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domingo, 4 de dezembro de 2016

As 10 principais neuropatias nos membros superiores: Anatomia e Ressonância Magnética

Embora os nervos possam ser lesados em qualquer lugar ao longo do seu percurso, a compressão nervosa periférica ocorre mais em locais específicos, como locais onde o nervo percorre túneis fibro-ósseos ou fibromusculares ou penetra nos músculos.

Tipicamente, o diagnóstico baseia-se na combinação de história clínica, exame físico e estudos eletrodiagnósticos. No entanto, estas informações podem ser insuficientes para fazer um diagnóstico preciso, e a imagem está a ser usada com frequência para confirmar diagnósticos.

A ressonância magnética (RM) e a ultrassonografia de alta resolução (US), como técnicas não-invasivas, fornecem valiosas informações espaciais ao fazer distinções diagnósticas importantes que não podem ser facilmente realizadas usando outros métodos existentes.

Embora ambos permitam a visualização anatómica direta, identificação da causa e localização de anormalidades primárias, a RM evidencia anormalidades de sinal dentro do próprio nervo e é considerada superior na delineação dos sinais indiretos associados à desnervação muscular.

A intensidade do sinal de um nervo normal na RM é de intermédia a baixa nas sequências ponderadas em T1, tornando-se ligeiramente mais alta em T2 e outras sequências sensíveis a fluidos.
Um sinal hiperintenso do músculo desnervado é geralmente associado a síndrome compressiva aguda, e a infiltração de gordura e atrofia muscular são os sinais de neuropatia crónica, em casos de longa duração.
  

Nervo supra-escapular

A compressão do nervo supraescapular, conhecida como síndrome do nervo supraescapular, pode ocorrer como resultado de trauma, ligamento escapular transverso anormal ou espessado ou compressão extrínseca por uma lesão que ocupe o seu espaço, comumente um quisto ou tumor do tecido mole.

A compressão na passagem suprascapular leva à desnervação do supra-espinhoso e do infra-espinhoso, enquanto a compressão mais distal, na passagem espinoglenoidal pode apresentar comprometimento isolado do músculo infra-espinhoso. Os pacientes podem apresentar dor difusa e desconforto na parte de trás do ombro ou na parte superior das costas, assim como fraqueza ao levantar o braço.


Nervo axilar


A síndrome do espaço quadrangular é uma condição incomum em que a artéria umeral circunflexa posterior e o nervo axilar são comprimidos dentro do espaço quadrangular. É causada por compressão dinâmica devido à abdução e rotação externa do ombro, ou por bandas fibrosas anormais, hipertrofia da musculatura adjacente ou lesões ocupantes de espaço.

As manifestações clínicas incluem dor difusa no ombro e parestesias no braço afetado numa distribuição não-dermatoma. A RM pode mostrar alteração do sinal ou atrofia do músculo redondo menor com ou sem envolvimento do músculo deltóide.


Nervo radial


O nervo radial está predisposto a lesão em vários locais:
  • No sulco espiral do úmero (síndrome do sulco espiral) acima da articulação do cotovelo,
  • Onde o nervo interósseo posterior (IP) percorre o túnel radial
  • Onde o ramo superficial do nervo radial atravessa o primeiro compartimento dorsal do punho (síndrome de Wartenberg).

A compressão do IP no túnel radial pode ter duas apresentações clínicas diferentes: síndrome do nervo interósseo posterior e síndrome do túnel radial.
Em pacientes com síndrome do IP, a apresentação clínica inclui deficits motores do grupo extensor sem perda sensorial significativa.
Pacientes com síndrome do túnel radial, por outro lado, tipicamente apresentam dor na zona lateral proximal do antebraço, que pode ter sido causada por trauma agudo e compressão de estruturas adjacentes.


Nervo cubital



A síndrome do túnel cubital é a segunda neuropatia periférica mais comum da extremidade superior. Pode ser causada por bandas fasciais anormais, subluxação ou deslocamento do nervo cubital sobre o epicôndilo mediano, trauma ou compressão direta por massas de tecidos moles.

