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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Teste de Phalen

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar pacientes com suspeita de síndrome do túnel cárpico.


Técnica

O fisioterapeuta flexiona o punho do paciente até ao limite da amplitude de movimento mas sem sobrepressão, ou o paciente realiza o movimento ativamente, como no video abaixo. Esta posição é mantida por 60 segundos ou até que os sintomas sejam reproduzidos. O teste é considerado positivo quando ocorre dormência e formigueiro no aspecto palmar do 1º, 2º, 3º dedos e metade radial do quarto dedo após 60 segundos de ter assumido a posição. O fisioterapeuta deve registar o momento em que foram reproduzidos os sintomas.



Precisão do teste

A precisão deste teste para fazer o diagnóstico de síndrome do túnel cárpico varia bastante nos artigos revistos: a sensibilidade entre 10 e 91% e a especificidade entre 33 e 86%.


Golding DN, Rose DM, Selvarajah K. "Clinical tests for carpal tunnel syndrome: an evaluation." Br J Rheumatol 1986 November; 25(4): 388-390.
Kuhlman KA, Hennessey WJ. "Sensitivity and specificity of carpal tunnel syndrome signs." Am J Phys Med Rehabil 1997 November; 76(6): 451-457.
De SL, Steenwerckx A, Van den BG, Cnudde P, Fabry G. "Value of clinical provocative tests in carpal tunnel syndrome." Acta Orthop Belg 1995; 61(3): 177-182.


Teste de Allen

Descrição
Este teste é utilizado para avaliar o fluxo de sangue arterial para a mão.

Técnica
O paciente deve estar sentado. O fisioterapeuta palpa e aplica pressão sobre as artérias radial e cubital no punho, usando três dedos em cada artéria. Isso obstruí o fluxo de sangue para a mão. Deve pedir ao paciente que aperte e abra a mão 10 vezes, terminando com a mão aberta, mas evitando a hiperextensão. A palma da mão deve, então, estar branca/pálida. O examinador então remove a pressão de uma artéria. Um teste positivo ocorre quando demora mais de 5 segundos para a cor (sangue) voltar à palma da mão. Repetir o processo para a outra artéria.


Precisão do teste
O teste de Allen apresenta uma sensibilidade de 75,8% e uma especificidade de 81,7% na avaliação do fluxo sanguíneo arterial na mão.

Allen EV. "Thromboangiitis obliterans: methods of diagnosis of chronic occlusive arterial lesions distal to the wrist with illustrative cases." Am J Med Sci 1929; 178: 237-244.


Outros testes para avaliar o punho e a mão


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Dor no ombro: diagnóstico diferencial - Estudo de caso clínico

Depois das dores na coluna, as dores no ombro são a queixa mais comum relacionada com a sistema osteomuscular. Há evidências de que a dor no ombro é frequentemente recorrente e persistente. 

O diagnóstico diferencial entre disfunções do ombro e disfunções da cervical que causam dor no ombro é importante não só para estudos epidemiológicos, mas também para melhorar o tratamento direcionado e o respetivo prognóstico.

No entanto os testes clínicos para fazer um diagnóstico no ombro não têm bons níveis de confiabilidade ou validade e, para além disso, o valor dos exames de imagem é questionável, comummente se vêm ruturas na coifa dos rotadores que são completamente assintomáticas.

Por isso, tem-se recomendado que estes rótulos diagnósticos sejam abandonados, e, ao invés, os pacientes sejam classificados de acordo com a resposta ao tratamento e às características clínicas comuns.
O Método McKenzie de Diagnóstico e Terapia Mecânica (MDT) utiliza a postura e movimentos repetidos próximos do final da amplitude de movimento, enquanto monitoriza os sintomas e respostas mecânicas, para classificar os pacientes em uma de três síndromes mecânicas: desarranjo, disfunção ou síndrome postural, ou “outro” se não se encaixa nas definições operacionais de uma das síndromes mecânicas.

A fiabilidade do sistema McKenzie tem sido considerada como moderada a boa para os problemas da coluna vertebral e a validade de prognóstico apresenta altos níveis de confiabilidade.
O objetivo deste estudo de caso é demonstrar como um paciente com, aparentemente, um problema no ombro, quando avaliado através do método MDT, respondeu a movimentos repetidos na coluna cervical.

