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domingo, 8 de novembro de 2015

Ultra-som terapêutico na melhoria da dor e função física do joelho com osteoartrite: revisão sistemática e metanálise

O ultra-som tem sido utilizado há mais de seis décadas, tendo demonstrado um longo histórico de segurança e eficácia em inúmeras aplicações clínicas, nomeadamente em tratamentos para a osteoartrose do joelho, com poucos casos documentados de efeitos adversos.


Este estudo, publicado na Clinical Rehabilitation em Outubro deste ano, faz uma revisão sistemática procurando artigos científicos nas bases de dados: CENTRAL, Embase, MEDLINE, CINAHL, Fisioterapia Evidence Database. 

Dez ensaios clínicos randomizados (num total de 645 pacientes, submetidos a tratamentos de ultra-sons com frequências de 1MHZ, modo continuo ou pulsado,  com intensidade entre 1-1,5W/cm2, e tempos de exposição entre 3-5 minutos) preencheram os critérios de inclusão desta metanálise. 


Resultados


O ultra-som terapêutico mostrou um efeito positivo sobre a dor. Para a função física, o ultra-som terapêutico foi vantajoso na redução do Western Ontario and McMaster Universities physical function Score.

Em termos de segurança, nenhuma ocorrência de eventos adversos causados ultra-som foi relatada. 

Os autores sugerem que o ultra-som terapêutico é benéfico para reduzir a dor do joelho e melhorar as funções físicas em pacientes com osteoartrite do joelho e deverá ser um tratamento seguro.


Zhang C, Xie Y, Luo X, Ji Q, Lu C, He C, Wang P.. Effects of therapeutic ultrasound on pain, physical functions and safety outcomes in patients with knee osteoarthritis: A systematic review and meta-analysis.. Clin Rehabil 2015 Oct 8

sábado, 15 de novembro de 2014

Fisioterapia pré-prótese da anca ou do joelho reduz a necessidade de cuidados pós-operatórios em 29%

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a osteoartrite como uma doença relacionada com a civilização. A eficácia da fisioterapia pré-artroplastia total da anca entre os pacientes que sofrem de osteoartrite da anca (OA) no final do tratamento conservador raramente é descrita na literatura.

Um novo estudo, publicado na revista americana Journal of Bone & Joint Surgery (JBJS), descobriu que a fisioterapia antes da artroplastia total pode diminuir a necessidade de cuidados pós-operatórios em quase 30%, economizando uma média de 1.215 dólares por paciente em serviços de saúde especializados e outros cuidados no pós-operatório.

Utilizando o Medicare, os investigadores foram capazes de identificar tanto o recurso a fisioterapia pré-operatória como os padrões de utilização de cuidados pós-operatórios para 4733 pacientes submetidos a substituição total da anca e do joelho:

Cerca de 77% dos pacientes utilizaram serviços de saúde após a cirurgia. Após o ajuste para as características demográficas e co-morbilidades (outras condições), os pacientes que receberam fisioterapia pré-operatória apresentaram uma redução de 29% no uso de cuidados de saúde pós-operatórios.


"Este estudo demonstrou uma oportunidade importante para as variações de resultados pós-operatórios através da implementação de fisioterapia pré-operatória, juntamente com a gestão de co-morbilidades antes e durante a cirurgia", referiu o cirurgião ortopédico Ray Wasielewski, co-autor do estudo.

Um outro estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida e condição física dos pacientes que fizeram fisioterapia até um ano antes de artroplastia total da anca comparativamente com aqueles que não o fizeram.

45 pacientes, internados no Departamento de Ortopedia e Traumatologia para cirurgia de substituição total da anca, foram recrutados para este estudo.

A avaliação consistiu numa entrevista detalhada com vários questionários: o Harris Hip Score (HHS), a Western Ontario e McMaster Universities Osteoartrite Index (WOMAC), o 36-Item Short Form Health Survey (SF-36), e o Hip Disability and Osteoarthritis Outcome Score (HOOS), bem como o exame físico. Os pacientes foram divididos em grupos com base na sua participação em fisioterapia pré-operatória ou não.

Entre os pacientes que receberam fisioterapia pré-operatória houve uma melhoria significativa na dor, função, vitalidade, saúde psicológica, vida social, e rotação interna (ativa e passiva) da anca (p <0,05).


Apesar de os pacientes não serem rotineiramente encaminhados à fisioterapia antes da cirurgia de substituição total da anca, estes estudos confirmam que a fisioterapia pré-operatória pode ter uma influência positiva sobre o sistema músculo-esquelético e qualidade de vida em pacientes com osteoartrite da anca e joelho.


