quarta-feira, 17 de Outubro de 2012

Alterações degenerativas da coluna lombar


         A coluna vertebral é composta por vários ossos conhecidos como vértebras, cada uma das quais com um grande buraco no centro. Como esses ossos estão dispostos uns sobre os outros, o alinhamento dos seus buracos forma o chamado canal medular, onde se aloja a medula espinhal. Este canal oferece protecção e espaço à medula espinhal e nervos, de forma à informação nervosa circular correctamente entre o cérebro e o resto do corpo.

Cada vértebra conecta-se com a vértebra acima e abaixo através de dois tipos de articulações: as articulações de cada lado da coluna vertebral (articulações inter-apófisárias) e o disco intervertebral central. Existem ainda pequenos buracos de cada lado da coluna vertebral, conhecidos como buracos de conjugação (ou intervertebrais). Estes estão localizados entre duas vértebras adjacentes e permitem que os nervos saiam do canal espinhal.
Com o tempo, pode ocorrer o desgaste ósseo, dos discos intervertebrais e das articulações, resultando em alterações degenerativas da coluna vertebral. Essas mudanças degenerativas podem incluir diminuição da altura do disco, a perda da cartilagem articular, estimulando espessamento do osso e a formação de esporões ósseos (osteófitos). À medida que estas alterações degenerativas se vão agravando o canal medular e os buracos de conjugação poderão estreitar-se e eventualmente colocar pressão sobre a medula espinhal e nervos, resultando numa variedade de sintomas característicos de compressão nervosa.
Estas alterações são comummente associadas ao processo normal do envelhecimento, no entanto, também podem ser causadas por infecções, tumores, tensões musculares, ou artrose.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Alterações degenerativas ligeiras poderão causar poucos ou nenhum sintoma. Conforme estas alterações se tornam mais graves, os pacientes podem sentir:
  • Dor lombar
  • Rigidez articular, principalmente de manhã ao acordar e depois de muito tempo sentado.
  • Se a degeneração das estruturas vertebrais for tão grave que cause compressão da medula espinhal ou dos nervos poderá sentir:
  • Dor, que agrava em actividades como andar ou estar parado de pé durante bastante tempo
  • Formigueiro, ardor ou dormência
  • Fraqueza muscular ou sensação repentina de perda de força
  • Todos estes sintomas podem ser sentidos tanto na lombar como ao longo dos membros inferiores.
  • Nos casos mais graves também pode ocorrer alteração da função da bexiga e dos intestinos e do desempenho sexual

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento da coluna lombar, da anca e da coxa, é necessária para ajudar ao diagnóstico de alteração degenerativa da coluna lombar. A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X à coluna lombar, no entanto, a ressonância magnética (RM) é o principal meio de diagnóstico, pois permite visualizar o disco intervertebral em detalhe, assim como o espaço dos buracos de conjugação e do canal medular. A tomografia computadorizada (TC) também pode ser utilizada.
No entanto, o diagnóstico de problemas na coluna vertebral, mesmo com a RM, pode ser complicado, devido a falsos positivos e a casos em que os resultados dos exames não se correlacionam bem com os sintomas do paciente.

Tratamento

O tratamento depende da gravidade e do tipo das alterações degenerativas. Felizmente, na maioria dos casos, as alterações degenerativas da coluna lombar não são suficientemente graves para exigir tratamentos invasivos, e nesses casos o objectivo primário do tratamento será manter-se tão activo quanto possível, sem agravar os sintomas, a fim de manter a força e a mobilidade da coluna, evitando o agravamento da sua disfunção. Poderá fazer:
  • Repouso das actividades que agravam os sintomas
  • O seu médico poderá prescrever analgésicos orais
  • Fisioterapia para fortalecer os músculos lombares e abdominais e para melhorar a flexibilidade e amplitude de movimento.
  • Modificar actividades e posturas de forma a manter-se activo, sem agravar os sintomas.

Além disso, procedimentos minimamente invasivos, como a administração epidural de cortico-esteróides ou analgésicos, provocam alívio temporário da dor, tornando o trabalho da fisioterapia mais produtivo em pacientes com dor severa. Este tipo de procedimentos irá proporcionar alívio dos sintomas à grande maioria dos pacientes, no entanto a probabilidade de estes voltarem 1-2anos após o tratamento é significativa.
A cirurgia pode vir a ser necessária em alterações graves. A cirurgia é indicada em pacientes com dor crónica severa, alterações neurológicas graves, e afecção do funcionamento da bexiga e intestinos. Além disso, a cirurgia pode ser considerada em pacientes que não responderam ao tratamento menos invasivo e em pacientes que apresentam uma anomalia que pode ser corrigida de forma efectiva pela cirurgia.
Os procedimentos cirúrgicos variam dependendo do tipo e da gravidade da alteração. Em alguns pacientes, uma hérnia discal pode ser corrigida cirurgicamente para restaurar a sua estrutura anatómica normal. Em outros pacientes, com estenose do canal vertebral ou em que o disco está a causar pressão sobre o nervo, devem ser removidos o disco ou o osso que estão a causar essas lesões. A lacuna deixada pela remoção desses tecidos é então compensada por um processo chamado de fusão espinal, em que dispositivos metálicos são utilizados para estabilizar a coluna e, em seguida ossos retirados de outra parte do corpo ou de um banco de ossos é implantada para incentivar o crescimento ósseo nessa área. Os resultados da cirurgia são geralmente muito bons e a maioria dos pacientes retorna à função normal em questão de semanas.

Exercícios terapêuticos para alterações degenerativas lombares

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de alterações degenerativas lombares. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas

Posição de congruência das facetas articulares
Deitado, apoie-se nos cotovelos. Mantenha a posição durante 30 a 90 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 2 a 4 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Flexão/extensão da coluna vertebral
De joelhos, apoiado nas palmas das mãos, que estão alinhadas com os ombros. Inspire fundo, enquanto deixa a coluna arquear em direcção ao chão e roda a cabeça para a frente. Expire completamente, enquanto contrai os abdominais e enrola a coluna e pescoço.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 

Rotação da coluna lombar
Deitado, com os joelhos dobrados e os braços ao longo do corpo. Rode ambas as pernas para um lado, depois para o outro.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Roh JS, Teng AL, Yoo JU, Davis J, Furey C, Bohlman HH. Degenerative disorders of the lumbar and cervical spine. Orthop Clin North Am. 2005 Jul;36(3):255-62.
Jegede KA, Ndu A, Grauer JN. Contemporary management of symptomatic lumbar disc herniations. Orthop Clin North Am. 2010 Apr;41(2):217-24. 

2 comentários:

Amadeu Epifânio disse...

Esses exercícios, obviamente não são para fazermos sozinhos, sem o acompanhamento de algum fisio terapeuta, evidente, pois nunca saberemos os limites até onde chegar, ou seja, se aquela dorzinha pode ser insistida ou não.

baires68 disse...

oque é protusões discais e abaulamento discal isso em pede de eu praticar ciclismo e corrida na rua pois são coisas que gosto de fazer

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