A prótese da anca, ou artroplastia
da anca, consiste na substituição cirúrgica de toda ou parte da articulação da anca por um dispositivo artificial. Este visa permitir uma melhoria considerável na
mobilidade e a redução da dor associada aos movimentos e às actividades
funcionais.
Consideram-se 2 tipos de artroplastia da anca:
Artroplastia total da anca: as componentes articulares do fémur e do acetábulo são
substituídos. Estas podem ser:
- Artroplastia total da anca convencional: a peça utilizada para substituição da componente femoral inclui a
cabeça e o colo do fémur.
- Artroplastia total da anca de revestimento: a peça utilizada para substituição da componente femoral apenas inclui
a superfície da cabeça femoral.
Hemiartroplastia: apenas a superfície articular da cabeça do fémur é substituída. Estas podem ser:
- Hemiartroplastias unipolares: substituição da
cabeça e do colo do fémur
- Hemiartroplastias bipolares: substituição da
cabeça e do colo do fémur, com a adição de um componente acetabular (que se encaixa no copo acetabular existente).
- Hemiartroplastias de revestimento: substituição da
superfície da cabeça femoral.
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Esta cirurgia é indicada quando:
Artroplastia total da anca:
- Dor e incapacidade
devido a artrose da anca ou artrite inflamatória na
articulação da anca, onde a onde o tratamento não-cirurgico falhou e a qualidade de vida está significativamente comprometida.
- Fractura proximal do fémur.
- A artroplastia total da anca de
revestimento pode ser considerada um jovem com artrose
mas com um bom suporte ósseo (a vantagem
é que o colo do fémur é preservado, o que
pode ser vantajoso se mais tarde for
necessária uma artroplastia convencional)
Hemiartroplastia: normalmente indicada
para pacientes com fractura do colo
do fémur, que preencham os
seguintes critérios:
- Pobre estado de saúde/fragilidade geral.
- Fractura de quadril derivada a patologia óssea.
- Osteoporose grave.
- Redução fechada mal sucedida.
- Doenças pré-existentes da anca (por
exemplo, artrite reumatóide, necrose avascular).
- Doença neurológica.
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Cuidados antes da operação
Uma avaliação pré-operatória deve ocorrer até seis semanas
antes da operação. Esta deve incluir a identificação de doenças crónicas e outros
exames de rotina pré-operatória. No
entanto, um rastreio de
saúde geral, deve ter sido realizado pelo médico de família antes do encaminhamento para a especialidade médica.
Devem ser dadas ao paciente informações sobre a cirurgia, incluindo os riscos e possíveis complicações. Preferencialmente o paciente deve receber um dossier com
informações sobre a cirurgia, a preparação e o pós-cirurgico.
Terá de assinar um termo de consentimento informado, em
que alegará que a intervenção a que será sujeito é do seu conhecimento, que
todos os procedimentos inerentes a ela lhe foram esclarecidos e que autoriza a
sua execução.
Escolha do material da prótese
e da técnica cirúrgica
Existem muitos tipos diferentes de próteses
disponíveis para a artroplastia da anca. Os materiais usados incluem o metal,
polietileno e a cerâmica. Os métodos de fixação incluem polimetilmetacrilato
(PMMA) de cimento, fixação com parafuso, prensa não-cimentada e por fixação
porosa.
A classificação mais simples e comummente
utilizada é se as próteses são:
- Cimentadas
- Não cimentadas.
- Híbridas (uma haste cimentada com um copo não
cimentado).
O cirurgião pode ter preferência por um implante
em particular, dependendo de factores como a sua formação e a opinião de outros
colegas. A idade e problemas de saúde anteriores à cirurgia também podem
influenciar a escolha do dispositivo, por exemplo, em pacientes jovens será
importante pensar numa abordagem que facilite uma provável revisão da prótese.
Regra geral menos de 10% das próteses necessitam de fazer revisão do material
antes dos 10 anos.
Próteses cimentadas: são utilizadas na maioria dos
casos, tendem a fixar bem e a mobilização precoce é geralmente possível. No
entanto existe a possibilidade de uma reacção ao cimento, o que pode afectar o
osso circundante.
Próteses não cimentadas: estas são geralmente mais
fáceis de rever (uma vantagem em pessoas mais jovens com esperança de vida
maior que a da prótese), mas pode levar mais tempo a iniciar a mobilização, a
reabilitação é mais lenta.
Cuidados no pós-cirurgico
Você terá pontos ou agrafos ao longo da incisão feita para a cirurgia
ou uma sutura sob a pele. Os agrafos ou pontos serão removidos cerca de duas
semanas após a cirurgia. Evite que a ferida fique húmida
até que tenha fechado completamente. Poderá utilizar um curativo sobre a ferida para evitar a fricção da roupa.
Deve ser iniciado o quanto antes um programa de fisioterapia para recuperação de amplitudes articulares, estimulação da
cicatrização, fortalecimento muscular e reeducação da marcha, que deve incluir:
- Aconselhamento sobre os movimentos que poderá fazer e
aqueles que deverá evitar.
- Mobilização articular
passiva da anca, progredindo para activa e resistida.
- Fortalecimento muscular estático dos músculos da coxa e
anca
- Massagem de descolamento da cicatriz assim que esta
esteja completamente fechada
- Treino de marcha, iniciando com canadianas.
Alguma perda de apetite é comum até algumas semanas após a cirurgia. Uma dieta equilibrada, muitas vezes com um suplemento
de ferro, é importante para
promover a cicatrização apropriada dos tecidos e restaurar a
força muscular. Certifique-se de que bebe muitos líquidos.
Dependendo da sua condição física e de saúde antes da
cirurgia você deverá ser capaz de retomar as
actividades normais da vida diária dentro de 3-6 semanas após a cirurgia. Algum desconforto com a actividade e à noite é comum nas primeiras semanas.
Cerca de 80% das pessoas conseguem um bom resultado na melhoria da
mobilidade e diminuição da dor. Uma equipa multidisciplinar, incluindo cirurgiões, enfermeiros, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, contribui para o sucesso global da artroplastia total da anca.
A taxa de mortalidade
em 30 dias após a cirurgia é de
cerca de 0,5%. Nas artroplastias totais da anca, devido a uma fractura, a taxa de mortalidade
em 30 dias é de 2,4%. Cerca de 3% das
próteses totais da anca necessitam de revisão antes dos 11 anos. Há uma prevalência de 1% de infecções da prótese.
Exercícios terapêuticos para a prótese da
anca
Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma
prótese da anca. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.
Flexão/extensão do joelho
Deitado, com o
calcanhar apoiado no chão, puxe o pé em direcção à bacia. Retorne lentamente o
pé à posição inicial.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Fortalecimento do quadricípite
Deitado, com um rolo sob o joelho. Contraia o musculo da coxa e perna
de forma a esticar o joelho e puxar a ponta do pé para si.
Repita entre 8 a
12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.
Mobilização
da coxo-femural
Deitado, com o joelho dobrado. Rode a perna para
fora. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Fortalecimento dos extensores da anca
Deitado, com os braços ao
longo do corpo, eleve a bacia até coxas e costas ficarem alinhadas no mesmo
plano. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte
nenhum sintoma.
Antes de iniciar estes exercícios você deve
sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.
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