Snow R, Granata J, Ruhil AV, Vogel K, McShane M, Wasielewski R  Associations between preoperative physical therapy and post-acute care utilization patterns and cost in total joint replacement. J Bone Joint Surg Am. 2014 Oct 1;96(19)

Czyżewska A, Glinkowski WM, Walesiak K, Krawczak K, Cabaj D, Górecki A. Effects of preoperative physiotherapy in hip osteoarthritis patients awaiting total hip replacement. Arch Med Sci. 2014 Oct 27;10(5):985-91

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O joelho visto ao pormenor. O olhar do especialista. - parte 2

Entrevista com:
Prof. Doutor José Carlos Noronha


P.: O Doutor é reconhecido pelo seu trabalho com atletas de elite, nomeadamente no acompanhamento de lesões do joelho. Pode falar-nos um pouco sobre a rutura do ligamento cruzado anterior do joelho?

R.: Na rotura de ligamentos do joelho, o ligamento mais lesado é o colateral medial (ou lateral interno), mas a lesão grave mais frequente é a do ligamento cruzado anterior, muito frequente em atletas, que nem sempre tem indicação operatória.

Quando se é relativamente novo, 30-35 anos, e se pretende manter uma atividade desportiva que solicite a rotação do joelho, como o futebol, andebol, basquetebol, volei, rugbi, justificar-se-á a reconstrução ligamentar. Em pessoas que pratiquem desportos que não solicitem tanto a rotação do joelho, como o ski ou o ténis, um tratamento fisiátrico bem orientado permite geralmente o retorno a esse tipo de desportos sem que haja necessidade de operar.

Em resumo, rotura do ligamento cruzado anterior não é igual a reconstrução desse ligamento, intervenção cirúrgica que não está isenta de efeitos secundários, nomeadamente a predisposição para a artrose, pois é uma agressão à articulação e se associadas existirem lesões cartilagíneas ou meniscais irreparáveis a evolução para a artrose é nítida e por vezes bastante rápida, particularmente se se continuar a solicitar esse joelho de modo intensivo no desporto.

Numa nota final é importante referir que os protocolos de recuperação acelerada após a ligamentoplastia do ligamento cruzado anterior estão a ser cada vez mais abandonados porque estão a ser correlacionados com degradação do ligamento e rotura ou distensão precoce, que levam a uma segunda cirurgia ou ao abandono da prática desportiva. O ligamento só atinge maturidade cerca dos 15-24 meses, pelo que antes dos 6 meses, que é o mínimo exigível para ter alguma resistência é condenável a permissão ao regresso desportivo sem limitações. Começa a propor-se entre 8-10 meses para que o ligamento atinga a maturidade e resistência suficientes para permitir uma prática desportiva sem limitação.



P.: Recentemente o Doutor tem utilizado uma nova técnica na cirurgia de prótese do joelho que tem melhorado significativamente o prognóstico de reabilitação e diminuído a necessidade de cirurgia de revisão. Pode explicar-nos de modo geral, quais as diferenças comparativamente à técnica que se aplicava anteriormente?

R.: A artroplastia do joelho é o último recurso para uma artrose evoluída do joelho. Tal como disse há pouco há joelhos extremamente degradados, mas não se devem operar doentes unicamente pela imagem obtida por raio-x. Há que ver o conjunto de queixas e de imagens e a prótese só deve ter lugar após o fracasso de todas as outras medidas conservadoras, desde a fisiátrica à medicamentosa, à alteração dos hábitos de vida, etc.

Mas quando a artroplastia do joelho tem indicação o ideal, sendo uma cirurgia com risco de infecção não desprezível (ronda os 5%), deve ser o menos agressiva e o mais rápida possível. Neste sentido, já desde há alguns anos é possível, através de uma TAC ou RM, enviar as imagens obtidas nestes exames para alguns fabricantes de próteses, neste caso nos EUA e Suíça, que enviam, cerca de três semanas depois, um molde com o tamanho natural do joelho que foi estudado e com os moldes de corte, isto permite que não se façam perfurações do canal femural e tibial que são causa de maior sangramento, aumento de dor e maior risco de trombo-embolismo. Os cortes feitos são muito mais perfeitos e a cirurgia é muito mais rápida, tendo menor risco de infeção, pois a cirurgia demora cerca de 20 minutos menos que a original.



P.: Para terminar, algum novo projeto de investigação na calha? Ou sugestão de temas que pensa serem interessantes investigar no futuro?

