Mostrar mensagens com a etiqueta desenvolvimento normal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta desenvolvimento normal. Mostrar todas as mensagens

domingo, 23 de novembro de 2014

5 melhores dicas sobre exercício terapêutico pela PEDro

A base de dados PEDro, do The George Institute for Global Health, é considerada a maior base de dados sobre fisioterapia baseada na evidência do mundo; reúne mais de 28000 guidelines, ensaios e revisões. É utilizada por milhares de fisioterapeutas e outros interessados em reabilitação em mais de 200 países.

A sua administradora Dra. Anne Moseley referiu:
"Procuramos na nossa base de dados as cinco condições de saúde em que exercícios orientados pelo fisioterapeuta resultam em maiores benefícios, comprovados por investigação científica. Infelizmente, as pessoas tendem a subestimar o papel do exercício na saúde. O exercício não é apenas para ficar em forma; a maioria das pessoas iria ficar surpreendida com a variedade de condições de saúde importantes que podem ser aliviadas pelo tipo certo de exercício".

  1. Treino dos músculos do pavimento pélvico melhora a incontinência urinária em pessoas com incontinência urinária de stress ou de qualquer outro tipo. Esta é a primeira linha de tratamento para incontinência urinária. "Estima-se que a incontinência urinária afecte mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo".
  2. Exercício terapêutico diminui a dor e melhora a função em pessoas com osteoartrite do joelho, com benefício equivalente aos tratamentos farmacológicos. Pessoas com osteoartrite da anca também são susceptíveis de beneficiar do exercício. "Mais de 10% das pessoas com mais de 60 anos sofrem de osteoartrite do joelho".
  3. O exercício físico diminui o risco de morte, falta de ar e fadiga e melhora a saúde, qualidade de vida e função em pessoas com doença pulmonar obstrutiva crónica. "Estima-se que 64 milhões de pessoas tinham DPOC em todo o mundo em 2004".
  4. Os programas de exercícios diminuem a taxa de quedas e o risco de queda para os idosos que vivem em casa. Exercícios de equilíbrio são os mais eficazes. "Em todo o mundo, 37,3 milhões de quedas ocorrem a cada ano que são graves o suficiente para exigir atenção médica. É um problema mundial, particularmente entre aqueles com mais de 65."
  5. Programas de intervenção precoce para reduzir o atraso motor em prematuros. "Mais do que um em cada dez bebés, ou 15 milhões de bebés por ano, nascem muito cedo. Os sobreviventes correm o risco de enfrentar uma vida de incapacidades. Estudos mostram que os programas de fisioterapia para esses bebés ajuda-os a conquistar habilidades motoras, acelerando a sua recuperação em relação ao padrão de desenvolvimento normal das crianças de termo."



Autores da pesquisa: Professora Cathie Sherrington, Professor Chris Maher, Professor Rob Herbert, e Professor associado Mark Elkins, todos do George Institute for Global Health e da University of Sydney, também administradores do projeto PEDro.

sábado, 3 de novembro de 2012

Guidelines para a prática clínica de fisioterapia


   Como resultado da colaboração internacional no desenvolvimento de diretrizes para a prática clínica de fisioterapia, o KNGF (Real Sociedade Holandesa de Fisioterapia) decidiu traduzir várias guidelines de prática clínica para inglês, de maneira a tornar as orientações acessíveis a nível internacional.

A Confederação Mundial de Fisioterapia (WCPT) comprometeu-se com a questão da prática baseada na evidência, através do desenvolvimento de um programa, em que o desenvolvimento e a acessibilidade a diretrizes de prática clínica são definidos como uma das metas. Ao mesmo tempo, a Região Europeia da WCPT criou um grupo de trabalho designado Questões Profissionais, também para explorar as áreas de prática baseada na evidência.

O fácil acesso a diretrizes de prática clínica em Fisioterapia possibilita aos fisioterapeutas utilizar estes documentos como referência para o tratamento dos seus pacientes, garantindo uma maior atualidade de conceitos e técnicas.

Após uma primeira leitura deu para perceber que são documentos elaborados de forma bastante esquemática, orientados para a realidade clínica do fisioterapeuta como profissional de saúde de primeiro contacto, com uma forte componente de avaliação clínica.