Os sintomas clínicos incluem uma anormalidade sensorial na face cubital da mão e fraqueza do grupo de músculos flexores do carpo do 4º e 5º dedos. Os achados na RM são a ampliação e sinal hiperintenso apenas proximal ao túnel cubital, e uma mudança de calibre com achatamento distal.


Já a síndrome do canal de Guyon inclui lesões de ocupação espacial, trauma, músculos anómalos e aneurismas da artéria cubital. Pode estar associada a sintomas motores ou sensoriais, dependendo se a compressão envolve o nervo antes da bifurcação para os ramos superficial (sensorial) e profundo (motor) ou se a compressão se limita a um dos ramos.



Nervo mediano


 As neuropatias de compressão do nervo mediano incluem:

A síndrome de pronador, relativamente rara, e é produzida por compressão do nervo mediano entre as cabeças cubital e umeral do músculo do pronador.
As causas da síndrome do pronador podem relacionar ao trauma, às anormalidades congénitas, ou a hipertrofia do redondo pronador. Os achados clínicos incluem dor e dormência na face anterior do cotovelo, antebraço e punho sem fraqueza muscular.

A síndrome do nervo interósseo anterior (síndrome de Kilon-Nevin) é causada pela compressão do nervo interósseo anterior no antebraço. As causas semelhantes às descritas na síndrome de pronador. A RM é útil para mostrar alterações de intensidade de sinal relacionadas com a desnervação muscular, tipicamente envolvendo os músculos flexor profundo dos dedos, flexor longo do polegar e quadrado pronador.

A síndrome do túnel do carpo é, de longe, a causa mais comum de neuropatia por compressão. Embora muitos casos sejam idiopáticos, pode resultar de uma ampla variedade de etiologias, incluindo trauma repetitivo, condições relacionadas a alterações metabólicas e hormonais e quistos ganglionares.

Os pacientes com síndrome do túnel do carpo têm sintomas de ardência e dor no punho e parestesia ou dormência do 1º ao 3º dedo e aspecto radial do 4º dedo. Na RM da síndrome do túnel do carpo as visões axiais são as imagens mais úteis para demonstrar as alterações.


Dong QJacobson JAJamadar DAGandikota GBrandon CMorag YFessell DPKim SMEntrapment neuropathies in the upper and lower limbs: anatomy and MRI features. Radiol Res Pract. 2012;2012:230679. 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Compressão do nervo cubital


A compressão do nervo cubital ocorre quando este nervo é pressionado em algum ponto ao longo do seu trajecto. Quando isto acontece, o nervo não funciona normalmente.
O nervo cubital é um dos três principais nervos do braço. Ele passa sob a clavícula e pela parte interna do braço, passando por um túnel de tecido fibroso (do túnel cubital), na face posterior e medial do cotovelo. Nesta zona poderá sentir o nervo através da pele. Abaixo do cotovelo, o nervo passa sob os músculos do lado de dentro do antebraço e na mão do lado o dedo mindinho, na palma da mão. Na mão o nervo passa através de outro túnel fibroso, o canal de Guyon.
As suas funções são dar sensibilidade ao dedo mínimo e a metade do dedo anelar. Ele também controla a maioria dos pequenos músculos na mão que ajuda aos movimentos finos, e alguns dos maiores músculos do antebraço que ajudam a fazer uma preensão forte.
O local mais comum onde o nervo é comprimido é por trás do cotovelo. Mais raramente poderá ficar comprimido no punho, abaixo da clavícula, ou quando sai da medula espinhal no pescoço.
Não se sabem exactamente as causas da compressão do nervo cubital, no entanto, alguns factores podem tornar a compressão mais provável:
  • Fracturas prévias do cotovelo
  • Esporões ósseos
  • Inchaço da articulação do cotovelo
  • Quistos
  • Um golpe directo sobre a parte interna do cotovelo, inclinar-se sobre o cotovelo durante períodos prolongados, ou actividades repetitivas que requerem o cotovelo dobrado podem lesar ainda mais o nervo se ele já está a ser pressionado.
  • Se a compressão do nervo cubital se dá no punho, a causa é mais provável é que seja um quisto no canal de Guyon. 

