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sábado, 26 de novembro de 2016

Estudo anatómico do Ligamento Cruzado Anterior

A reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) é um dos procedimentos ortopédicos mais comuns nos dias de hoje, e tem como principais objectivos restabelecer a função do joelho e prevenir futuras lesões meniscais e cartilagíneas.

Joelho de feto com 16 semanas. LFC: côndilo femoral lateral;
LM: menisco lateral; PL: feixe postero-lateral do LCA;
AM: feixe antero-medial do LCA;
MFC: côndilo femoral medial; MM: menisco medial
O LCA é uma estrutura intra-articular, extra-sinovial, envolvida por 2 camadas sinoviais. Este ligamento é composto por numerosos fascículos de tecido conjuntivo denso predominantemente composto por colagénio tipo I.

Embora actualmente seja amplamente aceite que o LCA é composto por 2 feixes, há uma quantidade considerável de variação quanto ao tamanho relativo dos feixes antero-medial (AM) e postero-lateral (PL), dependendo do tipo de estudo.

O LCA tem origem na superfície medial do côndilo femoral lateral e segue um curso oblíquo dentro da articulação do joelho, indo de uma posição lateral e posterior para uma posição medial e anterior antes de se inserir numa ampla área central do prato tibial.

O comprimento intra-articular médio total do ligamento é de aproximadamente 32 mm (intervalo 22-41 mm), um comprimento que pode variar dependendo da posição do joelho.

O comprimento de LCA é o mais curto em 900 de flexão e pode aumentar em 18,8% durante a extensão sem carga.
A aplicação de uma carga anterior ou rotacional combinada pode aumentar o comprimento do LCA durante a extensão em quase 5%.

A área transversal do ligamento varia ao longo do seu comprimento, com uma secção na zona média a poder ter aproximadamente 44 mm2, enquanto nos locais de origem e de inserção do ligamento pode atingir 3 vezes essa área.
Notavelmente, este fenómeno anatómico faz com que o istmo seja menor que a metade da área dos locais de inserção, fato que deve ser reconhecido durante a reconstrução porque a área de secção transversal ligamentar pode diretamente desempenhar um papel na absorção de forças cinemáticas na articulação do joelho.

O LCA compreende os feixes AM e PL, assim designados com base nos locais de inserção relativos na tíbia. Ambos os feixes podem ser observados artroscopicamente, particularmente com o joelho mantido entre 900 e 1200 De flexão. 
Estudos anatómicos têm caracterizado as propriedades individuais dos feixes AM e PL. Em particular, o feixe AM tem aproximadamente 38 mm de comprimento, enquanto o feixe PL tem aproximadamente 17,8 mm de comprimento. Apesar destas diferenças, os feixes AM e PL têm diâmetros transversais semelhantes.

Os feixes AM e PL mudam de alinhamento uns com os outros à medida que o joelho se move da extensão para a flexão:
  • Os locais de inserção femoral estão orientados verticalmente quando o joelho está totalmente estendido e, consequentemente, os 2 feixes LCA estão orientados em paralelo.
  • Quando o joelho se move para 900 de flexão, o local de inserção do feixe AM no fémur roda posterior e inferiormente, em contraste com a inserção do feixe PL, que roda anterior e superiormente.



Estas alterações fazem com que os 2 feixes se cruzem um em torno do outro. Quando o joelho é flexionado, a inserção femoral do feixe PL é anterior ao feixe AM. Este padrão de cruzamento e os diferentes comprimentos de cada feixe têm implicações para o padrão de tensão do ligamento em si e de cada feixe individual.

Finalmente, para avaliar a anatomia do LCA, a ressonância magnética (RM) é a técnica de imagem mais confiável. As RMs podem visualizar os 2 feixes no plano sagital e em orientação paralela com o joelho estendido, além de mostrar o feixe de PL no plano coronal.


Irarrázaval SAlbers MChao TFu FHGross, Arthroscopic, and Radiographic Anatomies of the Anterior Cruciate Ligament: Foundations for Anterior Cruciate Ligament Surgery. Clin Sports Med. 2017 Jan;36(1):9-23.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Variações na Inervação da Cabeça Longa do Tríceps braquial: investigação em cadáver

Embora os principais livros de anatomia não descrevam outra inervação para a cabeça longa do tríceps que não seja o nervo radial, em alguns estudos de cadáveres ocorreram casos em que o ramo motor da cabeça longa do tríceps surgia do nervo axilar.

Para além disso os cenários clínicos de lesão do nervo axilar com disfunção inesperada do tríceps braquial suportam esses estudos.