Lista de Guidelines: 



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Espinha Bífida


A espinha bífida é uma das malformações que podem ocorrer no tubo neural durante o desenvolvimento embrionário precoce.
Durante o primeiro mês de vida de um embrião, dá-se o crescimento de uma estrutura de tecido primitivo chamado tubo neural. À medida que o embrião se desenvolve, o tubo neural começa a diferenciar-se numa estrutura mais complexa de ossos, tecidos e nervos, que acabará por formar a coluna vertebral e o sistema nervoso.
No entanto, nos casos de espinha bífida, algo de errado acontece durante o desenvolvimento do tubo neural e da coluna vertebral (estrutura óssea que envolve e protege a espinal medula), fazendo com que esta não feche totalmente. Este problema pode ocorrer em qualquer nível da coluna, desde a base do crânio até ao sacro, mas é mais comum na região lombar.
-->
As espinhas bífidas podem ser classificadas com base no tipo de defeito na coluna em:
  • Espinha bífida oculta: A pele nas costas na zona da deformidade permanece intacta, há um defeito na região posterior do arco ósseo vertebral, mas sem formação de um saco sobrejacente visível. Não há protrusão da medula espinhal ou das suas membranas. Esta é a forma mais comum de espinha bífida e pode afectar até 10% da população. É mais comum na junção lombossacral.
  • Espinha bífida cística: Para além da malformação vertebral observa-se também uma massa cística visível na parte de trás das costas. Esta é uma forma "aberta" da espinha bífida que pode ser subdividida em:
    • Meningocele - há um inchamento cístico da dura-máter e aracnóide que se projecta através do arco vertebral defeituoso. No entanto nenhum tecido neural da coluna vertebral está presente no saco. Pode não haver sintomas/sinais neurológicos.
    • Mielomeningocele – o mesmo que o meningocelo, mas aqui o tecido neural espinhal (espinal medula) faz parte do saco. Excluindo-se espinha bífida oculta, esta é a forma mais comum de espinha bífida.
    • Raquisquise - esta é a forma mais grave de espinha bífida cística. A coluna vertebral está amplamente aberta e a placa neural encontra-se espalhada sobre a superfície. É frequentemente associada com anencefalia.
    • A síndrome de Arnold-Chiari é uma malformação frequentemente associada ao mielomeningocelo. Nesta malformação observa-se uma hipoplasia do cerebelo e deslocamento do cérebro posterior através de um foramen magnum ampliado. O fluxo de líquido cefalorraquidiano (LCR) pode ser interrompido, resultando em hidrocefalia.

As causas para a espinha bífida ainda não são totalmente conhecidas, mas pensa-se que se deve maioritariamente a uma conjugação de factores:
Parece haver uma combinação de susceptibilidade genética com precipitantes ambientais, particularmente a falta de ácido fólico na dieta da mãe num estágio crucial na embriogenese (dias 17-30, quando muitas mães não sabem que estão grávidas e quando o tubo neural se está a formar e a fechar. Aumentar a ingestão de ácido fólico em mães recém-grávidas tem demonstrado reduzir significativamente a incidência de defeitos do tubo neural.
Anormalidades cromossomicas, incluindo trissomia 13 (síndrome de Patau), 18 (síndrome de Edwards) e 21 (síndrome de Down) já foram associadas com defeitos do tubo neural.
Tem sido sugerida uma maior incidência em mães com diabetes e com a ingestão de álcool durante a gravidez.
Uso materno de fármacos para o tratamento da epilepsia.
-->

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Espinha bífida cística:
  • A hérnia anormal do saco dural e/ou tecido neural geralmente é evidente, quer durante a ecografia pré-natal quer no nascimento.
  • Classicamente, a interrupção da função da medula espinhal provoca disfunção sensorial, paralisia flácida e arreflexia abaixo do nível afectado. Em alternativa pode observar-se a preservação de alguns reflexos distais, que normalmente são exagerados.
  • Em casos de meningocele simples, a hérnia das meninges é muitas vezes coberta por pele de modo que a lesão pode ser mais difícil de detectar.
  • A malformação Arnold-Chiari pode afectar o equilíbrio, coordenação e a marcha, para além de complicações respiratórias. Hidrocefalia, convulsões e função cognitiva prejudicada pode estar presente nestes casos.

