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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Variações na Inervação da Cabeça Longa do Tríceps braquial: investigação em cadáver

Embora os principais livros de anatomia não descrevam outra inervação para a cabeça longa do tríceps que não seja o nervo radial, em alguns estudos de cadáveres ocorreram casos em que o ramo motor da cabeça longa do tríceps surgia do nervo axilar.

Para além disso os cenários clínicos de lesão do nervo axilar com disfunção inesperada do tríceps braquial suportam esses estudos.

O nervo radial tem origem no cordão posterior do plexo braquial, na bifurcação com o nervo axilar. Este nervo transporta as fibras nervosas das raízes de C5 a T1, enquanto o nervo axilar transporta fibras de raízes nervosas predominantemente de C5 e C6.

O nervo axilar é conhecido por ser o suprimento motor apenas para os músculos redondo menor e deltóide.
O redondo menor, com origem na escápula e inserido no úmero, forma a borda superior do espaço quadrangular - um marco anatómico e espaço implicado em algumas síndromes de disfunção do ombro.

A borda do úmero forma a borda lateral do espaço quadrangular, o músculo redondo maior forma a borda inferior e a cabeça longa do tríceps forma a borda medial. O espaço quadrangular é utilizado como marco para identificar a artéria umeral circunflexa posterior e o nervo axilar após a saída da axila.

Depois de atravessar o espaço quadrangular, o nervo axilar pode dividir-se em ramos anterior e posterior, se ainda não o tiver feito. O curso exato do nervo axilar após sair do espaço quadrilateral provou ser bastante variável.


Neste estudo, 8 dos 22 ombros dissecados tinham inervação exclusiva pelo nervo radial para a cabeça longa do tríceps, padrão de inervação clássico. Entretanto, 14 dos 22 espécimes apresentaram padrões nervosos diferentes do padrão clássico. Dos padrões “não-clássicos”, 11 revelaram inervação dupla (axilar e radial) e três tinham apenas enervação axilar.


Ao analisar os dois ombros de 10 cadáveres, verificaram que 3 tinham inervação dupla bilateralmente, 5 tinham inervação dupla de um lado e inervação radial do outro, e 1 tinha enervação radial em um lado e axilar no lado oposto, e apenas 1 cadáver tinha inervação radial bilateral.


Erhardt AJFutterman BVariations in the Innervation of the Long Head of the Triceps Brachii: A Cadaveric Investigation. Clin Orthop Relat Res. 2016 Nov 9. 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Sinal de Bakody

Descrição
O objetivo deste teste é avaliar suspeitas de radiculopatia cervical ao nível de C4-C6. Devido à ausência de critérios de diagnóstico para este teste, não deve ser usado para diagnóstico em quaisquer patologias.
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Técnica
O paciente deve estar sentado. Ou o fisioterapeuta ou o próprio paciente coloca a mão do paciente em cima da sua cabeça. A diminuição da dor indica um teste positivo.

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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Compressão do nervo cubital


A compressão do nervo cubital ocorre quando este nervo é pressionado em algum ponto ao longo do seu trajecto. Quando isto acontece, o nervo não funciona normalmente.
O nervo cubital é um dos três principais nervos do braço. Ele passa sob a clavícula e pela parte interna do braço, passando por um túnel de tecido fibroso (do túnel cubital), na face posterior e medial do cotovelo. Nesta zona poderá sentir o nervo através da pele. Abaixo do cotovelo, o nervo passa sob os músculos do lado de dentro do antebraço e na mão do lado o dedo mindinho, na palma da mão. Na mão o nervo passa através de outro túnel fibroso, o canal de Guyon.
As suas funções são dar sensibilidade ao dedo mínimo e a metade do dedo anelar. Ele também controla a maioria dos pequenos músculos na mão que ajuda aos movimentos finos, e alguns dos maiores músculos do antebraço que ajudam a fazer uma preensão forte.
O local mais comum onde o nervo é comprimido é por trás do cotovelo. Mais raramente poderá ficar comprimido no punho, abaixo da clavícula, ou quando sai da medula espinhal no pescoço.
Não se sabem exactamente as causas da compressão do nervo cubital, no entanto, alguns factores podem tornar a compressão mais provável:
  • Fracturas prévias do cotovelo
  • Esporões ósseos
  • Inchaço da articulação do cotovelo
  • Quistos
  • Um golpe directo sobre a parte interna do cotovelo, inclinar-se sobre o cotovelo durante períodos prolongados, ou actividades repetitivas que requerem o cotovelo dobrado podem lesar ainda mais o nervo se ele já está a ser pressionado.
  • Se a compressão do nervo cubital se dá no punho, a causa é mais provável é que seja um quisto no canal de Guyon. 

