devido a fatores de risco genéticos e ambientais.

A prevalência e as causas da doença de Paget têm sido associadas a fatores genéticos e geográficos. Em até 40% dos pacientes com a doença de Paget existe alguém na família com a doença.
Geograficamente, as populações de países europeus, de origem britânica, e da Austrália desempenham um papel importante.

Sinais e Sintomas/Diagnóstico


Cerca de 70% das pessoas com doença de Paget são assintomática e normalmente a doença é detetada através de radiografias e exames laboratoriais, pedidos por outras situações. No entanto, quando sintomáticos, estes pacientes apresentam um variado leque de sintomas, devido aos diferentes níveis de gravidade desta condição:
  • Dor óssea constante e profunda. Os ossos mais comumente afetados pela doença de Paget incluem: coluna vertebral, região pélvica, fêmur, tíbia, crânio, ombros e as costelas.
  • Dor nas articulações, incluindo inchaço e rigidez.
  • Dor que piora à noite e diminui com a atividade física.
  • Dor muscular pode apresentar-se como dor referida de estruturas ósseas envolvidas ou como uma complicação devido às alterações mecânicas nas articulações e ossos.
  • Dor neurológica devido à compressão de uma raiz nervosa ou medula espinal, podendo causar sintomas como uma dor forte, dormência, sensação de formigueiro, fraqueza, perda de audição, e visão dupla.
  • Deformidades ósseas.
  • Calor sobre o osso ou articulação afetados.
  • Fraqueza ou dormência facial.
  • Perda de controlo da bexiga ou intestino o que pode indicar danos na medula espinal.

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica, exame físico, neurológico e vascular são necessários para ajudar ao diagnóstico de uma doença de Paget. A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X. A cintilografia óssea é mais sensível que as imagens radiográficas, pois destaca as áreas afetadas pela doença, mas a cintilografia só é positiva se a doença está em fase ativa. A biópsia óssea também pode ser realizada (especialmente se o raio-X e tomografia computadorizada forem negativos) para fazer um diagnóstico diferencial que excluiria hiperparatireoidismo, metástase óssea, mieloma múltiplo, e displasia fibrosa. Para além disso podem realizar-se exames bioquímicos: Em 85% dos pacientes com a doença de Paget os níveis da Fosfatase Alcalina (ALP) estão aumentados.

Tratamento


O tratamento médico da doença de Paget depende dos sintomas do paciente. Por exemplo, muitos pacientes têm sentido bons resultados combinando analgésicos e fisioterapia, estimulação elétrica do nervo, hidroterapia e acupuntura.

Primeira linha de tratamento
Devido à anormal atividade dos osteoclastos, a inibição da reabsorção do osso através de bisfosfonatos é o tratamento padrão para diminuir a atividade osteoclástica, melhorando a densidade óssea e a resistência do próprio osso. Os bisfosfonatos muitas vezes proporcionam remissões duradouras. Os doentes devem tomar 1000-1500 mg de cálcio e pelo menos 400 U de vitamina D por dia ao fazer tratamentos com bisfosfonatos.

Segunda linha de tratamento
Dependendo da gravidade das alterações e do grau de dor, anti-inflamatórios não-esteroides e outros anti-inflamatórios são usados para controlar a dor. Alguns pacientes beneficiam de uma combinação de medicamentos, tais como um analgésico e antidepressivos. Modalidades como a estimulação elétrica transcutânea do nervo (TENS), a hidroterapia, a acupuntura e a fisioterapia também podem proporcionar alívio da dor.

Fisioterapia
A dor causada por aumento de deformidades esqueléticas leva à perda da força muscular, diminuição da amplitude de movimento e resistência cardiovascular, resultando em limitações funcionais. A fisioterapia e exercícios terapêuticos podem ajudar na manutenção da força muscular, flexibilidade e amplitude de movimento articular e no aumento da resistência.
Um fisioterapeuta também pode fornecer órteses e outros dispositivos de assistência para auxiliar na gestão das deformidades das extremidades dos membros. Dispositivos de assistência para a locomoção, como uma bengala ou andarilho, podem ajudar a reduzir a dor após as cirurgias.

Modalidades terapêuticas como o calor superficial, a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) e a massagem podem ser úteis para reduzir a dor muscular, a sensibilidade e a rigidez.