Espinha bífida oculta:
É comum e mais difícil de detectar. Normalmente não há consequências a longo prazo ou alterações neurológicas.
Pode não haver nenhum marcador cutâneo, ou pode haver uma anormalidade óbvia ao longo da coluna vertebral, incluindo:
  • Uma área de hiperpigmentação ou hipopigmentação.
  • Aplasia cutânea.
  • Hemangioma capilar/telangiectasia.
  • Hipertricose (um tufo piloso na região da deformação).
  • Uma fenda glútea assimétrica.
  • Assimetria das pernas/pés pode estar presente.
  • Escoliose ou outras deformidades da coluna vertebral podem desenvolver-se.
  • Podem observar-se deficits sensoriais e dificuldades no controlo da função da bexiga e intestinos.
  • Pode haver dor lombar à medida que a criança cresce.


Diagnóstico pré-natal:

Níveis elevados de alfa-fetoproteína (AFP) no soro materno às 16-18 semanas de gestação estão associados a defeitos do tubo neural.
Ecografia de rastreio às 18-20 permite a detecção e diagnóstico de defeitos do tubo neural e é bastante mais específica.
A amniocentese pode ser usada para diferenciar entre malformações abertas da parede ventral e defeitos do tubo neural.

Tratamento

A abordagem multidisciplinar é necessária na gestão de uma criança com espinha bífida. Os objectivos do tratamento são: maximizar a mobilidade, evitar ou amenizar as complicações da espinha bífida (principalmente hidrocefalia), incentivar o desenvolvimento tão normal quanto possível, e ajudar a criança a manter uma vida o mais independente possível.
No momento do parto a enfermeira deve posicionar o recém-nascido com um defeito do tubo neural de barriga para baixo e cobrir a malformação com uma solução salina estéril húmida.
Reparação da malformação:
Cirurgia fetal: há evidências de que a operação para reparar mielomeningocele em fetos que tiveram a condição detectada por ecografia, antes de 25 semanas de gestação, com uma lesão abaixo do nível de L2, reduz a incidência de hidrocefalia. A cirurgia tem o objectivo de reduzir o efeito supostamente nocivo da exposição do tecido do sistema nervoso central ao líquido amniótico. Existe pouca evidência em relação à melhoria na função neurológica.
Nos pacientes em que a cirurgia pré-natal não é indicada, há a necessidade de reparar e fechar a hérnia espinhal, e inserir um dispositivo de desvio ventricular se houver evidência de, ou a probabilidade de, hidrocefalia.
Após o nascimento, e dependendo da gravidade da malformação, a criança deverá ser acompanhada por:
  • Pediatra, na consulta de neurodesenvolvimento.
  • Ortopedista pediátrico, muitas vezes é necessária uma cirurgia para a fusão vertebral. Alterações no quadril, pélvis ou pé/tornozelo também são frequentes.
  • Fisioterapeuta, o treino de adaptação em crianças pode ser muito útil na manutenção da independência e mobilidade.
  • Avaliação e intervenção da terapia ocupacional pode ajudar a maximizar a função.
  • Muitas vezes é necessário um psicológico para o indivíduo e a sua família lidarem com as consequências desta condição à medida que o paciente cresce.
  • Um exame neurológico deve ser feito regularmente, assim como observada a capacidade de controlo dos esfíncteres.

Prognóstico

Com o advento da cirurgia pré-natal, o reparo precoce da mielomeningocele pós-parto, as manobras para evitar hidrocefalia e conduta expectante de complicações, a maioria dos pacientes que nascem com espinha bífida sobrevivem até a idade adulta, com um desenvolvimento intelectual relativamente normal.