O nervo radial tem origem no cordão posterior do plexo braquial, na bifurcação com o nervo axilar. Este nervo transporta as fibras nervosas das raízes de C5 a T1, enquanto o nervo axilar transporta fibras de raízes nervosas predominantemente de C5 e C6.

O nervo axilar é conhecido por ser o suprimento motor apenas para os músculos redondo menor e deltóide.
O redondo menor, com origem na escápula e inserido no úmero, forma a borda superior do espaço quadrangular - um marco anatómico e espaço implicado em algumas síndromes de disfunção do ombro.

A borda do úmero forma a borda lateral do espaço quadrangular, o músculo redondo maior forma a borda inferior e a cabeça longa do tríceps forma a borda medial. O espaço quadrangular é utilizado como marco para identificar a artéria umeral circunflexa posterior e o nervo axilar após a saída da axila.

Depois de atravessar o espaço quadrangular, o nervo axilar pode dividir-se em ramos anterior e posterior, se ainda não o tiver feito. O curso exato do nervo axilar após sair do espaço quadrilateral provou ser bastante variável.


Neste estudo, 8 dos 22 ombros dissecados tinham inervação exclusiva pelo nervo radial para a cabeça longa do tríceps, padrão de inervação clássico. Entretanto, 14 dos 22 espécimes apresentaram padrões nervosos diferentes do padrão clássico. Dos padrões “não-clássicos”, 11 revelaram inervação dupla (axilar e radial) e três tinham apenas enervação axilar.


Ao analisar os dois ombros de 10 cadáveres, verificaram que 3 tinham inervação dupla bilateralmente, 5 tinham inervação dupla de um lado e inervação radial do outro, e 1 tinha enervação radial em um lado e axilar no lado oposto, e apenas 1 cadáver tinha inervação radial bilateral.


Erhardt AJFutterman BVariations in the Innervation of the Long Head of the Triceps Brachii: A Cadaveric Investigation. Clin Orthop Relat Res. 2016 Nov 9. 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Conhecer os músculos do pavimento pélvico

Sempre que se fala de incontinência urinária ouvimos também falar dos músculos do pavimento pélvico, no entanto, poucos são os que se debruçam sobre o tema a fundo, conhecendo realmente os músculos que constituem o referido pavimento pélvico. 
Por isso seguem dois vídeos, com a excelente qualidade The Anatomy Zone,  com a descrição anatómica desta região.
Esta é a primeira parte do tutorial sobre o pavimento pélvico e discute os músculos que compõem o "diafragma" pélvico.

Esta é a segunda parte do tutorial e discute a membrana perineal e as estruturas da superfície inferior do períneo.



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Anatomia para todos! Plataformas de Universidades e Centros de Pesquisa com livre acesso.


Este é um post especialmente dedicado a colegas profissionais de saúde.

Abaixo segue uma lista de sites de Universidades e Centros de Pesquisa, sobretudo dos EUA, que permitem livre acesso a conteúdos de anatomia. Para além das imagens convencionais, muitos dos sites têm quiz, imagens e vídeos de dissecação, imagens 3D e imagens de patologias.
Este é um conjunto de sites que vale realmente a pena visitar.


  • The Anatomy Lesson — A good overview of gross anatomy, with excellent descriptive text and images.
  • Yale Anatomy Clinic — Excellent, comprehensive site that covers Yale Med School Anatomy Curriculum (designed to be integrated and clinically focused).


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Explicando os mecanismos envolvidos na sensação de dor


Toda a dor é real, e para muitas pessoas esta constitui uma parte debilitante do seu dia-a-dia.

Sabe-se agora que compreender os mecanismos por trás da dor, pode realmente ajudar a pessoa a entender a sua dor e a seguir em frente com a sua vida diária. Recentes avanços em áreas como a neurofisiologia, neurorradiologia, imunologia, psicologia e biologia celular forneceram uma plataforma explicativa para explorar a dor.

Apesar de estar em inglês, este vídeo explica de forma simples e concisa o mecanismo de como se processa a dor e o que podemos fazer para inverter este processo. Vale bem os 5 minutos!



Para os mais interessados existe o livro Explain Pain, que, em linguagem simples acompanhada por ilustrações características, discute como são produzidas as respostas à dor no cérebro, como as respostas do sistema nervoso autônomo e imunológico a lesões no seu corpo contribuem para a dor, e porque é que a dor pode persistir após os tecidos terem tido tempo de sobra para recuperar.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Anatomy trains - a influência do sistema miofascial no movimento normal.