R.: Em termos ortopédicos o grande desafio é a cartilagem. A engenharia de tecidos é que tem estado envolvida nesta área, embora, mesmo já decorridos muitos anos, ainda se esteja numa fase experimental. Têm-se tentado retirar células mesenquimatosas a partir do osso do ilíaco, da gordura e do músculo, fatores de crescimento plasmáticos autólogos, associados a retrovírus e adenovírus para lhe prolongar a atuação e eficácia, de qualquer forma grande parte desses estudos têm sido feitos in-vitro, e os resultados dos estudos feitos in-vivo, em animais, nem sempre são coincidentes com os resultados obtidos no ser humano. De qualquer modo, a engenharia de tecidos, não só a nível de cartilagem, como de menisco e ligamentos são uma certeza concreta num futuro que se espera recente e que virá com certeza modificar o caminho da ortopedia. Há referências mundiais, nomeadamente na Universidade do Minho, onde o serviço do Professor Rui Reis tem feito trabalhos excelentes nesta área da engenharia de tecidos.

Em termos de transplante meniscal, apesar dos estudos com células implantadas em matrizes de colagénio, atualmente os melhores resultados ainda têm sido obtidos pelo enxerto de cadáver, que permitem um resultado bom a excelente na casa dos 70% dos casos.

Pode ler aqui a primeira parte desta entrevista.



Prof. Doutor José Carlos Noronha

Licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra
Especialista em Ortopedia pelo Hospital de Santo António – Porto
Doutorado pela Universidade do Porto – título da tese “Isometria na Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior”
Autor de 3 livros e 1 CD-Rom sobre lesões ligamentares do joelho
Investigador da Universidade de Aveiro
Cirurgião da equipa principal de futebol do Futebol Clube do Porto
Coordenador Médico da Gestifute
Ortopedista no Hospital da Trindade




quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Viscossuplementação com ácido hialorónico no tratamento da artrose do joelho


A primeira linha de tratamento para a osteoartrose do joelho tem como objetivo aliviar a dor. Normalmente são utilizados analgésicos como o ibuprofeno ou anti-inflamatórios não esteróides (AINE), juntamente com a fisioterapia, aplicações de analgésicos tópicos e, por fim, injeções de corticosteróides. No entanto, algumas pessoas fazem reações adversas aos AINEs e estes agentes costumam trazer um alívio dos sintomas apenas temporário.

Uma técnica relativamente recente, denominada viscossuplementação, injeta um preparado de ácido hialurónico no interior da articulação do joelho. O ácido hialurónico é uma substância natural encontrada no líquido sinovial e atua como um lubrificante para permitir que os ossos se movam suavemente um sobre o outro, amortecendo também as cargas sobre a articulação.

As pessoas com osteoartrose têm uma concentração menor do que o normal de ácido hialurónico nas suas articulações, pelo que a viscosuplementação pode ser uma opção terapêutica para indivíduos com esta patologia.

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Efeitos da viscossuplementação com ácido hialorónico


Em vários estudos a viscosuplementação demonstrou aliviar a dor em pacientes que não obtiveram alívio com fisioterapia ou medicamentos analgésicos.
O ácido hialurónico não tem um efeito de alívio da dor imediata, poderá até notar uma reação local, como dor, calor e inchaço leve imediatamente após a injeção. Estes sintomas geralmente não duram muito tempo, mas pode aplicar gelo para ajudar a aliviá-los.
Durante as primeiras 48 horas após a injeção, deve evitar carregar pesos excessivos, ficar em pé por longos períodos ou correr.

Ao longo do período em que levar as injeções, deve sentir que tem menos dor no seu joelho, embora o ácido hialurónico não pareça ter propriedades anti-inflamatórias e de alívio da dor. As injeções também podem estimular o organismo a produzir mais do seu próprio ácido hialurónico.
Os efeitos podem durar vários meses.

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Tratamento


Se houver qualquer inchaço (derrame) no joelho, o médico irá remover (aspirando) os fluidos em excesso antes de injetar o ácido hialurónico. Normalmente, isto pode ser feito ao mesmo tempo, com apenas uma agulha injectada na articulação, ainda que alguns médicos podem preferir usar duas seringas separadas. Dependendo do produto usado, você receberá 3-5 doses ao longo de várias semanas.


Resultados


A viscosuplementação pode ser útil para as pessoas cuja artrose não respondeu aos tratamentos de primeira linha. É mais eficaz se a artrose estiver num estágio inicial (artrose leve a moderada). Alguns pacientes podem sentir dor no local da injeção, e, ocasionalmente, as injeções resultam num aumento do inchaço.
A eficácia a longo prazo da viscossuplementação ainda não é conhecida e a investigação nesta área continua.

Se a sua artrose não está a responder bem aos tratamentos ou se está a tentar adiar a cirurgia, pode querer discutir esta opção terapêutica com o seu ortopedista.