Prevenção

A suplementação pré-concepcional com ácido fólico
O ácido fólico também pode ajudar a reduzir a gravidade dos defeitos do tubo neural.
O diagnóstico pré-natal, a cirurgia pré-natal ou a decisão pela interrupção de algumas gravidezes podem reduzir a carga causada pelo elevado grau de incapacidade em muitos destes pacientes

-->

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Paralisia Cerebral

Não existe uma definição precisa desta condição, devido à paralisia cerebral (PC) não ser um diagnóstico único, mas um termo geral que descreve lesões cerebrais não progressivas que levam a alterações motoras ou posturais que são notadas durante o desenvolvimento inicial da criança.
A PC tem sido descrita como se segue:
"Um grupo de disfunções do desenvolvimento do movimento e postura causando limitação da actividade, e que são atribuídas a distúrbios não progressivos que ocorreram no cérebro durante o desenvolvimento fetal ou infantil. Os distúrbios motores da paralisia cerebral são frequentemente acompanhados por distúrbios da sensação, cognição, comunicação, percepção e/ou comportamento."
A PC é a principal causa de incapacidade na infância afectando a função e desenvolvimento normal da criança. As lesões cerebrais da PC podem ocorrer desde o período fetal ou neonatal até aos 3 anos de idade, pelo que o diagnóstico não pode ser feito antes dessa altura, pois só nessa fase de desenvolvimento o quadro clínico será claro e estável o suficiente. Isto também permite a exclusão de doenças progressivas.
Na maioria dos casos, a causa dos danos ao cérebro não é conhecida. Em muitos casos, pode ser simplesmente um erro na forma como o cérebro se desenvolve. Factores genéticos (hereditários) podem desempenhar um papel em alguns casos. No entanto, alguns factores são conhecidos por aumentar o risco de desenvolver paralisia cerebral:
  • Parto pré-termo (prematuros), em particular, os bebés nascidos antes de 28 semanas de desenvolvimento.
  • Bebés gémeos, trigémeos ou mais.
  • Infecções da mãe grávida, como rubéola e varicela, podem ser uma causa em alguns casos.
  • Icterícia grave no recém-nascido pode ser uma causa.
  • Há um risco aumentado de ter um filho com paralisia cerebral nas mães que fumam, bebem demasiado álcool, ou consomem drogas, como a cocaína e heroína.

Era habitual pensar-se que problemas com o trabalho de parto seriam uma das principais causas de PC, no entanto, sabe-se agora que isso é falso. Pensa-se que menos de 1 em cada 10 casos são devido a problemas relacionados com o nascimento do bebé, e quando isso acontece a falta grave e prolongada de oxigénio durante o parto é a principal causa.
Alguns casos são causados após o nascimento. Por exemplo, meningite ou outras infecções cerebrais que ocorrem no bebé podem causar danos cerebrais, resultando em PC.
-->

Sinais e Sintomas/ Diagnóstico

A PC afecta o sistema nervoso central, provocando uma alteração do tónus muscular. Pode tomar a forma de uma alteração leve, moderada ou grave e, geralmente, não piora com o passar do tempo. Os sintomas variam e podem incluir:
  • Músculos tensos (aumento do tónus), causando espasmos e rigidez.
  • Músculos “flácidos” (diminuição do tónus), tornando os membros fracos e moles.
  • Reflexos coordenação e equilíbrio afectados.
  • Padrão de marcha caraterístico
  • Como um guia, uma criança com desenvolvimento normal será normalmente ser capaz de:
  • Manter-se sentada sozinha e sem apoio aos seis meses.
  • Rastejar aos oito meses.
  • Manter-se em pé apoiada aos 12 meses.
  • Caminhar aos 15 meses.