A intervenção cirúrgica pode ser indicada se o paciente não responder a intervenções farmacológicas ou de fisioterapia. A substituição da articulação é indicada se se verificar alteração degenerativa grave. Se houver uma síndrome de compressão do nervo e o paciente não responder ao tratamento conservador, a cirurgia também pode ser necessária.


Exercícios terapêuticos para a doença de Paget

Os seguintes exercícios podem ser prescritos durante o tratamento de doentes com doença de Paget, dependendo da gravidade da lesão e do estado evolutivo do paciente. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Fortalecimento dos abdominais

Deitado, com o fundo das costas bem apoiado e as mãos ao longo do corpo. Levante o tronco apenas até meio da coluna, mantendo o olhar para o alto. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




 Fortalecimento dos extensores da anca

Deitado, com os braços ao longo do corpo, eleve a bacia até coxas e costas ficarem alinhadas no mesmo plano. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Flexão/extensão da coluna vertebral

 De joelhos, apoiado nas palmas das mãos, que estão alinhadas com os ombros. Inspire fundo, enquanto deixa a coluna arquear em direcção ao chão e roda a cabeça para a frente. Expire completamente, enquanto contrai os abdominais e enrola a coluna e pescoço.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Alterações degenerativas da coluna lombar

       
A coluna vertebral é composta por vários ossos conhecidos como vértebras, cada uma das quais com um grande buraco no centro. Como esses ossos estão dispostos uns sobre os outros, o alinhamento dos seus buracos forma o chamado canal medular, onde se aloja a medula espinhal. Este canal oferece protecção e espaço à medula espinhal e nervos, de forma à informação nervosa circular correctamente entre o cérebro e o resto do corpo.

Cada vértebra conecta-se com a vértebra acima e abaixo através de dois tipos de articulações: as articulações de cada lado da coluna vertebral (articulações inter-apófisárias) e o disco intervertebral central. Existem ainda pequenos buracos de cada lado da coluna vertebral, conhecidos como buracos de conjugação (ou intervertebrais). Estes estão localizados entre duas vértebras adjacentes e permitem que os nervos saiam do canal espinhal.
Com o tempo, pode ocorrer o desgaste ósseo, dos discos intervertebrais e das articulações, resultando em alterações degenerativas da coluna vertebral. Essas mudanças degenerativas podem incluir diminuição da altura do disco, a perda da cartilagem articular, estimulando espessamento do osso e a formação de esporões ósseos (osteófitos). À medida que estas alterações degenerativas se vão agravando o canal medular e os buracos de conjugação poderão estreitar-se e eventualmente colocar pressão sobre a medula espinhal e nervos, resultando numa variedade de sintomas característicos de compressão nervosa.
Estas alterações são comummente associadas ao processo normal do envelhecimento, no entanto, também podem ser causadas por infecções, tumores, tensões musculares, ou artrose.


Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Alterações degenerativas ligeiras poderão causar poucos ou nenhum sintoma. Conforme estas alterações se tornam mais graves, os pacientes podem sentir:
  • Dor lombar
  • Rigidez articular, principalmente de manhã ao acordar e depois de muito tempo sentado.
  • Se a degeneração das estruturas vertebrais for tão grave que cause compressão da medula espinhal ou dos nervos poderá sentir:
  • Dor, que agrava em actividades como andar ou estar parado de pé durante bastante tempo
  • Formigueiro, ardor ou dormência
  • Fraqueza muscular ou sensação repentina de perda de força
  • Todos estes sintomas podem ser sentidos tanto na lombar como ao longo dos membros inferiores.
  • Nos casos mais graves também pode ocorrer alteração da função da bexiga e dos intestinos e do desempenho sexual

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento da coluna lombar, da anca e da coxa, é necessária para ajudar ao diagnóstico de alteração degenerativa da coluna lombar. A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X à coluna lombar, no entanto, a ressonância magnética (RM) é o principal meio de diagnóstico, pois permite visualizar o disco intervertebral em detalhe, assim como o espaço dos buracos de conjugação e do canal medular. A tomografia computadorizada (TC) também pode ser utilizada.
No entanto, o diagnóstico de problemas na coluna vertebral, mesmo com a RM, pode ser complicado, devido a falsos positivos e a casos em que os resultados dos exames não se correlacionam bem com os sintomas do paciente.


