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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Terapia manual numa paciente com neuroma de Morton: estudo de caso clínico

O neuroma de Morton (NM) é uma condição associada aos nervos digitais plantares comuns, causada pelo esmagar do nervo e pela tração repetitiva por baixo do ligamento metatarsal transverso profundo levando ao crescimento excessivo de tecido fibroso perineural.

O NM ocorre até 10 vezes mais frequentemente em mulheres em torno dos 50 anos. O início da dor é muitas vezes insidioso, e a prevalência de neuromas em indivíduos assintomáticos pode ser tão elevada como 25 e 50%.

O diagnóstico clínico pode ter até 99% de exatidão, com as queixas típicas de dor na face plantar do espaço interdigital, parestesias e/ou adormecimento agravados por atividades em carga e aliviados pelo descanso e pela massagem.

O tratamento envolve frequentemente injeções de corticosteróides e excisão cirúrgica. No entanto, as injecções de corticosteróides ou a excisão não garantem o alívio completo.

O tratamento de fisioterapia para o NM não tem sido muito descrito na literatura disponível até o momento. A terapia manual tem sido hipotetizada para alterar as informações nociceptivas aferentes, normalizar os desajustes sensorio-motores, ativar vias descendentes anti-nociceptivas e diminuir a hiperexcitabilidade da coluna vertebral.

Apresentação de caso clínico


Uma paciente, de 35 anos, apresentou-se na clínica com dor plantar do pé direito ao caminhar, caminhar com saltos altos e correr.

Vinha diagnosticada por um podologista com NM. Tinha recebido uma injeção de corticosteróide dois meses antes, sem benefício, e estava a tomar anti-inflamatórios não-esteróides (AINE) ininterruptamente.

O podologista recomendou cirurgia, no entanto a paciente pediu para ser encaminhada ao PT. Já havia experimentado dor semelhante 10 anos antes com resolução após PT.

A paciente relatou uma história de 4 meses de início gradual e agravamento da dor plantar direita no 3º espaço interdigital, 3/10 em repouso, mas poderia variar de 0 a 6/10.

Embora as atividades em carga, como passear os seus cães, agravassem a dor, esta aliviava com o descanso e AINEs. A modificação do calçado e uso de palmilhas ajudaram, mas insuficientes.

Por causa da dor, a paciente tinha parado de correr, evitado usar escadas ou usar saltos altos. Os seus objetivos eram a resolução da dor e poder retomar as corridas. Negou outras áreas de dor e todas as questões de red flag foram negativas.

A avaliação postural revelou escoliose lombar que a paciente relatou como presente desde a adolescência, pés planos e varo do antepé bilateralmente, e uma “queda” das 4ª e 5ª cabeças metatarsianas visíveis em descarga no pé direito.

Os limiares de dor à pressão (DP) foram medidos com um algómetro de pressão portátil (Force Ten FDX, Wagner Instruments, Greenwich CT, EUA) no aspecto plantar do 3º espaço interdigital de forma a quantificar a hiperalgesia tecidual local e detectar potenciais melhorias subclínicas durante o tratamento.


Tratamento


O tratamento na visita inicial incluiu 4 min de deslizamento plantar da articulação talonavicular direita (grau IV). Imediatamente a seguir, a DP melhorou de 233 kPa para 354 kPa e relatou diminuição da dor, que não classificou.
Foi instruída em auto-mobilização talonavicular para casa a ser realizada diariamente por 2 a 3 min e foi educada sobre os mecanismos biomecânicos da sua dor.
Foi também instruída a estimular que o dedo grande agarre o chão durante a marcha para aliviar a pressão lateral do pé.
O tratamento subsequente incluiu mobilizações de grau IV e manipulações dirigidas a segmentos hipomoveis do médio-pé da paciente para restaurar o movimento óptimo e restaurar a função. A reavaliação da mobilidade articular foi realizada em cada sessão.


Embora esta paciente tenha melhorado com a terapia manual, este é um estudo de caso e, como tal, não generalizável para todos os pacientes com NM.
No entanto, dada a falta de intervenções de gestão conservadora eficazes para NM, os resultados deste caso são encorajadores. Futuros estudos para determinar a eficácia do tratamento fisioterapêutico em NM são necessários.