Algumas pessoas com PC também têm deficiência mental (ou seja, atraso ou dificuldades de aprendizagem), convulsões, dificuldades de visão; encurtamento dos membros; curvatura da coluna vertebral (escoliose); problemas dentários; perda auditiva total ou parcial, ou limitações articulares. Não há cura para a PC, mas com o tratamento precoce, a maioria das crianças melhora as suas capacidades de forma significativa.
Quando a criança tiver entre 2-3 anos de idade, o médico pode ser capaz de diagnosticar o tipo de PC que ele ou ela tem. Existem quatro tipos principais:
Espástica:
Na PC espástica, a forma mais comum, há aumento do tónus muscular/rigidez. Pernas, braços e costas estão rígidos e contracturados, tornando o movimento difícil. Se ambas as pernas forem afectadas (diplegia espástica), a tensão muscular faz com que as pernas rodem para dentro e a criança irá cruzar os joelhos ao caminhar. Se apenas um lado do corpo for afectado (hemiplegia espástica), o braço é muitas vezes mais severamente afectado do que a perna. Se todos os quatro membros e o tronco forem afectados (tetraplegia espástica ou total), os músculos da boca e da língua também podem ser afectados.
Atetóide:
Denominados de discinéticos, na PC atetóide observa-se um baixo tónus muscular/relaxamento, levando a movimentos descontrolados de todo o corpo. Pode ser difícil manter-se sentado ou de pé sem ajuda.
Atáxica:
É uma forma rara, a PC atáxica afecta o equilíbrio e a percepção de profundidade. Existe uma pobre coordenação, a marcha é instável e observam-se dificuldades significativas nos movimentos precisos como o uso de uma caneta ou abotoar uma camisa.
Mistas:
Nas PC mistas, existem sintomas da PC espástica e atetóide. Alguns músculos ficam tensos e outros demasiado “relaxados”. Tanto se observa rigidez como movimentos involuntários.

Tratamento

Crianças diagnosticadas com PC devem ser acompanhadas por uma equipa de especialistas que inclui diferentes profissionais de saúde, tais como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e terapeutas da fala. Não há cura para a PC, mas muito pode ser feito para limitar o grau de deficiência que se pode desenvolver no caso de não ser seguido um plano de tratamento.
Fisioterapia
A base do tratamento é fisioterapia. Um dos objectivos principais da fisioterapia é, na medida do possível, prevenir ou limitar a contracturas e deformidades dos membros que podem ocorrer na PC espástica. Um fisioterapeuta pode utilizar várias técnicas, tais como exercícios, treino de mobilidade, órteses (aparelhos, talas, etc), e outros equipamentos. Um fisioterapeuta pode mostrar aos pais e encarregados de educação o posicionamento correcto das articulações e exercícios de alongamento para fazer em casa. Outro objectivo é melhorar a independência da criança, como se vestir, se alimentar, etc.
Medicação
Alguma medicação tem um papel limitado em alguns casos. Por exemplo, injecções de toxina botulínica em conjunto com a fisioterapia são usadas em alguns casos, para relaxar os músculos espásticos. Os músculos mais comummente injectados são os da barriga da perna e os adutores do quadril. O efeito de uma injecção de toxina botulínica dura 3-6 meses. Medicamentos relaxantes musculares, tais como o baclofen, são por vezes usados. Algumas crianças com epilepsia associada necessitam de medicamentos para evitar convulsões.
Cirurgia
Dependendo do tipo e do grau de contractura muscular, uma operação pode ajudar em alguns casos, em algum momento. Por exemplo, uma operação para afrouxar músculos ou para corrigir uma deformidade da articulação. O objectivo é dar mais flexibilidade e controlo dos membros afectados e articulações. A maioria das operações é realizada sobre os músculos em torno dos quadris, joelhos e tornozelos.
Outros tratamentos e terapias
Estes incluem, quando necessário ou conveniente: terapia ocupacional, terapia da fala, oftalmologia, odontologia, aconselhamento nutricional e promoção do desporto. Tecnologia assistiva está a ser cada vez mais utilizada. Há uma variedade de dispositivos e aparelhos que podem ajudar com tarefas de mobilidade e comunicação.
Uma pergunta comum que os pais fazem é: "O meu filho vai ser capaz de andar?". Isso pode ser difícil de responder quando a criança é muito jovem, mas como um guia muito geral:
  • Quase todas as crianças com hemiplegia vão ser capazes de andar.
  • Cerca de 3 em cada 4 crianças diplégicas vão ser capazes de andar.
  • Menos de 1 em cada 4 crianças tetraplégicas vai andar.

Mas isto é muito geral, e o seu especialista dará conselhos sobre cada caso individual. Além disso, o tratamento, como fisioterapia pode fazer toda a diferença para o resultado final.

Exercícios terapêuticos para a paralisia cerebral
Os seguintes exercícios poderão ser prescritos durante o tratamento da paralisia cerebral, dependendo da fase evolutiva do paciente. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Fortalecimento dos abdominais
Deitado, com o fundo das costas bem apoiado e as mãos ao longo do corpo. Levante o tronco apenas até meio da coluna, mantendo o olhar para o alto. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.