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

“Adormecimento” no dedo anelar e mindinho, especialmente quando o cotovelo está dobrado. Poderá ser uma dor aguda na parte interna do cotovelo. Em alguns casos, pode ser mais difícil mover os dedos ou manipular objectos. Algumas pessoas acordam durante a noite com os dedos dormentes.
Pode ocorrer perda de força de preensão e dificuldade de coordenação dos dedos (como teclar ou tocar um instrumento).
Nos casos mais graves pode observar-se perda de massa muscular na mão.
Síndrome do túnel cárpico tem sintomas semelhantes, mas envolve um nervo diferente (nervo mediano). Síndrome do túnel cárpico normalmente causa formigueiro no polegar, dedo indicador e o dedo médio.
As lesões nervosas podem ser classificadas segundo a sua gravidade em:
Neuropraxia: um episódio transitório de paralisia motora completa com comprometimento sensitivo ligeiro. Geralmente é secundária a uma pressão mecânica transitória. Uma vez que esta é aliviada, o retorno da função é total.
Axonotmese: uma lesão mais grave, envolvendo perda de continuidade do axónio com a manutenção da continuidade da bainha de Schwann. Há comprometimento motor e sensorial, podendo observar-se atrofia do músculo desnervado. A recuperação depende de uma série de factores, incluindo a remoção atempada da compressão e regeneração axonal.
Neurotmese: é o nível mais grave de lesão. Implica a perda total da continuidade do axónio e da bainha de Schwann. A recuperação raramente é completa, e o valor da perda só pode ser determinado ao longo do tempo.
O diagnóstico de uma compressão do nervo cubital é normalmente clínico, baseando-se nos sintomas, na história clínica e no exame físico ao doente. O seu médico poderá pedir um raio-X para descartar fracturas do olecrâneo ou a presença de esporões ósseos. Se houver dúvida sobre o local onde o nervo está a ser comprimido poderá ser pedida uma electromiografia, um teste realizado com agulhas que irá determinar a velocidade de condução nervosa em diferentes pontos do nervo através da velocidade de resposta do músculo enervado por esse nervo.

Tratamento

A menos que haja uma grande perda de massa muscular, o tratamento conservador será provavelmente o tratamento de eleição numa fase inicial. Este deve incluir:
Aconselhamento do doente: Evitar posições mantidas em flexão do cotovelo; correcção ergonómica da posição de trabalho; evitar apoiar-se ou colocar pressão sobre os cotovelos; evitar por exemplo, conduzir com o braço apoiado na janela.
Aplicação de uma tala nocturna ou almofada de forma a evitar a flexão do braço.
Anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser prescritos pelo seu médico para aliviar a irritação do nervo. Suplementos de vitamina B-6 podem ser úteis para sintomas leves.
Exercícios específicos de mobilização e estiramento nervoso poderão ser benéficos para diminuir a pressão sobre o nervo e melhorar a condução nervosa.
Nos casos mais graves, de neurotemese, a cirurgia pode ser indicada. Os critérios para indicação cirúrgica são:
  • Não haver melhoria nos sintomas após 6-12 semanas de tratamento conservador
  • Paralisia ou parésia progressivas.
  • Evidência clínica de uma lesão de longa evolução (por exemplo, perda de massa muscular)

O tratamento cirúrgico para lesões do cotovelo inclui a transposição cirúrgica do nervo e descompressão do túnel cubital.

Exercícios terapêuticos para a compressão do nervo cubital

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma compressão do nervo cubital. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


 

Mobilização do plexo braquial
Em pé, com a mão apoiada na parede atrás de si. Estique o cotovelo e incline e rode a cabeça para o lado contrário ao que está a mobilizar.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 


Fortalecimento do tricípite
Com o cotovelo a 90o e encostado ao tronco, e o punho fechado. Com a outra mão ofereça resistência, impedindo o antebraço de se mover. Faça força para esticar o cotovelo. Mantenha a pressão por 8 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 







 Extensão da coluna torácica
Sentado, com as mãos atrás da cabeça. Inspire fundo enquanto roda os cotovelos para fora e alonga o tronco nas costas da cadeira. Expire lentamente, retornando à posição inicial.
Repita entre 15 a 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.






Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.