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

“Adormecimento” no dedo anelar e mindinho, especialmente quando o cotovelo está dobrado. Poderá ser uma dor aguda na parte interna do cotovelo. Em alguns casos, pode ser mais difícil mover os dedos ou manipular objectos. Algumas pessoas acordam durante a noite com os dedos dormentes.
Pode ocorrer perda de força de preensão e dificuldade de coordenação dos dedos (como teclar ou tocar um instrumento).
Nos casos mais graves pode observar-se perda de massa muscular na mão.
Síndrome do túnel cárpico tem sintomas semelhantes, mas envolve um nervo diferente (nervo mediano). Síndrome do túnel cárpico normalmente causa formigueiro no polegar, dedo indicador e o dedo médio.
As lesões nervosas podem ser classificadas segundo a sua gravidade em:
Neuropraxia: um episódio transitório de paralisia motora completa com comprometimento sensitivo ligeiro. Geralmente é secundária a uma pressão mecânica transitória. Uma vez que esta é aliviada, o retorno da função é total.
Axonotmese: uma lesão mais grave, envolvendo perda de continuidade do axónio com a manutenção da continuidade da bainha de Schwann. Há comprometimento motor e sensorial, podendo observar-se atrofia do músculo desnervado. A recuperação depende de uma série de factores, incluindo a remoção atempada da compressão e regeneração axonal.
Neurotmese: é o nível mais grave de lesão. Implica a perda total da continuidade do axónio e da bainha de Schwann. A recuperação raramente é completa, e o valor da perda só pode ser determinado ao longo do tempo.
O diagnóstico de uma compressão do nervo cubital é normalmente clínico, baseando-se nos sintomas, na história clínica e no exame físico ao doente. O seu médico poderá pedir um raio-X para descartar fracturas do olecrâneo ou a presença de esporões ósseos. Se houver dúvida sobre o local onde o nervo está a ser comprimido poderá ser pedida uma electromiografia, um teste realizado com agulhas que irá determinar a velocidade de condução nervosa em diferentes pontos do nervo através da velocidade de resposta do músculo enervado por esse nervo.

Tratamento

A menos que haja uma grande perda de massa muscular, o tratamento conservador será provavelmente o tratamento de eleição numa fase inicial. Este deve incluir:
Aconselhamento do doente: Evitar posições mantidas em flexão do cotovelo; correcção ergonómica da posição de trabalho; evitar apoiar-se ou colocar pressão sobre os cotovelos; evitar por exemplo, conduzir com o braço apoiado na janela.
Aplicação de uma tala nocturna ou almofada de forma a evitar a flexão do braço.
Anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser prescritos pelo seu médico para aliviar a irritação do nervo. Suplementos de vitamina B-6 podem ser úteis para sintomas leves.
Exercícios específicos de mobilização e estiramento nervoso poderão ser benéficos para diminuir a pressão sobre o nervo e melhorar a condução nervosa.
Nos casos mais graves, de neurotemese, a cirurgia pode ser indicada. Os critérios para indicação cirúrgica são:
  • Não haver melhoria nos sintomas após 6-12 semanas de tratamento conservador
  • Paralisia ou parésia progressivas.
  • Evidência clínica de uma lesão de longa evolução (por exemplo, perda de massa muscular)

O tratamento cirúrgico para lesões do cotovelo inclui a transposição cirúrgica do nervo e descompressão do túnel cubital.

Exercícios terapêuticos para a compressão do nervo cubital

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma compressão do nervo cubital. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


 

Mobilização do plexo braquial
Em pé, com a mão apoiada na parede atrás de si. Estique o cotovelo e incline e rode a cabeça para o lado contrário ao que está a mobilizar.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 


Fortalecimento do tricípite
Com o cotovelo a 90o e encostado ao tronco, e o punho fechado. Com a outra mão ofereça resistência, impedindo o antebraço de se mover. Faça força para esticar o cotovelo. Mantenha a pressão por 8 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 







 Extensão da coluna torácica
Sentado, com as mãos atrás da cabeça. Inspire fundo enquanto roda os cotovelos para fora e alonga o tronco nas costas da cadeira. Expire lentamente, retornando à posição inicial.
Repita entre 15 a 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.






Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.