Mobilização da cintura pélvica
Sentado, com as plantas dos pés juntas, os antebraços a fixar as pernas e as costas alinhadas. Rode a bacia à frente, mantendo as costas alinhadas. Rode a bacia atrás, mantendo as costas alinhadas.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.






Reforço muscular dos gémeos
Em pé, apoiado numa cadeira, coloque-se em pontas dos pés. Desça lentamente até todo o pé apoiar no chão. Repita este movimentos entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Desenvolvimento motor normal da criança dos 15 meses aos 5 anos


 Dos 12 aos 15 meses
  • Caminha desajeitadamente, período em que começa a experimentar marcha autónoma.
  • Sobe escadas gatinhando.
  • Pode ou não andar com objectos na mão.
  • Tem noção das grandes partes do corpo (tronco, membros, cabeça)


Aos 18 meses

  • Caminha de forma coordenada, raramente caindo e consegue parar sem problemas.
  • Atira a bola.
  • Corre com os olhos fixos no chão e não contorna objectos.
  • Empurra e puxa brinquedos grandes pelo chão.
  • Consegue segurar em objectos enquanto anda.
  • Leva os alimentos à boca com a colher.
  • Início do controlo do esfíncter intestinal.
  • Brinca de cócoras e imita actividades do dia-a-dia.
  • Sobe escadas com ajuda de uma mão e desce de gatas ou sentado.


2 anos

  • Corre com mais à vontade, parando sem dificuldade e evitando obstáculos.
  • Começa a tentar ter equilíbrio só num pé (ao dar pontapés numa bola por exemplo)
  • Sobe e desce escadas com ligeiro apoio.
  • Consegue andar de triciclo e mexer nos pedais.
  • Pode água e consegue controlar os esfíncteres durante o dia.
  • Brinca junto de outras crianças, mas raramente com elas. Imita a mãe nas actividades domésticas.

3 anos

-->
  • Aperfeiçoamento das actividades motoras dos 2 anos.
  • Sobe escadas alternadamente e desce sem alternância.
  • Equilíbrio breve sobre um pé. Salta de degraus baixos.
  • Corta com a tesoura. Come com garfo e colher.
  • Lava as mãos, mas necessita de ajuda para secar.
  • Anda na ponta dos pés e tenta dançar.

4 anos

  • Corre ainda mais rápido e consegue correr em pontas dos pés.
  • Sobe e desce escadas com alternância.
  • Consegue executar movimentos segundo um ritmo.
  • É por esta altura que definem a lateralidade.
  • Saltam num pé.
  • Consegue dirigir a atenção de forma controlada para pequenas tarefas. Inicia os jogos de regras, esperando pela sua vez de jogar por exemplo.
  • Despe-se e veste-se sozinho, mas não consegue abotoar atrás das costas. Dá laços e também consegue lavar os dentes.

5 anos

-->
  • Extensão completa da anca, que faz com que as pernas adquiram o seu alinhamento definitivo.
  • Dança ao som de música.
  • Equilíbrio num pé durante 6 a 10 segundos.
  • Anda a pé coxinho 2 a 3 metros.
  • Usa faca e garfo.
  • Consegue vestir-se e despir-se sozinho.
  • Comportamento mais sensato, controlado e independente.
  • Escolhe amigos e joga em equipa.



Desenvolvimento motor normal da criança (0-12 meses)


 Recém-nascido

  • Postura global em flexão (nos bebés de termo). O bebé sente-se mais estável numa posição mais “enrolada” sobre si mesmo, com os membros bem junto ao tronco.
  • Quando está deitado de barriga para baixo o centro de gravidade está mais próximo da cabeça, e os membros inferiores estão geralmente dobrados, com as coxas junto à barriga.
  • Apresenta o reflexo de preensão palmar (que se mantém até aos 3-4 meses) e plantar (que se mantém até ao 9º mês). Este reflexo é forte, mas a posição do punho e dedos é influenciada pela posição da mão.
  • Reacção primária de apoio (presente até ao 2º mês), em que o bebé se tenta empurar para cima. Pode ser desencadeada com os joelhos, ancas e coluna.
  • Reacção de marcha automática (presente até ao 2º mês). A criança, quando colocada em pé, ligeiramente inclinada para a frente, dobra e estica as pernas de forma alternada.
  • Reacção de moro (presente até ao 4º mês). Observa-se geralmente quando o bebé roda a cabeça repentinamente ou quando ouve um barulho que o assusta. Os braços elevam-se e afastam-se do tronco, com as palmas das mãos viradas para a frente, para logo de seguida regressarem abaixo.
  • A criança não vê com muita nitidez, não dá atenção às mãos e os movimentos oculares são desorganizados. Sorriso endógeno.
-->