Apresentação de caso clínico

  • Um paciente do sexo masculino de 47 anos de idade foi encaminhado pelo seu médico de família com um histórico de 4 meses de dor intermitente no ombro esquerdo que tinha vindo a melhorar, mas ainda havia dor consistente na elevação do ombro a mais de 90º, pior com abdução do que com flexão. Tinha sido o primeiro episódio do género e os sintomas começaram sem motivo aparente.
  • O paciente trabalhava como técnico de ar condicionado. A única atividade de lazer era assistir televisão, cerca 4h todas as noites, “relaxado” no sofá.
  • A sua única limitação funcional era levantar pesos moderados a pesados devido à dor no ombro.
  • Na primeira avaliação foram obtidos os seguintes resultados: 4/22 na Shoulder Disability Score; 45/60 na Oxford Shoulder function score; 5/10 na escala visual analógica.
  • Os sintomas eram piores à noite e ao levantar pesos e aliviavam com o repouso, spray analgésico e compressas quentes.
  • Uma RM recente relatou uma rutura completa do tendão subescapular, uma hipertrofia e alterações císticas no troquino, espessamento dos tecidos moles com sinovite no intervalo da coifa dos rotadores, tendinose do infra e supra-espinhoso com alterações atróficas no infraespinhoso.
  • Na avaliação física o paciente apresentava uma má postura em sentado e em pé, com uma lordose excessiva da coluna lombar, cabeça projectada para a frente e ombros rodados à frente.
  • Apresentava amplitude de movimento completa, ativa e passiva, de flexão do ombro, abdução e rotação medial e lateral. Na abdução e flexão para além de 90º houve dor, assim como na rotação medial e lateral, embora menor e só no final de amplitude. A Abdução ativa foi o movimento mais sintomático. A força estava preservada.
  • Foram testados movimentos repetidos em posição vertical para verificar se existia um padrão consistente que reproduzisse os sintomas. Como a abdução ativa foi a mais sintomática foi primeira a ser testada.
  • Duas séries de 10 repetições produziram dor que se manteve após o teste. A flexão repetida aumentou ainda mais os sintomas, que se mantiveram piores. Não foi encontrado nenhum movimento que diminuísse os sintomas, nem houve qualquer mudança no padrão da dor.
  • Era nesta fase claro que os sintomas eram afectados pela carga, mas nenhum padrão claro foi encontrado e o padrão de dor não podia ser classificado em qualquer das síndromes mecânicas de MDT nesta fase.
  • Na avaliação seguinte foi testada a coluna cervical. Para permitir uma maior amplitude de movimento foi demonstrado ao paciente como restaurar a lordose lombar e retrair a cabeça. Esta posição aboliu os sintomas agravados pelo teste de movimento repetido do ombro. O teste inicial da cervical mostrou uma perda moderada de retração e extensão, mas sem perda de quaisquer outros movimentos cervicais.
  • Na cervical não houve sintomas antes do teste de movimentos repetidos. A protração repetida da cervical produziu a dor no ombro, que se manteve pior depois do teste. A retração repetida aboliu a dor no ombro, e ao final de mais repetições a dor durante a abdução desapareceu, o que demonstrou uma preferência direccional na coluna cervical.


Tratamento

  • A classificação provisória foi desarranjo cervical. O paciente foi educado no sentido de manter uma boa postura, com a utilização de um rolo lombar, e foi convidado a realizar repetições de 10-12 retrações a cada hora, evitando também posturas provocativas.


  • Vinte e quatro horas mais tarde, o paciente confirmou a realização dos exercícios. Relatou que não sentia dor com o movimento do ombro além dos 90º, mas para além dos 120º tinha uma dor 5/10, mas que desaparecia após o exercício.
  • Após retração repetida com sobrepressão por parte do paciente a dor na abdução para além dos 120º era 2/10. A classificação de desarranjo cervical foi assim confirmada.
  • Na avaliação seguinte, 48h depois, havia dor mínima no final de amplitude de abdução. Assim, foi introduzida a retracção e extensão cervical.
  • Após 10 dias, os resultados foram avaliados por outro fisioterapeuta que não havia sido envolvido no tratamento: 0/22 na Shoulder Disability Score; 55/60 na Oxford Shoulder function score; 0/10 na escala visual analógica.
  • O paciente relatou estar satisfeito e, durante os últimos 10 dias, tinha levantado pesos sem dor. Não houve sintomas em repouso, nem durante o movimento.
  • O paciente foi orientado a prosseguir com as retrações repetidas, incluindo extensão da cervical até ao final de amplitude de movimento.
  • O follow up seguinte foi feito por telefone, depois de um mês, e o paciente encontrava-se assintomático naquele momento. No último follow up, um ano depois da primeira avaliação, o paciente mantinha-se assintomático, mas continuou a fazer os exercícios em alturas em que sentiu maior rigidez ou desconforto.