Tratamento

O tratamento depende da gravidade e do tipo das alterações degenerativas. Felizmente, na maioria dos casos, as alterações degenerativas da coluna lombar não são suficientemente graves para exigir tratamentos invasivos, e nesses casos o objectivo primário do tratamento será manter-se tão activo quanto possível, sem agravar os sintomas, a fim de manter a força e a mobilidade da coluna, evitando o agravamento da sua disfunção. Poderá fazer:
  • Repouso das actividades que agravam os sintomas
  • O seu médico poderá prescrever analgésicos orais
  • Fisioterapia para fortalecer os músculos lombares e abdominais e para melhorar a flexibilidade e amplitude de movimento.
  • Modificar actividades e posturas de forma a manter-se activo, sem agravar os sintomas.

Além disso, procedimentos minimamente invasivos, como a administração epidural de cortico-esteróides ou analgésicos, provocam alívio temporário da dor, tornando o trabalho da fisioterapia mais produtivo em pacientes com dor severa. Este tipo de procedimentos irá proporcionar alívio dos sintomas à grande maioria dos pacientes, no entanto a probabilidade de estes voltarem 1-2anos após o tratamento é significativa.
A cirurgia pode vir a ser necessária em alterações graves. A cirurgia é indicada em pacientes com dor crónica severa, alterações neurológicas graves, e afecção do funcionamento da bexiga e intestinos. Além disso, a cirurgia pode ser considerada em pacientes que não responderam ao tratamento menos invasivo e em pacientes que apresentam uma anomalia que pode ser corrigida de forma efectiva pela cirurgia.
Os procedimentos cirúrgicos variam dependendo do tipo e da gravidade da alteração. Em alguns pacientes, uma hérnia discal pode ser corrigida cirurgicamente para restaurar a sua estrutura anatómica normal. Em outros pacientes, com estenose do canal vertebral ou em que o disco está a causar pressão sobre o nervo, devem ser removidos o disco ou o osso que estão a causar essas lesões. A lacuna deixada pela remoção desses tecidos é então compensada por um processo chamado de fusão espinal, em que dispositivos metálicos são utilizados para estabilizar a coluna e, em seguida excertos ósseos retirados de outra parte do corpo ou de um banco de ossos são implantados para incentivar o crescimento ósseo nessa área. Os resultados da cirurgia são geralmente muito bons e a maioria dos pacientes retorna à função normal em questão de semanas.

Exercícios terapêuticos para alterações degenerativas lombares

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de alterações degenerativas lombares. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas

Posição de congruência das facetas articulares
Deitado, apoie-se nos cotovelos. Mantenha a posição durante 30 a 90 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 2 a 4 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Flexão/extensão da coluna vertebral
De joelhos, apoiado nas palmas das mãos, que estão alinhadas com os ombros. Inspire fundo, enquanto deixa a coluna arquear em direcção ao chão e roda a cabeça para a frente. Expire completamente, enquanto contrai os abdominais e enrola a coluna e pescoço.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 

Rotação da coluna lombar
Deitado, com os joelhos dobrados e os braços ao longo do corpo. Rode ambas as pernas para um lado, depois para o outro.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.



Roh JS, Teng AL, Yoo JU, Davis J, Furey C, Bohlman HH. Degenerative disorders of the lumbar and cervical spine. Orthop Clin North Am. 2005 Jul;36(3):255-62.
Jegede KA, Ndu A, Grauer JN. Contemporary management of symptomatic lumbar disc herniations. Orthop Clin North Am. 2010 Apr;41(2):217-24. 

sábado, 6 de outubro de 2012

Gota


A Gota é uma doença que resulta da acumulação de ácido úrico nos tecidos, provocando ataques de inflamação dolorosa de uma articulação, frequentemente o dedo grande do pé.
Os ataques de gota são causados por depósitos de ácido úrico cristalizado na articulação.
Normalmente o ácido úrico está presente no sangue e é eliminado na urina, mas em pessoas que têm gota, o ácido úrico acumula-se e cristaliza-se nas articulações. Algumas pessoas desenvolvem a gota porque os seus rins têm dificuldade de eliminar quantidades normais de ácido úrico, enquanto outros simplesmente produzem ácido úrico em excesso.
A gota ocorre mais comummente no dedo grande do pé, porque o ácido úrico é sensível a mudanças de temperatura. A temperaturas mais baixas, o ácido úrico transforma-se em cristais. Como o dedo do pé é a parte do corpo que está mais distante do coração, é também a parte do corpo mais fria e, portanto, o alvo mais provável de gota. No entanto, a gota pode afectar qualquer articulação do corpo.
A tendência a acumular cristais de ácido úrico é muitas vezes herdada. Outros factores que colocar uma pessoa em risco de desenvolver gota incluem:
  • Pressão arterial elevada
  • Diabetes
  • Obesidade
  • Quimioterapia
  • Stress
  • Abuso de substâncias, como o álcool, entre outras
  • Alimentação rica em carnes vermelhas, marisco, vinho tinto e cerveja
  • A capacidade do corpo para eliminar o ácido úrico também pode ser negativamente afectada por estar a tomar aspirina, alguns medicamentos diuréticos, e a vitamina B3 (também chamada de ácido nicotínico).