1º e 2º mês

  • Quando de barriga para baixo já tenta levantar o queixo. Quando segurado ao colo já consegue levantar a cabeça do ombro do adulto.
  • Movimentos amplos e com sequências variáveis dos membros.
  • A expressão progride para um sorriso por volta das 5-6 semanas
  • Quando deitado de barriga para cima a postura é mais estendida e assimétrica.
  • Quando deitado de barriga para baixo trabalha também na assimetria, não conseguindo levantar a cabeça na linha média.
  • Reflexo tónico cervical assimétrico. Quando o bebé roda a cabeça para um lado o braço desse lado estende-se e o do lado contrário dobra-se.
  • Não há dissociação dos olhos em relação à cabeça, mas já tem mais atenção, em especial a objectos em movimento.
  • Ao final do 2º mês caminha para uma visão mais central, pois já consegue controlar melhor a cabeça na linha média.
  • O bebé executa frequentemente movimentos circulares de pequena amplitude e velocidade moderada, conhecidos como fidgety movements.

3º mês

  • Por norma o bebé irá preferir ficar deitado de barriga para cima, pois permite maior liberdade de movimentos.
  • Começa a aproximar as mãos da linha média.
  • De barriga para baixo apoia os antebraços e faz extensão da cabeça e tronco superior. Aumento significativo do controlo da cabeça.
  • Sentado com apoio mantém por alguns instantes a cabeça rectificada. Quando balançado já consegue compensar a alteração do centro de gravidade através da alteração da posição da cabeça.
  • Agarra objectos e consegue traze-los à linha média, mas ainda não lhes dá atenção visual.
  • Fixa o olhar na mãe durante a alimentação. Segue o movimento dos adultos.
  • Sorriso social espontâneo. Primeiras explorações de objectos pela boca.

4º mês

  • Segura os objectos com ambas as mãos, conseguindo abrir e fechar a mão, mas ainda não liberta os objectos voluntariamente.
  • Segue bem com o olhar os objectos que se movimentam lentamente.
  • Reacção de extensão protectiva, quando sente que vai cair estende os braços à frente do tronco.
  • Quando deitado irá começar a “pontapear” o ar, o que funciona como uma preparação para a marcha.
  • Inicio do reflexo de Landau. Quando colocado suspenso na horizontal, com a barriga para baixo, irá fazer extensão da cabeça e tronco. Este reflexo vai-se tornando mais marcado até aos 6 meses.
  • Inicio da dissociação dos olhos relativamente aos movimentos da cabeça, acompanhando o maior controlo da cabeça e da cervical.

5º mês

-->
  • Maturação do reflexo de Landau.
  • Descobre os pés e começa a brincar com eles quando deitado de barriga para cima.
  • Empurram-se com os pés contra as superfícies, arqueando o tronco e a cabeça para trás.
  • Consegue levantar a cabeça quando deitado de barriga para cima.
  • Começa a assumir a posição de sentado por curtos períodos.
  • Consegue levar os objectos à boca com facilidade. Começa a transferir os objectos de uma mão para a outra, mas lentamente.
  • Deitado de barriga para baixo consegue facilmente levantar a cabeça e o peito. Pode até conseguir apoiar-se apenas num braço para alcançar um objecto com o outro.
  • O aumento dos campos visuais desperta maior curiosidade e exploração por parte do bebé.