Conclusão


Este estudo de caso destaca a importância de diferenciar dor no ombro que tem origem no ombro de dor referida com origem na cervical. Este estudo suporta ainda a utilidade clínica da avaliação segundo McKenzie como uma abordagem para fazer este diagnóstico diferencial e respetivo tratamento


Menon A, May S. Shoulder pain: differential diagnosis with mechanical diagnosis and therapy extremity assessment - a case report. Man Ther. 2013 Aug;18(4):354-7.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Manobra de Spurling

Descrição
O objetivo desta manobra é avaliar se uma radiculopatia cervical está a contribuir para a dor do paciente.
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Técnica
O paciente deve estar sentado e inclinar a cabeça para o lado afetado. O fisioterapeuta aplica então uma força de compressão sobre o eixo axial, através da parte superior da cabeça. Reprodução da dor pode indicar radiculopatia cervical, especialmente quando combinado com outros testes. Note-se que a manobra não consiste numa sobrepressão à inclinação da cabeça, mas sim é uma compressão axial na posição de inclinação.
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Precisão da manobra
Esta manobra tem uma especificidade de 50% e uma sensibilidade de 88% no diagnóstico de radiculopatia cervical. Pode ser utilizada em conjunto com o teste de distracção da cervical, com o teste de tensão neural do membro superior (nervo mediano) e com a rotação ipsilateral do pescoço (inferior a 60º) para confirmar o diagnóstico de radiculopatia cervical.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Teste de distracção cervical

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar se a radiculopatia cervical está a contribuir para os sintomas do paciente.
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Técnica
O paciente encontra-se deitado de barriga para cima. Coloque as mãos em torno dos processos mastóides do paciente ou coloque uma mão na testa e a outra na região occipital. De seguida deve flexionar ligeiramente o pescoço do paciente e puxar a cabeça em direção ao seu tronco, aplicando uma força de distração. Um teste positivo é quando os sintomas do paciente são reduzidos com a tracção.

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Precisão do teste
Este teste apresenta uma especificidade de 90% e uma sensibilidade de 44% no diagnóstico clínico de radiculopatias de origem cervical.


Wainner RS, Fritz JM, Irrgang JJ, Boninger ML, Delitto A, Allison S. "Reliability and diagnostic accuracy of the clinical examination and patient self-report measures for cervical radiculopathy." Spine (Phila Pa 1976) 2003 Jan 1.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Teste de Quadrante Lombar


Descrição
Este teste utiliza-se para determinar se a coluna lombar é a fonte dos sintomas do paciente.
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Técnica
O paciente deve estar sentado, com os braços cruzados sobre o peito. O fisioterapeuta coloca a coluna lombar em hiperextensão (o examinador pode optar por manter a hiperextensão, colocando o joelho contra a coluna lombar), juntamente com a inclinação e rotação ipsilateral até ao final de movimento. De seguida o examinador aplica uma sobrepressão através dos ombros. O teste é considerado positivo se for reproduzida a dor que fez o paciente procurar tratamento.

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Outros testes para o exame físico da lombar e sacroilíaca



terça-feira, 19 de março de 2013

Teste de McMurray


Descrição
O teste de McMurray é usado é usado para avaliar pacientes com suspeita de lesão nos meniscos do joelho.
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Técnica
Com o paciente deitado de barriga para cima, o examinador segura o joelho e palpa a linha interarticular com o polegar de um lado e os dedos do outro, enquanto que a outra mão segura a planta do pé e actua de modo a suportar o membro e proporcionar o movimento desejado. Neste caso o examinador em seguida, aplica uma tensão de valgo ao joelho, enquanto que, com a outra mão, roda externamente a perna e estende o joelho. Dor e/ou um estalido enquanto executa esta manobra pode indicar uma rutura do menisco medial. Para examinar o menisco lateral, o examinador repete esse processo mas aplica um uma força para varo no joelho e rotação medial da tíbia antes de estender o joelho mais uma vez.
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Sensibilidade e fiabilidade
Uma recente meta-análise relatou valores de sensibilidade e especificidade de 70% e 71%. Este teste foi, por conseguinte, muitas vezes referido como sendo de limitado valor na prática clínica atual. No entanto, se os resultados positivos neste teste forem agrupados com os resultados positivos de outros testes, como o teste de Apley, o teste pode ser mais válido.


Hegedus EJ, Cook C, Hasselblad V, Goode A, McCrory DC. (2007) Physical examination tests for Assessing the torn meniscus in the knee: a systematic review with meta-analysis. Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy, 37 (9), 541-50



Outros testes ao joelho



segunda-feira, 4 de março de 2013

Teste em carga do bicípite


Descrição
O teste em carga do bicípite II é utilizado em caso de suspeita de lesões no bordo superior do labrum glenoideu no ombro.
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Técnica
O paciente está em decúbito dorsal, com o ombro em 120º de elevação e rotação externa total, enquanto que o cotovelo está em 90º de flexão e o antebraço em supinação. O paciente é então solicitado a flexionar o cotovelo enquanto o fisioterapeuta aplica resistência contrária ao movimento.
Este teste é considerado positivo quando provoca/aumenta a dor durante a flexão resistida do cotovelo.
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Testes combinados