Compreender o papel da fáscia no movimento e posturas fisiológicas é de vital importância para todos os fisioterapeutas.

Anatomy Trains: Myofascial Meridians for Manual and Movement Therapists apresenta uma visão única e integrada da anatomia dos sistemas  miofascial/locomotor, em que pela primeira vez são descritas em detalhe as ligações funcionais entre os músculos dentro da mesma rede fascial.

 Usando a metáfora das linhas férreas de comboio, Thomas Myers explica como padrões de tensão se comunicam através da "teia" de tecido miofascial, contribuindo para a compensação postural e estabilidade do movimento.

Escrito num estilo que faz com que seja fácil de entender e aplicar, Anatomy Trains fornece uma explicação acessível e abrangente da anatomia e da função do sistema miofascial no corpo.

O DVD na parte de trás do livro contém vídeos de técnicas, dissecações baseadas no conceito Anatomy Trains e animações de computador das linhas miofasciais.

Após leitura rápida, penso que esta é mesmo uma ferramenta importante para a prática clínica de todos os fisioterapeutas, que vale bem o seu valor.





sábado, 3 de novembro de 2012

Anatomia: imagens de Raio-X e TC em 3D interactivas


Este site, desenvolvido pelo Departamento de Saúde do estado da Austrália Ocidental, é um dos melhores sites educacionais sobre anatomia que já pesquisei.

Aqui poderão explorar imagens de tomografia computorizada (TC) em 3D, com as estruturas identificadas por um só click, poderão rodar, inverter, ir buscar imagens semelhantes, inclusive de raios-X e TC de casos clínicos.




Na barra lateral é possível navegar para imagens em raio-X de diversas condições clínicas, como o exemplo abaixo, sobre a fractura do escafóide.


terça-feira, 23 de outubro de 2012

História da anatomia - ilustrações

Este post é para verdadeiros amantes da anatomia humana!

 Hoje em dia vivemos na moda do revivalismo, em que tudo o que tenha um cheirinho a vintage está in, e o que não o tem é de imediato carimbado com um filtro do instagram!

Pois aqui têm ilustrações realmente antigas, que vão desde Vesalius a Jacques Gamelin, e que valem pelo que foram significando ao longo da história da medicina e da anatomia.


A U.S. National Library of Medicine decidiu reunir num site digitalizações de vários originais que estão na sua posse. São centenas de imagens com boa qualidade de obras de referência na história da medicina e da anatomia.
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Já que estamos no tema, se algum dia precisarem de ilustrações de anatomia para algum trabalho/apresentação e não se quiserem preocupar com direitos de autor, têm aqui uma solução:

O Anatomy of the human body. 1918 de Henry Gray


E para finalizar (e se ainda quiserem fazer um brilharete na decoração lá de casa com um poster vintage no corredor:) podem procurar por aqui:





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domingo, 21 de outubro de 2012

À descuberta do corpo humano

 A anatomia humana sempre foi um assunto fascinante, tanto para profissionais de saúde como para a população geral. 
 Penso que será pelo facto de o nosso corpo ser um conjunto de mecanismos complexos, embutidos numa estrutura tão intrincada que ficamos simplesmente curiosos em perceber "como é que isto funciona tão bem?"

Porque, e como diria a diva Marilyn Monroe "- the body is meant to be seen, not all covered up." 

Descubra mais sobre o corpo humano:


O site Zygote Body é o remake do google body e uma ferramenta simples e prática para qualquer um explorar o corpo humano. Basta mover o cursor para adicionar ou remover camadas à visualização, rodar, aproximar ou afastar o modelo. Se clicar encima da estrutura aparece o seu nome.


O site Bio Digital Human é um pouco mais elaborado e requer apenas o registo (que também pode ser feitos através do facebook ou conta do google) para aceder aos conteúdos gratuitos. Em compensação, quando clica sobre uma estrutura vai poder ver as descrições da mesma.


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Anatomia do sistema nervoso


Porque sempre foi complicado perceber esta parte da nossa anatomia, segue abaixo um vídeo explicativo dos componentes do sistema nervoso.

Estes vídeos podem ajuda-lo a compreender condições clínicas como:
Esclerose múltipla
Doença de Parkinson
Acidente Vascular Carebral (AVC)
Dor ciática




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Anatomia dos ossos do pé

Uma animação simples, mas que permite ter uma visão bastante gráfica dos ossos do pé e a da sua posição relativa.
Este vídeo pode ajuda-lo a compreender condições clínicas como:
Entorse do tornozelo
Neuroma de Morton
Doença de Sever

Mais conteúdos sobre anatomia em breve.




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