6º mês

  • Quando suspenso no espaço as reacções de rectificação da cabeça e tronco já são eficazes, com resposta activa dos membros superiores e inferiores, ou seja, já tem reacções de equilíbrio automáticas.
  • Aumento da força e controlo postural. Quando deitado de barriga para cima agarra e brinca com os pés.
  • Consegue brincar deitado de lado por longos períodos de tempo sem cair para a frente ou para trás.
  • Quando deitado de barriga para baixo, alonga um lado à medida que encurta o outro. Inicia-se o dissociar de uma perna da outra, preparando para o rastejar.
  • À medida que ganha mais controlo motor, faz esforços repetidos para trazer a bacia para trás, para tentar ficar de gatas.
  • Rola sozinho, quando deitado.
  • Senta-se por períodos mais longos e brinca nesta posição, por alguns momentos sem apoio.
  • Explora e tenta agarrar os brinquedos fora do alcance, daí que ainda caia bastantes vezes da posição de sentado.
  • Quando de pé balança-se activamente de baixo para cima.
  • Dirige as duas mãos aos objectos para de seguida os levar à boca.
  • Preensão de objectos pequenos.
  • Dá gargalhadas.
-->


7º ao 9º mês

  • Predomínio da posição de sentado. Tentam puxar-se para a posição de pé.
  • Reacções de equilíbrio desenvolvidas e eficazes quando sentado e deitado. Inicio das reacções de equilíbrio de gatas.
  • Aguentam-se sentados sem apoio das mãos, ficando livres para brincar.
  • Interage cada vez mais com o meio envolvente.
  • Inicia a transição de sentado para deitado de barriga para baixo. Coloca as mãos para a frente, mas não suporta o peso e cai para a frente.
  • Dá início ao rastejar.
  • Ao 8º mês a pega evolui de palmar (global) para digital (pinça com dois ou três dedos).
  • Aos 9 meses senta-se sozinho por 10-15 minutos, e consegue sentar-se de lado.
  • Move-se na posição de gatas, consegue alterar a posição das pernas, alongar-se para alcançar algum objecto ou para transferir os braços para um apoio mais elevado.
  • Depois de estar de gatas estende os joelhos e apoia-se apenas nos pés, apesar de não se manter nesta posição.
  • Desloca-se rolando ou rastejando, podem gatinhar, mas alguns só o fazem a partir dos 10/11 meses.
  • Alcança brinquedos de encaixe, mas ainda não consegue voltar a coloca-los no sitio.
  • Usa os braços para trepar e se colocar de pé, e aí fica com apoio.
  • Em pé, para aumentar a estabilidade, para além de alinhar as pernas com a bacia, encosta o tronco contra a superfície de apoio.
  • Desenvolve o equilíbrio em pé, volta a cabeça e o tronco para visualizar e explorar o ambiente.
  • Aponta com o indicador.
  • Procura e baixa-se para apanhar objectos.
  • Ao final dos 9 meses leva bolachas à boca, mastigando.
  • Coloca as mãos à volta do biberão ou copo.
  • Tem noção do objecto permanente, começando a criar ligações emocionais com pessoas e objectos.

10º ao 12º mês

  • Extensão da coluna lombar, sentado, de joelhos ou em pé.
  • Em sentado move bastante os braços, que também são usados como ponto distal para o equilíbrio.
  • Aumenta a rotação interna das ancas, permitindo sentar-se em W, uma posição de transição depois de gatinhar.
  • Gatinha e contorna obstáculos, maior facilidade e eficiência no sentar e de gatas.
  • Senta-se a partir de deitado de lado.
  • Ao trazer-se para de pé utiliza mais as pernas, empurrando-se.
  • Equilibra-se em pé por uns instantes.
  • Enquanto uns bebés iniciam cedo a estarem de pé sozinhos e a darem o seu primeiro passo, outros iniciam os passos antes de conseguirem manter-se sozinhos em pé. O primeiro passo pode ser um desafio e exigir toda a concentração por parte da criança, pelo que a motivação dos pais quando a criança começa a fazer as primeiras tentativas e muito importante.
  • Agarra pequenos objectos com um pinçar preciso.
  • Bebe por um copo com pequena ajuda. Segura na colher, mas não a usa.
  • Aponta para os objectos que pretende. Ajuda a vestir-se, dando a mão ou o pé. Diz adeus e bate palmas.
  • Começa a “dar”, faz jogos de imitação e obedece a ordens simples.
  • Marcha normal com ligeiro apoio.