Embora a Gota seja mais comum em homens entre os 40-60 anos, esta pode ocorrer em homens mais jovens, bem como em mulheres.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Um ataque de gota pode ser extremamente doloroso, sendo marcado pelos seguintes sintomas:
Dor intensa que surge de repente - muitas vezes a meio da noite ou ao levantar
Sinais de inflamação, como vermelhidão, inchaço e calor sobre a articulação, geralmente a do dedo grande do pé
Para diagnosticar a gota, é necessário recolher uma história clínica pessoal e familiar, seguida de um exame da articulação afectada. Exames laboratoriais e raio-X são por vezes pedidos para determinar se a inflamação é causada por algum outro tipo de artrite que não seja a gota.
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Tratamento

                No imediato deve:
  • Elevar o membro afectado (geralmente uma perna) para ajudar a reduzir o inchaço.
  • Aplicar gelo por períodos nunca superiores a 20 minutos, e utilizando uma toalha entre o gelo e a pele, de forma a evitar queimaduras. Certifique-se que a temperatura da parte afectada voltou ao normal antes de aplicar gelo novamente.
  • Analgésicos e/ou anti-inflamatórios fácil e rapidamente resolvem a maioria dos ataques de gota (dentro de 12-24 horas). Existem vários tipos e marcas, como o diclofenaco, indometacina, e naproxeno. O seu médico deverá prescrever um adequado à sua condição de saúde.

Medidas que pode adoptar para prevenir novos ataques de gota:
  • Se tem peso a mais, deve tentar perder algum peso. Isso pode ajudar a diminuir o nível de ácido úrico.
  • Comer de forma sensata. A nível de ácido úrico elevado pode ser reduzido, evitando uma alta ingestão de proteínas e alimentos ricos em purinas, como fígado, rins e frutos do mar. Além disso, evite comer alimentos ricos em extractos de levedura.
  • É importante diminuir substancialmente o consumo de álcool e de refrigerantes açucarados.
  • Beber bastante água (até dois litros por dia, a menos que exista indicação médica em contrário).
  • Manter a pressão arterial controlada. Pressão arterial alta é mais comum em pessoas com gota.
  • Um estudo publicado em 2009 mostrou que a vitamina C pode reduzir o risco de gota. No estudo, 46.994 homens foram acompanhados durante vários anos. Aqueles cujo consumo foi de 1.5 mg por dia tinham um risco 45% menor de gota.

O alopurinol é um medicamento comummente utilizado para prevenir ataques de gota. Este não tem qualquer efeito durante um ataque de gota, e não é um analgésico. Funciona através da redução do nível de ácido úrico no sangue e demora 2-3 meses para se tornar plenamente eficaz.
O alopurinol pode ser aconselhado pelo seu médico se você:
  • Tiver tido dois ou mais ataques de gota em um ano.
  • Tiver alguma lesão articular ou nos rins devido a gota.
  • Tiver uma ou mais pedras nos rins devido à deposição de cristais de ácido úrico.
  • Tomar medicação a longo prazo que tenha contribuído para um ataque de gota

Muitas vezes acontece um ataque de gota nos primeiros tempos que estiver a tomar alopurinol. Isto é porque ele pode fazer com que o nível de ácido úrico suba um pouco antes de cair. Por este motivo, não é normalmente iniciado durante um ataque de gota. É melhor iniciá-lo cerca de 3-4 semanas após os sintomas estarem resolvidos.

Exercícios terapêuticos para a Gota

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante o tratamento da Gota, numa fase em que não se verifique processo inflamatório. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Caminhar
Mantenha uma rotina de caminhar pelo menos 20 a 30 minutos por dia. Tenha sempre atenção à sua postura e evite alterações no ritmo da marcha a não ser que sinta sintomas de cansaço. Evite terrenos irregulares.

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