Sault JDMorris MVJayaseelan DJEmerson-Kavchak AJManual therapy in the management of a patient with a symptomatic Morton's Neuroma: A case report. Man Ther. 2016 Feb;21:307-10.

domingo, 6 de abril de 2014

Teste para Neuromas Interdigitais

Descrição
Este teste tem o propósito de testar a presença de um neuroma interdigital



Técnica
O fisioterapeuta suporta os dois metatarsos contíguos entre os quais suspeita da pesença de uma neuroma. De seguida move o metatarso para a frente e para trás enquanto os comprime. O teste é considerado positivo se os sintomas do paciente são reproduzidos. Muitas vezes, estes sintomas são descritos como picada, queimação, formigueiro ou dores.





quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Neuroma de Morton


O neuroma de Morton consiste num espessamento localizado que afecta um dos nervos plantares comuns, que correm entre os ossos metatarsos, no . É mais comum entre o 3º e 4º dedos.
Alguns dizem que esta condição não se devia ser chamada neuroma de Morton pois, na realidade, não se trata um neuroma. Um neuroma é um tumor benigno (não canceroso) que cresce a partir do revestimento fibroso de um nervo. Nos neuromas de Morton não há formação de tumor.
A razão do espessamento do nervo ainda é desconhecida. Mas uma vez formado, os ossos e ligamentos nas proximidades irão colocar pressão sobre o nervo causando mais irritação e inflamação. Esta condição é muito mais comum em mulheres do que homens, provavelmente como resultado do uso de saltos altos, e sapatos com a frente estreita. O excesso de peso também é um factor de risco.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Dor em queimação, dormência, formigueiro e outras sensações anormais nos dedos do pé (normalmente entre o 3º e 4º dedos, também pode afectar o 2º dedo). A dor pode alastrar-se da base do pé à ponta dos dedos
Normalmente, a dor de um neuroma de Morton é aliviada temporariamente ao tirar os sapatos, flexionando os dedos e esfregando os pés. Os sintomas podem ser agravados quando está em pé por longos períodos ou com saltos altos ou com sapatos de biqueira estreita.
Para confirmar o diagnóstico, deve ser feita uma avaliação clínica que inclua perguntas sobre natureza e localização da dor no pé, os sapatos que costuma usar, o seu historial médico, especialmente se houver história de artrite e problemas musculares ou lesão anterior no seu ou perna. Por vezes, o médico pode sugerir uma ecografia ou ressonância magnética para confirmar o diagnóstico, mas nem sempre é necessário.

Tratamento

Tratamento conservador (não-cirúrgico):
  • Ajustes no calçado, incluindo evitar de sapatos de salto alto e biqueira estreita; almofadas e palmilhas ortopédicas especiais
  • Exercícios de alongamento dos gémeos também podem ser ensinados para ajudar a aliviar a pressão sobre seu pé.
  • Anti-inflamatórios não-esteróides ou injecções de anestésicos locais (ou uma combinação de ambos) podem ser necessários se as mudanças no calçado e os exercícios não aliviarem totalmente os sintomas. Mesmo assim, estas mudanças devem ser mantidas.

Os tratamentos cirúrgicos:
Se o tratamento conservador não funcionar, a cirurgia pode ser necessária. A cirurgia envolve normalmente uma pequena incisão (corte) no pé, entre os dedos afectados. Normalmente, o cirurgião irá em seguida, criar mais espaço ao redor do nervo afectado (conhecida como a descompressão do nervo) ou vai ressecar (cortar) o nervo afetado. Se o nervo é ressecado, haverá alguma dormência permanente da pele entre os dedos afectados. Isso geralmente não causa qualquer problema. Após a cirurgia terá de usar um sapato especial até que a ferida tenha cicatrizado e possa usar novamente calçado normal.
A cirurgia é geralmente bem sucedida. No entanto, como em qualquer intervenção cirúrgica, existe um risco de complicações. Por exemplo, após esta operação um número pequeno de pessoas pode desenvolver uma infecção da cicatriz. Outra complicação pode ser espessamento de longo prazo, ou a formação de calos, da pele na sola do pé (conhecida como ceratose plantar). Isso pode exigir podologia e fisioterapia.

Exercícios terapêuticos para o neuroma de Morton

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de um neuroma de Morton. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


 
  
Mobilização dos dedos dos pés
Deitado, com a perna apoiada, imagine que as pontas dos dedos são um marcador, com ele, tente desenhar as letras do abecedário no ar.
Repita entre 2 a 3 vezes o abecedário completo, desde que não desperte nenhum sintoma.





Alongamento da planta do pé
Em pé, com a perna esticada, apoie o calcanhar no chão e a ponta do pé na parede, o mais alto que conseguir, dentro do limite do confortável. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

 Alongamento dos gémeos
De pé, com as mãos ao nível dos ombros apoiadas na parede. Colocar a perna a alongar esticada e atrás, dobrar à frente o joelho da outra perna, com as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Adams WR, 2nd. Morton's neuroma. Clin Podiatr Med Surg. 2010 Oct;27(4):535-45.
Thomson CE, Gibson JN, Martin D. Interventions for the treatment of Morton's neuroma. Cochrane Database Syst Rev. 2004(3):CD003118.